Já nasceram?

Marco António Costa foi ao Política Mesmo na terça-feira. Gosto muito – e desde há muito – do Marco António Costa. Neste episódio não desiludiu. Aliás, ele nunca me desiludiu. É a constância personificada. Vejamos um exemplo do supino Marco António Costa:

Marco António Costa - Que esta disputa dentro do Partido Socialista não seja um factor de instabilidade na vida política nacional e não contribua para um crescendo da radicalização que tem havido da linguagem do Partido Socialista na vida política nacional...

Jornalista - Radicalizada? Mas estávamos em campanha eleitoral...

Marco António Costa - Muito antes da campanha eleitoral houve terminologias que foram usadas em ataques pessoais ao primeiro-ministro, o uso de tempos de antena que são pouco vulgares nas sociedades europeias, mais vulgares nas sociedades americanas, com campanhas muito pouco apropriadas para uma democracia europeia. Eu julgo que valeu tudo. E aquilo que eu deixo como apelo fundamental é que o Partido Socialista evite ser um factor de instabilidade para a vida política nacional.

27 de Maio de 2014

Eis Marco António Costa, vice-presidente de um partido que desde 2008 não tem feito outra coisa que não sejam assassinatos de carácter, campanhas negras e golpadas mediático-justicialistas, um partido que afundou o País só para se poder alambazar no pote, a queixar-se do PS de um Seguro que, ainda antes de chegar a secretário-geral, já alinhava com a intenção de toda essa baixa política e decadência cívica, e o qual tem deixado o seu partido ser fustigado diariamente com essa chuva de velhacarias. Faz isto sentido? É que não pode fazer mais, como a inércia facial e o tom monocórdico do imperial Marco António Costa atestam e celebram. Ele demonstra que a política deve ser o espaço onde a palavra dos protagonistas não tem qualquer valor e onde as acções são regidas exclusivamente pela lógica da conquista do poder. Mas mais, ele igualmente exibe a impunidade de quem sabe que nunca será confrontado com a obscena e aviltante contradição entre o que diz e o que faz. Como é isto possível?

A resposta é estupidamente simples. Só é possível ao Marco António Costa ter uma carreira política onde nos trata como alimárias por causa da atitude dos jornalistas. No caso, o Paulo Magalhães, estimável e agradável profissional, optou por aquilo que será a normalidade junto dos seus colegas de imprensa e em momento algum chamou o estupendo Marco António Costa à sua responsabilidade. Pelo que este continuou a gozar com a malta até ao fim:

O que temos visto, por parte da oposição, é prometer o céu e fazer as promessas mais inconsistentes e mais irrealistas que é possível.

Não vamos deitar tudo a perder por uma medida populista, por uma medida eleitoralista.

Julgo que os portugueses não são susceptíveis a eleitoralismo fácil. Julgo que as eleições europeias mostram isso.

Julgo que o radicalismo, o afastamento, o fechamento político a que o Partido Socialista se entregou nos últimos anos não beneficiam o interesse nacional e também não beneficiam a imagem que os cidadãos têm do sistema político-partidário português. Portanto, eu acho que existe uma obrigação patriótica de os grandes partidos terem uma atitude de responsabilidade. É isso que eu espero do Partido Socialista para o futuro.

Marco António Costa, vice-presidente do partido que montou uma campanha eleitoral em 2011 onde jurou não ir fazer despedimentos nem aumentar impostos, garantindo ter as contas todas feitas, o partido que decidiu impedir Portugal de tentar escapar ao resgate assim traindo o interesse nacional, o partido que gostaria de ver condenados em tribunal políticos socialistas, o partido que logo após ter tomado o poder fez o exacto oposto de tudo o que prometeu dias antes. Este é o mesmo Marco António Costa que consegue perverter de forma absoluta a função da política e não ser sequer beliscado pelo jornalista à sua frente.

Quer isto dizer que há espaço em Portugal para outro tipo de jornalistas. Resta só saber onde estão ou se já nasceram.

2 thoughts on “Já nasceram?”

  1. A propósito e porque vem aí o futebol, convem avisar os craques tipo Ronaldo e outros que apesar das lascas que os acompanham vão-se abaixo muito cedo por causa da bola.
    É o caso do Futre, ainda um jovem, já se queixa na TV que só lá vai recorrendo a “expedientes”, que o diga a companheira jeitosona.

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