Acorda, Saraiva

Por norma, e mesmo considerando o exercício pleno da liberdade que comporta o direito de não votar, não gosto de abstencionistas. Sobretudo porque são estes, maioritariamente, que, demitindo-se de participar e fazer escolhas, passam a vida a queixar-se e a dizer mal de tudo.

É evidente que os partidos têm culpas no cartório. Quando sistematicamente, legislatura atrás de legislatura, rasgam as promessas que fazem em nome do voto logo no dia seguinte às eleições, ficam com a parte de leão da responsabilidade pelo facto de mais de 80% dos portugueses estarem descontentes com a política.


Nuno Saraiva

__

Este jornalista é uma figura mediana da comentação política. Porém, com um alcance que não tenho forma de medir, ele influencia o espaço público através da projecção mediática de que desfruta. É neste sentido que lhe dou importância, pois existem dezenas como ele – e, juntos, emitem uma vozearia opressiva.

O artigo donde faço a citação intitula-se “Pela democracia” e trata-se de um involuntário texto cómico por causa da contradição que o molda do princípio ao fim (excepção para a nota dedicada ao Oscar Mascarenhas, escusado será dizer). Tendo a intenção de reeducar e converter o leitor abstencionista mais comum, aquele que conduz táxis e telefona para o Fórum TSF, o nosso Saraiva acaba por contribuir para a consolidação e aumento da percepção de que “eles são todos iguais” e que “eles são todos corruptos”.

A forma como se embrulha no paradoxo está sintetizada na citação acima. Nela, podemos ler que “sistematicamente”, os “partidos”, “rasgam promessas” no “dia seguinte às eleições”. Como o autor não explicita nem exemplifica a declaração, temos que pretende deixá-la genérica. Ora, será verdade? A ser verdade, a maior parte de nós conseguirá encontrar na sua memória, e rapidamente, abundantes factos que comprovem a tese. Aliás, mesmo que a memória não ajude, em minutos poderemos encontrar na Internet milhares, ou centenas, ou dezenas, ou uma ou duas referências objectivas e datáveis para dar razão ao senhor Saraiva. Conseguimos? Deixo esse desafio em aberto. Desafio qualquer um a identificar os Governos que “rasgaram promessas” no começo da sua legislatura. E desafio qualquer um a detalhar que promessas rasgadas foram essas e porquê.

Entretanto, o que nós já sabemos de ciência certa sem carência de esforço de memória ou investigação é que nunca se enganou tão obscena e radicalmente o eleitorado como em 2011. Quem o enganou foram o PSD e o CDS. O que fizeram não é comparável com nada que tenha acontecido antes na democracia portuguesa. É por isso que estar a fazer equivaler essa prática deliberada, a qual passou por afundar o País na gula do poder, com outras situações anteriores está ao serviço de um branqueamento político e moral. E assistir a essa manipulação por um passarão da imprensa armado em educador do povo fica tristemente caricato.

“O que faz falta é acordar”, verbera quem nos serve soporíferos ou, pior, quem não se sabe sonâmbulo.

15 thoughts on “Acorda, Saraiva”

  1. Hum, será que você, meu caro, considerou os abstencionistas como eu? Se me dão quatro potes de trampa, mudando apenas o nome, eu não tenho obrigação de escolher um deles. Assim sendo, que se saiba que não me dou ao trabalho de me debruçar sobre a trampa, estando, contudo com atenção ao que me rodeia…

  2. Ó FRANGO CONATRA, mas tu não tens quatro potes de trampa, pá. A tua cabeça é TODA ela um monte de trampa, tá beie? oqueie.

  3. Até aqui, quem é que se dava ao trabalho de ler o programa eleitoral dos partidos?
    A grande maioria dos portugueses não os lia, porém, ouvia e lia promessas avulsas através dos megafones da comunicação social em campanha eleitoral.
    Hoje, os eleitores enganados pelo PSD e CDS em 2011, pelo menos esses, parecem estar mais atentos e penso que não se vão deixar seduzir novamente pelo discurso da “verdade”. Penso eu de que…

  4. Muito bem, Valupi, muito bem. Meter tudo no mesmo saco é comparar a anedota de governantes que são Passos ou Portas com, por exemplo, Mariano Gago.

  5. o numvejonada,vou deixar de comentar por uma simples razaõ,anda no aspirina tambem com outra identidade e a defender o contrario.

  6. já vi o nuno saraiva em debates na tv,a defender posiçoes proximas do ps.o problema é que muita gente como ele,antonio jose teixeira e outros, com o aproximar das eleiçoes,começam a mudar “a voz “e a parecerem-se com os tipos que lhes pagam o ordenado ao fim do mês.a esquerda, mesmo que moderada, (PS)a que garantiu com a sua luta a democracia no pais,para vencer eleiçoes tem que fazer um esforço tremendo tendo em conta a comunicaçao social disponivel neste pais.para isto acontecer lutaram com todas as sua forças pela sua privatizaçao. até a rtp tem nos telejornais dois tipos de direita: jose rodrigues dos santos e jose adelino faria ao seu dispor. na rdp,tem o economista antonio costa que é um autentico canalha ao serviço da direita revanchista que nos governa.não falo dos restantes paineleiros nomeadamente da area economica como cantiga esteves e outros.é efectivamentete dificil lutar contra este polvo que nos governa.

  7. Ó FERRACOLHO, eu sofro de inteligência. Patologias é contigo…

    Caro FiFi, está rotundamente enganado. Eu não tenho outra identidade nem defendo o contrário…Mas diga-me: que outras identidades me assaca?

  8. FRANGO CONATRA, já te disse: não te projetes nos outros. Não podes ver o mundo só pelos teus olhos, ó pecador. Andas desvairado, andas, andas. Quem te manda escaldar essa coisa ocupa o lugar da pila, mas é um apêndice do tamanho do mindinho, pá? hum? oqueie.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.