Todos os artigos de Valupi

Na veia

Durante milénios, escutaram-se lamúrias, choros e ranger de dentes por não se poder deixar um louvor ou uma prece neste templo da criatividade: f-world. E os tarados que ousavam enviar emails eram corridos para a posta-restante do Pacheco. Tudo isso mudou, finalmente, graças à entrada de Fátima Rolo Duarte no elenco do Jugular. O muro do silêncio foi derrubado e agora o diálogo é tanto que ela até se comenta a si própria, num frenesim comunicacional como já não se via desde a invenção do telefone. Ainda não conheces esta adorável gralha? Começa por aqui, então: Gomes, Ana

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Andava (e ando) para ir ver Lisboa, Crónica Anedótica numa sala escura, mas a Ana Vidigal fez o favor de reunir a obra em pedaços para consumir no monitor. Imperdível, irresistível.

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João Galamba continua no seu incansável trabalho de introdução de factos e racionalidade no debate político. Este é apenas um exemplo em dezenas e dezenas: Saúde e memorando

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Shyznogud alembra que os hipócritas são muito dados ao esquecimento.

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Uma imagem vale 302 comentários, fora os que nem sequer alcançaram os mínimos para entrar neste rossio.

Que falta que fazia ali um tribunalzinho

O processo contra o director da revista Sábado, Miguel Pinheiro, acusado do crime de ofensa à honra do Presidente da República, nasceu de uma iniciativa do Procurador-Geral da República. Belém só aprovou o prosseguimento do processo, o que é muito diferente de o ter criado. Num plano institucional, a sua eventual recusa em julgar a eventual ofensa à pessoa do Presidente da República, para mais vindo do PGR essa suspeita, poderia ser considerado um precedente que fragilizasse futuros casos ou poderia ser visto como uma forma de desautorização do Ministério Público, até da figura do Procurador-Geral. Enfim, a questão é complexa e melindrosa nas suas conotações formais, ficando a faltar a justificação de Pinto Monteiro para ter escolhido um pedaço de prosa jornalística tão aparentemente inócuo e vulgar, ao ponto deste processo se iniciar sob o signo do absurdo.

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Grandes questões da actualidade

A Cinemateca é um museu. A Cinemateca tem salas de cinema. Os museus estão abertos aos domingos e feriados. As salas de cinemas estão abertas nos feriados e domingos. Os feriados e domingos tendem a ser dias em que não se trabalha, o que facilita a escolha de filmes que passam a horários usual e maioritariamente laborais. Os domingos e feriados, parece, costumam ser dias em que apetece ver filmes. Por causa da lógica pipoqueira dos distribuidores e da exiguidade daquele tipo superior de público que sabe ser o cinema bem mais real do que a própria realidade, só resta a programação da Cinemateca para o cinéfilo sobreviver.

Ora, que mal fizemos nós à Cinemateca, ou aos museus, para sermos deixados a agonizar sem alimento tantos dias por ano?

Dia dos portugueses

Disse então a Veloso um companheiro
(Começando-se todos a sorrir):
– «Oulá, Veloso amigo! Aquele outeiro
É milhor de decer que de subir!»
– «Si, é (responde o ousado aventureiro);
Mas, quando eu pera cá vi tantos vir
Daqueles cães, depressa um pouco vim,
Por me lembrar que estáveis cá sem mim.

Lusíadas, Canto V, estrofe 35

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Em toda a obra, não há passagem que se iguale a esta em intemporalidade e portugalidade. A malícia afectuosa ao despique, simultaneamente de traço popular e de ironia sofisticada, é uma das nossas mais fundas características culturais. E permanece como um veio de humor esquecido dos actuais comediantes, mas tão delicioso hoje como há quinhentos anos algures na costa de África, onde portugueses valentes arriscavam a vida em terra e no mar.

Rir é o melhor remédio

PCP e BE não têm qualquer dúvida a respeito do acerto das suas propostas. Cada um destes partidos considera ter toda a razão do seu lado, ter todas as soluções para todos os problemas, e só vê à sua volta estúpidos ou trafulhas, trafulhas estúpidos e estúpidos trafulhas. Ora, como irão eles explicar a eles próprios, nem que seja apenas nesses introspectivos momentos ao deitar os cornos na palha para dormir, a preferência de quase 80% do eleitorado pela troika que tanto diabolizaram, ao ponto de nem sequer terem ido lá dizer umas verdades aos camones? E aquela cena do Paulinho das feiras e da lavoura ter, sozinho, tantos deputados como os imbecis juntos? Também teria muita graça ouvir umas explicações a respeito, e não me importo de esperar.

Será que foram alvo de censura e a mensagem não pôde chegar à sociedade? Será que não têm quadros e recursos humanos suficientes para preencherem os espaços mediáticos à disposição? Será que são trapalhões e não conseguem dizer duas palavras seguidas numa sintaxe que se entenda? Que se passa de errado com estes santos da pureza ideológica, estes mestres da superioridade moral, estes génios da economia libertadora? Ou será o povo que não presta?

A arrogância intelectual que é apanágio dos bacanos alérgicos ao capitalismo não nos irá falhar e, em breve, teremos mirabolantes justificações que vão fazer muito bem ao fígado. O nosso.

Doentio

Interrogado sobre o que quis dizer com a expressão “não há cura para aquele que não quer ser curado” que proferiu esta manhã no discurso que fez na sessão solene na Câmara Municipal de Castelo Branco, Cavaco Silva recordou tratar-se de uma frase de um médico célebre do século XVI, João Rodrigues de Castelo Branco, o Amato Lusitano.

“Eu espero que nós queiramos ser curados e que sejamos capazes de responder aos desafios que temos à nossa frente”, sublinhou o chefe de Estado, que falava aos jornalistas à entrada para um almoço no Conservatório Regional de Castelo Branco, inserido no programa de comemorações do 10 de Junho.

Frisando que acredita que os portugueses querem curar a “doença” que neste momento os afecta, o Presidente da República explicou que essa “doença” é “o grande desafio de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional”.

Fonte

Vamos lá a saber

Se substituíssemos os cinco partidos que têm ocupado invariavelmente o Palácio de S. Bento desde 1999 por três outros novinhos a estrear – o Partido da Esquerda, o Partido do Centro e o Partido da Direita – ficaríamos pior? Aliás, perderíamos alguma coisa?

É que esta disfunção sistémica em que à esquerda não é possível formar coligações para governar, porque PCP e BE são os auto-proclamados proprietários do povo, da felicidade e dos famélicos e não admitem misturas com a alteridade ideológica, está-nos a fazer muito mal e não vai desaparecer tão cedo. Os imbecis querem continuar a vender demagogia para imberbes e caducos, revolucionários e nefelibatas, até que o Inferno gele ou o capitalismo arda, o que acontecer primeiro.

Porque é que não fazem greve às eleições e deixam o Parlamento entregue aos imperialistas? Seria a forma mais rápida para testar as profecias de Marx e, caso sejam verdadeiras, em pouco tempo o proletariado daria a volta a isto. Assim, insistindo em ir para a Assembleia da República dizer coisas, mas nem fodendo nem saindo de cima, quem se lixa é a dialéctica.

Politeia

Não sou militante nem simpatizante do PS, por isso, num certo sentido, estou a marimbar-me para a escolha do próximo Secretário-Geral. Mas, como apaixonado pela política, tenho um receio e uma esperança. Receio que ganhe quem fez oposição interna nos últimos anos apenas na perspectiva do proveito pessoal com vista ao seu futuro. Receio que ganhe aquele que foi um dos principais promotores dentro do PS da candidatura Alegre, oferecendo de bandeja a vitória a Cavaco e desgastando ainda mais o Governo e o partido. Receio que ganhe esse molusco que não defende a honra dos seus camaradas. E espero que ganhe um Francisco Assis cuja liderança parlamentar o projectou para a exposição máxima com o consequente máximo proveito para o partido e para a cultura democrática.

Assis, que até calha ser licenciado em Filosofia, pode muito bem vir a ser o Platão de Sócrates.

Pitagorismos


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O electrão foi medido no Imperial College London, ao longo de mais de 10 anos, e os resultados apontam para a sua quase perfeição esférica. É tão redondo que, usando uma analogia, caso fosse aumentado para o tamanho do sistema solar (portanto, para a dimensão da circunferência imaginária que se forma no limite da órbita de Plutão – ou lá perto – tendo o Sol no seu centro), a sua irregularidade seria inferior à largura de um cabelo humano. Eis o que está a faltar para a esfericidade absoluta: 0.000000000000000000000000001 cm.

Tem isto algum significado? Tem. Aquele que lhe queiras dar.

Granadas contra a estupidez e a pulhice

Henrique Granadeiro é um dos príncipes encantados da sociedade, num percurso imaculado desde os origens humildes até ao estrelato com o sucesso da PT, passando pelo brilhantismo como estudante e a travessia, começada em 1968, de inúmeros cargos de superior prestígio executivo e administrativo. Como se fosse pouco, ainda junta a este notável currículo o bom gosto de não ter perdido por completo a pronúncia (no caso, alentejana) e a raça de gostar de touradas – sim, são preferências minhas: pronúncias, cavalos, touros e forcados.

Ontem foi entrevistado na RTP-N e, como é tão frequente, o resumo vídeo disponibilizado corta a melhor parte. Nela, Granadeiro fez a mais lúcida e sucinta análise do que nos levou até esta reviravolta à direita com direito a Presidente, Governo e maioria. Começámos a definhar com o desmantelamento dos aparelhos produtivos por imposição da entrada na CEE/União Europeia a troco de fundos e apoios europeus. Seguiu-se o período de ajustamento ao Euro e consequente baixo crescimento. Veio a crise económica, de seguida o ataque ao Euro, e a Europa não soube o que fazer, tendo falhado na defesa dos países mais fracos – os quais, por sua vez, já não tinham meios para produzirem certos bens essenciais que importavam. Entretanto, em Portugal o ano de 2009 foi passado em eleições, três e separadas no tempo, o que dificultou e adiou a tomada de decisões. Seguiu-se 2010 e a preparação para as eleições presidenciais, novamente dificultando e adiando a estabilização necessária para se tomarem as medidas adequadas. Na sua opinião, o País tinha sido colectivamente irresponsável por se ter deixado condicionar disfuncionalmente pelos ciclos eleitorais; os quais chegou a propor, ao tempo, que fossem reduzidos por via da junção das três eleições de 2009 na mesma consulta.

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Política de verdade

Há uma contradição insanável na estratégia seguida pelo PSD para estas eleições. Por um lado, posicionaram-se mais à direita do que alguma vez se tinha visto no terreno dos social-democratas. O que tem os seus inegáveis méritos, vários. Por outro, fizeram da campanha um plebiscito a Sócrates. O que tem os seus inegáveis riscos, muitos. Isso significa que levam para o Governo ideias que nem sequer foram do conhecimento daqueles que apenas queriam castigar a governação e derrotar o PS. Que farão estes tão díspares grupos de linchamento quando acordarem para a vida? Acresce que deixou de existir um contrapeso constitucional ao Governo, pois em Belém está um aliado, e cúmplice maior, do plano cujo contra-intuitivo sucesso por pouco deixou escapar a maioria absoluta para o PSD.

Passos Coelho não desperta nenhum entusiasmo nem dá confiança. Bem ao contrário. O percurso, desde a mentira do telefonema de Sócrates até ao último fim-de-semana de campanha e ataque ao Pacheco à mistura com a adesão às declarações de Ferreira Leite, foi circense – mas de um circo onde o palhaço mete medo e o leão dá vontade de rir. Porém, ninguém na direita está preocupado. Passos continuará a fazer o que lhe mandarem. E quem manda, já manda nisto há muito e muito tempo.

Neste quadro, o PS permanecerá o garante partidário do regime democrático. O fanatismo e sectarismo do PCP e BE – partidos que não podem abdicar da cartilha alienada e alienante sob pena de desaparecerem – mudarão os trapos com que se embrulham mas continuarão a cheirar mal. Muito mal.

O resgate dos paquistaneses

Em recentes declarações, Luís Amado explicou a razão de ser da (para mim) estranha campanha do PS. Segundo ele, e talvez representando os principais dirigentes socialistas, a partir do momento em que viria o resgate financeiro deixava de ser possível manter um mínimo de identidade ideológica num eventual Governo socialista, sob pena de se criarem ainda maiores tensões e erosão no partido. Aqueles que tinham querido essa solução que tratassem de aplicá-la. Assim, um ciclo tinha ficado necessariamente fechado com o chumbo do PEC4.

Este raciocínio é coerente com tudo o que vimos acontecer desde o congresso, passando pela elaboração do programa eleitoral do PS, e ainda oferece o bónus de explicar o número castiço dos bacanos de turbante, de repente transformados numa peça crucial de uma campanha sui generis.

Capturas

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros são particularmente vulneráveis à actuação de serviços secretos estrangeiros e de governos estrangeiros, com chantagens de todo o tipo.

Fonte

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O pior de todos os erros cometidos pelo PS, determinante de muitos outros, foi ter guinado à direita, a pretexto de desideologizar a acção política. Um caminho que facilitou a captura por interesses, designadamente do sector financeiro. Bem basta que eles estejam sempre a postos para infiltrar os partidos do poder… não convem escancarar-lhes a porta.

Fonte

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Ana Gomes descreve um país onde a Justiça não funciona, onde os Governos são pervertidos pelo sector financeiro e onde os governantes se sujeitam a devassas e chantagens por parte de organismos policiais estrangeiros. É um cenário de guerra, talvez de apocalipse. Por essa mesma razão, o repúdio pelas insinuações caluniosas que deixou contra um futuro ministro, e actual dirigente partidário, não pode ser maior.

Que tem feito Ana Gomes, além de emitir declarações avulsas e sazonais, para informar o público destes casos em que reclama ter conhecimento acima da suspeita? Que se saiba, nada. Nem sequer um blogue, ou uma página no seu blogue, foi capaz de criar para o efeito. Resultado: a sua inteligência foi capturada pelas emoções. Perde a cidadania e a sua credibilidade.

Algo não bate certo nesta história – que será?

No dia 20 de Outubro de 2010, quarta-feira, pelas 18h30m, foi apresentado o livro Os Donos de Portugal – 100 anos de poder económico (1910-2010), da autoria de Jorge Costa, Luís Fazenda, Cecília Honório, Francisco Louçã e Fernando Rosas.

No dia 23 de Março de 2011, quarta-feira, pelas coiso e tal, o BE aliou-se aos partidos que defendem os interesses dos Donos de Portugal para correr com aquele, o único, que lhes fazia frente e os assustava ao ponto de terem utilizado todos os meios, só faltando o militar, para o derrubar, castigar, anular e apagar.

No dia 5 de Junho de 2011, domingo, pela noitinha, os Donos de Portugal celebravam à gargalhada o sucesso do plano que lhes tinha entregue o poder absoluto para os próximos anos e faziam brindes onde os nomes Louçã e Jerónimo eram aclamados em delírio.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

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