Sou fã de Rogério Alves, daí ter como especialmente significativo os 14 minutos da sua intervenção a respeito da entrevista de Ivo Rosa à TVI. Eis o que todos podem conferir:
– A jornalista abre com “O juiz tem razão nestas queixas que apresenta contra o Ministério Público, nomeadamente quando diz que estamos aqui perante um atentado ao Estado de direito? Ou há um exagero do juiz Ivo Rosa?“
– Rogério Alves começa por alinhar com a proposta de desvalorização das declarações de Ivo Rosa, com “Pode haver algum exagero de linguagem, mas no essencial este juiz tem razão.”
– A meio das suas declarações, Rogério Alves verbalizou com intensidade indignada “Ora, um juiz de direito ser assim atacado é um ataque directo a um dos fundamentos essenciais do dito Estado de direito, que é a independência dos juízes.”
Moral da história? Não havia exagero de linguagem algum por parte do juiz, como o comentador deixou enfaticamente registado. O exagero veio da jornalista, ao se colocar como veículo de um novo ataque ao juiz. Agora, tentando diminuir a credibilidade da denúncia contra o Ministério Público.
O mais importante veio a seguir, em declarações escandalosas do Rogério:
(i) “O problema é que, para essas duas pessoas (Seguro e Aguiar-Branco) alinharem com esta tese do juiz Ivo Rosa, é danoso em termos de popularidade.”
(ii) “Este assunto está morto, este assunto morreu!”
(iii) “Isto acontecer assim não é culpa do Ministério Público, isso é a técnica de investigação. O isto acontecer assim é culpa do poder legislativo.“
O que ele está assim a validar é a impunidade dos criminosos do Ministério Público que perseguiram, espiaram, devassaram e caluniaram Ivo Rosa. Consagra a tese de serem um Estado dentro do Estado e, na prática, o verdadeiro soberano.
Ainda mais triste, e trágico, é o argumento de que o Presidente da República e o Presidente da Assembleia da República permanecerão cúmplices de criminosos para não perderem “popularidade”.
Finalmente, reduzir o ataque a Ivo Rosa à figura da “técnica de investigação” fico como um monumento ao cinismo. Não há problema algum com as técnicas de investigação havendo suspeitas legítimas de actividades ilegais. O problema está no embuste montado para destruir a legitimidade de um juiz que se recusou a ser cúmplice num julgamento político.
Não acredito que a jornalista e Rogério Alves se concebam como cúmplices dos criminosos do Ministério Público, obviamente. Mas que o são, são.
TENHAM MEDO
TENHAM MUITO MEDO.