What to do in a flu epidemic? Stay at home and watch TV
.
Majority of Young Women and Men Prefer Egalitarian Relationships, Study Shows
.
Men and women process emotions differently
.
Dog-human cooperation is based on social skills of wolves, scientists show
.
Drinking moderate amounts of alcohol is linked to reduced risk of heart failure, large study finds
.
Parents’ Belief That a Child Will Attend College Plays Big Role in Early Academic Success
.
American Liberals and Conservatives Think as if From Different Cultures
Arquivo da Categoria: Valupi
Se não aconteceu, deve estar para acontecer
Dia de reflexão
A União Europeia, ideia que remonta aos inícios do século XVIII, não passa de um nanossegundo na História da humanidade. A sua ambição é tão alta como a dificuldade para a atingir. Pretende-se não só a kantiana paz perpétua mas também a riqueza das nações e a felicidade dos indivíduos. Se levássemos 1000 anos para lá chegar, teria sido num abrir e fechar de olhos por comparação com o nosso passado.
O sentimento de frustração, desencanto, até desespero, com a realidade concreta da União Europeia e seus subsistemas de poder é frequente. E é inevitável, como foi e será em todas as experiências políticas; ora para uns, ora para outros. Neste caso, nunca a civilização assumiu uma tarefa tão complexa como a de unir política, económica e socialmente a Europa. A missão é ciclópica.
As eleições gregas, para lá do interesse estritamente político que despertam face à conjuntura local e europeia, são um momento de forte construção da união europeia da União Europeia. Porque nós, os europeus, sentimos que o destino democrático da Grécia é parte do nosso. Aconteça o que acontecer.
Que beleza. Ser uma comunidade de tantos e tão diferentes.
Exactissimamente
Estado de direita
Duas notícias recentes chegam para evidenciar a exploração política da Operação Marquês:
MP ´vigia´ sorteio do recurso de Sócrates
Investigação a Sócrates centrada entre 2000 e 2005
Na primeira, Rosário Teixeira – o qual não negou, muito menos repudiou, a notícia – lança o anátema da suspeição para cima dos juízes, de repente candidatos a estarem ao serviço de Sócrates caso algum se atreva a dar razão ao recurso apresentado. Pouco importa que o procurador não chegue a cumprir a promessa da notícia, podendo mesmo ainda vir a desmentir o seu teor. Para o que interessa nesta manobra, a percepção pública, foi transmitida a ideia de que haverá juízes corruptos ao serviço do corrupto Sócrates. Teixeira propõe, via Correio da Manhã, que a avaliação do recurso se transforme no ordálio da integridade dos juízes que calharem no sorteio. Caso discordem do Ministério Público passam a ser alvo da ira de Deus.
Na segunda, repete-se o modelo: pouco importa que a investigação esteja mesmo a investigar esse período ou não – para efeitos de construção da opinião pública está e estará. E quem fica apanhado nessa rede? Guterres, o candidato presidencial que a direita mais teme e que essa direita adoraria igualmente ver como fortíssimo candidato a ex-primeiro-ministro que tinha na sua equipa de secretários de Estado e de ministros um corrupto do calibre de Sócrates.
As motivações de Rosário Teixeira, Carlos Alexandre e Joana Marques Vidal nas decisões respeitantes à génese e condução da Operação Marquês podem não ter qualquer contaminação partidária, ideológica ou pessoal. Podem essas decisões decorrer estritamente da sua interpretação da Lei e das responsabilidades profissionais que cada um entende como inerentes e incontornáveis na sua função pública. Esta é a explicação mais provável, porque a mais benigna, na ausência de outra que ganhe maior credibilidade. Por sua vez, Sócrates pode mesmo ter cometido crimes e ilegalidades, como ser humano que é (ou parece ser), e estando agora esse eventual delinquente a repetir a ladainha da inocência que milhões de criminosos antes dele cantaram em qualquer prisão do Mundo. Creio que se deve partir destes pressupostos em ordem a avançarmos para a seguinte constatação: a 21 de Janeiro de 2015 já não é possível negar que a detenção e prisão de Sócrates configura mais um caso de ataque político antidemocrático e anti-republicano, na senda do que foi feito com o processo Freeport, com a operação Face Oculta e com a Inventona de Belém – só que agora elevado ao grau máximo da degradação do nome e imagem de Sócrates que for possível atingir. As notícias sobre episódios do seu quotidiano como recluso humilham e achincalham a sua pessoa de forma cruel.
Não se conhecem órgãos de comunicação social que sejam vazadouros de sistemáticas fugas ao segredo de Justiça para atacar políticos de direita. Contudo, só o processo BPN daria dezenas ou centenas de manchetes caso se quisesse fazer dele o que se tem feito com os processos que envolvem directa ou indirectamente Sócrates. O facto é esse e é crucial: a direita, sob o olhar divertido da esquerda pura e verdadeira, serve-se impune e criminosamente, desde 2004, de agentes judiciais e policiais para manter uma permanente campanha negra a correr contra o PS. No tempo em que Pacheco Pereira e Ferreira Leite lideravam essa estratégia, estes mimados caluniadores chegaram ao ponto de garantir que Sócrates usava “técnicas dos serviços secretos” e que teria posto o Estado a escutar a líder da oposição. Enquanto o casal laranja envenenava a opinião pública, muito provavelmente tendo tido também acesso a material de escutas em segredo de Justiça, quem andava a ser devassado pelo Estado era um primeiro-ministro em funções. E depois, tendo a golpada do “atentado ao Estado de direito” sido parada a poucos meses das legislativas de 2009 por quem não cedeu às ameaças, foram Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento os alvos das calúnias – inclusive no Parlamento pela boca de deputados do PSD. A este respeito há que relembrar as vezes que forem necessárias o argumento de defesa do então Presidente do Supremo: “Se as escutas a Sócrates contêm elementos de prova, porque não aparecem eles publicados nos meios que publicaram excertos das mesmas?”.
Não apareceram porque não existiam, é a única conclusão possível. E agora não aparece a acusação a Sócrates, havendo mais 10 meses de notícias plantadas na comunicação social à disposição para se violarem direitos de cidadãos, desgastar o PS, emporcalhar as legislativas e as presidenciais e perverter a vida comunitária. Só para os pulhas é que este estado configura uma situação de regular funcionamento das instituições.
Cavacologia
Há tanto bêbado com acesso à Internet
Algures em 2008 ou 2009, uns pândegos lançaram o boato de que “Valupi” era um acrónimo de “Jacinto Lucas Pires”. Esta estupidez chegou a estar escarrapachada na Wikipédia do senhor. Em 2015, as alimárias da direita mais desmiolada de que há registo escrito continuam felizes da vida a roer esse osso. Mas este é o país onde o Correio da Manhã é devorado todos os dias pelo povo, o mesmo povo que votou no PSD de Passos e Relvas e que reelegeu Cavaco, pelo que nada nos pode surpreender quando o tópico é “broncos à solta”.
Revolution through evolution
Study shows expression just as important as words in presidential debates
.
Sexual objectification increases women’s fear of crime
.
Computers using digital footprints are better judges of personality than friends and family
.
Helicopter parenting better for pets than for kids
.
The secret of empathy uncovered
.
2,500-year-old Pythagoras theorem helps to show when a patient has turned a corner
.
Closing your eyes boosts memory recall, new study finds
.
Teams Better Than Individuals at Intelligence Analysis, Research Finds
Exactissimamente
Perguntas simples
Pede-se a comparência de um católico
Um católico que se sinta religiosamente ofendido com esta imagem. Mesmo algum cristão simpatizante da doutrina da trindade ou alérgico à sátira com entidades bíblicas. Para nos explicar em que consiste esse sentimento de ofensa, donde nasce e como se justifica, religiosa e politicamente. No caso de não haver nenhum católico por perto para nos ajudar a lidar com as declarações do papa Chico, o Pugilista, aceitaria de bom grado discutir com o autor.
Abismo atrai o abismo
Imagens do que somos
Ninguém, a não ser antropólogos especialistas e fanáticos do ateísmo, é capaz de nomear uma cultura, ainda viva ou extinta, que não tenha desenvolvido um qualquer sistema religioso constituído por narrativas, liturgias, regras morais e uma classe (pelo menos) de oficiais do sistema religioso em causa. Vista ideologicamente, e calhando a inclinação ser marxista, a religião não passa de uma forma de poder onde um grupo minoritário de indivíduos consegue controlar o comportamento de um grupo maioritário e os recursos disponíveis nessa dada comunidade. Vista historicamente, a religião é uma manifestação altamente sofisticada da inteligência humana; a qual cumpriu vários e decisivos papéis, onde se inclui a génese do Estado, da Justiça e da ciência. Donde, a religião é, na sua dinâmica interna, uma força essencialmente política.
Acontece que o poder político da religião tende a decrescer à medida que aumenta a complexidade intelectual dos grupos humanos. No contexto do Mediterrâneo, o desenvolvimento intelectual foi favorecido pela multiplicidade étnica presente e pela facilidade com que essas sociedades diferentes contactavam umas com as outras pelo comércio, pelas migrações e pela guerra. Quando os gregos clássicos elogiavam os egípcios não era por causa de uma qualquer admiração teocrática, antes pelos avanços teóricos e capacidades práticas que uma tal cultura tinha conseguido atingir. Por sua vez, a elite intelectual da Grécia de Sólon e Aristóteles tem uma concepção completamente utilitária das expressões cívicas da sua religião. Os deuses são discutidos, interpretados, relativizados e abandonados. O nascimento da filosofia, que é simultâneo com o nascimento dos rudimentos do Estado de direito, significa que para a cultura grega não há nenhum deus superior à inteligência humana. No diálogo platónico Laqués, onde se investiga o que seja a coragem, é recordado que os generais têm o direito de ignorar os adivinhos quanto às decisões a tomar para as batalhas. Este é um singelo, mas ofuscante, exemplo do que realmente pensavam os gregos acerca dos seus deuses quando estava em causa a propriedade e a sobrevivência.
Existem imagens de Maomé feitas por muçulmanos para muçulmanos. Existem há séculos. Os xiitas fazem-nas. Os sunitas não. No Corão não se proíbem. Mas mesmo que o Corão fosse inteiramente dedicado à problemática da representação estética de Maomé, que tenho eu a ver com isso? Isto é, que importa a quem não seja crente muçulmano o que o Islão toma como importante, proibido, sagrado, mau ou bom? Quando vemos pessoas que estimamos intelectualmente, umas, ou que têm idade para terem juízo, outras, a clamarem para que as sociedades seculares se conformem à opinião que um tipo qualquer não sei onde se lembrou de bolçar, para mais alegando que temos de evitar que esse fulano se sinta “ofendido”, algo de muito grave está a acontecer. Para começar, no domínio da lógica, pois os preceitos religiosos só têm sentido para quem os assuma voluntariamente. Depois, no plano legal, onde o regime secular permite a expressão individual de críticas à religião e a figuras religiosas, precisamente por serem parte da comunidade e estarem sujeitas ao acordo de base que permite a vida em comum. A seguir, no plano político, em que tem tanta validade o pedido para que não se façam imagens de Maomé como a vontade para recusar esse pedido. Por fim, no plano civilizacional, onde a auto-censura resultante de ameaças, da violência e do crime é um convite para que se alargue a lista das imposições sectárias ou tão-só alucinadas. E ter de estar a explicar isto é que me aparece como ofensivo.
A vitória sobre a natural, inevitável, ambição política das religiões foi feita ao longo de milhares de anos e passou pelo tribalismo, pela monarquia, pelas tiranias, pela república e pela democracia. Quem hoje justifica os seus crimes com uma qualquer retórica religiosa não está a ficar mais religioso por causa disso – está é a agravar a sua responsabilidade nos crimes que nenhum deus pediu nem obrigou a cometer.
Exactissimamente
O sagrado tem muitas formas
Vamos lá a saber
Revolution through evolution
Hey, Guys: Posting a Lot of Selfies Doesn’t Send a Good Message
.
Optimistic people have healthier hearts, study finds
.
Burnt-out workers more likely to make irrational decisions
.
Corporate philanthropy increases workers’ productivity
.
Staying in touch during out-of-office hours damages workers’ wellbeing
.
Good quality me-time vital for home and work wellbeing
.
Was Beethoven’s Music Literally Heartfelt?
O tempo da impunidade acabou
O poder das caricaturas
Maomé não deixou filho varão. O seu sogro e o seu genro disputaram a sucessão no que se tinha tornado uma poderosa organização árabe, o Islão. O sogro ganhou, tornando-se no primeiro califa da novíssima religião. Daqui nasceu uma guerra civil, que continua hoje, pois o genro não se conformou com a derrota. E daqui nasceu uma circunstância política que promoveu a conquista fulminante de uma parte dos Impérios Romanos, do Ocidente e do Oriente, e ainda algo mais. O que não teve aqui origem, nesta génese histórica do islamismo, foi um fanatismo genocida. Bem ao contrário, os conquistadores dos sucessivos califados, que conseguem exercer o seu domínio desde a Península Ibérica ao Paquistão, não estão interessados em conversões forçadas e convivem muito bem com os crentes de outras religiões mesmo em territórios onde as populações muçulmanas são minoritárias – por sua vez, os povos conquistados convivem muito bem com os novos senhores, preferindo-os aos anteriores. Várias são as causas para o que erroneamente chamaríamos “tolerância”, incluindo razões do estrito foro religioso dado o tronco comum com judeus e cristãos, mas uma das mais poderosas vem da fiscalidade. Quem não abraçava o Profeta passava a estar sujeito a impostos muito mais altos. Donde, as contas são simples e apenas requerem competências aritméticas básicas: mais convertidos = menos graveto. Este sentido económico é um inequívoco sinal de estarmos perante malta onde nos podemos reconhecer. São cá dos nossos.
Não só os califados respeitavam os crentes de religiões diferentes como veio deles uma das mais decisivas forças culturais que moldaram o que consideramos actualmente como o Ocidente moderno e/ou a Civilização. Começa pela matemática, suprema manifestação da racionalidade, que recebe dos árabes contributos fundamentais. Esta disciplina gera coevos e posteriores avanços em astronomia e geografia. Sem as descobertas árabes nessas disciplinas não teríamos descobrimentos portugueses, pois não conseguiríamos ter desenvolvido as tecnologias de navegação para o efeito só a plantar pinheiros perto de Leiria. Passa pela medicina, algo que se situa no extremo oposto do impulso de morte. E chega à Grécia clássica. E aqui, em especial, a Aristóteles, um dos pilares da filosofia ocidental e da teologia católica por via de Tomás de Aquino, o qual apenas o conheceu graças aos pensadores islâmicos. Os califados financiaram traduções do acervo textual grego, embora não tenham valorizado as obras dos tragediógrafos e poetas, para nosso grande azar. Entre este califado medieval, o qual é parte integrante das História e cultura europeias, e o que passa por califado no auto-intitulado “Estado Islâmico” a diferença é a mesma que se dá a ver entre um Ovo Fabergé e um montículo de bosta.
Quem ataca as religiões a partir de uma posição de soberania secular, preciosa e sofrida conquista que se confunde com o triunfo dos direitos humanos, está a investir contra uma caricatura. Sem as religiões não teríamos civilizações e Civilização. Elas foram, durante milhares de anos, a forma que a raça humana encontrou para se ir libertando da animalidade. Cumprido esse papel, é inevitável que persistam numa duração indefinível pois os seres humanos não estão antropologicamente sincronizados e continuam a depender da coerção identitária para darem sentido à sua existência. Dentro do mesmo espaço-tempo há múltiplos espaços e variados tempos. Em termos históricos, a criação de sociedades politicamente seculares e democráticas é recentíssima. E ninguém tem culpa dos constrangimentos que recebe ao vir do nada para o mundo num dado lugar, num dado tempo e com certas pessoas à sua volta e não outras. De igual forma, os ataques contra ocidentais, ou tão-só cidadãos livres, feitos em nome do Islão por indivíduos que nasceram, foram criados e vivem em países ocidentais não passam de caricaturas. A caricatura do inimigo que pretendem destruir e a caricatura do deus que pretendem representar. Nada nessa motivação, a qual só se explica a partir da psicologia e não da religião, tem qualquer relação com a essência do fenómeno religioso que remete invariavelmente para uma colectividade.
Crimes como o que ocorreu no Charlie Hebdo deviam passar a ser tratados pelas autoridades e pela imprensa estritamente como acções psicóticas, sem qualquer nexo ontológico com a religião. Em termos estatísticos, e nas suas consequências trágicas, não diferem dos crimes ocorridos em escolas, empresas e espaços públicos, onde um ou mais atiradores matam aleatoriamente quem puderem enquanto puderem. Nestes casos, o absurdo é bem maior por nem sequer haver explicação que ofereça um simplismo causal. Atribuir algum tipo de inteligência religiosa – ou política, para crimes similares com esta suposta motivação – a quem está num estado de niilismo assassino e suicida é uma perversão que não defende os inocentes e que alimenta a psicose. Fatal caricatura do que se está a passar.
Incentivos para a lucidez
__
A menos que este seja mesmo um país de suicidas, as próximas legislativas irão escolher António Costa como primeiro-ministro. Com maioria ou sem ela, ele é inquestionavelmente a melhor escolha possível entre os diversos candidatos. A fúria ideológica de uma direita sem decência, sem inteligência e sem piedade irá desaparecer. A vida comunitária recuperará alguma salubridade (ou quase toda, caso o PS obtenha maioria), e o PSD poderá fazer uma avaliação do legado do passismo e decidir se quer mais do mesmo ou se recupera a sua matriz social-democrata.
Reconhecer a superior qualidade de Costa, e a oportunidade histórica de mostrar o que vale no cargo político mais desgastante do regime, não equivale a desistir da implacável lucidez de que a democracia depende para se defender e fortalecer. O actual secretário-geral dos socialistas só é um D. Sebastião para efeitos de caricatura pelos seus adversários e está longe de ser um Vasco da Gama. Aliás, ele nem para Nuno Álvares Pereira parece ter vocação dada a desconcertante mediocridade estratégica que estes meses de liderança vêm mostrando. Recorde-se o que se dizia sobre a oposição de Seguro e compare-se com a suavidade da oposição de Costa, onde parece que vigora uma lei de adormecimento geral que copia a ausência de propostas do líder que despertem discussão pública e entusiasmo eleitoral. O ponto de reflexão não é sobre a eventual eficácia desse adiamento do debate, cuja lógica gelada até poderá ser a mesma do ganhar por meio a zero do Scolari, antes a respeito da sua concepção da política e da sociedade que assim fica espelhada.
Vamos admitir que Costa não ignora que o combate da direita contra o PS desde 2008 consistiu principalmente na antiquíssima modalidade do tiro ao carácter. Sócrates, como se vê, prestava-se e presta-se a ser um alvo gigante para tal desporto. Por cima disto, havia salpicos “liberais” dos fanáticos cooptados na Católica e nos blogues do ódio. Chegada ao poder, a direita tirou o máximo partido do resgate de emergência a que tinha sujeitado o País e alinhou com a direita europeia na política da punição ao Estado social, à classe média e aos pobres. Como se não bastasse, esta direita alimenta e alimenta-se de uma máquina caluniadora que domina a comunicação social e que tem no Presidente da República o supremo aliado. Nunca ninguém ouviu uma palavra a Cavaco contra a miséria do jornalismo de agenda caluniosa porque essa pseudo-imprensa tem os mesmos objectivos de ataque contínuo ao PS que Belém cultiva desde o episódio dos Açores. Face a isto, Costa opta por pedir tréguas. É esse o sentido da sua declaração, na sede do PSD, acerca da “crispação”:
Além da nota sobre "as grandes convergências de futuro", António Costa apelou também "ao diálogo entre as diferentes forças políticas", considerando como um dos fatores mais negativos dos últimos anos o ambiente de "crispação e de incomunicabilidade".
"É necessário virar uma página nesse sentido", salientou o líder socialista.
Não contem com ele, portanto, para estar a perder tempo e votos em bate-bocas marialvas com o laranjal. Poderíamos até ver nesta atitude algo de bondoso para a política nacional se primeiro, ou ao lado, se fizesse a justiça de denunciar o que se passou e suas consequências. Ora, não só tal denúncia está e ficará por fazer pela sua pessoa como o caso é mais bicudo. Por exemplo, Costa já admitiu na TV, a pedido do Lobo Xavier e com a aprovação do Pacheco, considerar que Vara andou mesmo a roubar. Apenas pediu, na ocasião, pudor nos achincalhamentos por ele não ter feito mais do que muitos outros já fizeram na direita. E quanto à “Operação Marquês”, a ida a Évora serviu para confirmar que ele não ficará chocado, sequer surpreendido, caso Sócrates venha mesmo a ser culpado de alguma ilegalidade. Mais uma vez, esta postura poderá estar correctíssima, seja do ponto de vista do seu futuro político como da sua integridade. O facto é que Vara foi realmente condenado em Tribunal, pouco importando para este apontamento estar agora a discutir a validade da prova na base da sentença. Costa conhece muito melhor Vara e Sócrates do que eu, comum observador sem acesso à intimidade do poder partidário, e as suas posições poderão nascer desse conhecimento ou tão-só da sua personalidade. O certo é que existe uma barreira sólida, talvez inviolável, entre o capital político de Costa e o que venha a acontecer a Sócrates ou a outro socialista qualquer que calhe estar na lista do Ministério Público à espera de vez para ser levado ao pelourinho. E muito bem para a cidade, pois claro.
Altura de olharmos para a citação que encima este texto. O Correio da Manhã não é apenas um tablóide, estamos perante um bicho bem diferente. Trata-se de uma das mais poderosas armas da oligarquia, cuja actividade mediática é assumidamente de combate por via da baixa-política, da difamação e da calúnia. São os próprios directores, jornalistas e funcionários que o assumem publicamente. O seu inimigo é um PS que não sirva os seus interesses, como o PS de Sócrates não servia. O seu aliado principal é o próprio sistema de Justiça, o qual comete crimes sistemáticos ao longo dos anos sem que se apure qualquer responsável. Foi para este esgoto a céu aberto que Costa quis ir escrever em Fevereiro de 2014. Foi a este esgoto a céu aberto que Costa resolveu dar a sua 1ª entrevista como secretário-geral do Partido Socialista. E é deste esgoto a céu aberto que Costa recebeu aquilo que assegura ser “um excelente incentivo para este novo ano que estamos a começar“.
Que tristeza, Costa. E o mais triste será adivinhar-te a nem sequer dares importância a quem se indignar com o teu calculismo onde parece valer tudo, até favores a pulhas.




