1 – Empregos
2 – Empregos
3 – Empregos
4 – Empregos
5 – Empregos
6 – Empregos
7 – Empregos
Por esta ordem de importância. Tudo o resto é acessório.
Ter ideias. Saber defendê-las. As ideias mais imbecis são dignas de respeito se bem defendidas e fundamentadas. Saber transmiti-las, ou seja, saber escrever. Quanto mais simples, melhor. Prosa demasiado elaborada só prova que a ideia por trás dela não vale um chavo. Ser cortês com os outros. Não entrar em ataques pessoais, pelo menos não directamente. Não fazer pouco da figura física, nem indirectamente. Nunca, nunca perder a calma – não lhes dar essa satisfação. Não responder aos outros com citações de outros autores – quem precisa de citar é porque não consegue dizer aquilo pelas suas próprias palavras, ou seja, não percebeu nada e é um burro que leu umas coisas. Não mandar os outros ler livros pelas mesmas razões. Um argumento que inclua “os carros novos que vejo por aí” ou “os políticos corruptos” identifica imediatamente o autor como uma mente simples que lê o Correio da Manhã no café manhoso da esquina e ouve antentamente o fórum TSF. Citar Eça só prova que quer pertencer ao clube dos cultos e cínicos da vida, mas não pertence. Demasiada poesia prova que é uma tia do Estoril cujos miúdos já cresceram, se é que alguma vez existiram. Ninguém está interessado na viagem de merda que fizeste, muito menos nas fotos, a não ser que tenhas ido de mota ou de Lamborghini. E não foste. Quem te pergunta que livros é que lês está a tentar pôr-te a pata em cima, não respondas. Usar mais do que dois pontos de exclamação por ano prova que és uma pessoa facilmente impressionável. Palavras em maiúsculas só provam que não teriam o mesmo efeito em minúsculas, ou seja, não sabes escrever e argumentar. Comentários moderados provam que tens medo do que os outros pensam de ti. O nível dos teus comentadores é o teu, mesmo que não o admitas. Se o teu livro valesse alguma coisa, não precisavas de o andar a promover no teu blogue, os outros faziam-no por ti. Não o fizeram, pois não? Publicar musica clássica ou ópera só prova que dás mais importância ao facto de a ouvires do que à própria musica. Se aspiras a ser um intelectual de esquerda dás ao teu blogue um nome tirado de um filme francês, é meio caminho andado. Se percebesses alguma coisa de mercados financeiros estavas rico. E não estás. A malta que percebe não tem tempo para andar a escrever em blogues, estão demasiado ocupados a ganhar dinheiro.
No ano em que se generaliza o uso do novo acordo ortográfico, informo que pela parte que me toca continuarei a escrever utilizando a velha grafia. No entanto, não o faço por nenhum motivo cultural, nem de protesto ou sequer por convicção. A atitude justifica-se unicamente porque aprendi a escrever desta maneira, sai-me naturalmente, as regras do novo acordo são-me em grande parte desconhecidas e tenho uma imensa preguiça em aprendê-las. Logo, como não me apetece despender grande esforço em nova aprendizagem, o timing é o seguinte: quando me habituar a elas de tanto as ler, mudo. Quanto à “herança cultural”, desculpa de tanta gente se recusa a admitir que as suas razões são rigorosamente iguais às minhas, estou-me perfeitamente nas tintas. As heranças usam-se para construir coisas novas, e a cultura é o que fazemos e o que transmitimos com as ferramentas à nossa disposição, não as ferramentas em si.
O secretário chocado é um blog dedicado a reportar a actividade principal de António José Seguro, Secretário-geral do Partido Socialista: ficar chocado, quiçá profundamente chocado, com as mais variadas coisas. Geralmente políticas.
Rodeado por uma multidão de escravos num choro compulsivo sem lágrimas, sob um céu de chumbo e um frio cortante adequados à tristeza da ocasião, eis o cortejo fúnebre do líder de um dos últimos paraísos dos trabalhadores, mostrando ao mundo como se enterra uma divindade. Foi levado à sua penúltima morada por um Lincoln Continental de 1976. Belo carro. Algures no céu por cima do Michigan, Henry Ford esboça, sem dúvida, um sorriso.
Há porém agora uma nova versão destes ataques que é a invenção de histórias falsamente testemunhais em que apareço como parte e que são, pura e simplesmente, inventadas. Nem sequer são apenas deturpadas, falsas, são inventadas. De uma ponta a outra. E como na Internet nada se cria e tudo se transforma, elas circulam repetidas dia a dia ganhando nessa repetição o estatuto de verdadeiras.
(…)
Há um mecanismo psicológico que faz com que as pessoas inventem “factos“ que as relacionam com alguém que tem a maldição de ser demasiado conhecido, quer positiva, quer negativamente. Já não é a primeira vez que isso me acontece e não será a última. Sei também que não adianta desmentir nada, a história, essa e outras, continuarão a circular. Como disse antes, é a vontade de alguns de que seja verídica, que a faz circular, porque isso é útil para os ataques de carácter.
O Pacheco Pereira tem toda a razão, embora o que mais surpreenda neste vídeo insonso não sejam propriamente as acusações e deturpações imbecis, mas antes o facto de conseguirem pegar numa das personagens mais trágico-cómicas da nossa política e terem um resultado tão tristonho e desinspirado. É, convenhamos, uma enorme seca, a confirmação que o 31 da Armada está a cair naquela triste decadência Hermanjoseniana que inevitavelmente atinge os putos reguilas quando se tornam parte do establishment. Especialmente quando esse establishment é o Passos, o Relvas, a Cristas e, enfim, o Álvaro.
Há no entanto um lado muito positivo deste episódio que o afamado estratega deverá ter em consideração, à laia de consolo: ao menos estes aprendizes de feiticeiro não têm uma comissão parlamentar de inquérito à disposição. O estatuto, afinal, ainda vale alguma coisa.
Nota-se à légua quando aprendeu uma nova. Não consegue parar de pensar naquilo, ri-se para dentro a transbordar cá para fora, e tem de contar. Ou então rebenta. Certifica-se que estou bem disposto, faz converseta de circunstância durante uns minutos, e depois, com os olhos ainda a avaliar aquilo em que se vai meter, sai o inevitável “posso cantar uma musica? Mas olha que é assim um bocadinho….hum…não te chateias, pois não”? Não é necessária resposta, um olhar de esguelha para o banco de trás e um esboço de sorriso é toda a autorização que precisa. E com a confiança de que me vai dar a maior surpresa do mundo, começa a ladaínha que reconheço imediatamente dos meus tempos de escola. Rigorosamente igual, sem tirar nem pôr. O mesmo ritmo, as mesmas notas, a mesmíssima rima que lhe garantiu um sucesso intemporal entre a miudagem: Orvalho-Caralho, badubadum. Agora, ele não leu aquilo em lado nenhum, eu não o ensinei, nem ninguém da família, muito menos os professores do razoavelmente conservador e austero colégio de freiras. Foi no recreio, em surdina e entre risos, tal como eu e tu há vinte, trinta ou cinquenta anos atrás, cumprindo um ritual de crescimento que gerações sucessivas de miúdos passam religiosamente uns aos outros, geração após geração. E estes, que cresceram rodeados de informação e entretenimento por todo o lado, que usam o computador desde os dois anos e a internet antes de saber ler e escrever, estes não são diferentes. E é engraçado pensar que enquanto lamentamos a extinção da tradição oral, pensando sempre numa aldeia qualquer em trás-os-montes onde só há velhos analfabetos, ela continua bem viva e fervilhante em todos os grandes centros urbanos, vilas e aldeias, nos inúmeros recreios e parques onde os mais velhos passam os ensinamentos “proibidos” em forma de canção aos mais novos, que por sua vez lhes darão bom seguimento sem alterarem um precioso palavrão que seja. Um dia destes, dará um belíssimo estudo académico.
Não dá para escrever muito sobre este governo. Não que não haja assunto, longe disso. Aliás, o nível de disparate é tal que a tarefa é fácil. Demasiado fácil. Todos os dias, literalmente todos os dias, sabemos mais uma mentira, mais uma demonstração de ignorância, mais uma manipulação básica, mais uma hipocrisia, mais um atentado contra os interesses do país, mais um passo em direcção ao abismo que toda a gente sabe ser inevitável, e que tanta gente finge que não é. O ramalhete é completo: um primeiro-ministro que entende os interesses da Alemanha como superiores aos do seu próprio país (há um nome para este comportamento), um ministro da economia cuja absoluta ignorância, incompetência e completa falta de perfil se unem ao sorriso parvo numa combinação circense letal, um ministro das finanças que é uma caricatura do contabilista austero, um ministro da propaganda que, mais do que parecer, é a própria encarnação do vendedor de carros usados num stand manhoso do Cacém, uma ministra da justiça que representa todos os ódios e preconceitos de um sector profundamente podre, uma ministra da agricultura que, sempre que aparece, sempre que diz alguma coisa, testa a nossa capacidade de não libertar o João Braga que há em nós, um ministro da solidariedade que já se cansou do número da Vespa, a única coisa pela qual até agora se notabilizou, um ministro da educação que acha que esta se esgota no ler, escrever e fazer contas, e que de resto não tem a mínima ideia do que quer e faz questão que todos saibam. Já para não falar dos secretários de estado, que tentam por-se em bicos dos pés afirmando disparates em medida ainda maior do que os respectivos ministros, porque já perceberam onde está a bitola, e os “especialistas” e “grupos de estudo” que apenas revelam, em todo o seu esplendor, porque é que foram durante anos postos completamente à parte de qualquer intervenção na coisa pública, e de onde vinha afinal tanto ressentimento.
Estamos portanto entregues a esta matilha disforme. Se há uma demonstração inequívoca do nível básico que estas pessoas representam, é sem dúvida esta: conseguem fazer com que Cavaco Silva pareça um estadista. E sendo assim, QED.
Por isso, não dá para escrever muito sobre este governo. Não há nada de substancial a debater, nada que abra uma discussão saudável e esclarecedora, nada que desafie a inteligência, apenas uma sucessão de broncas e broncos que se levam a sério enquanto destroem alegremente o país com a sua ignorância alarve. Dá para facilitar imenso a vida ao Corporações, já que nem é preciso desenvolver muito os temas (adeus gráficos e análise em profundidade, não é Miguel?), basta escarrapachá-los no blogue de tão óbvios que são. Um governo, e uma direita, cuja primeira e muitas vezes única reacção possível ao que dizem e fazem é um rebolar de olhos, um suspiro, um incontrolável “mas como é que é possível tanta burrice?”.
Há no entanto algo que me deixa curioso: dadas as evidências acima descritas, como é que a esquerda – o PS, diga-se – está como está? Esse é o debate que nesta altura me interessa. E é o debate que, durante a noite de inverno que entretanto caiu sobre Portugal e a Europa, é essencial ter. Não por uma questão de masturbação intelectual, como a chamada “esquerda radical” tanto gosta de fazer. Mas para que haja, o mais rápido possível, uma luz ao fundo do túnel, um caminho claro, uma mensagem. Porque vamos ser francos, nesta altura não é apenas a direita que vive na escuridão. A esquerda – o PS, diga-se – também lá está. E se mais demonstração fosse necessária, este manifesto em forma de lamento é disso prova. Tem no entanto a vantagem de ser um começo. Não do caminho a seguir, mas do reconhecimento de onde, realmente, estamos.
A cena passa-se na Universidade de Harvard. Um responsável está no seu gabinete, a estudar possíveis parcerias com universidades portuguesas, o que envolve pesquisar sobre a qualidade e excelência do seu corpo docente.
Cenário I: Lendo vários papers e artigos de opinião destes, chega à conclusão que as universidades são compostas por académicos de classe mundial.
Cenário II: Lê este artigo do João Duque, presidente do ISEG.
Jogo: em qual dos cenários o responsável de Harvard acha favorável avançar com parcerias?
Pergunta para bónus: deverá o Expresso, em nome do interesse nacional, suprimir artigos de opinião que revelam ao mundo que nos meios académicos portugueses pessoas como João Duque chegam ao topo da hierarquia?
(Agradecido à Shyznogud pelo link)
The Village from Pedro Sousa | visuals on Vimeo.
small belgium: Antwerp from Jasper Léonard on Vimeo.
Muito se falou sobre esta publicação do Telegraph, segundo a qual os gregos, esses corruptos, teriam mais Porsches Cayenne no país do que pessoas a declarar rendimentos de 50.000 Euros por ano, sendo Larissa a capital mundial do referido carro. Tem como base este artigo (PDF) publicado no Bulletin of the Economics Research Institute da Universidade de Warwick de um economista grego, Herakles Polemarchakis, que foi conselheiro económico de Papandreou, o que lhe dá à primeira vista uma credibilidade acima dos habituais rumores publicados um pouco por todo o lado. É uma pessoa séria e respeitada, com artigos publicados, não?
Pegando nessa curiosa estatistica, a minha primeira ideia era então fazer um post sobre como os gregos gastavam à tripa-forra ao mesmo tempo que os alemães ganhavam também à tripa-forra com os gastos dos gregos, tudo rematado com uma bela liçãozinha de moral sobre como os que ganham dinheiro andam a desancar os tipos que lhes deram dinheiro a ganhar. O problema é que, como não gosto de citar jornais a seco, pelo desagradável hábito que estes têm de mentir inventar distorcer não investigar e validar os “factos” que publicam, resolvi investigar um pouco o assunto e – surpresa – a historieta contada pelo respeitável economista/conselheiro/professor não tem ponta por onde se lhe pegue. Por isso, vamos aos factos, baseados desta vez na realidade:
Há muitas, muitas razões para ser cínico com a decisão de Papandreou de convocar um referendo ao acordo europeu. Em primeiro lugar, aparentemente, isto não tem a ver com a Europa ou com algum desejo de “mais democracia” no seio das decisões tomadas nos encontros europeus. Tem a ver quase exclusivamente com questões de politica interna, e é um acto que nasce do desespero. Não do desespero da austeridade imposta pela UE, mas desespero face à impossibilidade politica de cumprir o que foi acordado. Estão relacionados, mas não são exactamente a mesma coisa.
Em segundo, este é um referendo perfeitamente chantagista, e aí concordo com os cínicos, mas que parte de uma realidade que tem de ser assumida: no contexto actual europeu, este acordo que – vamos ser francos, não resolve nada e é manifestamente insuficiente – é o melhor que se consegue, e mesmo assim a custo. Temos portanto um referendo que consiste numa dupla chantagem:
Do ponto de vista táctico, é uma jogada brilhante de Papandreou. Mas não tenhamos ilusões, isto é o equivalente à ultima carga da cavalaria. Pode resultar, e espero que sim, e a coragem, mesmo resultante do desespero, ninguém lhe tira – não fosse ele um Socialista – simplesmente os grandes gestos desesperados ou românticos acabam muitas vezes em tragédia, e quero ver onde estarão os que agora elogiam o “sentido democrático” e a “lição de soberania” do líder grego quando despedirem metade dos funcionários públicos por falta de fundos, ou quando os hospitais começarem a ficar sem medicamentos. Já para não falar da hipótese séria de um golpe militar. A bancarrota não é bonita, e é neste momento a hipótese mais provável.
Mas quando resultam, caramba, são o material de que são feitos os mitos.
Uma selecção das melhores opiniões da semana, traduzidas para português corrente. Esta semana, versão (ligeiramente) reduzida. Andam muito caladinhos, sabe-se lá porquê.
***
Rui Crull Tabosa, Corta-fitas
Há um palacete a ser usado como gabinete de recreio pelo ex-presidente Jorge Sampaio. Tem direito a staff e tudo. Triste destino de um edifício mandado construir como estúdio de pintura para a mulher de um monarca, ser usado como gabinete de recreio. Maldita República.
***
Filipa Correia Pinto, Senatus
Agora que a direita está no poder, acho mal andar esse sururu com os ordenados, assessores, viagens e mordomias dos politicos. É desagradável, mesquinho, e mina a confiança dos cidadãos nos nossos – nossos – politicos e nas nossas – nossas – instituições. Está na altura de enterrar esse tema. Bem fundo.
***
Eduardo F., Estado Sentido
Estive a ler um ensaio sobre o jornalismo do José Manuel Fernandes. Conta uma historieta* que confirma os meus preconceitos sobre os media e o estado, ou seja, que os jornalistas são uns vendidos a quem tem poder. Logo, partindo dessa historieta* chego à conclusão que o melhor é não ter informação pública, só privada. É isto.
*Nota do tradutor: a historieta é falsa, como não podia deixar de ser, e o JMF foi buscá-la provavelmente aqui. Nunca desilude, este JMF.
***
Henrique Raposo, Expresso
Sócrates! Finalmente o Sócrates! Raaaaaahhh… Rrnhaaaaaaah… rrrrrrrrr….. Bancarrota!….. Rhaaaa…. Rhauuuu… Rrnhaaaaah….. Paris!…. Rrnhaaaaaaah… Rhaaaau… rrrrrrrrr….. Armani!….. rrrrrrrrrr….. Rnaharnaaaah…. Coitadinho do Seguro, gosto tanto dele, o que lhe estão a fazer! Maldito Sócrates!
(Ahhhh, porra, que bem que isto soube! Ando a tentar compensar a falta que me faz com o Paulo Campos, mas tenho de admitir que não é a mesma coisa…)
Uma das coisas mais espantosas sobre este desastroso OE é o facto de, na sua discussão e aprovação, estar a ser jogado o futuro político de António José Seguro. Portanto, ou vota a favor e se co-responsabiliza com Passos, ou vota contra e vai a reboque de Cavaco, visto agora como o “defensor dos cidadãos” e o verdadeiro líder da oposição, ou abstém-se e é visto como oportunista político incapaz de tomar uma posição perante o mais gravoso orçamento que há memória.
Bem jogado, Einstein.
PS – Estou muito curioso sobre o que o Presidente lhe terá dito nos seus encontros. Deixa-me adivinhar: exigiu “sentido de responsabilidade” (i.e. a aprovação do OE) antes dele próprio se demarcar claramente, não foi?
Quero que o mérito seja reconhecido a quem o tem e que o estado me deixe de obrigar a pagar a saúde dos outros, a educação dos filhos dos outros e os problemas dos pais dos outros.
(…)
Não quero ir ao hospital de graça, não quero ficar em casa a receber sem trabalhar, não quero meter os meus filhos na escola de borla, não quero ajuda de ninguém para comprar casa, não quero que me ofereçam um Magalhães, não quero que me paguem o curso
Aqui
Gabo-lhe, pelo menos, a frontalidade. É raro ver a teoria do “cada um por si” exposta com tanta honestidade. Os “outros” que se lixem, cerveja Cristal é que não.