Imagens do que somos

Maomé Dinamarca 2005

Ninguém, a não ser antropólogos especialistas e fanáticos do ateísmo, é capaz de nomear uma cultura, ainda viva ou extinta, que não tenha desenvolvido um qualquer sistema religioso constituído por narrativas, liturgias, regras morais e uma classe (pelo menos) de oficiais do sistema religioso em causa. Vista ideologicamente, e calhando a inclinação ser marxista, a religião não passa de uma forma de poder onde um grupo minoritário de indivíduos consegue controlar o comportamento de um grupo maioritário e os recursos disponíveis nessa dada comunidade. Vista historicamente, a religião é uma manifestação altamente sofisticada da inteligência humana; a qual cumpriu vários e decisivos papéis, onde se inclui a génese do Estado, da Justiça e da ciência. Donde, a religião é, na sua dinâmica interna, uma força essencialmente política.

Acontece que o poder político da religião tende a decrescer à medida que aumenta a complexidade intelectual dos grupos humanos. No contexto do Mediterrâneo, o desenvolvimento intelectual foi favorecido pela multiplicidade étnica presente e pela facilidade com que essas sociedades diferentes contactavam umas com as outras pelo comércio, pelas migrações e pela guerra. Quando os gregos clássicos elogiavam os egípcios não era por causa de uma qualquer admiração teocrática, antes pelos avanços teóricos e capacidades práticas que uma tal cultura tinha conseguido atingir. Por sua vez, a elite intelectual da Grécia de Sólon e Aristóteles tem uma concepção completamente utilitária das expressões cívicas da sua religião. Os deuses são discutidos, interpretados, relativizados e abandonados. O nascimento da filosofia, que é simultâneo com o nascimento dos rudimentos do Estado de direito, significa que para a cultura grega não há nenhum deus superior à inteligência humana. No diálogo platónico Laqués, onde se investiga o que seja a coragem, é recordado que os generais têm o direito de ignorar os adivinhos quanto às decisões a tomar para as batalhas. Este é um singelo, mas ofuscante, exemplo do que realmente pensavam os gregos acerca dos seus deuses quando estava em causa a propriedade e a sobrevivência.

Existem imagens de Maomé feitas por muçulmanos para muçulmanos. Existem há séculos. Os xiitas fazem-nas. Os sunitas não. No Corão não se proíbem. Mas mesmo que o Corão fosse inteiramente dedicado à problemática da representação estética de Maomé, que tenho eu a ver com isso? Isto é, que importa a quem não seja crente muçulmano o que o Islão toma como importante, proibido, sagrado, mau ou bom? Quando vemos pessoas que estimamos intelectualmente, umas, ou que têm idade para terem juízo, outras, a clamarem para que as sociedades seculares se conformem à opinião que um tipo qualquer não sei onde se lembrou de bolçar, para mais alegando que temos de evitar que esse fulano se sinta “ofendido”, algo de muito grave está a acontecer. Para começar, no domínio da lógica, pois os preceitos religiosos só têm sentido para quem os assuma voluntariamente. Depois, no plano legal, onde o regime secular permite a expressão individual de críticas à religião e a figuras religiosas, precisamente por serem parte da comunidade e estarem sujeitas ao acordo de base que permite a vida em comum. A seguir, no plano político, em que tem tanta validade o pedido para que não se façam imagens de Maomé como a vontade para recusar esse pedido. Por fim, no plano civilizacional, onde a auto-censura resultante de ameaças, da violência e do crime é um convite para que se alargue a lista das imposições sectárias ou tão-só alucinadas. E ter de estar a explicar isto é que me aparece como ofensivo.

A vitória sobre a natural, inevitável, ambição política das religiões foi feita ao longo de milhares de anos e passou pelo tribalismo, pela monarquia, pelas tiranias, pela república e pela democracia. Quem hoje justifica os seus crimes com uma qualquer retórica religiosa não está a ficar mais religioso por causa disso – está é a agravar a sua responsabilidade nos crimes que nenhum deus pediu nem obrigou a cometer.

40 thoughts on “Imagens do que somos”

  1. que riquezinha de texto! até parece que vi Maomé desenhado pelo Bordalo a fazer um manguito aos tolos. ou então um grande manguito de fé com Maomé, a sufocar, por dentro. :-)

  2. Pois eu estou a imaginar aquele mesmo jornal humorístico, o Charlie, que agora toda a gente civilizada diz ser, publicar uma caricatura de S. José a fazer truca-truca com a Virgem Maria. Adivinho as parangonas de todos os jornais da lusitânia: “liberdade de expressão tem limites”. Eu sei que o Marcelo ou o Portas não iam sair por aí aos tiros. Porque são pessoas cultas, civilizadas; têm uma vida estruturada e certinha; e estão muito bem integrados numa democracia plena. Quem já se esqueceu do que fez o Secretário de Estado da Cultura do cavaquismo ao Saramago? Não estou a justificar os extremistas islâmicos, mas somente a dizer que a linha que separa os escandalizados crentes cristãos daqueles intolerantes islâmicos é muito ténue. Meu caro Val, penso que as leis ditadas pelo pelo pensamento e pela vontade dos homens jamais terão convivência pacífica com as leis divinas, ditadas pelo pensamento e pela vontade divina. Porquê? Por uma razão muito simples: o homem é o verdadeiro e único autor de umas e outras. Afirmar o contrário, como acontece com todos os verdadeiros crentes, é mentir! Isso mesmo, mentir! Se não for por dolo é por ignorância. E a ignorância é para ser erradicada e não respeitada. Sabemos muito bem que não podemos afirmar que conhecemos a VERDADE, mas já crescemos o suficiente para distinguir entre verdade e falsidades. A maior falsidade proclamada e acreditada pelos crentes é a de que conhecem o pensamento e a vontade dos Deuses ou de Deus, ao mesmo tempo que afirmam a infinitude divina. Paradoxal. Porém, como ainda não podemos viver sem religiões, num mundo esmagadoramente religioso (e ignorante), cultive-se, ao menos, a tolerância inter-religiosa e entre a religião e a ciência humana. Mas mas sem concessões de fundo, de outro modo nunca mais saímos da cepa-torta. E o futuro é o Homem face ao Infinito e não ajoelhado diante do altar de Deuses tecidos com o próprio pensamento.

  3. É espantoso o desvelo com que toda a gente bem pensante procura ignorar o elefante no meio da sala.

    O problema não são «as religiões» em geral. O problema histórico, de tremendas consequências, foi a invenção da religião de Jeová, a divindade mais provincial, exclusivista e invejosa de que há memória; e o problema actual são as religiões suas descendentes modernas cujas grilhetas intelectuais ainda não foram quebradas (Islão), ou — pior ainda — estão a ser renovadas com fervor (Holocaustismo).

    Qual é o único assunto rigorosamente censurado no Ocidente hoje em dia? Será preciso muito mais para se perceber?

  4. É de facto incrível ver a esquerda que defendeu o Saramago estar com esta conversa estragada de não se ferir sensibilidades dos muçulmanos. Há coisas que só um ódio terrível aos americanos consegue explicar.

  5. esse fundamentalismo, Maria Abril, de exterminar as religiões pressupõe um extermínio em massa de crentes e é, para mim, altamente ignorante. isto porque cada crente escreve a sua própria versão da religião e é responsável por isso. e depois o Homem é religioso por natureza quando acredita intuitivamente ou quando projecta essa fé em um futuro: chama-se esperança. sem esquecer outros tipos de religiosidade que têm, por exemplo, que ver com a simplicidade do prazer enquanto escape.

  6. Olinda, uma religião não se extermina, nem por decreto, nem por força da espada. Só o próprio crente a pode “exterminar” em si mesmo. Ponto final. Onde foste buscar a ideia de que proponho o exterminio generalizado da religião? Se acabar, será porque cada crente a substituiu por outra verdade. Não me parece que aconteça tão cedo. A não ser que aconteça uma aceleração sem precedentes do conhecimento humano.

  7. Não concordo, Val. Não são as religiões que têm ambições políticas. São políticos que satisfazem as suas ambições instrumentalizando, entre outros, o discurso religioso. Quem faz uma leitura religiosa dos seus actos tresloucados entra no mesmo jogo e, além de lhes prestar um grande favor, é cínico. A diferença de tratamento entre o Charlie Hebdo e o Charlie Coulibaly derrubou a máscara.

  8. Inquérito: Faut-il définitivement interdire Dieudonné de tribune? Sinal dos tempos, lavagem cerebral religiosa a funcionar: «OUI» à frente.

    Votem aqui.

  9. Amigos, Camaradas, Companheiros, Palhaços,

    Em verdade vos digo que, no que respeita ao famigerado deus único, eu quero mesmo é que o gajo se foda, chame-se ele Deus, Alá, Iavé, Jeová ou a puta que o pariu. Ámen.

  10. Dizia um espanhol meio homofóbico que conheci em tempos: “Eu não acredito na existência de Deus. Mas, se acaso ele existe, então é gordo e leva no cu.”

    P.S. – A Isabel Moreira que me perdoe, mas o contexto histórico do Jurássico de onde venho será certamente uma atenuante.

  11. Lucas Galuxo: «Não são as religiões que têm ambições políticas. (…) A diferença de tratamento entre o Charlie Hebdo e o Charlie Coulibaly derrubou a máscara»

    O que distingue a religião islâmica (ainda minoritária em França, mas não por muito tempo graças aos esforços imigracionistas dos entusiastas das multiculturas) e a religião holocáustica de estado (que vigora oficialmente com todos os seus ritos, catequeses doutrinárias, exigências do culto, e leis bem temporais de perseguição aos heréticos) das outras religiões contemporâneas de relevância global é justamente a ambição de controle temporal e espiritual completo das sociedades que as adoptam.

    E é precisamente isso que a diferença de tratamento entre o Charlie Hebdo e o Charlie Coulibaly (prisão de Dieudonné) mostra: o conflito entre religiões.

    A semana passada o governo francês manifestou-se pelo direito de toda a gente ao discurso ofensivo; esta semana prendeu Dieudonné por discurso ofensivo. Q.E.D.

  12. “A semana passada o governo francês manifestou-se pelo direito de toda a gente ao discurso ofensivo; esta semana prendeu Dieudonné por discurso ofensivo.”

    não é bem assim, convém não baralhar o maralhal com liberdade de expressão e livre insulto ou discurso ofensivo como lhe chamas. podemos discordar ou não dos métodos ou interpretações da lei, mas as ofensas são punidas por lei, lá e cá, e isso nunca esteve em causa. a liberdade de expressão tem princípios e regras que a regulamentam não permitindo tudo e um par de botas, a sua anulação. claro que depois há os fiscais e jurisprudêncios, que lá, como cá, facilitam aos amigos e quilham os inimigos ou quem não paga dízimo. para não gastar mais paleio, o le monde de ontém esclarece sobre o assumpto.

    http://www.lemonde.fr/pixels/article/2015/01/14/charlie-dieudonne-reseaux-sociaux-la-foire-aux-questions-de-la-liberte-d-expression_4555964_4408996.html

  13. fui buscar à erradicação da ignorância que sugeriste. mas está bem, tens razão, fui extremista e radical na resposta Maria Abril. já reli e assenti e estou, por isso, perdoada por natureza. :-)

  14. no entanto, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. com conhecimento potente, e em potência, acaba-se o sentir sem explicação e a esperança, Maria Abril?

  15. Lucas Galuxo, qualquer religião, por ser um sistema axiológico fechado, tem ambições políticas. Como as religiões elaboram os seus valores adentro de uma dada tradição étnica e com o recurso ao pensamento mágico para validarem os seus princípios, daí decorre que elas não admitem contraditório. As religiões pretendem ordenar tanto a vida social como a psicológica. Ora, que há de mais ambiciosamente político do que isto?

    Outro assunto, embora congénere, é o do aproveitamento do poder político da religião para usufruto individual – ou seja, um caso de abuso de poder no contexto religioso em causa. Repara, porém, que esse abuso individual só é possível por haver um poder prévio concedido ao discurso, simbolismo e protocolos que esse indivíduo está a usar. Como é óbvio, ninguém pode instrumentalizar o poder religioso se esse poder não tiver sido constituído como poder religioso. E quem o constitui como tal é sempre uma dada comunidade que aceita ser regida politicamente por ele.

    Não há religiões de um só indivíduo – ou, a haver, não têm poder político algum.

  16. Ó jaquim pá, debes tar mesmo fuzido com DEUS, pá. e pelus bistos bais cuntinuarre a tar.ó meu, dobra a língua, pá, ou serra os apendisses pazinhu, e respeita us ótrus.

  17. estive a pensar depois de ler o que disse o Val. enquanto tu estavas a falar em um plano de organização social e inerentemente política, eu estava a arrepiar a vertente individual – a fé privada que difere fortemente da vertente pública. pronto, estou fora do contexto. ou talvez não. se em cada crença privada, organizada ou não, houver um carácter burilado que ainda acrescenta magia à logica então não existe terrorismo. este pressuposto faz-me concluir que a religião é saúde do foro individual para o colectivo perante a única verdade: a vida.

  18. Olinda, “sentir sem explicação” será um “fardo” que teremos de carregar enquanto o infinito for INFINITO. Ai de nós se um dia tivermos na “palma da mão” todas as explicações: morreremos de tédio, sentindo apenas o tédio. Fica descansada: os maiores sábios da actualidade garantem que o universo ou multiverso é demasiado grande e complexo para nos deixar entediados.

  19. “Não há religiões de um só indivíduo – ou, a haver, não têm poder político algum.”

    Não há. O que há é pessoas cuja vivência religosa inspira a sua acção política, tanto à esquerda como à direita. Os outros são aproveitadores, fracos religiosos e fracos políticos. Tal como a chusma de ateístas fundamentalistas que já se movimenta para recolher os despojos da tragédia de Paris em benefício dos seus combates próprios, a que pretensiosa e ludibriosamente chamam liberdade, que, no fundo, apenas talvez no método ainda se distingam dos dos maluquinhos terroristas que não suportam quem pensa diferente de si.

  20. hum, há purr aqui 1ns cumentadorres que axam ca saverre tudo é um tédiu, porcôza diçu, a Eva foie mais currioza, mas lichou-nus o dastinu, quand même.

  21. ufa, que alacridade! :-) é que o amor não pode morrer de tédio e qualquer génio sabe disso. e um amor à escala universal é o que chamam de deus. então a religião é, ou deverá ser, amor. este é o lembrete que falta aos terroristas. olha que simples que fiz agora, Maria Abril.

  22. Ai Olinda, Olinda! Se souberes o que é esse amor (universal) de que falas ou o mais particularzinho, que é o nosso, escreve aí, para eu saber se causa ou não tédio. “O amor e uma cabana”. E quando cai neve ou o calor abafa? E quando a gente envelhece, adoece e morre…

  23. Ignatz: convém não baralhar o maralhal com liberdade de expressão e livre insulto ou discurso ofensivo como lhe chamas. podemos discordar ou não dos métodos ou interpretações da lei, mas as ofensas são punidas por lei, lá e cá, e isso nunca esteve em causa

    Rato, as «ofensas punidas pela lei» são precisamente o que está em causa e a tua linha de argumentação é a mais esfarrapada das desculpas para a censura. O «discurso ofensivo» a nível das ideias não é, nem pode, nem deve ser considerado uma agressão individual, seja qual for a violência que contenha.

    A liberdade de expressão — espezinhada pelas leis pretensamente «contra o ódio» em países como Israel (o país precursor da criminalização da desmistificação do «Holocausto» [*]), França ou Alemanha, e garantida na lei americana pela bem-aventurada 1ª Emenda do Bill of Rights — deve ser absoluta e consiste justamente em garantir e legitimar o discurso ofensivo. O discurso que não ofende ninguém não precisa de protecção nenhuma.

    Andas a precisar mas é de levar com um tijolo…
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    [*] «Lei da Proibição» nº 1187, de 1986, que pune a «trivialização, elogio ou aprovação de actos cometidos sob o regime nazi que são crimes contra o povo Judeu ou contra a Humanidade» com pena de 5 anos de cadeia.

  24. Rato, para perceberes melhor, considera o que disse o papa-açorda [*] do Vaticano, sempre tão suave e carinhoso, com o seu exemplo dos insultos às mãezinhas a que se responde com socos na cara.

    Tem razão? Poderá ter se se tratar, por exemplo, de um artigo de jornal a dizer que a senhora Regina Bergoglio, sua mãe terreste, andou a fazer o trottoir em Buenos Aires e isso for, como não duvido que seja, mentira.

    Mas deixa de a ter se se considerar ofendido pelo que alguém tenha dito de alguma entidade mitológica que ele resolva nomear sua mãe celeste, e o tenha feito sem perturbação clara e directa da sua própria liberdade de expressão de papa-açorda num local de culto etc.

    O problema passa a ser ao nível das ideias e não ao nível da falsidade que possa atingir a reputação de um indivíduo realmente existente: passa a ser um problema dele, papa-açorda com vontade de dar socos. Que aguente e tenha paciência.
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    [*] Declaração de intenções: mais gracejo que insulto. «Sua Santidade» (uma expressão que também acho um tanto ofensiva, pelo seu pretensiosismo cómico) compreenderá.

  25. oh gúgú, guive mi a breique, como diria o amblíope que dorme nas caixas de aspirina. já que não há discurso ofensivo ou incitamento à violência, tamém não vejo motivo para criminalizar a pêra do xico, a rocha não porque requer capacete de protecção e lá se vai a liberdade capilar.

  26. Disse eu: «e o tenha feito sem perturbação clara e directa da sua própria liberdade de expressão de papa-açorda num local de culto etc.»

    Apresso-me a acrescentar «num local de culto ou fora dele», como é evidente. Claro que a liberdade de expressão de quem é religioso deve ser tão completa como a das opiniões suas contrárias . O que queria dizer é que o limite admissível da liberdade de expressão deve ser a liberdade de expressão alheia, ou seja, que, por exemplo, uma reunião de ateus, ou de devotos do profeta Joseph Smith, não pode nem deve escolher um local de culto de devotos do profeta Maomé.

    Fora disso, a liberdade de expressão deve ser total. Por exemplo, ouvi agora mesmo, na RTP-Notícias, um tal Abdul Rehman, pessoa muito simpática e aparentemente tolerante, atribuir a Maomé o título de «último profeta».

    Estaria ele consciente do gravíssimo insulto que estava a dirigir à devoção Mórmon, seguidora do profeta Smith, brindado pour um anjo do céu com um livro feito de folhas de ouro puro?

    Provavelmente isso nem lhe ocorreu, mas tinha de facto todo o direito ao seu discurso ofensivo, porque estava num espaço público. Tê-lo-ia perdido apenas num templo mórmon ou nalgum outro local privado onde não fosse bemvindo, e é tudo.

    Simples como 2 + 2 =4.

  27. Ignatz, estou com falta de tempo para decifrações. Se andas a ouvir os anjos, ou então já estás como aquele gajo que numbênada (ou então bê mas tecla com os cotovelos), volta à carga mais logo.

  28. Três perguntas que se respondem a si próprias, para melhor compreensão do que se passa em França, sob a superfície visível da histeria do governo Valls:

    Porque é que a abordagem ao tema do «Holocausto» é evitada pelos historiadores a sério através de todas as precauções imagináveis com que podem zelar pela sua integridade física, financeira e das suas próprias carreiras?

    Porque é que o «Holocausto» é o passaporte para a glória de historiadores-papagaios de terceiríssima categoria, monotemáticos, incompetentes e visivelmente incapazes de investigar mais longe do que as pontas do seus narizes?

    Porque é que o Holocaustismo se tornou a religião de estado do Ocidente e porque é que são necessárias leis específicas contra o seu «negacionismo», mas não contra as teorias da terra chata ou da lua feita de queijo?

    Pensem. Até um chimpanzé dotado é capaz de perceber.

  29. Olinda, o que vale essa tua afirmação “não há ninguém no mundo a quem eu cause tédio” quando tentares roçar-te a um monge cioso da sua castidade e da união mística com Deus? Pois é, Olinda, a cada um o seu amor.

  30. Sobre a liberdade de expressão. Alguém se lembra, ainda, do existencialismo de Sartre? “A minha liberdade acaba onde começa a dos outros”. No fundo, ninguém é totalmente livre nem pode ser, se queremos “conviver”. Há semáforos que temos de respeitar. E não se exija a um analfabeto que nos leia Eça. Ou esta. Podemos é fazer tudo e mais alguma coisa para erradicar o analfabetismo. O problema não será, em última análise, de formação e informação? Se é, e eu disso não tenho dúvidas, nem a violência do insulto ideológico nem a força da forca resolvem o problema. Não será o Charlie a outra face da mesma moeda? Só pergunto.

  31. Ignatz: «já que não há discurso ofensivo ou incitamento à violência»

    Ratolas, o «incitamento à violência» pode e deve ser criminalizado no caso do tipo que diz, à frente de uma multidão, no lugar e no momento do linchamento, «matem! pendurem! enforquem!», mesmo que não seja ele a fornecer ou a puxar a corda. Mas o crime não se chama, nem deve chamar, «abuso de liberdade de expressão» e sim «cumplicidade em homícidio».

    Não pode, nem deve, ser considerado culpado se tudo o que fez foram discursos violentos em quaisquer outras circunstâncias em que os únicos culpados deverão ser os perpetradores físicos do crime, e não as suas influências morais.

    A diferença óbvia é que no primeiro caso o «incitador» não está a falar em abstracto, está a participar num assassinato concreto.

    E tudo o mais é pretexto de censor — a mais perigosa corja que o diabo pariu, como a história demonstra — para enganar os tansos com conversa fiada de falso escuteiro armado em zelador do bem-estar alheio para conquistar o poder ilegítimo sobre os outros que ambiciona.

    E então no que respeita a censuras preventivas, a falácia moral ainda se torna mais obvia. Por exemplo, deve ser proibido, à precaução, gritar «fogo!» dentro de um teatro cheio de gente?

    Claro que não, até porque o fogo pode ser verdadeiro, o grito bem intencionado, e os resultados salvíficos de multidões. Uma tal legislação seria não só inútil mas um completo disparate.

    O que é que não deve ser perdoado? Não deve ser perdoado o crime que se comete através de um falso alarme de fogo que provoca, intencional e maldosamente, um pânico que causa atropelos e vítimas, se esse crime e essa intenção tiverem acontecido e puderem ser provados.

    Mas o crime não está no grito de fogo em si. O crime está na intenção dolosa que causou danos!

    O mesmo com o ceguinho a quem se fornece, sem empurrão físico nenhum, uma informação falsa que o despenha num precipício. Deve haver alguma lei especial a proibir ou a regular a liberdade de expressão no que respeita a instruções de itinerários a ceguinhos?

    Claro que não. Uma tal lei seria um disparate. O crime de apontar o ceguinho na direcção do precipício não tem nada a ver com a liberdade de expressão, nem se pode impedir preventivamente através de alguma legislação censória redundante visando circunstâncias específicas duma classe de homícidios peculiares; nem pode deixar de ser crime só porque dar informações erradas faz parte da liberdade de expressão. Claro que faz! Mas o crime não é por ter sido um «abuso da liberdade de expressão» (não deve existir tal coisa); o crime é por ter sido um homicídio intencional!

  32. oh gúgú, vai dar banho ao cão. existem leis que regulamentam a liberdade de expressão que estão em vigor enquanto não forem revogadas. quem se sentir ofendido processa e o tribunal julga, bem ou mal, quer gostes ou desgostes, é assim que funcemina. portantes escusas de legislar, jurisprudênciar, bitaitar e tóinóteorizar porque já alguém inventou a roda, o pneu e a jante.

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