Que é feito do LIVRE?
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As causas da bancarrota intelectual
As causas próximas da bancarrota foram três: a governação irresponsável e perdulária de Sócrates (que já fora o menino querido da direita de 2005 a 2008), a recusa do apoio alemão consubstanciado no chumbo do PEC IV, que obtivera o acordo de Merkel, e os efeitos do disparo dos juros resultado da situação gerada pela Alemanha ao suscitar uma “crise das dívidas soberanas”, tendo como alvo a Grécia. À data do PEC IV, a Alemanha já se apercebera dos efeitos em dominó da “crise das dívidas soberanas” e temia o contágio para a Espanha e a França. Por isso, foi complacente com Sócrates e ficou furiosa com o PSD e Passos Coelho quando este chumbou o PEC IV. Os “mercados” fizeram o resto e a bancarrota era inevitável.
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Não se percebe para quem é que o Pacheco escreve, se para o eleitorado da direita, ou do centro, ou até do PS. Se calhar, apenas para o grupo de fãs. No que não nos enganaremos é se dissermos que escreve para si próprio. Isso explicará um parágrafo como este que cito.
À mistura com factos e evidências que são inquestionáveis, o artigo onde este sofisma aparece contém outras pérolas, como a tentativa de branqueamento do maior logro alguma vez registado em democracia: a traição que uma direita decadente fez em 2011 só para chegar ao poder. Não há mistério em que o marmeleiro mantenha a sua visão sectária, pois abandoná-la implicaria concomitantemente ter de abandonar a sua paixão por Sócrates. E esse funesto destino ele levará para a cova.
Ora, o vice-rei do comentário político afiança que Sócrates teve uma governação “irresponsável” e “perdulária”. É uma escolha lexical que revela a intenção moral no julgamento em causa. Porém, precisamente pelo investimento emocional que se está a fazer nessa acusação, onde está a demonstração? Onde estão os dados e as contas, os contextos e as circunstâncias, as lógicas e os objectivos, as causas e os resultados? Porque será que não se encontra no texto qualquer dado que sustente este pressuposto? Será difícil apresentar com objectividade um caso de governação “irresponsável” e “perdulária”, seja ele qual for e onde for neste mundo? Se estivermos a lidar com alguém que lhe baste ter módica honestidade intelectual, a demonstração sairá instantaneamente. Não aparecendo, estamos a lidar com pulhas.
Tendo repetido pela enésima vez que está apaixonado por Sócrates, daí odiá-lo de morte e para a vida, ficava com um berbicacho entre mãos: como explicar que Merkel, assim como o BCE e a Comissão Europeia, tenha feito tudo o que pôde para que Portugal aprovasse o PEC IV e não optasse pelo suicídio do resgate? Resolveu tratando os leitores como borregos e reduziu a situação a um infantilismo esquizóide. Segundo o Pacheco, Merkel tinha a mesma consideração por Sócrates que ele tem. Mas, com medo de umas cenas na Europa, não o tratou como o bandido merecia. E prontos, ’tá despachado mais um naco de brilhante análise política paga principescamente.
Quase todo o debate político em Portugal, onde se inclui aquele que o PS de Seguro promoveu (salvo as honrosas excepções individuais na bancada e no partido), é uma torrente sectária que depende da desonestidade intelectual para se manter à tona. O PS de Costa ainda não encontrou antídoto para a calamidade de termos o espaço público envenenado por uma alergia às competências intelectuais.
Compravas pão a este padeiro?
Jerónimo de Sousa: Ferreira Leite e Sócrates “são farinha do mesmo saco” 22 agosto 2009
Jerónimo critica PS e PSD: «São farinha do mesmo saco» 15 de Maio de 2010
Jerónimo diz que “um e outro [PSD e PS] são farinha do mesmo saco, são siameses na política e nas decisões que querem tomar 4 de Maio de 2014
“O que confirmam os programas de uns e outros, PS, PSD e CDS, é que são farinha do mesmo saco”, apontou Jerónimo 17 de Maio de 2015
Jerónimo diz que PS e PSD encenam “divergências e desacordos” e que “são farinha do mesmo saco” 22 de Maio de 2015
O PS em avaliação
Ontem recebi um esclarecimento sobre a posição do PS em relação à avaliação dos professores. Nele fui informado de que a recusa do PS versa apenas sobre o actual modelo, responsabilidade deste Governo, e não pressupõe a intenção de acabar com a avaliação como instrumento de aferição de competências e capacidades. Também me foi dito que não há qualquer desacordo entre o espírito reformista de Maria de Lurdes Rodrigues e o de António Costa em matérias de Educação. Bem pelo contrário. Assim, quando o programa estiver fechado lá se poderão encontrar as propostas que contextualizam e explicitam a notícia que ontem comentei.
Aproveito para dizer à meia dúzia de incautos que ainda me confunda com algum militante ou simpatizante socialista que existe uma coisa chamada ps.pt e que muitos dos principais dirigentes do PS têm presença assídua na comunicação social, para além de também estarem acessíveis nas redes sociais. É nessas fontes que se deve procurar informação autorizada e de qualidade a respeito do PS, não numa pobre alma penada que assina “Valupi”.
Por mim, e apesar do esclarecimento que agradeço e tomo como absolutamente verídico, penso hoje o que pensava ontem. Há uma intenção explícita em Costa de mostrar que com ele os professores podem ficar descansados. São muitas e boas, em termos de cálculo eleitoral, as razões para ir transmitindo a mensagem do enterro do machado de guerra. Uma enorme fatia do professorado sentiu-se traída pelo PS, seu partido de filiação ou proximidade, com a coragem mostrada por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues no conflito épico à volta de uma tentativa de introduzir qualidade pedagógica na escola pública. Os resultados estratosféricos do BE em 2009 não têm outra origem. Com Costa, como ele tem dito bastas vezes, tal nunca teria acontecido. Foi um “erro”, sentencia sem se comprometer no detalhe do que, afinal, lhe surge como “errado”.
O tema dos erros é patético quando falamos de governantes. Que será isso de um Governo que não tenha cometido erros? Existe algures? Existiu alguma vez? A discussão, se for levada a sério, salta imediatamente para o campo do absurdo. Governar um Estado será das actividades mais complexas a que um ser humano se pode entregar. E essa complexidade não pára de crescer, acompanhando o aumento da complexidade em todas as outras áreas da experiência humana. Se a NASA erra, conseguindo o feito de enviar um satélite para Marte com um conflito de sistemas de medição (métrico e imperial), quem é que estará imune ao erro? Acaso se saberá a percentagem de erros médicos? Não é assunto que tenha popularidade, talvez porque os números são de causar pânico. E quanto aos erros dos juízes, haverá por aí alguma estatística à mão? Vamos deixar os erros militares de lado, a começar pelo “fogo amigo”, e olhemos para os políticos que governam em democracias. Pretender que eles escapassem às inevitáveis críticas de terem “errado” é sintoma de coma profundo.
A notícia que ontem comentei aí está na sua objectividade. No seu texto em passo algum se faz referência a qualquer intento do PS em avaliar os professores, seja lá de que forma for. O que nele se garante é que um futuro Governo socialista irá interromper o actual processo. E depois logo se vê o que virá em sua substituição. Haverá 4 anos para pensar nisso com calma, é esse o subtexto da notícia.
O PS e os professores terão ficado muito agradados com a notícia. Tal qual como saiu. Arrepio-me e parto para a avaliação do eleitoralismo com que, até esta altura do campeonato, se está a falar de Educação pelos responsáveis socialistas.
Costa, o protector dos coitadinhos dos profs
PS admite suspender prova de avaliação dos professores
Não terei esse problema, pois não votarei PS nas próximas legislativas, mas imagino que uma boa parte daqueles 1.568.168 bravos que em 2011 deram a sua cruzinha aos socialistas não ache graça nenhuma a este eleitoralismo tão básico e tão nefasto.
Caso tal se confirme e esse propósito apareça inscrito no programa, ainda mais extraordinária ficará a memória de Maria de Lurdes Rodrigues, verdadeiro oásis de exigência republicana para com a escola pública.
Cercados
Está publicado um capítulo do livro “Cercado“: A queda de Sócrates começou aqui. As escutas do curso mal explicado. É uma leitura instrutiva para o estudo de Sócrates enquanto fenómeno, sem paralelo conhecido em Portugal, de obsessão, exploração e manipulação por profissionais da imprensa e da política.
O texto abre com a descrição da trip egóica do António Caldeira, um fulano que se imaginava a despistar uma legião de agentes secretos ao serviço do super-criminoso Sócrates. Tempos maravilhosos. Injecções de adrenalina. O coração a recuperar a frescura dos 12 anos e aquela certeza de que os “Os Cinco” existiam em carne e osso algures na Inglaterra.
Seguem-se as peripécias conhecidas, desde o lançamento da calúnia no blogue do Caldeira até ao seu relançamento pelo Público de um Zé Manel em modo vendetta, contadas por Fernando Esteves num estilo Corín Tellado a merecer justo aplauso. É sempre de elogiar quando um autor veste a farda do vendedor de atoalhados na Feira da Malveira e se mostra orgulhoso com a obra feita. Basta dar um único exemplo:
Se o ódio e a irritação fossem material inflamável, Lisboa ardia nesta manhã, no preciso micromilésimo de segundo em que Sócrates olha para a peça assinada por Felner. Tanta conversa, tanto tempo, tanta pressão, frenesim e excitação para nada. O texto sai – e o socialista explode.
Não estamos perante a excepção mas face à norma. Todo o capítulo – donde, todo o livro, e esteja lá o que estiver – obedece a esta lógica sensacionalista e delirante onde o autor repete ad nauseam a sua visão caricatural de um Sócrates iracundo, tiranete e falho de carácter. Nas declarações que tem feito na promoção livro, este Esteves não se preocupa em esconder ao que vem: trata-se de garantir que Sócrates está politicamente morto. Haja ou não haja condenação na Justiça, a obra aí fica para que ninguém possa alegar desconhecer a natureza do monstro. Entretanto, se fizer uns cobres com a pulhice, também não virá daí grande mal ao mundo.
Ricardo Costa apresentou o livro no seu lançamento. Não faço ideia do que disse. Sei que o seu endosso a mais este produto da indústria da calúnia ilustra à saciedade, e à sociedade, como estamos cercados pela decadência.
Vamos lá a saber
Revolution through evolution
European banks as vulnerable now as before crash
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Bathroom Graffiti: From phallic doodles and insults to humor, satire and supportive messages
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Rats will try to save other rats from drowning
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No laughing matter: Some perfectionists have a dark side
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Seven in 10 take early pension payout
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Brains of smokers who quit successfully might be wired for success
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Playing games can shift attitudes, study shows
Continuar a lerRevolution through evolution
Mais vale tarde
Não é preciso “ser do PS”, “gostar do PS” e “votar PS” para reconhecer a importância crucial do PS no regime democrático nascido com o fim da ditadura e com a vitória sobre a nova ditadura que se preparava. Essa importância é tão grande que o sistema partidário se organiza implícita e mesmo explicitamente como um jogo de todos contra um. E neste “todos” devemos incluir o próprio PS, que parece ter nos últimos anos adquirido uma pulsão autodestrutiva.
A temática dos “erros” da governação socialista entre 2005 e 2011 é o terreno onde essa pulsão é mais insidiosa e donde se geram vastas consequências. Aparentemente, o tema é banal, pois desde que há política que as oposições fazem campanha apontando os erros dos governantes que pretendem substituir, sejam os tais erros agitados factos ou mentiras. Esses erros, na sua concepção mais benévola, serão ideológicos, correspondendo à competição entre diferentes formas de organizar a sociedade e compreender o mundo. Este é o domínio da ideologia, e poderíamos ficar felizes e contentes se o debate entre partidos e políticos não saísse dos seus limites. Porém, a dinâmica agónica da disputa política invariavelmente leva as oposições a estenderem a mesma acusação para os domínios morais e pessoais, quando não para os legais (como tem feito a direita portuguesa desde 2008 e continua a fazer na “Operação Marquês”). Trata-se do lado mais nefando da prática política, sem qualquer antídoto conhecido para além do exemplo individual.
O que confere um carácter crucial à temática dos erros dos Governos socráticos, e isto 4 anos após a sua saída do poder, é a questão relativa às causas da crise política que levou ao resgate de emergência em 2011. O assunto surge espectacularmente ridículo por ser óbvio o logro que ocorreu quando direita e esquerda se uniram para chumbar uma solução que evitaria no momento a perda da soberania e a chegada ao poder de uma direita decadente e punitiva. Nenhuma das razões invocadas ao tempo por essa coligação negativa tem hoje qualquer legitimidade, os resultados mostrando o contrário do que apregoaram ser o melhor para o País e para os portugueses. Então, como é possível que PSD e CDS tenham desde princípios de 2012 passado a massacrar o PS diariamente com a cassete da culpa pela “bancarrota”, que não existiu, e pelo “Memorando”, que foi alterado para pior por Passos e Portas sem o PS sequer ter sido informado? E como é que a esquerda pura e verdadeira foi reflectindo sobre o seu fundamental contributo para estes 4 anos de empobrecimento material e moral?
É chegados aqui que temos de nos voltar para o PS. Este é o partido que elegeu como sucedâneo de Sócrates uma patética figura que não só se recusou a ser aquilo que exigia sonsamente aos outros, transparente, como ainda por cima levou o partido para uma cumplicidade cada vez mais obscena com os carrascos que enganaram radicalmente o eleitorado e traíram o interesse nacional. Afastado do poleiro por quem promete reconduzir o PS à sua tradição republicana de coragem e liberdade, estranhamente, bizarramente, perplexamente, mostra não ter na sua agenda o ponto relativo à justiça por fazer sobre o que se passou nos idos de Março de 2011. E, concomitantemente, tem-se ficado por críticas vagas e pífias à governação socialista da qual chegou a fazer parte. Resultado: aquela massa enorme de eleitores flutuantes, mais os indecisos, mais os que estão sujeitos à pressão mediática de sentido único, tendem a identificar-se com os infantilismos para broncos que a direita serve caudalosamente e que Passos assume com bandeira principal do seu discurso e pose: os socialistas são loucos e/ou corruptos, deram cabo disto com dinheiro esbanjado em pobres e alcatrão, nós salvámos Portugal porque os xuxas nem o Memorando teriam conseguido cumprir, e agora temos de evitar que os loucos e/ou corruptos voltem senão vai ser o caos.
Correia de Campos fez um pequenino exercício do que deveria ser uma táctica colectiva do partido:
O PS não deve enjeitar responsabilidades passadas. Por ela pagou o afastamento do poder, muitas acusações injustas e esquecimentos oportunistas. Foi forçado a assistir à omissão de que até 2008 se recuperou crescimento e reformou a administração, a universidade e a ciência, a Educação, a Saúde e a Segurança Social. Criaram-se fileiras produtivas ligadas à energia de que agora o país colhe frutos. Investiu-se pesadamente na refinação, na indústria papeleira e na aeronáutica, que hoje ufanam os que delas descriam. Prosseguiu uma silenciosa revolução da agricultura que mudou padrões, empresários, exportação e criou a base para a auto-sustentação financeira do respectivo produto. Tal como a formação profissional, a modernização do secundário contra ventos e marés do sindicalismo de sector, abençoado pela direita. E sobretudo a formação superior com doutoramentos, projectos e parcerias internacionais que nos emparelham com o que de melhor se faz. Também se cometeram erros, que os detratores se não cansam de ampliar. Talvez se tenha deixado prolongar a crença nos equilíbrios automáticos e na solidariedade europeia. Fiámo-nos na sorte e não corremos quando devíamos. Acreditou-se que o grande capital doméstico tinha o mesmo patriotismo que os peões da lide, que a ganância era estigma reservado aos milionários americanos e que o mundo se havia de recompor num patamar sempre superior. Admitiu-se, tempo de mais, a solidão governativa como sinónimo de eficácia na acção.
Cada um desses “erros” enunciados por Campos carece de mais explicitação, e análise, e crítica, e debate, claro. Uns concordarão, outros não, inteligente e inevitavelmente. Mas ao se discutirem os “erros” adentro da esfera de responsabilidade política do PS está-se a desmontar a retórica para borregos da direita e a oferecer ao eleitorado uma alternativa intelectual que pode ser o que está a faltar a muitos para uma decisão. Seja qual for o ponto de vista, o PS tem todo o interesse em retirar aos adversários o monopólio do discurso sobre “erros”, “bancarrota” e “memorando”. E já vai muito tarde, se é que chegará a ir.
Exactissimamente
A questão é esta: Marcelo Rebelo de Sousa representa, ao mais alto nível, um discurso que quer passar por análise ou comentário políticos, mas de onde a política foi completamente evacuada. Ele assimilou completamente a política quer à luta pelo poder, quer ao exercício e ao objecto desse poder. Para ele, toda a política é uma questão de tácticas e estratégias, de fintas e simulações. E ganha o que for mais cretino. É desta matéria que são feitas as suas prelecções, enquanto animador do crochet televisivo. E, nesse posto, ele é “o professor”, isto é, aquele que ocupa o lugar da verdade e detém o saber do expert. Esta ideia de uma inteligência que sabe da coisa política e se dirige às pessoas que não sabem, e que por isso lhe fazem perguntas para obter a resposta oracular, é uma negação da política. Na melhor das hipóteses, aquilo de que Marcelo Rebelo de Sousa fala pertence à ordem da polícia (ele próprio transformou-se num cartoon de polícia sinaleiro) e não à ordem da política, para nos referirmos a uma oposição já clássica. Esta noção de polícia deve ser entendida não no sentido da repressão, mas da lógica puramente gestionária que ordena a sociedade por funções, lugares e títulos a ocupar. Ora, um cartoon pode chegar até a Presidente da República (não seria, aliás, o primeiro), mas não serve para iniciar qualquer conversa ou diálogo que tenha como tarefa repolitizar o espaço político. Em relação ao que Marcelo Rebelo de Sousa diz e opina não importa discordar, estar mais à direita ou mais à esquerda, ou convidá-lo para o espectáculo pluralista do conflito das opiniões. É de outra coisa que se trata, se a tarefa é também a de impedir a cretinização comunicativa e opinativa. Essa coisa chama-se “diferendo” e significa um desentendimento de base.
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Daniel Oliveira, copiando a turbamulta que ganha do belo a escrevinhar para a indústria da calúnia, teve também de enfiar Sócrates num texto a respeito de António Costa e do seu incompreensível SMS enviado a João Vieira Pereira. Assim:
Não se passa a fronteira que Sócrates passou, quando tentou usar o Estado para perseguir um canal de televisão que não lhe era simpático.
Ai Sócrates tentou usar o Estado para perseguir um canal de televisão? E esse canal limitava-se a “não ser simpático”?… Mas isso é fascinante! Como foi que fez? Isto é, que sabe o Daniel acerca dessa ignomínia, quiçá crime? O canal foi, de facto, perseguido? Se não o foi por qualquer razão, o Daniel estará em condições de garantir que o seria não fora esse percalço? E onde se está a basear para as suas conclusões? Será em escutas ilícitas de conversas privadas?
Quando a Prisa entrou no capital da TVI, em 2005, Marques Mendes veio de imediato denunciar que o PS estaria a querer controlar essa televisão através do PSOE. Em 2007, quando Pina Moura entrou na Administração da Media Capital, o PSD veio de imediato falar de “descaramento total” e de “tomada de controlo” da TVI pelo PS. Em 2008, a TVI iniciava uma campanha de assassinato de carácter e de calúnias contra Sócrates sem antecedentes conhecidos em Portugal tal a sua logística e aparato mediático, a qual durou até às eleições de 2009. Que se teria então passado sem o domínio do PS na linha editorial da TVI durante esse ano eleitoral? Provavelmente, o casal Moniz teria seguido uma das sugestões dos magistrados que se divertem no Facebook a malhar em Sócrates e lançaria um reality show onde os concorrentes teriam de matar militantes e dirigentes socialistas no Largo do Rato, mas perdendo pontos caso acertassem na porteira.
Quando o Grupo Lena, o tal que só corrompe socialistas, anunciou que ia lançar um projecto de imprensa, correu logo o boato de que vinha aí o jornal dos xuxas. E finalmente, convenhamos. Estávamos em princípios de 2009, a construtora que andava a encher um primeiro-ministro de dinheiro através da Suiça teria o maior interesse em que ele continuasse no poder para que a copiosa corrupção não abrandasse. O jornal ajudaria nessa missão, era limpinho e clássico. Ora, se bem o pensaram, bizarramente o fizeram, pois foram entregar o serviço ao Martim Avillez Figueiredo. A nojeira resultante até meteu perseguições a bloguers que ousavam apelar ao voto no PS ou que, meramente, não odiavam o engenheiro. Não admira que o Grupo Lena ande a passar por dificuldades financeiras, dado o desvario da sua estratégia.
Entretanto, um dos maiores grupos de comunicação portugueses é pertença do militante número 1 do PSD. A Cofina detém o Correio da Manhã. A Controlinveste tem o DN, o qual sob a direcção de João Marcelino foi instrumental para a subida ao poder de Passos Coelho. O Sol é um tablóide de direita. E o Grupo Renascença não se coíbe de apoiar os mesmos de sempre (pista: não apoiam esquerdistas, cruz-credo!). Quanto à RTP, é pedir ao Pacheco as cronometragens dos telejornais da hora de almoço para se conferir que o PS também nunca se safou por aí. Esta paisagem explica muito, se não for tudo, da apatia cívica com que se aceita a degradação do Estado de direito no processo de entregar a uma direita decadente o poder total: Parlamento, Governo, Presidência, Justiça e comunicação social.
O Daniel não parece muito preocupado com isso. Com tentativas do Sócrates para não sei quê, sim, isso é foleiro e não podemos esquecer tanta maldade. Agora, ter ricalhaços da oligarquia que curtem pagar a malta baril da esquerda para teclarem umas cenas ou para serem filmados na converseta de café? ‘Tá-se bem. E viva a liberdade de imprensa.
O nosso querido pulha
O The Economist tem uma Intelligence Unit. No Country Report de Janeiro de 2015, dedicado a Portugal, por várias vezes os inteligentes reunidos para descreverem e avaliarem a situação portuguesa referem que um dos factores cruciais para os resultados das eleições legislativas deste ano consiste na prisão de Sócrates. Tal circunstância explicará a dificuldade, e previsível impossibilidade, do PS em ter uma maioria absoluta nas intenções de voto, afirmam. O que há de notável nesta reflexão é o facto de aparecer completamente desapaixonada, resultando apenas de uma ponderação objectiva por especialistas estrangeiros em economia, política e sociologia.
Acontece que a previsão feita em Janeiro a pecar será por defeito. Como o dia de hoje confirma, sem necessidade alguma de confirmação, na prisão de Sócrates o que volta a estar em causa é mais um caso de espionagem política, para além do choque moral da situação. Estar a escutar Sócrates desde 2013 levaria inevitavelmente a recolher material que aludiria a inúmeros agentes polítícos, fossem do PS, de outros partidos, do Governo e da Presidência, pelo menos. E saber que essa captação fatalmente teria impacto público – portanto, também político, para mais em ano duplamente eleitoral – caso fosse utilizada nesse intento não é algo que concebamos ter escapado aos neurónios dos responsáveis judiciais do processo. Então, que foi feito para proteger as pessoas, as instituições e a democracia de uma possível violação dos direitos de privacidade de Sócrates e terceiros? Alguma coisa? E ninguém se importa, é isso? Nem sequer o PS?
Esta direita, com a conivência complacente e divertida da esquerda, tem apostado as suas principais cartas na judicialização da política e na onda populista que aí cresce selvagem. Andaram a exigir que ex-governantes fossem julgados por terem tomado certas decisões políticas que não configuram qualquer ilegalidade, apenas divergência de opinião. Andaram a explorar as escutas feitas no “Face Oculta”, daí partindo para o ataque aberto a magistrados que defenderam a Lei. Com a prisão de Sócrates, e a chafurdice permitida pelo processo judicial às escâncaras e a soldo, vivem um momento de glória e êxtase. O emporcalhamento do PS, de Costa e da sua equipa está garantido de cada vez que se alimentar a cultura da calúnia reinante e o ódio ao bode expiatório do regime.
Dir-se-á, com supino bom senso, que tal desfecho seria obrigatório – dada a natureza humana. A política, repetem alguns com voz cansada, é isto e só isto, a eterna luta pelo poder, a impiedade para com os adversários. Pode ser que sim. E pode ser que não. Mas que seja o que cada um de nós quiser para si. Acaso queremos viver com um pulha dentro de nós? Será essa uma das mais importantes decisões políticas a tomar por quem se sinta cidadão.
Acorda, Saraiva
Por norma, e mesmo considerando o exercício pleno da liberdade que comporta o direito de não votar, não gosto de abstencionistas. Sobretudo porque são estes, maioritariamente, que, demitindo-se de participar e fazer escolhas, passam a vida a queixar-se e a dizer mal de tudo.
É evidente que os partidos têm culpas no cartório. Quando sistematicamente, legislatura atrás de legislatura, rasgam as promessas que fazem em nome do voto logo no dia seguinte às eleições, ficam com a parte de leão da responsabilidade pelo facto de mais de 80% dos portugueses estarem descontentes com a política.
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Este jornalista é uma figura mediana da comentação política. Porém, com um alcance que não tenho forma de medir, ele influencia o espaço público através da projecção mediática de que desfruta. É neste sentido que lhe dou importância, pois existem dezenas como ele – e, juntos, emitem uma vozearia opressiva.
O artigo donde faço a citação intitula-se “Pela democracia” e trata-se de um involuntário texto cómico por causa da contradição que o molda do princípio ao fim (excepção para a nota dedicada ao Oscar Mascarenhas, escusado será dizer). Tendo a intenção de reeducar e converter o leitor abstencionista mais comum, aquele que conduz táxis e telefona para o Fórum TSF, o nosso Saraiva acaba por contribuir para a consolidação e aumento da percepção de que “eles são todos iguais” e que “eles são todos corruptos”.
A forma como se embrulha no paradoxo está sintetizada na citação acima. Nela, podemos ler que “sistematicamente”, os “partidos”, “rasgam promessas” no “dia seguinte às eleições”. Como o autor não explicita nem exemplifica a declaração, temos que pretende deixá-la genérica. Ora, será verdade? A ser verdade, a maior parte de nós conseguirá encontrar na sua memória, e rapidamente, abundantes factos que comprovem a tese. Aliás, mesmo que a memória não ajude, em minutos poderemos encontrar na Internet milhares, ou centenas, ou dezenas, ou uma ou duas referências objectivas e datáveis para dar razão ao senhor Saraiva. Conseguimos? Deixo esse desafio em aberto. Desafio qualquer um a identificar os Governos que “rasgaram promessas” no começo da sua legislatura. E desafio qualquer um a detalhar que promessas rasgadas foram essas e porquê.
Entretanto, o que nós já sabemos de ciência certa sem carência de esforço de memória ou investigação é que nunca se enganou tão obscena e radicalmente o eleitorado como em 2011. Quem o enganou foram o PSD e o CDS. O que fizeram não é comparável com nada que tenha acontecido antes na democracia portuguesa. É por isso que estar a fazer equivaler essa prática deliberada, a qual passou por afundar o País na gula do poder, com outras situações anteriores está ao serviço de um branqueamento político e moral. E assistir a essa manipulação por um passarão da imprensa armado em educador do povo fica tristemente caricato.
“O que faz falta é acordar”, verbera quem nos serve soporíferos ou, pior, quem não se sabe sonâmbulo.
Pub
Revolution through evolution
Employers prefer male managerial potential to female proven track record
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Companies’ bottom lines benefit when former politicians join leadership teams
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Real stereotypes continue to exist in virtual worlds
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When bosses ‘serve’ their employees, everything improves
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We All Want High Social Status
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Personal cues can have a strong effect on craving in individuals with addiction
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Traumatic brain injury linked to increased road rage
Continuar a lerRevolution through evolution
Exactissimamente
O partido aparentemente liberal (PSD) e o partido autoproclamado dos contribuintes (CDS) juntaram vozes e argumentos para gritar aos quatro ventos que o PS, se fosse governo, regressaria às políticas “que conduziram o pais à ruína”. Sim, o mesmo Passos Coelho, que chumbou o PEC 4 e derrubou o governo socialista porque não podia aceitar uma subida parcelar do IVA, e que depois subiu esse e todos os outros impostos de forma que o próprio Vítor Gaspar classificou de “enorme”, está agora escandalizado com a ideia de que o PS queira descer alguns dos impostos que ele aumentou, fazendo tábua rasa das suas promessas eleitorais. E Paulo Portas, que queria que as “gorduras do Estado” deixassem de chular a riqueza criada fora dele, e tantas vezes contra ele, que se demitiu às tantas porque viu, e bem, na nomeação de Maria Luís Albuquerque a continuação de uma política rigorosamente oposta, e que há quatro anos assim assiste resignado ao aumento constante da despesa pública, sustentado por um aumento corresponde da carga fiscal, agora “teme” novo resgate, se se inverter a política que, para compensar a falta de coragem na realização das tão faladas “reformas”, gerou 300.000 desempregados, 250.000 novos emigrantes, inúmeras falências de empresas e uma perda de 12% da riqueza do país nestes quatro fatídicos anos para a economia portuguesa.
[...] Aqui, desgraçadamente, temos o pior de dois mundos: são liberais para privatizar ao desbarato empresas públicas, gerando monopólios privados em sectores essenciais da economia, ou para, em nome da “competitividade”, reduzirem salários a um nível indigno (mais 5% de trabalhadores a ganharem menos de 310 euros do ano passado para este ano). Mas praticam o pior do socialismo a gastar dinheiros públicos e a aumentar a dívida do Estado, a entregarem-se à voragem fiscal sem freio ou a nomear amigos e correligionários para lugares públicos, muitos dos quais deveriam ter extinto se tivessem ou memória ou pudor.
Perguntas simples
Bis
O enterro da “Política de Verdade” pelo mais furioso dos seus publicistas
A “direita” hoje chama-se “realidade”, e não há arrogância maior, nem maior prosápia do que essa. Não só são donos da “realidade”, que só a eles cabe definir, como, mais do que isso, eles são a própria “realidade” incarnada. Isto significa que as suas políticas são as únicas possíveis e não há alternativas. O seu quadro impositivo, a que todas as políticas se tem que conformar, é uma variante pouco complexa de uma folha de Excel, um “modelo macroeconómico” cujas variantes são apenas as permitidas pelo pensamento único do “economês”. Não é neutro, significa interesses. Na prática, significa para Portugal (ou a Grécia) apenas “pagar aos credores”, atitude benévola se a dívida pudesse ser paga sem ser pela tísica do pagador ou a morte a prazo do devedor. Resta, no limite, a prisão por dívidas. Tudo isto é um absurdo e, como de costume, uma história bem mais complicada do que aquela que nos contam.
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Que será feito do Pacheco Pereira que enlouqueceu de 2008 a 2010, só se curando do seu ódio alucinado quando, abusando do seu mandato de deputado, conseguiu chafurdar nas cuecas de Sócrates? Que será feito do cão raivoso que andava a cronometrar o telejornal da tarde na RTP à procura do segundo a mais dado a uma qualquer notícia que envolvesse membros do Governo socialista? Que será feito do biltre que alinhou na “Inventona de Belém” e que a um ou dois dias das eleições de 2009 garantia que Cavaco sabia coisas sobre Sócrates do foro criminal que apenas não estavam ainda a ser reveladas por causa… das eleições?
O Pacheco, cujo asco pelo povoléu é publicamente assumido, vendeu a sua alma de cidadão ao fausto plástico e aspirado dos estúdios televisivos e radiofónicos, mais as catilinárias que escreve noite dentro na Marmeleira. Tendo em conta as suas capacidades intelectuais e a sua influência mediática, trata-se de um dos maiores caluniadores adentro da indústria da calúnia onde é uma estrela milionária.
Sim, Costa imita Sócrates
O PS não irá perder um só voto por causa do SMS de Costa a João Vieira Pereira. Por exemplo, não irá perder o meu, que já está perdido faz tempo. Iremos todos esquecer o disparate dentro de pouco tempo. Mas o que aconteceu não foi um episódio irrelevante. Trata-se da exibição de uma insensatez burlesca face ao que estava em causa no texto supostamente visado (caso seja só isso) e, em especial, ao que está em causa nas consequências morais daquele acto. É que o grau de escrutínio de um candidato a primeiro-ministro, para mais a poucos meses das eleições, é máximo e implacável.
Que pretendia Costa com aquilo? Esta é a pergunta a fazer. Que raio de resposta pretendia obter de forma a que considerasse ter sido reposta a justiça? Estaria à espera de um pedido de desculpas? Ficaria satisfeito com o absoluto silêncio por parte do destinatário? Contava receber um convite para almoçarem juntos e fazerem as pazes com uma bacalhauzada? A situação é demasiado estúpida, e, nesse sentido, alarmante.
Questão diferente é a de saber se tal reacção configura algum tipo de pressão ilegítima sobre o visado. E aí estamos no campo da simplicidade: só pulhas dirão que sim. É o próprio exagero da atitude de Costa, numa matéria estritamente de opinião e não de informação, a colocá-lo numa fragilidade que pode ser explorada de várias formas. A sua indignação saiu-lhe impetuosa, e por isso ingénua e mesmo galharda. João Vieira Pereira optou por atacar, expondo e explorando num registo de vitimização a oportunidade. Também não haverá por aí nada de ilegítimo, apenas de moral. É moralmente desagradável, para um certo tipo de público, estar a ver bater em fracos. E Costa é o fraco desta história.
Isto lembra outro episódio famoso e análogo, da responsabilidade de Henrique Monteiro, quando este foi para a Comissão Parlamentar de Ética, em 2010, fazer queixinhas de Sócrates. E contou com os detalhes que lhe apeteceu contar o que se tinha passado: Sócrates, na noite de 29 para 30 de Março de 2007, ligou-lhe para tentar convencê-lo a não publicar uma notícia sobre a sua licenciatura na Universidade Independente. Nesse telefonema, Sócrates emitiu “berros exaltados”. Quanto tempo demorou o telefonema? “Horas”, revelou Monteiro aos deputados. E como é que os dois se tratavam à época? Por tu. E qual foi o desfecho desse telefonema? O Expresso publicou a notícia. Quer-se dizer: dois tipos que se conhecem há vários anos, que privaram em variadas ocasiões, falaram um com o outro sobre um assunto do interesse de ambos e nessa conversa deram vazão, ou um deles deu, a estados emocionais mais intensos. No final, aquele que tentou convencer o outro saiu derrotado.
Monteiro afiançou na altura que as horas nocturnas de cavaqueira configuravam um caso de pressão ilegítima. Daí para cá, sempre que fala no assunto, só lhe falta chorar ao recordar o atroz sofrimento desse ordálio. Para mim, contudo, o que vejo de grave, gravíssimo, na ocorrência é a constatação de que Sócrates, então primeiro-ministro, dispunha de horas para estar ao telefone com o Monteiro e acreditava que essa auto-humilhação pudesse chegar para que o Expresso não alimentasse uma difamação ou calúnia. Tal parece-me veramente extraordinário e merecedor do mais visceral repúdio. Que desilusão, Sócrates…
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