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Uma das maiores tangas relativas ao PSD e PS

É dizer-se que nada há que os distinga. Alguns elaboram sobre a proximidade ideológica, ambos partidos de centro-esquerda na sua génese ou evolução, a outros basta o currículo de partilha do governo numa continuidade ininterrupta, onde as opções ficaram condicionadas por igual pragmatismo. Mas essa suposta homogeneidade não passa de preguiça ou mentira. Porque as pessoas são diferentes, os grupos ficaram culturalmente distintos, os resultados do uso do poder diferem. Os sociais-democratas são gente de menor confiança do que os socialistas, são seres de moralidade mais ténue, de ambição mais desregrada e urgente. Vamos reformular: no PSD há mais cínicos do que no PS, porque no PSD houve clientelas no seu financiamento mais ricas do que no PS. Terceira tentativa: no PS ainda há românticos e um horizonte romântico ou idealista.

Consequências? O PSD tornou-se num partido sem recursos humanos, sem ideias, sem contacto com a realidade. Enquanto o PS tem um banco cheio de estrelas capazes de substituir a actual vedeta em caso de lesão ou expulsão. Para além disso, o PS é um partido de sólida cultura política e de pujante cultura democrática.

Iguais? Quem nos dera.

Boas notícias acerca do Ministério Público

As boas notícias acerca do Ministério Público consistem nisto de andar meio mundo a dizer mal dos seus magistrados e procedimentos metodológicos. Quem sabe, com tanto alarido, até pode acontecer que um dos partidos se chegue à frente com uma qualquer forma de resolução da esplendorosa ineficácia de tal órgão, pilar do regime democrático. Enquanto continuarmos sem ouvir dos partidos, seja qual for, propostas que sejam exequíveis, continuaremos a acreditar que o problema é insolúvel.

O aproveitamento desta desgraça, à esquerda e à direita, apenas para desgaste do Governo e Sócrates, atesta da miséria partidária que nos imobiliza civicamente.

Quem vê TV

O nosso amigo Carlos Santos, um dos autores mais prolíficos da cena, lembrou-se de me incluir na corrente das 15 séries televisivas favoritas (que raio, mas porquê logo 15?…). E não fez só isso, também se ofereceu para me escrever o texto respectivo; está aqui. A sua simpatia chegou ao ponto de elencar os próximos participantes, pelo que nem essa tarefa tenho para me ocupar.

Mas conto um sonho de espectador, e relativo às séries. Desejava, adolescente, que no futuro existisse uma forma de recuperar todos os episódios das séries que só via parcialmente, por falhar episódios e momentos. Isto é, na minha genialidade, antecipava a Internet.

Provavelmente, o melhor parágrafo de toda a língua portuguesa

O senhor não pode imaginar, porque é bonito e tem saúde o que é a gente ter nascido e não ser gente, e ver nos jornais o que as pessoas fazem, e uns são ministros e andam de um lado para o outro a visitar todas as terras, e outros estão na vida da sociedade e casam e têm baptizados e estão doentes e fazem-lhe operações os mesmos médicos, e outros partem para as suas casas aqui e ali, e outros roubam e outros queixam-se, e uns fazem grandes crimes e há artigos assinados por outros e retratos e anúncios com os nomes dos homens que vão comprar as modas ao estrangeiro, e tudo isto o senhor não imagina o que é para quem é um trapo como eu que ficou no parapeito da janela de limpar o sinal redondo dos vasos quando a pintura é fresca por causa da água.

Maria José, corcunda e tudo

Se isto fosse a Inglaterra

Se isto fosse a Inglaterra, já haveria sacas de carcanhol gasto em apostas quanto ao desfecho da novela Alegre, marcada para amanhã. Vai criar um partido ou ficar como voz solitária e independente? Vai ser outra vez candidato a deputado por um PS que não respeita seja fora ou dentro do Parlamento? Ou nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário?

Claro, se isto fosse a Inglaterra, há muito que se teria perdido a pachorra para o aturar.

Crespologia – II

O Jornal das 9 da passada terça-feira contou com um Crespo risonho e ufano. Durante a tarde tinha sido confirmado o agravamento do sarilho à volta de Lopes da Mota, boa nova antecipada pela imprensa desde o final da semana anterior. Havia que explorar a ocasião, esse seria o único tema do espectáculo. O qual abriu com Eurico Reis, juiz desembargador, e teve Ângelo Correia e Vicente Jorge Silva no frente-a-frente. Que nada disseram digno de memória futura.

Crespo, sim. Muito. E sempre. Tanto que excede a verbalização, dispensa-a. O homem especializou-se na pantomima, nos remoques de expressão facial e prosódia. O que faz na televisão passou a ser um assunto exclusivo entre ele e a câmara, ele e a imagem que ele próprio consome. Os convidados reduzem-se agora a pretextos para as suas perguntas, pouco importando o que digam ou não digam, e as perguntas sabem-se intencionais declarações políticas, o sentido que importa reter depois de esquecida a resposta. De cada vez que Crespo abre a boca, a audiência recolhe um libelo contra o Governo e um retrato fatal para a honorabilidade dos governantes. E o rapaz não tem a mão leve, atente-se no exemplo de uma pergunta-clímax feita ao juiz:

Mas não podemos ser ingénuos, e pensarmos que Lopes da Mota agiu apenas e só por sua iniciativa, pois não?…

Seguiu-se a recordação do caso macaense onde Alberto Costa foi suspeito de interferências na Justiça. Se porventura alguém estivesse distraído, o jornalista Mário Crespo garantia diligente a cobarde transmissão da sua crença: anunciou à audiência que Alberto Costa e Sócrates são os responsáveis máximos por factuais actos de pressão ilegítima sobre os procuradores do Freeport, para tal lhe bastando a referência a indícios adentro de um processo ainda por realizar e sujeito a segredo de Justiça.

Nesta dinâmica debochada, de quem se imagina impune bolce a calúnia que bolçar, Crespo e Ângelo acabaram a sessão a rir com uma alarvidade mal contida. Para eles, o momento era festivo: os outros, os cabrões dos xuxas, tinham sido entalados e não havia como se defenderem. Saboroso triunfo, alucinada vingança. Sócrates começava a pagá-las.

Foi então que o anjo das telecomunicações & programação da SIC desceu até mim com uma importante mensagem das alturas. Que era mais ou menos isto: a dissonância cognitiva que me andava a perseguir há uns meses, sempre que via o Jornal das 9, não passava, afinal, de uma questão semântica. O anjinho disse isto e partiu. Tinha razão, claro. O problema residia no elemento conceptual da designação: Jornal. A denotação do termo sugeria que estávamos perante um bloco noticioso; ora, não estávamos, nem vagamente perto. O que ali acontecia era outra coisa, coisa que não respeitava códigos deontológicos ou metodológicos relativos à procura de uma qualquer objectividade — e cujo singelo nome é opinião. Sem segredo, o Jornal das 9 evoluiu por selecção artificial até se tornar no órgão oficioso da opinião do cidadão Mário Crespo. O que em si não tem mal nenhum, mas nenhum nenhum. Há que, tão-somente, resolver o problemazito da nomenclatura daquela hora diária, esgalhar outro nome e não se fala mais nisso.

Por exemplo, este: Na pocilga do Crespo . Mas há outros.

Imagens exclusivas das pressões que os magistrados do MP exercem uns sobre os outros

E, já agora: arquivar o Freeport sem a investigação estar concluída, com ameaças primárias e absurdas sobre dois procuradores, a mando do Ministro da Justiça e incluindo telefonema obsceno escutado por testemunhas? Hã?… Importa lembrar o óbvio: Sócrates não se livra do Freeport sem o completo esclarecimento do caso; pelo que o arquivamento, faltando explicação suficiente para anular a insídia, equivaleria ao seu provável fim político. Os pulhas que se regozijam com o processo a Lopes da Mota, vendo nele a prova final da conspiração, são seres de mui limitada imaginação.

Pssst… chega aqui…

Vais pegar em 5 minutos e ler isto. Depois pega em 4 minutos e pensa nisso. Depois pega em 3 minutos e pensa noutra coisa qualquer, pois tens sempre muito em que pensar. Depois pega em 2 minutos e volta cá para escrever o que te der na real gana. Depois pega em 1 minuto e faz contas ao tempo que já passou. Eu ajudo: 15 minutos.

15 minutos que podem mudar os teus próximos 15 ou 150 anos. Talvez mais. Uma pechincha.

Aspirina com água

António Sampaio tem algo a dizer sobre a Atlântida, e mostra não ir em cantigas.

marco antunes casca em Augusto Seabra por causa de uma ópera. Dramático.

cassilda quer entrar em contacto com o Daniel de Sá sobre a FLA. E já.

Español conversa com portugueses naquele que é um espaço de encontro ibérico, aqui na casa, desde Abril de 2006.

Jim Morrison fez uma pergunta sobre o Twitter e ninguém lhe ligou pevide. ‘Tá mal.

Julia fala-nos de um xarope com aloés (Aloe vera) numa conversa onde muito se fala de um xarope com aloés.

Alguém aparece a defender a Happy, como se a felicidade precisasse de ajuda.

União Nacional dos Imbecis – III

Ferreira Leite revelou que os portugueses têm medo de ter o telemóvel sob escuta e que a nossa democracia está doente. Alto! Alto e pára o baile. Não estamos perante mais uma daquelas bacoradas com que a Manela anima a vida política nacional. Desta vez, trata-se de uma genuína confissão. Sejamos sinceros: quem de nós, se passasse os dias rodeado por dirigentes, militantes, autarcas e financiadores do PSD, não chegaria à conclusão de que há muita gente com medo de ter os telemóveis em escuta? A senhora apenas relata o que observa e o que lhe dizem.

E quanto à democracia doente, é ou não é a mais pura das verdades que ver um banco nascido do cavaquismo a dar um calote de dois mil milhões de euros, e ainda assistir às mentiras na praça pública de um dos seus responsáveis que se recusa a sair do Conselho de Estado apesar do protesto de outros conselheiros, leva o mais optimista dos cidadãos a concluir que a democracia apanhou a gripe dos porcos? Pois claro que é verdade. E a Manela só diz a verdade, importa nunca esquecer.

Numa outra ala do hospício, Louçã elogiou a sensatez das palavras de um bispo, D. Manuel Martins. É extraordinário, mas aconteceu: Louçã deu o seu apoio a um dos assassinos que, através de uma organização internacional com sede em Roma, condenam milhões de seres humanos à miséria, à indignidade e à morte em nome de uma patranha que só serve para oprimir as massas trabalhadoras e perpetuar o poder dos imperialistas. Malhas que as costelas seminaristas tecem.

Os imbecis, constata-se, até são capazes de afirmações surpreendentes. Basta que sejam iguais a si próprios.

União Nacional dos Imbecis – II

Paulo Portas aproveitou os episódios na Bela Vista para sair à rua com archotes e cordas. O passo seguinte será vermos este bravo a chefiar milícias populares para cercarem o bairro.

Jerónimo de Sousa olhou para os episódios na Bela Vista e não viu casos de polícia. Viu o Governo. Donde, para levar algumas pessoas que lá moram a não dispararem armas nem destruírem bens de terceiros, a solução configura-se simples, óbvia: é só resolver a situação económica e social e as discriminações sociais.

Os extremos demagógicos destes líderes, e respectivos partidos, comungam da mesmíssima irresponsabilidade: reduzem a complexidade dos problemas sociais a visões ideológicas onde se anula a inteligência que vem da objectividade e se assanham as emoções básicas dos ignorantes.

Cabrões.

União Nacional dos Imbecis

Do muito que temos para agradecer a Sócrates, um dos fenómenos mais pitorescos é esse da união dos comunas com os reaças. A propósito da imagem já bolorenta de uma loja americana que alegadamente publicita na sua montra o nome de alguns clientes famosos, Helena Matos e Tiago Mota Saraiva atingem um cúmulo de imbecilidade. Este, soltando a franga da vocação controleira, pretende que as autoridades investiguem a compra de roupa pessoal por Sócrates, apurando se o preço que ele paga por cuecas e peúgas não será prova de alta corrupção. Aquela, no que é o exercício blogosférico mais tonto de que tenho memória, une numa linha o ataque aos estudantes universitários com a supina hipocrisia de quem já nem mede o ridículo próprio.

Afinal, tudo isto bate certo. Comunas e reaças são agentes simétricos ao serviço de um único ideal: a estagnação. É por isso que a realidade está permanentemente a validar a sua percepção de que as coisas estão mal, muito mal e cada vez pior. A realidade tem essa característica aborrecida de ser sempre nova. E estes dois grupos — que anseiam pelos amanhãs que cantam, eternidades celestes, vitórias finais sobre o inimigo — não suportam o mistério do tempo.

Os Conselheiros de Estado não são todos iguais

Dias Loureiro, a não ter tido qualquer responsabilidade nas ilegalidades já indiciadas e por apurar na SLN e BPN, deverá ser metido num frasco com álcool e enviado para investigação em laboratório. Temos de descobrir como pôde um incompetente deste calibre ter chegado onde chegou apenas se valendo das suas exóticas capacidades cognitivas.

Entretanto, sugiro aos assanhados mentores do Presidente da República que, numa ocasião propícia, lhe expliquem ser este tipo de afirmações merecedor de tau-tau. É que os Conselheiros de Estado não são todos iguais, nem lá perto — 5 deles são escolha do Presidente. Pelo que vai acontecer o seguinte, rapaziada cavaquista: mesmo que Dias Loureiro passe por entre as gotas da chuva sem se molhar, coisa em que ele parece acreditar, vamos ficar à espera que o actual Presidente da República explique aos indígenas a escolha desta triste e sinistra figura para lhe dar conselhos sobre assuntos da máxima importância nacional. E vamos também pensar se o homem merece as seguintes prebendas, só à luz do que já se encarregou de revelar aos portugueses por palavras e actos de sua livre iniciativa:

Artigo 17.º
(Direitos e regalias)

Constituem direitos e regalias dos membros do Conselho de Estado:

1. Livre trânsito, considerado como livre circulação, no exercício das suas funções ou por causa delas, em locais públicos de acesso condicionado;
2. Obtenção de qualquer entidade pública das publicações oficiais que considerem úteis para o exercício das suas funções;
3. Passaporte especial, durante o período do exercício das respectivas funções;
4. Cartão especial de identificação, de modelo anexo à presente lei, durante o período do exercício das respectivas funções;
5. Uso, porte e manifesto gratuito de arma de defesa, independentemente de licença ou participação;
6. Adiamento do serviço militar, mobilização civil e militar ou serviço cívico.

Cavaco, aqui entre nós concidadãos, se achas que os restantes 18 Conselheiros são iguais a Dias Loureiro, o melhor é fecharmos as portas e devolvermos esta merda a Castela.

O caso Pacheco Pereira

Existe um caso Pacheco Pereira. E é mais interessante do que o caso Freeport. Este último está condenado a acabar em revelações patéticas ou sórdidas. Mesmo que a suspeita sobre Sócrates se confirmasse — o que implicaria esse feito, digno de entrar no Guiness, de Sócrates ter de ser mais estúpido do que o irrecuperavelmente imbecil Charles Smith — tal teria apenas uma consequência relevante para a política nacional: António Vitorino, António Costa e António Seguro iriam disputar o lugar vago. E este triunvirato de Antónios, por ordem decrescente de popularidade e probabilidade, agarraria o eleitorado PS e de centro sem dificuldade. Os pulhas não teriam muito, se é que alguma coisa, a ganhar com a troca.

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Némesis

Amanhã, Dias Loureiro irá ao Parlamento voltar a ofender Portugal na sede da democracia. Esta figura não é apenas um amigo de Cavaco Silva que goza da protecção do Presidente da República, é igualmente um Conselheiro de Estado e eminência parda do PSD ao longo dos anos 90 e seguintes. Representa a elite social-democrata e enriqueceu por ter sido ministro de Cavaco, mas não com o salário que recebeu do Estado. A área que tutelou, Administração Interna, é de especial importância e melindre — pelo que, na eventualidade de ter usado conhecimentos e relações obtidos nessas funções para proveito empresarial, ilícito ou lícito, a gravidade do caso atinge também moral e politicamente o PSD e Cavaco Silva. Sem piedade.

Entretanto, este homem continua a saber mais de Dias Loureiro do que os seus amigos mais próximos e com maiores responsabilidades perante o País.