V9

Quanto ao anonimato, em vez de andarem a desafiar quem não assina com o nome, seria giro fazer uma experiência: passavam todos a escrever anónimos. E sem a muleta do nome, habilitações, profissão ou tendências políticas, apenas com a força da escrita e das ideias, daqui a um ano veríamos quantos leitores tinha quem.

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16 thoughts on “V9”

  1. Há pouco tempo apareceu no meu blog um comentário não assinado que me fez tocar uma ou duas campainhas. Pedi a quem o escreveu para me enviar um email e a seguir, já no privado, perguntei se por um acaso não seria fulano de tal. Este fulano de tal não era um nome com número de BI mas um nick que conhecera noutros carnavais. Respondeu-me na volta do correio. Era, pois era, e se o reconhecera eu só podia ser quem ele pensava que eu era, aquela outra que até ali também só conhecia pelo nick que usei já lá vão 10 anos.
    A seguir contou-me a história. Tinha ido parar lá à tasca pelos Dias Úteis e ficado com a impressão, quase certezinha, que aquela Tereza dali era a outra que conhecera acolá com um nome bem diferente. Armadilhou um comentário e largou-o na caixinha. E tal como me reconheceu a mim lendo-me reconheci-o a ele lendo-o também.
    Nunca o vi nem ele me viu a mim. Até há poucos dias nem o nome próprio lhe sabia tal como ele não sabia o meu. Dez anos depois de nos termos cruzado reconhecemos-nos tão facilmente como se tivessemos olhado bem nos olhos um do outro.
    Somos anónimos? Bull shit!

    (Olá Valupi. dias negros com a net em baixo. Ando a pôr a leitura em ordem antes de mais qualquer coisinha mas confesso que se soubesse o que iria encontrar tinha comprado uma caixa de Enjomin tal a quantidade de vómitos que algumas pérolas que encontrei por aí me provocaram)

  2. Tereza, como também ensinava o Agostinho da Silva, a receita para não enjoar no mar alto é focar o olhar na linha do horizonte.

    O que partilhaste deve ser a experiência de muitos outros. A escrita pode ser uma impressão digital.

  3. Grande parte dos opinadores não sobreviveria a um blind test e se por acaso houvesse um periodo de blind test nacional mudava muita coisa, a remoção de muitos bloqueadores ao progresso, o arejamento desta sociedade de comadres…e o Braga ganhava o campeonato.

  4. Plenamente de acordo. Sobre anonimatos, o Vega9000 diz tudo o que há para dizer. O Val podia colocá-lo no frontspício do blog como desafio a todos os imbecis. Quando quero questionar, aprender, testar ideias, venho aqui, não vou aos idiotas com nome.
    Já agora, K, a prova cega no futebol já existe. Na europa e no mundo eles estão-se cagando para as disputas futebolísticas nacionais: é perguntar-lhes quem eles acham que é quem no futebol nacional. Mas está bem, o Braga pode ganhar este campeonato.

  5. Acho que não entendi este post…
    Então o autor desafia quem clama contra o anonimato a escrever também como anónimo para depois poder(mos?) contabilizar “quantos leitores tinha quem”?
    “ E sem a muleta do nome, habilitações, profissão ou tendências políticas, apenas com a força da escrita e das ideias (…)”?
    Tirando a contabilidade, não é isso que acontece já?
    Eu não sei nada de nada de Valupi nem do próprio Veja 9000 e continuo a não entender a sua relação com este texto.
    Imaginemos que o nome de Valupi é João Carlos da Silva Andrade e que Veja 9000 responde pelo nome de Manuel Inácio de Aragão e Vasconcelos. A única diferença é que, em princípio, só haveria uma pessoa com o nome de João Carlos da Silva Andrade e outra com o nome de Manuel Inácio de Aragão e Vasconcelos, com todas as consequências daí resultantes. E mais nada, penso eu.
    Ou seja, as pessoas continuariam a ler os textos de João Carlos da Silva Andrade e de Manuel Inácio de Aragão e Vasconcelos e também continuariam a concordar ou a discordar. Estou errado? Admito que sim.
    Agora, permitam-me que seja um pouco mauzinho, sem que me refira a alguém em particular. Eu, se escrevesse algumas das “pérolas literárias” que aqui se lêem, também me refugiaria no anonimato do tipo Wally; John; Manel, etc, etc, etc…

  6. Não dá, Vega. Isso é ignorar as motivações de muitos dos bloggers. Como é que se compatibiliza isso com a necessidade de exposição, numa espécie de feira de vaidades, doença que ataca muitos dos bloggers? Muitos deles já chegaram aos jornais, alguns interessantes, é verdade, mas muitos outros completamente desinteressantes, irrelevantes e até nefastos…

  7. Mário, a ideia é necessariamente utópica. Não concordo que isso seja o que acontece já – há muitos comentadores por aí que, se não se soubesse quem era, não teriam nem um décimo da exposição e influência que hoje têm. Faça uma experiência mental: tente ler o Abrupto sem pensar no Pacheco Pereira, mas imagine que no fim dos posts diz “publicado por Leandro às 17:30”. O que é que acha dos textos e ideias agora? Dá-lhes a mesma importância? Acha que teria a mesma influência, e que o Câmara Corporativa poria no título “recomendado por Leandro”?
    O que digo é que quem berra contra o anonimato o faz porque não está habituado a debater as ideias sem ter em conta o estatuto do autor. O anonimato (ou pseudónimo) irrita-os porque lhes tira essa muleta, e os obriga a um debate de ideias puro. Junte a isso a perda de controle gradual dos media tradicionais sobre o debate de ideias e opiniões, e tem o caldo completo. Tipos que se acham com grande estatuto a serem forçados a debater e defender ideias com pessoas que não conhecem de lado nenhum e que aparentemente surgiram do nada, mas cujos blogs têm já alguma influência. Daí à paranóia de “conspirações” e “encobrimentos” vai um passo muito pequeno, como se pode constatar. E por isso, até para terem o ego massajado, imaginam que quem os contesta e desmonta tão bem só pode ser alguém do seu estatuto. Imagine a surpresa do Pacheco se agora descobrisse que o Valupi era repositor no Lidl da Charneca da Caparica. Está a ver a humilhação?

    FV, não me cabe julgar as motivações dos bloggers. Aliás, é fácil para mim falar em pureza de ideias e de escrita porque não me insiro no contexto dos media, não é essa a minha profissão, e não dependo disso. O que escrevo é apenas baseado no gozo que me dá o debate de ideias, e a escrita em si. Mas tenho que compreender que para um jornalista, político, ou quem viva da exposição mediática (e não vejo mal nenhum nisso), e quem faz da escrita profissão precise dessa exposição e dessa feira de vaidades para progredir e se impor, e não se possa dar ao luxo do anonimato. No meu meio profissional, também há muitas vaidades, incluindo a minha.

  8. Vega9000, é por estas e por outras que cada vez mais gente com nome (e muitos pagos para escrever) se insurge contra os anónimos. Que raio de ideia lhe passou pela cabeça? Isso lá é experiência que interesse a alguém? Já não basta o facto de terem de disputar a atenção com gente que ninguém conhece de lado nenhum, agora ainda passavam todos a escrever anonimamente. Discutir as ideias pelo que valem?! Ai, estes anónimos… :)

  9. “Imagine a surpresa do Pacheco se agora descobrisse que o Valupi era repositor no Lidl da Charneca da Caparica”

    Dava um ataque ao Pacheco. Ele não imagina o cidadão comum a opinar sobre política. As pessoas optam por votar em determinados partidos, mas nem sabem bem porquê. E mesmo que soubessem, jamais expressariam a sua opinião utilizando os meios que a internet permite. Aliás, o cidadão comum não lida bem com a tecnologia, ainda ontem, na Quadratura, o Pacheco revelou que os Magalhães já estão todos avariados ou para lá caminham.
    Para ele, os autores dos blogues que melhor desmontam os ‘argumentos’ da oposição são todos, obrigatoriamente, assessores do Governo. É essa a causa do anonimato. Bem vistas as coisas, é um elogio aos bloggers e um elogio ainda maior a Sócrates, e ao Governo, que soube escolher os melhores. Ou seja, aqueles que em tempo real, como ele diz, lhe dão cabo de todas as teorias.

  10. Vega

    Vistas as coisas desse modo, só posso concordar consigo.
    Os exemplos que dá são convincentes, dada a sua razoabilidade. Mas permita que lhe recorde que muitas das vezes não se assiste a um debate de ideias mas, isso sim, o que se nos depara mais não é do que um desfilar de insultos, calúnias e afins e sem que se saiba quem é quem, embora todos nós conheçamos José Pacheco Pereira.
    Sendo assim, afirmo que as suas razões não se aplicam a todos os anónimos, porque uma coisa é usar um pseudónimo – na boa tradição dos escritores, por exemplo – e outra bem diferente é o uso do anonimato com o objectivo de maltratar alguém sem que por isso possa ser responsabilizado.
    Por isso, e porque não pertenço a nenhum partido nem a nenhuma organização duvidosa e só me pronuncio por mim mesmo, eu associava o anonimato à comodidade e à respectiva impunidade de se poder escrever o que nos viesse à cabeça.

  11. Mário, não é do anonimato puro que falo, talvez devesse ter sido mais claro. É o de bloggers que, identificando-se devidamente pelo(s) pseudónimo(s), ninguém (ou poucos) sabe quem são na vida offline (ia dizer vida real, mas aqui também é vida real). O anonimato puro é outra conversa…

  12. Vega9000:
    É uma verdade absoluta. Mas sabe o que iam dizer os que assinam com o próprio nome? Que era artigo contrafeito, que não merecia credibilidade, porque foi escrito por qualquer Zé da esquina. Tudo é uma questão de negócio. O direito de autor e outras associações, tais como o sindicato dos jornalistas iam pôr entraves. A guerra que existe em redor dos blogues tem uma finalidade: o negócio.
    Depois somos um povo que só valorizamos quem tem títulos, seja doutor ou engenheiro. Tenho um amigo que andou em belas artes, não acabou o curso mas tem competência para fazer plantas de casas, mas falta-lhe o mais importante, que é a assinatura. Sujeita-se a pagar um tanto a um arquitecto para as assinar e assim vai sobrevivendo com o seu ateliê. A vida é isto. Um burro carregado de livros não é doutor.
    Um dia um produtor de vinho Alvarinho quis pôr à prova um amigo que dizia perceber de vinhos. Pôs duas garrafas com vinho, uma com rótulo e outra sem rótulo. Depois de beber de ambas, o amigo intercedeu pela de rótulo. Qual não foi o seu espanto quando o amigo lhe disse que ambas eram da mesma colheita.
    Quem sabia quem era Manuel Tiago e não gostava do que ele escrevia. Se soubessem que era Álvaro Cunhal uma grande parte não o lia.
    Somos um País que qualquer dito por um Zé-ninguém não tem valor se for dito por uma Manuela Moura Guedes, quase que o mesmo pára para a ouvir. Ontem esteve o presidente do sindicato dos jornalistas, para mim das melhores intervenções, é ver as televisões que a transmitiram. Com Crespo, Felícia Cabrito, Manuel Fernandes, Moura Guedes e Balsemão, houve directos, nos outros só o canal Parlamento. Aqui não vejo os jornalistas a manifestarem-se.
    Somos um País de mexericos e de invejosos por quem tem talento. Falam dos pseudónimos mas o que demonstram é a inveja de não ter a capacidade do Val. Os cães ladram mas a caravana passa.

  13. O Pacheco Pereira tem muitissima razao em indignar-se contra o anonimato do mais feroz partidario deste governo, lingua viperina por excelencia, sempre ligada a terra, naquilo que parece movimento perpetuo entre o palato e a queixada inferior. E porque? Simples. Porque o pobre Pacheco, ladre-se o que se quizer ladrar sobre a irrelevancia de mostrar a cara num debate de “ideias”, esta em nitida desvantagem.

    O passado comunista de Pacheco Pereira e a sua carreira politica e jornalistica tem servido de argumento bateladas de vezes aos que o criticam, incluindo comentadores neste blogue. A ultima vez que me lembro duma obra dessas foi aqui ha dias, quando o comentador Nik nos lembrou, com o seu costumado ar de distribuidor de fel independente na area de Lisboa da blogosfera, que o Pinto Balsemao e patrao de Pacheco. Evidentemente que, como toda a gente que nao quere perder o tempo quando aqui vem, ouvi e arrecadei. Nunca e tarde para se saber de novidades genuinas.

    Mas o que o Nik nao nos disse com a independencia que todos lhe conhecemos foi o nome do fulano que deu a mao ao Socrates e o depositou num encontro anual dos Bilderbergers aqui ha anos, antes de ele se tornar primeiro-ministro e donde voltou possivelmente com uma recomendacao qualquer duma princesa bavara, endinheirada e socialista. Teria sido o Balsemao, ou nao?

    Pode recomecar o circo, ja dei de beber aos leoes.

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