Arquivo da Categoria: Valupi

Lembretes

– Paulo Rangel ainda não teve uma única ideia que valha a pena ouvir, quanto mais discutir. Quando debateu com Vital mano-a-mano, na SIC, o que se viu foi um sabotador que seguiu os códigos das pelejas parlamentares e para lamentar. O resultado foi repugnante. Logo depois, vai à Assembleia mostrar que o 25 de Abril vale menos do que a baixa política. No que diz respeito ao seu calibre de estadista, estamos conversados.

– O BE cresce não devido ao apelo das suas propostas ou à confiança nos seus responsáveis, mas como íman dos votos de protesto. Isso faz do BE um partido condenado a um insolúvel dilema: se ficar refém de uma atitude apenas e só opositora, vai defraudar a sua base de apoio; se vier a ser Governo, vai defraudar a sua base de apoio.

– Se amanhã o CDS fechasse as portas e nunca mais enviasse um comunicado à imprensa, passariam 10 anos antes de alguém dar por isso.

– A propósito da entrevista a Sócrates, voltou o estafado epíteto da arrogância no refugo das críticas. É um fenómeno risível. Porque aquilo que se considera ser arrogante em Sócrates é, afinal, um acto de humildade: consiste na entrega apaixonada ao confronto político. O homem chega a parecer juvenil, de tanto entusiasmo. Alguns portugueses, nados e criados no cinismo e mesuras hipócritas dos governantes, reclamam por não estarem habituados à autenticidade.

– Emídio Rangel é um bravo. Dava 1 euro para ter assistido ao Moniz a ler isto.

– Jesualdo vai ser tricampeão. O Benfica até a mim me deixa doente. E o Paulo Bento prestaria um melhor serviço à Humanidade se deixasse de protestar contra os árbitros e desatasse a protestar contra si. Quando é que começa a próxima época?

– 2009 já só tem 8 meses para dar cabo desta merda toda.

E as crianças, senhores?

O episódio do tempo de antena do PS com imagens ilegítimas parece uma encomenda da oposição. Tem os ingredientes ideais para que os imbecis do costume se babem alarvemente: PS, propaganda, crianças, escolas, pais, Ministério da Educação, computadores Magalhães, Sócrates e absoluta irrelevância política e social. A partir daqui, é malhar enquanto estiver quente. O inimigo foi ao tapete, os merdas aproveitam para o pontapear e cuspir. Sem qualquer surpresa.

Surpreendente seria que alguém dissesse o óbvio: que uma oposição reduzida à chicana é uma tirania desgraçada, transforma o debate numa permanente criancice.

Crespologia

A crespologia é uma ciência originária dos primeiros meses de 2009, resultando da urgência epistemológica em estudar o jornalista Mário Crespo. As questões fundamentais desta área de conhecimento, que já nasceu velha, são duas:

1) Crespo é tão imbecil como aparenta?

2) E aquilo de que padece será peçonha que se pega pela televisão?

Analisemos o seu último espasmo escrito, Os bons e os maus. Abre com uma tripla comparação — caso Freeport com acidente de Entre-os-Rios; jornalistas com supostos responsáveis pela tragédia; processos com acusações. E conclui o parágrafo atribuindo ao Governo a responsabilidade pelas equivalências dementes que nasceram algures a meio das suas orelhas. Quer isto dizer que, para além de ofender todas as vítimas da queda da ponte ao utilizar a sua memória numa comparação lunática, se assume como um inimputável que não terá respeito por nada nem por ninguém na sua sanha persecutória e odienta.

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Helena Matos em softcore

Helena Matos comentou a entrevista a Sócrates recorrendo ao estilo softcore: sabemos que alguém está a foder alguém, mas não se apresentam imagens explícitas. O que permite dizer que era tudo a brincar, que a pila nem sequer tocou no pipi*, caso o espectáculo dê para o torto. Por isso abre o texto com uma paralipse, recurso típico dos ataques ad hominem e subterfúgio preferido das insinuações cobardes:

Não quero saber da mãe, do primo, do tio e de quem mais seja das relações do cidadão José Sócrates.

Não? Certezinha? Então porquê começar por sugerir ao leitor que Sócrates não está sozinho na suposta marosca, antes é todo o clã que actua em conjunto? O texto mantém a insídia inicial, ou aumenta-a, fazendo variações à volta dos casos que a imprensa tem publicado, investigado e explorado. A imprensa e as autoridades, vamos também lembrar. O que faz de Sócrates o político mais exposto, mais estudado e mais transparente de que há memória; até os notários portugueses andaram a virar gavetas e tapetes ao contrário à procura de um metro quadrado falcatruado para o entalar. Tal como o processo de licenciamento do Freeport é o acto governativo mais explicitado na comunicação social em toda a História de Portugal, e já lá moram perto de 9 séculos. No entanto, apesar de qualquer pulha ter chafurdado como bem lhe apeteceu na torrente de informações tornada pública, Sócrates continua objectiva e factualmente imaculado no plano legal. O mesmo já não se pode dizer de parte da elite cavaquista; mas, shiiiiiuu, disso é que não convém falar ― a liberdade de imprensa não foi inventada para chatear o actual Presidente da República e sua filiação partidária, como o Zé Manel e o Pacheco poderão esclarecer se houver dúvidas.

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Postais pedidos

A nossa amiga Sinhã pediu para se dar atenção às rodilheres. E depois de meditar profundamente na questão, o que tenho a dizer é o seguinte: rodilheres, pela vossa saúde!

O nosso amigo Carlos Santos pediu para se dar atenção à tortura. Ele ficou torturado com o assunto e também aqui estamos perante um problema de saúde; tanto física como mental.

Macaronésia é nossa

macaronesia

E também de Espanha e Cabo Verde, talvez Marrocos, mesmo Senegal. É um arranjo geográfico que nos está a chamar. Precisamos de juntar biólogos, engenheiros, pescadores, empresários e anti-imbecis. Isto para começar. Para começar a descobrir o que fazer a tanto mar e aos biótipos exclusivos. Há que bater à porta da universidade e trazer recursos intelectuais para este território que poderia ligar Portugal e Espanha num regresso ao poder atlântico, e que ligaria Europa e África numa comunidade de criação de riqueza.

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Discursos do 25 de Abril

O paupérrimo e falacioso discurso do Presidente da República confirmou o pior dos cenários: está em campanha pelo PSD. É a primeira vez que se assiste a tal na democracia portuguesa, ter o Chefe de Estado a interferir institucionalmente na política partidária em período eleitoral, as consequências são imprevisíveis. Para uma arguta análise da situação, escutar Marina Costa Lobo ao realçar a necessidade da bipolarização para salvar o PSD da catástrofe. Cavaco teria entrado nesta aventura por causa do crescimento dos eleitorados à esquerda do PS, o qual esvaziou o PSD.

Paulo Rangel fez uma peixeirada verrinosa. Estava ali para obter um tempo de antena, não para celebrar fosse o que fosse para além dos seus interesses partidários. Conspurcou o espírito da sessão. É por causa deste tipo de políticos que a política profissional se tornou num espectáculo insuportável. No cavaquismo teria ido muito longe, muito longe.

Jaime Gama escreveu um belo e sapiente discurso, que leu com alma. Que pena Cavaco não falar aquela língua, nada tendo percebido.

Nós, europeus. Vós, parvónios.

Vital Moreira e Paulo Rangel foram à SIC mostrar que pertencem a universos paralelos. Vital é sério, Rangel é bufão. Vital é rigoroso, Rangel é sofístico. Vital é pedagógico, Rangel é ilusionista. Vital representa a cultura académica, Rangel representa a subcultura parlamentar. Vital é a civilização, Rangel é a decadência.

Tem-se tentado passar a imagem de que Paulo Rangel é um bom tribuno; e que, nos seus melhores dias, até consegue fazer frente a Sócrates. Assim se vê o grau da miséria a que o PSD chegou: basta que um bufarinheiro consiga sobreviver aos debates parlamentares para ser elevado à condição de herói.

Os travecas da TVI

Sempre que vi o serviço deformativo da TVI, às sextas, fui tomado pelo mesmo sentimento: compaixão. Porque o que se exibe é uma tocante fragilidade. Hoje esteve lá o apocalíptico Medina Carreira. E repetiu que o Mundo vai acabar por causa deste Governo, se é que não acabou já e alguém esqueceu-se de nos avisar. A Manela quis terminar com alguma esperança, um plano, uma promessa de libertação para as massas escravizadas. Medina não tinha nada na manga, pois o PS e o PSD eram iguais, explicou, apenas associações de criminosos organizadas para assaltar o orçamento de Estado. Ficaram assim um bocadinho. Até que se calaram. Ela disse que isto estava muito mau, para se despedir. Ele ainda conseguiu dizer que estava péssimo, com entusiasmo.

O aparato policial, justiceiro, insurgente, com que se faz o marketing do JN6 simula uma força igual ou maior à do Governo, do PS e de todas as tenebrosas entidades que conspiram para nos esmagar com os seus diabólicos poderes. É a TVI a chefiar a resistência ao fascismo, não têm medo de nada nem de ninguém. Só que desde a circense apresentadora até ao albergue espanhol daquela redacção, o que fica depois das canhestras manipulações é apenas completa desorientação política e ética. Uma inquestionável realidade os consola: Sócrates existe, portanto a vida ainda tem algum sentido. Sócrates é uma paixão, e todas as paixões são obsessivas, claro. Então, não o largam, pedem a sua atenção, desejam o seu amor. E lá sobem ao palco, vestidos com trajes muito fantasiosos, para cantar espalhafatosamente I Will Survive.

Os travecas da TVI, afinal, o que querem é um pouco de ternura. Como todos nós.

Cá por casa

cidadão presente ofereceu-nos uma mui bem trabalhada prosa a dar forma a variado comentário político. Last but not least, recorda Rita Levi-Montalcini, mais um cérebro judeu a fazer a diferença.

j.coelho volta a ser leitura de grande proveito, desta vez sobre os recursos marítimos. Para além do seu detalhado levantamento, acrescento que poderíamos ter na indústria da água o mesmo tipo de envolvimento político e social que os americanos tiveram quando decidiram ir à Lua. A água vai ser um dos mais decisivos recursos naturais para lidar com o aquecimento global e o crescimento da população, tanto a doce como a salgada. A doce para a agricultura e consumo, a salgada para alimentação, ciência, energia e transformação em água doce. Nada seria mais conforme à nossa História, e à nossa alma universalista e humanitária, do que este regresso aos descobrimentos aquosos.

Coisas infelizes numa revista chamada Happy
é um pinga-pinga de comentários há dois anos. E isto sem qualquer participação do autor, José do Carmo Francisco, o qual tem ali o seu mais feliz sucesso blogosférico.

Bota-abaixismos, catastrofismos, paranóias e conspirações

O Governo não interiorizou ainda que vamos empobrecer décadas? Não o explica aos Portugueses?

[…]

O Governo não tem aprovadas soluções nenhumas para sectores estratégicos, num momento em que da economia ao social nada ficará na mesma. E isso mete medo, por todos nós e, em particular, pelas gerações mais novas. O Governo não interiorizou ainda que vamos empobrecer décadas? Não o explica aos Portugueses? Não entende que a planificação é urgente e que as campanhas eleitorais que se avizinham não podem sobrepor-se a respostas necessárias à coesão social e a uma sustentabilidade mínima para o País?

Afinal andamos à deriva, foi esta a confissão do Primeiro-Ministro. Poucos ouviram.

O nosso amigo z trouxe este notável texto de Paula Teixeira da Cruz. Notável, antes de mais, pela autora; a qual sofreu recente tragédia, ou tragédias, na sua vida pessoal. Manteve-se, porém, com a sua actividade política e de intervenção pública. É tal revelador de admirável carácter, e exemplo de coragem. E notável porque o seu texto é representativo de um estado de psicose colectiva que atinge faixas da direita e da esquerda por igual, só variando nas referências. No caso da direita, o pólo aglutinador é Cavaco; no caso da esquerda é a tribo de cada qual. E corresponde ao extremar das características que têm moldado o perfil disfuncional da vivência cívica em Portugal ― gerado no salazarismo e que permanece como maldição endémica ― onde a ignorância e a cobardia oprimem a inteligência.

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É mentira mas é verdade

Certa história, que remonta a suposta experiência no século XIX, diz que uma rã saltará para longe caso seja lançada para o meio de água a ferver. Contudo, caso se coloque essa mesma rã em água fria, ela ficará quieta. Então, pode começar-se a aquecer a água lentamente. A rã continuará imóvel, pois vai adaptando o seu corpo à lenta mudança de temperatura. O aumento continua até que a água atinge o ponto de ebulição. E coze a rã que continuou imóvel a tentar suportar o calor até ao fim.

Somos assim, não somos? Se alguém nos disser que daqui por cinco ou dez anos vamos estar enfiados numa vida de conflitos, agressões, violências, vergonhas e indignidades, e que não vamos conseguir ― ou querer! ― sair dela, acharemos impossível. A mera possibilidade nos parece ofensiva. Contudo, se nos acontecer devarinho, ao longo desse tempo, com altos e baixos, esperanças e desilusões, medos e negações, chegamos lá. Lá onde o aleatório das circunstâncias finge ser destino. Lá onde ficamos imóveis a ver a liberdade evaporar-se.

Claro, não somos todos assim. E o tema pode ser apenas relativo a algo tão banal quanto o inevitável stress. Speak inglês?