Um livro por semana 173

«Duas vidas numa só» de Paulo Alexandre

Paulo Alexandre (n.1931) cujo nome civil é Modesto Pereira da Silva Santos viveu de facto duas vidas numa só, título feliz do seu livro. São 37 anos de empregado bancário (1944-1981) e 50 anos de percurso artístico (1954-2004) o que soma 87 – mais do que os seus 79 anos de, digamos, Bilhete de Identidade.

Esta ligação entre cifrões e canções nasceu cedo: em 1939 tem 8 anos e o pai comprou-lhe um banjo. No S. João de 1944 é convidado a tocar numa festa dos vizinhos (Mello e Sousa) na Rua D. Luís de Noronha e acaba por entrar para o Banco Burnay como groom (pessoal menor) tendo chegado ao cargo de director.

O Óscar da Imprensa em 1962 para o seu conjunto vocal «4 de espadas» e o êxito mundial do «Verde vinho» são dois dos pontos de alto interesse do depoimento de Paulo Alexandre que teve a feliz ideia de convidar dois prefaciadores. Júlio Conrado, ex-bancário e escritor multifacetado (n.1936) foca as memórias do «velho» Banco Burnay e conclui: «Partindo de quase nada, modesto Santos terá cumprido todos os seus sonhos sem atropelar ninguém». Por sua vez Artur Agostinho, jornalista, actor e escritor, recorda «o Paulo, quer ao vivo nos populares Serões para Trabalhadores, quer em estúdio no Ouvindo as Estrelas, quer ainda em programas musicais da RTP produzidos pelo saudoso Mello Pereira». Surge uma faceta menos conhecida de Paulo Alexandre, como realizador de documentários: Fernando Lopes Graça, Manuel de Brito, Jorge Salavisa, Opus Ensemble, António Rosado, Joly Braga Santos, Artur Pizarro e Elisabete Matos.

(Editora: Ésquilo, Capa: Ana Isabel Vieira s/ retrato de Luís Guimarães, Revisão: Levi Condinho)

9 thoughts on “Um livro por semana 173”

  1. Atenção que “Verde Vinho” é a versão portuguesa da música austríaca “Griechischer wein” de Udo Jurgens.

  2. As músicas não têm versões, a música é sempre a mesma. Os versos é que podem ser em alemão ou em português. Como foi o caso. O autor da nova letra foi lá, ouviu, gostou e depois escreveu a sua letra. EStá tudo nos trinques…

  3. jcf, o “êxito mundial” de que falas foi da música do austríaco ou da letra de Paulo Alexandre? É bom que se separem as águas, a letra do português não ultrapassou os círculos da emigração lusa.

  4. Não há separação possível pois a música e a letra formam a canção. Logo, o êxito foi da canção enquanto todo…

  5. Ah! Então o êxito mundial foi a canção do Udo cantada em alemão com a letra do Alexandre. Muito me contas. O consumo de alvarinho deve ter subido em flecha na Alta Silésia e na Lapónia.

  6. A CANÇÃO “Griechischer Wein”, cantada em alemão pelo autor da música – o cantor austríaco Udo Jurgens – não foi nenhum êxito mundial, nem nacional e nem sequer foi o maior êxito deste intérprete.
    A CANÇÃO “Verde Vinho”, cantada em português por Paulo Alexandre, com versos de sua
    autoria (sem prejuízo da autoria musical do cantor austríaco), foi o maior êxito deste artista, foi o disco mais vendido até hoje em Portugal, foi grande êxito no Brasil (onde obteve um “disco de ouro”, a juntar aos atribuídos no nosso país) e, na Europa foi também êxito nos países de maior densidade de emigração portuguesa (França, Luxemburgo, Alemanha, Suissa, etc.). Além do mais, foi música do filme brasileiro “Verde Vinho” exibido em Portugal, Brasil e em outros países latinos (graças à maior distribuidora da américa latina, a Hawai, de S. Paulo), o que fez entrar muito dinheiro nos bolsos de Udo Jurgens…
    OUTRAS CANÇÕES com diferentes títulos, MAS COM A MESMA MÚSICA, foram gravadas, sem sucesso de maior, em espanhol, francês, inglês e não sei se noutras línguas.
    COMO O PORTUGA É BOM A DENEGRIR O QUE É SEU…

  7. 1) Lá pelos anos sessenta o cantor francês Claude François gravou uma canção, com letra de um seu compatriota. Não me recordo do título dela. Não fez grande faísca…
    Essa canção chegou aos ouvidos de um grande cantor americano, que gostou dela e resolveu gravá-la. Como este cantor nunca escreveu letras pediu a um amigo e colega que escrevesse uns versos em inglês.
    E assim aparece e faz êxito mundial a canção ” My way” – um dos maiores êxitos de Frank Sinatra, com letra do seu amigo Paul Anka e música do francês Claude François !
    2) Na Alemanha, o compositor Bert Kaempfert faz música para uma canção, com versos não sei de quem, cujo título e intérprete ignoro, cujo êxito foi muito relativo, mesmo no seu país de origem.
    Alguém fez chegar a canção às mãos de Frank Sinatra, que também gostou dela. Gravou-a,
    com versos em inglês e a canção passou a chamar-se “Strangers in the Night”. Sucesso mundial…

    VOCÊS ESTÃO A IMAGINAR ALGUÉM, NA AMÉRICA, A DISCUTIR O MÉRITO DE QUEM FEZ O ÊXITO ?

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