58 thoughts on “Vale a pena pensar nisso”

  1. A inteligencia e una coisa de dificil definicao que tu pensas que possuis as carradas. A verdade no entanto e outra. Quando metes a mao no bolso, depois dum almoco bem regado, para cocares a cabeca ao bernardo, e muito provavel que nao encontres nem peixe, nem carne, nem nervo. Mas la estarao para acariciares varias moedinhas de dois tostoes de inteligencia, ja sem brilho de tanta circulacao.

  2. É a capacidade que o individuo apresenta de processar raciocínios, simples ou complexos, de acordo com a acumulação de conhecimento que o meio ambiente lhe proporciona.

  3. O Vergílio Ferreira tem uma passagem assim: “De que te serve a inteligência, se não tens inteligência para a usar com inteligência? ”

    Para mim, inteligência é este segundo tipo de inteligência que nos permte usar a outra inteligência com inteligência…:)

  4. Não sei. Mas, atrevo-me a dizer que uma pessoa inteligente é aquela cujas acções têm consequências boas para si e para os outros. Por oposição, as estúpidas realizam acções que fazem mal a todos e a elas próprias. Poderia continuar, mas não devo ultrapassar muito o que a pergunta pede, para não lhe demorar muito tempo a corrigir…

    :)))

  5. Inteligência é a capacidade de evitar a ferrugem neuronal, vulgarmente designada por comodismo. Mede-se pela quantidade de energia produzida para além da estritamente necessária à sobrevivência (respirar, comer, procriar…) e com relevância para a comunidade ; )

  6. Ligar a inteligência à capacidade de fazer bem o bem, e definir o bem como um valor comunitário, eis uma das facetas do que é a inteligência para mim. Por isso, diria, estão nesta caixinha reunidas várias pessoas altamente inteligentes. Vai na volta somos todos geniozinhos e ainda não acreditámos nisso apesar das evidências…

  7. gostei da definição da mdsol.
    mas também acho que é a capacidade de distinguir o essencial do acessório e a capacidade de simplificar e facilitar. tipo aquelas cabeças que formulam teorias válidas na pré história e no sec. XXI , e que vêem cinzento .

  8. Val, esqueceste-te dos animaizinhos muito inteligentes que se estão marimbando para o que é o bem ou o mal…E além de inteligentes até podem ter memoria de elefante, contuando a não estar interessados no bem ou no mal cá da paróquia.

  9. Ah, Mário, que bem lembrado. Mas terás de fazer o favor de reconhecer que nós somos o resultado do bem que o animal procurou. Assim, mesmo que o animal não o possa conhecer, o nosso bem também o inclui, pois… tudo é um… (como dizem os sábios que sabem).

  10. Adoro este Blog, com os textos aqui publicados até dá para esquecer os mais de 500.000 desempregados, a dívida do Estado, das famílias, o déficit ou até as medidas duras que o PEC vai implicar….

    Como entretenimento melhor só Disney TV…

    Continuam assim, SFF.

  11. Val, eu não vou nessa de «tudo é um». Não desisto facilmente da minha identidade. Quando for carneiro de carneirada, já não sou. Morri de vez. Depois de morto já tanto me faz ser carneiro ou mineral. Já não é nada comigo.

  12. Mário, mas que seria da tua identidade sem os milhares de milhões de anos em que os animais andaram a tratar inconscientemente da sua? E o que seria dos animais sem os milhares de milhões de anos em que os átomos andaram às turras uns com ou outros até que se juntassem em bola de terra e água?

    Podes não dar atenção, mas tu és filho das estrelas.

  13. Inteligência? É o meio pelo qual o homem faz o caminho.

    O caminho mais curto entre dois pontos é uma recta; mas poderá não ser tão linear assim, para quem tenha de fazer o caminho pelo seu próprio pé. Então é a inteligência quem avalia o risco, o rumo, o dia e a hora, para bem chegar ao destino certo.

    …caminito que todas las tardes,
    feliz recorria cantando mi amor.
    No lo digas si vuelbe a pasar,
    que mi llanto tu suelo rego

    Desde que se fue
    Nunca más volvió
    Seguiré sus passos
    Caminito, adiós!

    Carlos Gardel.

  14. O facto de cada um de nós ser um ser original e de não sermos intermutáveis não diminui, nem um bocadinho, a importância do outro na criação dessa identidade única. Nem é preciso ir às estrelas. E se nos enfiassem num galinheiro mal nascessemos?

  15. e ainda vou mais longe: devemos preocuparmo-nos menos sobre a influência que os astros têm em nós e mais sobre a influência que temos nos astros. I mean it!

    Atenção à massa de que somos feitos…e àquela que criamos…

  16. Ó LÚCIDO, o que fizeste tu da lucidez?!De duas uma: ou não fazes jus, mas não fazes mesmo, ao nome que gostas de usar ou a raiva, o ódio, a inveja enchem de tal maneira o teu espírito que não deixam espaço para o mínimo resquício e inteligência e bom-senso!

  17. É a Judite de Sousa a entrevistar o amigo dela (e do marido), o Sr. Alberto João. O tal que agora também já é amigo do Sr. Silva , o qual , por sua vez , não sabia que os Lusíadas têm 10 cantos.

  18. mas é que eu já fiz e até já saiu, mas depois desapareceu. Mas quando é assim costuma ficar pendurado não sei onde e depois ressuscita. Tens de ter paciência que o Val deve estar a ver televisão.

  19. (só um pequeno parêntesis: Val, já preparaste umas palavrinhas simpáticas para o Carvalhal, para variar?)…Aqui em casa um é do Porto (quando soube, já era tarde) e eu sou do benfica, mas estamos os dois a torcer e fazer festa…zbordeing!!!!)

  20. O “garante do bom funcionamento das instituções” está a gerir o seu silêncio, coisa que, segundo o pateta alegre, faz muito bem…Por acaso acho que faz muito mal,mas só há uma coisa que o garante está a tentar garantir…e é demasiado óbvio…Por mim, o votinho vai direito para o Nobre

  21. agora vem a manela no seu canto do cisne dizer que estamos como a grécia e que o diz para ajudar o governo…Não actualizou as leituras das agências de rating, que já há umas semanas riscaram o que tinham dito sobre o assunto…

    Sabes, manela, onde podes enfiar estas ajudas???

  22. Como sabes, não há uma resposta para esta pergunta, por isso ta fiz no outro post. As aqproximações vão variando de acordo com a datas e com a área do conhecimento. Mas não há e talvez nunca venha a haver a resposta.

  23. Meu caro Val
    Fico comovido por atribuires não excelsa ascendencia. Mas olha que devo conhecer melhor que tu a minha genealogia…
    Não sou um clone de uma qualquer estrela, quase como um filho de pai incógnito. Orgulho-me da minha mãe Estrela e do meu realissimo pai, o Acaso. Não é por ser “acaso” que perde consistencia. Entre muitos milhões de de “uns quase nada” espermatozoides, tinha de ganhar a corrida um que se casou com a Estrela e agora te escreve, triunfante.
    Como vês, não nascemos por clonagem das estrelas e saimos uma criatura muito mais prendada, graças a um inesperado e subtil progenitor. Tão discreto, o nosso pai, que Sartre ficou baralhado e chamou «Néant» ao que, de facto, parece “um quase nada de ser”. Mas que diferença entre ser clone e ser filho de pai e mãe! Faz emerfir a alteridade. Como Sartre não viu bem a coisa chamou-lhe ora «inferno» ora «absurdo».

  24. Mário, acaso? Tens a certeza? Seria preciso saber tanto como Deus para lhe chamar acaso com essa confiança. A História tem mostrado que o acaso é bicharoco em vias de extinção, ou que nunca passou de um pantomineiro (pese o laço familiar que tens com ele). De resto, é como disse o Hubert Reeves, numa citação que vai sair errada por ser de cabeça, mas cujo sentido não falha:

    “Um universo que foi capaz de criar a música de Mozart, tem de fazer sentido.”

  25. Imagina, meu caro Val, que decidiste ir almoçar fora, para variar. Passas debaixo de uma varanda de um predio, onde, no terceiro andar uma senhora tentava dar um jeito ao seu estendal, pregando mais um prego. Deixa cair o martelo no exacto momento em que passas e ficas com a cabeça partida.
    Diz-me, existe alguma relação causa/efeito entre a acção da senhora e a tua decisão de ir almoçar fora e estar precisamente naquele instante sob a varanda e levares com o martelo? A não ser que vejas no funesto acontecimento a mão longa e tenebrosa do diabo, que te inicitou à gula, ao mesmo tempo que fazia vacilar a mão da mulher no exacto momento.
    O acaso existe, não como uma intromissão nas leis da física, mas como uma realidade normal do nosso mundo. Além do mais, não existe apenas uma causa para um efeito, mas um encadeamento de causas e efeitos que conduzem sempre a um acontecimento.
    Robert Laughlin, prémio Nobel da física 1998, aforma que o nosso Universo é uma “realidade entrelaçada» onde a emergência ganha o máximo de significado precisamente quando acontece. (Um Universo Diferente, reinventar a física na era da emergencia)

  26. Val,
    Discordo das tuas considerações. O Bem e a prática do mesmo, não estão, necessariamente em linha com a inteligência, que consiste numa capacidade individual, sujeita a treino, ou não.

    O bem, é uma construção social, cujo pressuposto tem por base doutrinas comportamentais de grupo. O conceito de bem pode ser divergente nos diferentes pontos do planeta, mas os fundamentos da inteligência são os mesmos.

  27. Mário, “acaso” é o nome que damos aos acontecimentos cujo sentido nos escapa. Ora, é a nossa capacidade de doação de sentido que está em causa, então. Ou seja, estamos a tentar definir a natureza humana. Tu falas em martelos pelo ar, glosando as questões bizantinas, de modo a evidenciar a posição que aceita conviver com o acaso. Muito bem, mas também podemos subir a parada.

    No campo do absurdo enquanto tragédia, nada na História pode ser comparado ao holocausto nazi. Uma nação que representava os mais altos valores europeus, ocidentais e civilizacionais, comete um crime que parece saído das entranhas do Diabo. Todavia, ainda mais extraordinário do que esse crime foi o que aconteceu a algumas das suas vítimas. Os relatos daqueles que estavam presos nos campos de concentração, tudo tendo perdido e esperando a sua vez para morrer, revelam que a natureza humana consegue encontrar um sentido mesmo nas mais abjectas e violentas situações.

    O Bem triunfa sobre o Mal, eis a mensagem central da experiência religiosa judaica – entre outras experiências de diferentes religiões, claro. Essa ideia é ontológica, remete para o todo da experiência possível. E não se poderá confirmar abstractamente, apenas na vivência de cada um. Mas se o Bem triunfar sobre o Mal, então qualquer acontecimento tem um sentido preciso, não ocasional. Pelo contrário, se o Mal triunfar sobre o Bem, então a realidade deixa de fazer sentido, nada valeu para nada, pois tudo acabará em nada.

    Já agora, que dizes deste mistério das matemáticas, onde através do cálculo conseguimos descobrir características da realidade?
    __

    Carmim, estás a falar da inteligência enquanto capacidade cognitiva. Eu preferi tomá-la como capacidade intelectual. Nessa dimensão, é uma fonte civilizacional, ao serviço do crescimento cultural. Por exemplo, a invenção da escrita, das leis e da ciência são bens culturais, e perfeitos exemplos da actividade da inteligência.

  28. As nossas células são inteligentes, a natureza, o universo são inteligentes.
    Há vários tipos de inteligência.
    Não reconhecer a inteligência daqueles, porque a nossa não a entende, não é inteligente. A crença no acaso não tem nada a ver com inteligência.
    Pim!

  29. Por entre os nossos passos apressados escapa-se, fugidia, uma nau cujo destino está traçado na espuma das águas que desenham a praia. É ela verdadeiramente a nossa cara metade, quem mais amamos e nos atormenta. Procurar-te e perseguir-te é desperdiçar tempo e energia. Não. Só o nosso desinteresse, mesmo que egoísta ou individualista, te retira o rosto e a vontade. E a escolha está feita.

    Entretanto, vou fumar um cigarro para te esquecer, tempo suposto infinito.

  30. Val, na resposta que dás ao Mário, falas de bem de mal. Ora a minha discordância está exactamente neste ponto. O bem e o mal entendidos do ponto de vista abstracto, são inexistências, em minha opinião, claro. Ambos, bem e mal, constituem a moralização social proclamados pelas religiões, de acordo com correntes de opinião específicas conforme as ocasiões em que se desenvolvem.

    A moral em si, é um conjunto vazio de pressupostos que se organizam de acordo com as reais convivências dos actores que protagonizam determinadas épocas.

    Mário, perdoa-me a intromissão num comentário que te pertence.

  31. Val, quando falei do acaso tinha-me desligado do «bem e do mal», até porque o acaso tem a ver com a falta de um nexo evidente entre causa e efeito.Não existe qualquer espécie de intencionalidade, próxima ou remota, na martelada que levaste. Mas o holocausto e as consequencias para todas as vítimas é tudo fruto de uma intencionalidade. Ninguém foi parar ao campo de exterminio por acaso. Mas se algum desses condenados, dentro do campo for vitima de um atropelamento acidental, aí temos o acaso novamente. Não me parece uma abordagem bizantina dos factos. O que já me parece uma questão bizantinha é tentar recuar até uma «causa primeira» para explicar o acaso do martelo que te partiu a cabeça, porque alguém te iria questionar acerca da causa da «causa primeira». Einstein diria «quem criou o Criador».

    Introduzes a matemática no teu comentário, dando a entender que ela nos faz descobrir caracteristicas da realidade. Concordo que assim é. Mas nunca nos vai dar o conhecimento definitivo seja do que for, porque a matemática faz «medições», comprovadas pela experimentação. Por serem «medições» não são mais que conceitos elaborados pelo nosso cérebro. Esses conceitos dão-nos da realidade apenas as caracteristicas que delas fomos capazes de captar e conceber, mas a realidade não se deixa captar de forma absoluta. Se tal acontecer um dia ficaremos da posse da Verdade. Até lá, como diziam os gregos antigos, a Verdade/Sabedoria é privilégio dos deuses e nós, mortais, somos apenas seus amigos. Nunca devemos esquecer que a matemática não cria a realidade mas permite-nos tão somente, aproximações e reproduções. Ou achas que podemos ir mais além?

  32. edie, até os átomos terão a sua inteligência. E de que outra forma explicar a nossa, né?
    __

    tra.quinas, bela imagem.
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    Carmim, estás a falar da moral como ideologia. Por aí, as noções de bem e de mal são construções conceptuais que organizam a sociedade segundo factores históricos e étnicos avulsos, tal como apontas.

    Contudo, vistas na sua dimensão antropológica, as noções de bem e de mal reportam-se à sobrevivência dos seres humanos e sua busca de conhecimento. O modo como se concebe o divino revela a ambição humana de alcançar a vida eterna – ou seja, a vitória sobre a morte. Neste plano, o bem equivale a realização da potencialidade da inteligência. O mal, ao seu fracasso.
    __

    Mario, fui buscar o exemplo do crime supremo (se é que tal pode ser indicado) para o ligar ao do martelo. Dizes que ninguém foi parar ao campo de extermínio por acaso, posto que houve intencionalidade de terceiros. Muito bem, mas tal só acrescenta absurdo ao acontecimento. É que o facto de ser atingido por um martelo explica-se com cristalina facilidade, já o extermínio industrial de um povo por razões delirantes pertence ao domínio do irracional.

    Chamas acaso à queda do martelo porque não existe intencionalidade que justifique o acidente. Creio, porém, que estás a fazer um uso muito restrito do conceito. Na verdade, o acidentado talvez pudesse exigir uma indemnização ao dono do martelo, assim se estabelecendo um nexo de causa-efeito através da sua responsabilidade. Afinal, ele desconhecia que o martelo poderia cair da varanda? E desconhecia que tal queda poderia levar a um prejuízo qualquer em algo ou alguém?

    Mas abandonemos totalmente o factor humano. Que dizer de um raio que atinge alguém num campo? Acaso? Claro, mas apenas do ponto de vista individual relativo ao sujeito atingido – e, mesmos assim, esquecendo que ele estava numa situação onde tal desfecho poderia ter lugar. Já o raio comportou-se segundo as imutáveis leis físicas que o fizeram percorrer um certo percurso que teria de ser aquele dados os factores atmosféricos e geológicos presentes.

    A minha posição não é a de negar o óbvio: inúmeros acontecimentos pertencem ao domínio do que consideramos acaso. O que me interessa é a capacidade de encontrar sentido na realidade. Isso revela a nossa natureza, ligando os homens pré-históricos sem tecnologia e os contemporâneos que seriam deuses para os primeiros. Por isso, discutir se somos seres do acaso ou do sentido foi sempre matéria das mais fundas e elevadas reflexões. Repugna ao intelecto ser vencido pelo absurdo, e ele fará tudo o que for possível para encontrar um sentido que ligue tudo e todos.

    A matemática é um produto do nosso cérebro, sem dúvida, daí o mistério: como pode o nosso cérebro antecipar características de realidades que ainda não conheceu empiricamente? Porque é isso que a matemática dá, uma antecipação do real. Seguindo por esta linha, o acaso passaria a ser apenas o efeito de uma ainda incompleta matemática. Ou seja, tal como dois mais dois são quatro, aquele martelo teria de atingir o seu alvo.

  33. Val,
    De facto falei do acaso em sentido restrito. E vou deixa-lo aí, de outro modo nunca mais acabamos. Não estou é de acordo contigo quando afirmas que «a matemática é a antecipação do real». Se assim fosse cada verdade matem’ática era uma verdade absoluta. E não é. Continua a valer como “meio de aproximação” ao real. O que talvez tu quisesses dizer é que a matemática antecipa, por dedução, caracteristicas do real, nunca a realidade em si. Neste aspecto estou tanto com Aristóteles como com o mais próximo Kant. A realidade em si só poderia ser apreendida e lida quando o «conceito da coisa» coincidisse em absoluto com a coisa.
    E não me parece que a matemática seja a revelação definitiva da Verdade. Se o fosse teria avançado de uma vez só e não às apalpadelas. Não somos os deuses do Olimpo.
    Os crentes tentaram dar a volta à situação da precaridade da<matemática e de todas as outras realidades precárias que nos constituem, alegando que os deuses lhes falaram e revelaram tudo em definitivo. Vê-se…
    O sentido das coisas há-de ser percepcionado por aquele que faz a matemática e faz o amor.

  34. que bela discussão, o Aspirina consegue ser sempre surpreendente,

    a coerência sintáctica da matemática e de como saem surpresas, revelações, dentro dos cálculos legitimados pela estrutura onde se está a trabalhar é de uma beleza incrível, acho,

    Mas aquilo é um mundo platónico, os pontos não têm comprimentos, as linhas não têm largura as superfícies não têm espessura, no entanto toda a Física é feita com modelos matemáticos como se fossem tangentes ao real.

    no entanto se em primeira mão é um ideal tangente ao real depois morde mesmo lá, ou não se fazem aviões e tantas coisas?

    talvez se possa distinguir um real e um Real, o da maiúscula comporta os ideais,

  35. «Seguindo por esta linha, o acaso passaria a ser apenas o efeito de uma ainda incompleta matemática. Ou seja, tal como dois mais dois são quatro, aquele martelo teria de atingir o seu alvo.»

    Valupi: tu ou qualquer outro poderão ir mais longe do que eu, e ainda bem,

    Até onde consigo chegar estamos hoje em ciência condenados a lidar com os efeitos quantificáveis como se fossem processos estocáticos. Pode é ter um núcleo determinista em betão armado somado a um ruídozinho branco que é como se fora uma fragância estocástica, ou pelo contrário ser um arame determinístico no feio de um furacão aleatório.

    Ainda assim o acaso estará sempre lá como resíduo de todas as causas que não se conhecem, o véu de ignorância, ou não se conseguem enquadrar em termos comensuráveis, seja na fonte por causa da incerteza seja na chegada por causa do caos.

  36. Na verdade, incerteza e caos apenas nas nossas mentes. Diz quem sabe mais do que, Einstein, que o universo é a perfeita «materialização» da racionalidade. E as nossa equações pretendem traduzir cada vez mais e melhor essa realidade.
    Por outro lado, Sr &, Platão não foi para aqui chamado. segundo ele nós estamos como que presos numa craverna e nesta vida só conseguimos enxergar as sombras projectadas na parede de uma realidade inatingivel. Ora o que aqui se disse foi que nós atingimos um verdadeiro conhecimento da realidade, mas é um conhecimento parcelar e que se constitui como objecto tanto da ciência como da filosofia alargar mais e mais este conhecimento incipiente. A vida torna-se um desafio à inteligência humana e não uma triste prisão dentro de uma caverna. Proclama-se o sentido da existencia como procura continua da verdade e da perfeição, em vez de um degredo cavernoso e estúpido.

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