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É muito simples, como diz Marcelo

«O Presidente da República manteve este domingo que o contacto que teve com José Ornelas não terá consequências na investigação criminal, após ter sido noticiado que o bispo está a ser investigado pelo Ministério Público num segundo caso.

"Não terá consequências na investigação. Aparentemente, a ter algumas consequências, seria aprofundar a investigação." Para Marcelo Rebelo de Sousa, o facto de estarem a surgir "mais dados sobre questões anteriores a 2016 - 2015, 2014, 2013 - em casos arquivados e não arquivados", mostra que o seu telefonema "não só não parou a investigação como, pelo contrário, as investigações se aprofundaram para além - e eventualmente por causa - do telefonema".»

Fonte

Estas declarações (em Nicósia!) são espantosas. Culminam bombasticamente uma sequência de contradições públicas que afundaram o Presidente da República, o Bispo de Leiria-Fátima e a Presidência da República num chiqueiro institucional. Só não abrem uma crise de regime porque o sistema político e a comunicação social preferem proteger Marcelo, por óbvias razões.

Para lá da manifestação de incapacidade funcional para o cargo, exibindo-se completamente atarantado, o actual Presidente da República conseguiu ilustrar através da sua conduta e palavras o que está na origem dos casos de abuso sexual efectuados por membros da Igreja Católica em Portugal: eles só foram possíveis – na sua extensão temporal e encobrimento – por directa cumplicidade das oligarquias religiosas, sociais e políticas.

Revolution through evolution

Parenting practices in teen years set the stage for closeness, warmth later on
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Study links omega-3s to improved brain structure, cognition at midlife
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Greater interaction with real dogs leads to greater activity in the prefrontal cortex
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Social media use linked to developing depression regardless of personality
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NUS study discovers a class of meditative practices that produces different effects from mindfulness-related meditation
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What is the effect of hierarchy on moral behavior?
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Empathizing with the opposition may make you more politically persuasive
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Dominguice

Os partidos na oposição passam os dias, e as horas no dia, a queixar-se do Governo. Recorrem a hipérboles, sensacionalismos, difamações e sofismas. Só abandonam essa retórica nos eventuais acordos estabelecidos nisto ou naquilo. Aí, passam a reclamar a causalidade dos supostos benefícios assim obtidos, transformam o acordo numa vitória sobre o Governo e o partido, ou coligação, que o suporta. De volta à pose opositora, repetem constantemente, obsessivamente, dementemente, que o Governo prejudica gravemente a população e que é urgente a sua substituição por eles, os da oposição.

Donde, há espaço para um partido que na oposição respeite a inteligência dos inteligentes, a coragem dos corajosos. Que não tenha medo, antes se orgulhe, de elogiar os Governos pelo bom serviço ao Estado e à comunidade. Que lance ideias admitindo que possam não ser melhores do que as de outros partidos, que precisem de mudar em parte ou no todo. Está é por criar.

Durão e a “verdade”

«O antigo responsável europeu começou por lembrar o modo como a Europa foi apanhada pela crise financeira. "A verdade é esta: nós não estávamos preparados. Nós tivemos de construir a jangada de salvação no meio da tempestade", recordou. "Não tínhamos instrumentos."

Durão Barroso sublinhou que "Portugal, graças ao Governo liderado pelo PSD, por Pedro Passos Coelho, conseguiu ultrapassar" a situação difícil "com grande dignidade" e insistiu que o governante "nunca se pôs numa situação de humilhação perante os seus credores".»


“Não se humilhou perante credores.” Durão Barroso sublinha “dignidade” de Passos Coelho durante crise

11 anos e 6 meses depois, Barroso vem contar a “verdade” sobre os idos de Março que afundaram Portugal num resgate de emergência e em 4 anos de destruição económica e social. Como ele próprio afirma, não existiam boas soluções para os países estruturalmente mais frágeis, o BCE ainda estava a um ano e tal de começar a resolver a crise. Daí a importância para a Europa do acordo que teria permitido a Portugal aguentar-se na corda bamba sem termos o FMI a aterrar na Portela e a dupla Passos-Relvas a fazer negócios com as empresas públicas. Acordo que o Parlamento resolveu chumbar numa coligação negativa que prova a cegueira sectária da esquerda e a gula infrene da direita. O interesse nacional, o bem comum, a mera racionalidade de se saber ser o PEC IV a melhor solução possível para lidar com a crise financeira, tudo isso ficou pulverizado pelas agendas da oposição e do Presidente da República de então.

Sendo a verdade essa, como reconhece, não está a contar a verdade toda. Falta dizer que ele próprio (pressionado por Merkel e pela evidência do que estava em causa) tentou levar Passos a viabilizar o PEC IV, e que tal só não aconteceu porque no PSD se temeu que Sócrates conseguisse assim escapar ao pedido de resgate, acabando por sair triunfador da crise. Pelo que aquela era uma oportunidade imperdível para entrar em S. Bento. Os portugueses que se fodessem (como veio a acontecer, sem pieguices).

De facto, Passos “nunca se pôs numa situação de humilhação perante os seus credores”. Foi exactamente ao contrário, ele viu os credores como os amigalhaços, o escudo que lhe permitiu servir os fanáticos da austeridade salvífica e da reengenharia social tentada. Mas sempre com dignidade, com “grande dignidade”.

Tadeuismo

«A etiqueta "putinista", que é norma usar-se no Ocidente para insultar uma alma qualquer que fale em procurar soluções para a paz, não cola, portanto, neste personagem.

[...]

Uma hipotética rutura da solidariedade capitalista ocidental mudaria rapidamente governos, políticas governamentais e narrativas mediáticas - e a atual ideia prevalecente de que esta guerra define o destino do ocidente pode bem não ser suficiente para o impedir, caso tudo se prolongue no tempo e as contradições dentro do sistema se acentuarem.

Mas, para já, como sempre, serão mais debatidas as sondagens de Musk no Twitter do que as sondagens dos jornais - como uma do Expresso, que dizia que 32% da população portuguesa, aflita para pagar as contas do mês, quer mesmo "cedências a Putin" (sic) e resolver a guerra... são todos putinistas, não é?»

Elon Musk é putinista?

Pedro Tadeu é uma figura irrelevante quando comparada com o PCP, e o PCP não tem nenhuma responsabilidade, sequer a mínima influência, nas decisões de Putin. Porquê dar atenção a este comentarista a propósito da invasão da Ucrânia pela Rússia, então? Porque ele nos ajuda a pensar.

Por exemplo, é óbvio que o Tadeu domina com segurança dois conceitos a que atribui extrema importância. Um deles é o “Ocidente“, o outro é o “ocidente“. A separá-los, a caixa alta; e talvez mais qualquer coisa. Assim, atesta, no “Ocidente” insulta-se quem “fale em procurar soluções para a paz“. Entretanto, no “ocidente” chafurda-se numa “solidariedade capitalista” colada com cuspo e condenada a implodir assim que “as contradições dentro do sistema se acentuarem“, como Marx vem repetindo desde 1867.

Ora, como é que o nosso Tadeu ficou na posse de conhecimentos tão tremendos e inquestionáveis? Isso ele não explica nem carece que se mace a explicar. A verdade é a de que quem não odeia o PCP, o comunismo, Putin, e tudo o seja russo, tem de admitir que há uma feroz perseguição a qualquer um que fale em paz para a Ucrânia. Nós, ocidentais retintos, o que queremos é guerra, guerra, guerra e mais guerra. Quem nos dera que ela nunca acabasse e que fosse sempre maior, mais destruidora, mais cruel. Somos assim, não há nada a fazer. Daí hostilizarmos esses pacifistas como o Tadeu, o Jerónimo e o Putin. Os quais, coitados, sonham com a paz, apelam à paz, comovem-se sinceramente ao imaginar a paz linda e pura, não falam noutra coisa — e um deles até está farto de gastar munições, juventude russa e material bélico defeituoso para isso mesmo, conseguir a derradeira paz e poder ir à sua vida descansado.

É uma situação tramada para os pacifistas que não se identificam nem com o Ocidente nem com o ocidente. Porém, como o Tadeu brilhantemente anota e remata na conclusão, 32% da população portuguesa está disposta a oferecer a Ucrânia ao Sr. Putin se isso levar à melhoria dos seus (dela, não dele) pagamentos mensais em despesas várias. Este é um pensamento da maior importância que, como igualmente alerta o comentarista, os ocidentais tentam abafar.

Tenho de concordar com o Tadeu. Isto de se declarar uma vítima tanto do Ocidente como do ocidente, e de caminho apelar a que se deixem os tanques russos estacionar em Kiev, não pode ser considerado “putinismo” nem esses bravos amantes da paz merecem o epíteto de “putinistas”, vocábulos contaminados de ocidentalismo. Fica muito mais claro, fazendo jus ao seu exemplar pacifismo, se os reconhecermos pelo que realmente são: grandes filhos do Putin.

Revolution through evolution

Yes, men run faster than women, but over shorter distances – not by much
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Can I Get the Flu From Touching Surfaces? Rutgers Researcher Says No.
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Being lonely and unhappy accelerates aging more than smoking
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Coffee drinking is associated with increased longevity
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Telling fellow students they are wrong can help everyone in the group learn
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Dogs can smell when humans are stressed, study suggests
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The expansion of capitalism led to a deterioration in human welfare
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Dominguice

É natural que Deus não se queira pronunciar sobre os casos de abusos sexuais por iniciativa dos seus homens de mão (desconheço se há religiosas suspeitas). E a razão é esta: o silêncio de Deus é necessário ao pleno usufruto da liberdade para este tipo de criatura originalmente pecadora que somos. Que valor teria a nossa adoração se Deus aparecesse a cada um numa sarça ardente, num pinheiro chamuscado ou num bico de gás de botija, e desatasse a dizer-nos coisas, quiçá divinos impropérios? Pouco ou nenhum, está bem de ver. É útil fazer-se uma vez a um fulano já barbudo mas se fosse para fazer a oito mil milhões de papalvos (embora possível, não se discute) seria jogo falseado.

Não, deixemos Deus descansado no seu abismal silêncio. E soltemos esta curiosidade: os católicos que vão à missa, pelo menos estes, estão calados porque ninguém lhes pergunta nada ou por nada terem para dizer?

Gente feliz

Na véspera de 24 de Fevereiro, Putin foi para a cama sabendo que estava a horas de mandar matar muitos ucranianos, milhares, coisa que parece deixá-lo indiferente senão mesmo satisfeito. Mas ele igualmente sabia que muitos russos poderiam morrer, embora achasse que seriam muito menos. Tudo gente na flor da idade, na sua enormíssima maioria. 7 meses depois, a sua decisão já terá causado mais de 100 mil mortos na soma das baixas respectivas, fora os feridos. A previsão é a de que o conflito se arraste por meses, ou anos, sem poder ser ganho nem perdido por qualquer das partes, o que irá continuar a somar milhares de mortos à lista. E se porventura Putin for tão demente que resolva usar o arsenal nuclear, as fatalidades serão aos milhões num número imprevisível, tanto directamente no seu ataque como pelas consequências da retaliação sobre a Rússia e os efeitos da radiação no Planeta.

Putin não parece ser louco. Parece ser estúpido. Um estúpido que quis brincar aos imperadores achando que metia medo aos EUA e à Europa. Os militares russos que honram a tradição de incrível heroísmo da sua nação precisam de resolver esse problema chamado Putin. Um problema que ameaça a civilização.

Chega cá, diz o PSD

Ventura e Montenegro são aliados. O acordo que fizeram implica que uma eventual maioria parlamentar desta direita (com a IL) será conseguida através da exploração do racismo, xenofobia e autoritarismo pelo Chega enquanto o PSD trata de normalizar essa prática de forma a tornar socialmente aceitável virmos a ter Ventura como ministro de alguma coisa.

Esta a única lógica que explica não só a inesperada direcção de voto PSD para que o seu grupo parlamentar apoiasse a candidatura do Chega a uma das vice-presidências da Assembleia da República como ainda a inacreditável pressão de Montenegro sobre Augusto Santos Silva para obter um resultado que nem sequer conseguiu junto dos seus próprios deputados.

Ou então isto – Constitucionalista Bacelar Gouveia e ex-ministro do PSD Gomes da Silva rendidos ao Chega – onde o fedor a conluio de figuras gradas do PSD com a escória proto-fascista é insuportável.

Há surpresa nesta obscenidade mas ela desaparece de imediato. Montenegro é o passismo sem Passos, e o passismo inventou Ventura precisamente para que ele viesse a ter o papel que tem no sistema partidário. Teremos de beber este cálice até ao fim, exercendo tolerância zero junto de quem desonra a herança de Sá Carneiro.

Justiça em Portugal, uma beca emporcalhada

Seixas da Costa, antigo diplomata, foi condenado em 1ª instância por difamação agravada a Sérgio Conceição após lhe ter chamado “javardo” no Twitter. Javardo, ensina o dicionário, é sinónimo de javali. Mas atente-se no conteúdo completo do que foi publicado nessa rede social (sem sequer recuperarmos o contexto desportivo antecedente e envolvente), ilustrando o absurdo da condenação:

O agora condenado, mas ainda inocente, vai recorrer. E logo se verá o que a lotaria da Justiça lhe reserva. Obviamente, o valor pecuniário em causa é irrelevante para as suas finanças.

Para mim, a decisão (entre tantas outras que, por não envolverem uma figura pública, passam socialmente incógnitas) prova a irracionalidade que envolve a actividade judicial. Porque de imediato temos de comparar este desfecho com tantos outros em que comentadores, jornalistas e directores, usando em pleno o poder dos seus poderosos órgãos de comunicação (os mais poderosos em Portugal), disparam acusações contra governantes, políticos e alvos avulso carimbando-os como criminosos – mas não só nem apenas, dado que os envolvem em conspirações onde o “regime” teria sido captado pela sua actividade criminosa colossal, imparável, horrenda. Nesses casos, os ilustres juízes ilibam os supostos difamadores e caluniadores alegando que os valores da liberdade de imprensa e liberdade de expressão se sobrepõem aos achaques dos assim vilipendiados na praça pública.

Caso para dizer: há muito javardo de beca.

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People who distrust fellow humans show greater trust in artificial intelligence
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Study Shows Genetic Link to Moving to the Beat of Music
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Dominguice

Não podemos impedir o crime nem adivinhar quem vai ser criminoso antes deste o ser. Não conseguimos impedir as alterações climáticas nem sequer sabemos o que as causa. Não temos o poder de evitar doenças incuráveis nem o envelhecimento. Não há nada que possamos fazer contra o azar nem a favor da sorte.

Apesar disso, somos a inveja de todos os deuses criados e por criar.

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