Consta

Consta que o Governo escondeu informação aos portugueses, e que o PS mentiu no seu programa eleitoral, porque não se falou da Grécia e dos CDS antes das Legislativas – ao contrário do que fez Ferreira Leite com tenacidade e audácia; a qual até receava falar ao telefone, ou mandar uma carta, com medo de ver as suas milagrosas soluções para a crise grega copiadas pelos mesmos bandidos que se empoleiravam nos muros do Palácio de Belém e tiravam polaróides sem pedir autorização.

A ser verdade, e a dupla PSD-BE em breve fará a investigação que se impõe, ainda mais urgente fica a necessidade de enxotar uma oposição tão má, tão bera, tão reles que deixa estas barbaridades acontecerem à frente dos seus ramelosos olhinhos.

Mas serei o único?

A dar graças por este dia de chuva imparável, à inglesa, como ela deve ser para não se confundir com os volúveis aguaceiros? Serei o único a dar graças por este Inverno que se esforça para cumprir o calendário, apesar do Al Gore? Serei o único a estar solidário com todos os compradores nos saldos, finalmente desfrutando de meteorologia que lhes valoriza a racionalidade da poupança?

Não acredito.

Diz ela

Tenho uma forte convicção que, se Sócrates governasse com esta mentalidade e esta força (e como já li e concordo: com pele de sapo e vida de gato) no tempo em que tínhamos como Primeiro-Ministro Cavaco Silva, Portugal poderia estar hoje muito, muito bem posicionado a vários níveis. Tanto dinheiro dado na altura de bandeja pela CE para tantos empresários amiguinhos poderem comprar Mercedes, BMW, mansões e casas de férias e terem hoje as empresas obsoletas e fechadas na falência… Ou alguns até estarem a ser investigados pelo Ministério Público com notória falta de destaque pela comunicação social para seleccionados casos. Estranho… Ou talvez não!

Isto é que é triste. É ver esta gente que tanto afundou o país ainda chegar a altos cargos, a pensar em recandidaturas… Fora toda a sua “actividade” recente como referi no post acima…

Estou desejosa de sair deste país e encontrar verdadeiras oportunidades e com todo o orgulho poder contribuir com o meu trabalho, impostos, dedicação e profissionalismo para um país que me respeite como cidadã já que no meu não é isso que encontro.

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Oferta da nossa amiga Daniela

Big

Este maravilhoso exemplar feminino e californiano, aqui exibindo-se nuns deslumbrantes 58 anos ao lado dum avatar, é digno representante do melhor de Hollywood: não deixa que a realização atrapalhe uma boa história.

Antes do filme agora consagrado com os Óscares e o favor da crítica, tinham passado a Kathryn Bigelow um atestado de óbito na carreira por causa de um tremendo fracasso: K-19: The Widowmaker. É exactamente assim o sonho americano, o saber pôr os pés no chão. E andar.

Génio de Carvalhal

Continua a saga, chapa 3 (em versão 3+1). Liedson sempre a resolver (resolveu marcar 4). Saleiro a dar espectáculo (um espectáculo dentro do espectáculo). Ostracismo de Vuk a permitir o regresso às 3 substituições (que dão jeito, há que o admitir). E a equipa deixou de falar à comunicação social sem sequer explicar porquê, assim tornando oficial que o Costinha já pegou ao trabalho e trouxe umas fotocópias gamadas ao Pinto da Costa. És do Carvalhal, Carvalhal.

Entretanto, os meus amigos António P. e Rogério estarão resignados, convencidos de que a Páscoa não lhes vai trazer amêndoas.

Vinte Linhas 457

Rouslan Botiev – do Largo do Carmo para a Faculdade de Letras

De 10 a 31 de Março, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na Cidade Universitária de Lisboa, o nosso amigo Rouslan Botiev vai ter a sua exposição de pintura.

O título geral é «Homem, Cosmos e Mitos» e tem o apoio da Associação de Cultura Lusófona. Para quem começou por ver os seus trabalhos debaixo do Elevador de Santa Justa e à porta da Basílica dos Mártires não deixa de se um motivo de alegria ver esta notícia. E divulgar.

Se estar na sombra do Quiosque do Largo do Carmo já era uma promoção pois o toldo protege-o das intempéries, esta exposição e a possibilidade de muitas mais pessoas o poderem conhecer, a ele e aos seus quadros, abre novas perspectivas.

Porque a obra pictórica do Rouslan Botiev é muito mais do que a porca de Murça, o eléctrico 28, a Sé de Lisboa ou a ponte 25 de Abril a ligar Almada a Lisboa.

Como o título da exposição sugere, há nele, na sua obra, o Homem, o Cosmos e, entre o Homem e os Cosmos, os Mitos. No intervalo do Mundo e do Tempo, o Homem precisa de Mitos para ter uma gramática do Mundo.

A inauguração é às 17h 30m do dia 10 de Março mas a exposição só termina a 31 de Março. Ainda a tempo de todos poderem ir até à cidade Universitária.

Não percam. O Rouslan Botiev merece a nossa atenção e o nosso interesse pela sua obra de pintor.

Delenda Cavaco

Cavaco lançou a recandidatura. Apresenta-se como o Presidente que vive num humilde prédio de classe média. Tem sofrido muito neste Inverno porque a casa não tem aquecimento central, queixa-se. Também ficámos a saber que nada lhe dá mais gostinho do que a comida caseira, simples, portuguesa. Leituras da imprensa só as que os assessores seleccionam e marcam. Viu-se um exemplo: 3 parágrafos de um certo texto estavam assinalados a traço vertical, os restantes 10 já não valia a pena ler – e ainda há quem diabolize os assessores…

Os melhores momentos deste tempo de antena, se esquecermos todas as outras gargalhadas do princípio ao fim, centram-se em Sócrates. No primeiro deles, Cavaco quer passar a imagem de ser tão superior ao engenheiro que nem sequer dá atenção à sua entrevista a Miguel Sousa Tavares. O intento já era primário, a execução foi penosa. No segundo, Cavaco diz que sempre se deu às mil maravilhas com Sócrates e que o suposto conflito entre ambos não passa de má-língua. Um dia explicará o que se passa, falará do amor que se faz semanalmente numa certa sala do Palácio de Belém. Mas, por agora, tem de ficar caladinho enquanto o Primeiro-Ministro é queimado pelos amigos do Presidente. Porquê? Porque Cavaco não se mete na política, apenas a tolera às quintas-feiras.

Não era preciso este favor de Balsemão a Cavaco para descobrirmos como é necessária a derrota desta nefanda personagem. Representa um Portugal que se limita a usufruir dos privilégios, sem qualquer solução de interesse para a comunidade. Merecemos um Presidente de que nos possamos orgulhar, não uma figura que traiu o seu juramento.

O mal e a caramunha

Portugal está há quatro meses sem Governo. Os portugueses elegeram um novo Governo, mas o novo Governo demite-se da sua função. Dito de forma chã, o Governo demite-se, dia após dia, das suas responsabilidades, deixando atrás de si um país adiado.

Paulo Pinto de Albuquerque

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O PSD aderiu às velhas tecnologias, agora usa cassetes de cartucho acreditando que elas disparam chumbo grosso. Repetem-se uns aos outros numa vaga acéfala que conquista novos máximos a cada novo canastrão que entra em cena – o estribilho actual é o de não haver Governo. Então, leia-se o artigo deste Albuquerque. Começa por dizer que não há Governo, papagueando vacuidades, e depois dedica o resto do artigo a maldizer actos governativos – originais uns, evoluções ou correcções outros – que comprovam o inverso do que diz na abertura do texto. Mais notável ainda, não se encontra uma só ideia no que escarrapacha, só adjectivação biliar. Se nos lembrarmos que o autor explora as escutas ilegais, e ilegalmente publicadas, para fazer ataques políticos que visam exclusivamente a destituição de Sócrates, temos o retrato acabado do vale tudo em que se tornou o PSD.

Que cambada. Escutam o Primeiro-Ministro, e sabe-se lá quem mais, e dizem-se escutados por aquele que estão a devassar. Recusam ser parte da solução governativa, formam coligações negativas, ameaçam derrubar o Governo quando bem entenderem, vão para o Parlamento Europeu denegrir e ofender Portugal, andam a pedir aos especuladores internacionais para agravarem as condições financeiras, chafurdam nas manobras e crimes de atentado contra o Estado de direito, levam para o Parlamento a escória da comunicação social na esperança de que emporcalhem mais e mais os governantes e as instituições. E fazem isto no meio de uma crise económica internacional que levou o desemprego para os 10%. Fazem isto com o silêncio cúmplice, ou berreiro aliado, do BE e do PCP, diga-se em abono da Política de Verdade.

Nunca nenhum Governo teve pela frente o desafio que este tem, tanto pelas condições internacionais como pelas nacionais. Obviamente, o primeiro e decisivo pilar da governação seria a aprovação do Orçamento – tarefa particularmente difícil numa situação minoritária e de irresponsabilidade da oposição. Sem ele, não haveria condições para continuar. E a evolução da conjuntura económica também faz do PEC um segundo momento quase tão importante como o primeiro. Como à volta do Executivo reina um combate sem quartel, onde magistrados e jornalistas são factores de alarme social e se comportam como golpistas, ainda haver Governo parece-se cada vez mais com um acto heróico.

O PSD não tem qualquer lealdade para com o País. O modo como tenta conquistar o Poder resume-se à lógica do quanto pior melhor. Fazem o mal e a caramunha. É serviço completo.

Um livro por semana 173

«Duas vidas numa só» de Paulo Alexandre

Paulo Alexandre (n.1931) cujo nome civil é Modesto Pereira da Silva Santos viveu de facto duas vidas numa só, título feliz do seu livro. São 37 anos de empregado bancário (1944-1981) e 50 anos de percurso artístico (1954-2004) o que soma 87 – mais do que os seus 79 anos de, digamos, Bilhete de Identidade.

Esta ligação entre cifrões e canções nasceu cedo: em 1939 tem 8 anos e o pai comprou-lhe um banjo. No S. João de 1944 é convidado a tocar numa festa dos vizinhos (Mello e Sousa) na Rua D. Luís de Noronha e acaba por entrar para o Banco Burnay como groom (pessoal menor) tendo chegado ao cargo de director.

O Óscar da Imprensa em 1962 para o seu conjunto vocal «4 de espadas» e o êxito mundial do «Verde vinho» são dois dos pontos de alto interesse do depoimento de Paulo Alexandre que teve a feliz ideia de convidar dois prefaciadores. Júlio Conrado, ex-bancário e escritor multifacetado (n.1936) foca as memórias do «velho» Banco Burnay e conclui: «Partindo de quase nada, modesto Santos terá cumprido todos os seus sonhos sem atropelar ninguém». Por sua vez Artur Agostinho, jornalista, actor e escritor, recorda «o Paulo, quer ao vivo nos populares Serões para Trabalhadores, quer em estúdio no Ouvindo as Estrelas, quer ainda em programas musicais da RTP produzidos pelo saudoso Mello Pereira». Surge uma faceta menos conhecida de Paulo Alexandre, como realizador de documentários: Fernando Lopes Graça, Manuel de Brito, Jorge Salavisa, Opus Ensemble, António Rosado, Joly Braga Santos, Artur Pizarro e Elisabete Matos.

(Editora: Ésquilo, Capa: Ana Isabel Vieira s/ retrato de Luís Guimarães, Revisão: Levi Condinho)

Ética e transparência

Não sei o que seja mais extraordinário: se o envolvimento do Presidente da República num negócio entre privados que não chegou a realizar-se, se o alheamento do Presidente da República do negócio entre magistrados e jornalistas destinado a linchar inimigos políticos.

V9

Quanto ao anonimato, em vez de andarem a desafiar quem não assina com o nome, seria giro fazer uma experiência: passavam todos a escrever anónimos. E sem a muleta do nome, habilitações, profissão ou tendências políticas, apenas com a força da escrita e das ideias, daqui a um ano veríamos quantos leitores tinha quem.

Oferta do nosso amigo Vega9000

Fenómenos do entroncamento

“… se a justiça ajudasse e se não houvesse alguns bandidos – ou na magistratura do Ministério Público ou na magistratura judicial –, que fazem fugas de informação sistematicamente (…). Não é possível viver com um sistema em que algumas pessoas na Procuradoria ou na magistratura judicial condicionam a vida nacional de uma maneira insidiosa sub-reptícia, clandestina e eu acho que, paga: Acho que há pessoas nas magistraturas a ganhar fortunas a vender informações em segredo de justiça…”

António Barreto por Rui Rangel

*

Cidadãos que alegam terem referido o seu nome em restaurantes vão ao Parlamento, à pala disso e de mais nada, vender livros e mostrar aos deputados quem é que manda naquele espaço. Outros dizem que as violações ao segredo de Justiça estão a criar fortunas, o que é totalmente consentâneo com o seu uso: os jornais e revistas que as publicam fatiadas, e manipuladas, aumentam os seus lucros. Podemos estar perante uma indústria, pois. Curiosamente, a estes nem sequer um pedido de explicações é feito por algum jornalista i-gnóbil, quanto mais serem chamados à Assembleia da República, à TV ou à esquadra das Galinheiras para prestarem depoimentos.

Não se trata de um fenómeno do Entroncamento. É mesmo do entroncamento – resta só saber do quê e de quem.