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Nestes anos o País mudou, mudou muito e em muitas áreas. Na energia com a aposta nas renováveis, nas tecnologias de informação, na investigação científica e noutros domínios essenciais para a modernização do País. Mas há uma área em especial de que quero falar-vos hoje, que é a educação, porque ela é bem o exemplo de que as reformas, feitas com sentido e determinação, produzem bons resultados.
Um estudo internacional recente – que é aliás a referência para todos os países do mundo – revelou que nos últimos anos os nossos alunos fizeram progressos assinaláveis em todas as áreas. Este progresso colocou, finalmente, Portugal na média da OCDE, que inclui os trinta países mais desenvolvidos do mundo. E Portugal foi mesmo um dos países que mais progrediu nos domínios da leitura, da matemática e da ciência.
Mas este progresso não foi um resultado isolado ou ocasional. A verdade é que há outros domínios igualmente importantes em que Portugal já alcançou o nível dos países mais desenvolvidos. 81% dos nossos jovens entre os 15 e os 18 anos frequentam a escola; 35% dos jovens com 22 anos estão hoje no ensino superior. Estes são resultados que nos colocam, finalmente, no patamar educacional dos países mais desenvolvidos.
E sublinho este progresso na educação porque ele é essencial para o futuro. Essencial para o êxito pessoal dos nossos filhos, para a igualdade de oportunidades no nosso país; e para o sucesso da nossa economia.
Preparar o futuro, fazer o caminho das reformas, não desistir à primeira dificuldade, andar em frente – é esse o caminho para alcançar resultados.
É, pois, uma palavra de confiança que quero dirigir, neste Natal, a todos os portugueses. Temos de superar as dificuldades do momento, garantindo o financiamento do Estado e da economia. Mas temos também de pôr em prática uma agenda de crescimento da economia e do emprego, fazendo-o com diálogo e concertação social. E temos de prosseguir nas reformas estruturais nos sectores, como a energia, a educação, a ciência, a tecnologia, que sustentam o desenvolvimento e a coesão social. É verdadeiramente isto que o País exige, e é nisto que os portugueses estão empenhados: em construir um País melhor.
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Todos os artigos de Valupi
Cem mil mortos depois
Perguntas natalícias
Em que consistem as “relações sexuais incríveis” que tradicionalmente nesta quadra o Comandante da Polícia Municipal de Coimbra deseja para os funcionários da autarquia?
Pp. 115 a 118
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Para a Geração de 70, Portugal só podia esperar a redenção de uma catástrofe regeneradora, de um qualquer apocalipse histórico ou sabre providencial. Para Pessoa é puro futuro, manhã a amanhecer, vinda próxima do Encoberto, Cristo sem cristianismo, fraternitatis rosea crucis, quer dizer, invenção de uma fraternidade de alma de que a divisão das nações e dos impérios reais, triunfo da ‘Ordem’, é a contrafacção incurável e demoníaca. É mais que claro que este País-Futuro em busca de Índias que não vêm no mapa, representa o termo de um processo de divergência prodigiosa de alguns dos mais altos e profundos espíritos portugueses com a “terra mater” em que nasceram. Mas ao mesmo tempo é a forma mais radical de recusar a sociedade portuguesa enquanto sociedade amorfa, sem ideal, interiormente satisfeita com a glosa do seu interminável crepúsculo de Nação que há séculos entristeceu
Sem Rei nem lei nem paz nem guerra
esse Portugal-nevoeiro onde
Ninguém sabe que coisa quer
Ninguém conhece que alma tem
Nem o que é o mal nem o que é o bem
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Como era de esperar, não seria uma Revolução caída do céu militar que poderia repor miraculosamente o País em condições de se readaptar, enfim, àquilo que é e que pode. As contas a ajustar com as imagens que a nossa aventura colonizadora suscitou na consciência nacional são largas e de trama complexa demais. A urgência política só na aparência suprimiu uma questão que também na aparência o País parece não se ter posto. Mas ela existe. Querendo-o ou não, somos agora outros, embora como é natural continuemos não só a pensar-nos como os mesmos, mas até a fabricar novos mitos para assegurar uma identidade que, se persiste, mudou de forma, estrutura e consistência. Chegou o tempo de existirmos e nos vermos tais como somos. Ao menos uma vez na nossa existência multissecular aproveitemos a dolorosa lição de uma cegueira que se quis inspiração divina e patriótica, para nos compreendermos em termos realistas, inventando uma relação com Portugal na qual nos possamos rever sem ressentimentos fúnebres, nem delírios patológicos. Aceitemo-nos com a carga inteira do nosso passado que de qualquer modo continuará a navegar dentro de nós. Mas não autorizemos ninguém a simplificar e a confiscar para benefício dos privilegiados da fortuna, do poder ou da cultura, uma imagem de Portugal mutilada e mutilante, através da qual nos privemos de um Futuro cuja definição e perfil é obra e aposta da comunidade inteira e não dos seus guias providenciais.
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Eduardo Lourenço, 1978
É verdade, com uma boa família vai-se sempre mais longe
Aníbal Cavaco Silva começa a mensagem pela mesma frase que usou no ano passado – o “Natal é a festa da família” – para vincar em seguida que é no seio familiar “que podemos encontrar os afectos que nos dão força, a solidariedade de que precisamos nas horas difíceis, as alegrias que nos ajudam a atravessar a vida”. É na família, realça o presidente, que se aprende “a respeitar o outro” bem como “os gestos que nos aproximam e nos ensinam que nenhum homem deve viver isolado, que, se dermos as mãos, vamos sempre mais longe”.
O acordo ortográfico, afinal, já é o primeiro passo
O Bidarra está mais uma vez na berra porque vai sair da BBDO e abrir uma coisa qualquer. O Bidarra é o maior publicitário português de todos os tempos, por várias razões, incluindo algumas más ou mazinhas. Tive a sorte de trabalhar com ele, também na BBDO, pelo que não tenho dificuldade em reconhecer que o homem aplica o mesmíssimo poder criativo que lhe deu a fama nas ideias estouvadas que tem lançado a respeito de Portugal – como esta que, para quem assiste incrédulo ao caos político e monetário na União Europeia, só tem vindo a ganhar propósito e a-propósito:
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Algo muito bom para algo muito mau
Perguntas simples
Má sorte serem os portugueses a habitar em Portugal
O secretário de Estado do Orçamento disse esta tarde, no Porto, que “as medidas no Orçamento do Estado (OE) para 2012 são suficientes” para atingir o défice de 4,5 por cento, mas sublinhou que, “evidentemente, precisamos de muita sorte”.
Luís Morais Sarmento referiu “haver muitos riscos macroeconómicos, que não temos capacidade de influenciar ou dominar, porque é completamente exógeno” ao Governo e a Portugal.
“O que temos de fazer bem é o nosso trabalho de casa, mas se as coisas correrem menos bem teremos de ver que medidas adicionais serão necessárias” para alcançar os 4,5 de défice no próximo ano, defendeu o secretário de Estado, que não prestou declarações à comunicação social e regressou logo a Lisboa após a sua intervenção no debate.
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O que diz este Secretário de Estado é em tudo igual, no que à lógica diz respeito, ao que se disse nos PEC apresentados pelo Governo anterior. A única diferença é a de no passado não se invocar a sorte. Eram mais responsáveis os socialistas, embora menos transparentes. Porque ser transparente, completamente transparente, significa assumir à letra o que este Sarmento está a dizer: pouco importam as metas orçamentais que se definam, o resultado final das contas públicas é uma questão de sorte. Se tal nem ofende em tempos de alguma estabilidade na economia e finança internacionais, nesta situação caótica a sorte é o único factor com o qual se pode contar.
A estratégia do PSD e de Cavaco, assim que rebentou a crise das dívidas soberanas, foi a de apagar as referências à Europa e repetir a tanga de que a causa do problema para Portugal estava nos erros ideológicos dos socialistas, nas falhas técnicas dos governantes PS e no carácter de Sócrates. Embrulhavam o veneno com a promessa de irem estancar sem dor a sangria do esbanjamento de recursos e salvar-nos da hipoteca do nosso futuro. Era uma questão de ginásio três vezes por semana e umas saladinhas, não de bloco operatório e coma induzido. Havia muitas e badalhocas gorduras no Estado, sendo que a gente séria não suporta o convívio com gordos a cheirar a povo. Assim que tomaram o poder, os actuais dirigentes social-democratas mostraram que as eleições de 2011 correspondem à maior fraude programática de que há memória.
Em Março, dizia-se que o PEC IV não chegaria e que ele só alimentava o problema. Supostamente em nome do limite aos sacrifícios, o Presidente da República e toda a oposição acharam preferível levar o País para um empréstimo de urgência que seria sempre ruinoso, fosse ele qual fosse. Do lado da direita, a austeridade imposta de fora aparecia como a solução ideal, a capa perfeita para o seu desprezo pelos pobres. Do lado da extrema-esquerda, reinava a dinâmica do quanto pior para o trabalhador melhor para o sindicalista-guerrilheiro e para o demagogo.
Hoje, estamos em período de intensa aprendizagem. Vamos sentindo cada vez mais no bolso, e no enfraquecimento do Estado, que o PEC IV, e outros programas e medidas que continuassem a ser necessários adentro da inevitabilidade dos riscos macroeconómicos exógenos, correspondia ao trilhar do caminho menos gravoso para o maior número de cidadãos. Só que nem toda a sorte do Universo o poderia salvar. O seu chumbo provou que muito mais poderosa do que a sorte é a fatalidade de serem portugueses os actuais nativos de Portugal.
Cineterapia

The Ides of March_George Clooney
Este é um filme falhado, superficial, tanso que merece ser visto e estimado. E precisamente pelas mesmas razões. Começa por ser uma obra do Clooney, um dos maiores porreiraços de Hollywood. Queremos que ele continue a realizar, focando-se nas temáticas políticas, sociais e dos direitos humanos como tem feito também como cidadão do Mundo, por isso o mínimo que podemos fazer é continuar a pagar pelos seus serviços artísticos. Depois reúne os actores mais porreiraços do momento, como o próprio George, Ray Gosling (que teve em 2011 um ano glorioso), Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti e Marisa Tomei, seres humanos com quem gostaríamos muito de passar a noite de réveillon ou, em alternativa, uma qualquer outra noite do ano findo ou vindouro desde que o fluxo de bebidas e petiscos não fosse inferior. Por fim, porque nos conta uma historieta porreiraça, com os mínimos de interesse e banalidade para satisfazer tanto os ingénuos como os cínicos.
Só para idealistas e românticos – portanto, só para os cinéfilos, irremediáveis platónicos – é que este filme se revela uma chachada. Prometendo tratar do esvaziamento ético que será inerente à carreira política, o espectador é levado para uma sequência de peripécias que vão ficando cada vez mais gratuitas e inverosímeis apesar, ou por causa, da sua convencionalidade. Claro, estamos no cinema, um reino de fantasia, celebrando-se o decisivo contributo dos elementos gratuitos e inverosímeis desde 1902, ano em que Méliès disparou um foguetão para a Lua. Mas quando deixamos de acreditar nas personagens, constatando que também elas não sabem em que filme estão metidas, e descobrindo penosamente a sua infantilidade, esse é um salto para o fantástico que não tem nada de maravilhoso.
O tema da corrupção na política – ou seja, a problemática da presença do mal na sociedade – é coevo da invenção da fala e uma das chaves hermenêuticas para o estudo das mitologias e tradições poéticas orais. Quem estudar História, seja qual for a época escolhida para o efeito, vai descobrir um lençol de perfídias e de queixas que emanam da luta pela sobrevivência e da procura de recursos e segurança. Algumas são em tudo equivalentes às nossas na actualidade – apesar das variações geográficas e culturais, quando não civilizacionais – da passagem dos séculos – quando não dos milénios – e do primitivismo do modo de vida – quando não da brutalidade e violência como norma. Botar discurso a respeito deste plano da experiência humana, assim, pede um inevitável trabalho de recapitulação da memória histórica, de montanhismo intelectual, para se poder dar a ver uma qualquer nova paisagem, ou que não seja nova mas que esteja límpida e larga. Não sendo o caso, mais valia que Clooney tivesse escolhido fazer o remake de Mr. Smith Goes to Washington. Tinha os actores ideais para a empreitada e uma história onde a corrupção da política é contada com muito maior ferocidade. Para além disso, o filme de 1939 dá-nos algo que podemos fazer nosso, que não mais nos abandonará. É só para isso que serve o cinema, George.
O improvável não é impossível
Manoel de Oliveira fez 103 anos há uns dias. Em 1981, iniciou-se o período de maior e melhor actividade da sua carreira. Quanto mais não fosse, apenas por nos mostrar que a vida pode recomeçar aos 73 anos e depois continuar num crescendo de frenesim criativo, a nossa gratidão já daria para encher muitos filmes.
Gostava de dizer isto antes de morrer, disse ela
Eu ’tou enervada com o Sócrates. Eu ainda não deixei de estar enervada com o Sócrates, e queria só dizer uma coisa em relação à suposta licenciatura dele. Agora saiu um livro do Rui Verde, que foi o subdirector da Independente, e que mostra provas… Portanto, o mesmo homem que aqui há uns tempos sancionou, dizendo que não houve nenhuma irregularidade, agora está a mostrar provas concludentes de que houve trafulhice administrativa. Bom, mas independentemente disso, e agora se é verdade ou se não é verdade, eu gostava de dizer, gostava de dizer isto antes de morrer, que para mim não é preciso ir às Freeports e òs Faces Ocultas e òs enriquecimentos ilícitos da família dele para eu ter vergonha deste primeiro-ministro, se é verdade, de facto, que ele mentiu na licenciatura.
Porque é assim: eu não sou formada, não sou licenciada. Durante uma vida inteira, há 40 anos, que eu estou a dizer – que é uma coisa incómoda e chata – “não sou doutora”, “não sou doutora”. Corta a conversa, não é relevante, as pessoas dão-te um honoris causa por simpatia e tal. Mas, de qualquer maneira, há um escrúpulo das pessoas dizerem “não sou doutora”, porque as coisas ou são ou não são. Agora, este tipo, que não tinha necessidade disto, ter feito isto, para mim é nojento. Nojento. Não tem explicação.
[…]
É vergonhoso. O mau exemplo que se dá às crianças, não é? Eu tenho poucos exemplos, mas tenho um ou dois, não é? Agora quando os exemplos vêm desta coisa… Enfim.
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Porque é que não é relevante, a gente ter um tipo que é primeiro-ministro, que é um exemplo de uma nação, que mente e diz que é doutor? Que se vá julgar isto, porque isto chama-se burla, e a burla é passível de processo.
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Nada foi investigado exaustivamente até ao fim, nada foi levado a julgamento.
Rita Ferro, a partir do minuto 12
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Rita Ferro não acredita na palavra de Sócrates nem nas entidades que investigaram os casos lançados contra ele. Em vez disso, diz que o homem falsificou documentos para se poder apresentar como doutor. E diz que a família de Sócrates enriqueceu de forma ilícita. Daí a angústia da Rita Ferro com o sofrimento das crianças, sujeitas a estes exemplos vindos de um primeiro-ministro. Que será das nossas crianças? Que mazelas irão marcar as suas inocentes almas como resultado de Sócrates não ser um verdadeiro doutor? Algo devia ser feito, um bom exemplo devia ser dado: processá-lo por burla, por exemplo. É que aquilo que não vai parar aos tribunais não é investigado exaustivamente até ao fim, explica a Rita Ferro – embora omitindo, e também aqui por causa da sua preocupação com as crianças, a parte em que o fim mesmo final, esse tal fim que resolve definitivamente o problema levantado pelo primeiro-ministro-não-doutor, implicaria um grupo de caçadores lado a lado frente a uma parede, corda grossa pendurada num pinheiro ou uma cadeira ligada à EDP. As nossas crianças não precisam de saber já desta parte da resolução do problema, têm tempo para irem aprendendo com a gente séria.
Rita Ferro é paga pela estação pública de televisão para insultar, ofender, difamar e caluniar um número indeterminado de pessoas, incluindo variegadas autoridades. Incrivelmente, esse não é o mal maior. A seu lado estava um Herman José que tentou introduzir racionalidade na situação, mas o qual acabou por alinhar no mesmo registo, tendo verbalizado que também ele poderia contar casos de supostas ilegalidades ou crimes de políticos, não podia ser era frente às câmaras. E ainda isto não é o mal maior, incrivelmente. Tendo o programa ido para o ar no dia 11, e estando nós a 14, ninguém sequer registou a ocorrência, quanto mais protestar. O que tem como corolário a fortíssima hipótese de já não estar em vigor o Estado de direito. Nem magistrados, nem partidos, nem sindicatos, nem ordens, nem grupos cívicos, ninguém se importa que Sócrates – alguém que não consta ter perdido o estatuto de cidadão – seja perseguido e vexado na RTP em modo de pré-linchamento. O mal maior é esta cumplicidade silenciosa com os pulhas.
A Rita Ferro repete o que milhares e milhares de infelizes continuam a balir fruto de uma campanha imparável que serviu, e serve, os interesses de Cavaco e do PSD. Mas também os interesses do PCP e do BE, que se juntaram febris para a matança da honra de um adversário transformado em inimigo a abater por todos os meios porque não se deixava assustar ou comprar. O Portugal da Rita Ferro, essa mixórdia de videirinhos hipócritas e de inquisidores vermelhos, suporta quase tudo menos aqueles que perderam o medo.
Chatices entre talibãs
O deputado João Semedo considerou, esta sexta-feira, que a saída de 200 elementos da Ruptura/FER vai deixar o Bloco de Esquerda reforçado.
«É um grupo que sempre teve uma linha política muito sectária, de extremo radicalismo, que sistematicamente discordava das decisões do BE, fossem elas quais fossem», assumindo, em contrapartida, «decisões incompreensíveis e inaceitáveis», como apelar à constituição de «brigadas de solidariedade com os talibãs no Afeganistão» e «apelar ao voto em branco nas presidenciais», disse.
Perguntas simples
Da importância do estudo da filosofia
Comme la volonté particulière agit sans cesse contre la volonté générale, ainsi le gouvernement fait un effort continuel contre la souveraineté. Plus cet effort augmente, plus la constitution s’altère; et comme il n’y a point ici d’autre volonté de corps qui, résistant à celle du prince, fasse équilibre avec elle, il doit arriver tôt ou tard que le prince opprime enfin le souverain et rompe le traité social. C’est là le vice inhérent, et inévitable qui, dès la naissance du corps politique, tend sans relâche à le détruire, de même que la vieillesse et la mort détruisent enfin le corps de l’homme.
Jean-Jacques Rousseau, Du Contrat Social, Chapitre X – De l’abus du Gouvernement & de sa pente à dégénérer, 1762
ASAE, a milícia socrática
ASAE encerra “Guilty” e detém empresário Olivier
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Se este acontecimento tivesse tido lugar antes de 6 de Junho de 2011, podemos ter a certeza de que iria causar um banzé monumental. O “Guilty” é um bar-restaurante que começou por ser um poiso preferencial dos queques e agora está na fase da miscigenação com o povoléu beto. E o Olivier é filho do famoso Michel, juntos têm engordado e embezanado a totalidade da gente séria nos seus estabelecimentos ao longo de muitos anos. Maneiras que teríamos assistido a um imediato clamor, com milhares de caracteres a serem furiosamente debitados, declarações inflamadas dos comentadores televisivos e conferências de imprensa especialmente dedicadas ao assunto. Relvas apareceria a berrar que os familiares de Sócrates deviam ter vergonha dele por andar a perseguir a fina-flor dos nossos empreendedores. Portas surgiria de dedo em riste apontado a um Governo que deixava o País a saque e só queria prender quem trabalha. E a legião de publicistas direitolas faria intermináveis variações sobre o nojo que sentiam dos socialistas e a necessidade de um Governo de iniciativa presidencial com plenos poderes para julgar Sócrates por crimes contra a restauração.
Impressionar os amigos, brilhar nas festas, seduzir o Pai Natal
Mix of Traditional and Contemporary Values Linked To Married Parents’ Happiness
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A Mother’s Touch May Protect Against Drug Cravings
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Human Brains Unlikely to Evolve Into a ‘Supermind’ as Price to Pay Would Be Too High
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Economic Recession Takes Toll On Family Relationships
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Child Abuse Changes the Brain, Study Finds
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Patterns Seen in Spider Silk and Melodies Connected
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How People Assign Blame: Cohesive Groups Hold Members Less Responsible for Individual Actions
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Helping Your Fellow Rat: Rodents Show Empathy-Driven Behavior, Evidence Suggests
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Humility Key to Effective Leadership
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Intermittent, Low-Carbohydrate Diets More Successful Than Standard Dieting, Study Finds
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National Pride Brings Happiness, but What You’re Proud of Matters
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Middle-Class Elementary School Students Ask for Help More Often Than Their Working-Class Peers
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What We Want to See On TV: Handsome Politicians
Vamos lá a saber
Pegando na interrogação do nosso amigo §, que nome devemos dar à futura moeda cá do burgo caso o euro vá para o galheiro ou tivermos de abandonar esse barco?
Limites do bom senso
Isto ultrapassa os limites do bom senso. Esta é a realidade. É a realidade em que chegámos em Abril. E se não quiserem reconhecer a realidade, se não quiserem reconhecer a realidade, não a reconheçam. Batam com a cabeça na parede, porque a realidade é sempre mais resistente do que a cabeça. Isto podem ter a certeza.
Carlos Costa a dar tautau nos xuxas
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No que toca a ofensas aos deputados ocorridas dentro da Assembleia da República, quase nada consegue superar o espectáculo do Crespo a distribuir fotocópias pelos deputados sentados, depois a sacar da camisola com uma idiotice qualquer acerca de Sócrates e a galhofar que dormia com ela. Crespo foi para uma comissão parlamentar com a intenção planeada de achincalhar todos os deputados presentes. Mostrou o seu visceral desprezo pela instituição que o convocou e pelo regime que lhe garante os direitos. E saiu de lá cheio de razão: é mesmo possível tourear deputados numa qualquer saleta do Parlamento.
Claro, pior do que a pândega do Crespo, mil, milhões de vezes pior, foi a inaudita utilização de escutas para fazer do mais baixo e sórdido combate político que jamais se viu em democracia. Dos dois deputados que aceitaram ser cúmplices da violação da privacidade de cidadãos, um disse nada ter lido que tivesse interesse político ou criminal, o outro disse que encontrou factos “avassaladores”. Que deve então fazer um deputado quando encontra provas avassaladoras de conspirações governamentais para dominar politicamente canais de televisão privados através de empresas com capitais públicos? Segundo o exemplo do Pacheco, nadinha de nada. Se isto não é o maior insulto ao estatuto dos deputados, a lógica é uma batata.
Não, o descontrolo emocional de Carlos Costa, deixando-se arrastar para uma reacção que tinha tanto de arrogância oligárquica como de despeito geriátrico, não belisca os deputados. O homem tem direito à sua pequenez. Mas as palavras proferidas importam precisamente no que transmitem de racionalidade. Elas repetem o estribilho que tomou conta da retórica da oposição ao Governo, e da direita, com uma ferocidade que se adensa com o agravamento da crise, apesar de a gente séria estar agora a pôr e dispor nisto tudo: Sócrates, por loucura ou por ser o Diabo, levou Portugal à bancarrota; e o PS alinhou com ele, ou foi por ele dominado, nessa corrida para o abismo. O Governador do Banco de Portugal conhece a realidade, como fez questão de ensinar aos deputados, sendo que quem não concordar com ele não pode estar bom da cabeça. O Galamba seria um desses seres asquerosos que têm alergia à realidade, pelo que devia ser devidamente higienizado para não andar por aí a espalhar o vírus da irrealidade. Eis a Política de Verdade ainda a servir para o gasto.
Vem, pois, mesmo a propósito lembrar que Carlos Costa foi escolhido pelo Governo que ele, logo após tomar posse como Governador, não se cansou de boicotar com declarações públicas ao serviço da estratégia alarmista. Os ranhosos e os broncos não estão em condições neuronais capazes de operar com estes dados, porque isso implicaria terem de conseguir explicar como é que o tipo que tinha uma máfia instalada no Estado, e que desejava a bancarrota do País como suprema realização pessoal, acabou por escolher tão adversa figura para tão poderoso cargo. Contudo, é bem possível que Carlos Costa, usando o Galamba como veículo da sua ira, tenha acertado em cheio a respeito da apetência de Sócrates para ultrapassar os limites do bom senso:
Teixeira dos Santos revelou ontem como Carlos Costa foi escolhido para substituir Vítor Constâncio no cargo de governador do Banco de Portugal. “Um dia à tarde, Sócrates entrou pelo gabinete e perguntou-me que nomes tinha para o Banco de Portugal.” O ministro respondeu ter uma lista com vários nomes, sendo que “o primeiro era Carlos Costa”. Ao que Sócrates retorquiu: “Fica por aí que era mesmo nesse que estava a pensar.”
Alerta cinzento
De todos os avisos emitidos pelo Instituto de Meteorologia, aquele a que menos se presta atenção, aquele que mais se despreza, é o de risco de nevoeiro. Tão maltratado anda este fenómeno atmosférico que os próprios técnicos já nem se preocupam sequer em informar a população da sua ocorrência – como foi o caso para Lisboa, mergulhada num magnífico nevoeiro logo que caiu a noite, o qual se prolongou denso pela madrugada, mas sem tal ter sido antecipado na previsão para 6ª feira.
Como são néscios estes meteorologistas. Ignoram que as noites de nevoeiro podem levar dois amantes para o risco extremo de incendiarem as ruas e as horas.



