O melhor espaço de conversa política é – de longe, de muito, muito longe – o Bloco Central na TSF. Oiça-se este exemplo: Cavaco Silva e a Madeira
Pedro Marques Lopes, que votou em Cavaco e não se cansa de mostrar que Sócrates não prestava para nada, é aqui implacável com o vergonhoso Presidente da República que ora temos. Pedro Adão e Silva, que nem sob ameaça de arma votaria Cavaco, elogia a atitude e as ideias acerca da Europa que o Presidente da República transmitiu na entrevista. Resultado? Este zelo pela honestidade intelectual própria, esta imaculada liberdade de pensamento e expressão, aumenta ainda mais a credibilidade e relevância das suas restantes opiniões.
Louvados sejam os neurónios de quem se lembrou de juntar estes dois amigos e de quem deu o nome ao programa. De facto, estamos mesmo perante um bloco central. Mas este centro é preenchido pelo culto da justiça e da democracia. É o centro que dá dimensão e referência às variegadas periferias.
Tenho só uma sugestão a fazer aos carolas da TSF: aumentem a duração do programa para duas horas. Invariavelmente, os assuntos em agenda, já de si uma redução dos tópicos a merecer análise, ou não são discutidos na totalidade ou obrigam a intervenções de pouquíssimos minutos, às vezes segundos, para os últimos da lista. E tal não se deve à lentidão com que os rapazes falam, pois estamos perante duas matracas. É mesmo porque pensam nas questões e têm genuíno gosto em estarem ali a comunicar uns com os outros para uma audiência invisível. Ainda por cima, as duas horas permitiriam incluir mais excertos das declarações dos políticos, o que por sua vez suscitaria ainda mais pertinácia, rigor e profundidade nos comentários, para além de também ajudar o ouvinte na recordação ou primeiro contacto com esses episódios.
Vá lá TSF, põe o relógio a funcionar a teu e nosso favor.


