Cá por casa

cidadão presente ofereceu-nos uma mui bem trabalhada prosa a dar forma a variado comentário político. Last but not least, recorda Rita Levi-Montalcini, mais um cérebro judeu a fazer a diferença.

j.coelho volta a ser leitura de grande proveito, desta vez sobre os recursos marítimos. Para além do seu detalhado levantamento, acrescento que poderíamos ter na indústria da água o mesmo tipo de envolvimento político e social que os americanos tiveram quando decidiram ir à Lua. A água vai ser um dos mais decisivos recursos naturais para lidar com o aquecimento global e o crescimento da população, tanto a doce como a salgada. A doce para a agricultura e consumo, a salgada para alimentação, ciência, energia e transformação em água doce. Nada seria mais conforme à nossa História, e à nossa alma universalista e humanitária, do que este regresso aos descobrimentos aquosos.

Coisas infelizes numa revista chamada Happy
é um pinga-pinga de comentários há dois anos. E isto sem qualquer participação do autor, José do Carmo Francisco, o qual tem ali o seu mais feliz sucesso blogosférico.

11 thoughts on “Cá por casa”

  1. :-D há, de facto, felicidades assim. tu és tramado, Valupi. :-)
    Vá, um dia destes gostava que escrevesses, fininho, sobre rodilheres (vai lá, à minha assoalhada, ver o que são). :-)

  2. Mais Cinco Tópicos
    1. O meu aplauso ao post de J.Coelho sobre o mar e a ZEEE, depois de ter escrito Do fundo da toca. Realmente, aplaudir um Governante ou um Governo não se pode confundir com incensar, bajular. A crítica é indispensável (o pior perigo, para Sócrates e para o PS é a não existência de alternativa credível) e há muitos aspectos a corrigir. Compete ao cidadão ser um cidadão presente. Considero que não basta dizer, por exemplo, que são todos iguais, desvalorizar a política, prégar a abstenção. Quando o cidadão não intervém, alguém intervém por ele, outra forma do conhecido aforismo sobre a política.E a alternativa para o cidadão que não está presente e não quer sofrer os efeitos sociais e políticos irresponsáveis (nele e nos outros) de não votar, por desfastio ou padecimento de azia, não é entusiasmante: resta-lhe ser eremita ou suicidar-se. A importância do mar é tão grande para Portugal que todos estão de acordo, mas acaba por se fazer muito pouco. Mário Soares teve um papel de relevo neste domínio a nível da ONU, não há muito tempo. A fauna, os recursos minerais e a energia são de enorme importância. A História e a chamada vocação, nem se fala. O património militar (o Instituto Hidrográfico tem tido importante papel e é um organismo muito prestigiado), o património de investigação (não considerando o inacreditável desmantelamento do INETI) nos laboratórios de estado, associados e universidades, no contexto europeu, proporcionam a Portugal um papel que pode ser muito destacado. Para nós: portugueses, europeus, cidadãos do mundo. É pois fundamental que o novo governo leve a sério esta prioridade, irrealizável sem a massa crítica indispensável (de capital financeiro e capital humano) comunitário e multi-lateral (dentro e ou fora da UE). Algo haveria a dizer sobre os Noruegueses ou sobre a energia das marés, mas fica para outra altura.
    2. Rita Levi-Montalcini. Obrigado Valupi por terem dado destaque. Não nos esqueçamos que ela fez ontem 100 anos, juntando-se ao clube de que fazem parte Óscar Niemeyer, Manoel de Oliveira e Claude Levi-Strauss.E com certeza mais, menos conhecidos, pelo menos de mim. Rita L-M é judia (há pouco mais de 500 anos D.Manuel I tê-la-ia expulsado de Portugal). Ganhou o Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina em 1986, é Senadora vitalícia italiana e declarou no fim de uma espantosa entrevista, não há muito tempo, quando lhe perguntaram o que gostaria de fazer se estivesse com vinte anos: “mas eu estou a fazer!”.
    3. Por falar em Rita. Ela é (ou foi) Presidente da Associação Italiana de Esclerose Múltipla. Ocorre-me outro  grande vulto (não centenário, tem 67 anos), com uma ELA (esclerose lateral amiotrófica) desde os 21 anos: Stephen Hawking, considerado o mais importante físico teórico vivo. Está, como se sabe, imobilizado numa cadeira onde se desloca para todo o mundo, comunicando (e dando aulas e conferências) através de um computador accionado pelos movimentos de uma pálpebra. Professor Lucasiano de Matemática de Cambridge, ocupa a cadeira que foi de Newton. Interrogado, numa entrevista a que respondeu, há pouco tempo, em Barcelona, sobre se tinha saudades de quando tinha 20 anos a sua resposta foi: “Sou mais feliz agora”.
    4. Porquê esta gerontofilia e deficientofilia desenfreada que deu ao cidadão presente? Porque deficientes (portadores de deficiência) somos nós todos, ó literatos, deficientes somos nós todos, gatos e ratos, deficientes somos nós todos, desde pequenos, deficientes somos nós todos, ou ainda menos (cortesia de Cesariny, como é sabido). Além das micro-pequenas-médias e grandes deficiências (cortesia da Santa Padroeira das PMEs) a idade espreita sempre, olhando para o relógio. Os gerontes que citei são grandes criadores, acrescentaram qualquer coisa ao nosso mundinho ralo, apesar da idade. Apesar? De maneira nenhuma: por causa da idade. E do cérebro que funciona bem e com serendipidade (uso palavras mui difíceis? Habituem-se ao Google). E com esta do cérebro vou terminar: há deficiências terríveis, que os próprios não notam (et pour cause): a dos portadores de estupidez. Sem remédio nem vacina: mas pode ser que a Aspirina B ajude.
    5. Mas só mais uma, com o contraponto de um jóvem (só sei que tem menos que 35 anos pois escreveu que não era nascido quando foi o 25 de Abril) e que, desde as últimas eleições americanas, me surpreende todos os dias ao o lêr no (s) seu (s) blogues. Primeiro foi um extraordinário apoiante dos leitores (em que modestamente me inclui) ao desenvolver modêlos de grão fino para tomar o pulso às expectativas que teria o nosso Obama, partindo dos muitos bloques e informação dos jornais. Tiro-lhe o chapéu (que não uso) e estou-lhe muito grato. O mesmo que faço agora, após a quotidiana leitura da Crise (tão marcial), da Economia (tão mercurial) e da política (tão primal). Claro que é o Professor Carlos Santos, toda a gente sabe.

    Cidadão Presente  

  3. Sem dúvida que a água é um negócio com futuro. Soa mal com’a merda dizer isto, mas não somos culpados de nos terem atrofiado as ideias com a noção de que a natureza e a realidade são lindas. E são. Às vezes.
    Concordo que uma aposta forte nesta área poderia ser uma herança bem interessante para as gerações futuras. Como indústria e como consciência ecológica.

    O j.coelho faz uma análise interessante e uma listagem exaustiva do muito trabalho que temos pela frente nesta matéria. Se me permite só acrescentaria um lembrete: o Alqueva.

    Que eu saiba, o Alqueva continua a ser ou está prestes a ser (não sei se atingiu a cota máxima) o maior lago artificial da Europa. Se a memória não me falha, quase duplica a nossa linha costeira. E nós continuamos a olhar para isso de lado, a dormir acordados, como se hipnotizados estivéssemos a ver o tanquezito a encher. Entretanto os espanhóis já compraram uma boa parte dos terrenos ribeirinhos à espera de melhores dias para investir e nós vamos criando mais umas empresazitas familiares para alugar barquinhos de recreio.

    Culpa dos governantes? Certamente. Mas sobretudo da nossa classe empresarial que não consegue sair debaixo das saias do estado e pouco ou nada faz que não seja a reboque dele. Aqui, a questão da água também se cruza com a questão do turismo. Talvez por deficiência formativa e profissional, a questão do turismo tem para mim especial significado.

    Há anos que defendo e continuo a fazê-lo que o turismo é a única saída consistente a curto e médio prazo para os problemas estruturais do país depois do aniquilamento da indústria e da agricultura a que assistimos. Por mim, continuo a argumentar que uma parte significativa da carne devia ser posta no grelhador do turismo, mas turismo a sério.

    Mas isso são outras núpcias. Está em causa o ordenamento do território e, consequentemente, o financiamento do poder local. e a cultura. Cultura, primeiro que tudo, ao nível das consciências.

  4. Por lapso, e como cá em casa somos dois, o anterior comentário não é da guida mas sim meu. As minhas desculpas.

  5. Já agora, um acrescento.
    Parte das nações europeias estão a procurar ( e algumas a concretizar) parcerias a nível militar, nomeadamente (mas não só) na área naval.
    Franceses e italianos têm o projecto FREM (construção de uma fragata com projecto comum e integração de tecnologias dos dois países) os belgas perceberam que tinham menos recursos do que os holandeses e juntaram-se a eles (utilizam estruturas – bases navais – da Holanda) ingleses e franceses discutem a feitura de um projecto de porta-aviões (embora as coisas estejam a correr mal pelo lado francês) os espanhóis estão a rentabilizar o seu modelo F-100 (fragata AEGIS) negociando com meio mundo, e os holandeses trabalharam com eles o navio de transporte e desembarque de tropas, tipo “Galiza”..Estamos numa de tudo se junta, tudo se troca, tudo se poupa.
    Nós por cá? Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes..
    A NATO fez saber que não seria necessário que Portugal se dotasse de submarinos (só a Espanha tem prá aí uma meia-dúzia, com mais previstos ) mas a Marinha tem tradição no sector, o Paulinho não resistiu ao brilho das fardas e lá vão dois para a Armada (hão-de estar, como é regra, um a navegar, outro em manutenção).
    Os tais navios-patrulhas oceânicos que o PP também encomendou são projecto nacional – estão a dar bota, como se sabe, com os dois primeiros encalhados ainda antes de navegarem, nos Estaleiros de Viana (esta história dos falhanços súbitos – com os patrulhas e com os dois navios para os Açores – daqueles Estaleiros mereciam um belo e genuíno aperto nos tomates dos responsáveis, que estão a estoirar com uma instituição que ganhou prestigío ao longo dos anos ) e, entretanto, fomos comprar duas fragatas aos holandeses, em segunda mão (outra vez a vocação NATO).
    O navio de transporte e desembarque de forças de intervenção, baseado no tal modelo espanhol, foi adiado (e essa é uma unidade vital para um país que tem cidadãos seus espalhados pelas suas ex-colónias, como se viu na Guiné-Bissau há alguns anos, valeu um navio mercante português que conseguiu resgatar os jaquins e manéis do cais de Pidjiguiti, em Bissau)..
    Ou seja, não nos integramos em projectos europeus,não temos parceiros de projecto a nível militar (não estou a falar de missões com militares e meios nossos internacionalmente), e mantemos com Espanha as distâncias aconselhadas pela tal máximazinha dos ventos e casamentos. Claro que falar disto à nossa tropa não será muito diferente do que propor ao Bento XVI a defesa do uso do preservativo (tomá lá Val..) Sociedades com espanhóis? Ni muertos..ainda por cima com o Nuno Álvares Pereira canonizado agora…
    E é assim que temos os “nossos” F-16, os “nossos” submarinos, as “nossas” fragatas, as “nossas” bases, os “nossos” Steir, (substitutos das “Chaimite”) as “nossas” G3..etc.. E, no entanto, houve tempo – independentemente do regime – em que ensaiámos alguns passos interessantes – as tais “Chaimites”, os “Berliet” do Tramagal, o jeep UNM, a metralhadora FBP, as corvetas do projecto do contra-almirante Rogério de Oliveira, depois adaptadas pelos espanhóis e por outras marinhas..
    E ainda fica o Alqueva para falar, como diz, e muito bem, Tra.quinas..Pois, o Alqueva, mais o Aeroporto de Beja, ali tão perto.. enfim, seria conversa para durar..

    PS- O nóvel Presidente do Sindicato dos Magistrados estreou-se ontem, em grande, com a dra.Judite. Então não é que o dr.Palma vai ao canal público para dizer que “não há empatia entre ele o Procurador-Geral”..?! Oh paciência, como é possível? Um magistrado, responsável pelo sindicato da classe, vai à televisão afirmar que o PGR não o grama e que ele retribui a antipatia? A Judite não pôs “bicas” na mesa, não perguntou se preferia chá, não ofereceu pastéis de nata..como é que o sr. pensou que estava no café a conversar, amenamente, com uma colega ou amiga?
    Valha-nos Nossa Senhora dos Aflitos.

  6. eu acho muito bem essas visões de políticas do mar e da terra, podíamos ser um belo e rico país, e quem sabe, costuma ser em crise que Portugal surpreende o mundo: tanto mar,

  7. A Exma. Sra. Dra. Paula Teixeira Pinto, por acaso tem email?
    Tenho um pps engraçado sobre a vida para Lhe mandar.
    Se quizer, é obvio.
    Cumprimentos,
    Francisco

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