Todos os artigos de Valupi

O topete do biltre

"Eu não venho para deixar tudo na mesma. O que incomoda pessoas como o professor Marcelo Rebelo de Sousa é que eles sabem que eu não venho para deixar tudo na mesma. Que eu não venho para deixar a política em Portugal nas mãos dos mesmos e da mesma maneira. Sabem que eu vou trazer uma dimensão nova para a política. Isso incomoda-os muito e reagem como um corpo que se fecha, como uma corporação que se fecha, como uma espécie de um clube privado, tentando desqualificar o que é a vida das pessoas, a vida nas profissões, a vida cívica. Depois de terem estado muitos anos a apelar a que novas pessoas viessem para a política.

Eu estou a candidatar-me à Presidência da República depois de longuíssimas conversas com as três pessoas que melhores, que mais qualificadas estão para saber se eu posso ou não exercer bem este cargo - os três anteriores Presidentes da República: general Ramalho Eanes, doutor Mário Soares e doutor Jorge Sampaio. São eles, mais do que outras pessoas, que me podem dar essa opinião e esse conselho de que eu estou em condições de exercer este cargo, e foi isso que eles fizeram. E a decisão deles, a opinião deles, foi absolutamente decisiva para a minha decisão."


Nóvoa para Marcelo

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Sampaio da Nóvoa é um moço que já ultrapassou os 60 anos. O 25 de Abril de 74 apanha-o com umas pujantes 19 primaveras. A vida toda pela frente. A liberdade e a democracia ao dispor para a sua realização política. Que fez a seguir? Pelos vistos, muita coisa. Daquelas que geram boa fama para além do bom proveito. Mas o que não fez, pelo menos em público, foi a denúncia de estar a política na mão dos “mesmos”, os tais da corporação que se fecha e do clube privado a que em 2016 alude mauzão. Não o fez, facto, ponto final. E é o próprio a explicar esse silêncio ao elogiar Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio. Foi porque não o pensou durante três décadas, ou quiçá mais tempo ainda, eis o enigma resolvido. Terá sido recentemente que descobriu o tal problema que garante ser ele quem melhor o pode resolver logo que ganhe as eleições presidenciais. Como é que sabe ser ele o melhor cidadão português maior de 35 anos para a função? Disseram-lhe, e ele acreditou. Ou melhor, decidiram, como chega a verbalizar, e ele obedeceu.

Pelas contradições é que se topam à distância os biltres. Podemos encontrá-los na família, no café, no emprego. Nos jornais, rádios e televisões. E nos consultórios, disto e daquilo. Podemos apanhá-los dentro de nós próprios, entretidos a despachar ideias manhosas, foleiras e cobardes para o nosso córtex frontal. Fatalmente, vamos apanhá-los na política. É o caso deste Nóvoa que anuncia o tempo novo, mais uma revolução pronta a revolucionar bastando juntar água. Ele sabe, e tem supino gosto em revelá-lo ao povoléu, que lhe chega a sua magnífica pessoa de reitor para mudar a História. Pelo que tudo se resume ao seu esforço para repetir essa informação perante brutos que manifestem dificuldade em perceber ou aceitar o que diz.

O candidato que promete ouvir todos e todos abraçar, alguns com beijinho, deixou ver como toma grandes decisões na vida, no caso concorrer a Presidente da República. A sua preferência é, e sem qualquer surpresa, pelo recurso à autoridade. Uma autoridade reunida em conselho de sábios. O que lá se decidir, em longuíssimas conversas, fica decidido. E depois há que dizer o que for apropriado para as inteligências menos desenvolvidas, sempre carentes de simplificações e reagindo com os instintos. Há que acusar os adversários daquilo que se pratica por não se conceber outro o exercício do poder. É nesta tradição que Nóvoa se revela mestre, e tem uma carreira brilhante atrás de si a comprovar o acerto desse ancestral modus operandi.

Vir depois desta manifestação do mais retinto conservadorismo oligárquico agitar a bandeira do terramoto por encomenda ao serviço da salvação colectiva graças à força telúrica que o anima é algo mais do que hipocrisia, é topete.

Muralhas ao abandono

"Sabe como eu acompanho com apreço a sua luta no domínio da corrupção. Falei dela muitas vezes."

Marcelo para Morais

"Muitas das denúncias que o dr. Paulo Morais tem feito são denúncias certas."

Nóvoa para Morais

"Tenho a minha biografia, tenho a minha vida claramente ao serviço da luta contra a corrupção."

Belém para Morais

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Os mais fortes candidatos a serem o próximo Presidente da República sujeitaram-se obnoxiamente, nos debates respectivos, ao tratamento demagógico e populista com que Paulo Morais explora a problemática da corrupção. Marcelo declarou-se fã, Nóvoa validou o método e a matéria e Belém reclamou pertencer ao clube. Este espantoso espectáculo exibe a uma luz implacável o estado de decadência política a que a direita conduziu o País desde 2004, com o lançamento do caso Freeport, e depois a partir de 2008 e até ao presente, em carga desenfreada envolvendo partidos, comunicação social, Presidência e agentes de Justiça. Não se sabe quando é que a estratégia terá fim ou se o terá.

Este Morais, mais um “homem do Norte” que se oferece para meter na ordem a moirama com uns berros, funciona como a perfeita caixa de Petri do fenómeno. Licenciado em Matemática (pasme-se), doutorado em Engenharia e Gestão Industrial (assombro) e professor catedrático há décadas a ensinar aos petizes universitários o que é a estatística e quejandos (temor e tremor na Grei), seria de esperar que o seu discurso contivesse números a respeito da corrupção. Pelo menos, alguns. De um fulano que anuncia ter dedicado a sua vida a esta causa, e que se apresenta como um académico e figura pública de alto prestígio, pelos menos um esboço dos casos e indícios de corrupção em Portugal, por mais preliminar que fosse, era o mínimo dos mínimos a trazer para sustentar a retórica de feira. Ainda por cima, estando numa campanha onde promete acabar com o mal recorrendo apenas ao poder mágico que o destino confiou à sua impoluta e magnífica pessoa. Como é que estamos de corrupção nos Governos, nas autarquias e nos institutos públicos? Onde cresce, onde diminui, onde se mantém, onde nunca ocorreu? Quais os padrões, qual a tipologia, quais as causas? Quem está a falhar, e a acertar, no campo da fiscalização? E no da prevenção? E no da investigação? E no da condenação? E porquê? Se alguém quiser que o Morais trate do assunto com alguma objectividade, com algum acesso tangível, concreto e racionalizador, terá de aguentar até à sua reencarnação.

Na verdade, o Morais caçador de corruptos tem números. Muitos. Resolveu a carência dos dados sobre a corrupção real indo buscar todos os números da corrupção possível. E estamos a falar mesmo, mesmo, mesmo de todos os números. Foi assim que chegou à fórmula suprema para encantar o taxista e o leitor do esgoto a céu aberto: os Orçamentos de Estado são o instrumento da corrupção da classe política. Não é simplesmente linda esta ideia? A partir dela, dos deputados aos ministros, passando pelos Presidentes da República e tribunais, vai qualquer um na enxurrada. Só se salva ele e quem ele indicar. Também nesta lógica surge uma outra ideia igualmente linda, a de que os Orçamentos de Estado são complexos de mais, e que bastaria uma semana para elaborar um. Aqui temos de reconhecer o espírito de misericórdia que revela, pois ele poderia ter dito que os Orçamentos de Estado se fazem num fim-de-semana havendo vontade para tal, ou até numa tarde de amena cavaqueira desde que esta viesse na continuação de um almoço bem regado. Podia, mas concedeu mais tempo a uma classe política que sabe ser intelectualmente desqualificada e corrupta, uma semana inteirinha. Talvez seja da proximidade do Natal.

O Morais anuncia mais. Diz que irá a Angola e ao Brasil dar um responso aos governantes e políticos corruptos desses países. Ainda não o disse, mas creio que lá chegado terá tempo de puxar as orelhas aos magistrados angolanos e brasileiros e deixar um conjunto de leis que espera ver aprovadas quando voltar a esse ultramar para fiscalizar as mudanças exigidas. Por cá, com ele a mandar nisto a partir do palácio rosa à beira Tejo, assistiremos a um festival de quebra de contratos entre o Estado e privados, o que nos deixará em superávite no espaço de um ano. O critério é tão simples como o que nos permite ter Orçamentos de Estado for dummies: se os contratos tiverem algures a sigla PPP ou tiverem a assinatura de algum ministro socialista, o Presidente Morais interrompe de imediato os pagamentos. É que Sócrates é um dos grandes representantes da corrupção em Portugal, como já afirmou, tendo sido muito bem acusado, como igualmente já profetizou antecipando-se ao próprio Ministério Público e dando mais um exemplo de como com ele a tomar conta disto os problemas resolvem-se num piscar de olhos.

Esta patética figura reproduz o discurso do ódio aos políticos, às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nisso imita como caricatura ambulante e tosca a parte principal da opinião difundida pela imprensa portuguesa, incluindo parte dos seus directores. É um espelho da sociedade actual e das agendas dominantes. Não admira que tenha também em Sócrates e no PS um alvo favorito, como fazem todos os da sua laia. O que há de notável no seu caso, porém, não se circunscreve à sua pessoa. Antes, é o que ele permite descobrir dos restantes actores políticos, especialmente daqueles a quem se exige maior responsabilidade política e cívica. Para nossa miséria, até esses capitulam perante alguém que tinham o dever de denunciar e castigar com tolerância zero. Eis a corrupção fundamental no seu esplendor, quando os guardas abandonam as muralhas da cidade e participam, por actos ou omissões, no assalto e na pilhagem.

Ao sonso-mor, segue-se o pantomineiro major

Marcelo é o muitíssimo provável próximo Presidente da República. Está a fazer tudo bem, aparecendo manso, ecuménico. E não irá fazer pior do que Cavaco, mas aqui apenas por tal não ser possível. Acontece é que Marcelo não merece ser o próximo ocupante do Palácio de Belém. Ou melhor, merecíamos muito melhor no topo da hierarquia do Estado do que um inveterado e compulsivo pantomineiro que acumula com ser um dos mais sofisticados praticantes da baixa política.

Mas a esquerda portuguesa, vítima de si própria, merece o castigo.

Revolution through evolution

Competitive Auctions Drive Women to Bid — and Value Winning — More Than Men
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In race stereotypes, issues are not so black and white
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Social, telepresence robots revealed by scientists
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Eating when we are not hungry is bad for our health
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Researchers Find Link Between Processed Foods and Autoimmune Diseases
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To Bolster a New Year’s Resolution, Ask, Don’t Tell
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Being Anxious Could Be Good for You – in a Crisis

Testemunhas

Quando o DN publicou esta coisa – Testemunhos confirmam suspeitas sobre Vale do Lobo – constatei duas outras coisas: que o título não correspondia ao teor do texto, e que a edição digital do jornal lhe deu grande destaque, mantendo-o no topo da página mais de 24 horas, talvez mesmo 48. Obviamente, aceitarei ser corrigido caso a memória esteja a exagerar, mas não seria nunca por muito o eventual exagero. A peça era sensacionalista e foi explorada nessa lógica.

Hoje, o mesmo DN publica um texto de João Araújo – Testemunhas: o que pensa a defesa de Sócrates – cujo título parece ser da responsabilidade do jornal perante a iniciativa do advogado que terá mandado uma carta. Estou a presumir, pois ignoro. A ser, será uma continuação do primeiro título que lhe dá origem. Nesse, declarava-se apodicticamente existirem testemunhos que validam a suspeita de terem ocorridos ilícitos da responsabilidade de Sócrates relacionados com Vale do Lobo. Daí, estar tudo a correr bem do ponto de vista da investigação. Não só havia mesmo fumo como o fogo está quase a ser descoberto. No segundo título, circunscreve-se o texto a um ponto de vista, ainda por cima da defesa de Sócrates. Logo, não tem comparação com a credibilidade que o DN conferiu ao que Carlos Rodrigues Lima se lembrou de escrever. Para mais, e coerentemente com a tese que o jornal indicia perfilhar, estas declarações do defensor oficial de Sócrates não têm qualquer destaque na edição digital neste momento em que teclo, permanecem refundidas na secção de opinião.

Se isto é jornalismo de referência, então a referência é o esgoto a céu aberto. Sócrates não tem apenas inimigos na oligarquia económica e política, é também vítima dos poderes fácticos da comunicação social que obedece a quem a paga. Porque basta fazer contas neste país minúsculo e ver quem é que ocupa os lugares com maior influência crítica (em especial, acrítica) no espaço público. Constate-se como há um grupo muito reduzido que cruza rádios, jornais e televisões. Esse grupo acumula com ser também um clube dos directores dos órgãos de informação, e seus tenentes, assim ficando como montra da cultura jornalística e respectiva orientação política nos seus respectivos corpos redactoriais. O simulacro de pluralidade é dado pelo acrescento de umas poucas vozes diversas e independentes, as quais servem como álibi para o que é uma das maiores forças da direita portuguesa. Estas personagens não precisam de estar mancomunadas, elas são farinha do mesmo saco, para usar a expressão favorita do Jerónimo, mas um saco que contém grãos de diversa proveniência ideológica aqui agregados por um ódio, e um proveito, comum.

Quem usa o processo judicial onde Sócrates é arguido para o atacar, com variegados ganhos políticos e comerciais em perspectiva nesses ataques, serve-se de uma duplicidade que maximiza os castigos e danos possíveis. Por um lado, diz-se que ele não passa de mais um cidadão igual a todos os outros, daí estar sujeito ao que acontece a qualquer um. Ou seja, se é detido para prestar declarações e se depois fica preso sem saber porquê, isso é o normal, é o que se passa todos os dias. Aliás, se tal acontece é por culpa dele, que foi primeiro-ministro e não tratou do assunto. Por outro lado, diz-se que ele não é um cidadão igual a todos os outros. Daí se poder fazer da sua detenção um espectáculo, e depois prendê-lo sem provas que o justifiquem, prendê-lo para o investigar, deixá-lo preso mais três meses numa cela porque foi o que apeteceu aos magistrados e há que comer e calar, e ver ao longo de todo este tempo a sua privacidade devassada e pervertida na comunicação social através do recurso a crimes e a deturpações, com a supina canalhice de se invocar o “interesse público” para chafurdar e caluniar aqueles que consigam apanhar.

Isto é feito a Sócrates com o beneplácito da sociedade. Estamos a ser testemunhas de uma violação colectiva, seguida de espancamento e apelos à lapidação. Uns de nós berram de prazer e fúria, outros limitam-se a ficar imóveis a olhar para a matança. E porquê? Porque Sócrates é o maior corrupto de que há memória? Porque já foi condenado por algum crime? Porque já temos uma acusação formada que dê para conhecer os males em causa? Porque as suspeitas no espaço público são claras a respeito da existência de algum ilícito que se aguente no tribunal? Não. É só porque há quem nos trate como gado para abate. E nós deixamos.

Teologia do inesperado

Por exclusiva responsabilidade do PCP, a política portuguesa conheceu em 2015 o prazer da criatividade. Daí nasceu uma solução de Governo melhor do que a alternativa sem a tal criatividade de origem comunista. Porquê em 2015 e não em 2011, quando tal teria feito ainda mais falta, teria tido ainda mais benefícios? Porque ninguém nasce ensinado.

Há uma ciência da política mas a política não é uma ciência. Nem uma arte. É uma aventura em direcção à tempestade. E depois logo se vê. Quem sobreviver – ou melhor, o que sobreviver – contará a história. A tempestade tem uma moral: cospe os azarados e os toscos, premeia os sortudos e os inteligentes. A tempestade, portanto, é uma força criativa ao serviço dos criadores. Surge inevitavelmente na política, mas também no amor e no fundamento primeiro e último tanto da política como do amor – a liberdade.

Para todos os amigos que, por boas ou más razões, gastam parte do seu tempo no Aspirina B, votos de um 2016 tempestuoso e criativo.

Avaliar coisas dessas

A opinião que tenho a respeito de José Alberto Carvalho não se alterou após a sua entrevista a Sócrates. Aliás, reforcei a percepção de ser um jornalista medíocre. Isto é, alguém de quem não consigo recordar nada de notável, importante, sequer relevante. A sua imagem de apresentador simpático, embora no limiar do sonolento, esgota o cardápio dos elogios a fazer-lhe. Obviamente, estou a descrever a minha experiência, nisso sendo fatalmente injusto para com o seu currículo.

Neste episódio com Sócrates, porém, há matéria para discorrer acerca desta figura pública com interesse. Começa pelas afirmações do Sérgio Figueiredo, a justificarem citação completa:

Tenho de dedicar umas palavras breves, mas inteiramente justas, a um jornalista credível, um homem íntegro, um grande pivot de televisão, o melhor entre os pares, que viveu dias de enorme pressão no "antes" e não se deixou condicionar por juízos intimamente já formados. José Alberto Carvalho deu tempo, deixou falar, deu um exemplo de sobriedade e imparcialidade, enfim, um ato de coragem, num país em que o normal é encarar a entrevista como o momento para o entrevistador brilhar.

Sócrates em três atos

Ao seu estilo excitado, faz-se aqui um elogio desproporcional, panegírico, como se o José Alberto tivesse acabado de chegar da Síria com um exclusivo mundial sobre os doentes que por lá matam e se matam ou como se a sua integridade de carácter tivesse ficado manchada por ter sido visto em más companhias e piores comportamentos. Não se entende do que está a falar ao referir-se a “pressão”. Será a de Rosário&Alexandre? A do esgoto a céu aberto? A do caluniador pago pelo Público? A do mano Costa? Ou tão-só a pressão atmosférica? Menos ainda se entende a referência aos “juízos intimamente já formados”. Quais e, acima de tudo, de quem? Do próprio? No meio desse foguetório, o Figueiredo ainda teve tempo para partilhar a sua visão do jornalismo narcísico, sectário, de merda, que se faz em Portugal – pelos vistos também na sua TVI, pois foi genérico no veredicto.

No mesmo território onde graves perturbações enchem o espaço público pelo simples facto de Sócrates existir e pretender exercer os seus direitos, temos as reacções daqueles que ficaram raivosos com o que não viram. Não viram um interrogatório, pelo que culparam o Zé. Para estes infelizes, fazer uma entrevista a Sócrates era a última coisa que podia ter acontecido. Porque uma entrevista pressupõe civilidade, respeito, liberdade mútua para perguntar e responder, liberdade para não perguntar e não responder. Num conceito, decência. Já num interrogatório daqueles que deixam os sádicos a babar de tesão está em causa a violação dessa distância, sendo a violência o meio justificado pelo fim. Estas pessoas, pagas para emitir opinião, revelaram que teriam passado horas de um gozo maravilhoso na prisão de Abu Ghraib aqui há uns aninhos. Porque era simples: pegavam em tudo o que encontrassem escrito sobre Sócrates, fosse por quem fosse e quando fosse, escolhiam as partes mais ao seu gosto, e toca de disparar. O cabrão que se defendesse se conseguisse, ou que assumisse a sua tão grande culpa e confessasse os milhentos crimes já provados no tribunal da “opinião pública”. Só parariam quando tivessem a pança cheia de devassas e humilhações. É desta escória que se faz a parte principal da opinião profissional portuguesa.

Apesar do respeito pela deontologia do jornalismo, José Alberto Carvalho foi por diversas vezes confrontado em protesto por Sócrates dado estar a representar a posição daqueles que violam o segredo de justiça, e que deturpam a informação mediatizada, tentando provocar os maiores danos possíveis na imagem deste celebérrimo arguido, haja ou não acusação, saia culpado ou inocentado deste processo. O melhor exemplo do fenómeno em que um jornalista, num automatismo que expõe a sua convicção pervertida, acaba por culpar a vítima pela violência de que está a ser alvo ocorreu nesta passagem:

JAC - Eu sei da animosidade que tem para com o Correio da Manhã... hã.... mas deixe-me colocar-lhe a questão...

Sócrates - Não, desculpe. Desculpe, ó José Alberto Carvalho, não ponha as coisas assim. Desculpe lá, seja justo. Não sou eu que tenho animosidade nenhuma com o Correio da Manhã...

JAC - Ou será mútua.

Sócrates - Não! Não, desculpe. A animosidade é deles para comigo.

JAC - Não me ponha a mim a avaliar uma coisa dessas... porque não... não quero...

Sócrates - Não, eu não quero que afirme. Não afirme é o contrário, pelo menos. Desculpe, não diga que eu tenho uma animosidade contra eles. Eles é que demonstraram uma campanha pública notória de denegrimento pessoal desde que eu saí do Governo. E fizeram-no com uma intenção política, a intenção de favorecer o anterior Governo e o objectivo de prejudicar o Governo anterior. Porque é que eles fizeram essa campanha? Porque ela convinha ao Governo de então. Isso foi uma campanha da direita, é uma campanha de ódio. [...]

minuto 39.30

Para além de se registar com agrado cívico a veemência e radicalidade de Sócrates ao reclamar que se fizesse justiça sobre o que está em causa no confronto entre o CM e a sua pessoa pública e jurídica, é confrangedor – se não for assustador – ver um jornalista, para mais com o protagonismo e influência deste, a declarar-se incapaz de reconhecer que existe um órgão de comunicação social que faz uma perseguição difamatória e caluniosa a um cidadão. E que é esse o contexto sine qua non em que todas as declarações desse cidadão a respeito do jornal em causa devem ser interpretadas. Cheira a cobardia corporativa, sendo que as alternativas a este diagnóstico são ainda mais torpes.

Achar que o CM é a caça e Sócrates o caçador corresponde a inverter a realidade. Quem assim se permite ser enganado continuará feliz e contente a deturpar os factos e os valores. Não é só o desprezo pela cidadania e pelo Estado de direito que se alimenta de forma tão maviosa e tóxica, é também a degradação política suprema de não existir escândalo, sequer indignação, por se praticarem crimes no Ministério Público sem que descubram os responsáveis e acabando essa instituição por reconhecer oficiosamente que as investigações a esses crimes não passam de manobras de fachada cuja finalidade é permitir a impunidade absoluta para os criminosos.

Não há nada na pior versão possível das eventuais ilegalidades que surgem associadas ao nome de Sócrates pelos piores dos seus inimigos que não passe de uma brincadeira inocente quando tal se compara com esta visão – diária – de um País que aceita, alienado ou febril, ter criminosos no seu sistema de Justiça.

Revolution through evolution

By asking “what’s the worst part of this?” physicians can ease suffering
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Living happily in a material world: Material purchases can bring happiness
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Police Shootings of Black Males: A Public Health Problem
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How anti-evolution bills evolve
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Crows caught on camera fashioning special hook tools
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Love in the Time of Ebola: Study Reveals Factors Bolstering Altruism in Face of Risk
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Transformers Toys Provide Key Character Lessons, Management Researcher Says
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Vamos lá a saber

Será que já conseguimos acordar do transe colectivo em que mergulhámos por força de políticos do PSD e do CDS traidores e das suas mentiras antes e durante a violência que espalharam no Governo? Ou será que ainda continuamos caladamente acabrunhados por esse discurso do achincalhamento, do revanchismo e da paródia como forma de usar o poder político?

Quem te viu e quem te lê

Paulo Baldaia chama “palhaço” a Cavaco – A ideologia do palhaço – no que fica como a fase final de uma espectacular queda no caminho de Damasco. Uma queda que começou em Novembro – Um Presidente a gozar com o pagode – e que atinge em Dezembro o momento em que a cabeça encontra o solo e descobre que não consegue atravessá-lo, que está na altura de mudar de direcção. É o momento da dor, depois do momento do susto.

Baldaia foi durante anos um fiel protector da decadência e da pulhice de Cavaco, usando a TSF como meio de influência política no contexto do combate da direita contra o PS e contra Sócrates. As suas intervenções no “Fórum” da estação e em entrevistas, frequentemente, e noutras ocasiões radiofónicas especiais, funcionavam como editoriais onde dava o tom e a mensagem. Para além da TSF, a sua presença na imprensa escrita e na TV aumentavam a audiência para a sua agenda.

Falo de agenda porque não concebo que este Baldaia que agora dá nome aos bois seja distinto, quanto às capacidades cognitivas, do outro Baldaia que sofismava para defender o indefensável. É que Cavaco é o mesmo, e é o mesmo desde 2008, no que diz respeito à sua presidência. Só não viu quem não quis ver. E só não o denunciou quem preferiu esconder.

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Women less likely to hold academic medical leadership roles than men with mustaches
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Study Reports Childhood Family Breakups Harder on Girls’ Health
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Don’t put off discussions about death and dying, says family relations expert
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Helping others dampens effects of everyday stress
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Computing with time travel?
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Gerontologist offers suggestions for families coping with dementia
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Is Evolution More Intelligent Than We Thought?
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A bancarrota dos traidores

Diz o estudo: "Em Portugal, foi difícil de afirmar categoricamente que havia uma alta probabilidade de a dívida ser sustentável a médio prazo. No entanto, tendo em conta as preocupações relativas a contágios sistémicos internacionais, a exceção sistémica foi invocada para justificar o acesso excecional [à assistência do FMI]." Como se fez em relação à Irlanda (em 2010) e à Grécia (no segundo programa 2012).

O FMI constata que essa "exceção sistémica" foi "crucial" para evitar incumprimento dos governos junto dos privados.

FMI: dívida devia ter sido perdoada

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Não é a primeira vez que o FMI reconhece publicamente o erro que levou vários países europeus a serem sangrados até à agonia por causa do que era um problema sistémico impossível de resolver com a mirabolante, fanática e mentirosa teoria da austeridade expansionista. Aparece é cada vez mais claro no seu mea-culpa.

Nesta passagem, está preto no branco descrito o problema: em Portugal, em Março e Abril de 2011, havia dinheiro para os gastos do Estado (salários, pensões, despesas correntes), não havia era para o serviço da dívida que tinha saltado para níveis incomportáveis por causa de uma vexante crise política onde a esquerda validou o plano de destruição da direita por razões puramente sectárias. Enquanto, nesse período crucial da nossa história recente, uns trabalharam para encontrar a melhor solução possível num contexto de crise aguda em que a própria Europa insistia neste erro agora reconhecido pelo FMI e o BCE estava a um ano de finalmente acabar com a insanidade da especulação com os juros das dívidas soberanas, outros fizeram os possíveis e os impossíveis para aproveitar as dificuldades gigantes da conjuntura para agravarem de tal forma os problemas nacionais que o Governo socialista tivesse de ser obrigado à pior das soluções disponíveis. Com isso, conseguiram enfiar as beiçolas no pote, é um facto, mas o preço foi afundarem o País, a que se seguiu a demência de atacarem a população num furor de empobrecimento e violência só atenuado pelo Tribunal Constitucional.

Aqueles que têm sempre pronta a cassete da bancarrota, que se embriagam de gozo ao berrar que não havia dinheiro para isto e aquilo, estão cada vez mais sós. Agora, já nem atrás do FMI podem esconder a sua traição.