Morre o homem, nasce a eternidade

O meu livro favorito dele é o Levantado do Chão. Pela geografia, está ali um Alentejo que não vivi, mas que ficou a viver em mim. E pelo corpo, o corpo daqueles que a opressão não consegue esmagar.

E o teu? E porquê?

43 thoughts on “Morre o homem, nasce a eternidade”

  1. O meu, meu caro anónimo, é que te fartaste de lhe dar no pêlo quando ele fez a proposta de uma união ibérica.

  2. Gosto do que Saramago escreve desde há muitos anos .
    Livro favorito? São muitos.Destaco o Memorial e o evangelho.
    Razões são imensas a maior das quais o génio com que os escreveu.
    Infelizmente porém não há génio que chegue para gente com este péssimo gosto:-

    @: “na morte de saramago nem os hipócritas faltaram; o psd e as suas tuitadas indecentes. ~ a pomba livre”( http://twitthis.com/fxnjn6 )

  3. Imenso livro, o Levantado. Assim que o Memorial, a Ano da Morte, o Ensaio e a Viagem do Elefante. O meu favorito talvez seja dos menos conseguidos dele: A Jangada de Pedra. Foi o primeiro que li dele. Talvez seja por isso. Mas também A Viagem do Elefante, obra magnífica e depurada. Considero-o o seu melhor livro.

    Que notícia de merda. Estragou-me o dia.

  4. Existem vários que aprecio, mas apetece-me destacar exactamente aqueles que encarnam a realidade presente : Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez. Creio que estas duas obras são verdadeiros tratados de filosofia apresentados sob uma forma ficcionada.

    Não deixa de ser curiosa também, a reflexão que ele faz acerca da vida em “Intermitências da Morte”

  5. O meu favorito é o «Levantado do Chão» mas o verdadeiro, o original onde ele agradece a quem lhe contou as histórias que ele, menino da Penha de França, não poderia ter conhecido se não o tivessem ajudado com as memórias trazidas por cada um. Foi a Isabel da Nóbrega que o levou lá com uma furgoneta de livros da Bulgária para a biblioteca da Cooperativa local. Nenhuma dedicatória apagada apaga a verdade.

  6. O meu livro de Saramago é “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. O ofício da escrita ao mais alto nível. Definitivamente um dos livros da minha vida. De uma vida de Lisboa.

  7. O Memorial, porque foi o primeiro que li e porque ainda hoje o Baltazar Sete-Sóis e a Blimunda Sete-Luas povoam o meu imaginário e o “Todos os Nomes” pela crueza e precisão com que desfaz as vidas e as reduz, no final, a um arquivo poeirento de nomes e datas em papéis amarelados

  8. Parece que a Blimunda ainda está presente em mim quando se me aflora à ideia o nome e a obra do José de Sousa (ouvi agora mesmo, na rádio o seu verdadeiro nome – pois como é sabido, saramago é uma erva que os locais da Azinhaga comiam para servir de couves… – fossem hoje dizer que morreu o Sousa, a ver se alguém o conhecia – isto é para os “espertos” que pululam por aí contra os pseudónimos… mas adiante, que agora não é a altura para isso…). Foi um dos livros de minha referência, mas outras houve que me entusiasmaram (concretamente o Ensaio sobre a Cegueira, a que se seguiu o visionamento do filme). Apesar de não ter lido toda a sua obra (o que me entristece, não pelo facto de ele agora ter desaparecido fisicamente…), penso em fazê-lo logo que puder.

  9. Ensaio sobre a cegueira, não sei talvez por ter sido o 1º que li. Dos que me faltam ler o Levantado do Chão é o que eu tenho mais curiosidade já à muitos anos, ainda o comecei a ler na biblioteca da minha escola secundária (não li mais que 50 ou 60 páginas), mas estava a gostar e após 2 grandes referência, o Valupi e o José do Carmo Francisco, o irei ler em breve concerteza.

    P.S. Você José do Carmo Francisco é o que faz ou fazia a crónica para o Inter-ilhas do Sidónio? Penso que é, mas não há nada como ir ao próprio.

    Cumprimentos picarotos.

  10. o ensaio sobre a cegueira, por nos fazer perder a visão e ver luz e o conto da ilha desconhecida, por contar às crianças uma história sobre a aventura do amor e a liberdade.

  11. sinto uma pena imensa, amo a Saramago.

    o me livro, ” o ano da morte de Ricardo reis”, li o livro tres vezes por compreendelo melhor por não ter dominio do idioma. A narrativa e imensa no livro, fez-me gostar o idoma português, não posso lêr a Saramago en espanhol, para min não é o mesmo.

    Em espanha falar de Saramago é falar dum mito da literatura, acho que é dos autores más lidos. Os livros dele traduzidos estão em todas partes. Também há muitos que não o leram e o consideram um tipo perigoso o vê-lo em apoio de causas das que não gostam.
    o último que li foi a changada de pedra,gostei muito, o memorial esta feito para passar a posteridade. Além disso gostava de escoitá-lo falar . Eu sempre via nele um ponto de sorna. Falava com brincadeiras. `

    Gostei muito da polêmica de Caim em Portugal. Quanto ele disfrutaria vendo espalhar as suas ideias de ateismo e como as catacumbas se levantavam. Acho que não todos os portugueses estiveram preparados nesta altura para compreender a um genio de Portugal, a hestoria será mais justa com ele.

    e agora em homenaje procurarei o levantado do chão que por aquí é menos conhecido, será por influência do aspirinaB.

  12. O Levantado do Chão, por ser em Lavre, na terra das minhas origens, da minha família, que conhece os personagens que no livro (re)vivem.

    O Memorial, porque foi o meu primeiro contacto com a obra do Saramago- nunca mais me passou.

    O Ano da Morte de Ricardo Reis – uma das melhores viagens literárias que fiz desde sempre.

    Boa viagem, Saramago (mesmo que não acredites nela).

  13. “Levantado do chão” foi o primeiro que li e o que mais gostei, seguido de “Memorial do Convento”. Confesso que alguns ficaram para ler mais tarde, com mais tempo, porque é preciso saber ler Saramago.
    Há pessoas que deviam ser eternas…

  14. O Levantado do Chao, tambem. Seguido bastante de perto pelo Ensaio Sobre a Cegueira. Nao era o meu escritor preferido e ha alguns aspectos da sua historia pessoal e da sua personalidade que nao gosto muito, mas reconheco que era um grande escritor e no seu melhor, como a Agustina, capaz de proporcionar ao leitor umas quantas epifanias e revelacoes. Tambem o vou lembrar por aquele amor tao profundo que tinha pela Pilar del Rio, amores daqueles sao muito raros.

  15. Tenho pena do Homem. Também sempre tive pena de não gostar dos livros dele, fiz vários esforços, porque queria gostar, mas foram escusados, acho os livros dele muito chatos e previsíveis. No entanto, gostei bastante de alguns textos que escreveu no blogue, e outras pequenas coisas que apanhei por aí. Também nunca gostei das amizades com Fidel e companhias. Mas sempre tentei gostar do homem, talvez por ser português ou pelo percurso de vida.
    Acho que é completamente impossível a uma pessoa normal gostar de todos aqueles que são considerados grandes artistas. Há 3 ou 4 grandes escritores a quem não aprecio a escrita. Infelizmente calhou-me não gostar de um dos nossos. O meu romancista preferido a escrever em português é o Jorge Amado. Dos portuguêses gosto do Camilo e do Aquilino, e não muito mais, não acho que tenhamos grandes romancistas.

  16. Caro Amigo Açoriano – sou eu mesmo que desde 2002 colaboro no progrma do Sidónio. Ainda hoje de manhã gravei a crónica da próxima semana. Uma dos poemas recentes aqui no «aspirinab» recorda o vinho do Pico. Um abraço

  17. Ah, a morte de Saramago. É lá (já deve ter chegado, presumo) que ele vai aprender aquilo, que é muito e tão óbvio, que passa ao lado da maioria dos literatos vaidosos nesta Terra. Um a um, vão todos mudando de farpela, e passam ao cosmos num relâmpago com as próstatas numa desgraça e os fígados a abarrotarem de gloriosa ignorância materialista. É sempre uma surpresa doida quando desembarcam, calculo.

    Pensei nisso cinco segundos e esqueci-me logo como já esqueci o título do primeiro livro que dele li até à pagina 32, ou por aí. Só me ficou a imagem do Durão Barroso com aquele sorriso de cobra de água, a seu lado, a cagar de pé para as câmaras, quando a notícia foi transmitida.

    Nisto passou a furgoneta do do JC Francisco que me meu uma boleia, tendo poupado os quatro euros materialistas que iria pagar no autocarro. Very nice.

  18. Quando está vivo, malham-no em cima; agora que faleceu, vêm os mesmo prestar homenagem, tirando algumas excepções.

    Eu não vou entrar nesse rol clássico das homenagens. O meu coração está e sempre estará com ele.

  19. Oh, meu caro João Pedro, tu até o acolheste do alto do anfiteatro para ele te ver bem… Não há que confundir posições… Já te tornaste mais modesto? Na altura, devias sofrer da síndrome jcf.

  20. Nem agora, com a morte de Saramago, a mesquinhez do senhor José do Carmo Francisco deixa de manifestar-se. É vergonhoso que venha com a conversa do costume: dedicatória para aqui, dedicatória para ali, mais Isabel da Nóbrega e etc. Gosta do «Levantado do Chão», mas do verdadeiro, do original, onde ele agradece a quem lhe contou as histórias que ele, menino da Penha de França, não poderia ter conhecido se não o tivessem ajudado…»! Devia ter sido por isso, por ter sido ajudado que alcançou o Nobel! A inveja há-de acompanhar este JCF até à cova. Cum caraças! Este tipo é mesmo rancoroso, recalcitrante, chato, insuportável! Tirem-me esta besta da frente!

    O meu livro preferido? «Levantado do Chão», mas nutro especial carinho por um outro, muito anterior às suas grandes obras, intitulado «Deste Mundo e do Outro» (crónicas). Foi-me oferecido pelo Saramago, com uma dedicatória para amigos, em 1987. (Não querem lá ver que a vaidade do JCF é contagiante, tipo gripe A???)

  21. O evangelho segundo Jesus Cristo, por que nele o escritou explica de uma forma genial por que é que o Bem necessita do Mal para existir.

  22. O ensaio sobre a cegueira deve ser bom. Não sei porque nunca li nenhum livro desse sr. Só me lembro deu quando despediu os jornalistas do DN e eu na altura participei duma manifestação organizada pelo PS contra a atitude desse pequeno ditador. A partir daí mais nada me interessa sobre tal figura. Mas que ele tinha cegueira disso estou certo. Não sei se o tal ensaio é sobre a sua própria cegueira. E mais não digo.

  23. João Morais, José Saramago não só era um excelente escritor como uma excelente pessoa. Não era inteligente: era visionário e intuitivo. Este homem é um Grande e há homens que nunca deveriam morrer. Deixam um grande vazio. É um homem que admiro e sempre admirarei.

  24. O Evangelho é o culminar de uma estética literária. Levantado do Chão é o meu preferido, talvez por ser o primeiro que li. Gosto particularmente do Cerco de Lisboa.
    Quanto ao homem, gostei sempre daquele azedume gozão e provocador. Acho que vai de barriga cheia.

  25. Estranha realidade, esta que nos lembras, Valupi: a imortalidade é uma atributo da pessoa e não do homem. Ninguém vai ter uma eternidade de borla.

  26. edie, viva!, um prazer
    a escrita as pressas erros são….
    Sorna acho que não é o mesmo no galego que no português. Assim como “retranca” que tampouco tem o mesmo significado nos dous idiomas. Hoje tanto no galego como no castelhano são ditos de pessoas de humor inteligente e provocador, que di as coisas não muito craras mas no dito deixa um pensamento para o ouvinte. Sinte-se no seu pensamento um pouco superior e esta-se a rir do outro sem que o pareza. Tenho dificil para esprimer o conceito.
    Sorna e retranca são semelhantes, a retranca está dita con sorna . ( no portugués , acho, que uma pessoa con sorna é uma pessoa indolente, pessoa que maça). E estão as duas palavras ligadas , pois o retranqueiro fala de forma tranquila e indolente. Também mordacidae com gracejo, troça, brincadeira.

    Porém lendo o comentario anterior de “mister p”: vou colâ-lo, pois acho esprime-o melhor : daquele azedume gozão e provocador

    p.s. en Espanha dizem que os galegos falamos sempre com sorna e com retranca. Eu acho que não é assim o que passa e que outros não entendem culturalmente a tua forma de falar que é diferente.

  27. reis, aqui por Trás-os-Montes temos por sorna o mesmo que vós, galegos: um indivíduo matreiro e gozão que faz as coisas pela calada. Já retranqueiro é o cauteloso, reservado, desconfiado.

  28. O Ano da Morte, que me levou à procura do Hotel Bragança e descobrir deslumbrado a melhor vista de uma nesga do Tejo.Dali de cima do Camões, à medida que se desce, parece que só paramos no meio do rio sendo a rua do alecrim somente um trampolim para o fatal mergulho no mundo que mais abaixo me interpelaria. O Mario Dias dava-me as calidas boas noites até à ultima valsa enquanto deambulava pelas mais diversas paragens de Tokyo ao Texas passando pelo Xangrila. Uma pequena grande odisseia. Obrigado Saramago e duplamente porque no teu funeral ainda me deste mais um motivo de gozo ao menorizares essa trampa a que dão o nome de presidente. Foi o ultimo acto provocatorio e que obrigou uma vez mais ao habitual silêncio cobarde da corte cinzenta. Fizeste bem mais vale um corpo inerte e bem vivido como o teu que uma alma mesquinha e vingativa como a dele.Llisboa é uma cidade solar.

  29. Zeca Diabo , concordo muito melhor com a tua explicação. E vendo de TRás-os-Montes não há duvida.
    K: tenho bons recordos do Hotel Brgança, do Pimenta, da meninca, da Celia e dos paseios do doutor quando descia pela rua do alecrim. Não estive de corpo em Lisboa mas sim estive quando li O ano da Morte, neste verão para recordar lá irei visitar as ruas nas que já estive.

  30. Vem reis, lisboa esta cada vez mais bonita.É uma cidade que tem muitas cidades dentro, numa nesga entrevês uma cidade norte americana noutro lugar um pouco de Londres ou Paris e é acima de tudo muito galega, dos principais restaurantes da baixa até culminar no cimo do elevador do lavra na lindissima casa Xuventude de Galicia. Vem e descobre o Filomeno (um dos melhores romances que li) que há em ti.:))

  31. K: parabunx pá!, até se me assubiu umas labaredas e fiquei a deitar fuminho das orelhas, boa poesia certeira. Ai, ai, que agora é solstício …

  32. O “Ensaio sobre a Cegueira” será sempre um dos livros da minha vida.
    É demasiado alarmante a visão nua e crua dos valores da humanidade.

  33. Quando o sr Lara vetou o livro de Saramago, quem mandava no sr Sousa era o sr Sliva, que se não o mandou vetar, apoiou a decisão; talvez por isso mesmo neste momento, ele esteja desaparecido em combate, melhor; escondido à espera que guerra termine e a seu favor; só então acaba o tabú que agora existe, para então dizer que não fujiu, apenas fora perseguir o inimigo lápró Pulo do Lobo.

    Por outro lado, também ainda não percebi porque razão o sr Alegre foi pregar para o deserto, quando Santo Agostinho de Hipona, pregara lá tudo o que de fundamental havia a pregar, se foi para concluir que o sr Lara ao proceder daquela maneira revelava ; “resquícios de dogmatismo”, só pode lamentar o tempo perdido…ou talvez não.

    De facto, como é que um eremita com mais de dez anos no deserto do Magrebe, acede directamente à Emissora Nacional? Afinal, mas que rica ascese! E eu a lembrar-me que daquela maneira antigamente, só entravam os entes das famílias dos fascistas ou dos seus afilhados!

  34. OK, reis. O que se passa é que a esses castelhanos, leoneses e Cª lhes falta subtileza para compreender a vossa sorna e retranca. Parecem mais distantes da vossa cultura que um nórdico ou um chinês. Seguramente muito mais do que um português.

    E O QUE ME DIZES AOS 7 GOLAÇOS?????

  35. meus parabens pelos golos e a equipa de portugal ; ainda que cristiano ficaria zangado por marcar so um e daquela maneira:

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