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Bailinho da Madeira

Eu venho de lá tão longe
Eu venho de lá tão longe
Venho sempre à beira-mar
Venho sempre à beira-mar

Trago aqui estas couvinhas.
Trago aqui estas couvinhas.
Pr’á manhã o seu jantar.
Pr’á manhã o seu jantar.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira

E a Madeira é um jardim.
E a Madeira é um jardim.
No mundo não há igual.
No mundo não há igual.

Seu encanto não tem fim.
Seu encanto não tem fim.
É filha de portugal.
É filha de portugal.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira.

Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira

Inteiros

Para o ex-secretário-geral do PS, o partido está «ensanduichado em duas frentes», uma à esquerda e outra à direita.

«PCP e BE denunciam as patifarias que o Governo tem feito com os direitos sociais, mas também têm responsabilidade directa e decisiva na criação deste Governo», acusou, referindo-se à fuga de votos do PS para estes partidos.

Quanto à direita, para Ferro Rodrigues, PSD e CDS «insistem em falar no passado como se o PS e José Sócrates fossem responsáveis por toda a crise, uma mistificação que estão a aprender na prática».

«Não nos podemos deixar intimidar, sufocar, nesta tentativa de nos cercarem à direita e à esquerda», alertou.

Ferro

*

Debaixo da superfície da política organizada institucionalmente, onde cada partido é um agente conflitual com a sua identidade, corpo e respectivo eleitorado, existe uma dimensão de fusão entre a ideologia pré-partidária e a cidadania militante. Neste espaço todos não seremos de mais. É um local de encontro, de reconhecimento.

Tentar entender, e logo depois tentar compreender, o que levou o BE e o PCP a serem cúmplices da estratégia de PSD, CDS e Belém é um exercício que não se pode evitar por respeito intelectual próprio. O diagnóstico revela um tríptico onde à esquerda as abstracções são o factor principal para a decisão política e à direita o resultado concreto é o objectivo único na decisão política. Isso leva esta esquerda a recusar todo o compromisso e negociação, pois seria a negação da sua realidade meramente abstracta, e leva esta direita a ter como solitário critério a conquista do poder, o ideal concreto ao qual se reduz cinicamente a sua praxis.

Entre estes extremos, o centro. Pode ter vários nomes, várias inclinações. Mas seja lá o que ele for, não será o deserto do cinismo, nem a esterilidade do fanatismo. Será o que nós quisermos, que o mesmo é dizer que será o reino da liberdade. Com os pés bem assentes no concreto e os olhos postos no abstracto. Inteiros.

MV FLUX – Muito mais do que já é

Para além de sermos primos por casualidade apelidadora, o João Pedro da Costa é o blogger mais criativo que conheci, sendo um virtuoso da escrita, do vídeo, da linguagem, do humor, da poesia e do HTML lúdico e ético. Anda agora a aplicar esses talentos, e outros, numa nova fase da sua vida:

MV FLUX é o blogue do meu projecto de investigação que está a ser desenvolvido na Universidade de Aveiro (Departamento de Comunicação e Arte) e na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa) sobre a presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais subordinado ao título Difusão na Web Social: o caso dos fluxos videomusicais e que aponta, através de uma abordagem transdisciplinar entre os Web Studies e os Estudos Literários, para a definição de uma poética da propagação digital.

O referido projecto de doutoramento, agraciado em Setembro de 2010 com uma bolsa de investigação pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, conta com a orientação de Rui Raposo (Universidade de Aveiro) e de Rosa Maria Martelo (Universidade do Porto) e integra a rede de pesquisa internacional Lyra ComPoetics coordenada por Paulo de Medeiros (Universidade de Utrecht) e Rosa Maria Martelo (Universidade do Porto).

Separando as afinidades pessoais, que rapidamente se transformaram em amizade anos atrás, consigo perfeitamente reconhecer uma dimensão objectivamente admirável neste blogue do projecto: a normal decorrência da investigação está a gerar tanto uma divulgação científica aberta ao público como se constitui em pedagogia para presentes e futuros investigadores. Veja-se o modo com a informação está organizada e a facilidade que o meio digital oferece para trabalhos académicos, enriquecendo tanto as possibilidades de contacto com materiais originais como a sua análise e reflexão. Isto é uma novidade só possível pela existência da Internet, por um lado, e pela cultura de partilha tão rara no selvático meio académico, pelo outro.

Portanto, primo, és o maior. Que o HTML esteja sempre contigo.

Empata-democracias

PCP e BE, seja por coerência ideológica ou por constrangimento sociológico ou ambos, recusam ser parte de uma solução governativa reformista. Eles só irão para o Governo se puderem aplicar os seus programas sem quaisquer cedências a interesses que considerem espúrios. E todos os interesses remotamente ligados ao capitalismo, ou aos EUA, não poderão ser admitidos sob pena de abalarem os seus valores fundamentais. Esta é a definição mesma do radicalismo, o projecto de substituição do regime vigente por outro declarado superior ou o único legítimo.

Os políticos, publicistas e simpatizantes da esquerda radical, então, descrevem a situação a partir desta recusa que só admite dois desfechos: a revolução ou o boicote. Posto que não partem para a revolução, e muito gostava de saber porquê, entregam-se furiosos ao boicote. Na Assembleia da República votam invariavelmente contra tudo o que venha do Governo e de quem o apoiar, apresentam propostas irrealistas, celebram pequenas vitórias como se fossem trombetas a anunciar o fim dos tempos. Na rua, fazem greves, fazem comícios, fazem barulho. O modo é o da resistência, a retórica é a da barricada. E assim se conservam.

Quando atacam o centrão, fustigando os partidos que governam por serem… os únicos partidos que admitem governar em democracia, não se interrogam acerca da sua própria recusa. Falam como se PS, PSD e CDS fossem os culpados por eles serem radicais. Ó, se ao menos os socialistas, sociais-democratas e centristas não insistissem em terem as ideias que têm, nós, os admiráveis comunistas e bloquistas, com as nossas maravilhosas ideias tão mais melhores boas do que as deles, poderíamos, finalmente, ir para o Governo com essa gente… quanto mais não fosse, para os educar e vigiar…

Os imbecis são uns empata-democracias. Se não querem fazer a revolução nem querem governar, façam um favor a toda a gente: desamparem-nos o Parlamento. E reflictam um bocadinho neste cenário: se acaso fossem poder, que diriam aos radicais que inevitavelmente apareceriam?

Good food for good thought

Our tendency to see gender in everything, even numbers, is a reminder of how fundamental gender is to how we perceive the world. When people are led to believe that an object possesses one gender or another, it changes how they relate to that object. For example, Stanford researchers Clifford Nass, Youngme Moon, and Nancy Green had people interact with a computer that was programmed to have either a male-sounding or female-sounding voice. They found that when the computer had a female-sounding voice, people saw the computer as less friendly, credible and knowledgeable, as compared to the male-sounding computer. People did this openly, despite knowing perfectly well that they were making judgments about a machine and not a real person.

It’s no surprise that the first thing that most people ask new parents is whether they had a boy or a girl. When we don’t know somebody’s gender, it creates confusion in our minds—we have no framework from which to build upon. Gender helps us not only understand how to think about someone, or something, but it also helps us figure out that person or thing’s relationship to the rest of the world. Our brains can’t help but see gender everywhere we look.

What is the Sex of 17?
People think of many things, even numbers, as being either male or female

A transparência vai nua

No discurso de encerramento do congresso, Seguro apresentou o combate à corrupção como uma das três prioridades do PS para a presente legislatura, a par das questões do emprego e do crescimento económico. Estamos perante um feito extraordinário. Que me recorde, nunca um partido tinha assumido na sua agenda ser o combate à corrupção algo tão importante como as problemáticas económicas. E não menos extraordinário é o facto de não ser a reforma da Justiça um objectivo ainda mais urgente e relevante, o que até pode dar azo a variados e sugestivos paradoxos.

Daqui se inferem alguns pressupostos fundamentais para o entendimento do que acaba de acontecer:

– O PS vai mobilizar os seus deputados, quadros e militantes para esta causa – se não o fizer, a promessa é pura demagogia.
– O PS já fez o diagnóstico do problema e as soluções apresentadas nasceram dessa análise e reflexão – se não o fez, a promessa é pura irresponsabilidade.
– O PS, ou o Secretário-Geral, ou alguém em nome do Secretário-Geral ou por ele indicado, será capaz de apresentar à sociedade uma definição exacta, no mínimo clara, do que seja a corrupção que pretendem diminuir ou erradicar – se não forem capazes, a promessa é pura demagogia irresponsável à mistura com pura irresponsabilidade demagógica.

Vejamos com mais atenção o que Seguro declarou em Braga:

Continuar a lerA transparência vai nua

Sonsice com S grande

Militantes e simpatizantes do PS terão razões, algumas excelentes, para estarem satisfeitos com o congresso de Braga. Militantes e simpatizantes da democracia, ao invés, ficam ainda mais preocupados do que já estavam.

Seguro escolheu a via do ostracismo para lidar com a herança de Sócrates no partido. Os 7 anos de liderança e governação foram varridos para debaixo do tapete. Duas consequências fatais: (i) a história da subida da direita ao poder, e o papel do Presidente da República nesse processo, entram igualmente no esquecimento; (ii) ainda não foi desta que ficámos a saber quais terão sido os terríveis erros da anterior direcção socialista, e adensa-se a suspeita de que a intenção é nunca os identificar para não correr o risco de aparecer alguém a querer discutir os critérios, e a desmontar as prováveis falácias, na sua escolha.

Seguro começa o seu ciclo e anuncia um tempo novo, imaculado, esterilizado. Ele tem o mapa para a Terra Prometida onde o PS ficará isento de pecado. Este culto da higiene – que também explica a perseguição aos seus camaradas declarados por atacado suspeitos de corrupção e obrigados a assinar papéis inquisitoriais – deu finalmente a chave para se decifrar a sua postura enquanto opositor de Sócrates. Não se tratava de um conflito de políticas, uma discórdia ideológica, um antagonismo intelectual. Tratava-se de uma repulsa moral, uma aversão pessoal que tinha de ser escondida e mascarada de alternativa salvífica. Por isso Seguro utilizou sempre o silêncio como amplificador das suas mensagens corrosivas, nada tendo para discutir, sequer com que contribuir. Ele sabia-se no topo da lista dos sucessores, seria o próximo Secretário-Geral de um PS caído em desgraça. Seguro era aquele que não se tinha deixado contaminar, o rosto da resistência à opressão. Quão mais rapidamente Sócrates fosse abatido, mais rapidamente estaria a fazer visitas à comunicação social para descobrir o que ela realmente faz, um enigma que o atormentava, e a aproveitar para contar histórias de senhoras sofridas que lhe foram pedir ajuda, coitadinhas.

Seguro junta-se a Cavaco e Passos na prática de uma sonsice verdadeiramente obscena de tão óbvia. Espero que o velho passado do PS, em nome das pessoas livres e corajosas que abominam os sonsos, se livre rapidamente deste novo futuro.

Todo o excesso se opõe à Natureza

Num canal qualquer, um jornalista qualquer fala com um comentador qualquer. Discutem a atitude de Seguro em relação à comunicação social. Que ele é muito mais simpático, mais próximo, mais afectivo do que foi Sócrates. E o comentador detalha. Com Sócrates, ninguém sabia para onde ele ia quando se afastava da sala do congresso. Não havia forma de saber o que andaria a fazer. E isso era perturbador, insinuava, até inquietante. Com Seguro, é completamente diferente. Ele fica no espaço visível, passeia-se à frente de toda a gente, está por ali. Ele até se dirige aos jornalistas, apresenta-se humilde e néscio. Quer aprender com quem sabe.

O comentador e o jornalista teriam a maior das dificuldades em compreender que a tirania da comunicação social tem sido um dos principais factores na degradação da democracia. E que os políticos mais perigosos não são os que mantêm os profissionais da imprensa num estado de alerta máxima, antes os que os adormecem com salamaleques e prebendas.

Em suma, há muita falta de estudos hipocráticos entre os hipócritas jornaleiros.

Algumas pessoas quiseram estar primeiro

No essencial o PS está unido como porventura há muito tempo não estava.

Ferro

*

Na aparência, uma frase convencional. No subtexto, um elogio a Assis e uma estalada de luva branca naqueles que dentro do PS foram obreiros da desunião contra Sócrates por calculismos e rancores. Aqueles que puseram as suas próprias pessoas primeiro do que o partido, o Governo e o País.

A interrogação de Carl Sagan

Pitágoras triunfou. Os números são a realidade. Por isso se começou a falar deste 11 de Setembro com semanas de antecedência. Por isso se sente a pressão para dizer (ainda mais) qualquer coisa neste ano. Porque é o décimo. Como se isso o fizesse qualitativamente diferente do nono e do décimo primeiro. Como se só pudéssemos voltar ao assunto, ou ser tão profundos, exaltados e definitivos, no vigésimo aniversário. Eis a decisiva importância sentimental do zero, um nada que é tudo.

O que mais me surpreendeu nesse dia foram as piadas que apareceram horas depois. Horas depois. De pessoas com quem me dava com menor ou maior proximidade. Só porque o alvo tinha sido a América, as vítimas os americanos. Significava que havia uma outra forma de terror muito mais insidiosa, a ausência de empatia naqueles com quem partilhamos o espaço e o tempo.

O que o 11 de Setembro representa transcende a alegada questão política. A sua mensagem é verdadeiramente apocalíptica. Diz-nos que haverá sempre alguém que fará tudo o que puder, recorrendo a complexas capacidades cognitivas e força de vontade, para destruir a Humanidade. Caso tenha os meios para isso, ser-lhe-á igual destruir um autocarro, comboios, arranha-céus ou a Terra inteira. Aliás, para este tipo de martírio psicótico, quão maior a destruição, maior a felicidade.

Quando Carl Sagan se questionava a respeito da possibilidade de existir vida inteligente noutros planetas, punha como hipótese que as civilizações galácticas pudessem autodestruir-se após chegaram a um certo ponto de desenvolvimento tecnológico. Temos essa capacidade por via das armas nucleares e das restantes tecnologias destrutivas que sempre nascem do avanço científico. Dada a pulsão irracional que transportamos, que até leva potenciais vítimas do terror a defender os terroristas, talvez esta experiência da civilização num discreto planeta nas bordas da galáxia seja um mero ensaio que correu mal. Num outro planeta, dos triliões que existem, certamente as coisas correrão melhor. No universo, o que não falta são locais para a Criação ir tentando até acertar. E, dizem ainda outros, o que não falta são universos. Infinitos.

Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas

Medical Schools Spend Small Amount of Time Teaching Content Related to Health of Gay, Lesbian, Bisexual and Transgender Patients, Survey Finds
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Peer Pressure? It’s Hardwired Into Our Brains
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A More Progressive Tax System Makes People Happier, 54-Nation Study Finds
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Investigation Reviews Occurrence Of Unconscious Race And Social Preference In Medical Students
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People Communicate in Bursts: Rhythms of Communication Revealed in Study of 9 Billion Phone Calls
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Never Too Soon: Means to Reduce Violence May Start in Utero
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Birth Control Pills Affect Memory, Researchers Find
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Aerobic Exercise May Reduce the Risk of Dementia, Researchers Say
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Sick Body, Vigilant Mind
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Volunteering to Help Others Could Lead to Better Health

Boas expectativas

A eleição de Maria de Belém para Presidente do PS cria uma especial expectativa. Não por ser mulher, circunstância secundária ou lateral, antes por ser uma figura exemplar. Dela podemos esperar, invariavelmente, um zelo imaculado pela ética republicana, um conhecimento profundo e rigoroso dos assuntos acerca dos quais opina e um culto do serviço público como a mais alta realização da cidadania. Por isso tanto me custou ver o seu nome desperdiçado na última contenda presidencial, esmagado logo à partida pela ganância inane de Alegre e pelo oportunismo velhaco de Louçã. Enfim, não faço ideia se aceitaria concorrer à Presidência da República contra Cavaco, mas tenho a certeza de que seria uma candidatura apavorante para a direita pela sua capacidade de congregar o centro, as mulheres e o voto útil da extrema-esquerda; para além de todos os socialistas, unidos sem os anticorpos que o vate gerou na sua megalomania. E Maria de Belém tem outra característica que teria evitado o triste, talvez indigno, espectáculo dado por Alegre no frente-a-frente com Cavaco: ela adora debater, tem gosto em vencer uma discussão à força de argumentos. É enigmático mas incontestável: o PS só tem feito disparates em matéria de candidatos presidenciais desde 2006. Como a consequência foi ter Cavaco a conspurcar a democracia a partir da Casa Civil, se calhar alguém devia pedir desculpas aos portugueses.

A escolha de Carlos Zorrinho para líder parlamentar também desperta especiais expectativas, pois ele aparenta ser a honestidade intelectual em pessoa. Trazendo competências ligadas às vanguardas tecnológicas, o que não tem directa relevância na vida parlamentar, começa por parecer demasiado macio para a linha da frente da bancada. Tal percepção poderá ser errónea, claro, e ele ter outras facetas mais guerreiras ou o lugar vir a moldar o homem. Também é possível admitir que o seu perfil é exactamente o desejado por Seguro, interessado em fazer uma oposição branda para ir aguentando os 4 anos sem belicismos à Sócrates. Uma oposição-empresa, primando pela limpeza e aparato das instalações. O tempo o dirá.

Cineterapia


Pandora_António da Cunha Telles

Ontem o cinecartaz deixou-me com água na boca. Disse-me que às 19.30 teria o mais belo animal do mundo à minha espera na sala Luís de Pina para me derreter no PANDORA. E prometia isto:

Um filme-culto, “reflexo mítico de uma certa Hollywood”, arquétipo dos filmes bizarros que por vezes ali se fizeram, banhado na fantástica fotografia a cores de Jack Cardiff. “Pandora and the Flying Dutchman” constrói uma lenda moderna, apoiando-se em antigos mitos como o do “navio fantasma”, com Ava Gardner transfigurada na mulher que redime o Holandês Voador da maldição que o cerca.

Amaldiçoei pela trilionésima vez estes horários de merda, feitos para reformados e ricalhaços, que obrigam o cinéfilo a meter-se em urgências na hora de ponta e tratei da vidinha. Às 19.23 subia com olímpico passo de corrida a Avenida da Liberdade e entrei na Cinemateca pujante de confiança — Quero um bilhete para o PANDORA. Dito e feito, foi-me dado o bilhete sem qualquer perturbação facial da estimada vendedora. Abanco na sala e um minuto depois sofro o primeiro choque da sessão. Alguém anuncia que tínhamos o privilégio de contar com a presença do realizador, o qual nos ia brindar com umas palavrinhas dentro de momentos. Ora, o realizador do filme para o qual tinha solicitado bilhete chama-se Albert Lewin e tem na sua biografia duas curiosidades que tornavam aquele anúncio num acontecimento sobrenatural: a primeira era a de ter nascido em 1894, e a segunda, intimamente relacionada com a primeira, a de andar a comer alface pela raiz desde 1968. Se, mesmo com estas limitações, tinha conseguido vir a Lisboa falar com a malta, e logo àquela ingrata hora, então os bilhetes da Cinemateca poderiam ser aumentados 1000% que ninguém se revoltaria. A minha ilusão não aguentou mais de um par de segundos porque o bacano desvelou o enigma. Tratava-se do António da Cunha Telles. E eu tinha sido enganado pela estimada vendedora, pelo Luís de Pina e pelos cabrões do Governo que, afinal, eram quem mandava naquilo. Tal foi a minha raiva que posso testemunhar terem sido vocalizadas múltiplas frases pelo senhor realizador, mas não faço ideia do que disse. Se acaso aproveitou para partilhar o seu alívio pela saída de Postiga e Djaló da amada instituição leonina, daqui lhe mando um atrasado aplauso.

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Tolerância zero aos zerinhos intolerantes

Na sua abstracção, o ideal das democracias modernas possibilita a livre escolha dos governantes. Porém, como logo os gregos do século VI a.C. descobriram e denunciaram, essa liberdade começa a ficar limitada se as difamações e calúnias influenciarem a avaliação dos candidatos ao exercício do poder. Dizer de alguém que não é de confiança, ou que terá cometido ilegalidades, cria uma automática suspeita naqueles a quem chegar esse ataque, incluindo nos apoiantes do alvo. E, mesmo se inocente, os danos na sua credibilidade poderão ser irreversíveis e impedirem a sua eleição.

A eficácia dos assassinatos de carácter nasce de uma absoluta necessidade antropológica: segurança. Precisamos de conhecer os nossos aliados e os nossos inimigos. Em especial, precisamos de descobrir os traidores, muito piores do que os inimigos. Saber se alguém nos está a enganar, ou já enganou terceiros, torna-se no principal critério de legitimação política numa democracia. Antes das restantes considerações programáticas no processo de escolher o destino do nosso voto, queremos depositar o poder em mãos impolutas ou delas o retirar se o deixarem de ser. Ainda no plano antropológico, os ataques ao carácter podem tão-só expressar o medo perante aquele que não partilha da nossa identidade grupal. Desconfiamos do estranho por instinto, efabulamos esse medo para nos protegermos da potencial ameaça. Se o pudermos destruir, retirando-lhe o acesso ao nosso grupo ou a capacidade de atracção, teremos afastado o perigo.

Saltando para o plano psicológico, os ataques ao carácter aparecem por acção consciente. Podem ser originados por deficiente ou errada informação, criando uma ilusão. E podem ser uma opção lógica inscrita numa dada estratégia. Se a estratégia for a de fazer Justiça, como num tribunal onde vigore o Estado de direito, o ataque ao carácter corresponde ipsis verbis à sentença que determina uma culpa. Fora destas mediações onde se garante juridicamente a integridade do bom-nome do réu ou arguido até à conclusão do processo, os ataques de carácter são sempre manobras perversas que intentam um ganho através do dano causado. Implicam, pois, uma qualquer relação conflitual. Ocorrem na política, mas também ocorrem nos negócios, nas relações amorosas e de vizinhança. E não exigem qualquer tipo de especial capacidade intelectual ou cognitiva, bem pelo contrário. Qualquer imbecil é capaz de imitar um ranhoso e vice-versa.

Nas duas legislaturas passadas, e excluindo o racismo ideológico da extrema-esquerda que calunia sistematicamente tudo o que lhe cheire a democracia, o grande símbolo desta decadência moral e disfunção política foi o Pacheco Pereira. A criatura repetiu com afã maníaco, durante 3 ou 4 anos, as piores insinuações que lhe passaram pelo bestunto a respeito do Governo, apostando tudo numa criminalização de Sócrates e seus próximos. Quando regressou da saleta na Assembleia da República, onde passou horas a devassar a privacidade de um concidadão escutado ilicitamente, disse que tinha encontrado elementos avassaladores. E que fez a seguir? Que fez até hoje a respeito do avassalamento que interceptou como deputado-espião? A ponta de um caralho.

Este comportamento bicéfalo, onde se emporcalha o adversário e se perverte o Estado de direito, merece tolerância zero por parte de todos aqueles que quiserem viver em democracia.

Política de Verdade, agora a sério

“Cortes racionais, estruturais e sustentáveis na despesa exigem tempo para desenhar as soluções e tempo para as executar”, diz Vítor Gaspar, acrescentando que “em termos imediatos, a operacionalização e execução de cortes racionais na despesa não é possível”.

Fonte

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Estas declarações, cruzadas com os resultados da execução orçamental dos primeiros 6 meses de 2011, são o mais rasgado elogio que já foi feito às decisões do Governo ao longo de 2010 e ao seu Orçamento para 2011. De facto, a colossal desonestidade intelectual de exigir ao Governo cortes na despesa celerados, com resultados imediatos e no incontrolado ritmo a que a crise da Zona Euro se ia desenrolando adentro do maior desnorte europeu que é possível conceber, ou o fel venenoso de reclamar cortes retroactivos que nem sequer a outra senhora fez entre 2002 e 2004, ficam como a marca d´água da natureza da nossa direita partidária: cambada de crápulas.