versa fiada

Júlio Magalhães tem uma relação especial com Marcelo e “a direcção não quer que o professor se vá embora da TVI”, explica ao JN uma fonte do canal de Queluz de Baixo

Já vi a expressão “uma relação especial” ser utilizada em muitos contextos (o amoroso é dominante), mas, neste, só pode significar uma coisa: Júlio Magalhães gosta de dedicar a parte final do seu telejornal a fazer de boneco, aceitando ser pago para isso. O professor é um palrador com ar simpático, não fora a política. Mas, de facto, todo o pivô que aceite sentá-lo à sua mesa na condição de abrir a boca duas ou três vezes, apenas para introduzir os temas da comentarice dominical, ouvindo passivamente e sem a mínima réplica (aparentemente como cláusula contratual) os frequentes dislates e basófias de Marcelo, está deliberadamente a deixar os seus créditos jornalísticos atravessar um troço arriscado. Foi o que aconteceu com Ana Sousa Dias e Maria Flor Pedroso (ainda que esta ensaiasse, de vez em quando, ligeiros contrapontos). Ambas recuperaram dessa travessia, mas lembrar-nos-emos sempre da figura que fizeram. Presumo que não haja na TVI quem mais se queira prestar a esse papel (?). Ou então a afabilidade de Júlio Magalhães ou a sua admiração por Marcelo casam tão bem com as pretensões deste último que lhe dão o direito de exigir a sua manutenção no papel. Sob pena (acabo aqui, recorrendo à técnica estilística do blogger Maradona).

(Nota: Vou passar a escrever segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico. Profissionalmente, estou obrigada a isso desde 1 de janeiro. Além disso, também na escrita pessoal, não me causa qualquer repulsa. No texto supra, nem foi necessário alterar nada.)

8 thoughts on “versa fiada”

  1. tou bendo, o júlio faz a barba ao marcelo e bersa-bice. bai durando até o paes acordar birado pró lado errado, de quem sai, e correr com os filhos das maes e os mandar latir para o porto canil.

  2. Já lá vai algum tempo, mas fiquei com a ideia que a Sousa Dias era relativamente isenta e questionava, o que deixava o Marcelo pouco à-vontade.
    A Flor Pedroso, pelo que me apercebi em várias entrevistas, está ao nível das parolas tendenciosas de direita como a Judite, a Campos Ferreira e outras.
    E aquela velha horrorosa com voz de bagaço? Diz que sim, que é jornalista. Qu’a nojo!
    :P

  3. O pugama do Marcelo é a coisa mais PAROLA, CAFONA e FAJUTA que passa na televisão portuguesa. É bem indiciador do nosso sub-desenvolvimento mental colectivo e do nosso multi-atraso em matéria de pluralismo, democracia, cidadania, civismo, liberdade de expressão, comunicação social independente, jornalismo puro e simples, sei lá que mais…

  4. Cara Penélope,
    Também vi essas tais que foram postas frente a marcelo e penso que, tal como diz Vieira, a Ana Sousa Dias interpelava o marcelo e até lhe lhe punha questões e assinalava contradições.
    Ao contrário a Pedroso, essa sim, limitava-se de princípio ao fim do programa a balbuciar embevecida par o professor:
    – Sim senhor professor
    – E agora senhor professor
    – E depois senhor professor
    – Muito bem senhor professor
    – Sim senhor professor
    – Sim senhor professor
    – Pois senhor professor
    – Sim senhor professor
    – Muito bem senhor professor, e agora senhor professor
    E mantinha desde a abertura ao fim do programa este tom monocórdico e subserviente
    como uma aluna cábula frente ao grande mestre. Uma nódoa do seu tamanho.

  5. Vieira e José Neves: Por alguma razão, a mim pareceu-me o contrário, talvez devido à voz mais suave de Ana Sousa Dias. Mas não é grave. O que é grave é que aquele programa é um absurdo. Trata-se de tempo de antena do PSD, disfarçado de livre pensamento. O jornalista não está lá a fazer nada, sendo, para mim, incompreensível que algum aceite aquele papel. Como já vamos no terceiro (após a saída de Vitorino) e a fórmula é sempre a mesma – um monólogo com jornalista ao lado – aplica-se claramente ao jornalista em causa o provérbio “à terceira cai quem quer”. Muito estranho.

  6. “Já vi a expressão “uma relação especial” ser utilizada em muitos contextos (o amoroso é dominante), mas, neste, só pode significar uma coisa: Júlio Magalhães gosta de dedicar a parte final do seu telejornal a fazer de boneco, aceitando ser pago para isso.”

    Olhem que, tendo em conta as personagens em questão, é bem possível que o “contexto dominante” seja aquele que corresponde a este caso…
    Não tenho nada contra, eles lá sabem… :D

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