O mal e a caramunha

Portugal está há quatro meses sem Governo. Os portugueses elegeram um novo Governo, mas o novo Governo demite-se da sua função. Dito de forma chã, o Governo demite-se, dia após dia, das suas responsabilidades, deixando atrás de si um país adiado.

Paulo Pinto de Albuquerque

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O PSD aderiu às velhas tecnologias, agora usa cassetes de cartucho acreditando que elas disparam chumbo grosso. Repetem-se uns aos outros numa vaga acéfala que conquista novos máximos a cada novo canastrão que entra em cena – o estribilho actual é o de não haver Governo. Então, leia-se o artigo deste Albuquerque. Começa por dizer que não há Governo, papagueando vacuidades, e depois dedica o resto do artigo a maldizer actos governativos – originais uns, evoluções ou correcções outros – que comprovam o inverso do que diz na abertura do texto. Mais notável ainda, não se encontra uma só ideia no que escarrapacha, só adjectivação biliar. Se nos lembrarmos que o autor explora as escutas ilegais, e ilegalmente publicadas, para fazer ataques políticos que visam exclusivamente a destituição de Sócrates, temos o retrato acabado do vale tudo em que se tornou o PSD.

Que cambada. Escutam o Primeiro-Ministro, e sabe-se lá quem mais, e dizem-se escutados por aquele que estão a devassar. Recusam ser parte da solução governativa, formam coligações negativas, ameaçam derrubar o Governo quando bem entenderem, vão para o Parlamento Europeu denegrir e ofender Portugal, andam a pedir aos especuladores internacionais para agravarem as condições financeiras, chafurdam nas manobras e crimes de atentado contra o Estado de direito, levam para o Parlamento a escória da comunicação social na esperança de que emporcalhem mais e mais os governantes e as instituições. E fazem isto no meio de uma crise económica internacional que levou o desemprego para os 10%. Fazem isto com o silêncio cúmplice, ou berreiro aliado, do BE e do PCP, diga-se em abono da Política de Verdade.

Nunca nenhum Governo teve pela frente o desafio que este tem, tanto pelas condições internacionais como pelas nacionais. Obviamente, o primeiro e decisivo pilar da governação seria a aprovação do Orçamento – tarefa particularmente difícil numa situação minoritária e de irresponsabilidade da oposição. Sem ele, não haveria condições para continuar. E a evolução da conjuntura económica também faz do PEC um segundo momento quase tão importante como o primeiro. Como à volta do Executivo reina um combate sem quartel, onde magistrados e jornalistas são factores de alarme social e se comportam como golpistas, ainda haver Governo parece-se cada vez mais com um acto heróico.

O PSD não tem qualquer lealdade para com o País. O modo como tenta conquistar o Poder resume-se à lógica do quanto pior melhor. Fazem o mal e a caramunha. É serviço completo.

11 thoughts on “O mal e a caramunha”

  1. Esta situação náo é nova; sempre se tem verificado da parte do PCP desde o 25 de Abril. O que é novo é agora ser também a politica seguida pelos partidos da direita. Não sei se foi a direita que se aproximou da extrema-esquerda, se o contrário. O que sei é que neste momento estão todos (PCP, BE, PSD e CDS) sintonizados. É a politica da terra queimada. Quanto pior melhor. Criticam o governo, dizendo que não toma determinadas medidas, e criticam-no quando este as toma, ou já as tomou. É tudo claro como a água.

  2. É o que lhes resta quando as políticas se regem pelo bom-senso e responsabilidade. As grandes diferenças, agora, são entre o PS, o CDS e os lunáticos de esquerda. Quanto ao PSD, entalado entre um PS cada vez mais ao centro e a verdadeira direita populista de Portas, esvazia-se cada vez mais de conteúdos e propostas válidas e verdadeiramente alternativas. Resta-lhe estrebuchar, o que tem feito de forma verdadeiramente notável.

  3. Estou aqui sentado ao computador e de repente reparo que na RTP faz um qualquer comentário o Bagão Félix naquilo que me pareceu uma mesa de debate a dois. Supunha eu que, para o contraditar, a RTP teria convidado alguém da área do PS. Espanto dos espantos, o convidado é um sujeito qualquer, cujo nome nem me interessou ouvir, que mais não fez do que ajudar à missa do tal Bagão. Perdeu-se completamente a vergonha! Isto na tv pública!

  4. Val, tens toda a razão. Ainda haver governo parece um acto heróico.

    É que de repente neste país, parece que toda a gente se esqueceu que o governo, governa, mas que os partidos da oposição devem, sobretudo, balizar essa governação. Prece que estão todos interessados em algo diferente. Estou para ver o quê, concretamente.

  5. É engraçado como a direita neo-con se esganiça pela conquista da publicidade que vai para a RTP. De facto, se houvesse um resquício de independência informativa naqueles vários canais pagos cá pelo Zé Contribuinte, a direita exigiria a alteração dos conteúdos…
    Mas não, tal não acontece! Não carece! Agora já só aspiram a comer a carniça. Já garantiram o lugar à mesa! Esperam o serviço de mesa!

  6. Com a “conspiração da pólvora”, foram ultrapassados todos os limites. Então o governante chamou Francis Bacon deu-lhe plenos poderes para pôr ordem no caos.
    Bacon rapidamente identificou vários agitadores, mas o mais perigoso era o cabecilha “Ídolo da Tribo”.

  7. Desaparecer por desaparecer… mais vale vender… do que desaparecer à borla!

    —> Bye, bye Portugal, Espanha, França, etc…
    —> É uma ‘situação natural’ – a História sempre foi assim: em virtude de migrações… a nova população não se revê na Identidade Nativa… e então… depois surgem novas identidades…
    —> O Kosovo é uma ‘situação natural’ (leia-se, não é uma ‘Identidade a Régua-e-Esquadro’)… e… DESAPARECEU À BORLA! Analogamente, afectadas por uma nova população – que não se revê na Identidade Nativa – será uma ‘situação natural’ o desmantelamento de muitas Identidades que, por enquanto, ainda andam por aí…

    —> A população nativa portuguesa está a definhar… e (só os parvos-à-Sérvia é que não vêem isso)… o país está condenado a desaparecer.
    —> MAIS VALE VENDER O PAÍS, por exemplo, à China… do que… entregar o país à borla aos novos dominadores da demografia nesta região do planeta
    [nota: os Russos venderam o Alasca aos Norte-Americanos]

    ANEXO:
    -> Uma pequena alternativa: antes que seja tarde demais, há que mobilizar, para um separatismo, aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para abraçar um projecto de Luta pela Sobrevivência…

  8. o bloco e o pcp irão, novamente e sem vergonha, dizer que o sócrates faz a política da direita. mas quem se une aos trauliteiros desta direita a gente sabe quem é. a sorte deles é que não há ninguém da área governativa que lhe diga isso (só o santos silva, que agora anda muito desparecido). a área governativa têm grave défice de combate político e com esta oposição ocupando tudo o que é espaço mediático, era importante ter. os deputados que sustentam o governo são uns apagados e mesmo para dizer o óbvio têm que vir uns marinhos pintos&garcias pereiras.
    o ppa é um asqueroso à beira de ser um graça moura. é um militante do ppd empenhadíssimo mas as tv´s, dominadas pela censura, tratam-no como ilustre professor de direito (apesar de ele contaminar, quase sempre, as suas opiniões jurídicas com a política).

  9. Os trauliteiros da direita devem ser melhores que os malhos do PS de A. S. Silva porque só assim se exploca que este se ter sentido obrigado a virar-se para as botas dos tropas. Sempre são aprumados. O A. S. Silva é mesmo um neo-estalinista militarista dos que já só a servia ainda tem no Partido Socialista da Sérvia (o partido político que sucedeu ao Partido Comunista da Sérvia) que possui como ideologia que é uma mescla de socialismo e nacionalismo, denominado por alguns como Nacionalismo Socialista ou de esquerda…mas que, como a línguistica e o algodão não engana, só poderia ser nacional-socialista como eram os nazis e como assim se comportou o governo sérvio aquando da guerra civil com a Bósnia e Herzegovina.

  10. Muito bem.

    Só faltou dizer explícitamente que, para além de toda a tropa fandanga de inimigos figadais e de idiotas úteis (com muitos mercenários à mistura), o Governo legítimo e recentemente premiado nas urnas (embora sem a “taluda”) pelo eleitorado português ainda tem de possuír rins para enfrentar outro poderoso e inesperado inimigo, que por “acaso” até é insitucional mas não tem vergonha nenhuma: o próprio inquilino de Belém, que de manhã defende os interesses de “portugal”, à tarde os dele e à noite os de uma certa clique do P. S. D.!

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