Entre os bons livros e o Correio da Manhã

Na TSF discutiu-se a liderança de António Costa, com o diagnóstico geral de estar a ser de bera para baixo. Embora haja diversos aspectos objectivos no seu exercício da liderança do PS e da oposição para tal resultado, não deixa de ser penoso que, dos 5 opinadores convidados pelo responsável do programa, 4 sejam famigerados anti-socráticos: Paulo Baldaia, Nuno Saraiva, David Dinis e António Costa (jornalista). Salvou-se da opinião única o Pedro Adão e Silva, cuja análise não chegou para impedir que o secretário-geral socialista acabasse sovado. A única constatação positiva foi a de não termos ouvido os funcionários do partido que no tempo de Seguro invadiam a antena para atacar soezmente Costa e Sócrates e elevar Seguro à condição de santo. Quase ninguém ligou para o defender, e os que foram por aí não tiveram eficácia argumentativa.

Adivinho que Costa se esteja a borrifar para este programa e o que nele foi dito. E até se pode dar o caso de estar cheio de razão. Será este episódio apenas a espuma dos dias para quem se sente confiante de chegar ao período eleitoral e recolher o prémio anunciado. Um prémio ditado pela lógica: o PS irá sempre vencer, resta só saber se com ou sem maioria absoluta. O seu percurso mostra um político profissional que tem obtido troféus menores mas suficientes para fazer dele uma das maiores promessas para suceder a Sócrates nos cargos e na influência. A vitória sobre Seguro teve o efeito de redimi-lo da má imagem deixada com o recuo de 2013 e parecia ir-se abrir uma nova fase na política nacional. Só que tal ainda não aconteceu e, nesta altura do campeonato, já ninguém sabe quando começará e ainda menos em que consistirá.

Sem dúvida, é sensato adiar a apresentação de propostas governativas quando tantos e tão decisivos são os factores sujeitos a uma volatilidade caótica no espaço europeu e mundial. É sensato ter equipas de especialistas a trabalhar para blindar um programa que se quer adequado à missão de reconstrução económica e social depois da devastação dos fanáticos. Mas qual é a sensatez de não ter um discurso sobre a forma como esta direita afundou o País só para usufruir do poder e empobrecer os cidadãos por fanatismo e ódio? Qual é a sensatez de se ficar calado perante os escândalos na Justiça e a perseguição que se faz a pessoas ligadas ao PS – portanto, também ao PS – a partir deles? Qual é a sensatez de se ficar indiferente a ver um caricato e desonroso Passos Coelho ganhar debates no Parlamento a um mortiço Ferro Rodrigues? Felizmente, não sou militante nem simpatizante do PS, o que evita ter de me dilacerar nessa inexplicável ausência de sentido.

A política não é um domínio que se esgota nas questões económicas e sociais. Especialmente para um contexto onde essas respostas tenham de ser adiadas, é necessário falar de justiça. Portugal precisa de políticos que tenham a capacidade de se afirmarem nessa dimensão donde depende tudo o resto que define uma comunidade. Falar de justiça não é ser moralista nem populista, precisamente ao contrário: falar de justiça pode implicar exibir a coragem de passar por imoral ou amoral. Pelo menos, é o que se ensina nos melhores livros sobre a matéria. Ou não devemos esperar tal de quem foi um distinto colaborador do Correio da Manhã?

9 thoughts on “Entre os bons livros e o Correio da Manhã

  1. de tanto leres o correio da manhã já escreves como eles, a única coisa que tens para repetir à naúsea é o costa ter sido colaborador. até o charolês do cegueta tem mais imaginação nos grunhidos que debita aqui no caixote. até tou admirado ainda não ter aparecido a tecer encómios ao poste e vivas ao salazar.

  2. Note -se que os escândalos na Justiça e da Justiça, não são matéria recente. P.e. leis que SÃO MUDADAS para acautelar os interesses de POLÍTICOS – caso de Leonor Beleza -, quando estão em causa a segurança das pessoas nos estabelecimentos públicos de saúde.
    O caso de José Sócrates está em curso. Porém, uma coisa é a investigação e a outra é a prova de uma acusação. Ou de uma acusação confirmada em sede de Instrução. Após o julgamento é que se poderá dizer se foi ou não um «escândalo». Até lá é um processo que segue regras, cabendo aos advogados estar atentos. O que se verifica até aqui é que os ditos defensores têm dado pratos valentes de alimento à investigação criminal. Ora isso é que é de estranhar e de lamentar, atentas as medidas de coação em vigor.

  3. Ignatezes, oube, xeirrou mal, de facto, ézes tu. Oube, tenzes de ire respunderre pá ao poste do RFC, deichaste lá a marca, tás a berre? oqueie.
    Pra tie em iscluzibo, VIVÓ SALAZARE, ganda istadista pá. gobernoue a horta cum punho de ferro, pá, e num prazizou dire prá rua lebantarre o braço pá. Nem andou a maatar crabos, pá. tu já bistes a cumbinaçãoe: ispingardas e cravos, cum os cumunas todos istéricus, na rua, a clamarrem liverdade?hum? fogu, é pur iço que gajus cumo tu existem pá, ó hilário? tás abere? pra istragar o país, pá. toma lá, pa´, este encómio, meue, à contrario sensu, ó JÉ BICOS. atae, gustastes de bere o teu cumentário dilitado, hum? oqueie, ganda maluka.

  4. Valupi, ao contrário de ti eu mexi o rabinho para ir votar no Costa nas primária do PS.
    Por isso, em verdade vos digo, que atingi o único objectivo que tinha: Tirar de lá o Seguro.

    Quanto ao Costa, espero muito pouco.
    Como qualquer pessoa que tenha seguido a sua intervenção ao longo dos anos devia esperar…

    miguel

  5. António Costa já devia ter deixado a C.M.Lisboa e concentrar~se no Partido
    e, na oposição ao des-governo, desmascarando a lenga-lenga da maioria no
    atirar culpas eternas ao PS! No meu entender, ainda não encontrou o ritmo
    próprio para a sua actuação … o alvo é o láparo, não o verde maduro!!!

  6. O valupi usa a mesma táctica do lima das cervejas e do maduro tinto; como Costa não lhes liga pívia eles passam a vida a provocar Costa.
    Viram como Costa arrumou Seguro (também para meu gosto e com a minha ajuda de simpatizante) sem nunca lhe responder aos insultos soezes e insinuações de que era o homem da promiscuidade entre a política e os negócios.
    Claro, Costa não precisava dar troco a tão descaradas falsidades pois que a sua vida e trabalho político de anos falava por si sem mais e que, quanto mais Seguro aumentava e gritava as falsas acusações, mais claramente evidentes elas se tornavam iverosímeis e se desmascaravam a si próprias fazendo ricochete no próprio.
    Aliás, parece que os valupistas se esqueceram das acusações certeiras a Seguro, precisamente, por este falar alto e fazer voz grossa no Parlamento encenando uma oposição feroz de voz, gestos e falas quando, nas costas dos melhores PS, apoiava a política do governo e negociava com passos e cavaco.
    O que indigna a malta jornaleira que vive disso e valupistas que vão sempre na corrente é Costa, por seriedade ou estratégia política, em vez de alinhar no jogo usual que a direita gosta e onde tem nos media as vozes do dono para atacar e ampliar o ruído, vincar um estilo oposto deixando que o dono e as vozes do dono fiquem a falar sozinhos.
    Quanto à questão de Costa fazer parecer que abandonou o amigo Sócrates, certamente, também não será mais que uma estratégia acordada entre ambos pois não é crível que não discutam a questão por interpostas pessoas; não será mais o que pode fazer Costa como PM do que armar-se agora em Quixote e não chegar a sê-lo ficando o amigo entregue às feras do mp.
    O que parece tende a criar opiniões fáceis e fortes, especialmente nos apressados, e opiniões assim é o caminho fácil para ajuizar sobre aparências.
    O valupi apercebe-se que Costa “É sensato ter equipas de especialistas a trabalhar para blindar um programa que se quer adequado à missão de reconstrução económica e social depois da devastação dos fanáticos.” mas não tem paciência para esperar ou, por vaidade, quer que Costa lhe reconheça e satisfaça o saber estratégico.
    Ainda acerca da necessidade de blindar as ideias para a reconstrução económica lembro que, aquando da bronca com os vistos gold, Costa levantou a questão do porquê tais vistos só eram aplicados na compra de casas e não noutras aplicações; viram como o pantomineiro e oportunista portas anda agora a propagandear e gabarolar-se da ideia de alargar os vistos gold a diversas áreas!
    Tenham calma, cada coisa tem a sua importância e o seu tempo.

  7. Não consigo perceber como se pode fazer política com algum sucesso num país onde um pequeno grupo controla todos os media, e quando esse grupo está situado, exclusivamente, num dos lados da luta política. Sabemos que é a situação dos media portugueses, inclusive a televisão estatal. A continuar tudo como está, bem pode acontecer que a “calma” de Costa venha a traduzir-se numa vivíssima victória dos media e dos partidos que levam ao colo. Há dias, na sua página do facebook, Santos Silva escandalizava-se com o facto insólito de, em ano eleitoral, Morais Sarmento, Marques Mendes e Marcelo R Sousa serem os únicos a dispor de espaço semanal nos canais de sinal aberto, desde que Sócrates foi preso. Valeu e vale alguma coisa, junto de qualquer instância, mesmo a da AR, este protesto indignado? Teve alguma repercussão? Este facto e milhares de outros demonstram como está viciada a luta política, perante a inexplicável apatia dos excluídos dos media. Posso estar enganada, mas estou convencida que isto só acontece porque o partido socialista está isolado por conveniência dos partidos da direita e dos partidos à sua esquerda. Aqueles pretendem perpetuar-se no governo, e estes sonham ocupar o espaço deixado pela derrocada do PS. Já era tempo de as pessoas de esquerda deixarem de se atribuir culpas pelos pecados cometidos e pensarem no bem das populações. Agir racionalmente, fazendo compromissos à esquerda, porque se os compromissos forem feitos com a direita teremos sempre uma governação onde o mais forte, o imenso poder económico da direita, levará sempre vantagem como está à vista: todos os compromissos de governação do PS com a direita fortaleceram o poder da direita e o seu poder económico esmagador . Pessoalmente, não espero um gesto ousado de Costa e o mais certo é seguirmos o caminho do beija-mão aos “senhores”, como sempre fizemos ao longo de 900 anos de história. Somos um povo de brandos costumes. E subserviente até ao ridículo do lambe-botas a um qualquer poderoso ministro alemão. O sobressalto de Abril foi apenas isso, um sobressalto. Já passou. Quem se opuser ao histórico e genético marasmo será esmagado. No mínimo, encarcerado. Como exemplo para os demais. Formamos um colectivo de cobardia.

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