"Os portugueses estão sobrecarregados de impostos. Fizemos as contas. Não aumentaremos os impostos."
"Repito: Não aumentarei a carga fiscal", declarou António José Seguro a meio do seu discurso na Convenção "Novo Rumo para Portugal" do PS na antiga Feira Industrial de Lisboa (FIL).
"Será a primeira vez que um Governo empossado neste século não aumentará a carga fiscal em Portugal", disse, numa alusão aos executivos liderados por Durão Barroso, de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho.
Maio de 2014
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"Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro", afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão "Mais Sociedade", no Centro de Congressos de Lisboa.
O PSD quis "vasculhar tudo" para ter contas bem feitas e, "relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem", procurou "estimar", preferindo fazê-lo "por excesso do que por defeito", referiu.
Abril de 2011
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O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, afirmou hoje que "não haverá aumento de impostos" com os sociais-democratas no Governo e o programa eleitoral "demonstra-o" de "forma clara".
Maio de 2011
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Foi Seguro quem escolheu apresentar-se ao eleitorado socialista como o regenerador moral do partido, o probo exemplar que vinha mandatado pelo destino para resgatar das trevas socráticas a dignidade perdida. Por isso, uma das suas primeiras promessas foi a de obrigar a malandragem que conhecia de ginjeira a assinar códigos de honra e compromissos de ética. Era necessário uma purga, ou então que lhe entregassem papéis assinados para ele arquivar e ir consultando. Trata-se de uma promessa a cumprir numa data a divulgar, há que ter a santa paciência.
Só que isso ainda era pouco, ou apenas o começo do seu magnífico caminho. Seguro passou a anunciar ao eleitorado nacional que com ele uma nova era na política nacional estava a nascer. Algo nunca visto, “uma nova forma de fazer política”, a qual consiste na “transparência” e em “só prometer o que pode cumprir”. Donde, para trás, e para o lado, ficam todos aqueles que, sem transparência, prometem o que não podem e/ou não querem cumprir. Vai daí, estabelecida a sua superioridade – aliás, a sua transcendência – face à cambada que o antecedeu, sentiu-se confiante para começar a fazer promessas às sacadas. Aproveitando umas eleições europeias, no meio de 80 promessas, veio dizer que pretende chefiar o primeiro Governo do século XXI que não irá subir os impostos. Portanto, mais um feito histórico no horizonte. Este homem não brinca em serviço, é sempre a aviar páginas na Wikipedia e canhenhos encadernados.
Ora, deixa cá ver. O século ainda mal começou, mas prontos. Depois, talvez não arrisque muito quem prometa não aumentar impostos se suceder no Governo a quem fez o maior aumento de impostos de que há registo em Portugal e conseguiu esmagar fiscalmente toda a sociedade. Digamos que não será a promessa mais ousada que se poderia fazer neste momento. O que supera em interesse o restante, no entanto, é esta necessidade de Seguro se conceber como um ser de excepção. Tão excepcional, mas tão excepcional, que nem precisa de dar provas de o ser, basta fazer anúncios. E ainda tem o topete, se não for a inconsciência, de reclamar ser esta “uma nova forma de fazer política”.
Será uma nova forma de fazer política, acabamos por conceder, se olharmos para o passado do PS. Não se encontra mais nenhum secretário-geral tão vácuo de carisma e estofo ideológico como este. Um secretário-geral que se imagina melhor do que o partido. Isto é Seguro.