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Em todas as tragédias da aviação comercial os jornalistas contam histórias daqueles que tinham previsto voar no avião fatídico, alguns já com bilhete comprado, e que, por isto ou por aquilo, quase sempre uma futilidade qualquer, não chegaram a embarcar.
A nossa resposta é invariavelmente a mesma. Sentimos a alegria de quem escapou à morte certa, ficamos aliviados com a descoberta dos ressuscitados. A roleta que os salvou sobrepõe-se ao silêncio devido aos mortos e dança à nossa frente provocadora, pedindo para lhe chamarmos providência.
Não sei. Espero nunca vir a saber. Mas imagino que essas notícias aumentam a dor de quem perdeu os seus. Não por uma qualquer inveja nascida no desespero apontada à sorte desses que escaparam, antes pela exibição implacável, irremissível, do absurdo que nos trouxe e nos leva.
Prisão preventiva por defeito
Um dos maiores insultos que se pode fazer à estrutura neuronal dos indígenas é dizer que a “Operação Marquês” não configura um processo também político. Só António Costa, por razões institucionais, ou Ana Gomes, por razões disfuncionais, é que conseguem largar essas bacoradas na via pública sem corarem. Eis os modos em que a detenção e prisão de Sócrates se constitui como um inevitável e escabrosamente complexo caso político:
– Sócrates foi secretário-geral do PS.
– Sócrates foi primeiro-ministro.
– Sócrates é arguido por suspeitas de corrupção, e crimes vários, que remontam ao seu exercício como primeiro-ministro.
– É a primeira vez que um ex-primeiro-ministro é constituído arguido sob tais suspeitas (ou outras).
– A prisão de Sócrates coincide com a subida à liderança do PS de Costa.
– A prisão de Sócrates, inevitavelmente o processo da investigação, poderá estender-se por todo o ciclo eleitoral próximo, tendo o caso potencial para atingir ciclos eleitorais seguintes calhando chegar a tribunal.
– O julgamento moral no espaço público da eventual culpabilidade de Sócrates contamina o debate político acerca das suas decisões governativas e do modo como Portugal foi obrigado a pedir um resgate de emergência, contribuindo para apagar/ilibar o papel da oposição ao tempo, especialmente da direita e do seu subsequente logro eleitoralista e fanatismo além-Troika.
– As violações do segredo de justiça, as campanhas de assassinato de carácter e o alarme público à volta deste caso condicionam a relação da opinião pública com o PS e poderão levar a um aumento da abstenção.
– A qualquer momento, mais figuras ligadas à governação socialista poderão ser inquiridas e serem constituídas arguidas; eventualmente alguma, ou algumas, com actuais responsabilidades políticas no PS.
– Todos os partidos, à excepção do PS, irão, de alguma forma, usar a situação judicial de Sócrates como arma de arremesso eleitoral.
– Existem irregularidades no processo da detenção e prisão de Sócrates, assim como permanece um factual desconhecimento dos actos de corrupção que estejam em causa.
– A notoriedade deste caso, chegando ao conhecimento de toda a comunidade e prolongando-se com esse realce num tempo longo, é uma ocasião de grande visibilidade para os mecanismos e agentes da Justiça, daí decorrendo que seja igualmente uma ocasião de especial oportunidade para corrigir eventuais erros ou imperfeições nas instituições e organismos envolvidos.
– A Justiça recebe a sua autoridade e independência do Soberano; logo, tudo o que é da Justiça é, antes e depois, da política.
Por esta juliana, mais o resto que cada um poderá acrescentar, o melhor para o PS seria antecipar-se à fatal imprevisibilidade da investigação em curso e falar da forma mais descomplexada – e republicana – possível sobre o que se vai sabendo. Não é essa a escolha de Costa, infelizmente, mas já foi a de Paulo Pedroso e a de Rui Pereira. Deste último temos um excelente contributo em entrevista a Vítor Gonçalves. O ex-ministro da Administração Interna dos dois Governos de Sócrates apresentou-se sem o mínimo sinal de perturbação ou descontrolo emocional, mantendo uma imaculada pose de estadista, tendo sido pedagógico e acutilante. Exemplo paradigmático de como se pode, e deve, participar na cidade perante um caso tão difícil, em especial para quem serviu em Executivos agora sob uma generalizada suspeita de corrupção.
Rui Pereira chama a atenção para um aspecto que ainda não tinha visto ser tratado por alguém, nem sequer pela defesa de Sócrates. Ele realça que a prisão preventiva tem de ser justificada não só com as ameaças invocadas pelo Ministério Público mas também com as medidas de menor restrição da liberdade do arguido. E daí a pergunta que deixa: mandar Sócrates para prisão domiciliária, sem poder contactar terceiros, não seria suficiente para garantir ao MP a recolha de provas e de testemunhos? Se não era, porquê? Obviamente, creio que nunca saberemos a resposta, pois não é crível que exista.
Resulta desta coragem política, e da lhaneza cívica associada, que Rui Pereira tem o seu capital de autoridade moral intacto, mal-grado as circunstâncias tão adversas em que intervém. E isto apesar de lhe ter saído, lá para o final da entrevista, uns sons parecidos com “Sou comentador na CMTV”. Não fui confirmar por não ser preciso. Tratou-se apenas de uma alucinação auditiva da minha parte, ofuscado pelo brilhantismo da sua prestação.
Exactissimamente
Herberto
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
─ Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Marcelo pede celeridade a Rosário Teixeira
by Sítio com vista sobre a cidade
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Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que «no PSD, há muito boa gente que pensa que vai haver outros arguidos membros do Governo de José Sócrates». «E se um antigo ministro, um ex-secretário de Estado são constituídos arguidos, então o PSD passa a ter aqui um palco de campanha política. Isto já não é o homem é a governação…», acrescentou.
Mas se acontecer de serem constituídos novos arguidos dentro do elenco governativo de José Sócrates, o timing em que isso acontecer pode condicionar em muito o desenrolar da campanha eleitoral para as legislativas: «Se for até ao verão, isso é muito mau para o PS. Se for depois do verão, já ninguém tirará da cabeça dos portugueses que houve uma gestão política do processo».
Talvez um dia
A campanha eleitoral do PSD e CDS vai ser uma réplica radicalizada da campanha que fizeram para as europeias. Vão voltar a usar o Memorando para atacarem o PS e apresentarem-se como salvadores da Pátria, passada que está há muito a fase em que reclamavam ser os seus inspiradores e influenciadores e querer ir muito para além desse tímido projecto de refundação nacional. As verdadeiras razões da baixa de juros serão ocultadas e substituídas pela mitomania do sucesso das “reformas”, o eufemismo laranja para “empobrecimento dos mandriões e estroinas que achavam que tinham direito a viverem remediados e com módica segurança”. Os números do desemprego serão exibidos triunfalmente como se não existisse um flagelo social, as consequências da crise embrulhadas no “o pior já passou, vem aí a fartura” com o laçarote “e a culpa do que doeu e fez vítimas foi dos socialistas”. O espantalho do regresso dos socráticos será agitado directa e indirectamente, usando-se a prisão de Sócrates para tentar contaminar Costa. Será um recurso explorado tão mais raivosamente quão piores estiverem as sondagens. Passos Coelho já o fez num contexto onde nem sequer tal seria previsível, muito menos benéfico para a sua imagem, pelo que a mesma pulsão entre os seus tenentes e arraia-miúda será algo completamente incontrolável.
O que leva a que a direita se permita uma campanha que é a Parte II do logro que foi a campanha de 2011, se esquecermos o seu estado decadente, tem uma singular causa: a esquerda não irá tocar no tema das razões objectivas do pedido de resgate. PCP e BE porque são cúmplices directos, e o PS porque começou por subscrever a versão da direita, com Seguro, e porque agora não se quer meter nisso, com Costa. Os cofres estão cheios de dinheiro e de uma postura que trata o eleitorado como um conjunto de borregos dispostos a paparem qualquer coisa que se lhes diga, inclusive que o Sol até mete frio.
Façamos um exercício mental. Imaginemos que PCP e BE, juntos ou separadamente, tinham ganhado as eleições de 5 de Junho de 2011. Provavelmente, aceitariam finalmente governar. E que fariam? Como é que estes dois partidos tratariam dos problemas que à época condicionavam a política nacional e europeia? Ambos tinham prometido recusar a Troika e o pagamento da dívida, pelo que algo nunca visto desde 1975 voltaria a atravessar o nosso jardim atlântico. Passariam imediatamente para a nacionalização da banca e das grandes empresas? O escudo voltaria de surpresa durante um fim-de-semana? Faríamos um pacto económico e militar com a China, Cuba e Albânia? Ou iriam imitar o que o Syriza (não) tem feito até à data? Com Jerónimo e Louçã, ou só um deles, tais mariquices não teriam lugar, pelo que algo apenas ao alcance da esquerda realmente pura e verdadeira iria mesmo acontecer. E com que consequências económicas e sociais? E no final desses 4 anos de revolução, com as convulsões gigantes inerentes e a pressão internacional, voltariam a ganhar as eleições?
A nossa experiência mental serve para validar e ilustrar os resultados das eleições em 2011. Os eleitores recusaram confiar ao PCP e/ou ao BE a resolução de uma crise aberta também por causa do seu voto no Parlamento. O que nos leva para o seguinte corolário: as propostas comunistas e bloquistas não faziam parte da solução, antes foram parte do problema que atingiu o País e que o levou para o resgate de emergência. Chegados a esta evidência, é fácil reconhecer que as propostas do PSD e do CDS eram análogas às do PCP e BE, pois o que a direita prometeu ao eleitorado foi uma solução que igualmente não era exequível. Dado que nenhum partido em Portugal iria ser capaz de fugir aos constrangimentos europeus à época, a única alternativa era entre um programa europeu executado por quem pretendesse defender os portugueses ou esse mesmo programa piorado e executado por quem estivesse disposto a sacrificar os portugueses para ser poder.
Talvez um dia apareça algum político, ou força política, que faça desta história uma lição.
Revolution through evolution
Some things hugs can’t fix: Parental warmth does not remove anxiety that follows punishment
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Direct Engagement with Constituents a Plus for Political Leaders
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Laughter is an effective catalyst for new relationships
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Trust increases with age; benefits well-being
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Mental health misdiagnosis twice more likely for socially disadvantaged groups
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‘Distracted driving’ at an all-time high; new approaches needed, experts say
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Buyer’s remorse: Model shows people demand all that bad news
Septimana horribilis
João Araújo teve uma semana desgraçada, tanto para a defesa do seu cliente Sócrates como para a sua imagem de advogado competente e digno. Por um lado, viu dois tribunais, e seus colectivos de juízes, concordarem com Rosário Teixeira e Carlos Alexandre quanto ao essencial do processo. Por outro lado, a forma como se apresentou aparentemente descontrolado e indubitavelmente violento nas declarações aos jornalistas leva a acreditar no teor da sua primeira chalaça ao chegar ao Campus de Justiça, tinha Sócrates sido detido na noite anterior, quando se descreveu como “advogado estagiário”.
No ataque à jornalista do CM, acreditando piamente que possa ter sido um acto involuntário, saiu-lhe um insulto que é um clássico da misoginia. Conseguiu fazer da Tânia Laranjo (um nome que é um destino) uma vítima a merecer a solidariedade de toda a classe jornalística, a qual foi igualmente atacada com a mesma fúria, e ainda conseguiu despertar um sentimento de asco na grande maioria, talvez totalidade, das mulheres que tomaram conhecimento da cena. Que ganhou com esse número? Nada de nadinha de nada, é só prejuízo, para si e para Sócrates.
Todavia, o mais grave no seu comportamento irracional estava guardado para Évora nesse mesmo dia. Foi à saída do Estabelecimento Prisional que se lembrou de disparar contra Costa Andrade. De facto, havia por onde pegar no plano de argumentação jurídica, mas o nosso Araújo resolveu – e aqui aparentemente de cabeça fria – espalhar suspeições difamatórias, sugerindo que existiria alguma coisa errada relativamente a supostas viagens de avião do Professor de Coimbra. Ora, havendo ou deixando de haver, ao recorrer à pulhice obriga a que tudo e mais alguma coisa que tenha dito e feito até agora seja reavaliado a outra luz. Pela simples razão de ser inadmissível atentar contra o bom nome de terceiros, para mais enquanto advogado e, por cúmulo, andando a denunciar aqueles que fazem o mesmo contra um cliente seu. De resto, que se pretendia atingir com esse assunto? É incompreensível. O episódio fica especialmente absurdo dado ser provável que Sócrates nunca tenha lançado qualquer suspeição nem difamação enquanto teve responsabilidades políticas ou depois. Seguramente, nenhuma deste calibre chunga da referência às viagens. Donde, esta cagada faz parte de alguma estratégia ou será a prova de não haver estratégia alguma?
Finalmente, Araújo e Delille anunciaram em modo de farronca que vão tentar derrotar a Justiça portuguesa por atacado, procurando impugnar as decisões do Supremo e da Relação, embora sem revelarem onde nem como. Com isso, terão levado a plateia para onde falam a ficar quase vazia, pois a percepção no espaço público da culpabilidade de Sócrates nunca esteve tão alta; e aumenta a cada novo dado que a acusação lança sobre as trocas e baldrocas de dinheiros entre Santos Silva e Sócrates.
Foi uma semana de perdas sucessivas, e perdas graves, para a causa da inocência de Sócrates. Contudo, não serei um daqueles que irá desistir de estar na plateia a dar atenção à sua defesa. Continuo a pensar exactamente o mesmo que pensava a 24 de Novembro de 2014 e dias, semanas e meses seguintes. E o mesmo que pensei em todos os casos, desde 2005, em que Sócrates foi alvo de campanhas negras, investigações e ódio colectivo. O que penso é simples, e é belo: o Estado de direito, mais do que nos proteger uns dos outros, serve para nos proteger de nós próprios.
Moedas no lixo
Segundo Carlos Moedas, que é um dos principais conselheiros do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, os mercados "olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia", porque "há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português".
No seu entender, "assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, e fará tudo o que for necessário para que se cumpram essas metas, até porque foi o PSD que sempre anda atrás do Governo para cortar, essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal".
"Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o 'rating', não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses - ainda não se sabe quando haverá um novo Governo", acrescentou.
Standard & Poor's mantém "rating" de Portugal no "lixo"
Bravo
Perguntas simples
Relação e ralação
A decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, ao manter a prisão preventiva de Sócrates, é um doloroso golpe contra a sua estratégia de defesa. Por um lado, descredibiliza as afirmações feitas até hoje por João Araújo acerca da inevitabilidade da libertação à luz da correcta interpretação da Lei. Por outro lado, reforça a postura e imagem de Rosário Teixeira e Carlos Alexandre ao vir reconhecer a existência de “fortes indícios” de prática criminal. Obviamente, a presunção de inocência mantém-se no plano da legalidade, mas agora só um punhado de bravos estará com disposição para a manter no plano da convicção. Amanhã poderá adensar-se este resultado caso o recurso de Santos Silva seja igualmente indeferido pela Relação. Só na eventualidade de diferentes juízes considerarem de forma radicalmente diferente os mesmos indícios é que se poderia dar uma volta-face na percepção pública.
Este é o cenário actualizado, e ele leva-nos para uma sequente reflexão acerca da prisão preventiva e do que Sócrates foi expressando mediaticamente após o seu início. Para além de se declarar inocente com veemência, as visitas de amigos e camaradas foram valorizadas pelo próprio como manifestações de solidariedade com esse estatuto. Particularmente significativo foi o seu diálogo, privado e também publicitado, com Mário Soares. O ex-Presidente da República, ex-secretário-geral do PS e uma das mais importantes, se não for a mais importante, figura da consolidação da democracia em Portugal, batalhou com todas as forças que lhe restam pela libertação incondicional de Sócrates dado acreditar absolutamente na sua inocência. Mais: por acreditar que está a ser vítima de uma golpada política. Ora, no caso de os indícios virem a dar lugar a provas, e as provas a uma acusação, esta parte do período relativo à prisão preventiva de Sócrates seria um acrescento de supina ignomínia àquele que por si só já ficaria como um abalo histórico de consequências imprevisíveis na relação dos portugueses com a classe política e com o PS. A gravidade cultural, no sentido em que afecta a identidade da comunidade, deste caso não tem paralelo na memória viva.
Colhe ainda reconhecer que mesmo numa situação em que Sócrates não fosse acusado de coisa alguma, mas onde Santos Silva acabasse como culpado de fraude fiscal, tal continuaria a atingir com um impacto perto do máximo a sua reputação. Porque teria beneficiado de um crime, ainda que alegasse desconhecimento. Donde, a presente situação de Sócrates só poderá levar a um resultado positivo para o seu futuro – seja qual for a dimensão; política, cívica ou profissional – caso saia ilibado no plano judicial e moral. Irá isso acontecer? Impossível prever, embora a acusação esteja a ganhar em toda a linha, até se permitindo cometer irregularidades processuais e alimentar um clima de assassinato de carácter e julgamento popular sistemático sem que alguém na República pareça ter poder para o impedir.
É com grande alívio que assisto a este caso. Porque um ciclo de descoberta de quem somos se irá cumprir com o seu desfecho. Se Sócrates estiver inocente, decorre que muitos dos que detêm poderes fácticos em Portugal não passam de canalhas. O interesse desta descoberta não estará na banalidade da abstracção, mas por os ficarmos a conhecer melhor e muito melhor. Se Sócrates for culpado, decorre que aos canalhas anteriores teremos de juntar mais uns quantos. Com sorte, apenas uns poucos.
Acerca do esgoto a céu aberto
João Araújo insultou uma jornalista, quiçá uma matilha/bando/grupo (riscar o que não se aplicar) de jornalistas. Insultou-a, justifica a própria, referindo-se a uma experiência que só a subjectividade do autor da frase na berlinda pode validar. Considerou que a senhora cheirava mal naquela precisa ocasião em que fez a declaração (presume-se, ou será o âmbito literal da afirmação, posto que se trata de uma sensação, a percepção de um odor).
Outra possibilidade será a de a leitura conotativa ser aquela intencionada. Nesse caso, estaremos no domínio da metáfora, onde o “mau cheiro” quererá expressar uma qualquer forma de censura (provavelmente, moral, mas também poderá ser deontológica, cívica, profissional, política e até filosófica, entre ilimitadas opções).
Consta que a jornalista e o seu jornal não deixarão escapar esta oportunidade para reclamarem que se faça justiça. Umas dezenas de manchetes já estão garantidas só à pala do sensível nariz do dr. Araújo. Por mim, desejo ardentemente que todas as eventuais reparações por direito merecidas se façam à jornalista e à sua entidade patronal.
Por que razão terá o nosso estimado causídico (de quem sou fã) dado uma imagem de si que quase ninguém aprovará? Basta o senso comum para concluir que sai prejudicado do episódio, igualmente estendendo o prejuízo para a imagem de quem defende no processo em causa. Será que é mal-educado? Será que vinha frustrado por antecipar que o habeas corpus iria ser recusado? Será que anda num estado de intensa e prolongada ansiedade? Será que é diabético, daí estar sujeito a ficar exaltado com mais facilidade e frequência? Outra causa qualquer ou a mistura de várias? Não faço ideia.
Só de uma coisa tenho a certeza: o Correio da Manhã cheira mal, quem trabalha para o Correio da Manhã cheira mal e quem colabora ou colaborou com o Correio da Manhã fica com a roupa toda empestada de um fedor que leva muito tempo a passar (nos casos em que passa).
Cidadão castrado, não!
Mais um legítimo candidato presidencial:
«É preciso mudar uma justiça que está hoje ao serviço da contra-revolução»
Revolution through evolution
Assessing feedback interactions in a creative setting
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New moms more satisfied after giving birth in a public hospital
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Age-related discrimination can add to healthcare woes
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Have a Sense of Purpose in Life? It May Protect Your Heart
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Move over Mozart: Study shows cats prefer their own beat
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Developers neglect privacy, security in health apps
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Political liberals display greater happiness, study shows
Escavacados

Nuvem de palavras do Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República, 9 de Março de 2011
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Há, no mínimo, três factos absolutamente extraordinários, mesmo extravagantes para algum eventual investigador de História ou Ciência Política interessado pela coisa ou pelo coiso, no discurso que Cavaco decidiu fazer na Assembleia da República como inauguração do seu segundo mandato em Belém:
– Não se encontra qualquer referência à crise das dívidas soberanas europeias; a qual estava no seu auge, afectava decisivamente a situação nacional e decorria directamente da crise internacional de 2008, da política de investimento público assumida pela União Europeia em 2009 como resposta à ameaça de depressão e da ausência de mecanismos europeus de ajuda aos países em dificuldades por causa do aumento do desemprego, da quebra de receitas fiscais e do crescimento das despesas sociais. Aliás, nem sequer o termo “Europa” se encontra nas mais de quatro mil palavras do texto.
– Não se encontra qualquer referência às Forças Armadas, nenhuma de nenhuma. O Comandante Supremo ignorou tanto os militares em funções em território português como aqueles que desempenhavam variadas missões em diferentes palcos de conflito fora do País, aí arriscando a sua vida para representarem Portugal e defenderem a liberdade. Há algo de admirável neste feito, pois supõe-se que o discurso tenha sido lido por alguns conselheiros do Presidente, dentro e fora da Casa Civil, e, pelos vistos, ninguém reparou ou se incomodou com esta ofensa à História e estatuto das Forças Armadas Portuguesas, já para não falar do seu papel na fundação do regime democrático e do sentido republicano (obrigação patriótica?) de enaltecer esse legado na solenidade da tomada de posse.
– Encontra-se um apelo à revolta popular na rua, liderada pelos jovens, contra a classe política apresentada como corrupta, caduca e a única responsável pela crise social. Este apelo é feito a dias de uma manifestação organizada por um grupo de jovens e a qual congregava o apoio de todas as forças opositoras. Cavaco incendeia os ânimos anunciando que o tempo dos sacrifícios tinha chegado ao fim e que bastava mudar de governantes para que os problemas se resolvessem de imediato.
Antes destas omissões e agitprop, Cavaco soube que o Governo socialista tinha estado durante o mês de Fevereiro a negociar com todos os parceiros europeus uma alternativa aos desfechos dos casos grego e irlandês. Cavaco sabia que esse acordo tinha sido alcançado e sabia que sem ele só havia um cenário: o resgate de emergência, o mal maior para o povo. Os urros, uivos e grunhidos com que as bancadas do PSD e CDS reagiram ao comício no Parlamento anunciavam o que se iria passar: era a hora de ir ao pote! Em coerência com um plano desenhado ainda em 2009, ao dar posse a um Governo minoritário destinado a ser queimado até à sua reeleição, Cavaco tratou de criar uma crise institucional assim que Teixeira dos Santos anunciou o acordo que evitava o resgate, alegando não ter sido informado previamente, e depois não fez qualquer tentativa para salvar Portugal da Troika, assistindo impávido e feliz ao boicote do interesse nacional que se consumou duas semanas depois da tomada de posse com o chumbo do PEC 4.
Estas recordações por causa dos “Roteiros IX”, onde Cavaco se apresenta como um especialista em questões europeias (tem livros publicados e tudo, lembra à populaça) e onde louva a sua pessoa no trato das questões relativas às Forças Armadas. Vale bem a pena ficarmos a meditar nas suas sábias palavras:
"É por tudo isto que, nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os dossiês relevantes para o País."
Perguntas simples
Revolution through evolution
Fewer Women Run Big Companies Than Men Named John
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New research aims to refine increasingly popular plastic surgery procedures: Buttock augmentation and vaginal rejuvenation surgery
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Creative genius driven by distraction
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Mediterranean diet cuts heart disease risk by nearly half
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Poverty, not the ‘teenage brain,’ accounts for high rates of teen crime
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Teachers become healthier when they learn
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Peanut consumption associated with decreased total mortality and mortality from cardiovascular diseases
Deixa vir a ti os jornalistas, Costa
A cena de Costa com a jornalista da SIC não pode passar sem reparo. Ela relaciona-se com duas dimensões sob permanente escrutínio num líder político: o controlo emocional e a coragem guerreira. Quanto à primeira, o que ali vemos é um completo disparate. Já seria um erro de imagem estar a fugir crispadamente perante a câmara, mas a decisão de tirar desforço com a jornalista é uma estupidez inexplicável. Para quem ia alegando que não queria falar por falta de tempo ou por não aceitar o modo como foi interpelado, acabou a oferecer um episódio mediático onde a única mensagem transmitida foi a da sua fragilidade emocional naquela situação. Quanto à segunda, há mérito e benefícios estratégicos em tratar qualquer questão que envolva eventuais falhas legais ou morais de Passos Coelho com o máximo rigor institucional, deixando para os tenentes no Parlamento, preferencialmente, a primeira linha do confronto político. Isso fará sentido, tanto como demarcação da cultura caluniosa da actual direita, tanto como afirmação da cultura republicana e democrática do PS – na qual a defesa do Estado de direito deve ter um papel sacrosssanto. Todavia, essa manifestação de força guerreira, onde se resiste ao impulso da baixa política gritado pela turbamulta, acabou boicotado numa ocasião em que podia ter sido realçado.
Costa já tem referido que é preciso acabar com a agressividade reles no trato entre adversários, escusando-se a fazer uma campanha de casos e de bacoradas para o taxista aplaudir. Nada de mais louvável, para a cidade, e nada de mais inteligente, para o PS, pois também por essa postura o eleitorado irá avaliar os agentes políticos em 2015. Compare-se com a actividade diária do PSD e CDS, cuja concepção do jogo político não ultrapassa a dimensão da chicana. A forma com diabolizaram Sócrates e os seus Governos, para além de os atacarem para os marcar como bode expiatório da própria crise que provocaram ao afundarem o País e assim esconderem o logro eleitoralista de 2011 e suas promessas de “fim dos sacrifícios”, ou a forma como agora se tratou as banais afirmações de Costa aos chineses, numa bebedeira de gozo já próxima da demência, não são epifenómenos inócuos, castiços, adereços no espectáculo. Antes, revelam uma natureza política que depende da menorização intelectual e cívica da sociedade. Não é um acaso que a tabloidização da comunicação social portuguesa esteja ao serviço de uma agenda de direita. A razão é simples: esta direita chafurda na cultura da calúnia e da bronquite asnática e obtém ganhos directos e indirectos dessa indústria.
O PS irá apresentar as suas propostas quando as tiver, sendo que já anunciou que as vai referendar para chegar a um programa final. Essa poderá ser uma boa ideia. Até lá, Costa passará por muitas ocasiões para mostrar o seu carisma de chefe e para gerir sabiamente os silêncios. Diz-se que Colin Powell tinha uma frase espúria atribuída a Tucídides visível na sua mesa no Pentágono, a qual rezava assim (numa tradução aqui do pilas): “De todas as manifestações de poder, a que mais impressiona as gentes é o autodomínio”. A parte gaga com a jornalista não o revelou. As palavras acutilantes que exibem Passos e Cavaco no mesmo barco, sim. É escolher.