Being Earnest

Tudo é mais complexo, e mais simples, do que nós imaginamos. No caso do Pacheco Pereira, é mais simples. A mitologia à volta deste homem conta que estamos perante um intelectual influente no curso político dos últimos anos. Admito que sim, tendo em conta o seu currículo, a sua ubiquidade mediática e o seu poder partidário no consulado de Ferreira Leite. A ser assim, então a política nacional é passível de ser influenciada por um desavergonhado irresponsável. Quando ele escreveu que no Aspirina B pululam empregados do Governo, e incluiu o blogue numa frente da calúnia da qual nunca exibiu um só exemplo das ditas, eu (pelo menos eu, mas admito que muitos outros) fiquei a saber algo a respeito do Pacheco que não iria descobrir enquanto mero espectador das suas actividades. Desafiado a provar a acusação, saiu-se com mais um jorro de petulantes e desvairadas indirectas, incapaz de assumir a responsabilidade por uma opinião vendida.

Como é que este zerinho caiu na esparrela de nomear o irrelevante e modestíssimo Aspirina B na sua teia de conspirações? Excluindo quadros psicóticos, como uma paranóia já incontrolada, o principal factor deve ter sido o uso do pseudónimo. Contudo, ninguém que acompanhasse a blogosfera política desde 2005, pelo menos, poderia ignorar a história do Aspirina B, e de como ela se ligava ao fim do Blogue de Esquerda, por sua vez um dos mais importantes blogues na história da blogosfera portuguesa. A entrada em cena do pseudónimo Valupi, pois, remetia para relações pessoais com figuras populares do meio: Luis Rainha, José Mário Silva e João Pedro da Costa. Qualquer um deles poderia fornecer informações a meu respeito, posto que nunca, e acerca de nada, lhes foi pedido sigilo. Iguais pressupostos para outros autores com quem me relacionei pessoal e presencialmente pouco mais tarde, como o Fernando Venâncio, a Susana e Nuno Ramos de Almeida. Ou seja, descobrir quem era o Valupi não se afigurava uma missão impossível – mesmo abdicando de o contactar para esse fim.

A perseguição aos anónimos não passa de mais uma acha para a fogueira de uma luta política onde vale tudo, como se vê pelas deturpações caluniosas do Pacheco e do Correio da Manhã. Mas é um erro desprezar estes episódios, dado que eles revelam aspectos dos seus agentes que nos ajudam a compreender outras situações onde não temos tanta informação como neste caso. E não é um acaso ver uma tão marcada dicotomia entre as sociologias da oposição e a do PS: de um lado temos aqueles que, indiferentemente à direita como à esquerda, não reconhecem qualquer direito aos adversários, assim os tratando como inimigos; do outro lado temos aqueles que preferem proteger os direitos dos adversários sob pena de perderam o respeito por si próprios. Claro, há excepções em ambos os lados, mas há esta funda diferença que faz do PS o partido que melhor representa o melhor da democracia na actualidade.

O bom-nome, e o nome bom, não é uma questão de exposição do registo do BI a mando dos hipócritas. É antes uma arcana capacidade que nos faz reconhecer quem é quem no que mais importa: a honestidade.

16 thoughts on “Being Earnest”

  1. Um outro caso sobre “a importância de ser honesto”.

    Ainda Figo. Vou resumir como vejo o caso:

    1. Mantenho, reforço, a grande admiração que tenho por Luís Figo. Há agora alguns (espanhóis disfarçados) que, indignados, gritam como se estivessem em Barcelona e o vissem entrar no campo: “pesetero”. O patriotismo destes pândegos eclipsou-se quando Rangel, no Parlamento Europeu, fez queixa histérica do seu País (“Já não temos um estado de direito”). Nele e nos jornalistas e nos analistas e na Oposição Unida.
    2. A Fundação de Figo é humanitária.
    3. Uma prova de que Figo apoiava Sócrates antes do célebre contrato é o artigo que apareceu no Diário Económico.
    4. Cujas transcrições ele não terá autorizado, preferindo aprazar o tal pequeno almoço. E se quiz fazer seguir isso do contrato, qual o mal?
    5. Figo nunca deu provas, que saibamos, de ser curto de inteligência, de ser primitivo e primário. Se havia intuitos indisfarçáveis, concupiscência lucrativa de “pesetero”, por que não foi diferida a assinatura do contrato? Logo no mesmo dia, imagine-se. Há pouca gente habituada a ser coerente com a máxima “quem não deve não teme”. Preferem, mesmo a despropósito, invocar as responsabilidades da mulher de César.
    6. A Fundação é apenas uma forma de ganhar dinheiro? Não acredito, tem obra realizada. Mas, se assim fosse, de novo a pergunta: porquê criar o tribunal popular, com o réu condenado antes de ser sequer julgado? Não seria antes um caso para as Finanças analisarem?
    7. O caso Figo é um não-caso, mais um. E com ele, não-caso mas facto político evidente e desavergonhado, muito boa gente que já tinha idade para ter vergonha na cara, agride e tenta rebaixar a figura de um português que honra o nome de Portugal e da Europa.
    8. Cujo comportamento nunca para mim desmentiu a importância de o considerar honesto. Mesmo sem se chamar Ernesto.

  2. Nem mais, primo: o teu suposto “anonimato” acabou por revelar facetas novas do Pacheco Pereira – o gosto pela calúnia, pela insinuação, pelo bluff e, que diabos, uma desonestidade intelectual que não pára de me deixar perplexo. Por isso, o que é realmente importante aqui, é que a opção pessoal que, há 5 ou 6 anos, te levou a assumir o nome Valupi não seja nunca ofuscada pelas bocas desse senhor que, pelo menos para mim, tem sido o maior inimigo da liberdade do HTML. Ou será que ninguém se lembra que ele próprio começou a escrever no abrupto sem assinar os textos?

  3. Ficamos de facto a conhecer muito melhor o Pacheco. É que quem conhece os blogues que ele ataca, e for honesto, conclui que o que afirma não tem pés nem cabeça. No Aspirina, se não fosse o uso de pseudónimo seria outra coisa qualquer, os autores do Jugular são acusados do mesmo e assinam com o nome do BI, aliás, muitos são figuras públicas. Associar centenas de comentários anónimos ao Câmara Corporativa também é para rir. Mas o Pacheco sabe muito bem o que está a fazer, ele faz estas acusações na televisão e nos jornais, ou seja, para um público que na sua maioria não conhece a blogosfera política. É ridículo comparar o número de leitores dos blogues com as audiências desses orgãos de comunicação. E é disso mesmo que ele tira partido, do desconhecimento. Ora, isto faz um belo retrato do deputado Pacheco, que quando não está a pensar na morte da bezerra ou na passagem do tempo por não sei onde, entretém-se a pensar na melhor maneira de enganar quem o lê e ouve. E assim vamos conhecendo cada vez melhor os fundamentos da famosa Política de Verdade ou do Vale Tudo ou lá o que é.

  4. Mas, afinal, quem és tu? E onde trabalhas? É que quem não sabe continua a pensar que o Pacheco tem razão, por muito latim que gastes.

    O mesmo se passa com os famosos Abrantes.

    Se bem que uma coisa já é certa: Os gabinetes ministeriais e o Paixão Martins fartaram-se de despachar para todos os lados….

  5. cidadão presente, boa reflexão. Contudo, o que se sabe até agora do negócio deixa legítimas dúvidas na opinião pública. Figo e Sócrates foram peremptórios, mas também não poderiam ter outra atitude. Vamos ter de manter a confiança até prova em contrário, claro, esse é o critério inabalável.
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    Primo, é uma situação que raia o inacreditável. Ainda mais absurda se pensarmos que o Pacheco está na blogosfera desde os primórdios e acompanha os blogues políticos todos. Mas assim ficamos a conhecer as entranhas de uma parte da elite, a má-fé e alucinação que despejam na comunicação social.
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    guida, exactamente. E teve graça constatar, há umas semanas, como alguns tomavam o partido do Pacheco, equiparando os participantes da disputa. A defesa contra os ataques deste gabiru aparecia excessiva, com se fosse ele a vítima de uma entidade mais forte. Eis o seu tão grande poder e iniquidade do seu comportamento.
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    Leonor Sucena, se queres essas informações, entra em contacto comigo privadamente. Apresenta-te. Eu não faço ideia de quem seja a pessoa que assina “Leonor Sucena”, nem preciso de ter esse conhecimento para aceitar o seu comentário. Creio que a regra é muito simples: informações pessoais dão-se em contextos oficiais ou pessoais, não meramente públicos. Ou precisas de te identificar para dar uma opinião na rua?

  6. O Pacheco é um chato. Linhas e linhas a dizer nada. Burro. Aborrecido. Um velho do restelo á maneira.
    Mas ele há uns tipos giros agora , como o Pedro Lomba ou o Alberto Gonçalves. e o Valupi , quando lhe passar a fase da paixão. A paixão é muito enganadora. E não me parece , neste caso , que à paixão lhe suceda o amor. mais bem : como pude gostar disto?

  7. Ai , Edie , andas mesmo chata! Tens razão , a graça diminuia.

    (Olha , coisa mais engraçada para o mulherio , tenho de partilhar esta cena de etologia : vê lá o que o meu sobrinho mais pequeno me fez descobrir , o ornitorrinco. Tive de ir ver o que comia o bicho e às tantas , vê lá o que descobri : o macho faz assim tipo um ninho à superfiicie para as quecas , às 3 pancadas e sem proteção nenhuma. Dá a queca e baza para comprar tabaco e não volta . A ornitorrinca ,, coitada , engravida e põe 2 ovos ( mamifero e põe ovos ! ) num ninho super hiper protegido que constroi num túnel e com montes de tralha a tapar , não vá um predador chegar às crias. Curioso , não é?)

  8. É, o ornitorrinco é um bicho estranho, parece uma colagem de partes de vários animais…essa parte do macho que dá a queca no motel mal amanhado e deixa à fêmea as preocupações do lar e das crias é característica de uma variedade de homorrincos ocidentais…espécie em vias de extinção, porque parece que actualmente a fêmea homorrinca já fuma e aprendeu o truque do tabaco…

  9. coitadas das crias , né ? nem já com as homorrincas podem contar. espero é que homorrincos e homorrincas não se queixem do futuro árido que os espera.
    uma vez recebi um mail arrepiante : um velhote partia pratos e sujava a mesa. parkinson ou coisa parecida. puseram-no numa mesita à parte da familia e com malga de madeira. pai depois vê filho a esculpir malga de madeira. pergunta porque está o miúdo a fazer isso. e o miúdo diz-lhe que é para ele , quando for velho e partir a loiça , tal e qual como ele fez com o avô.

  10. “O” Pacheco é isto.
    “O” Pacheco é aquilo.
    “O” Pacheco não presta.
    “O” Pacheco não é honesto.
    “O” Pacheco não sabe ler.
    “O” Pacheco não sabe pensar.
    “O” Pacheco não sabe escrever
    “O” Pacheco não sabe vestir-se.
    “O” Pacheco não toma banho.
    “O” Pacheco não lava os dentes.
    “O” Pacheco calça peúgas brancas.
    “O” Pacheco calça um sapato de cada cor.
    “O” Pacheco não é do “Glorioso”.
    “O” Pacheco não vai à praia.
    “O” Pacheco é o diabo em forma de gente.
    “O” Pacheco é o culpado por todos os males do Mundo (e arredores…).

    …mas, ainda assim, não deixam de falar “no” Pacheco!
    Será por masoquismo?
    Será porque “o” Pacheco os atormenta, noite e dia?
    Será porque “o” Pacheco até consegue mostrar que o “rei vai nu”?
    Será que têm inveja porque “o” Pacheco não é do PS?
    Será porque “o” Pacheco pensa nas “coisas” enquanto que no PS são as coisas que pensam no Pacheco?

    Que venha o já costumeiro chorrilho de insultos, já que mais não têm para dizer. (piscadela…)

    P.S.(Post Scriptum, por via das dúvidas…): Será que não me esqueci de nenhum
    “defeito” “do” Pacheco?

  11. Nos muitos “defeitos” que apontei “ao” Pacheco, não constou que ele fosse santo e não o é, com certeza.
    Mas façam um esforço e tentem ser coerentes, pelo menos uma vez na vida, e apliquem os vossos rigorosos, honestos e impolutos critérios a outras figuras da nossa praça, a começar pelos membros do governo que, esses sim, interferem com a vida de todos os Portugueses.
    Sim, que isso de dizer mal só dos nossos inimigos é fácil. Difícil mesmo é olharmos para dentro da nossa “casa” e constactar que aquilo que condenamos nos outros nós conseguimos aplaudir nos nossos.

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