Teologia do inesperado

Por exclusiva responsabilidade do PCP, a política portuguesa conheceu em 2015 o prazer da criatividade. Daí nasceu uma solução de Governo melhor do que a alternativa sem a tal criatividade de origem comunista. Porquê em 2015 e não em 2011, quando tal teria feito ainda mais falta, teria tido ainda mais benefícios? Porque ninguém nasce ensinado.

Há uma ciência da política mas a política não é uma ciência. Nem uma arte. É uma aventura em direcção à tempestade. E depois logo se vê. Quem sobreviver – ou melhor, o que sobreviver – contará a história. A tempestade tem uma moral: cospe os azarados e os toscos, premeia os sortudos e os inteligentes. A tempestade, portanto, é uma força criativa ao serviço dos criadores. Surge inevitavelmente na política, mas também no amor e no fundamento primeiro e último tanto da política como do amor – a liberdade.

Para todos os amigos que, por boas ou más razões, gastam parte do seu tempo no Aspirina B, votos de um 2016 tempestuoso e criativo.

17 thoughts on “Teologia do inesperado”

  1. Feliz Ano Novo nesta casa.
    O arquivo de 2015 guarda muitas páginas nobres de decência cívica e amor à liberdade. Talvez entre as melhores que este país conheceu nos últimos anos. Já cá cantam. Venha o próximo.

  2. Feliz ano novo. Que os bons momentos de 2015 sejam os piores de 2016. Um abraço para o Val e todos que por aqui passam ou passaram.

  3. Ai tão poético, Volpi. Derreti-me toda.
    Pronto, gostei. Gosto destas aspirinas de vez em quando e desejo uma excelente produção em 2016. Assim como aos comentadores que me divertem.

  4. Para todos os melhores votos de um Bom 2016 !
    Que, será o ano da confirmação ou des da queda do
    “muro interno” que fez ruir o “arco da governação” e,
    aparentemente, já pôs o geringonceiro Portas a fa-
    zer a sua travessia do deserto montado num soberbo
    camelo a que, se seguirá a irradiação do Láparo !!!

  5. Gostei muito deste post. Muito ponderado, muito compreesivo, muito filosófico. Só o título me parece inapropriado. Mas se o Val estiver a pensar que deus manda a bonança e a tempestade, já faz sentido meter a teologia no texto e no contexto.
    Muito Bom Ano para todos os aspirinas postadores e comentadores. Independentemente das ideias de cada um, e sem deixar de lamentar e condenar os que apoiam aquilo que Valupi chama a “industria da calúnia”, desejo tudo de bom para todos.
    Não se ganha nada em querer mal aos outros, e ganha-se muito na procura incessante da verdade.

  6. “Porquê em 2015 e não em 2011”?

    Pela simples razão que as condições eram diferentes.

    E que o pessoal estava farto!

  7. O Jerónimo libertou-se da máxima(m-l) do “quanto pior melhor”
    Precisa libertar-se ainda de muito pensamento soviético como aquela ideia fixa radical de que nos homens e nas sociedades apenas há o mal e o bem e logo, para se obter o bem e puro, basta erradicar o mal de qualquer modo.
    Os antigos diriam que a força da necessidade é muito criativa.

    Para todos os aspirinas deste lugar também votos de boa saúde para boas escolhas.

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