Ainda a propósito da autonomia regional e quando interrogado se entende que a situação económica e financeira do país a pode atingir, Cavaco Silva reiterou que “nenhuma parte do país irá ficar imune de uma crise que é internacional, que tem uma dimensão localizada muito forte, na Grécia, mas com uma grande incidência noutros países em resultado da interdependência dos sistemas financeiros e das economias”.
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Uma coisa é certa, não somos a Irlanda
Patos com laranja
Para além de ser um dos maiores produtores de inteligência e sensibilidade na blogosfera portuguesa, João Lopes defende uma causa à qual me quero associar: acabar com a vexante bolinha vermelha nas televisões.
De facto, vivemos num espaço televisivo todos os dias marcado pelo moralismo medíocre das telenovelas, pela demagogia cultural de muitos concursos, enfim, por uma vaga de publicidade que pinta quase toda a gente (a começar pelos mais jovens) como tarados sexuais… E, no entanto, tudo isso passa como coisa “natural”. Que defendo, então? Mais bolinhas vermelhas a enxamear os nossos ecrãs? Nada disso. Apenas um pouco mais de crença na inteligência dos espectadores. E, sobretudo, um pouco menos de hipocrisia.
Televisão com bolinha vermelha
1 – Entre outras agressões e obscenidades, a publicidade de rua da nova edição da Casa dos Segredos (TVI) está a utilizar um cartaz em que alguém, supostamente um concorrente, faz saber que teve “um caso com um ministro”. Dito de outro modo: em nome do divertimento, continua a promover-se a grosseria e o vazio mental, formatando-se as sensibilidades da população com uma pornografia de palavras e imagens que reduz o factor humano a coisa ridícula, irrelevante, sempre descartável.
2 – É aqui que estão as grandes questões culturais, mais do que na passagem de obras-primas do cinema (e não só) com bolinha vermelha no canto do ecrã… Aos moralistas que se chocam cada vez que a televisão difunde algo de genuinamente adulto, vale a pena colocar uma questão muito cândida: como encaram o facto de uma criança (qualquer uma) deparar com cartazes e máximas deste teor a poluir o seu quotidiano visual?
Declarado o meu apoio, reconheço a utilidade da bolinha vermelha para a vida hormonal púbere e adolescente de milhões de concidadãos, particularmente num tempo ainda sem Internet e sua oferta gratuita de todo o tipo de erotismo e pornografia. Realmente, a bolinha vermelha tinha a grande vantagem de avisar a malta para a iminência de um par de mamas a chegar ao ecrã. Isso foi um inestimável serviço nunca devidamente reconhecido e agraciado. Está ao nível da estratégia de marketing da TV Cabo, que durante anos serviu pornografia às boas e cristãs famílias das classes média e alta violando tranquilamente a lei e sem cobrar um tusto, no celebérrimo canal 18. São os operadores de TV a contribuírem para uma sociedade com mais orgasmos, missão com os seus méritos.
Porém, contudo, todavia, há uma nada sexy consequência quando se reduz a moralidade às partes pudendas e suas funcionalidades, ou à linguagem vernacular, ou até às imagens de violência física e morte. Ao se assinalar um qualquer problema temático, verbal ou imagético, está-se a perverter a obra e a perverter o espectador. A obra fica subjugada por um elemento censório absolutamente arbitrário, invariavelmente absurdo, definitivamente inútil. O espectador é tratado como um ser acrítico que deve confiar numa bolinha vermelha para afastar terceiros, ou afastar-se a si, de uma qualquer experiência intelectual. Caso continue a assistir ao programa, decorre da lógica do aviso que o espectador deverá preparar-se para alguma coisa que não pode saber o que é, e que tanto pode ser fonte de prazer ou de dor, mas que será sempre algo excessivo, incorrecto ou perigoso.
O que este código pressupõe é a autoridade da comunicação social para decidir por nós o que nos convém sentir e pensar. Obscenidade maior não existe.
Vamos lá a saber
Arte da guerra
Não sou militante nem simpatizante de nenhum partido, não frequento os mentideros de jornalistas e sou muito distraído e desmemoriado. Estes os ingredientes óptimos para manter uma saudável e fértil ingenuidade que me protege contra o cinismo. Foi por isso uma revelação ter tropeçado nesta passagem de Paulo Pedroso:
O PS tem uma linha estratégica definida. Caberá à nova direcção dar os sinais adequados e escolher os protagonistas certos. Recordo que deve evitar-se o erro das exclusões cirúrgicas. Disse-o no momento próprio e não agora, a exclusão de António José Seguro de uma pasta ministerial é um exemplo de má gestão dos recursos políticos do partido. Um erro que espero que Seguro não repita agora.
Os desafios actuais do PS. O que eu quis dizer na Comissão Nacional.
De repente, tudo fazia sentido. Seguro teria ficado com o orgulho ferido porque não chegou a ministro de Sócrates. A partir daí, jurou vingança e começou a minar o terreno (minar, no sentido de esburacar mas também no de pôr minas). Por isso não tinha nada para dizer – e ainda hoje não tem nada para dizer – posto que não podia revelar a dor de corno que o assolava. Mas podia destruir, e deixar que destruíssem. Foi o que fez com pleno êxito.
A ser verdadeira esta interpretação, e há 357% de probabilidade de ser, estamos perante algo normal. Será até um monumento à normalidade. Os partidos são grupos que se organizam hierarquicamente, assim causando conflitos inevitáveis que decorrem das diferenças de estatuto entre os seus membros. Acresce que as lideranças partidárias são inerentemente voláteis nos partidos que disputam a governação, pois há diversos factores de desgaste fora do controlo dos chefes. Sendo a razão humana uma faculdade encapsulada no corpo de instintos e paixões onde radica a nossa identidade, nada mais natural que a motivação de Seguro para derrubar Sócrates fosse do foro estritamente afectivo.
Colhe também reflectir sobre o conselho do Paulo para que não se cometa o mesmo erro. Mas, porquê considerar a exclusão cirúrgica como algo a evitar? É que os factos defendem a tese oposta: o que Seguro fez a posteriori confirma o critério do seu afastamento a priori. Talvez o que se tenha passado, então, seja do domínio da capacidade de escolher aqueles com quem se quer estar lado a lado no combate. Esse talento que se perde na noite dos tempos. Esse fruto de uma sapiência. Essa arte da guerra.
Siga o baile
Jardim está queimado para além de qualquer recuperação, mesmo que volte a ganhar as eleições, pelo que Cavaco e Passos devem ter gastado as duas horas da reunião que tiveram na segunda-feira a pensar na maneira de aproveitar o melhor possível o novo cenário. E isso implica evitar qualquer possibilidade do caso escalar para a dimensão judicial enquanto se simula uma denúncia que pareça ir ao encontro do sentimento popular de indignação. Foi o que fizeram, e com eficácia, Cavaco e Passos neste dia.
Nos Açores, o Presidente da República foi pura e simplesmente magistral na bailinho da Madeira com que serviu os jornalistas. Atente-se nesta maravilha:
“Uma situação destas pode de facto afectar a credibilidade do nosso país na cena internacional”, reconheceu o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalista em Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, onde iniciou esta manhã uma visita ao arquipélago dos Açores.
Por isso, acrescentou, é que o Governo já anunciou que irá apresentar legislação para que “omissões” e situações similares não se possam repetir em outras entidades do “perímetro do sector público”, nomeadamente a administração central, regional, algumas empresas públicas, segurança social e autarquias.
“É necessário que se tomem medidas para que situações semelhantes não venham a repetir-se”, defendeu, admitindo mesmo que “talvez já devesse ter sido feito há mais tempo”.
Questionado sobre as declarações do presidente do Governo Regional dos Açores, que considerou que os principais responsáveis políticos tinham de ter conhecimento do que se passava na Madeira, o Presidente da República escusou-se a fazer qualquer comentário, argumentando que um chefe de Estado não fala sobre afirmações de outras entidades.
Além disso, acrescentou, o Presidente da República “deve medir muito bem as palavras, porque ele é factor de coesão nacional, factor de unidade nacional e de solidariedade entre os portugueses”.
Coisas que acontecem ao mesmo tempo
Viva a diferença que nasce da igualdade
O Aspirina B tem carregado uma grave falha desde o início, e especialmente grave nos seus primeiros tempos: a discriminação sexual. Começámos como um clube do bolinha e demorou quase dois anos até conseguirmos ter um elemento do sexo feminino com a camisola vestida, a Susana (e veio apenas porque o blogue onde escrevia na altura tinha acabado, sendo essa perda a nossa grande sorte). Com a sua saída voltámos ao deserto anterior, uma seca que durou até à chegada da Isabel. Outra vez um golpe de grande sorte para nossa honra e prazer. E, recentemente, a Penélope aceitou engrandecer a equipa de autores e a qualidade do serviço aqui prestado aos fregueses. Mesmo assim, o desequilíbrio sexual permanecia, o que muito nos penalizava ideologicamente. Dos 26 autores que já escrevinharam neste espaço, 20 tinham pilinha (ou assim parecia, que não confirmei). Um cheiro a balneário sufocante.
Pois bem, atingimos a paridade: a nossa amiga guida vai começar a participar no palco principal, assim permitindo que este blogue concorra aos prémios da blogosfera politicamente correcta e seja o modelo civilizacional que o Mundo, que dizem também ser esférico, tanto procura e até agora não tinha encontrado.
Somos uns sortudos.
Um sonho para o Cavaquismo
“A coesão nacional é um bem precioso de Portugal em particular nestes tempos difíceis que nós atravessamos. Estes tempos são de dificuldades e devem ser tempos de coesão, não tempos de divisão ou de querelas estéreis”, afirmou hoje o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa declaração de “saudação” aos açorianos à chegada à ilha de Santa Maria, uma das chamadas “ilhas da coesão”.
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Cavaco, o Presidente da República que intencionalmente deixou o País à beira de um ataque de nervos só para mostrar o seu asco pelos Açores e pelo Parlamento, que é directo beneficiário do poder e dinheiro do BPN ao tempo dos crimes em julgamento, que congelou o Conselho de Estado para proteger Dias Loureiro, que fugiu a representar a Pátria no funeral de Saramago, que alimentou uma conspiração com vista a perverter actos eleitorais criada na sua Casa Civil e acabou a premiar o seu mentor ou testa-de-ferro, que se fez eleger em nome da estabilidade e que na própria noite eleitoral despejou uma chuva de ódio para cima de todos os adversários, que se serviu do acto da tomada de posse para fazer um comício onde exigiu o derrube do Governo pela rua, que foi instrumental para a golpada do chumbo do PEC IV, é o mesmo que não quer barulho acerca do que se passa na Madeira.
Confesso o meu sonho: que Cavaco seja o primeiro Presidente da República a ser apupado pelo Povo.
Os broncos e os canalhas
Sócrates nunca foi sequer arguido nos casos onde o seu nome apareceu envolvido. E os casos surgiram sempre no contexto de conspirações políticas ou vinganças. Porém, a ausência de qualquer indício válido, muito menos prova, não impede que broncos e canalhas continuem a repetir as calúnias então lançadas.
Portugal fez em 2009 o que a Europa decidiu que seria a resposta à crise económica; e fez bem, com bons resultados. Isso aumentou o défice e a dívida. Portugal fez em 2010 o que a Europa decidiu que seria a resposta à crise da Zona Euro; e fez bem, com resultados que estavam a recolher apoios e elogios dos parceiros europeus. Isso levou ao pedido de ajuda externa por exclusiva decisão do PSD, o qual viu vantagem em interromper esse processo de ajustamento através de uma crise política. Os broncos e os canalhas contam apenas a última parte desta história.
Jardim decidiu violar as suas obrigações para com o Estado português, induzindo em erro diversas instituições nacionais e internacionais e acumulando dívidas num registo de irresponsabilidade autocrática. As declarações que ele e os seus representantes têm feito para explicar a situação não são apenas confrangedoramente impostoras, igualmente revelam que estamos a lidar com desmiolados. Assim, quando os broncos e os canalhas vêm defender estas criaturas, dizendo que o Governo PS fez igual ou pior, estão apenas a fazer um favor à comunidade: avisam-nos que podemos respirar de alívio. O alívio nascido de não precisarmos mais de lhes dar atenção – a menos que sejamos tão desmiolados quanto eles.
Good food for good thought
The next time your great idea at work elicits silence or eye rolls, you might just pity those co-workers. Fresh research indicates they don’t even know what a creative idea looks like and that creativity, hailed as a positive change agent, actually makes people squirm.
“How is it that people say they want creativity but in reality often reject it?” said Jack Goncalo, ILR School assistant professor of organizational behavior and co-author of research to be published in an upcoming issue of the journal Psychological Science. The paper reports on two 2010 experiments at the University of Pennsylvania involving more than 200 people.
The studies’ findings include:
– Creative ideas are by definition novel, and novelty can trigger feelings of uncertainty that make most people uncomfortable.– People dismiss creative ideas in favor of ideas that are purely practical — tried and true.
– Objective evidence shoring up the validity of a creative proposal does not motivate people to accept it.
– Anti-creativity bias is so subtle that people are unaware of it, which can interfere with their ability to recognize a creative idea.
Perguntas simples
Eleições já!
Se as eleições fossem hoje o PSD ficaria muito próximo da maioria absoluta que Passos Coelho pediu na campanha e, com as intenções de voto acima do que teve nas legislativas de Junho, ficava livre para formar um Governo sem o apoio do CDS.
Parelhas
Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas
Mother Tongue Comes from Your Prehistoric Father
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Quitting Smoking Enhances Personality Change
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Need a Break? Try Nature
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Computerized Anxiety Therapy Found Helpful in Small Trial
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Downwardly Mobile: When Consumer Decisions Are Influenced by People With Lower Socioeconomic Status
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Healthy Lifestyle Habits Lower Heart Failure Risk
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Gamers succeed where scientists fail: Molecular structure of retrovirus enzyme solved, doors open to new AIDS drug design
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Fast-Paced, Fantastical Television Shows May Compromise Learning, Behavior of Young Children
A Madeira já declarou a independência, mas só agora avisou a República
O que se está a passar na Madeira não é apenas desastroso para as contas públicas e calamitoso para a credibilidade internacional do Estado, estamos também perante actos que violam gravemente o vínculo à Constituição. Espantosamente, são os próprios rebeldes que o anunciam numa fuga para a frente que ainda mais espantosamente deixa o Presidente da República calado. O que Jardim hoje disse, que o encobrimento tinha sido uma defesa contra o Governo do PS, já Guilherme Silva havia proclamado de outra forma há poucos dias: a Madeira recusa-se a respeitar a Lei quando não concorda com ela. Ver para crer.
João Soares, por nenhuma outra razão que não seja a de expressar a sua opinião, tem sido sempre de uma lealdade exemplar a Sócrates quando enfrenta ataques ranhosos e pulhices nos debates em que participa. Aqui, a propósito da Madeira, chega a incluir o seu pai, Mário Soares, no conjunto de todos os governantes que não foram capazes de fazer aquilo que Sócrates fez: enfrentar Jardim e obrigá-lo a respeitar a República.
Está na altura de chegarmos à Madeira
Quando se diz que Jardim fez muito pela Madeira, que ela era um antro de miséria antes dele e agora tem de tudo quanto é bom, não estão apenas a gozar connosco. O que se está a insinuar é que mais ninguém, desde 1978, teria sido capaz de gastar o dinheiro que ele gastou. Porque o dinheiro foi para lá enviado, e não parece especialmente difícil encontrar onde o enfiar. Essa boutade é uma ofensa para os madeirenses, ou para alguns madeirenses, mas acima de tudo é uma provocação para quem tem pagado impostos nestas últimas três décadas.
A sangue-frio
A Europa reagiu com estupefacção, em Março deste ano, perante as notícias de uma possível crise política em Portugal. Ia contra toda a lógica da defesa dos interesses de Portugal e da própria Zona Euro. De imediato, os responsáveis pelas principais instituições europeias fizeram repetidos e lancinantes apelos públicos para a procura de um consenso político que viabilizasse o acordo alcançado pelo Governo junto dos seus parceiros europeus, o famigerado PEC IV. A queda de Portugal corresponderia ao agravamento do risco para os restantes países ainda protegidos precisamente pela resistência portuguesa. Seria mais um trunfo para a estratégia do dominó que apostava no cerco ao Euro.
Cavaco Silva, no período que mediou entre o dia das eleições e a tomada de posse, reuniu com variadas personalidades, incluindo Barroso. Sabia perfeitamente bem qual a situação europeia e as consequências do eventual falhanço nacional na garantia do seu normal financiamento; até porque é um génio da economia e finanças, como faz questão de lembrar amiúde. Acresce que tinha feito campanha eleitoral declarando que Alegre não tinha experiência e competências para lidar com a complexidade da situação internacional, só ele o poderia fazer. Chegou ao ponto de sugerir que a sua vitória teria de ser obtida logo à 1ª volta para que os mercados acalmassem. Foi esta mesma avantesma que no primeiro acto oficial do novo mandato declarou ser necessário derrubar o Governo. E depois, coerentemente, não mexeu uma palha em ordem a promover uma solução que evitasse a crise política. As desculpas que apresentou, não ter sido avisado do PEC IV e os acontecimentos terem sucedido a uma velocidade que não pôde acompanhar, estão ao nível do que inventou para justificar a ausência no funeral de Saramago. É altamente provável que Américo Thomaz tivesse mais vergonha na cara do que este tipo.
Hoje sabemos que a aprovação do Orçamento para 2011 permitiu ao Governo começar decisivamente o processo de adaptação às exigências europeias para a redução dos custos do Estado. Mas sabemos muito mais. Sabemos que esse esforço foi fatalmente boicotado com as consequências económicas do derrube do Governo e ida para eleições. E sabemos que o acordo com o trio de credores impediu que se continuasse a poder escolher as soluções de austeridade menos gravosas para as classes baixa e média. Tudo desabou e piorou, só para que PSD e CDS pudessem ocupar o poder. BE e PCP, quando chumbaram o PEC IV, estavam a defender os interesses dos seus eleitorados? Não, estavam precisamente a garantir que esses interesses seriam prejudicados para além do imaginável.
Será bom que a legislatura se cumpra integralmente e que os portugueses bebam o cálice do seu voto até ao fim. Temos é de ir recordando, ao longo dos 4 anos, esta história em que nos enrabaram a sangue-frio.
Supostamente, as universidades são antídotos contra a estupidez
O caso com a UCP que o Porfírio Silva descreveu – UMA HISTÓRIA POUCO CATÓLICA – interpela-me por várias razões. Foi lá que me licenciei em Filosofia, era D. José Policarpo o reitor. E foi lá que encontrei algumas das pessoas mais importantes da minha vida, colegas e professores.
A Católica de Lisboa que conheci como estudante já não existe. Nesse tempo, uma parte significativa, e castiça, da população discente era constituída pelos estudantes da Faculdade de Teologia e da Faculdade de Filosofia. Ao longo do curso, e apesar das inevitáveis ou eventuais preferências teóricas e axiológicas que nasciam de uma leitura cristã da História das ideias, nunca encontrei proselitismo. Bem pelo contrário, alguns professores divulgavam tranquila e alegremente as suas heterodoxias, que tanto podiam sugerir serem algumas das visões místicas de certos santos o provável resultado de terem consumido substâncias psicotrópicas ou apresentarem a cultura clássica, e a civilização pagã, com genuína exaltação. Esta largura de espírito, este respiro intelectual, acabava por ser a consumação plena do que de melhor o conceito de “catolicismo” transporta na sua semântica. De lá para cá, a Teologia e a Filosofia praticamente desapareceram de Lisboa há uns anos, o ambiente sociológico e cultural do corpo académico tornou-se muito mais homogéneo.
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