Arquivo da Categoria: Valupi

Receituário

Para esfregar na cara das vadias que querem ficar em casa a empobrecer os próprios filhos que alegam amar, as mulas.

Para enfiar pela goela abaixo dessa cambada de professores que só se sabe queixar e que vão para a escola como quem vai para um local onde se ensina alguma coisa, os bandidos.

Para chapar no focinho dos solteirões invertebrados ou invertidos, que pensam que são divertidos ou inveterados, os sacanas.

Para mandar aos cornos dos palhaços que continuam zangados, mesmo que tenham toda a razão, e na maior parte dos casos até têm pois vivem rodeados de palhaços, os palhaços.

Emmimmesmado

Chove. E sempre que chove oiço sempre as pessoas a dizerem sempre as mesmas coisas de sempre. Oiço ou ouço? Não interessa, porque elas não gostam da chuva. Ficam com uma cara triste e dizem “chove”, mas como quem diz “chove…”, não como quem diz “chove.”, muito menos como quem diz “chove!”. Porque trovoada não gostam elas da chuva? Qual foi o aguaceiro que lhes fez mal? Será que ninguém lhes explicou que os corações desenhados nos vidros embaciados por dedos enamorados vêm dos céus nublados? Uma vez fiz estas perguntas a uma dessas pessoas. Com o cuidado de falar tão baixinho que ela não me pudesse ouvir. Ela mesmo assim ainda disse “não ouço”. E eu disse ainda assim mesmo “não oiço”. Ela estava com uma cara triste. Triste como um daqueles dias de Sol em que não chove nem água. Ficámos sem nos conseguir ouvir. Apeteceu-me chover.

Farmacopeia

A MorDebe é um recurso que se torna de uso recorrente sem necessidade de explicação. Bloguistas, jornalistas, romancistas, contistas, poetas, publicitários e apaixonados com veia lírica têm ali uma amiga.

Mas não tem as palavras todas. Que alívio.

Logoterapia

Figuras de Estilo da III República

Prosopopeia – Ramalho Eanes

Anacoluto – Mário Soares

Perífrase – Jorge Sampaio

Candidatos

Hipérbato – Mário Soares (versão 2.0 mandatos)

Anadiplose – Francisco Louçã

Catacrese – Jerónimo de Sousa

Apóstrofe – Manuel Alegre

Disfemismo – Cavaco Silva

Um Discurso de Despedida falhado

Vou imitar o Luis Rainha, que se imitou a si mesmo (e este jogo de espelhos teria ainda mais para contar…), começando com uma despedida. Não o consegui fazer em tempo útil — o que talvez até me tenha custado o último livro de contos do Alexandre Andrade à pala — e com esse fracasso acabei por resolver o problema do meu primeiro post na Aspirina B. Muitos, e alguns notáveis, foram aqueles que entraram na blogosfera através do layout azulado do BdE. Mérito inquestionável do Zé Mário e do Manuel Deniz, mérito indiscutível de todos os colaboradores que o tornaram num blogue de referência. E de convivência.

Não sei como fui parar ao BdE, por isso não sei porquê. Sei que nunca tinha ligado aos blogues. E continuo a não ligar, mas por mais ilustradas razões.

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