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A facilidade com que esta pessoa nos trata como acéfalos é fascinante

"Vamos reembolsar antecipadamente perto de dois mil milhões de euros ao FMI para poupar nos juros e fazemos este reembolso antecipado porque, com o nosso trabalho, conseguimos que os juros que pagamos no mercado da dívida sejam efetivamente mais baixos", afirmou Maria Luís Albuquerque.

"Se a situação exterior é assim tão favorável, basta compararmo-nos com outro país da Europa que, em vez de antecipar pagamentos ao FMI, os adia", sublinhou a governante dirigindo-se ao PS que, lembrou, foi um dos partidos da esquerda a fazer "referências elogiosas ao Governo" grego, liderado por Alex Tsipras.


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Verba volant

Bruno de Carvalho anunciou, nesta quinta-feira, em entrevista à TVI, que o orçamento da SAD leonina para a época 2014/15 vai manter-se nos 25 milhões de euros, desejando que Benfica e FC Porto continuem "a cometer loucuras" e "a viver acima das suas possibilidades".

"Vamos estar mais bem preparados do que os restantes. O objetivo passa por fazer melhor com menos recursos, aquilo que se dizia que não se podia fazer. Passou um ano e está-se provado que se consegue fazer", garantiu o presidente leonino.

"Espero que continuem [Benfica e FC Porto] a viver acima das suas possibilidades. Continuem, durante muitos anos, porque o Sporting estará cá para aproveitar", desafiou Bruno de Carvalho.


2014

E o Sócrates, pá?

Nem Sócrates, nem os seus advogados, nem Soares, nem nenhuma das raras figuras públicas que se pronunciaram a respeito, conseguiram conquistar o apoio da opinião pública para as denúncias de graves irregularidades no processo que mantém Sócrates preso. Serão várias as razões na origem desse fracasso, a começar pelos anos continuados de assassinato de carácter, pelo ódio político à direita e à esquerda, pela complexidade das questões judiciais na berlinda e, talvez a razão principal, por continuar sem validação institucional o argumentário da defesa – o que, simetricamente, reforça a imagem da acusação. Sócrates já era culpado antes de ser arguido, e o que se confirmou pelo próprio a respeito da sua heterodoxa forma de financiamento pessoal só cristalizou e agravou as suspeitas.

Porém, consta que nem o Correio da Manhã consegue identificar a fonte do mal, o que é um sintoma perturbador. Para haver corrupção, algum contrato, pelo menos um, terá concretizado o acto. Qual foi? E quem são os cúmplices? Posto que nenhum primeiro-ministro, sequer um qualquer ministro ou mero secretário de Estado, tem contacto directo com os responsáveis na administração pública que efectuam as avaliações e decidem quais serão os fornecedores do Estado, para se construir um caso judicial de corrupção vai ser preciso envolver mais gente, quiçá muito mais gente. Quando é que a ramona começa a recolher o bando?

Os crimes de corrupção, se nem o corrompido nem o corruptor colaborarem com as autoridades, são dos casos mais difíceis de investigar. Por aqui, a iniciativa e a estratégia do Ministério Público até se poderá vir a comprovar como a mais correcta, eventualmente brilhante. Para isso, será necessário que tenha existido, de facto, um acontecimento de corrupção e que tal prova seja passível de ser obtida. Se não tiver existido, ou se faltar a prova inquestionável para tão grande suspeita, então não estaremos apenas perante uma prestação muito questionável da Justiça. Estaremos também face a uma exploração política com beneficiários identificáveis e vastas implicações para o regime. Ora, tanto da parte de Sócrates como dos seus advogados o que vemos são sinais que antecipam esse desfecho. A forma desbragada e cáustica como João Araújo entrou em cena, e assim se mantém, tem um lado humorístico delicioso, mas tem outro lado que nasce da dimensão deontológica. Araújo aposta a sua credibilidade na inocência de Sócrates. Porque é tonto? Porque foi enfeitiçado pelo grande Satã à portuguesa? Ou porque estaremos perante uma situação esdrúxula para os Henrique Monteiro da triste vidinha, embora legítima e imaculada para as Hannah Arendt da vida grande? É que vir com a cantilena do “Ai, que esquisito, não conheço quem tenha feito coisa igual” pode chegar para a felicidade dos pulhas que intoxicam o espaço público, entende-se sem esforço. Não chegará, e nunca, é para quem coloque a justiça à frente das aversões e cagufas de estimação.

A 11 de Abril, de manhã, Helena Matos publicou um típico exercício de ódio – Tal como se esperava – onde resfolegava de prazer imaginando o seu apaixonado Sócrates a fenecer agonizante e abandonado num escuro calabouço da distante Évora, para lá do fim do mundo. De caminho despejou a seu fel alucinado em cima de qualquer um que tenha tido contacto com o monstro, ou que lhe tenha manifestado alguma simpatia, quiçá incluindo os que calharam sonhar com o fulano. A escrita é revanchista, o espírito é o da caça às bruxas, a intenção é racista. Na tarde desse mesmo dia, Guterres foi visitar Sócrates. Pela segunda vez. E sem qualquer razão aparente para o fazer, em especial tendo em conta que esse foi o período em que mais insistentemente se falou de Guterres como candidato presidencial. Que foi fazer a Évora, de novo, aquele de quem se dizia unanimemente que seria o vencedor antecipado das presidenciais, assim o quisesse? De que falaram ao longo de 1h30m? Do Freeport? De outros crimes que envolvam Guterres, ou amigos seus? Aliás, será possível ter algum tipo de conversa com Sócrates que não meta capitosas referências explícitas ou cifradas a milhões sacados ao Estado? Para a Helena Matos, nisso representando a era da calúnia que marca a política nacional desde que Sócrates surgiu como candidato a primeiro-ministro em 2004, os únicos socialistas íntegros e cumpridores da Lei são os socialistas por nascer. Estranhamente, o PS finge que este tipo de poder fáctico, onde há uma permanente campanha negra apontada à honra de pessoas e instituições, não é um agente operativo na dinâmica política em Portugal.

Se Sócrates tiver sido corrompido, isso terá o seu impacto político, social e cultural. Impactos devastadores, embora imprevisíveis nas suas consequências. Será também um caso de psiquiatria e neurologia, porque poucas vezes se terá visto criminoso tão original; reunindo em si as mais sofisticadas capacidades cognitivas para crime de alta complexidade e, ao mesmo tempo, sendo um dos corruptos mais estúpidos na história do crime, tendo de imediato começado a chamar a polícia para o apanhar. Se, pelo contrário, for verdade que Santos Silva se limitou a fazer com o seu dinheiro o que lhe deu na real gana sem actos de corrupção no horizonte, uma parte do País continuará até à cova a considerá-lo culpado. Não será possível afastar Sócrates das suspeitas, o dano é irreparável.

Assim, no meio disto tudo e enquanto a Justiça não se decide, talvez o facto mais extraordinário seja esse de termos visto o ex-futuro Presidente da República, e possível secretário-geral da ONU, a mostrar ao Henrique Monteiro e à Helena Matos, mais ao tutti quanti, que prefere o convívio íntimo com criminosos desmiolados caídos em desgraça a ir ocupar um Palácio de Belém ainda empestado pelo fedor largado pelo mais poderoso símbolo vivo desta direita decadente que nos calhou ter de sofrer.

Despir a camisola

No auge do conflito entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, em Janeiro deste ano, os adeptos presentes no estádio de Alvalade sonorizavam ostensivas manifestações de apoio ao treinador. Essa terá sido uma das razões que levou o taralhouco presidente do Sporting a aceitar que tinha perdido essa batalha, isto depois de se ter chegado à frente de tal forma que qualquer cedência sua seria sempre vista como uma derrota. Igual a todos os megalómanos, terá passado os dias seguintes até ontem a planear a vingança.

Marco Silva foi visto, de modo inequívoco, como vítima do fanatismo patológico do bronco. É também um jovem treinador a quem se antecipa uma carreira destinada ao sucesso, tal o talento que já mostrou. E acaba de dar ao Sporting o primeiro título no futebol profissional em 7 anos, numa final marcada por dramatismo épico a favor da sua equipa. A Taça ainda está quente dos festejos. Pois a semana do triunfo vai a meio e o clube acaba de anunciar o despedimento deste treinador por “justa causa”.

Se Jesus for mesmo para o Sporting, ele o seu novo presidente ficarão unidos num pacto trágico nascido de uma dupla húbris. A tensão à volta de cada jogo, de cada resultado, será algo que muito provavelmente nunca se conheceu antes em Portugal. Isto porque qualquer coisa que fique abaixo da perfeição, do registo invencível em todas as competições, incluindo nos jogos-treino, despertará uma onda de violência e achincalho emocional contra a equipa vinda de dentro e de fora do clube. O presidente que não conseguiu contratar nem um reforço de qualidade, ou até sem qualidade, para o ataque na época de 2014-2015, e que deixa sair a custo zero uma estrela em potência como Carrillo, mas que consegue pagar a Jesus aquilo que nem o Benfica, quiçá nenhum outro clube no mundo, estava disposto a pagar, viverá com o seu treinador 6 milhões em regime de tolerância zero. Sabendo-se do descontrolo psíquico do maluco que os sócios do Sporting puseram a mandar na casa, veremos cenas inauditas na história do futebol português.

Estarão neste momento a fazer-se sondagens para descobrir qual é a opinião dos sócios e simpatizantes do Sporting acerca deste circo vexante. Aposto que a maioria não concorda e até se sentirá magoada. Não concorda com a vinda de Jesus e sente-se magoada com o tratamento dado ao Marco. É uma mixórdia de absurdo com injustiça. Fede. E rompe com a lógica sentimental que justifica a existência dos clubes. Os adeptos benfiquistas e sportinguistas que estavam em festa foram arrastados para a cruel consciência de não haver qualquer lealdade para com os clubes, entendidos como poder de criação de colectividades identitárias, por parte do poder circunstancial e arbitrário dentro dos clubes.

Conceber um clube como se fosse uma empresa, e os seus profissionais como mercenários e mercadoria, equivale a destruir a mística. A mística dos clubes, no seu único ponto de contacto com a mística espiritual, implica a crença num poder sobrenatural inefável incarnado nos heróis que vencem. A mística é tão mais intensamente vivida quanto essas vitórias resultem de uma transfiguração pelo sofrimento. O Sporting veio de uma vitória desse cariz. Está agora a pagar ao general que obteve esse troféu com a traição. Isto, sim, é que justifica um despedimento com justa causa.

Bruno de Carvalho, despe a nossa camisola porque tu não és do Sporting.

A malta de Mação não perdoa

A propósito do comentário festivo que publicou na sua página no Facebook quando José Sócrates foi detido - Duarte Marques escreveu "Aleluia! A malta de Mação não perdoa" -, o deputado reconhece agora ter cometido "um erro". "Fui genuíno, fui autêntico", afirma, mas "senti que estava a prejudicar pessoas que não tinham nada a ver com isso". Foi esta a razão que o levou a apagar o comentário, garante, uma vez que "ninguém me pediu para o fazer".

No que não recua é nas críticas a Pinto Monteiro, que acusa de ter protegido o ex-primeiro-ministro. Duarte Marques recorda que fez no passado várias denúncias à Procuradoria-Geral da República, tendo mesmo chegado a reunir-se com Pinto Monteiro em 2011, a quem pediu "uma investigação ao Governo de José Sócrates", pelo que sobre a alegada proteção ao líder do Executivo socialista não hesita: "As evidências são claras".


Fonte

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Duarte Marques é deputado. Já foi presidente da JSD. É colunista no Expresso. Enfim, é um tipo importante. Se tudo correr normalmente, será cada vez mais importante no PSD.

Duarte Marques é também um tipo que declara publicamente ter Pinto Monteiro protegido Sócrates. O assunto, neste grau de abstracção, é fascinante. Protegeu-o do quê? Aparentemente, o aleluias está a sugerir que o protegeu da Lei. Todavia, se é mesmo isto que quer dizer, como é possível que os jornalistas não o interroguem mais de forma a que ele apresente os factos, ou meros indícios, que sustentam essa conclusão? E como é possível que o visado pela acusação não reaja? Ou será que está algo a escapar-me? Será que um procurador-geral da República pode cometer ilegalidades e escapar impune, e isto apesar da frontal denúncia de um deputado?

Outra possibilidade é a de que Duarte Marques esteja a reconhecer que Pinto Monteiro agiu num escrupuloso respeito pela Lei, e que foi tão-só essa a protecção que concedeu a Sócrates. Com menos zelo, aquela cegada do atentado ao Estado de direito cozinhada em Aveiro a partir de escutas ilícitas de conversas privadas poderia ter chegado para meter o homem no chilindró logo em 2009, como outros procuradores e juízes menos dados a protecções desse tipo sempre fizeram em todos os tempos e lugares. Esta hipótese, não sei porquê, parece-me em cósmica harmonia com a pulsão justiceira da malta de Mação.

Em qualquer dos casos, o silêncio que se segue a declarações com esta gravidade é um sintoma terrível da anemia e anomia reinantes.

A realidade a bater-nos na cabeça

Ainda a propósito da recondução de Carlos Costa, e esquecendo a sua escolha por Sócrates em 2010 que apenas o Pacheco Pereira conseguirá explicar, colhe realçar a opinião de Teixeira dos Santos:

"Carlos Costa foi reconduzido. Ainda bem. Uma decisão justa. Usou até ao limite os seus poderes no caso do BES. A solução fácil seria usá-lo como bode expiatório das ilicitudes de outros."

Teixeira dos Santos elogia trabalho de Carlos Costa no Banco de Portugal

Independentemente de se discordar ou concordar com ele, o que esta atitude revela é uma independência e decência que não vemos na chungaria com que a actual direita enche o debate político e o espaço público. O mesmo para o trajecto de Luís Amado, já agora, invariavelmente alérgico à baixa política e clamando pelo bom senso ao serviço dos valores mais altos. Teixeira e Amado foram dois dos mais próximos ministros de Sócrates, e não se vê neles um pingo de ressentimento pelo modo como foram tratados. Aliás, não se vê tal fragilidade e disfunção em ninguém de ninguém que tenha estado com Sócrates até ao fim. Em contraste, no PSD e CDS impera a cultura do ódio, seja sincero ou tão-só instrumental.

Igualmente colhe recordar um episódio ocorrido na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, em Dezembro de 2011, onde se vê saltar a tampa a Carlos Costa numa discussão com João Galamba: Troca de “mimos” entre Carlos Costa e João Galamba. Esta cena levaria o João a responder impecavelmente na ocasião, e depois a explicitar as suas razões por escrito, num texto que não perdeu qualquer actualidade, bem pelo contrário: Ficamos à espera de um pedido de desculpas do governador do Banco de Portugal ao Parlamento na pessoa do Deputado João Galamba e que de caminho o refute

O descontrolo do governador é cristalino. Ele estava em diálogo com um indivíduo mas as suas mensagens dirigiam-se a um grupo, o PS. É por isso que usa o plural para largar o insulto da “realidade” e do “bater com a cabeça”. Como nos recordamos, a campanha começada em 2008 contra Sócrates pela direita tinha três vertentes: era corrupto, era mentiroso e era louco (isto é, não se relacionava com a “realidade”). A realidade de que fala este Costa passado dos carretos, portanto, é igual à “verdade” de que falavam Cavaco e Manela, igual à “libertação da economia” de que falava Passos.

4 anos depois, este momento entre o governador e o deputado contém encapsulada uma parte essencial do que aconteceu ao País numa altura em que alguns escolheram trair os portugueses.

Exactissimamente

Em defesa da medicina da dor

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Eduardo Paz Ferreira faz parte do escol português. Adriano Moreira e Eduardo Lourenço também, entre muitos outros mais ou menos desconhecidos em termos de popularidade mediática. Para além disso, é um fordiano, algo que o distingue entre os restantes mortais.

O escol não é equivalente à elite. Na elite, palavra de origem francesa, estão os oligarcas e seus beneficiários e serventuários. Este grupo apenas se preocupa em manter ou aumentar o seu poder. No escol, estão os que ensinam. É por isso que passam a vida inteira a aprender.

Distinguir uns dos outros só é difícil ao princípio. Depois, torna-se num prazer infindável.

Lições do Douro Vinhateiro

"É um outro espírito, crença e vontade de vencer, um otimismo perante o futuro e a convicção de que com trabalho podem ultrapassar as dificuldades. Não encontrei aqui o discurso da desgraça, do miserabilismo, da descrença que encontramos com frequência nos agentes políticos em Lisboa ou na comunicação social", disse.

"Gostaria de convidar os políticos e os líderes sindicais que se fixam apenas nos corredores e gabinetes de Lisboa a virem aqui ao norte, eixo do Douro Vinhateiro, a contactar com as pessoas e os autarcas. Estou convencido que voltariam mais abertos a trabalhar em conjunto, à cultura do compromisso e diálogo para resolver os problemas do país: voltariam menos crispados e até menos violentos na linguagem, porque qualquer um, quando vem aqui, enche a alma, porque o espírito é diferente", referiu.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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Cavaco, aproveitando estar a passeio pelo Norte, apela à cultura do compromisso lançando ataques rancorosos contra terceiros não identificados que trabalham em Lisboa e que terão o hábito de se queixarem e fazerem reclamações. E ninguém reage, a elite nacional finge que não tomou conhecimento.

Cavaco, o tal que fez o que pôde para difamar e caluniar um Governo em funções, e que até fez o que não podia ter feito sem ser logo destituído calhando viver num regime que prezasse o Estado de direito. Cavaco, o tal que insultou os restantes candidatos presidenciais no revanchismo da vitória. Cavaco, o tal que foi para a Assembleia da República apelar à revolta contra os políticos. Cavaco, o tal que ficou impávido e feliz a ver o País ser empurrado para o resgate e para o empobrecimento fanático e desmiolado.

Isto significa que temos no Palácio de Belém um fulano que anda a ser pago pelo Orçamento do Estado só para que se saiba que em Portugal qualquer desgraçado pode chegar a Presidente da República.

Revolution through evolution

Experiment confirms quantum theory weirdness
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Birds ‘weigh’ peanuts and choose heavier ones
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Where There’s A Will … Well, There’s Another Way
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Like Sleeping Beauty, Some Research Lies Dormant for Decades
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Not Making Enough Money? Check Your Attitude
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How Racial Feelings Trump Facts: New Book by Ithaca College Professor Explores Link between Emotions and Contemporary Racial Violence
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Nuremberg Experience a Legal, Emotional Awakening for Law Students

Como lidar com os talibãs do laranjal?

Carlos Abreu Amorim e Vieira da Silva estiveram juntos no Política Mesmo do passado dia 23. Um resumo possível, organizado pela TVI24, está aqui: “PS não aprendeu nada com as opções que nos levaram à bancarrota”. Nele vemos o Abreu a passar a cassete que começou a ser tocada diariamente em 2012, a qual só mudará quando mudar a liderança do PSD. Um pouco abaixo na página, podemos aceder à resposta do seu interlocutor. Infelizmente, o programa inteiro não se encontra disponível, apenas esse dois fragmentos em vídeo.

Um outro resumo possível é o que vou fazer recorrendo à memória. De um lado, temos um profissional da retórica em versão baixa política. Para cumprir o seu papel, apenas precisa de ser trapaceiro, condição em que a sua formação de jurista dá muito jeito. Do outro lado, temos um servidor do Estado e um crente no bem comum. Para cumprir o seu papel, não se pode guiar por sofismas porque está genuinamente interessado no progresso social, condição onde a sua formação de economista fornece a base e o horizonte da sua praxis.

Vamos recapitular, clarificar e enfatizar este primeiro ponto em análise: Carlos Abreu Amorim concebe a política como uma técnica sofística onde vale tudo para enganar o eleitor, e esta afirmação pode ser demonstrada sem esforço; José Vieira da Silva concebe a política como a arte da boa governação, onde há critérios de honestidade intelectual a guiarem a argumentação, e esta afirmação pode ser demonstrada sem esforço. Um serve-se da democracia para promover a sua carreira, o outro serve-se da sua carreira para promover a democracia. Quem tiver dúvidas, que ponha o dedo no ar.

Saltemos para uma parte do debate onde o Abreu justificou as mentiras de Passos na campanha eleitoral de 2011 dizendo que elas saíram daquela boca santa antes da assinatura do resgate. O Pedro terá sido apanhado de surpresa pelo que o Catroga disse ter sido um triunfo do PSD junto da Troika, e ainda com o que o próprio Pedro disse quando se vangloriou de não haver diferenças entre o Memorando e o programa do PSD. O facto de o ex-apoiante da Nova Democracia se sentir à-vontade para gozar com o público desta maneira, sem temer ouvir as sirenes da ambulância que o levaria numa camisa-de-forças para o hospício mais perto, é um retrato fiel do estado decadente da direita portuguesa. A isto respondeu Vieira da Silva recordando uma a uma quais tinham sido as metas estabelecidas por Vítor Gaspar no começo da legislatura – portanto, aparentemente, já na posse das informações constantes no Memorando – e de como todas tinham falhado. Todas. Retorquiu de imediato o Abreu apontando para as condições externas. A culpa era dos outros, da estranja. Ocasião para o socialista espetar o ferro: “Então, porque não reconhece também ao Governo anterior a existência de causas externas na origem dos problemas por que passou?…” O Abreu não estava para aí virado, só estava com ânimo para abandalhar o debate. E voltou a passar a cassete, agora num tom mais alto, indiferente a ter acabado de ser exposto como um tratante.

Como é que se lida com a desonestidade intelectual em ambiente de alta pressão como acontece nos debates políticos? A tendência natural, normal, e aquilo que nos cansamos de ver, é a reacção de tentar impedir que o adversário tenha a palavra ou consiga ser ouvido, acabando em algazarra. Infelizmente, esta é a mesmíssima táctica que usa quem faz da desonestidade intelectual o seu método. O resultado favorece o pulha pois impede o confronto de ideias. Assim aconteceu neste debate que analiso, apesar dos bons momentos de Vieira da Silva. Porém, teria sido muito melhor que o impulso emocional fosse dominado e se desse fio ao peixe. Ter deixado o Abreu explicar à sua maneira como é que o Governo de Passos falha tudo a que se propôs sem ter responsabilidade alguma e como é que Sócrates e os seus ministros foram responsáveis pela maior crise económica mundial dos últimos 70 anos, e ainda pela crise das dívidas soberanas na Europa, provocaria um momento de folclore político que, para além do seu valor lúdico, ficaria como uma preciosa lição de pedagogia cívica.

Carlos Costa, o exemplo do mérito

A recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal é um justo prémio. E tem uma longa história. Começou a 27 de Setembro de 2009. Nessa data, os eleitores decidiram que o Parlamento não teria uma maioria de um só partido. O partido do Governo tentou formar uma coligação para o novo Executivo ou fazer um acordo parlamentar, mas ninguém na oposição aceitou o convite. Apesar disso, e sem ter feito qualquer pressão para se obter outro desfecho nem revelando qualquer incómodo com as consequências da situação, o Presidente da República deu posse a um novo Governo minoritário. Aqui, façamos uma pausa para imaginar as alternativas que tinha o PS nesse cenário. Caso se recusasse a governar em minoria, teria de ser marcado novo acto eleitoral. O tempo que tal levaria a preparar seria ocupado por um Governo sem qualquer legitimidade para governar para além das despesas correntes, e isto estando-se ainda a tentar sobreviver à maior crise económica global dos últimos 70 anos. A campanha seria feita sem a mínima certeza de se vir a obter uma maioria e a oposição repetiria a mesma cassete da eleição de Setembro, promoveria o mesmo sectarismo da recusa de estabilidade e agitaria a bandeira da irresponsabilidade contra aqueles que, tendo ganhado as eleições, se recusavam a respeitar o mandato popular por recusarem a democracia e só obedecerem à sua sede de um poder absoluto. Teria sido uma coisa linda de se ver, e tão mais linda quanto a Grécia estava mesmo aí a rebentar e o mundo a mudar.

A escolha de Carlos Costa veio em Abril de 2010, pela mão de um Governo socialista que já sobrevivia em modo PEC desde Março desse ano. Isto é, a Europa estava completamente à deriva, sem instrumentos formais nem vontade política para ajudar os países mais ameaçados pelo efeito dominó da crise grega. A Irlanda seria a próxima vítima, enquanto Portugal tinha uma claque interna que apostava todas as fichas no afundanço nacional. A lógica era simples: já que o Governo estava a ser cada vez mais pressionado pelos parceiros europeus para assumir medidas de austeridade, e posto que elas iam sendo realizadas, havia que dizer que esse caminho estava errado. Ao mesmo tempo, culpava-se o capitão do navio pela tempestade, martelando-se sem descanso na retórica da culpa. Figurões portugueses iam para o estrangeiro anunciar que o País não tinha condições para fugir ao resgate, dando o seu melhor para que os seus desejos se concretizassem. Cá dentro, qualquer dado que pudesse ser positivo para a imagem do Governo, nem que fosse dizer-se que Portugal tinha um clima temperado, era de imediato submergido pelo berreiro da legião do ódio que não suportava boas notícias.

É neste contexto que voltamos a ouvir falar de Carlos Costa. Porque este amigo lembrou-se de afirmar o seguinte:

Numa entrevista de sete páginas ao "Diário Económico", Carlos Costa confirmou: "Pode dizer-se que estamos em recessão económica. Espero manter a pressão sobre quem tem de decidir em matéria de finanças públicas."

O governador do Banco de Portugal pede "resultados claros de execução orçamental" para acalmar os mercados e aliviar os juros da dívida pública.

Fevereiro de 2011

Há nisto vários aspectos notáveis. Fevereiro de 2011 corresponde a um período crítico da execução do chamado PEC III, o tal que o PSD viabilizou adentro de uma palhaçada que até meteu fotografias tiradas com o telemóvel do Catroga. Estava em causa saber se os mercados mantinham o Governo ligado à máquina até haver sinais de recuperação, pelo que cada ida ao mercado era como a apresentação de uma moção de confiança. Assim, qualquer declaração de responsáveis públicos, para mais do Governador do Banco de Portugal, teria um grande impacto potencial na imprensa, no debate político e, inevitavelmente, na psicologia do mercado. Então, que terá levado Carlos Costa a mentir desta maneira tão contrária ao interesse nacional? É que é de uma mentira que estamos a falar, como de imediato Guilherme de Oliveira Martins veio explicar:

“Não se trata de uma questão de opinião, é uma questão técnica. Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão, mas o que gostaria de registar na opinião do senhor governador do Banco de Portugal é um aspecto positivo: dizer e acreditar que somos capazes de assumir as nossas responsabilidades e de sermos nós a resolver os problemas decorrentes da crise financeira e orçamental”, disse.

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Registe-se a letal ironia de Oliveira Martins, expondo a sonsa intenção boicotadora de Costa. Não estando Portugal em recessão, dizer que está só se pode explicar, a este nível de competência técnica e responsabilidade estatal, por uma agenda política onde essa mensagem apareça como um benefício. O benefício, ululantemente óbvio, não era o dos interesses portugueses, antes o dos interesses de alguns portugueses.

Que teria acontecido de especial, ou estaria para acontecer, de modo a justificar a espectacular manobra antipatriótica do Governador? Duas coisinhas: a reeleição de Cavaco, que definia o calendário para o derrube imediato de Sócrates, e a negociação que o Governo estava a fazer com a Europa para evitar o resgate, o famigerado PEC IV. Quem revisitar este período, vai encontrar uma intenção sistemática para assaltar o poder assim que Cavaco tivesse garantido a reeleição. Ter um Presidente da República chefe de facção era decisivo para o processo arriscadíssimo que se iria seguir assim que a direita conseguisse o apoio dos imbecis para abrirem juntos uma das mais graves crises políticas da democracia portuguesa.

Carlos Costa comportou-se com zelo e competência nessa estratégia, assim como nos episódios pícaros que se seguiram nos últimos 4 anos de catástrofe bancária. É um dos raros casos no universo laboral português onde o mérito está a ser exemplarmente reconhecido.

Universos paralelos

Que espectáculo maravilhoso aquele que teria sido montado na comunicação social caso algo remota e vagamente parecido com o bacanal da “Lista Vip”, e o que ela trouxe à luz de assustador, tivesse acontecido num dos Governos de Sócrates. O maremoto de indignação da legião do ódio, em coro com os grupos de cantares da esquerda pura e verdadeira, duraria meses e seria uma visão homérica.

Haverá algum partido em Portugal preocupado com isto?

"Até quando, até quando se pode prender pessoas para investigar", questionou Basílio Horta, numa intervenção no encerramento da conferência "Administração Pública. Fortalecer, Simplificar, Digitalizar", organizada pelo PS, no Centro Cultura Olga Cadaval, em Sintra.

Sublinhando que se trata de "uma matéria que tem a ver com cada um de nós, porque aquilo que a gente vê nas costas dos outros é a nossa própria cara", o autarca sustentou que em causa estão direitos fundamentais.

"Não podemos ver pessoas presas sem culpa formada meses e meses e meses. Seja quem for, não é possível e a reforma da Justiça tem de olhar para isto seriamente porque é a defesa de direitos fundamentais das pessoas e o PS aí tem a raiz da sua própria fundação", disse Basílio Horta, eleito como independente nas listas do PS para presidente da Câmara de Sintra nas últimas autárquicas.

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As declarações universais e europeias dos direitos e liberdades individuais e a Constituição da República não se cansam de proclamar que a prisão preventiva é excepcional. A regra é a liberdade até à condenação definitiva. Não há maneira de tais princípios entrarem na cabeça de quem decide. Dá a ideia que funcionam exactamente ao contrário. O último reduto da defesa das garantias e liberdades, acaba por virar o reduto da repressão.

Os requisitos ou pressupostos que permitem a prisão preventiva são “avaliados” genericamente. Seria muito importante saber que “perigos concretos”, que “perturbação do inquérito”, que “continuação da actividade criminosa”, que “perturbação da ordem pública” demonstrava o processo para que um adolescente de 16 anos ficasse preventivamente preso cerca de um ano. Os processos, sobretudo os penais, não são um monte de papéis mais ou menos organizados. Neles flui a vida e a liberdade das pessoas visadas. Tanto indício sólido que conduziu a uma absolvição!

Seria importante analisar em pormenor a situação processual de tantos outros presos preventivamente. Numa auditoria externa ao Ministério da Justiça. Saber se as ordens de prisão se sustentam em factos, ou mera afirmação formal das regras dos códigos aplicáveis. Enquanto se não decidir com a consciência que exige a liberdade do cidadão, haveremos de ter a sensação, às vezes a certeza, de que a prisão preventiva foi decretada de ânimo leve. Sem solidez. Com imensos prejuízos para o cidadão preso e para a Justiça. Ninguém tem dúvidas disso.

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Imagination beats practice in boosting visual search performance
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When citizens disobey: New study suggests people use ‘constructive noncompliance’ to enact change
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Natural sounds improve mood and productivity
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