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A miséria moral como epidemia

A presença de Teresa Leal Coelho na Prova dos 9 de 5 de Março merece ser vista por quem se interessar pelo que pode ser legitimamente descrito como epidemia de miséria moral. O seu papel no programa era o de passar por uma pessoa, com responsabilidades políticas relevantes, totalmente destituída de honestidade intelectual. E se assim o planeou, brilhantemente o conseguiu representar. A coroa de glória foi-lhe entregue (aos 35m44s) quando declarou que não tinha tomado conhecimento nem da carta de Sócrates (!!) nem da respectiva manchete do Diário de Notícias (!!!!). É genial. A genialidade consiste nisto de se oferecer em imolação na hecatombe da política como fantochada circense, aversão à inteligência e celebração da cobardia, sabendo que não haverá consequências, que o poderá repetir até que o Inferne gele.

O actual PSD é deste nível para baixo. O casal Passos&Relvas não foi um acaso, antes a síntese apuradíssima de uma organização que não conseguirá voltar à decência sem um corte radical com a redução da política à luta do poder pelo poder.

Isto de enfrentar os interesses sai bué da caro

Ricardo Costa - Passos - Sócrates

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Olhem quem fala, outra vez

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A carta de Sócrates onde acusa Passos Coelho de miséria moral é chocante. Como é que este tipo, preso preventivamente sob suspeita de um crime que, a ser provado, abrirá um novo capítulo na História de Portugal, se atreve a defender a sua honra? Como é que o alvo das maiores, mais prolongadas e mais ferozes campanhas negras neste país, desde que há democracia, tem a lata de vir descrever a realidade como ela é, dimensão onde existe um Passos Coelho que faz da pulhice uma táctica política? Como é que um ser humano que se pretende afastar, humilhar e destruir por medo do seu poder político consegue ainda ter o desplante de reclamar o seu estatuto de cidadão? Chocante.

Essas ondas de choque estão manifestas nas reacções de dois sofisticados guardas pretorianos da actual direita. Ricardo Costa, que se imagina mais inteligente do que todos os políticos juntos, mas que nunca fará política por ainda ter uma réstia de lucidez, deu os parabéns a Passos. Parece que ele já sabia como é que Sócrates iria responder, pelo que engendrou este resultado, garante o mano jornaleiro. É a visão de um cínico inveterado, o qual tem um entendimento da política ao nível da Feira da Malveira. Mas cumpre o seu papel de spin doctor com zelo, Balsemão deve estar satisfeito. David Dinis vai por outro caminho, culpa a vítima. E é delicioso o grau de hipocrisia atingido quando alega que Passos nem sequer estava a pensar em Sócrates quando fez as declarações que toda a gente, a começar por quem o aplaudiu aos urros, entendeu como se pretendia fossem entendidas. Um craque perante audiências cuja idade mental não ultrapasse os 12 anos (e vá lá, vá lá…).

A direita para quem Ricardo e David falam não se importa nada com a sonsice de Cavaco e Coelho, tal como estava encantada com a sonsice de Seguro. A sonsice é uma característica intrínseca à cultura da oligarquia, fazendo parte dos códigos ancestrais da vida palaciana. A calúnia nasce como necessidade de comunicação num ambiente onde toda a frontalidade será castigada. O rei vai nu, o bispo de ceroulas e o general usa sutiã. Falai baixinho e para o lado, aprendem no berço. Em contraste com esta celebração da cobardia, Sócrates é bem capaz de nunca ter sido apanhado em público a proferir uma calúnia, sequer uma difamação ou suspeição. Aliás, o ódio que sobre ele despejam figuras estruturantes do poder português, como Cavaco, Belmiro e Soares dos Santos, justifica-se cristalinamente se recorrermos ao argumento de Marco António Costa utilizado para proteger o tal primeiro-ministro que pertence à raça dos homens que garantem com voz de barítono pagar todos os impostos: “Nos últimos anos o primeiro-ministro enfrentou muitos interesses, isto paga-se caro.“.

Olá se paga.

A década encardida

Em 2004, pessoas ligadas ao CDS, PSD, Judiciária e imprensa juntaram-se secretamente para lançar o caso “Freeport” em cima das eleições de 2005. Em 2009, agentes da Justiça operaram ilicitamente para espiar um primeiro-ministro em funções, tendo procurado levá-lo a tribunal com uma acusação infundada nos meses que antecederam as eleições. Também nesse ano, mas tendo começado a seguir ao Verão de 2008, o caso “Freeport” regressou em modo à outrance. Ainda nesse ano, a semanas das eleições, pessoas ligadas à Presidência da República e à imprensa conspiraram para lançar uma escabrosa campanha de calúnias e difamação que permanece como o maior escândalo de sempre a envolver a Casa Civil e o estatuto de Presidente da República. No final de 2014, coincidindo com o lançamento institucional e solene da nova liderança no PS, agentes da Justiça, em conluio com órgãos de comunicação social, organizaram um acontecimento que condiciona gravemente, e imprevisivelmente, a acção política do PS num ano duplamente eleitoral. Estas vão ser as quartas legislativas seguidas, pois em 2011 continuou a fazer-se render os casos anteriores, onde a direita aposta tudo na judicialização da política – como ontem o primeiro-ministro demonstrou no seu melhor estilo.

Entretanto, a “Operação Marquês” permite envolver um número indefinido de actuais e antigos quadros partidários socialistas, chegando para o efeito que tenham desempenhado funções governativas entre 2005 e 2011. Esse envolvimento ficará efectivo mesmo sem que algum deles seja constituído arguido, basta que se seja chamado a prestar declarações adentro do caso para a indústria da calúnia estar servida de material fresco. Mas não só. Correm mais dois processos na Justiça que poderão, a qualquer momento, aparecer como armas caluniosas e atingir quem se quiser abater: a investigação sobre as PPP e a investigação sobre os gastos com cartões de crédito dos membros dos Governos socialistas. À luz do padrão nos casos “Freeport”, “Face Oculta” e “Operação Marquês”, o que tiver utilidade caluniosa e golpista irá ser fonte de manchetes e será utilizado por esta direita. Figuras como Passos Coelho, Miguel Relvas, Aguiar-Branco, Luís Montenegro e Marco António Costa, para dar exemplos ao correr do teclado, ufanam-se de serem exímios nesta decadência a que chamam “fazer política”.

A tese de que “a impunidade acabou” consiste, literalmente, em declarar que Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, entre outros responsáveis superiores na Justiça, protegeram Sócrates e demais bandidos nos casos em que havia indícios suficientes para os acusarem de crimes variados. Temos uma ministra da Justiça que o diz de boca cheia para a posteridade, e uma mole de comentadores e jornalistas que enchem o espaço público com o mesmo veneno. A nova procuradora-geral da República, imune à corrupção socialista, aí está a provar que era possível prender Sócrates. Bastava ter vontade para tal, tantas as pontas por onde pegar; assim corre a narrativa do fim da impunidade. O que este discurso revela, para além da cultura do ódio a que se reduziu a direita desde 2008, é uma predisposição simétrica à das calúnias para cometer violações ao Estado de direito sancionadas pela lógica do “eles fazem pior”. Há muitos estudos, há muitos anos, do foro psicológico e cognitivo sobre os mecanismos em acção nesta frequente hipocrisia que acomete tão mais frequentemente quanto os visados se projectam como pertencendo a uma “raça de homens que paga impostos” e que os restantes (homens, quiçá igualmente mulheres e crianças), para os poderem imitar na exemplaridade moral, teriam que arranjar maneira de nascer duas vezes.

A decadência da direita, todavia, não se explica sem a decadência da esquerda. Os esquerdistas puros e verdadeiros que assistem às chamas que varrem a cidade, felizes da vida ao imaginarem os lindos mamarrachos que lá irão construir quando chegar a sua vez – e ela vai chegar, está escrito – sorriem, uns, aplaudem, outros, e juntam-se à destruição, os restantes. A imbecilidade não perde uma oportunidade para mostrar que aguenta bem sem estar no poder, não aguentaria era o desmame da alucinação.

O PS não irá responder a esta pulhice?

Desferidos os ataques a Costa, Sócrates voltou implicitamente à intervenção do primeiro-ministro - para diferenciar aquela que diz ser a sua postura enquanto governante. "Nunca o cidadão Pedro Passos Coelho usou o cargo que tinha para disfarçar, esconder ou evitar qualquer tratamento exatamente igual ao que qualquer outro cidadão teria. Nem para enriquecer, prestar favores ou viver fora das suas possibilidades."

Com a operação Marquês ainda fresca, Passos insistiu: "Quando sair do lugar de primeiro-ministro, aconteça isso quando os portugueses entenderem, voltarei à minha vida normal, que não alterei e a viver com as minhas posses, que são as mesmas - para não dizer que são muito menores que aquelas que tinha."

Muito aplaudido pelos deputados sociais-democratas - o pagamento tardio à Segurança Social causou um indisfarçável mal-estar entre os parlamentares que estiveram no Porto -, Passos sentenciou um dos discursos mais incendiados desde que é primeiro-ministro com a ideia de que nunca tomou qualquer decisão com outro desígnio que não o "interesse nacional", renovando a tese de que nunca fez favores, protegeu grupos de maior ou menor dimensão ou pressionou jornalistas.

Passos contra-ataca: “Não somos todos iguais, não usei o meu cargo para enriquecer”

Escolher a boa parte

Os últimos quatro dias terão provocado grave dano na presunção de inocência de Sócrates aos olhos da opinião pública que vê televisão. Começou na sexta-feira, no Telejornal na RTP, com esta peça: Ex-mulher de Sócrates reagiu a todas as suspeitas que a associam à Operação Marquês. A reportagem está construída com o propósito de enfatizar as suspeições e deixar um resultado difamatório inequívoco. Acresce que José Rodrigues dos Santos a promoveu e introduziu esforçando-se por reforçar, com o tom de voz e a expressão facial, o seu estatuto de “denúncia chocante”. O que se viu não é muito diferente do que passa na CMTV.

Nesta segunda-feira, foi a vez de a TVI atacar com Empresas de Santos Silva ganham 115 milhões. Mais uma vez, a narrativa intenta realçar as suspeições e deixa um resultado difamatório inequívoco. Empresas que ganham concursos, ainda para mais em projectos estatais, está visto que só graças à corrupção, é a lógica da peça.

No sábado, foi a vez de Clara Ferreira Alves, no Eixo do Mal, revelar a sua conversão à verdade do Correio da Manhã e de qualquer ranhoso que se preze. Segundo disse, percebeu que “Sócrates tinha uma relação com o dinheiro, no mínimo, leviana“. Porquê? Porque pedia dinheiro emprestado, em especial aos amigos. Então, continuou, assim se explica a pré-bancarrota de 2011 e devemos estar agradecidos por terem apeado o sujeito pois ele continuaria a pedir dinheiro emprestado caso lá continuasse. O interesse do episódio não está na espectacular tonteira do raciocínio mas no que ele assinala como demarcação moral por parte da sua autora.

É provável que mais de 90% das audiências destes momentos televisivos tenha reagido sem qualquer espírito crítico e tenha aderido ao sentido proposto pelos mensageiros. Todavia, seja na história do apartamento de Sofia Fava e da sua ligação pessoal a Santos Silva, seja na história da actividade empresarial de Santos Silva, não há qualquer prova de actividades ilícitas. A par da linha da suspeição, que foi a opção explorada, é igualmente fácil imaginar um quadro de perfeita correcção para explicar os mesmos factos. Só que a opinião pública não desenvolverá esse esforço, a condenação sem julgamento adensa-se a cada exposição dos laços que unem os protagonistas e do que eles fizeram com os seus rendimentos e património.

Na “Operação Marquês” não haverá empate nem se farão prisioneiros. De um lado, temos uma figura que representa muito mais do que a sua esfera privada, pelo que terá de sair imaculada para estar à altura dessa responsabilidade. Do outro lado, temos uma Justiça que assumiu o risco de provocar um terramoto político em cima de um duplo ciclo eleitoral, legislativas e presidenciais. De acordo com Ricardo Costa – Sócrates, os próximos anos – a vitória será da acusação. Este Costa adora fazer profecias, talvez por não ter grande jeito para a função. Antes da crise governativa, no Verão de 2013, andava a proclamar como quem desafia os deuses que o Governo chegaria ao fim da legislatura. No auge dessa crise, veio dizer que se tinha enganado e que o Governo iria cair, fatalmente. Com Sócrates, pode ou não ter razão, como sempre e como qualquer um. Mas se tiver, e mesmo que o caso se fique por uma acusação de fraude fiscal, tal desfecho será demolidor para o PS e doloroso para a boa parte deste país. A boa parte é aquela que prefere uma inocência falsa a uma falsa acusação, seja quem for o cidadão, pelo que tem resistido sem vacilar à formidável indústria, e ubíqua cultura, da calúnia.

Está-se muito bem entre essa gente. É gente livre e da liberdade.

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[Clara Ferreira Alves também vocaliza “acórdos” em vez de “acôrdos”. Não admira que esteja confusa em relação a outras matérias.]

Revolution through evolution

Teacher prejudices put girls off math, science, study suggests
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‘Walking Football’ phenomenon has great health benefits
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Employees become angry when receiving after-hours email, texts
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Keep calm, anger can trigger a heart attack!
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Introverts prefer mountains
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Ancient and Modern Cities Aren’t So Different

“It was shocking and unbelievable,” says Ortman. “We were raised on a steady diet telling us that, thanks to capitalism, industrialization, and democracy, the modern world is radically different from worlds of the past. What we found here is that the fundamental drivers of robust socioeconomic patterns in modern cities precede all that.”
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Professor Examines Causes of Financial Crises

“Part of what makes good economists is that they can hold two different ideas in their mind at the same time,” Knoop said. “They can worry about deficits while also understanding the advantages of them, and try to balance things. They’re able to weigh all of the different trade-offs.”

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Tempo de acordar

No mundo do marketing português, o que se entende por “redes sociais” nem sequer chega ao Twitter, fica-se pelo Facebook. Tudo o resto, com excepção para acções pontuais com blogues, não merece investimento. Nesse mundo já aconteceram alguns escândalos com marcas que viram centenas, e milhares, de comentários negativos sobre os seus produtos ou serviços aparecerem nas páginas azuladas que o outrora puto esperto inventou. As mesmas aflições ocorreram com o Pedro, no tempo em que ainda era o Pedro, e com Cavaco, coisa que nunca deixou de ser. Destes episódios nasceram duas ilações, uma conhecida e outra que vou revelar em primeira mão:

1ª – O que acontece nas “redes sociais” fica nas “redes sociais”.

2ª – Os escândalos com origem nas “redes sociais” que chegam à comunicação social são oportunidades imperdíveis para quem pretenda superar a crescente fragmentação mediática e atingir a maior audiência possível.

Assim, o mundo dos blogues, do Facebook, do Twitter e das caixas de comentários das edições digitais da imprensa não tem relevância política – isto é, não influencia os resultados eleitorais, apenas serve como um gratuito e gigante grupo focal. Mas um conteúdo pode ganhar força nesse meio para se tornar num acontecimento jornalístico. Nesse caso, ele transforma-se numa bola de neve mediática e oferece-se para ser aproveitado. Se a lógica for promocional – como se fez em Hollywood desde o princípio do século XX, e se repetiu na indústria da música Pop (Madonna, como exemplo supremo), e logo depois na indústria das celebridades (com a genial Paris Hilton a dar o passo final que Madonna apenas simulou) – o escândalo favorece a sua autoria e cria ou reforça uma dada marca. Se a lógica for adversativa – como no campo das actividades comerciais, estatutos institucionais e disputas políticas – o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro. Porque se abre a oportunidade para o alvo do ataque dispor de um protagonismo mediático que, talvez ou muito provavelmente, não conseguiria obter apenas recorrendo aos seus recursos.

O caso das declarações de António Costa é paradigmático destas dinâmicas. O que ele disse perante uma plateia de chineses a 19 de Fevereiro passou então sem merecer atenção porque, de facto, se trata de uma banalidade. Há várias formas de justificar que Portugal esteja diferente para melhor sem com isso estar a entrar em contradição com a evidência: estamos também muito pior. O que criou a notícia foi a sua exploração política em registo de chicana, de imediato amplificada e densificada pelo aparato formidável da máquina mediática da direita portuguesa. Ora, foi aqui que Costa voltou a revelar ter sérios problemas de clarividência estratégica.

O que haveria a fazer era sorrir, feliz da vida, e agradecer aos ranhosos pela extraordinária oportunidade de poder ocupar todos os noticiários e destaques noticiosos. E isso, para mais, num dia em que se lançava a nova versão do Acção Socialista, no qual estava uma entrevista sua à espera de ser promovida. Poderia ter marcado uma conferência de imprensa de urgência, ou poderia ter corrido os espaços de informação de todos os canais televisivos por onde quisesse passar, pois todos tinham interesse em tê-lo em estúdio ou frente a uma das suas câmaras. A ocasião era perfeita para malhar nos fanáticos sem dó nem piedade. Em vez disso, assistimos a desorientação partidária, declarações de Costa sem impacto e ao envio de um SMS cujo argumentário ainda conseguiu fragilizar mais a sua posição. Um desastre em termos de relações públicas e gestão de imagem.

Não sei por experiência própria nem por informações de terceiros, mas parece-me que Costa será um líder que não se preocupa em ter equipas que o ajudem no processo de decisão. Os erros estratégicos não são de agora, foram notáveis em 2013 e durante a campanha contra Seguro. O período que já leva como secretário-geral não mostra melhoras, como se pode avaliar pela ineficácia da retórica parlamentar, pelas sondagens e pelo sentimento de não estar a ser castigador para com aqueles que nos castigaram – e castigam – pelas piores razões. Contudo, vai sempre a tempo de acordar.

A direita espanhola explica

El ministro ha reiterado que la economía española ha dado un giro radical gracias al tirón de la demanda interna y a la inversión, y ha dicho que entre las razones de este crecimiento está la de "no haber pedido el rescate".

En este sentido ha recordado las condiciones que la Troika impuso a países como Portugal, Irlanda, Grecia o Chipre, y ha dicho que además los países que han solicitado el rescate han tenido una mayor caída del PIB que los que no lo han solicitado.

En su opinión, la petición de un rescate "supone una agresión a la autoestima nacional", ha afirmado, al tiempo que ha asegurado que no se trata de un problema de financiación sino de "diseño", ya que "te lo hacen desde fuera".

"En España no sabemos lo que supone un rescate desde el punto de vista de sus implicaciones y precisamente la troika no se caracterizaba por tener un exceso de sensibilidad política. Te tocan las pensiones, la educación, el IVA, la sanidad, prácticamente todos los impuestos", ha dicho, tras insistir en que el país "pierde su autonomía en política económica".

"Eso sin duda no ha ocurrido en España y quien lo dice, de verdad no es consciente de las implicaciones que tiene", ha lamentado en relación a las declaraciones de algunos dirigentes políticos durante el debate del estado de la nación.


Luis de Guindos

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Oferta do nosso amigo Lucas Galuxo

A direita dos bruxos e dos bruxedos

Santana Lopes acabou ainda por meter Paulo Portas ao barulho nesta situação, afirmando sempre não acreditar que esta fiscalização possa ter a ver com uma eventual candidatura presidencial. “Dizem-me também às vezes que no CDS fazem alguma coisa sem o dr. Paulo Portas saber? Não, numa coisa destas custa-me a crer. Mas muitas pessoas dizem-me: ‘Não, ele sabe de tudo’. Mas quer dizer… não acredito. Só se comesse muito queijo. Com o que tem passado pela vida não ia fazer partidas destas a ninguém.”

A inspecção à Santa Casa e as presidenciais: Santana não acredita em bruxas, mas…

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Negar que se quer dizer o que intencionalmente fica dito é um dos mais vulgares sofismas que nos afligem no consumo do quotidiano político. É um golpe baixo, definindo quem o usa como cultor da baixa política. Assim, é muito mais frequente em políticos de direita do que de esquerda, por termos uma direita decadente e a baixa política ser o seu ecossistema favorito. A direita portuguesa ou é brilhante, como Adriano Moreira, ou é isto que vemos na citação: um constante emporcalhamento da cidade, a paixão pelas conspirações, o medo e o ódio como pontos cardeais.

Lula da Silva, na sua visita a Portugal em 2013, deixou um alerta que não perdeu nem perderá actualidade:

Quando a direita tem medo de perder o poder, ela começa a induzir a sociedade a não gostar da política, começa a dizer mal da política. Temos de ter a coragem de dizer à juventude que, em vez de largar a política, deve entrar na política, para que o jovem venha a ser o político com que sonha. É preciso politizar a juventude. Se ninguém presta para você, entre você na politica.

Os populismos na versão PSD e CDS, para quem o PS é um partido de corruptos, ou na versão de Cavaco Silva, para quem só ele é que sabe e se porta bem, e ainda na versão dos comunas, para quem a democracia liberal não passa de mais um ardil do capital, comungam todos desse permanente envenenamento onde a política é apresentada como o palco das maiores canalhices e onde todos mentem por princípio e pulsão.

Eis aqui o presidenciável Santana – que recorreu, ou deixou que alguém recorresse por ele, a uma campanha negra para apresentar o seu maior adversário das legislativas de 2005 como homossexual e que quis, ou deixou que alguém quisesse por ele, lançar o caso Freeport em cima das eleições – a sugerir que há membros do Governo que utilizam recursos do Estado ao serviço de interesses partidários ocultos e com o objectivo de atacar a sua imagem. Alguém se escandalizou com a sugestão? Foda-se, este é o país onde a Procuradora-Geral da República pode dizer ainda pior e, provavelmente, nem uma brisa lhe irá descompor a pose. Este é o país que não quer saber dos direitos dos cidadãos desde que esses cidadãos não sejam dos seus – ou até sendo, para a miséria ser completa. Aliás, teremos mesmo um Parlamento neste país?

Os políticos podem não prestar, alguns, mas aqueles que se recusam a assumir a sua responsabilidade política são ainda piores. E são os políticos que não prestam que mais têm a ganhar quão maior for a apatia e cobardia à sua volta.

Acredite, se ler no PSG

PSG-Sócrates

António Costa falou de mais? O melhor está sempre para vir

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Pedro Santos Guerreiro não quis ficar de fora e veio a correr juntar-se à festa dos direitolas. A função dos jornalistas da imprensa escrita é escrever, não haverá surpresa por aí. Mas coloca-se a questão: o Balsemão sabe que anda a pagar salários de vedeta a vedetas que escrevem sem terem nada para dizer? Talvez seja esse mais um dos berbicachos das edições digitais e desta irresistível tendência para se nivelarem por baixo, a quantidade expulsando a qualidade.

PSG nada tinha para dizer acerca da chicana feita a partir de uma frase ambígua e equívoca do António Costa, compreensivelmente. Pelo que se lembrou de ir buscar Sócrates – “What else?” – a 2005, ano em o PSG não estava no Expresso e talvez nem sonhasse vir a estar. Ou sonhasse, tanto faz. Comecemos por lhe dar os parabéns, apostando estes 10 euros que tenho no bolso em como mais ninguém no Universo inteiro se conseguiria lembrar do episódio. E, de seguida, olhemos para a estupidez que se conseguiu publicar e fazer cobrar. Nesta estupidez, PSG garante que o sentido denotativo reclamado por Sócrates era falso por comparação com o sentido conotativo imposto pelo Expresso e pelo PSG. De que fala esta mente brilhante? Da “verdade”, uma verdade “inconveniente”, e a qual é do nosso conhecimento comum. Nós “hoje sabemos” que o pior estava a caminho. Fim da discussão.

Recapitulemos: em 2005, Sócrates sabia que o pior estava para vir, por algum deslize terá transmitido essa verdade a um jornalista do Expresso, o jornal revelou a verdade ao mundo, Sócrates terá ficado furibundo porque não queria que o mundo conhecesse a verdade e inventou uma tanga das suas, mas 10 anos depois o grande PSG veio repor a verdade da verdade, apelando à comunidade para que reconheça que o Expresso é que tinha razão em matéria de coisas piores que estejam para vir, e que certamente continuará a ter razão até ao fim dos tempos.

De facto, quando se contempla o que aconteceu a Portugal depois de 5 de Junho de 2011, até apetece levar Sócrates a tribunal por não nos ter avisado do que estava para vir… hã? O quê? Ele avisou? Tens a certeza? Certezinha?… hum… Só acredito se ler no Expresso.

Os traidores e a sua dívida pública

Hoje

Portugal emite dívida a 10 anos com taxa de juro mais baixa de sempre

Ontem

Governo viola meta da dívida e falha inversão de tendência

Segundo o Banco de Portugal, que é a entidade responsável pelo apuramento da dívida pública oficial, o rácio ficou em 128,7% do produto interno bruto (PIB) em 2014 em vez dos 127,2% inscritos no OE/2015. Em 2013, o rácio da dívida ficou em 128%. Ou seja, voltou a piorar em vez de ter caído. A inversão de tendência fica assim, adiada por mais um ano.

Significa isto que os contribuintes portugueses devem agora cerca de 224,5 mil milhões de euros aos credores nacionais e estrangeiros, tendo o governo PSD/CDS agravado esse endividamento em 2,6 mil milhões de euros mais do que estava no orçamento aprovado no final do ano passado pela maioria de direita.

O Governo diz que a dívida portuguesa é sustentável, mesmo com as perspetivas de crescimento anémicas que se perfilam para os próximos tempos e para a falta de potencial da economia (subcapacidade, falta de novo investimento).

No tempo em que os animais falavam

PSD quer saber “onde está o dinheiro” que fez aumentar a dívida pública

O PSD "quer saber porque é que o país passou de um endividamento de 80 mil milhões para 160 mil milhões de euros em pouco mais de seis anos", disse hoje, em Coimbra, Marco António Costa.

"Onde está o dinheiro" se "não foram feitas grandes obras públicas", como o TGV ou o aeroporto e "se as estradas foram construídas para serem pagas nos próximos anos", questionou o vice-presidente dos sociais democratas, que falava, ao princípio da noite, em Coimbra numa sessão de apresentação dos candidatos do seu partido às eleições de 05 de junho, por aquele distrito.

Quando o PSD "decidiu pôr um ponto final nas aventuras em que o PS estava a lançar o país, com PEC [Pacto de Estabilidade e Crescimento] sobre PEC, numa atitude completamente irresponsável e insensata" demonstrou ter razão", afirmou aos jornalistas, à margem da sessão, Marcos António Costa.

“Este programa está muito além do memorando da troika”

"Portugal está hoje com a maior dívida pública de que há memória". Passos Coelho referiu ainda que "o país tem um nível de desemprego que ameaça a coesão e a justiça social". Para o líder do PSD, é necessário colocar a economia portuguesa "a crescer".

Passos acusa elementos do Governo de serem “incapazes”

"Nós somos capazes. Nós vamos pôr o Estado a fazer mais austeridade e vamos aliviar os portugueses. O que precisamos é de ser mais competitivos para pôr a economia a crescer. Se não, nunca sairemos desta espécie de maioria de pobreza", disse. "Para pôr a economia a crescer e criar emprego, temos de arrepiar caminho", afirmou.

No reino onde a impunidade acabou

A manchete de hoje do Correio da Manhã dava como certo que Sócrates continuaria em prisão preventiva. Isso significa que desde ontem, quiçá de anteontem, alguém nesse jornal já sabia aquilo que hoje vários outros jornais não conseguiram confirmar durante parte do dia – alguns chegando a noticiar que Carlos Alexandre ainda não tinha tomado uma decisão, finalmente sendo dito que só nesta tarde ela foi tomada.

Quem foi o informador? Foi a defesa? Como é possível que um juiz se preste a este papel, e logo neste caso? Não está mesmo a acontecer nada de profundamente irregular, ilegal e criminoso neste processo? Há quem esteja a receber dinheiro do CM pelas informações? Ou o CM obtém as informações de graça porque se trata de uma operação política e a transferência de informações ocorre entre aliados? Existe alguém à frente do Ministério Público?

Que país de merda é este?

Entre os bons livros e o Correio da Manhã

Na TSF discutiu-se a liderança de António Costa, com o diagnóstico geral de estar a ser de bera para baixo. Embora haja diversos aspectos objectivos no seu exercício da liderança do PS e da oposição para tal resultado, não deixa de ser penoso que, dos 5 opinadores convidados pelo responsável do programa, 4 sejam famigerados anti-socráticos: Paulo Baldaia, Nuno Saraiva, David Dinis e António Costa (jornalista). Salvou-se da opinião única o Pedro Adão e Silva, cuja análise não chegou para impedir que o secretário-geral socialista acabasse sovado. A única constatação positiva foi a de não termos ouvido os funcionários do partido que no tempo de Seguro invadiam a antena para atacar soezmente Costa e Sócrates e elevar Seguro à condição de santo. Quase ninguém ligou para o defender, e os que foram por aí não tiveram eficácia argumentativa.

Adivinho que Costa se esteja a borrifar para este programa e o que nele foi dito. E até se pode dar o caso de estar cheio de razão. Será este episódio apenas a espuma dos dias para quem se sente confiante de chegar ao período eleitoral e recolher o prémio anunciado. Um prémio ditado pela lógica: o PS irá sempre vencer, resta só saber se com ou sem maioria absoluta. O seu percurso mostra um político profissional que tem obtido troféus menores mas suficientes para fazer dele uma das maiores promessas para suceder a Sócrates nos cargos e na influência. A vitória sobre Seguro teve o efeito de redimi-lo da má imagem deixada com o recuo de 2013 e parecia ir-se abrir uma nova fase na política nacional. Só que tal ainda não aconteceu e, nesta altura do campeonato, já ninguém sabe quando começará e ainda menos em que consistirá.

Sem dúvida, é sensato adiar a apresentação de propostas governativas quando tantos e tão decisivos são os factores sujeitos a uma volatilidade caótica no espaço europeu e mundial. É sensato ter equipas de especialistas a trabalhar para blindar um programa que se quer adequado à missão de reconstrução económica e social depois da devastação dos fanáticos. Mas qual é a sensatez de não ter um discurso sobre a forma como esta direita afundou o País só para usufruir do poder e empobrecer os cidadãos por fanatismo e ódio? Qual é a sensatez de se ficar calado perante os escândalos na Justiça e a perseguição que se faz a pessoas ligadas ao PS – portanto, também ao PS – a partir deles? Qual é a sensatez de se ficar indiferente a ver um caricato e desonroso Passos Coelho ganhar debates no Parlamento a um mortiço Ferro Rodrigues? Felizmente, não sou militante nem simpatizante do PS, o que evita ter de me dilacerar nessa inexplicável ausência de sentido.

A política não é um domínio que se esgota nas questões económicas e sociais. Especialmente para um contexto onde essas respostas tenham de ser adiadas, é necessário falar de justiça. Portugal precisa de políticos que tenham a capacidade de se afirmarem nessa dimensão donde depende tudo o resto que define uma comunidade. Falar de justiça não é ser moralista nem populista, precisamente ao contrário: falar de justiça pode implicar exibir a coragem de passar por imoral ou amoral. Pelo menos, é o que se ensina nos melhores livros sobre a matéria. Ou não devemos esperar tal de quem foi um distinto colaborador do Correio da Manhã?

Revolution through evolution

Basic personality changes linked to unemployment, study finds
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