A malta de Mação não perdoa

A propósito do comentário festivo que publicou na sua página no Facebook quando José Sócrates foi detido - Duarte Marques escreveu "Aleluia! A malta de Mação não perdoa" -, o deputado reconhece agora ter cometido "um erro". "Fui genuíno, fui autêntico", afirma, mas "senti que estava a prejudicar pessoas que não tinham nada a ver com isso". Foi esta a razão que o levou a apagar o comentário, garante, uma vez que "ninguém me pediu para o fazer".

No que não recua é nas críticas a Pinto Monteiro, que acusa de ter protegido o ex-primeiro-ministro. Duarte Marques recorda que fez no passado várias denúncias à Procuradoria-Geral da República, tendo mesmo chegado a reunir-se com Pinto Monteiro em 2011, a quem pediu "uma investigação ao Governo de José Sócrates", pelo que sobre a alegada proteção ao líder do Executivo socialista não hesita: "As evidências são claras".


Fonte

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Duarte Marques é deputado. Já foi presidente da JSD. É colunista no Expresso. Enfim, é um tipo importante. Se tudo correr normalmente, será cada vez mais importante no PSD.

Duarte Marques é também um tipo que declara publicamente ter Pinto Monteiro protegido Sócrates. O assunto, neste grau de abstracção, é fascinante. Protegeu-o do quê? Aparentemente, o aleluias está a sugerir que o protegeu da Lei. Todavia, se é mesmo isto que quer dizer, como é possível que os jornalistas não o interroguem mais de forma a que ele apresente os factos, ou meros indícios, que sustentam essa conclusão? E como é possível que o visado pela acusação não reaja? Ou será que está algo a escapar-me? Será que um procurador-geral da República pode cometer ilegalidades e escapar impune, e isto apesar da frontal denúncia de um deputado?

Outra possibilidade é a de que Duarte Marques esteja a reconhecer que Pinto Monteiro agiu num escrupuloso respeito pela Lei, e que foi tão-só essa a protecção que concedeu a Sócrates. Com menos zelo, aquela cegada do atentado ao Estado de direito cozinhada em Aveiro a partir de escutas ilícitas de conversas privadas poderia ter chegado para meter o homem no chilindró logo em 2009, como outros procuradores e juízes menos dados a protecções desse tipo sempre fizeram em todos os tempos e lugares. Esta hipótese, não sei porquê, parece-me em cósmica harmonia com a pulsão justiceira da malta de Mação.

Em qualquer dos casos, o silêncio que se segue a declarações com esta gravidade é um sintoma terrível da anemia e anomia reinantes.

29 thoughts on “A malta de Mação não perdoa”

  1. É preferível deixar 100 culpados em liberdade, do que ter o trabalho de andar a caçá-los.

  2. Sim, concordo, é terrível que gravíssimas acusações de um deputado a um ex-PGR não suscitem o mais leve incómodo em ninguém! Nem à esquerda, nem ao centro e nem à direita. diz que ‘e um Estado de Direito. E ninguém fica bem na fotografia. O deputados, os deputados, os governantes e ex-governantes, os magistrados, o PGR e o ex-PGR, os jornalistas, enfim, os portugueses todos à molhada. Isto é um lamaçal.

  3. Olhem-me só para estes alucinados! António Pinto Leite, o presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEG) analisou, na antena da Rádio Renascença, a situação atual de Portugal. Afirmou este alucinado que Portugal teve um cancro ( a bancarrota) e agora está em convalescença. Em que realidade se baseia esta apreciação? Hoje mesmo, o JN fala da debandada dos portugueses, expressa em números relativos à emigração no ano de 2014. Este homem e os seus pares da ACEG (deve lá estar também o clarividente César das Neves) conseguem ver convalescença num doente que agoniza. Cegos, ceguinhos, ceguetas. Ou a má-fé de quem tem a barriga cheia e se deu muito bem com a agonia de milhões dos seus compatriotas, esmagados pela austeridades só para um lado. Compatriotas? Estes estupores querem lá saber de pátria e compatriotas. Chegamos a um ponto em que deixou de haver meio termo. Uns (cada vez menos) ainda acreditam na construção do Estado Social; outros, cada vez mais numerosos, consideram isso um retrocesso civilizacional. Conservadorismo, dizem estes! Não é de admirar que os socialistas e democratas cristãos estejam a ser varridos por essa Europa fora. O processo parece imparável e, aparentemente, ninguém se atreve a colocar a questão com toda a clareza. As esquerdas que, supostamente, deviam pugnar acima de tudo pela construção do Estado Social em que dizem acreditar, perdem em infantis, tentando provar quem é que defende mais e melhor o Estado Social. Entretanto, numa mistura de infantilismo e imbecilidade, vão entregando o poder aos adversários do Estado Social. Aqui em Portugal, em 2011, Louçã e Jerónimo foram os maiores aliados dos adversários do Estado Social. E agora preparam-se para repetir a façanha. Todos os pequenos partidos de esquerda berram, em uníssono, com Pedro-Paulo-Cavaco, contra o único partido defensor do Estado Social que aceita governar: o partido socialista. Cegos, ceguinhos, ceguetas. Força, camaradas, força! Arreiem no PS, e não chateiem aqueles que puseram em pantanas o nosso Estado Social em construção. Ah valentes! Dêem um jeitinho e talvez consigam, com os direitolas, mandar o Costa para junto do Sócrates.

  4. o papel de um PGR consiste em defender e proteger os direitos dos cidadãos. porém, há sempre quem procure no código penal uma maneira de resolver problemas de natureza política e até pessoal.
    neste caso concreto, verifica-se que voz de burro não chega ao céu, apesar do coro da conjuntura lhe parecer favorável. opiniões há muitas, factos é que nem vê-los…

  5. Quando o 44 fez a “mudança” para Évora eu também fiz um “comentário festivo” que resumidamente era:
    “finalmente fez-se justiça, só pecou pela demora”. :)

  6. oh verdadeira idiota, com esse sentido de humor até pareces a óbimba a comentar e para ficares mesmo igual só falta rematares essa conversa de merda com dois pontos e fechar parêntesis.

  7. ó cagadeira anónima, a justiça só será feita quando ele for, e se for condenado pelo tribunal.

  8. ó ferra, antes de uma condenação judicial é necessário que, anteriormente, tenha havido uma acusação e, caso o arguido não se conforme com ela, pode pedir a instrução do processo que pode, ou não, pronunciá-lo para julgamento. portantes, não tenhas pressa.

  9. Olhó IGNARALHO com suas IGNARALHADAS, e até já fala em instrução. Ó IGNÔNCIO, olha, pá, aprende outra: é bom, mas é bom mesmo, que o 44 não peça a abertura da instrução, percebes? A não ser evidentemente que os COMUNAS XUXAS ganhem as eleiçõe, tás a bere? oqueie.

  10. Ao numbejonada
    Venho aqui poucas vezes e de cada vez fico mais impressionada com a baixaria dos comentários que por aqui vai deixando…pergunto-me porque razão vem escrever neste blogue a não ser por alguma espécie de adrenalina que lhe corra nas veias ao debitar tanta porcaria! dá-lhe pica a baixaria ??
    Custa-me mais a perceber porque os autores deste mesmo blogue permitem tal intrusão; por causa da liberdade de expressão? para não serem acusados de censura? humm Valupi, admiro a paciencia mas uma coisa é liberdade de expressão outra bem diferente é a suja provocação que este/a personagem nos inflige !

  11. isabel, mas repara como a personagem que te irrita se apresenta: maníaca, infantilóide, básica.

    Se deres um passo para o lado, e a ficares a contemplar com indiferença, o que vês é alguém que depende da atenção que desesperadamente pede a quem por aqui passa para se manter à tona da sua energia psíquica. Por sua vez, são vários os que alinham no seu pedido e lhe dão a atenção mendigada.

    Diria, pois, que a tua irritação é natural, mas é também algo que fala de ti. Se pensares que isto não tem qualquer importância para além daquela que lhe quiseres dar, passarás a aproveitar o que te interessa e a não seres mais incomodada com o que não tem qualquer valor para ti.

  12. bem vistas as coisas ganhas a 3 carrinhos, cliques, comentários e consideração dos fassistas que por sua vez apresentam serviço, vendem opan e religião & moral. mas se analisares a coisa, vais descobrir que os comentários aos postes que escreves começam a ser pouco e o que aumenta são comentários laterais motivados pela diversão fascistóide ou seja os gajos tomaram conta da tasca e tu numbêsnada. yeah meu, até dá vontade de citar aquela coisa do brecht que afinal é doutro.

  13. ignatz, que te preocupa? Queres entrar para a direcção do blogue? Ou será que queres comprar isto? Ou… espera… deixa cá pensar… ah, sim, já sei: estás preocupado com o facto de teres tido concorrência na tua actividade artístico-neurótica nestas catacumbas?

    Não te inibas, partilha as tuas dores.

  14. não, pázinho. tudo tiros na água.

    “ignatz, que te preocupa?”
    não é bem preocupar, incomoda-me que o trolha, de tão burro que é, ande para aí a chatear outros convencido que me ferra nas canelas. tirando isso, sou indiferente e às vezes até me dá gozo atirar-lhe uns ossos.

    “Queres entrar para a direcção do blogue?”
    não, até desconhecia que isto tinha direcção, apesar de às vezes apontar para o lado certo.

    “Ou será que queres comprar isto?”
    tamém não, mas se quiseres vender experimenta o gajo do besa talvez compre.

    “Ou… espera… deixa cá pensar… ah, sim, já sei: estás preocupado com o facto de teres tido concorrência na tua actividade artístico-neurótica nestas catacumbas?”
    concorrência? onde, como e quando. alguma vez andei aqui a dar vivas ao salazar, promover o apuramento da raça ou a pregar catolicismo das neves & moral da pegado? olha, se queres saber e ainda não percebeste, sou pela livre concorrência nestas coisas e o que me faz confusão é andares armado em charlot com as liberdades de expressão ao colo e já teres aqui censurado comentários e afastado pelo menos um comentador.

  15. ignatz, ui, ui… comentários censurados por aqui?… e “pelo menos um comentador” afastado?!… choque… escândalo… vergonha… pavor! Manda aí a tua lista dos critérios para só se censurar quem não grames. Prometo entregá-la à direcção do blogue. Acho que eles estão quase a contratar-te para que este pardieiro volte a ser um lugar habitável e de respeito. Tu é que vais salvar isto com o teu alto nível moral e intelectual, não tenho a menor dúvida.

    Entretanto, aqui entre nós que ninguém nos lê, não achas que a tua vida ganharia alguma coisa benéfica se desses menos importância ao que se passa nas caixas de comentários de um blogue perdido no cu da Internet?

  16. Amados irmãos,

    não vos zangueis. Bebei uma águinha para desentupir essas cabaças.
    Sois bons, nascestes bons, Rousseau é que vos topou ab initio, e depois, veio o Freud, mais a filha, esses malandros, com a história da projeção e claro, claro, não nos podemos olvidar de IGNATZ, IGNAROS E IGNARALHOS, verdadeiros titulares da inteligerda.

    Vá, vá, acrescentem lá mais uns qualificativos energéticos e ilustrativos do que vos vai no cotovelo. Estou a ver um que não tem espaço para o cotovelo, tal é a dor….hum…I feel so Maria Magdalena…perante tanto dótore de…leis.

  17. ai que riso! blogue perdido no cu da internet está fantástico dá ares de supositório – e daí à aspirina vai um dedinho. :-)

  18. Basta ouvir o que dizem os investigadores da judiciaria(e já ouvi varios) e percebe-se porque tendo mantido tosdos os intervenientes . juizes, policias e mudado apenas o procurador e direcção do DCIAP de repente comecem a aparecer corruptos por todos os lados. Tenho que pedir muitas desculpas a Moura Guedes e CM por lhes ter debitado tanta censura pelas denuncias sobre o Socrates.
    Os crentes e as suas certezas é outra estoria e outros contos

  19. antonio cristovão, é para ti, que identificas corruptos sem necessidade de os levar a julgamento, que o CM e a indústria da calúnia trabalha. Aproveita enquanto dura. E, quem sabe, talvez algum dia um vizinho teu se lembre de dizer que és isto e aquilo, apenas porque… lhe parece que és. Se tal sorte te bater à porta, já sabes: não te queixes.

  20. Portanto, António Cristóvão, faça como os outros que o criticam pela sua posição, seja «deixe andar», «fique calado», «isto de os OPC´S andarem a investigar é porque não gostam do Sócrates».
    Se o homem for encontrado inocente ou em in dubio pro reo, logo virãos os filósofos (pseudo) dizer « eu sempre disse que havia ali coisa…» mas se o homem for condenado, os mesmos dirão « eu não disse?».

    Até lá tenta-se fazer um bolo, e pelo que vi neste espaço, a ignorância é de rir até não poder mais.

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