Todos os artigos de Valupi

Coelho foi o caçador

Só rir. Coelho esmagou Rangel do princípio ao fim. E terminou a sová-lo sem piedade.

Eis uma incógnita que desaparece, Passos Coelho afinal é um guerreiro, tem tónus e agressividade. Contra um histérico do vale tudo, baralhado com a repulsa que a sua táctica suscitou a partir da vergonhosa actuação no Parlamento Europeu, Coelho apareceu muito bem treinado e não falhou os alvos. Foi a sua melhor prestação política, e televisiva, de sempre.

Rangel, entretanto, é uma fraude ambulante. Dizer-se que ele ganhou as Europeias, e sozinho, é daquelas bacoradas que até despertam um sentimento de compaixão. Basta ouvi-lo a falar do Ensino, prometendo acabar com a avaliação dos professores a troco de mais uns trabalhos de casa em cima dos chavalos, para termos a certeza de que o Paulo nunca ficará no desemprego enquanto se venderem conjuntos de atoalhados na feira da Malveira.

Canalhocracia

Ler O Jumento.

Voltar a ler o Eduardo.

Ler o Tomás, a quem devemos o carimbo.

Ler o Miguel.

Ler o Luís.

Ler o Gabriel.

Ler o Francisco.

Ler o Pedro.

Ler o Rui.

Ler o Ricardo.

Ler a Fernanda.

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É também ocasião para lembrar isto, que tinha deixado sem comentário. Trata-se do Mascarenhas a avisar a malta de ter enviado um email ao Valupi, não fosse acontecer-lhe alguma coisa má depois de tão arriscada missão e não haver suspeitos para interrogar. Ele cumpriu com o que anunciou, honra lhe seja feita: pediu-me a identificação, qual bófia de serviço. Tentei conversar com o sr. agente, mas o pavio era demasiado curto. Ele achava que eu tinha a obrigação de lhe responder sem fazer perguntas ou tecer comentários, estava cheio de pressa para concluir que me tinha apanhado – desistiu ao terceiro email. Ficou sem saber, por mim, o que pretendia. Mas, antes deste episódio, já o Mascarenhas me tinha oferecido um ambicioso título nascido da sua provável bravura: provavelmente o mais cobarde dos anónimos.

Que se passa com este labrego? O seguinte: convenceu-se, ou alguém o convenceu, de que o Valupi era o Rogério da Costa Pereira, que em tempos usou o pseudónimo Afixe (e que com ele chegou a escrever cá na casa). O que quero realçar com a recordação não é a capacidade fantasista, ou paranóica, do Mascarenhas. Não, nada disso. Trata-se de outra competência, a literacia. Considerou que os nossos estilos de escrita eram iguais, prova suficiente para que os seus dois neurónios ainda activos começassem a disparar acusações sem mais demora ou carência de confirmação.

O atestado de iliteracia do Mascarenhas teria graça se não estivesse na origem da pulhice contra o Jumento. É que ele até pode ser um excelente rapaz, mas assim tão burro torna difícil a leitura do jornal onde zurra nas parangonas.

É ou não é verdade?

Que temos todas as condições para exercer a cidadania em plenitude, usufruindo sem limitações dos nossos direitos e liberdades fundamentais, e que podemos influenciar decisivamente os partidos e as instituições, mas que preferimos a inércia, o tribalismo e o medo?

Gazeta do optimista

– Temos eurodeputados a declarar no Parlamento Europeu que em Portugal já não vigora o Estado de direito, que a liberdade de expressão foi abolida e que o Governo quer rivalizar com o Balsemão.

– Temos a Presidente do maior partido da oposição desasada a pedir às agências de rating para darem cabo da economia nacional.

– Temos a CGTP, o PCP e o Bloco prontos para barricarem as ruas e derrotarem o capitalismo, o imperialismo e os fachos do PS.

– Temos jornalistas que gozam com deputados no próprio Parlamento e depois vão para a televisão gozar com os espectadores.

– Temos um Presidente da República que gastou as suas energias nos meses que antecederam as Legislativas, um tempo em que a ética e a transparência punham na ordem o Governo corrupto.

– Temos um Procurador-Geral que não presta porque não alinhou numa golpada.

– Temos o Benfica mais forte dos últimos duzentos anos.

– Temos o Sporting mais forte das últimas duas semanas.

– Temos ainda mais dez meses do melhor 2010 de sempre.

Perguntas do camandro

Este artigo faz a seguinte pergunta:

Será que a promiscuidade impede a extinção?

A resposta é relativa ao reino animal, sem aplicação para humanos. Contudo, e recentemente, estudos sobre o adultério revelaram uma paisagem genética muito mais poliândrica do que a moral das esposas e a auto-estima dos maridos preferem admitir.

Os genes são uns marotos.

Senhores da Guerra

Paulo Pinto de Albuquerque escreveu mais um libelo contra Sócrates. Ele diz que o Procurador-Geral errou e que o caso pode ir parar ao Tribunal de Estrasburgo. Pelo meio, aconselha a que se faça queixa, a partir das escutas, para a abertura de um processo criminal, e ainda que se peça a inconstitucionalidade da decisão de Pinto Monteiro. Chega ao ponto de citar uma passagem das escutas publicadas ilegalmente para sustentar a sua posição. Ou seja, declara que gostaria de ver Sócrates passar os próximos 20 anos entalado entre a PT e a TVI.

Acontece que ele pode ter razão. Em tudo. Sei lá eu. Afinal, estamos perante um doutor das leis, um cromo da jurisprudência. Só há uma coisinha que me baralha no seu comportamento: fará sentido usar a ilegalidade para fazer política em nome da Justiça? Se sim, o actual ganha-pão do Pinto de Albuquerque tornar-se-á rapidamente obsoleto.

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Rugido

Uma bizarra Associação de Adeptos Sportinguistas invocou o conhecimento de escutas a Pinto da Costa de forma a apelar à hostilidade para com o Futebol Clube do Porto em Alvalade.

Acontece que esta associação foi criada em 2008, e acontece que pago as quotas do Sporting, ininterruptamente, desde 1980. Isso faz com que eu tenha um balanço de 28 anos para dizer o seguinte aos gajos da AAS: na parte do estádio que me couber, esse cm quadrado, prefiro ter sentado o Pinto da Costa a suportar a peidola de quem finge ser Leão.

Being Earnest

Tudo é mais complexo, e mais simples, do que nós imaginamos. No caso do Pacheco Pereira, é mais simples. A mitologia à volta deste homem conta que estamos perante um intelectual influente no curso político dos últimos anos. Admito que sim, tendo em conta o seu currículo, a sua ubiquidade mediática e o seu poder partidário no consulado de Ferreira Leite. A ser assim, então a política nacional é passível de ser influenciada por um desavergonhado irresponsável. Quando ele escreveu que no Aspirina B pululam empregados do Governo, e incluiu o blogue numa frente da calúnia da qual nunca exibiu um só exemplo das ditas, eu (pelo menos eu, mas admito que muitos outros) fiquei a saber algo a respeito do Pacheco que não iria descobrir enquanto mero espectador das suas actividades. Desafiado a provar a acusação, saiu-se com mais um jorro de petulantes e desvairadas indirectas, incapaz de assumir a responsabilidade por uma opinião vendida.
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Guerra Civil – II

Portugal divide-se entre aqueles que se vão lembrar de Sócrates ter sido o primeiro chefe de Governo a depor na Assembleia da República e aqueles que não se vão esquecer de Sócrates ter sido o primeiro chefe de Governo a ser alvo de espionagem política a coberto de uma investigação judicial.

Ser do PS aumenta a inteligência

Quem não é do PS não precisa de se esforçar. Todas as suspeições contra Sócrates são acolhidas e festejadas. Os boatos chegam para ter certezas acerca do seu carácter, responsabilidade, honradez.

Quem é do PS, militante ou simpatizante, está sempre na berlinda. Tem de lidar com as sucessivas campanhas e manobras de destituição de Sócrates. O resultado é um permanente exercício analítico e reflexivo onde se interpretam notícias, declarações e comportamentos.

Conclusão: qualquer estúpido repete uma calúnia e ataca sem provas, mas é preciso ter uma inteligência robusta para defender a Cidade da invasão dos bárbaros.

A Última Famel

Fui ontem assistir à estreia, em Lisboa, do filme de Jorge Montereal. Uma produção a custo zero, feita com a generosidade e entusiasmo da equipa e de quem lhe deu os apoios.

A palavra despautério foi inventada já a pensar nesta obra. Entra directamente para o top do burlesco nacional. E com uns pequenos toques até ficaria parecido com um filme para levar muito a sério.

Vais gostar. Mas não é possível antecipar porquê nem do quê.

Génio de Carvalhal

Coitadinhos dos bifes. Caíram na genial armadilha do genial Carvalhal. Tudo começou em 20 de Janeiro. Sá Pinto e Liedson representam uma farsa onde simulam ofensas e agressões. Ninguém suspeitou de nada ao tempo. Seguiram-se as desgraçadas derrotas e humilhantes empates. Todos acreditaram que a equipa estava acabada, incluindo o próprio Carvalhal que era o autor deste plano. Por fim, um 1º jogo com o Everton onde se deixa no ar que eles poderiam vir até Lisboa a passeio. E assim foi: entraram no jogo com a clarividência de duas cabeleireiras de Brighton depois de três garrafas de Mateus Rosé. E pronto. Veloso, Saleiro, Djaló, Moutinho e Pedro Mendes resolveram a coisa em 30 minutos.

Segue-se o plano para esmagar o Atlético de Madrid. Coitados dos espanholitos.

Guerra Civil

A Sábado publicou aquele que pode ser um casus foederis para, finalmente, se abanar o sistema de Justiça para além da sua capacidade de reequilíbrio. A notícia expõe a interpretação de Aveiro acerca dos acontecimentos que levaram às decisões de Pinto Monteiro. E diz isto: o Procurador-Geral é cúmplice de uma conspiração criminosa destinada a proteger o Primeiro-Ministro, sendo este também responsável por outra conspiração criminosa. A partir daqui, há vários corolários:

– Magistrados e Judiciária em Aveiro consideram lícita a utilização da comunicação social para atacarem o Governo, a Procuradoria-Geral, colegas e cidadãos através da divulgação de escutas não sujeitas a defesa legal, sequer a contraditório dos visados.

– A gravidade desta suspeição, caso não seja desmentida pelas autoridades nela mencionadas, é matéria para comissão parlamentar de inquérito, obviamente, mas também para Conselho de Estado. Se o Presidente da República aparece alvoraçado a pedir transparência e ética por causa de um negócio entre privados que nunca chegou a acontecer, e se faz declarações solenes para falar dos Açores e dos seus emails, está política e moralmente obrigado a pronunciar-se sobre a notícia da Sábado.

– Não pode haver empate neste confronto Aveiro-Lisboa. A radicalidade da suspeição é fatal tanto no caso em que se confirme como no caso em que se infirme.

A Justiça é unanimemente apontada como um dos principais problemas de Portugal, tanto pela sua morosidade como pela sua ineficácia. Tem sido também um sistema cheio de vícios antidemocráticos, onde os magistrados se sabem blindados com protecções e vantagens exclusivas – acima da sociedade, dos partidos e até do Governo. Neste conflito onde uma comarca judical abriu uma investigação contra o Primeiro-Ministro em ano eleitoral, temos visto esta ferida sistémica infectar cada vez mais, os tecidos corroídos até ao osso. Só que o osso não é uma entidade abstracta chamada Regime. O osso é o Povo, o Soberano.

Aveiro, ao lançar estas suspeições, declara guerra aos fundamentos do Estado de direito. Seja por manobra política de alta escala ou peçonha vaidosa de uns quantos, está posta em causa a legitimidade do edifício da Justiça e sua hierarquia. Presidente da República e partidos têm de tomar posição. Este não é tempo para limpar armas, embora seja sempre bom conselho que se faça pontaria com calma.