In dubio pro ranho

Na porqueira, nesta quinta-feira, o frente-a-frente foi entre Francisco Assis e Aguiar-Branco. Tema: as conclusões da comissão de inquérito ao caso PT/TVI. O espalha-suspeições do Pontal trazia um rosto sorridente, mesmo feliz, e um esgalhanço de jurista encartado – o finca-pé à volta do princípio in dubio pro reo. O PS estaria a puxar a brasa para a inocência do réu porque permaneciam dúvidas, enquanto a oposição puxava a brasa para a acusação, precisamente por persistirem dúvidas.

Aguiar-Branco não podia ter sido mais verdadeiro, disse que a política não precisa de provas, chega-lhe ter suspeitas. Provas é no Tribunal, na política vale tudo. Assim, acabando-se os trabalhos da comissão sem conclusões inquestionáveis, a culpa é dos que protegeram a sua privacidade, dos que exerceram os seus direitos, dos que respeitaram a sua consciência e dos que cumpriram a Constituição. A isto Assis respondeu com indignação, denunciando o mecanismo de calúnia promovido pelo seu interlocutor, onde o alvo da suspeita é que tem de fazer prova de inocência.
Continuar a lerIn dubio pro ranho

Barra pesada

O Fernando Fonseca solicitou a colocação do 31 da Sarrafada na barra das ligações. Ocasião para explicar que esse conjunto de links não representa, actualmente, qualquer critério de gosto, relevância ou destaque do Aspirina B. É um elemento da página que tem sido mantido por inércia, deixado ao abandono por preguiça e pelas alterações sucessivas na equipa de autores activos. Creio que não é renovado desde o início do blogue, tendo resultado da listagem que existia no BdE, se bem me lembro.

As listas de blogues extensas manifestavam um espírito democrático e comunitário associado aos primórdios deste ecossistema social. Depois, com a maturidade e crescimento desmesurado, passaram a ser declarações de afinidade, algumas num registo minimalista.

Ironicamente, o 31 da Sarrafada não se compromete com ligações. Nada contra, claro.

A República dos Labregos

Na República dos Labregos, a Internet é um franchising do Arquivo de Identificação. Para escrever num blogue, estar no Facebook, deixar um vídeo no Youtube, utilizar o Messenger ou comentar num pasquim online, cada indivíduo deverá primeiro expor nome, foto, morada, número de contribuinte, declaração de rendimentos, boletim de vacinas e impressão digital. Caso contrário, sujeita-se a ser tomado como anónimo e tratado como cobarde.

Os labregos não querem surpresas, enigmas, mistérios. Transparência absoluta é a meta, devassa completa o método. Quem não se expuser biograficamente, é denunciado e ostracizado. Voto secreto e bailes de máscaras são conceitos banidos da cultura labrega. Todos transportam à vista uma placa com a árvore genealógica. Todos? Não. Curiosamente, as alimárias que disparam apodos contra o anonimato não exibem mais do que dois ou três nomes, um email que até pode ser geral, e chega. Algumas vão mais longe, colocam a fotografia. Mas a lógica é a mesma: elas não duvidam de si próprias nem daqueles que as imitam. Por exemplo, quando recebem dois comentários nos seus blogues, e um deles está assinado como “Anónimo”, estando o outro como “António Silva”, elas tendem a castigar o primeiro e a acreditar no segundo. Tal como acreditam em tudo o que encontrem digitalizado, de caracteres a imagens, desde que lhes pareça normalzinho da Silva. Não é por acaso que as alimárias são alimárias.
Continuar a lerA República dos Labregos

Quando te dão limões

Dura 35 minutos, à volta de meia hora ou um quarto de duas horas. Foi produzido em 2009. Filma publicitários norte-americanos atingidos pela crise. Eles falam dos seus despedimentos, como aconteceram, o que sentiram. E depois mostra o que fizeram com as suas vidas.

É lindo. E está aqui.

Nota: o documentário vai sendo interrompido por anúncios, é deixá-los passar.

Vinte Linhas 495

A minha memória de Saramago

José Saramago é um «caso» típico em que o autor e o indivíduo sendo a mesma pessoa se separam e tomam caminhos opostos. O autor conquista a pulso um público cada vez mais numeroso; o indivíduo vai perdendo passo a passo muitos amigos e admiradores. O seu livro mais importante para mim foi «Levantado do Chão». Escrito para homenagear José Adelino dos Santos e Germano Vidigal, dois militantes do PCP assassinados pela PIDE na GNR de Montemor-o-Novo, o livro nasceu em casa de João Basuga onde José Saramago viveu perto de 6 meses, ouvindo com atenção e tomando notas das histórias das gentes do Lavre. Menino da Penha de França (Rua Carlos Ribeiro), filho de um subchefe da PSP e de uma doméstica, agradeceu as histórias contadas na dedicatória com os 16 nomes dos homens e mulheres do Lavre. Como no evangelho mas agora no evangelho da Terra, aqui os mortos vão ter uma ressurreição e estar de novo com os vivos no dia levantado e principal – o 25 de Abril de 1974.

Do ponto de partida («O que mais há na terra, é paisagem») ao ponto de chegada («Este sol é de justiça») o livro passa por dentro dos homens e dos dias: «Todos os dias são iguais e nenhum se parece») e prova que, tal como nos outros evangelhos, a morte pode ser salva e resgatada. E a vida triunfar, tal como a alegria, a justiça, a luz, a paz, a lucidez, a virtude e a bondade de intenções. Aqueles homens que andam de noite de bicicleta de «monte» em «monte», a avisar os companheiros, sem luz no volante, continuam na nossa vida. Tal como continuam os 16 da dedicatória entretanto apagada na primeira página das edições recentes do seu livro «Levantado do Chão».

O opróbrio é geral

O Eduardo chove no molhado. Mas ai de nós se esta chuva passar, pois é dela que se alimentam as raízes da liberdade.

Para além dos que utilizam o Carlos Santos, canalhas frios e ferozes, muitos mais estão calados a desfrutar do espectáculo. Como não é nada com eles, nem com alguém do seu círculo de interesses, fruem sadicamente da desgraça. Não conseguem entender que a desgraça é a da própria comunidade. E não o conseguem entender porque começam por não entender o que seja a comunidade. Para eles, é a família, os amigos e os parceiros. Clãs.

O Carlos Santos não passa da versão Júlio de Matos do Pacheco Pereira e sequazes. A peçonha está entranhada até ao topo desta pseudo-direita que não conhece limites para a pulhice.

Fala de Carlos Pato a Alves Redol 60 anos depois

Não morri. Sei que vai sair um pequeno livro

com os meus três contos por si guardados.

Em Vila Franca pouca gente sabe do assunto

mas em breve esse livro de contos vai esgotar.

Continuo nas histórias breves que escrevi

e no seu pequeno prefácio onde me recorda.

Sou o Bairro, sou a Charneca, sou a Lezíria

e os sonhos dos meus dois filhos por sonhar.

Não morri. Continuo no olhar dos meus filhos

Clara bebé e João Carlos que não cheguei a ver.

No olhar e nos sonhos por mim transmitidos

entre o rio de Santa Sofia e o Largo do Serrado.

Ainda hoje, tantos anos depois, sobeja azeite

no aroma intenso que se espalha pelas ruas.

Vem das várias carroças, das raras camionetas

das ceiras onde as azeitonas foram prensadas.

Não morri. Aprendeu comigo a ler e a escrever

o chauffeur de praça que levou Clara a Peniche.

Meu irmão Octávio tinha então visitas breves

e a viagem era tão longa por estradas velhas.

Não queria já receber o dinheiro esse rapaz

mas Clara insistiu sempre pelo pagamento.

Também lhe ensinei à noite a não misturar

os seus deveres e as influências sentimentais.

Não morri. No Bairro, na Charneca e na Lezíria

vi mulheres que não tinham tempo para cantar.

Os sonhos dos engraxadores na estação da CP.

entram no meu conto breve do livro pequeno.

Todos os outros protagonistas saem de manhã

e vendem o seu trabalho no campo à semana.

O vento pampeiro penetra veloz entre as telhas

e sacode o sono leve dos ranchos dos gaibéus.

Não morri. Nas ruas escuras da Bica do Chinelo

corre ainda hoje um forte rumor de esperança.

Passam cavaleiros a caminho das Cachoeiras

e não há ainda as camionetas para a Arruda.

Gerações sucessivas trabalham uma memória

que há nos prelos das tipografias clandestinas.

No nome dos meus filhos Clara e João Carlos

se multiplica o inventário dos meus sonhos.

Queiroz descodificado

Ninguém prestou atenção à mensagem cifrada que Queiroz espalhou durante meses. Com efeito, a escolha dos Black Eyed Peas para mascote da Selecção foi tudo menos casual e inocente. Atente-se no que o vídeo da canção mostra: sexo, droga e ausência de rock ‘n’ roll. Vemos pessoas a caminho de uma festa, pessoas a beber, a saltar, fufices, sado-masos, gayzolas, bolos de haxixe, espumante Raposeira, pretos. Desgraça, enfim, a qual acaba em orgia e cenas tristes pelas ruas.

Pois foi esta a forma ardilosa que Queiroz descobriu em ordem a ir preparando os portugueses para o que aí vinha, a sua fatal presciência quanto ao abandalhamento completo da equipa até ela atingir o deboche. É o que se tem feito à volta de Nani e sua lesão imaginária. Estamos quase a cair no ridículo de aparecer um médico a explicar o problema, vejam só. Deco esteve muito bem e deu um forte contributo para o começo do bacanal, exemplificando com Queiroz. Na presença dos jornalistas, tentou fazer um filho ao seleccionador, à bruta. Mais tarde viria a pedir desculpa e a culpar as vuvuzelas pelo sucedido. Estava dado o sinal de partida, logo se juntaram entesoados do calibre e potência do João Marcelino e Manuel José, para além do Figo e do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, entre muitos outros, todos fodendo a torto e a direito o balneário da Selecção. Significa esta confusão que a 1ª parte do plano de Queiroz está a dar espectacular resultado.

A 2ª parte remete para o refrão:

I gotta feeling that tonight’s gonna be a good night
that tonight’s gonna be a good night
that tonight’s gonna be a good good night

Não tem como enganar, está escrito e reescrito: só ganharemos se jogarmos à noite. O jogo com a Costa do Marfim foi às 3 da tarde, jamais conseguiríamos ganhar nessas horas impróprias para o feeling da equipa, deu empate. Isso quer dizer que o jogo com a Coreia do Norte, o qual vai ser ao meio-dia, só pode acabar com a nossa derrota. É cedo demais, ficaremos a ver as bolas entrar na baliza do Eduardo como se fossem misseis nucleares a caminho de Seul. Segue-se o Brasil às 3, mais um empate.

Portugal irá somar apenas dois pontos, é para tamanho choque que Queiroz nos anda a preparar. Creio que fez um excelente trabalho, pois é esse, exactamente, o actual feeling do País.

Aspirinas

O Acaso pode favorecer a humanidade ?!…

A reestruturação dos modelos económicos assenta quase sempre na sua insustentabilidade, atingindo inevitavelmente a politica que lhes serve de suporte.

O neo liberalismo fez o seu caminho e deixou as suas marcas. Neste início de século, assistimos a mudanças talvez estruturantes, na economia e no bem-estar das populações. A par dos vários constrangimentos económicos que o mundo hoje vive, existe o flagelo dos desastres ambientais que populações já não perdoam, mesmo as menos afectadas.

O último grande desastre ambiental provocado pela BP no golfo do México é disso exemplo. Tanto quanto já é público, o problema deveu-se a falhas provocadas pela pressão desenfreada imposta pela gestão da BP. Sendo a extracção petrolífera feita cada vez a maiores profundidades, o aumento do risco faz-se sentir e quando juntamos a esse facto uma diminuição das medidas de segurança, temos os ingredientes indispensáveis para a eclosão da catástrofe. Lamentavelmente, a ganância especulativa tem para a gestão um peso superior ao desastre ambiental, porque o que verdadeiramente importa para estes gestores é remunerar accionistas, esquecendo que fazem parte dum planeta que já está em risco. Neste caso específico, o acaso talvez tenha feito um favor à humanidade. Não nos podemos esquecer que o lóbi americano tem sido fortíssimo, recusando sistematicamente medidas fundamentais em matéria ambiental. Esta é a ocasião imperdível de converter uma crise numa oportunidade.
Continuar a lerAspirinas

Tiranetes de merda

O nosso amigo José Albergaria descasca o pessegueiro em cima do Carlos Santos. Tem graça e tem alma.

Este caso sórdido de violação da privacidade e delírio, que só pode ser clínico ou artístico, não se explica por uma dinâmica de ressentimento. No ressentimento há um terreno reconhecível, bem delimitado, donde se age, reage e comunica. Não é esta a situação com o Carlos Santos, o qual lembra o conselho de Aristóteles para não se discutir com quem não aceita princípios lógicos. Com aqueles que nos fazem oposição ou desagradam, pode discutir-se. Em variadas ocasiões, e no cumprimento da cidadania, deve discutir-se. Mas com quem prefere a imaginação à honra alheia, não adianta continuar a conversa depois de se ter enfrentado o problema e confrontado o seu responsável. Ele infligiu-se uma pena perpétua de descrédito, está condenado a desaparecer na irrelevância.

É por isso da maior importância constatar quem são aqueles que o exploram e para que fins. Porque este caso está à vista de todos, é obsceno nos seus mecanismos. Quando há jornalistas, publicistas e políticos a utilizarem o deserto ético e ruína cognitiva do Carlos Santos, nascidos da sua evidente fragilidade psíquica, para alimentarem a estratégia dos assassinatos de carácter e teorias da conspiração, ficamos a saber que o jogo mete passarões sem qualquer escrúpulo ao barulho. Como o sinistro Paulo Pinto Mascarenhas, o qual em Janeiro publicava a mesmíssima atoarda de eu ser o Rogério da Costa Pereira. Foi a este estúpido que o Carlos Santos veio buscar o que agora anda a papaguear desmiolado, adivinho sem ser adivinho. Este Mascarenhas é o mesmo que fez a pulhice ao Jumento.

Estas ligações não são acasos, são manifestações de esquemas que atentam contra a liberdade através da calúnia profissionalizada e mediatizada. Quando um jornal se revê nos métodos e propósitos do Mascarenhas, não há inocentes – quem fica calado é cúmplice destes tiranetes de merda.

Schmeichel festeja um golo (2000)

Os meus braços levantados são as asas

Dum avião que só viaja entre as balizas

Deixaram os problemas nas suas casas

Aqui só a fé e a paixão lhe são precisas

Estou longe do golo mas faço a festa

Celebrando a tristeza deste adversário

Eu sou uma árvore na grande floresta

Dum clube a caminho do centenário

Eu sei que só pode haver um vencedor

Nestes jogos com três pontos em disputa

Ninguém pensa na hipótese de um favor

E os pontos ganham-se com muita luta

É na relva que deixo a festa derramada

Neste avião e nesta minha coreografia

Nas minhas mãos está bem apontada

A direcção da luz, da glória, da alegria

O labrego e o cobarde

O Pedro Correia, na minha humilde e nada modesta opinião, é um labrego. Considera que o uso de pseudónimo equivale ao anonimato, o que faz dele um labrego. Nunca me ter contactado para obter qualquer tipo de informação pessoal que, pelos vistos, lhe faz falta para me retirar da sua lista negra, é típico dos labregos. Supor que faltarei a qualquer responsabilidade moral ou jurídica por usar uma alcunha na Internet só é possível quando se pensa como um labrego. Fazer link para um texto meu sem me nomear, e dizer aos seus colegas de blogue para não dialogarem comigo, configura um caso agudo de labreguice. Por sua vez, ele diz que sou cobarde.

Ora, o meu insulto resvala na couraça da sua indiferença. Ele sabe muito bem que não é labrego, nem sequer perde um minuto a pensar nisso. A sofisticação, estatuto e superioridade moral que exibe, chega e sobra para não ter a menor dúvida a seu respeito. Já comigo é outra história, pois acredito sempre naqueles que me chamam cobarde. A cobardia é tramada, não encontro forma de me livrar dela. Com sorte, há momentos em que finge desaparecer.

O maldito

O que Deco fez foi pedir a Queiroz para o deixar aproveitar o resto do Mundial descansado. Há vários jogos do Brasil para acompanhar, a torcida está em festa nas bancadas, e Deco já topou um candongueiro legal que lhe faz preços bacana para seguir o escrete até ao Hexa.

Figo confirmou o diagnóstico, chamando cagarolas aos antigos colegas e antevendo uma derrota com o Brasil. O facto de ter feito estas declarações a um jornal desportivo chinês só amplifica a gravidade da sentença.

São bons sinais. Temos de ter sempre presente que Queiroz está amaldiçoado desde os 3-6 em Alvalade. Para se livrar do sortilégio – a força que desviou aquela bola do Cristiano para o poste, por exemplo – tem de bater no fundo, enfiar a cabeça na lama e ser espezinhado. Só então virá a redenção.

Assim, proponho que Cavaco faça uma comunicação ao País acerca da insustentabilidade do actual modelo de jogo da Selecção e da possibilidade de uma situação explosiva caso não se acabe com o défice ofensivo.

Paulo Teixeira

Nos juniores tu eras sempre o capitão

Depois na equipa B tinhas a braçadeira

Hoje sei que jogas futebol em Portimão

Porque leio A BOLA de segunda-feira

Corri o país para escrever no meu jornal

Fazia as crónicas e a notícia pequenina

Eras tu que me falavas sempre no final

Mas em nome de toda a equipa leonina

Foste o melhor em campo várias vezes

Tal como já tinhas sido vestido de leão

Em Santarém nos Sub-21 portugueses

Fazias toda a ala direita dessa selecção

Ainda hoje não percebo este mistério

Que te afastou para longe de Alvalade

Tu continuas a jogar e sempre a sério

A encher os teus domingos de verdade

Molho à espanhola

*

Tive a sorte de estudar numa academia onde o nome José Adelino Maltez era admirado como politólogo e patriota de excepção. E tenho encontrado em Luís Naves exemplos abundantes de decência. Por isso, vocalizei a minha perplexidade com o que podemos ler supra. Francisco Almeida Leite está a pedir ao Carlos Santos para continuar a fazer o que tem feito. E de que façanha se trata? Para o Francisco, é a denúncia de um suposto escândalo que urge esclarecer pela via da devassa, da mentira e da alucinação.

O meu remoque convocou as simpáticas presenças do João Villalobos e do Fernando Moreira de Sá, a que se acrescentaram os comentários do simpático Luís Naves e do labrego do Pedro Correia, para além da infeliz desresponsabilização do Francisco Almeida Leite. E o facto de terem apelado ao histórico das relações pessoais para lidarem com um contexto que se esgota na actividade blogosférica foi má-fé surpreendente.

Vamos lá ver: se até o Albergue Espanhol alinha na exploração do farrapo humano chamado Carlos Santos, e ninguém nessa casa levanta a voz contra esse acto ímpio, vocês não passam de um grupo de carapaus de corrida.

Carlito’s way

Como não sei, admito as duas possibilidades: o Carlos Santos tanto pode ser uma vítima de perturbação psíquica grave como ser um debochado que enche a pança de riso com a confusão que provoca à sua volta. O certo é que ele se refugia num lugar inexpugnável, o delírio. A partir daí, cola com cuspo uma narrativa cada vez mais desconexa, maníaca e sem apresentação das fontes. Ele não apresenta fontes porque já as apagou ou não aguenta o confronto com o que lá escreveu. No que a mim diz respeito, mas imagino que será caso similar com outros, bastaria que se lessem os emails trocados em 23 e 24 de Janeiro – poucos dias antes da sua estreia nos métodos e aparelho mediático da Política de Verdade – para que não estivéssemos agora a falar do bufo.

Mesmo com pessoas insuspeitas de afinidades pessoais ou políticas comigo a tentarem chamá-lo à razão, como o Nuno Ramos de Almeida, e perante factos imediatamente comprováveis que tornam absurda a suspeita de eu ter publicado em meu nome (sim, Valupi é um nome e é meu) algum texto escrito pelo Rogério, a viatura desta alforreca há muito se despistou e cai pelo abismo sem que ele deixe de acelerar a fundo. Na versão benigna, estamos perante um pândego superior que levou a dimensão circense da vida social ao seu extremo, tendo a duvidosa originalidade de escolher a política para palco da sua apetência pelo burlesco. Na versão maligna, haja alguém que tome conta dele.

A história do Aspirina B está contada diversas vezes, por diferentes mãos e em diferentes locais. Tropeça-se num link e salta uma versão do nascimento. Trata-se de um blogue de segunda geração, apareceu quando a primeira vaga de bloggers já estava cansada, finais de 2005, e foi uma consequência do fim do BdE. Tinham sido dois anos intensos, deslumbrantes, com o novo brinquedo a servir de estimulador intelectual e social para um grupo de brilhantes escribas. Alguns saltaram para outras arenas, mediáticas e políticas, outros desapareceram, outros reciclaram-se, outros resistiram. Entretanto, iam chegando novos entusiastas. Como eu. Mas os blogues, enquanto plataformas de interacção dialógica, não eram nada de nadinha de novo. Paulo Querido, uma das pessoas que mais e melhor conhece o universo digital português desde os seus primórdios, está por aí ao dispor dos curiosos. Basta referir que as BBS apareceram em Portugal nos anos 80. No universo da Internet, o anonimato real sempre foi condição de liberdade. E no mundo dos primeiros blogues, os pseudónimos eram acarinhados e promovidos; muitas vezes segredos de polichinelo, noutras fascinantes enigmas. Depois, chegaram os bárbaros que não conheciam ninguém nem as regras da casa.

Relembro estes aspectos para embrulhar a conclusão: o Carlos Santos, para além de tudo o resto, é um parolo.