Os broncos e os canalhas

Sócrates nunca foi sequer arguido nos casos onde o seu nome apareceu envolvido. E os casos surgiram sempre no contexto de conspirações políticas ou vinganças. Porém, a ausência de qualquer indício válido, muito menos prova, não impede que broncos e canalhas continuem a repetir as calúnias então lançadas.

Portugal fez em 2009 o que a Europa decidiu que seria a resposta à crise económica; e fez bem, com bons resultados. Isso aumentou o défice e a dívida. Portugal fez em 2010 o que a Europa decidiu que seria a resposta à crise da Zona Euro; e fez bem, com resultados que estavam a recolher apoios e elogios dos parceiros europeus. Isso levou ao pedido de ajuda externa por exclusiva decisão do PSD, o qual viu vantagem em interromper esse processo de ajustamento através de uma crise política. Os broncos e os canalhas contam apenas a última parte desta história.

Jardim decidiu violar as suas obrigações para com o Estado português, induzindo em erro diversas instituições nacionais e internacionais e acumulando dívidas num registo de irresponsabilidade autocrática. As declarações que ele e os seus representantes têm feito para explicar a situação não são apenas confrangedoramente impostoras, igualmente revelam que estamos a lidar com desmiolados. Assim, quando os broncos e os canalhas vêm defender estas criaturas, dizendo que o Governo PS fez igual ou pior, estão apenas a fazer um favor à comunidade: avisam-nos que podemos respirar de alívio. O alívio nascido de não precisarmos mais de lhes dar atenção – a menos que sejamos tão desmiolados quanto eles.

20 thoughts on “Os broncos e os canalhas”

  1. O que nasce torto tarde e mal se endireita. Cheguei a pensar, às vezes com um certo desespero, que o mal disto tudo está na informação que se dá e se recebe. Se omite ou distorce. Estou a convencer-me que será antes um problema de formação que faz tantos broncos e canalhas. E refiro-me à “raiz” da formação, aquela que é ditada pelos genes, que nos atira condicionados para a sociedade. Assim se explica que na mesma familia, na mesma aldeia, na mesma cidade e no mesmo país medre o bonco e o canalha ao lado do bom senso e da hombridade. Só isso explica que as mesmissimas informações e actos praticados tenham impacto tâo diferente nos receptores.
    Fico espantado com amigos e amigas minhas, familiares ou simples encontros ocasionais que perante os mesmissimos factos têm reacções diametralmente opostas. A informação genética talvez possa explicar.
    Estes tempos que vivemos sâo de reflexão. Como se a nossa alma, de repente, ficasse tão à vista quanto o corpo. Veio tudo cá para fora. E o que se vê não é nada agradável, apesar de ficarmos com a sensação de que não é nada de que não estivessemos à espera.
    É terrivelmeente constrangedor reconhecer até que ponto somos sangue de gente bronca e canalha. E foi só deixar soltar a gesto e a língua para começar o espectáculo.
    O que faz falta é a formação, “ab initio” quanto possivel. Percebendo isso, os broncos e os canalhas estão a pensar meter vinte crianças numa escola para dez, suspender a requalificação das pessoas e das escolas (novas oportunidades-tropa fandanga e as escolas “sumptuosas”da Parque Escolar-acusam). O plano tecnológico é uma modernice de chico-espertos, porque lindo-lindo e pedagógico é a velhinha ardósia, o tinteiro de molhar a pena…
    Economia? O que importa é ter muito ouro amealhado em casa e andar de socos e calças rotas no cu a vida inteira. “Porque não sabemos o dia de amanhã”.
    O país assim adiado, a fazer contas de merceeiro, sempre à espera do pior. O fado entrou-nos na alma, deixando uma única saída para os inconformados: emigrar por terra e mar.
    Quando aparece alguém a contrariar este triste fado, os broncos e os canalhas, inchados da velha sabedoria, assaltam o poder à força, alçados na canalhice congénita. O povão vai atrás porque a escola ainda mal começou a dar os primeiros passos.
    Ainda que seja arrastados pelos ventos da história, havemos de dar a volta. Até que broncos e canalhas sejam uma espécie em extinção.
    Por uns tempos mais, têm o poder todo. Pensam que triunfaram.

  2. Dois textos brilhantes, o do Val e o do Mário.
    É bom e reconfortante verificar que os que pensam como nós também sabem escrever muito bem.

  3. Socrates está claramente acima do varios politicos actuais no activo,

    em competencia, dedicação, trabalho, seriedade, patriotismo…

    há dias era Van Zeller, ex-presidente da CIP, que o referia, creio no DN…

    Daí não poder associar-me a qualquer comparação,

    minima que seja,

    sobretudo, sobretudo, a esse outro senhor referido..

    abraço Val e amigos outros

  4. o gasparito diz que o buraco é pontual, entretanto o tribunal de contas descobriu mais um adicional de 220 milhões com tendência para aumentar. dívida e buracos do caruncho devem superar 9 mil milhões até ao fim do ano. soltem as amarras àquela porra e deixem o bananeiro a berrar no meio do atlântico.

  5. Há uma coisa que ainda não decidi e creio que nunca irei decidir no futuro, tal é o medo que tenho de me enganar: que instrumento é que o nosso camarada Valupi tocaria na Grande Cidade dos seus sonhos se ele, em vez de político sem partido isentíssimo a partir da medula, optasse por prestar os seus esforços de persuassão artística a uma qualquer orquestra sinfónica ou quinteto de cordas.

    A sua constante repetição de notas, o ramerrão não-harmonioso da desnovidade estrutural, um asco patentíssimo a improvisos sem prévia autorização da batuta, o desprezo pelo lacrimoso operático que faz tão bem aos umbigos, a ausência injustificável do indeciso instrumental que deixa gente com bom ouvido sempre bem disposta, são características de posts como este que aconselham a pôr de parte a possibilidade dum futuro quer sinfónico quer de câmara para si. Mas há sempre a possibilidade do jazz.

    Para um defensor acérrimo do Estado de Direito e da Instituição da Grande Guedelha da Justiça, guardiã da interpretação perfeita do peso de crimes cometidos e das definições das vias perfeitas de acordo com os fiéis das balanças, muito estranho eu que o meu amigo Valupi não assanhe o difamado a prestar contas em tribunal com os difamadores. Até eu, magrinho como sou, com muito agrado daria (mutatis mutandis) um abraço ao Sócrates e umas vergalhadas aos mentirosos. Suprema é a Justiça. A minha chama-se Filomena.

  6. Teorema do Morto (sempre de riso)

    “Em política a razão é inversamente proporcional à conotação emocional dos termos utilizados”

    Já agora…

    “sic transit gloria mundi” – e isto serve para todos

  7. Pois é, Val, eles são broncos e canalhas, mas lá vão navegando, com os cúmplices do costume a darem-lhes guarida:

    ” Tribunal absolve Oliveira e Loureiro no caso BPN”
    Juíza considera tribunal comum incompetente para apreciar acção do BPN contra Oliveira e Costa, Dias Loureiro e outros ex-responsáveis do grupo.

    O “Correio da Manhã” escreve que o processo cível do BPN contra vários ex-administradores do antigo Grupo BPN/SLN sofreu um revés no início deste mês: a juíza do processo considerou que a acção é da competência dos tribunais do comércio, argumento que fora apresentado pela defesa dos réus, e absolveu na primeira instância Oliveira e Costa, Dias Loureiro e outros antigos responsáveis do Grupo BPN/SLN.
    “Julgo procedente a excepção da incompetência das varas cíveis em razão da matéria quanto aos pedidos de condenação dos réus a pagar (BPN) a indemnização e, consequentemente, absolvo da instância os réus”, pode-se ler no despacho da juíza.
    Segundo apurou o jornal, a administração do BPN já recorreu da decisão para o Supremo Tribunal de Justiça que irá agora decidir se a indemnização será apreciada por um tribunal comum ou pelo Tribunal de Comércio de Lisboa.
    Em causa está um pedido de indemnização do BPN de 42 milhões de euros.

    Assim, lá vão passar mais uns anos até a “coisa” ser esquecida…!

  8. É claro que Portugal e a sua teia de interesses, protege mais a figura do Passos Coelho que a do Sócrates. Até aí nada de novo: o que esperavam do país das aparições de Fátima? Bom senso? Inteligência? Get real…

    Já era altura de pegarem em público no CV do Passos Coelho: acreditem que é bem mais insultuoso do que uma licenciatura ao Domingo.

    PS – Várias dessas critaturas que se formaram em privadas deviam, aliás, ir confirmar as datas dos seus diplomas. É que a troco de dinheiro, a burocracia no privado tem muitas vezes destes lapsos.

  9. Mt bom :)

    P.S voltei ao aspirina. Depois de uns meses de pausa a tentar desligar, não é que os canalhas não conseguem passar despercebidos, e mesmo que uma pessoa tente neste momento sente na pele a incompetência deste bando de intrujas que nos querem levar a todos para o buraco.

  10. Dois textos excelentes do Val e do Mário que transmitem o que me vai na alma e que não consigo , de forma tão clara, transpor para o papel( para o computador). Um consolo para tanta revolta contida.

  11. Jardim e aquela geração de madeirenses teve estes 37 anos para se vingar dos continentais, por “humilhações” ancestrais por eles sofridas.

    Os continentais navegantes a caminho das colónias ao atracarem ao largo do Funchal, a pretexto de comprar uns bordados, só queriam saber das bordadeiras, e essa humilhação eles cobraram estes anos de várias maneiras.

    Fazia parte do cerimonial do viajante colonial, uma visita às bordadeiras do Funchal, e lançar do convez do paquete para a água umas moedas aos meninos das caixinhas, e essa memória turistica a geração de Jardim não esquece.

  12. Todos sabemos que a quem levantou suspeitas contra Sócrates e as alimentou como lhes foram feitos esses pagamentos em tachos.
    Se duvidas houvesse só esse facto esclarecia o que os moveu, e como o importante era denegrir.
    Parabéns pelo post.

  13. val, o aumento do défice e consequentemente da dívida foram, acima de tudo e tal como nos nossos parceiros europeus, consequência da descida da receita fiscal (aí está o dedo da crise internacional) e não da subida da despesa. e é isto também que os broncos&canalhas não dizem para que fique no ar que o socras foi um despesista sem quartel. e conseguem-no pois é isso que a populaça acha porque vê na tv (leiam o mea-culpa do pedro lains) e não há ninguém que refute (excepção honrosa ao estudo do ricardo reis no i sobre os governos despesistas, uns tempos antes das eleições de 2009).
    para legado do sócrates também fica a taxa de cobertura das importações pelas exportações nos 75%, coisa que já não se via há perto de vinte anos, ainda para mais com o petróleo actualmente em níveis históricos acima dos 100$ (e se o país dependente disso…). A causa disso é o comportamento exceptional das exportações, que nos anos sócrates tiveram dos maiores incrementos entre os países da zona euro. mas isto é economia com números e factos e sabemos que isso não interessa aos sabujos retóricos.

  14. Sem dúvida, assis, de tão evidente nem devia carecer de nota, embora se deva repetir como fizeste: a crise económica consistiu na redução drástica da circulação do dinheiro, porque se reduziu o comércio e a produção, assim baixando as receitas fiscais. Mas foi aí precisamente que a política europeia de então levou ao aumento das despesas, financiando a economia, apoiando bancos e empresas e suportando os efeitos do aumento do desemprego. A lógica era a da resistência e do crescimento, depois veio a lógica da austeridade.

  15. sabes que mais Val? não deviamos nunca ter entrado para o euro. Perdemos a nossa soberania monetária e a capacidade tomarmos decisões.o que o assis disse é verdade, o problema nao e a despesa mas sim a receita. E voltando ao tema da soberania, essa europa obrigou-nos a prescindir da nossa ideologia e da nossa politica. Assim, se explica como o ps foi obrigado a deixar num plano muito secundário a sua ideologia.Já que não dá para voltar atras no tempo, espero que posamos aprender esta lição para que no futuro não façamos a mesma burrada.

  16. PARABÉNS VAL E MÁRIO PELOS VOSSOS POSTS.
    QUANTO A ESSE KALIMA????????????TONTO, QUE VÁ PREGAR PARA OUTRA FREGUESIA. VEJO MUITO BEM A QUE SENHOR ELE SERVE!

  17. Diz-me lá, José, minha jóia querida, qual é o nome do meu amo? Pelo menos c ontas-me se o fulano é gordo, magro, riquíssimo, bispão, rabinão, etc., tá bem? E poupa o garrafal, vejo mal mas ainda não estou cego.

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