Chatices entre talibãs

O deputado João Semedo considerou, esta sexta-feira, que a saída de 200 elementos da Ruptura/FER vai deixar o Bloco de Esquerda reforçado.

«É um grupo que sempre teve uma linha política muito sectária, de extremo radicalismo, que sistematicamente discordava das decisões do BE, fossem elas quais fossem», assumindo, em contrapartida, «decisões incompreensíveis e inaceitáveis», como apelar à constituição de «brigadas de solidariedade com os talibãs no Afeganistão» e «apelar ao voto em branco nas presidenciais», disse.

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57 thoughts on “Chatices entre talibãs”

  1. O Valupetas faz destaque de uma notícia para nos dizer que os dias de unidade no clube dos «talibãs» já fazem parte do passado. Se calhar até tem razão…
    Mas isto das «chatices», da «unidade» e dos «talibãs» não deixa de nos lembrar o ambiente que se vive noutro clube: o clube socretino dos fãs do mullah Valupetas. Tudo corre bem enquanto o mullah Valupetas investe a sua palavra no culto e na adoração de Al-Pinto-de-Sousa. Mas nos últimos dias assistiu-se a alguma crispação e tensão entre mullah Valupetas e alguns dos seus mais fieis (ou ex-fieis) seguidores (e mesmo entre os próprios fieis a propósito da expressão «socialismo na gaveta»), porque o dito mullah deixou de fazer discriminações entre socretinos e não socretinos, e passou a tratar os primeiros como costuma tratar os segundos, exigindo-lhes que deixassem de consumir álcool e correndo-os à vergastada.
    Os seguidores do mullah Valupetas andavam mal habituados, e não perceberam que isto do culto socretino é uma coisa para levar muito a sério, e que não se compadece com qualquer desvio ou discordância em relação ao líder do rebanho.
    Os ex-seguidores que agora o acusam de ser «mal educado», «prepotente», de ser um «titere vaidosão» e de «ódios descabelados», quando antes enalteciam a sua «classe», a sua «postura dialogante», a sua «independência» e «grandiosidade intelectual» e o seu «amor à democracia», não perceberam que o Valupetas não faz o que faz, nem diz o que diz, por mal. Faz o que faz, e diz o diz, por amor ao Al-Pinto-de-Sousa, que como diz o mandamento deve ser amado acima de todas as coisas (inclusivé acima dos seus filhos). Valupetas faz aquilo que faria Abraão, pois também este mostrou não hesitar em sacrificar o filho Isaac para mostrar a sua fé a deus. Portanto, filhos de AL-Pinto-de-Sousa não sejam heréticos, nem se julguem acima da vontade Dele e do seu profeta, mullah Valupetas.
    Dito isto, convém lembrar os socretinos que ainda permanecem fieis à liderança do mullah Valupetas, que este, como qualquer líder religioso que se preze, determina o que é o Bem e o que é o Mal de uma forma absoluta, e por isso mesmo literalista, não sendo possivel qualquer interpretação mais heterodoxa. Assim, Mal é dizer que Al-Pinto-de-Sousa é um novo Goebbels, e Bem é dizer que os bloquistas são talibãs ou que o Louçã é um Napoleão. E não concluam de forma precipitada que o mullah Valupetas tem uma duplicidade de critérios na avaliação e no julgamento que faz dos outros, porque a essência do fundamentalismo e literalismo religiosos é mesmo essa.
    Caros socretinos, nunca se esqueçam das vossas orações e obrigações diárias, continuem a prestar vénias ao valupetas com o cu para o alto e posto a jeito, e digam sempre e com voz alta: AL-PINTO-DE-SOUSA-HU AKBAR!

  2. Acordaste inspirado! Bem, nós devemos ao Valupi et al., este espaço livre de elevada elocubração intelectual. Além disso, perdoa-me a levitação romântica, embora eu e o Valupi votamos sempre diferente desde que pululo aqui, ainda tenho a ilusão que estamos no mesmo lado da barricada, a barricada da humanidade, no entanto também é verdade que esse conceito pode estar em causa.

    Gostei muito do que disseste no outro post sobre a distinção entre idealismo e materialismo dialéctico. Lembro-me quando era rapaz, 16, 17 anos, de ter lido com a atenção presa a Dialéctica da Natureza do Engels, aliás se calhar foi por causa disso que eu segui para ecologia, e lembro-me que o Engels atirava-se com a barba contra o Hegel, a quem acusava de idealismo, mas não retive exactamente a destrinça. Entretanto livrei-me de 99% dos livros (que dor de cabeça, faço votos que não tenhas de conhecer o assunto) e já agora questiono pois és bom professor.

    Ou seja, o Marx não poderia prever o futuro dentro do seu conceito de materialismo dialéctico porque esse permanece necessariamente aberto, é isso?

  3. §,

    e depois ainda tem a parte que não é matéria, mas que faz com que ela exista…

    Aqui tens, para te entreteres,playing God, também se poderia chamar :)

    Mais uma cimeira sem conclusões satisfatórias…

  4. Sim, é isso. Claro que ele faz uma extrapolação para o futuro. Mas é uma extrapolação que tem por fundamento toda uma análise materialista da realidade e da sociedade. O que Marx constata é que a História é feita da sucessão de diferentes sistemas de produção e de diferentes relações de produção, e que o seu desenvolvimento reside na luta ou na oposição entre classes e interesses antagónicos.
    Assim, se nos abstraírmos do espírito demasiado positivista da época que colocava o adjectivo «cientifico» em tudo e mais qualquer coisa, pode-se dizer que a História tem um sentido (como já dizia o Hegel), que a História mostra uma tendência que reflecte a vontade dos homens em eliminarem o estado de servidão ou dependência em que se encontram (o próprio Hegel fala disso na sua dialéctica do senhor e do escravo). E é essa tendência que permite dizer que o capitalismo não é o estado final, pois o capitalismo ainda se caracteriza pelo conflito entre diferentes interesses sociais.
    Portanto, enquanto para o Hegel idealista, e que interpreta a História como uma evolução do pensamento e da consciência absoluta (Deus) que se vai tornando explícita (autoconsciente), a História já chegou ao seu fim com a Revolução Francesa, para Marx, que põe o Hegel de cabeça para baixo, não é a consciência que determina a existência social, mas sim o contrário, e por isso mesmo é um materialista. A dialéctica hegeliana é fechada porque está cumprida (segundo o próprio Hegel). A dialéctica marxista é aberta precisamente porque não é o pensamento o que determina o rumo da História mas sim a própria acção dos homens e suas relações sociais. E nessa medida o pensamento nunca poderia determinar o que nos espera no futuro, mas baseado no que foi o desenrolar da História pode conceber o que será mais provável.
    Assim, há situações futuras mais e menos prováveis. E é por isso que um filósofo marxista como Ernst Bloch (que até já é citado pelo treinador do Benfica) pode distingir as utopias abstractas das utopias concretas, dizendo que a utopia socialista ou marxista enquandra-se no último caso, pois tem em atenção as possibilidades do mundo real. Ernst Bloch lembre-se é o filósofo da ontologia do «ainda não», e por isso da realidade vista como o reino da possibilidade. Porque a realidade seria a realização das possibilidades. Ou seja, e em conclusão, o marxismo caracteriza-se por ter uma dialéctica aberta, pois anteciparia o mundo futuro mas com base num processo histórico e material que é sempre aberto. E daí que não possa definir ao pormenor o que nos reserva o futuro.

  5. Que bela lição! Gratias a usted!

    Lembrei agora: a infraestrutura económica domina ou determina a superestrutura ideológica, que se tornam uma reunião dialéctica sob o comando da primeira, talvez se possa sintetizar assim, no materialismo.

    Pois, mas atenção eu não sei se concordo, há alturas que parece que se pode dizer ao contrário. Mas está bem bom para ficar a pensar.

  6. Olá Edie, já tinha ido ver isso, mas não entendo. Acho é que eles são uns espertos do caraças, andam lá com belos ordenados a fazer um brinquedo incomensurável, que custa balúrdios, para decidir, imagino que por um teste de hipóteses estatístico, se o bosão existe ou não como marca real de um dispositivo conceitual (vocês gostam mais de conceptual ou conceitual? eu agora ando a brincar com este). Vais ver que é um bonzão e ao Higgs dá-lhe um fogo serpentino e vai atrás de um neutrino a cavalo num fotão…

  7. (hum, eu cá vou experimentar antes ir a cavalo num neutrino embasar num fotão, mas se calhar dá vagalume, só preocupações!)

  8. Então, enquanto não embasas no fotão, vai pensando se a matéria gerou/gera não matéria ou se a não matéria gerou/gera matéria…só preocupações, é como dizes.

  9. estive a reler, mas então o pensamento marxista resolve-se no sentido do fim da contradição, de dois em tensão ou conflito resolve-se em um integrado, eventualmente harmonioso.

    Não sei não, quando estive na India e na Indonésia andei a perguntar sobre o hinduísmo, já que fui parar àquelas danças teatrais cheias de sininhos, e então aquilo são cenas, histórias inconclusivas, da luta entre o bem e o mal, usando esse dipolo, e nunca se resolve definitivamente. Para eles a unidade dialéctica persiste eternamente embora com voltas e revoltas.

    Diria que admitir a evolução da história para a existência de um estado onde já não há luta de classes (e eu gostava, já agora no paraíso com cobra e tudo) é negar a própria essência da dialéctica, deixaria de existir a lei da unidade e luta dos contrários que se resolveria num estado final único e cinzento, no sentido da mistura das cores. Terá o Marx reflectido sobre isto? De como evolveria no seu racionínio a ponto de denegar o método? Claro que estou a extremar para se entender melhor.

    Não te quero encomendar trabalho, só respondes se quiseres, além de que eu não esqueço a pergunta e pode ser daqui a um mês.

  10. § ,

    desculpa lá meter-me na conversa, mas não é por acaso que não vês resoluções de unidade nessas representações orientais: é que para a filosofia de raíz oriental, a realidade, o cosmos, a matéria, a sociedade, a psique, tudo isso está no plano da instabilidade, da dualidade, da contradição, dos contrários, do “sofrimento”. É noutro plano que se realiza a união, não no plano material. Mas lá, está, isto para quem acredite que o Ser não se resume à História.

  11. Bem… prepara-te para um lençol.

    Resolve-se como se resolve também em Hegel, mas com a diferença essencial de que em Hegel a síntese final já foi cumprida (e por ele próprio, Hegel), e em Marx essa síntese é projectada para o futuro, para o tal futuro que não se pode determinar ao pormenor. Para Hegel a síntese final dá-se com a constituição do Estado moderno, que é o culminar da tensão dialéctica entre o senhor e escravo, tensão que se resolve com o reconhecimento de que todos os cidadãos são livres (pois, segundo Hegel, a História dos homens é a luta pelo reconhecimento). Portanto, para Hegel a evolução da consciência e do pensamento é a evolução da consciência da liberdade. Ora, o que Marx nos vem dizer é que esta evolução da consciência da liberdade (ou autoconsciência) é indissociável da evolução das relações sociais e materiais de produção. É isso que significa pôr o Hegel de cabeça para baixo. Mas deixa-me expôr com mais pormenor o que significa tudo isto.
    As teses do Marx não surgem do nada, assim como as do Hegel também não surgem do nada. É preciso ter em consideração o que foi a história da Filosofia, para se perceber como se chegou aos dois. E a história da Filosofia é um discorrer de teorias que procuram conciliar oposições relativas ao mundo, mas principalmente relativas ao Homem (e isto fundamentalmente na Idade Moderna, pois é nesta época que a marca antropológica se torna mais evidente). Já Kant disse que a pergunta fundamental é «O que é o Homem?», pergunta que se desdobra em três outras: «O que posso saber?», «O que devo fazer?», e «O que posso esperar?».
    Descartes é, legitimamente, chamado o pai da modernidade, pois colocou o sujeito e o Homem no centro da reflexão filosófica. Ao procurar responder à questão «O que posso saber?» fez do cogito humano o fundamento do conhecimento. Mas com isso também criou um dualismo: o dualismo entre a res cogitans e a res extensa. Este dualismo só fica resolvido com Kant que faz a sintese entre o racionalismo cartesiano e o empirismo humeano, limitando o nosso conhecimento ao mundo dos fenómenos. Mas com isso cria uma nova oposição: a oposição entre o sujeito do conhecimento e o sujeito ético, entre a razão teórica e a razão prática, entre o mundo dos fenómenos e o mundo das coisas em si (que é o mundo do dever ser e onde se dá por isso a liberdade, a liberdade que se opôe ao determinismo das leis naturais). Esta nova oposição vai ser resolvida por Hegel que, como eu já disse, sustentou que a História dos homens é a História da evolução da consciência da liberdade. Hegel critica o Kant por opôr o mundo do ser e o do dever ser, acusando-o de conceber os homens como seres desligados da natureza, desligados da sociedade, e de conceber por isso uma ética abstracta e demasiado formal, sem conteúdo. A visão histórica de Hegel permite superar este dualismo kantiano, fazendo assim a sintese final entre o pensamento teórico e o prático, que tem a sua expressão e materialização no Estado moderno saído da Revolução Francesa. A consciência do homem é una, e a História dos homens é a história desse progressivo autoconhecimento.
    Ora, isto é uma visão idealista da História, pois coloca o pensamento, o Espírito na linguagem hegeliana, como o motor dessa mesma História, porque em última instância o Espírito de que aqui se fala é o próprio Deus, um deus que encarna na História e que se revela nela. À pergunta «O que é o Homem?», Hegel responderá, assim, que é o ser através do qual Deus, o pensamento ou espírito absoluto, se manifesta e através do qual se conhece a si mesmo. Enfim, Deus e o Homem são o mesmo, porque o Homem (o Homem histórico) é a objectivação ou materialização de Deus mesmo. E sendo assim os chamados hegelianos de esquerda vão tirar as consequências devidas.
    Feuerbach é quem começa a inverter o Hegel e a despi-lo da sua linguagem teológica, dizendo que não é o Homem que é uma objectivação de Deus, mas o contrário: Deus é uma projecção da essência do Homem, Deus é a objectivação do que os homens pensam sobre si mesmos, e por isso é a alienação da consciência de si mesmos. Segue-se Marx que, dando continuidade ao dito por Feuerbach, vai no entanto criticá-lo dizendo que ele tem uma visão demasiado abstracta do Homem, uma visão genérica, que se esquece que os homens são o conjunto das suas relações sociais. Feuerbach já tinha avançado com a ideia de os homens são seres relacionais (todo o eu é um tu), mas segundo Marx esqueceu-se que tal relação dá-se num meio e contextos sociais. E portanto os homens só são vistos de uma forma integral quando situados no seu contexto histórico e social. Desta forma, Marx consuma a viragem materialista do pensamento hegeliano: o Homem antes de ser pensamento ou consciência (ou animal racional, como dizia o Aristóteles) é um ser que reflecte as condições sociais da sua existência. Como mais tarde dirão outros, o homem é o que é, e a sua circunstância. Principalmente a sua circunstância.
    E a circunstância que deu origem ao Homem e que o acompanha desde sempre é a luta pela sobrevivência (bem retratada no filme 2001 Odisseia no Espaço). Como já Hegel tinha dito na sua dialéctica do senhor e do escravo, é o trabalho que vai permitir ao homem humanizar-se, e libertar-se da dependência e servidão. Mas era preciso que esta ideia deixasse de ser concebida idealisticamente como uma fase da evolução da consciência: é isso que Marx faz e por isso podemos dizer que os homens são o resultado do seu trabalho. E é aqui que surjem as novas «complicações», porque a alienação do trabalho está na base de todas as outras alienações (da alienação religiosa, politica e ideológica). E portanto, o homem só é de facto homem quando deixar de existir alienação económica, quando aquilo que os homens são (o seu trabalho) não lhe for retirado. Por outras palavras, o homem só é homem quando a sua concepção teórica de si mesmo estiver reconciliada com o seu agir e vida prática. Hegel pretendia ter resolvido essa questão mas não resolveu devido ao seu idealismo que subordina a existência material ao espírito. Mas se o Homem é o seu trabalho então é evidente que a sua existêncial material é que produz a consciência e o pensamento.
    Enfim, a questão que tens de pôr é: o que significa falar duma sintese final, em Marx? Significa falar do Homem que, enquanto ser relacional, ser social, ser que se faz a si mesmo, não vive uma oposição entre a teoria e a prática, entre a concepção que tem de si mesmo e o seu agir e vida concreta. Enquanto os homens não forem integralmente aquilo que fazem, o seu trabalho, não se pode dizer que são integralmente humanos, porque são também outra coisa qualquer: um mero animal como no esclavagismo, ou uma mercadoria como no capitalismo. A síntese final marxista é, portanto, o homem concreto, o homem não desligado da existência material como fazia o idealismo, e é uma síntese projectada no futuro, na medida em que actualmente ainda se verifica uma oposição entre o pensamento teórico e a existência prática.

  12. que beleza de lição, tenho que ler duas ou três vezes, e depois digo algo!

    No entrementes, claro, aterrou ali uma dialéctica na cozinha, quando estava tudo arrumadinho, e tenho de lá voltar…

  13. Edie, fazer as pessoas rir será talvez a minha missão mais nobre, mas não calculo ao detalhe, deixo-me ir.

    Quanto à dialéctica lá na cozinha resolvi assim: tratei de metade da entropia e deixei a outra metade de molho – agora tem lá uma lição a correr, e com isto da entropia não se pode dar abébias, sobretudo em sistemas abertos! No hemisfério sul, então nem se fala.

    Ds: é mesmo uma beleza de lição, bom professor, o cuidado na escrita e na explicação falam por si. Mas ainda tenho de ler outra vez. No entretanto, estou a escrever algo sobre o Sebastião e o sebastianismo e o eterno retorno, que tenho de mandar 6ª feira, mas sabe-me bem conversar contigo. Há aí um vínculo determinante: o trabalho, algo que está perto da redenção pelo trabalho, que é o lema dos protestantes de feição luterana pelo menos, já que os calvinistas tinham aquilo da predestinação.

    O sentido da vida como consciência crescente da existência faz sentido, aliás era essa a tentativa de conversa que tive com a Edie há um milénio, mas ela rematou-me que o sentido da vida é descobrir o sentido da vida, o que também está bem visto, e deu de frosques, só que isto com o eterno retorno, como não podia deixar de ser, cá estamos.

    Prometo que no próximo vou tentar ser mais sério.

  14. pois, de facto parece muito bem arrumado. Só me faz lembrar uma canção do caetano dos anos setenta: só se pode filosofar em alemão.

    Mas repara que a dissociação matéria/espírito com outros termos já virá desde sempre, então Socrates não dizia que a morte era a libertação da alma? averia assim algo imaterial que escapava do invólucro corpo, e que ele arrumava na reminiscência ou anamnese.

    A distinção res cogitans/res extensa de Descartes é elegante, mas também Aristoteles já fazia a distinção entre substância, que tinha extensão e qualidades, e outras.

    A síntese final do homem reencontrado no seu trabalho e na sua circunstância é uma síntese feliz, que pode servir de guia, neste momento de extinção sucessiva de postos de trabalho.

    Aparentemente quem manda no mundo, na superfície das coisas, é quem detém o poder de fazer emissões electrónicas de dinheiro. Esse mundo misterioso é incrível porque parece que o mais das vezes são algoritmos emprenhados uns nos outros que fazem acontecer as transferências, ordens de compra e de venda, etc. Acho espantoso que o sapiens possa ser vítima de uma máquina virtual do domínio da res cogitans, creio, que acaba a morder na res extensa, na vida real das pessoas. Na tragédia grega o termo catástrofe aplicava-se quando os acontecimentos se voltavam sobre o seu autor, segundo li. Podemos invocar o termo anástrofe mas não tem o significado inverso do outro, tem que se dar a volta.

  15. § ,

    de certa forma, é o eterno retorno, ou o efeito karmico (consequências da tua existência e da forma como a fabricas)…o Homem investiu na matéria (ter) em vez de na essência (ser), pois agora leva com o efeito material aumentado, ou seja com a perda do ser.

  16. A dissociação entre matéria e espírito já vem de longe, mas o que é preciso notar é que o espírito sempre teve a primazia sobre a matéria. O princípio de tudo residiria no espírito, no pensamento, ou em Deus por outras palavras. A matéria seria o domínio do imperfeito, aparente ou corruptivel, e o espírito o dominio da perfeição, do real ou do eterno.
    Aristóteles com a sua teoria do hilemorfismo foge um bocado a esse esquema, pois procura conciliar os dois dominios, mas também nele o princípio de tudo (ou melhor, o fim de tudo) é o Acto Puro, o Motor imóvel, a Forma desprovida de Matéria. Não é por acaso que Tomás de Aquino vai adaptar as ideias aristotélicas ao cristianismo.
    Apesar de se opôr ao idealismo platónico não se pode dizer que é um materialista. É mais um naturalista e empirista coisa que se reflecte na sua definição do homem como «animal racional», sendo que o essencial nesta definição é a forma. De acordo com esta definição o que nos distinguiria dos animais em geral seria o facto de sermos dotados de razão, de uma razão natural, por assim dizer. Uma definição que está bastante longe da ideia de que os homens são primeiramente seres práticos e em relação com a vida prática, e por isso mesmo para ele o fim supremo do homens (a felicidade) consiste na vida contemplativa. A sua visão é uma visão própria de aristocratas, de senhores, que vivem sem conhecer o que é o trabalho, e nessa medida nunca poderia chegar à ideia de que os homens são o seu trabalho.
    Mais, o idealismo «disfarçado» de Aristóteles reconhece-se na sua própria visão do mundo: se para Platão havia dois mundos e para Aristóteles apenas um, este «apenas» um está dividido em sublunar e supralunar, sendo que o segundo é o mais perfeito, estável. E daí que não seja um acaso, nem um paradoxo, Aristóteles ter defendido a teoria geocêntrica, porque o mundo terrestre está no centro por ser mais imperfeito (por ser mais «material», por assim dizer) e sujeito à corrupção e mudança. È que mesmo nesse tempo houve quem defendesse o heliocêntrismo, como foi o caso de Aristarco.
    Quanto à ideia de que só se pode filosofar em alemão, pois isso foi o que disse o Heidegger…

  17. olá, ora vejamos então,

    Edie: pois, já estou a ver que é por isso que estou magrinho. Noutros tempos também usei muito esse conceito de karma, que basicamente é apenas causa->efeito, o que transposto para o principio da causalidade científica quer dizer que não efeito sem causa, daí a partir dos efeitos poder-se inferir, ou deduzir, ou abduzir, uma hipótese explanatória.

    Acontece que o conceito vem dos hindús e depois é muito trabalhado pelos budistas, e tudo bem tem a sua relevância, mas traduz-se no enunciado de que tudo está bem como está, porque resulta necessariamente de causas passadas. Não existe acaso, o que até concordo em termos ontológicos (mas não metodológicos). Cai um avião cheio de pessoas e é karma colectivo, uma miúda é abusada sexualmente e assim tinha de ser pelo que ela fez nesta vida ou noutras anteriores, etc. Acho não só cruel como creio que erradica o lugar da Justiça, se tudo é consequência necessária do que ocorreu antes por que invocar injustiças? Não há injustiças, tal é uma ilusão do jundo que não conhece o karma.

    Como contestarás este enunciado? Tomara que contestes porque há algo aqui que não me satisfaz.

    No entanto reconheço, claro, que muito do que nos acontece é fruto da nossa atitude, da nossa acção e existência, para o bem e para o mal. Noutros tempos elogiava-se a coragem e o destemor de tantos que tombaram mundo afora pela defesa da liberdade de todos nós, foram torturados, mortos, sei lá, pela lógica do karma tiveram o que era justo…

    Ds: tens isso bem esgalhado e arrumado, já pus isto para guardar no meu email o que é bem raro fazer, não tenho neurónios para muita internet.

    Enfim e ainda temos Heraclito: nunca navegarás duas vezes no mesmo rio porque novas águas correrão sob ti,

    Portanto o homem é o seu trabalho e a sua circunstância, essa é uma redução aplicável ao mundo que temos aí, concordo.

    Agora uma coisa prática: eu não vejo tv excepto quando passo de raspão frente a um televisor ligado, e quanto às notícias ando aí salta-pocinhas na internet às vezes, porque outras vezes não tenho internet ou estou fora disso e portanto ando sempre um pouco indeterminado, mas tem aqui uma coisa que eu gostava de esclarecer e vocês bem podem estar melhor informados, ou atentos, do que eu,

    do que percebi dos últimos gestos do Papandreu a Grécia entrou mesmo em calote, só que os credores para branquear o calote perdoaram metade da dívida, e assim por um efeito de manipulação de linguagem, evitaram o contágio do síntoma do primeiro calote. Será que foi mesmo assim? ou seja eu não percebi se a Grécia ficou mesmo com metade da dívida anulada ou se foi uma intenção para ser vista no futuro.

    É que se foi mesmo assim foi uma bela jogada do Papandreu a favor do povo que o elegeu, num virote limpou metade da dívida e safou-se. Ora como eu continuo a achar que isto está engatado no Euro2004 agora somos nós. Será que conseguimos melhor?

    Já que estamos nos talibãs ninguém leva a mal :)

  18. §

    “mas traduz-se no enunciado de que tudo está bem como está, porque resulta necessariamente de causas passadas.”

    Não necessariamente: o presente é o momento em que se encontram duas eternidades – o passado e o futuro. Essa linearidade temporal e histórica não faz parte do enunciado. A forma como vives o presente, como ages nele é a forma como actualizas o passado e te inscreves no futuro. Não tem nada de fatalista, é proactivo.

    Quanto às crenças adapatadas de várias religiões que mais ou menos deturparam este conceito original para sustentar este ou aquele modelo social, é a tal coisa. Nem os hindus, nem os budistas, escapam.

  19. Ahem,

    Desculpem interromper esta bela conversa. A filosofia devia definir-se, na minha modesta opinião, como uma atitude de desconfiança radical em relação a simplificações. Tais como sejam :

    – a ideia de que, para os antigos, a matéria e o espirito estariam em relação de oposição, da mesma forma que a res cogitans e a res extensa em Descartes. Para duas das quatro grandes escolas, o espirito é, ele também, matéria (pneuma). Mesmo em Platão, por muito que o idealismo moderno deva ao seu pensamento, duvido que essa afirmação fizesse algum sentido.

    – quanto ao Heidegger, penso que ele seria o primeiro a engasgar-se com a sugestão que so se possa filosofar em alemão ! Se ele acreditasse nisso, porque raio teria passado anos a estudar Aristoteles em grego ?!

    Boas

  20. :))))))))))

    Por mim todos são bem-vindos, além de que tenho um fraquinho pelo Dodo, que foram os holandeses e não os portugas que dizimaram, ao contrário do que se diz.

    No entanto é preciso ter calma.

    bem metida, Edie, os monty,

    «Não necessariamente: o presente é o momento em que se encontram duas eternidades – o passado e o futuro. Essa linearidade temporal e histórica não faz parte do enunciado. A forma como vives o presente, como ages nele é a forma como actualizas o passado e te inscreves no futuro. Não tem nada de fatalista, é proactivo.»

    “o presente é o momento em que se encontram duas eternidades – o passado e o futuro” esta é do Eliade, também já citei algures. Só que como eu vejo isso é através de um corte de Dedekind na recta real na tal dimensão linear que a seguir dizes não estar no enunciado, não entendo.

    «A forma como vives o presente, como ages nele é a forma como actualizas o passado e te inscreves no futuro. Não tem nada de fatalista, é proactivo.», sim, mas vem de trás, tem o código genético e a cultura, e o percurso, a balizar, é proactivo e fatalista ao mesmo tempo, cá para mim.

    Além disso para os que invocam o karma ainda tem as vidas anteriores.

    Vocês, gajas, dizem umas coisas bonitas que impressionam e têm sumo, mas é a modos que oráculos…

    E já mandei o artigo, trá-lá-lá, e agora é poção mágica, etc.

  21. Pois tens toda a razão, são «simplificações».
    Em «rigor» Heidegger disse que só era possivel filosofar em alemão… e em grego.
    Quanto à oposição entre matéria e espirito, em «rigor» não há uma separação como há em Descartes, mas o que estava, e está, em questão é qual dos dois tem a primazia sobre o outro, qual dos dois é o princípio, a arche. E como eu disse, sempre foi o espírito, pois mesmo os pré-socráticos quando falam em ar, água ou átomos não estão a falar do ar, da água ou dos átomos como hoje os concebemos, mas sim numa perspectiva pós-mitológica mas ainda influencida pela mitologia.

  22. Como eu vejo, § , aquilo que criamos e em que vivemos e a que chamamos correntemente vida, realidade ou cosmos tem princípio e fim, na medida em que os percepcionamos com os instrumentos que fazem parte dessa realidade cósmica (que comporta o que chamamos de caos), percepcionamos em termos de passado, presente, futuro, história. Mas se acreditarmos que os “instrumentos” que permitem entender o essencial não são esses e que o essencial é intemporal, não tem princípio nem fim, lá se vai a linearidade toda para o galheiro. Palavra de oráculo.

  23. Ora que beleza!

    mas Ds, imagina que nenhum em última análise tem prevalência, coexistem os dois em unidade dialéctica, talvez a enunciação de um tenha prevalência em certas épocas históricas e a de outro noutras, e globalmente permaneça indeterminado, ou seja não conseguimos resolver dois em um a não ser como reunião dialéctica, a roda da vida,

    pois Edie, a roda da vida. Mas localmente é linearizável, daí que apareça tanto, depende do horizonte.

    Imagina que ainda tenho ali 1/10 da entropia de molho, pato no forno é fudido pá!

  24. (entretanto nunca li O labirinto da saudade, do Eduardo Lourenço, lá fico com outra para ler, só trabalhações circunstanciais é o que é! Parabéns ao homem, um amigo meu tinha-o homenageado num congresso de jardins, e segue, bonita idade)

  25. agora vou passear, então vou lembrar esse de tucupi… Entretanto Ds lembrei-me de algo: para que possamos entender as coisas e verbalizá-las, comunicá-las, parece que temos de lhes atribuir e reconhecer sentido, dentro da linguagem por exemplo, e dos códigos que a informam. Ora dizer que algo tem sentido é dizer que tende a algo (Fontanille&Zilberberg), que implica antes do mais uma direcção, uma recta, e sobre ela ainda há dois sentidos possíveis. Isto para ddizer que localmente faz sentido que entendamos que a dominação ora é dum, ora doutro, ou seja que existe dominação, no entanto globalmente pode se equiparar…

    Enfim estas discussões são intemporais elas próprias, não nos precisamos de preocupar…

    Eu ainda estou a sair dum esquentamento mental lá do artigo, agora vou é voar para arrefecer a chola. Ah, claro, ainda tem ali uma roupinha a lavar, Maria&Manel tou mas é fudido com esta – o Tirica que é o gato que dorme comigo é que é esperto.

  26. Sim, caro ds, fui um bocado bruto, mas o que queria dizer é que

    1. Quanto ao Heidegger, não é apenas alemão e grego, é também latim, francês (de Descartes), Italiano, etc. Posso entender que não se va à bola com o homem, ou que se embirre com o estilo, eu proprio não sou grande fã, mas não exageremos…

    2. Quanto à oposição espirito/matéria, penso que ela tem sentido para nos porque vivemos numa era cartesiana que, de facto, implica a ânsia de ver a natureza material dominada pelo espirito (tradição continuada pelo idealismo alemão como explicaste acima muito bem). Essa forma de ver as coisas é estranha aos antigos. Nos é que ja não conseguimos percebê-lo, porque somos cartesianos. Nem sequer conseguimos entender que, para os antigos, as doutrinas filosoficas eram consideradas como simples material de EXERCICIO. Não eram para ser levadas mais a sério do que isso. Encontraras em Platão (e não so) a ideia de que o espirito deve orientar, elevar, e mesmo dirigir, mas não a ideia que ele é por essência avesso à matéria ou que esta em relação a ela numa posição de oposição radical.

    Boas

  27. hum? Cá também choveu ontem e anteontem mas é sempre deliciosa a brisa que afaga e é o poiso indicado para sede do movimento internacional de libertação dos dedos dos pés, cá para mim. Artelhos forever. Mas por causa das saudades tenho que meter um concurso aí para ficar lá e cá, e acoli.

  28. § dá-lhe…
    então vêm os da troika dizer que, por exemplo, o BPI não precisa de injecção de dinheiro porque está saudavelmente provido de reservas para enfrentar os créditos mal parados, e logo a seguir, para chatear, a s&p diz logo: ai é? então toma lá: bpi é lixo. (Isto é só um exemplo).

    Portanto, só para dizer, põe-me estes merdas no lixo, vê lá se descobres como. Merda!

  29. então Edie mas há tanto tempo que eu chamava a atenção para isso, isto é uma guerra entre o dólar e o euro, para simplificar, e o Said Dib falou disso já em 2002 ou 2003, 2003 garantido.

    Eu vinha aqui era trazer isto, acho bonito, ainda tenho isso para pesquisar:

    os dois grandes sistemas antigos, epicurismo e estóicismo, baseavam-se em modelos diferentes: os epicuristas elaboraram um modelo que era a declinação do átomo, privilegiando os nomes e os adjetivos, enquanto os estóicos referiam a conjugação dos acontecimentos tomando lugar nos verbos e na sua conjugação, em função dos laços entre acontecimentos incorporais (Giles Deleuze)

  30. Pois isso que dizes, §, lembra um bocado o que disse o Heidegger. Segundo o Heidegger toda a metafísica ocidental se caracteriza pelo esquecimento do ser, na medida em que o entificou. A história da filosofia ocidental seria assim a história das diferentes determinações que se deram ao ser, que o ser foi tendo. Mas, como ele diz, do ser nem se pode dizer que é, mas apenas que se dá. Nem é espírito, nem matéria, é nada.
    O que dizes àcerca da linguagem também remete para o Heidegger, pois, querendo ele superar a visão da metafisica assente na distinção entre sujeito e objecto e da metafisica da presença, vai servir-se duma linguagem não representacionista (e que, por isso, para muitos é obscura). O ser revela-se na linguagem, e por isso ele diz que a «linguagem é a casa do ser», defendendo que a linguagem que mais nos aproxima do ser é a poesia (mas nem toda a poesia, só a que ele considera boa poesia).
    Agora, costuma-se falar de um Heidegger I e de um Hedegger II: se o primeiro considerava que se acedia ao ser através do homem (pois é este quem pergunta pelo ser), o segundo tem uma visão mais mistica e diz que é o ser que se dá a «conhecer» ao homem, e por isso para muitos a ontologia heideggeriana acaba por ser uma teologia disfarçada (ainda que ele diga que o ser não é deus).

  31. João Viegas, não exageremos o quê? Agora não percebi. Heidegger disse mesmo que a só se podia filosofar em alemão e em grego. Se tu, eu, ou outros, consideram que se pode filosofar noutras línguas isso não invalida o que ele disse.
    E nem sei porque é que não vais à bola com ele, pois tendo em conta aquilo que dizes sobre os antigos (pré-socráticos) e sobre o «nosso» cartesianismo era de esperar que encontrasses em Heidegger um dos filósofos mais próximo da tua maneira de ver as coisas.

  32. Isto espicaça a curiosidade, de facto. Assim intuitivamente, parece que se poderiam juntar as perspectivas, em vez de se excluirem. Mas faz lá a pesquisa e depois diz-me de conclusões.

    Pois não andam uns senhores a dizer que há umas coisinhas que podem ser ponto e onda, estar e ir ao mesmo tempo? Só trabalhos…

    P.S. Se é guerra entre dolar e euro, eu diria que o euro está feito yen, a praticar hara kiri.

  33. §,
    prendinha…
    http://www.youtube.com/watch?v=6ApZJC5L5IA

    Brainwashed in our childhood
    Brainwashed by the school
    Brainwashed by our teachers
    And brainwashed by all their rules
    Brainwashed by our leaders
    By our Kings and Queens
    Brainwashed in the open
    And brainwashed behind the scenes

    God God God
    A voice cries in the wilderness
    God God God
    It was on the longest night
    God God God
    An eternity of darkness
    God God God
    Someone turned out the spiritual light

    Brainwashed by the Nikkei
    Brainwashed by Dow Jones
    Brainwashed by the FTSE
    Nasdaq and secure loans
    Brainwashed us from Brussels
    Brainwashed us in Bonn
    Brainwashed us in Washington
    Westminster in London

    God God God
    You are the wisdom that we seek
    God God God
    The lover that we miss
    God God God
    Your nature is eternity
    God God God
    Your are Existence, Knowledge, Bliss

    The soul does not love, it is love itself
    It does not exist, it is existence itself
    It does not know, it is knowledge itself
    How to Know God, pag 130

    They brainwashed my great uncle
    Brainwashed my cousin Bob
    They even got my grandma
    When she was working for the mob
    Brainwash you while you’re sleeping
    While in your traffic jam
    Brainwash you while you’re weeping
    While still a baby in your pram
    Brainwashed by the military
    Brainwashed under duress
    Brainwashed by the media
    You’re brainwashed by the press
    Brainwashed by computer
    Brainwashed by mobile phones
    Brainwashed by the satellite
    Brainwashed to the bone

    God God God
    Won’t you lead us through this mess
    God God God
    From the places of concrete
    God God God
    Nothing’s worse than ignorance
    God God God
    I just won’t accept defeat

    God God God
    Must be something I forgot
    God God God
    Down on Bullshit Avenue
    God God God
    If we can only stop the rot
    God God God
    Wish that you’d brainwash us too

    Namah Parvarti Pataye Hare Hare Mahadev
    Namah Parvarti Pataye Hare Hare
    Namah Parvarti Pataye Hare Hare

    Shiva Shiva Shankara Mahadeva
    Hare Hare Hare Hare Mahadeva
    Shiva Shiva Shankara Mahadeva
    Shiva Shiva Shankara Mahadeva

    Namah Parvarti Pataye Hare Hare
    Namah Parvarti Pataye Hare Hare
    Shiva Shiva Shankara Mahadeva
    Shiva Shiva Shankara Mahadeva

  34. (o que pôs o video diz que “the meaning of life is problem solving”, mas eu não estou totalmente de acordo—isso remete para o racionalismo básico. A poesis também explica…aquilo que tu chamas linguagem de oráculo.

    Mas reparei que lá no manual de Como Amar a Deus tem isto:
    The soul does not love, it is love itself
    It does not exist, it is existence itself
    It does not know, it is knowledge itself

    o que exclui claramente a questão dos verbos e suas conjugações

    epicuristas-1; estóicos-0?

  35. hi, logo vi que isto ia dar trabalhamentos circunstanciosos, mas eu prometo que tentarei decifrar alguma coisa do oráculo,
    mas olha que hoje tem samba ali na praça, e eu devo lá por um pé senão ainda ficam tristes.

    Sim, na matemática vê-se bem numa coisa que são parametrizações, correndo dá uma bela metamorfose, mas realmente já lá estava tudo escrito em simultâneo anteriormente, há uma forma pura estática de que o movimento é expressão, correndo a animação, a forma pura no seu estatismo, o programa escrito naquela linguagem, contém a animação, que é um seu desdobramento.

  36. sabes que é uma vergonha, ainda hoje não li Epicuro e falo nisto há tantos anos, porque me dizem que ele usa muito a metáfora do jardim, ora eu gosto tanto de praças e jardins.

  37. “há uma forma pura estática de que o movimento é expressão, correndo a animação, a forma pura no seu estatismo, o programa escrito naquela linguagem, contém a animação, que é um seu desdobramento.”

    Prontíssimo. Era mesmo isto que eu tenho estado a tentar dizer, mas não estava dando com o jeito. Samba nisso :)

    Eu agora ando com mais apetites de ler o Jung . foi por causa do filme do Cronenberg, que me deixou muito frustrada…

  38. ui, eu vi uns Cronenbergs há anos que me deixaram a descobrir que entre enjoado e enojado só havia uma troca de letrinhas, talvez possa ser interessante numa perspectiva da cultura do frio, mas eu estou longe, isto por aqui é samba e capitães da areia também.

  39. eu depois posso por uma parametrização aqui que eu programei e portanto posso falar do que escrevi lá, ou seja do que mandei fazer, só que neanderthal do costume agora esqueci o canal youtube, amanhã lembro talvez. Fi

  40. Poça, às tantas é das saudades. Ds, tinha a dizer o seguinte, não consigo comentar de jeito mas acho de uma boa elevação, e escreveste muito elegante e compacto:

    “Segundo o Heidegger toda a metafísica ocidental se caracteriza pelo esquecimento do ser, na medida em que o entificou. A história da filosofia ocidental seria assim a história das diferentes determinações que se deram ao ser, que o ser foi tendo. Mas, como ele diz, do ser nem se pode dizer que é, mas apenas que se dá. Nem é espírito, nem matéria, é nada.”

    Vais ver que é ‘nada’ porque vai a nadar, porque isto agora, além de não se saber se vai ali um fotão a cavalo num neutrino, anda por cima anda tudo ligado, para já trocas duas letrinhas e de nada passa a anda. E depois porque eu vi lá um celacanto no museu de Maputo que tinha umas patas a saírem das guelras e então fiquei a saber que analogamente os nossos braços vêm dos pulmões, que é coisa que nunca tinha imaginado, imagina que estou aqui a teclar com as barbatanas portanto.

    Ora, chegados aqui, há que tomar conta e com os tubarões das vizinhanças…

    hasta

  41. Já deixei aqui dois comentos, os links na lista de Intervenções cirúrgicas assim o indicam, mas aqui não consta nada. è problema aí da servideira ou será local?? Estraá relacionado com o facto de não estar a guardar o meu nome e mail – tenho de reintroduzir de cada vez que comento… Onde está o gajo da manutenção??

  42. Deve ser para termos moderação, será que ainda leva hífen? Agora já pus o email certo, se calhar fui eu que baratinei tudo com um email inexistente,

    bem, mas eu agora vou ao duche e vou passear só que queria ir passear descansado. Já viste o S.-K. compara o euro a uma jangada em risco de estoirar no meio do rio, e o primeiro calote expresso se calhar é da Inglaterra. Assim não me esqueço que tenho ali o livro para consultar.

  43. Pois é, tem que se fazer de novo, mas está bem.

    Ds: nunca li O ser e o nada, creio que é do Sartre, li A idade da razão…

    Pois acho isto bonito: “Mas, como ele diz, do ser nem se pode dizer que é, mas apenas que se dá. Nem é espírito, nem matéria, é nada.”

    O nada ao menos é um descanso, no entanto não sei se concordo, também pode ser um sopro que já é alguma coisa, seja zephyro a brisa do oeste que deu nome ao zero.

    hasta

  44. Isto, sem provas nem para um lado, nem para o outro, fica sempre um pouco de (des)crença, mas também de curiosidade.

    A mim custa-me tanto acreditar que o ser é nada, como acreditar que o ser é o seu trabalho.

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