Notas para uma classificação pessoal de bloggers

Ter ideias. Saber defendê-las. As ideias mais imbecis são dignas de respeito se bem defendidas e fundamentadas. Saber transmiti-las, ou seja, saber escrever. Quanto mais simples, melhor. Prosa demasiado elaborada só prova que a ideia por trás dela não vale um chavo. Ser cortês com os outros. Não entrar em ataques pessoais, pelo menos não directamente. Não fazer pouco da figura física, nem indirectamente. Nunca, nunca perder a calma – não lhes dar essa satisfação. Não responder aos outros com citações de outros autores – quem precisa de citar é porque não consegue dizer aquilo pelas suas próprias palavras, ou seja, não percebeu nada e é um burro que leu umas coisas. Não mandar os outros ler livros pelas mesmas razões. Um argumento que inclua “os carros novos que vejo por aí” ou “os políticos corruptos” identifica imediatamente o autor como uma mente simples que lê o Correio da Manhã no café manhoso da esquina e ouve antentamente o fórum TSF. Citar Eça só prova que quer pertencer ao clube dos cultos e cínicos da vida, mas não pertence. Demasiada poesia prova que é uma tia do Estoril cujos miúdos já cresceram, se é que alguma vez existiram. Ninguém está interessado na viagem de merda que fizeste, muito menos nas fotos, a não ser que tenhas ido de mota ou de Lamborghini. E não foste. Quem te pergunta que livros é que lês está a tentar pôr-te a pata em cima, não respondas. Usar mais do que dois pontos de exclamação por ano prova que és uma pessoa facilmente impressionável. Palavras em maiúsculas só provam que não teriam o mesmo efeito em minúsculas, ou seja, não sabes escrever e argumentar. Comentários moderados provam que tens medo do que os outros pensam de ti. O nível dos teus comentadores é o teu, mesmo que não o admitas. Se o teu livro valesse alguma coisa, não precisavas de o andar a promover no teu blogue, os outros faziam-no por ti. Não o fizeram, pois não? Publicar musica clássica ou ópera só prova que dás mais importância ao facto de a ouvires do que à própria musica. Se aspiras a ser um intelectual de esquerda dás ao teu blogue um nome tirado de um filme francês, é meio caminho andado. Se percebesses alguma coisa de mercados financeiros estavas rico. E não estás. A malta que percebe não tem tempo para andar a escrever em blogues, estão demasiado ocupados a ganhar dinheiro.

31 thoughts on “Notas para uma classificação pessoal de bloggers”

  1. (erguendo a minha flute de Krug, que acompanha na perfeição o razoável sargo que tenho diante de mim)

    Cara Vega, completarei com a minha visão pessoal o excelente post com que nos presenteou:

    “Jamais farás alusão a programas televisivos, a não ser que sejam produzidos pela BBC e falados no original. Desconhecerás por completo as bandas nascidas no youtube e designarás como música exacta aquela que os outros designam como “música clássica”. Saberás das coisas do mundo e referenciarás vagamente e em tom blasé as tuas viagens à Patagónia e o facto de teres sido comensal habitual no El Bulli. Falarás com desenvoltura do lado bom da vida e serás um incorrigível bem-disposto, mesmo que os teus interesses na bolsa de Nova Iorque quase te tirem o sono (nada te tira o sono). Ninguém dirá de ti que alguma vez repartiste a conta do jantar com uma senhora e jamais te esquecerás de segurar uma porta para ela passar ou de subir a escadaria que dá acesso ao camarote do Alla Scala à frente dela. Parte do princípio que, ao vivo, os bloggers não uma desilusão, não te decepcionarás quando os conheceres pessoalmente.”

    (pousando o copo e pensando que este sol de inverno é uma benção. Aprovando o sabor forte e frutado deste champagne)

  2. oh razoável sargo! por mero acaso não és primo do sapateiro que aparecia por aqui a recitar anúncios da hola-renas?

  3. Nada disso, Porfirio Silva, lixado mesmo, vexatorio até, é uma pessoa constatar que cumpre apenas PARTE dos critérios.

    Pessoalmente, so consigo encarar a perspectiva de me voltar a olhar no espelho porque, felizmente, é radicalmente impossivel incluir-me na categoria dos “bloggers”.

    Boas

  4. Fábio, referenciarás vagamente e em tom blasé as tuas viagens à Patagónia – nem mais.
    ___
    Porfírio, eu não chumbo ninguém, era o que faltava. Estarás, no máximo, classificado (a nota é que não te digo) ;)
    ___
    anónimo, mesmo que quisesse não tenho a chave.

  5. Ainda bem que este “blog”está em conformidade com as normas “postadas”…
    Senão um gajo ainda ficava sujeito a fazer uma viagem de merda pelos artigos, para chegar à conclusão que o autor alem de ter uma mente simples não passa de um burro.

  6. Tan honrados escritores

    nã phodem leixar de ter

    cousas de grandes primores

    e quant’ê houver mester

    debeis vós de ter, senhores

    ou amos e s’ignores

    Quanto mais simples, melhor….neste caso o poste falhou o alvo

    Prosa demasiado elaborada só prova que a ideia por trás dela não vale um chavo….tamos d’accordo nã vale

    Ser cortês com os outros. ….ser cortês com alucinações visuais?

    Não entrar em ataques pessoais, pelo menos não directamente……deve ser difícil

    Não fazer pouco da figura física, nem indirectamente….é tudo corcundas e hanões?

    Nunca, nunca perder a calma….quem perde a calma ao ler um livro…é alucinado?

    ou sofre de outra pathologia?

    assis que a paz nã se dá

    a troco de jubileus?

  7. o tráfego dos users está mau

    Domain Name (Unknown)
    IP Address 93.102.218.# (Unknown Organization)
    ISP Unknown ISP
    Location
    Continent : Unknown
    Country : Unknown
    Lat/Long : unknown
    Language Portuguese
    pt
    Operating System Microsoft WinNT
    Browser Internet Explorer 7.0
    Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 7.0; Windows NT 6.1; WOW64; Trident/4.0; GTB6.3; SLCC2; .NET CLR 2.0.50727; .NET CLR 3.5.30729; .NET CLR 3.0.30729; Media Center PC 6.0; InfoPath.2)
    Javascript version 1.3
    Monitor
    Resolution : 1366 x 768
    Color Depth : 32 bits
    Time of Visit Jan 4 2012 6:35:28 pm
    Last Page View Jan 4 2012 6:35:28 pm
    Visit Length 0 seconds

    e breve…

    a repetição dos IP´s nos blogues é gigantesca

    redundâncias de gentes de bien

  8. 1,2,3 experiência… é só para saber se o excesso de velocidade a que o blogue me rejeitou o comentário é por falta de um desses critérios do Vega9000!

  9. e os preguiçosos
    e os brincalhões
    e os ociosos
    de classificações.

    Costumo gostar do que escreves e nunca me preocupo com as notas!!!!!

    :)))

  10. “Prosa demasiado elaborada só prova que a ideia por trás dela não vale um chavo.”
    ;) Nunca falha.

    Também já elegi os meus preferidos:
    Vega e Penélope.
    Nada contra os outros, claro. Também os leio com prazer. Sinto apenas uma maior sintonia com estes autores.

    Baidauei, ainda não percebi se o Ivanildo está a gozar com os burgessos armados ao pingarelho, ou se realmente pertence a essa elite. ;D

    Desculpem o esquecimento, Bom Ano para todos.

  11. Dei-me ao trabalho de fazer parágrafos em todos os pontos finais,e não é que resultou num manancial de frases e conceitos que com alguns retoques muito úteis se vão tornar no futuro.Obrigado!Boa prenda de Ano Novo!Gostei.Não coloco mais pontos de admiração/exclamação,porque o ano ainda está no inicio!

  12. Auto-avaliação

    Ter ideias. Saber defendê-las. As ideias mais imbecis são dignas de respeito se bem defendidas e fundamentadas. – …

    Saber transmiti-las, ou seja, saber escrever. – Aqui está a primeira grande dificuldade

    Quanto mais simples, melhor. – Pois

    Prosa demasiado elaborada só prova que a ideia por trás dela não vale um chavo. – E quando a ideia vale um chavo, mas não se sabe escrever e por isso se elabora?

    Ser cortês com os outros. Não entrar em ataques pessoais, pelo menos não directamente. Não fazer pouco da figura física, nem indirectamente. – Estas são muito fáceis

    Nunca, nunca perder a calma – não lhes dar essa satisfação. – O quase nunca conta?

    Não responder aos outros com citações de outros autores – quem precisa de citar é porque não consegue dizer aquilo pelas suas próprias palavras, ou seja, não percebeu nada e é um burro que leu umas coisas. – Aqui não corro grandes riscos, tenho péssima memória e leio pouco

    Não mandar os outros ler livros pelas mesmas razões. – Mesmo que pudesse, nunca o faria

    Um argumento que inclua “os carros novos que vejo por aí” ou “os políticos corruptos” identifica imediatamente o autor como uma mente simples que lê o Correio da Manhã no café manhoso da esquina e ouve antentamente o fórum TSF. – Não ligo nenhuma a carros e tenho alergia à expressão “políticos corruptos”, no entanto adoro encontrar o correio da manhã em cafés manhosos, sobretudo agora que as poupanças me obrigam a não comprar nenhumas letras para acompanhar o café

    Citar Eça só prova que quer pertencer ao clube dos cultos e cínicos da vida, mas não pertence. – Não cito Eça

    Demasiada poesia prova que é uma tia do Estoril cujos miúdos já cresceram, se é que alguma vez existiram. – Das tias do Estoril invejo sobretudo o guarda-roupa

    Ninguém está interessado na viagem de merda que fizeste, muito menos nas fotos, a não ser que tenhas ido de mota ou de Lamborghini. E não foste. – aqui é o Vega que está errado, uma vez vim de mota de Montalegre para Lisboa, eu é que não tenho interesse nenhum em divulgar as lastimáveis fotos que me tiraram à chegada

    Quem te pergunta que livros é que lês está a tentar pôr-te a pata em cima, não respondas. – Ora aqui está um fantástico argumento para não divulgar que ando a ler só o Correio da Manhã

    Usar mais do que dois pontos de exclamação por ano prova que és uma pessoa facilmente impressionável. – Nunca uso pontos de exclamação durante o ano, mas rebento a escala no fim do ano… (“obrigada pelo simpático email e desejo-lhe também MUITO BOM ANO!”)

    Palavras em maiúsculas só provam que não teriam o mesmo efeito em minúsculas, ou seja, não sabes escrever e argumentar. – O mesmo problema dos pontos de exclamação. E a verdade é que estou convencida que não têm mesmo o mesmo efeito.

    Comentários moderados provam que tens medo do que os outros pensam de ti. – E tenho, mas cada vez menos

    O nível dos teus comentadores é o teu, mesmo que não o admitas. – Esta frase adorei, é a que vou guardar deste texto

    Se o teu livro valesse alguma coisa, não precisavas de o andar a promover no teu blogue, os outros faziam-no por ti. Não o fizeram, pois não? – Aqui não corro riscos

    Publicar musica clássica ou ópera só prova que dás mais importância ao facto de a ouvires do que à própria musica. – Bolas isto é deprimente, tal como os livros também tenho deixado a musica de lado. Ando mesmo com uma vida idiota

    Se aspiras a ser um intelectual de esquerda dás ao teu blogue um nome tirado de um filme francês, é meio caminho andado. – Pronto, se tiver um blog vou chamar-lhe Coca-Cola

    Se percebesses alguma coisa de mercados financeiros estavas rico. E não estás. A malta que percebe não tem tempo para andar a escrever em blogues, estão demasiado ocupados a ganhar dinheiro. – E cheguei ao fim. Tive tempo para ler, paginar, comentar, acho que chumbei, não percebo nada de mercados financeiros mas diverti-me à brava.

  13. ibmartins, ninguém chumba, mas ainda bem que te divertiste à brava (imagina eu a escrever – a maior dificuldade foi parar, acredita).

    uma vez vim de mota de Montalegre para Lisboa, eu é que não tenho interesse nenhum em divulgar as lastimáveis fotos que me tiraram à chegada

    É pena, porque essas é que têm interesse.

    se tiver um blog vou chamar-lhe Coca-Cola

    Só se não aspirares a ser intelectual de esquerda, a não ser que utilizes Coca-cola num registo irónico – por exemplo, O borbulhar da Coca-cola, e nesse caso já pode ser, mas é arriscado. Na solução clássica dos filmes franceses, aqui ficam algumas sugestões que ainda não estão tomadas:

    – O tempo que resta
    – Entre os muros
    – Ervas Daninhas
    – O verão assassino
    – O escafandro e a borboleta

    etc, etc, etc

  14. Vega9000

    Depende. Eu habituei-me a pensar que classificar implica notas (ou níveis) e que avaliar é que pode não as implicar. Uma nuance (classificar/avaliar) interessante.
    :)))

  15. ah , ah , classificação das espécies , Vega ? vai já dizer aos gajos que não podem por nos livros que a espécie humana é a mais evoluida , rapaz , pois isso lixa a tua ideia de classificação sem hierarquias. se tivesses falado em biodiversidade/bloguerdiversidade era outra coisa..que todos fazem falta.

  16. ;)), lá estás tu a falar em classificar em termos de valores, como uma hierarquia. Mas vocês são todos professores?

    Classificar, segundo Vega9000:
    – este pertence à espécie dos imbecis
    – aquele pertence à espécie dos ranhosos
    – o outro pertence à espécie dos pedantes
    – acolá são apenas burros (sem espécie)
    – fulano pertence à espécie dos que sabem muito de uma coisa e nada de tudo o resto
    – beltrano é inteligente que se farta, o cabrão
    – sicrano esforça-se imenso por mostrar que sabe escrever. Mas não sabe.
    – Helena F. Matos (é a sua própria espécie)
    – Sofia Bragança Buchholz (ahahaha, ainda não tenho a completa certeza da espécie, aquilo é bem capaz de ser performance art, o que muda a classificação)

    Etc, etc. (Como vês, não anda longe da tua ideia de biodiversidade)

    E adoro-os a todos por partilharem os pensamentos com o mundo, mesmo que seja para um merecido gozo. E aprendo com todos eles. Ou não andava por aqui.

  17. Agora sim (nesta altura estive para exclamar, mas felizmente lembrei-me da limitação ao número de “!”), oficialmente este é um Blog de Lineu.

  18. “Mas vocês são todos professores?”

    Quando crescer quero, também eu, ser capaz de atirar com uma boca tão deliciosamente certeira. Ja interrompi o trabalho, fui ao café, voltei, e ainda não parei de rir…

  19. “Se percebesses alguma coisa de mercados financeiros estavas rico. E não estás. A malta que percebe não tem tempo para andar a escrever em blogues, estão demasiado ocupados a ganhar dinheiro”

    Vega, os mesmo ricos têm a trabalhar para eles gajos que percebem muito mais do que eles de mercados financeiros. Estes não são os ricos, são os empregados com bons salários. E qualquer corrector da bolsa percebe mais de mercados financeiros do que o Amorim. Já estás a perceber o erro do teu raciocínio?

    Sobre o resto, tu és um gajo mesmo exigente.

  20. Pedro, estava a falar de “ricos” que percebem de mercados financeiros, não dos que investem a fortuna com outra origem lá. Nessa definição cabem uma série de agentes – corretores, gestores de hedge-funds, etc – que ganham o suficiente com o dinheiro dos outros para serem considerados “ricos”.
    ___
    Penélope, boa sugestão.

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