Está quase a começar, finalmente, o XVIII Congresso do PS. Espera-se que seja o acontecimento que revele ao País, finalmente, quem é esse líder da oposição chamado António José Seguro – neste momento, apenas sabemos quem foi o mais calculista e eficiente opositor interno a Sócrates. Ficaremos ainda a conhecer, finalmente, a sua equipa, o calibre e tipologia dos seus principais conselheiros e camaradas de armas.
E Sócrates será uma incontornável presença neste congresso, sem carecer de lá estar em corpo. O modo como Seguro lidar com ele revelará muito do que será o seu futuro à frente do PS, quiçá do Governo. Acresce que só tem três atitudes à disposição:
– Apologia de Sócrates
Seguro, ao arrepio das críticas que tinha assumido no passado, faria o elogio de Sócrates no discurso inaugural, apenas destacando o seu legado reformista e a resistência às dificuldades que enfrentou, metendo-o de vez com uma ovação fúnebre num saco de plástico a ser despejado no oceano ainda antes do congresso acabar.
– Ostracismo
Seguro não faria qualquer referência especial a Sócrates, a não ser umas poucas palavras de circunstância na abertura do congresso. No discurso final, nenhuma.
– Cicuta
Seguro seria coerente com as suas posições críticas e promessas eleitorais, indo para o congresso com uma verdadeira reflexão acerca do ciclo Sócrates e apelando a que os congressistas fizessem um balanço implacável dos erros cometidos nos últimos anos. Tanto o seu discurso de abertura como o de fecho fariam de Sócrates, e dos seus principais apoiantes, um contraponto ao novo ciclo que Seguro se propõe abrir na política nacional, precisamente começando pela libertação do PS da famigerada asfixia socrática.
Destes três cenários, o pior é o primeiro. Ele exporia um cinismo em último grau, fazendo de Seguro um pseudo-líder em quem não se podia, nem devia, confiar nunca mais. E o melhor que poderia acontecer ao PS, e à política nacional, está no último cenário. Seria a redenção de Seguro e o nascimento de um verdadeiro líder. Seria também neste cenário que a sua oposição interna teria as melhores condições para ir amadurecendo como alternativa e reserva intelectual.
Como Louçã também tem estado à espera de ver como param as modas no PS para descobrir o que fazer à sua vida, este vai ser um fim-de-semana cheio de ensinamentos.