Pede-se a comparência de um católico

charlie-hebdo

Um católico que se sinta religiosamente ofendido com esta imagem. Mesmo algum cristão simpatizante da doutrina da trindade ou alérgico à sátira com entidades bíblicas. Para nos explicar em que consiste esse sentimento de ofensa, donde nasce e como se justifica, religiosa e politicamente. No caso de não haver nenhum católico por perto para nos ajudar a lidar com as declarações do papa Chico, o Pugilista, aceitaria de bom grado discutir com o autor.

64 thoughts on “Pede-se a comparência de um católico”

  1. Nos tempos que correm a profissão de cartoonista pimba é uma profissão arriscada… é assim como a de domador de leões; de vez em quando o leão lembra-se a fechar a boca.

  2. Sem censura, desaparece o humorismo com classe.

    Cartoons só surpreendem se forem originais.

    Todas as crianças têm graça quando dizem a primeira asneira.

    Há segunda asneira perdem a graça.

  3. oube, eue sou cristaoe catolico apustolico romanu pá, e saves o ca fasso perrante istu? baicho os olhus e tenhu pena do gaju ca meteue o dibino ispritu santu na ordinarrisse, tás aberre? num precizas displicassãoe, mas de seguirre o ezemplu de Cristo, pur izempo quandu pilatos o mandoue pró herrodes. toue a falarre de fé, pazinhu, algu ca muitus num teiem. a fé num sisplica, meue, senteçe e çeguesse.

  4. Val, vai bater punhetas à liberdade de expressão p’ró caralho que te carregue. Esses alívios oferecem lógica a merdas que não têm lógica nenhuma.

  5. Do meu ponto de vista de sincero devoto da fé verdadeira, i.e. daquela que todos — mesmo os incréus pobres no espírito introspectivo — transportam dentro de si e diariamente usam sem sequer nisso reparar, acho um pouco ofensivo por não aproveitar melhor a teologia triuna que muito correctamente, interpõe o venerável Paracleto que tão bem nos assiste nas nossas aflições, entre o Pai e o Filho.

    Atrás dos outros dois, representado como o todo, não faz tanto sentido teológico-humorístico. Como toda a gente sabe, a espiração das pessoas da trindade, independentemente do seu sentido entrópico ou contra-entrópico, faz-se não a partir, mas através da terceira. Amen.

    Mas não é problema nenhum! Respeito com todo o gosto todas as ofensas que queiram dirigir às minhas ideias e à minha fé (a única verdadeira, até porque fora dela o conceito de verdadeiro ou falso não existe).

    Nota que atitude bem diferente é a da malta idolatra que adora o vitelo Charlie Hebdo, como se demonstra por esta excelente piada idolatrofóbica devida ao excelente Joe Le Corbeau (sim, já nas garras da justiça francesa), tomada uma e outra vez, e por vezes com grande escândalo das multidões intelectualmente deslavadas, pelo seu ídolo genuíno:

    Piada idolatrofóbica

    Anjinhos perplexos

    Melhor do que isto, só mesmo o ataque de botulismo (como em Jean-Baptiste Botul) do philosophe cum contrabandista de armas Bernard-Henry Lévy, o showman da França no mundo árabe, e em especial na martirizada Síria…

  6. Mais piadas giras do Corbeau a mostrar justamente aquilo que os charlies descolhoados, não só não eram capazes de fazer, como ainda por cima defendiam que se proibisse de fazer:

    Shoa Hebdo

    Shoa Hebdo Hors -Série

    Bienvenus en internet, messieurs les censeurs (de merde)…

  7. Ó Val, não está a haver aí uma confusão qualquer, nem a fantochada da manifestação com protocolo te pôs a pensar, ou é do vinho?
    Olha lá, se andares na escola e fizeres uma caricatura duma gorda lá da aula é considerado bulling. Se estiveres no trabalho e fizeres uma caricatura alusiva às mamas da tua colega, podes ter um processo por assédio moral. Não achas um bocadinho hipócrita juntar a liberdade de expressão com o charlie hebdo. Ou a liberdade de expressão concede o direito de ofender toda a gente?
    Não te sentes manipulado? Não achas que este caso está a servir lindamente para abafar outros muito mais importantes e muito mais gravosos para nós portugueses?
    É que o outro, só por mandar o Cavaco trabalhar, levou com um processo em cima, imagina que ele lhe fazia um boneco desses do “Charlie”.

  8. Carlos Sousa, sentes-te ofendido pela imagem que está em discussão? Não percebi pelo teu comentário. Mas, como não pagas mais por isso, podes tentar de novo a ver se percebo do que estás a falar.

  9. Carlos Sousa: «Ou a liberdade de expressão concede o direito de ofender toda a gente?

    É exactamente isso, sem tirar nem por.

    «Liberdade de expressão» sem possibilidade de ofensa, não é liberdade nenhuma, é só expressão. Não confundir «ofensa», a nível da expressão das ideas, com um insulto dirigido a um indivíduo concreto, uma falsidade difamatória concreta etc..

    E quanto ao argumento das honras colectivas atingidas, do género «o teu regimento ofendeu o meu», o melhor é deixar estar, ou então nomear dois campeões individuais voluntários e deixá-los resolver a coisa entre eles, como os duelistas napoleónicos do Ridley Scott. Deixem lá o estado fazer leis úteis à comunidade em vez de se tomar por polícia das colectividades.

    Já agora, para os leitores apressados ou «especiais»: o verdadeiro Charlie Hebdo pelo qual, como diz um cartoon divertido que estou a ver, tocam os sinos da Notre-Dame, desfilam Hollande, Valls, Sarkozy, Copé, Merkel, Cameron e Netanyahu, se desfraldam bandeiras tricolores, se canta a marselhesa, se propõe o panteão, o NASDAQ e a Académie Française proclamam «je suis Charlie» e o papa reza, é este:

    Charia Hebdo (Charlie autêntico)

    Este outro não é autêntico, é apenas um divertido pastiche cujo autor já tem um processo e inúmeras ameaças às costas (próximas agressões previsíveis sem escândalo nem investigação de governo nenhum, porque o prof. Faurrisson, 85 anos, novo processo para a semana, já conta dez, uma das quais quase mortal, publicamente saudada pelo «caçador de nazis» Klarsfeld, culpados judeus do Bethar identificados e deixados à solta sem o mínimo incómodo):

    Shoa Hebdo (pastiche)

  10. Caro Valupi,

    Julgo que nesta polémica sobre a liberdade de expressão se cai no erro de pensar numa certa racionalidade ou num determinado sentido de humor como se fossem ( ou devessem ser )constituintes universais da espécie humana, e não são!

    O cartoon da ilustração não me ofende, embora não me faça rir. Já a minha mãe é bem possivel que se ofenda, pois em tempos cortou relações com um casal dos seus amigos mais antigos porque não viam nada de mal na célebre caricatura do Papa que António assinou ! Aliás, por conta dessa “piada”, o Santo Expresso, que o meu pai comprava com a mesma religiosa assiduidade com que a minha mãe vai à missa de Domingo,também nunca mais entrou lá em casa!

    Comprimentos,

    MR

  11. Não percebes e queres que te faça um boneco, não é?
    Ó Val, para mim qualquer pessoa pode fazer os bonecos que quiser, estamos num país livre.
    Há desenhos e desenhos, assim como há pessoas e pessoas. Para mim os desenhos do Charlie Hebdo são equivalentes aos que vejo nas casas de banho públicas. Têm exactamente o mesmo traço, o mesmo gosto duvidoso e um sentido de humor primitivo.

  12. sou agnostico, e por isso, não casei pela igreja nem batizei os meus filhos, mas não posso concordar com ataques gratuitos a lideres religiosos que não professam a violência. o charlie,mais cedo do que tarde,vai ser encerrado,não por obra dos fanaticos, que se servem dos charlies para espalhar o terror, mas a mando do governo,a pedido de varias familias!

  13. Gungunhana,
    “Liberdade de expressão» sem possibilidade de ofensa, não é liberdade nenhuma, é só expressão. Não confundir «ofensa», a nível da expressão das ideas, com um insulto dirigido a um indivíduo concreto, uma falsidade difamatória concreta etc..”

    Explique isto melhor, por favor.
    E se a “ideia” que eu expresso (não a “ofensa”)é tida por outrem como um insulto?
    E a minha ideia de gritar num teatro abarrotado que há fogo, sem o haver, não é um insulto para ninguém, pois não?

  14. MR, com o devido respeito pelos teus pais que tomaram decisões dentro da sua liberdade e que assim se cumpriram plenamente como cidadãos, que têm esses episódios a ver com a questão? Repara que a questão não é sobre o humor, se existe ou não, se é bom ou mau, apenas sobre o uso de figuras religiosas para se fazer uma caricatura qualquer.
    __

    Carlos Sousa, recordo-te que não pagas nada por este serviço que te permite ver publicados neste blogue os caracteres que envias. Daí pedir-te que tentes de novo, caso a tua intenção seja responder ao desafio que lancei.

    Se a imagem te é indiferente, como parece queres indicar (queres?), estás a falar do quê? Se, ao contrário, te sentes ofendido, explica em quê e porquê.

  15. estava a pensar que talvez o que ofenda seja a pincelada do humano, enquanto criatura completamente imperfeita, nas caricaturas. e os humanos que se ofendem são os que negam essa imperfeição em contexto real. caricaturar é uma forma de intervenção e de construtivismo social. tal e qual como as crónicas ou os artigos de opinião, lê quem quer. e quem não gosta, mata?

  16. Valupi,

    Só te dei o exemplo dos meus pais porque para eles o Papa é uma figura religiosa muito mais “sagrada” que o próprio Deus em que acreditam e que supostamente o dito representa. Ou, se quiseres, e dizendo o mesmo de outra forma: reconhecem mais facilmente o Papa numa caricatura do que Deus ! ( O que se compreende: Deus não costuma aparecer nos Telejornais….)

    Saudações,

    MR

  17. Também pode ser a comparência de uma católica. Aqui estou. A caricatura não me ofende, mas não achei grande piada, talvez porque não aprecio sexo anal. Não me ofende porque há muito que deixei de acreditar no “pai natal”. E o Deus da Santíssima Trindade é uma espécie de “pai natal” dos teólogos cristãos, que em vez de trazer presentes pela chaminé, uma vez por ano, distribui rebuçados de amor durante todo o ano. Estás a ver, Val, o Deus-Amor não podia ser uma só pessoa, se entendermos, à maneira humana, que o amor só é possivel entre pessoas. Logo…Deus não pode ser “um” ou “uma”. Tem lógica, não? Como entendo que isto é conversa sobre o “sexo dos anjos”, porque Deus é por definição teológica Infinito e o Infinito não pode ser definido por um ou por um milhão, as caricaturas não me ofendem nadica de nada. Imagino que ofendam gravemente os que acreditam em Deus-Pai-Natal- Páscoa-Pentecostes. Penso, caro Val, que só podemos falar em liberdade de expressão para quem entenda a liberdade de expressão, concretamente, o seu valor cultural. Na “hora de Charlie”, ninguém se lembra que vivemos num mundo de gente tremendamente diversificada e desigual culturalmente. Assim, condena-se e absolve-se com facilidade. Assim, até eu sou culto!

  18. também pode dar-se o caso de confundir-se realidade com imperfeição. estou a lembrar-me, por exemplo, da caricatura do Papa a cagar (sim a cagar porque fazer caca não liga com paródia). tornar-se-á em uma imagem ofensiva para quem tem o Papa como um ser não cagante porque cagar será algo imundo j+a que tremendamente humano.

  19. A única pessoa que se poderia legitimamente sentir ofendida por esta capa é monsenhor Vingt-Trois, o actual arcebispo de Paris, que condena a possibilidade de adopção de crianças por casais do mesmo sexo com argumentos que até eu entendo. O cartoon atribui sarcasticamente a paternidade do dito monsenhor a três entidades que em muitas línguas são todas masculinas: Pai, Filho e Espírito-Santo. Os intolerantes e iconoclastas de vário pêlo verão na imagem uma ofensa a toda a cristandade, quando, na verdade, só uma pessoa é visada e deliberadamente ofendida. Que me conste, monsenhor Vinte e Três nem sequer se queixou à polícia. Tem, por isso, todo o meu respeito.

  20. Júlio: «… monsenhor Vingt-Trois, o actual arcebispo de Paris, que condena a possibilidade [de] adopção de crianças por casais do mesmo sexo com argumentos que até eu entendo.»

    Aproveito para sublinhar aquilo que explica muita coisa e escapa a muita gente: a extrema correcção política do humor do Charlie, tanto mais notória quanto a fraqueza dos raros alibis de despistagem. Para perceber melhor ainda a súbita devoção à (inexistente) liberdade de expressão:

    http://metamag.fr/metamag-2573-UNIFORMISATION-ET-CONFORMISATION-DES-MEDIAS–Vers-la-pensee-unique-et-obligatoire%C2%A0.html

  21. lole, loel, a maria avrile é católica. hum, debes serre debes. mas quando fizestes o cumentarrio num istabas muito catolica, num é?

  22. Val , já vi que hoje estás um bocado tosco, mas eu vou explicar-te novamente como se fosses um puto de 10 anos.
    O que é que tem a ver o Charlie Ebdo com a liberdade de expressão?
    Olha bem para a capa do jornal que meteste no artigo e o que é que vês? Qual é a mensagem que aqueles pseudo cartoons pretendem transmitir?
    Qual é a utilidade daquilo para uma sociedade dita civilizada, que não seja apenas o insulto gratuito?
    Já reparaste que se o Alá fosse o Sócrates o Charlie Ebdo era o Correio da Manhã?
    Consegues perceber agora, que aquilo que aconteceu em França não tem nada a ver com liberdade de expressão, mas sim com um ataque terrorista a um alvo marcadamente simbólico, como foi o ataque às torres gémeas.

  23. “Carlos Sousa: «Ou a liberdade de expressão concede o direito de ofender toda a gente?
    É exactamente isso, sem tirar nem por.”
    Ó Meireles se o teu conceito de liberdade é insultar toda a gente, tem cuidado, é que para outros o conceito de liberdade pode ser o de andar à batatada.

  24. Uma coisa é insultar e provocar gratuitamente, outra é fazê-lo com objectividade e sentido verdadeiro de crítica.

  25. Ó Jv, o problema é que geralmente o insultado não tem objectividade suficiente para distinguir a verdadeira critica do verdadeiro gozo.

  26. Miguel D: “Gungunhana: «Liberdade de expressão» sem possibilidade de ofensa, não é liberdade nenhuma, é só expressão. Não confundir «ofensa», a nível da expressão das ideias, com um insulto dirigido a um indivíduo concreto, uma falsidade difamatória concreta etc.. Explique isto melhor, por favor.”

    Vou tentar com dois exemplos:

    «A mãe de Jesus era uma rameira e o parto do menino não foi virgem» — segundo a literatura talmúdica, que não segundo a minha opinião (e estilo de polémica) de que os partos virgens são frequentíssimos em todos os nascimentos mitológicos, sem necessidade de postular más vidas prévias enfeitadas com injúrias e palavrões — é com certeza uma opinião extremamente ofensiva para um crente cristão, e até um insulto claro a uma figura pretensamente histórica, mas deve ser discurso protegido pela lei porque não atinge de forma directa nenhuma pessoa individual suficientemente próxima e contemporânea. Deve ser comparável a dizer que D. Afonso Henriques batia na mãe ou que Dona Teresa era infiel ao marido — ambas as alegações, aliás, provavelmente falsas. Ou, é claro, que Baal comia criancinhas (propaganda dos sanguinários romanos, adeptos dos massacres circenses ? vá-se lá saber…), que Buda só flutuava quando estava com os copos, e por aí fora, sem limite à imaginação.

    «A tua mãe é uma rameira», falando presencialmente com alguém, é um insulto pessoal, e portanto não deve ser protegido pela lei. E ainda mais claro fica que uma acusação falsa de algum crime ou malfeitoria a uma pessoa individual actual e directamente visada deve ser punida pela lei, não por constituir um abuso de liberdade de expressão, mas por constituir um falso testemunho com consequências directamente nefastas e injustas para alguma vítima identificável.

    E se a “ideia” que eu expresso (não a “ofensa”) é tida por outrem como um insulto?

    Uma excelente pergunta de difícil resposta, como muitos encontros entre civilizações diferentes indicam, até a nível da simples e recomendável boa educação nas relações humanas.

    A minha tentativa de resposta é esta: a diferença entre ofender e insultar é que o insulto é geralmente presencial, mais claro, e mais susceptível de anunciar violência física iminente, i.e. revelador de uma provável intenção condenável.

    Já a ofensa é pau para toda a obra. Em boa verdade, é quase impossível falar do que quer que seja que apresente algum interesse confrontacional sem ofender alguém.

    Se leres melhor o que escrevi mais acima, perceberás porque é que, por exemplo, um devoto do profeta Maomé, cheio de simpatia e amor pelo próximo, e desejoso de mostrar aos católicos que os maometanos como ele respeitam e amam até à loucura o para eles profeta Jesus, de que aliás reconhecem o parto virgem, pode estar a ofender um devoto do profeta Smith que viveu no século XIX ao dizer que o seu profeta Maomé foi o «último profeta».

    Com que direito é que ele ofende os outros ao negar-lhes os seus profetas posteriores a Maomé que também recebem livros do céu e tudo?

    Muito simples: com o direito que a liberdade de pensamento e expressão desse pensamento lhe deve garantir. Tão simples como isso.

    E a minha ideia de gritar num teatro abarrotado que há fogo, sem o haver, não é um insulto para ninguém, pois não?

    Claro que não, mas onde é que leste que essa ideia deve ser punida por insultuosa? Não foi com certeza em alguma coisa que eu tenha escrito.

    (?)~~ :^(

  27. Carlos Sousa, creio que finalmente percebi. Percebi qual é o valor que dás à liberdade de expressão. Contudo, continuas a chutar para a bancada. A questão que levanto diz respeito às declarações do papa Francisco, o qual repete um argumento que se invoca para justificar os crimes como o que ocorreu no CH.

    Como sobre esse assunto já ficou claro que nada tens para dizer, podemos dar por encerrada a sessão.

  28. Ó Val, se quiseres encerrar, encerra, mas quem está a chutar para a bancada não sou eu.
    Qual é o argumento a que te referes? É o dele ter dito que dava um soco no Gasbarri se ele lhe ofendesse a mãe?
    Faz a pergunta de forma clara, se queres uma resposta directa.

  29. Carlos Sousa: «Ó Meireles se o teu conceito de liberdade é insultar toda a gente, tem cuidado, é que para outros o conceito de liberdade pode ser o de andar à batatada.»

    Vê mais acima a diferença entre ofensa e insulto. Uma das razões porque o catolicismo actual é bastante mais apreciável do que o seu historial de longa data é que parece ter compreendido, ou começado a compreender — isto de alterar sabedorias perfeitas e eternas é um processo pouco científico e necessariamente lento — essa diferença.

    Um filme como o pythoniano Life of Brian ou as rábulas do Herman José podem ser ofensivos para os católicos, como a ideia de uma divindade todo-poderosa que cria criaturas livres e imperfeitas para as condenar a sofrimentos eternos pode ser altamente ofensiva para outros, mas nada disso deve ser considerado um «insulto» ou «injúria» à face da lei (em sentido figurado é outra coisa).

  30. Ó Meireles, deixa de ver filmes e compra um bom dicionário de sinónimos, talvez te ajude a desfazer algumas confusões.

  31. Aprender até morrer, Carlos Sousa: surpresa, surpresa… os dicionários de sinonimia indicam palavras, mas não indicam contextos de utilização dessas palavras e muito menos suas nuances. Por exemplo, se pegares num e vires lá, na mesma lista, «ofensa», «desagrado» e «insulto» não significa que passes a poder dizer, por exemplo, «os pratos de marisco insultam-me» ou «os epítetos obscenos que dirigiram à minha velha e indefesa avô, depois de lhe cuspirem num olho, foram um tudo-nada desagradáveis».

  32. Caro Carlos Sousa, que ao menos, quem insulta gratuitamente tenha esta objectividade e sentido de responsabilidade, senão as capacidades deseliquilibrem-se negativamente para quem assim desnecessáriamente as provoca. Falo em gratuidade …

  33. Aliás «sinonímia» com acento, e não «sinonimia». Esta era suficientemente grave para não passar por acidente.

    E, para aproveitar o post, não percam os excepcionais policiais «noirs» do Bernamej:
    http://bernamej.com/

    Realmente, os francófonos quando se chateiam ficam mesmo inspirados…

  34. Em verdade, em verdade vos digo que, ateu irrevogável que sou, este papa me despertou, ocasionalmente, alguma simpatia. Mas as bojardas que ontem bolçou mostram que, a juntar aos inúmeros e humanos defeitos dos que o precederam, é ainda por cima supinamente estúpido, uma novidade nos sucessores de Pedro.

    Como pode o representante de Deus na Terra, o alegado vigário de Cristo, julgando que isso lhe humaniza a imagem e o aproxima do homem comum, afirmar com aquele ar satisfeitinho, silogismos de seminarista e a alarvidade de um hooligan que dava um murro a um amigo se este lhe ofendesse a mãe? Como se compagina isto com a filosofia do mestre que alegadamente lhe serve de modelo de oferecer a outra face a um eventual agressor, quanto mais a um ofensor? E como é possível que, sem perder o fôlego, reincida na alarvidade justificando a agressão com a frase absolutamente assassina “É normal, não se pode provocar, não se pode ofender a fé dos outros”?! Acaso Cristo daria um murro a quem lhe ofendesse a santa mãezinha ou diria, antes, “perdoa-lhe, meu Deus, porque ele não sabe o que diz”?

    Como é possível que o idiota não se tenha apercebido da justificação de mão beijada, da cobertura total que, com esta ligeireza de elefante, ofereceu aos assassinos?

    Vigário de Cristo, este imbecil? Em verdade, em verdade vos digo que, se acaso voltasse a este desgraçado planeta, de Jesus Cristo ouviríamos provavelmente algo deste género: “Parafraseando Maomé ao Charlie Hebdo, c’est dur d’être représenté par un con.” Depois, pegaria sem demora no telemóvel, ligaria ao Vaticano e diria: “Ó Chiquinho! Parafraseando o Joaquim Camacho, em verdade, em verdade te digo que, ainda que te apresentes como meu vigário, te comportas na prática como um vigarista! E ainda por cima vigarista incompetente, que desacredita de modo imbecil a vigarice que tenta vender, prejudicando o negócio. Estás despedido, parvalhão!”

  35. o papa tem uma opinião correcta acerca da liberdade expressão – que de resto é uma treta, que tal como a liberdade a solo, serve para justificar muita falta de liberdade.
    o que se passou em paris não foi um ataque á liberdade, foi o exercício da liberdade.

  36. Valupi, como os cartoonistas têm o direito à crítica, também os visados têm o direito à indignação. E não têm de explicar o porquê de se sentirem indignados e ofendidos.

    Mas se quer algum esclarecimento adicional relativamente à fronteira da liberdade nesta matéria (e serve também para o Gungunhana Meirelles) penso que não há melhor que perguntar ao legislador desta mui nobre pátria laica. Legislador esse que contemplou a liberdade mas não se esqueceu de fazer uma ressalva ao sagrado:

    Artigo 332.º
    Ultraje de símbolos nacionais e regionais

    1 – Quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa, ou faltar ao respeito que lhes é devido, é punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.
    2 – Se os factos descritos no número anterior forem praticados contra as Regiões Autónomas, as bandeiras ou hinos regionais, ou os emblemas da respectiva autonomia, o agente é punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias.

    (criminalização sem paralelo nos EUA)

  37. Para alguns cerebelos do tamanho de uma ervilha, se o meu vizinho me ofender é igual que eu me dirija a ele e diga que não gostei e que aquilo que ele disse é de mau-gosto ou que pegue numa pistola e lhe enfie três tiros na cabeça.

  38. “… os dicionários de sinonimia indicam palavras, mas não indicam contextos de utilização dessas palavras e muito menos suas nuances.”
    Diz a um terrorista, desses que nem à escola foram” eu não estou a insultar-te estou a ofender-te, toma atenção à nuance da palavra.”
    Ó Meireles, poupa-me…

  39. Valupi

    Hesitei em escrever, por me não rever nas condições que indicou.
    A caricatura repugna-me e enoja-me, mas não ofende a minha fé porque a não retrata. Tal como as palavras – que ficam com quem as profere – e os actos – que qualificam quem os pratica – esta caricatura reflecte quem a desenhou.

    Atendendo ao contexto em que foram ditas, também não compreendi as palavras do Papa e a minha reacção imediata foi retorquir mentalmente: que me conste, o profeta Maomé não tem nenhum filho vivo.

  40. Maria, mas o papa não pode fazer uma consideração relativamente às caricaturas? O cartoonista não é susceptível da crítica? A liberdade é uma via de sentido único?

  41. Moi, JE NE SUIS PAS CHARLIE et je condamne tous ceux qui croient avoir la legitimité d´OFFENDRE la réligion, les croyances et la foi des autres.
    Cést incroyable qu`aprés le massacre de Paris, ces connards «charlies» continuent la politique de provocation basée sur les croyances présentées par les fanatiques comme les motifs de leur terrorisme.

  42. Pinto

    O problema está no contexto em que a frase foi dita: parece-me que, embora sem essa intenção, ela atenua a barbaridade do crime cometido em Paris, porque o compara à espontaneidade de quem responde com um sopapo a quem lhe insultou a mãe.

    A questão não está no direito à crítica que não só pode, como deve ser exercido (eu exerci-o no primeiro comentário que escrevi). O problema, para mim, está no desagravamento do crime.

  43. Obrigado pela ajuda ignatz. E agora veja bem que o ultraje a um pano prevê uma pena maior que a injúria a um ser humano.

    Engraçado estarmos aqui a mandar bitaites relativamente à religião e esquecermo-nos que o Estado proíbe a falta de respeitinho para com os seus símbolos. Ou seja, satirizar as religiões e os seus símbolos sim senhor que a liberdade de expressão não tem limites (quase partilho essa opinião, no entanto entendo que tem alguns limites quando essa liberdade trespassa para a denúncia caluniosa), no entanto quando a sátira visa os símbolos da Grande Nação-Mãe, alto aí e pára o baile.

    Quantos charlies de bolso se indignam com este crime estapafúrdio, bafiento, napoleónico, nacionalista e anacrónico? Quantas manifestações a carneirada os nossos paladinos da liberdade de expressão já promoveram em contestação a este crime?

    Digo sem ironia nem exagero: se os Estados se empenhassem em doutrinar a população para a ética e as vantagens da escravatura, daqui a três anos poderiam permiti-la que a esmagadora maioria da população apoiava.

  44. Maria, a primeira coisa que o papa fez foi condenar os assassínios. A segunda dar uma opinião relativamente à sátira. Ou seja, primeiro condenou aqueles actos, de seguida deu uma opinião quanto aos cartoons. Opinião que tem todo o direito a dar, como qualquer cidadão.

    Mas ainda que mal pergunte; porque não criticam a Ana Gomes que fez mais ou menos as mesmas considerações? Ela desvalorizou o crime? É que – engraçado – não vi aqui ninguém escrever nada sobre as declarações de Ana Gomes.

  45. ó gaju ai dcima, num uzes o meu abatare, tábeie? bê lá.
    num kerro saverre da ana gumes, a gajja é chucha e num é orriginale, tá beie?

  46. os charlies,se pensam que a policia vai estar a guardar-lhes as costas o tempo todo estão enganados!dentro de pouco tempo vão mais doze em nome da liberdade de expressaõ!digam mal do presidente hollande,e da sua politica,para ver se a coisa melhora.o papa francisco é simplesmente um politico ,não tem mandato divino.

  47. O mundo está “doudo”, definitivamente …
    E por aqui a sanidade também vem a espaços, a aferir pelos escritos acima.
    Pela minha parte, o desenho – e não passa disso – não tem ponta por onde se lhe pegue. Não tem graça, nem nada me diz,
    Abraços

  48. +1numbejonada, então vou usar as palavras do Henrique Monteiro (não porque concorde com elas mas para demonstrar a incoerência no raciocínio):

    E, no entanto, a pergunta é legítima as declarações são legítimas e merecem uma reflexão mais aprofundada que o estilo reflexo do cão de Pavlov – toca-se a sineta e os cães babam-se. Porque digo isto? Não por concordar com Ana Gomes, mas por entender que ninguém, muçulmanos incluídos, merece ser ofendido gratuitamente

    Esta falta de coerência do Valupi é, desculpem-me a expressão, patética.

  49. A eurodeputada Ana Gomes, em mais um espirro daquela inteligência rara mas tão rara que deveria estar escondida como relíquia , pergunta: “porquê insistir na representação do Profeta, que se sabe ofender os muçulmanos?”

    Segundo o raciocínio (chamemos-lhe assim por cortesia) do Valupi, e citando alguém com o qual supostamente ele concorda, a pergunta da Ana Gomes “é legítima e merece uma reflexão mais aprofundada (…) por entender que ninguém, muçulmanos incluídos, merece ser ofendido gratuitamente”, pois, palavras já do Valupi, o abismo atrai o abismo.

    De seguida, largando o dever de obediência e bajulação partidária e pegando no anti-catolicismo chique, pergunta a “algum cristão simpatizante da doutrina da trindade ou alérgico à sátira com entidades bíblicas (…) em que consiste esse sentimento de ofensa, donde nasce e como se justifica, religiosa e politicamente”. Isto para o “ajudar a lidar com as declarações do papa Chico”.

    Concluindo: se a sátira visar o islamismo devemo-nos interrogar para quê estar a ofender gratuitamente aquela gente que se enerva com facilidade e desata aos tiros. O melhor é ponderar bem isso e ficarmos quietinhos. Se a sátira visar o catolicismo, carrega-lhe que esses retrógrados têm de se actualizar e não têm qualquer razão para ficarem ofendidos.

    Este pensamento de tão asqueroso, cobarde e hipócrita, dá vontade de vomitar.
    (vou à casa de banho e já volto)

  50. não entendo nem a ofensa religiosa nem a ofensa ao carácter individual. nesse desenho vejo uma chamada de atenção para a homofobia, para o incesto e para a santidade que não se vê mas faz-se sentir: o catolicismo esgalhado. ora esse desenho pouco diz de quem o fez: a criatividade obriga-nos a sair de nós no processo de criação. de outra forma: toda a arte retrata o artista? não.

    e é por isso que, e não me levem a mal mas se levarem há sempre oportunidade da sestinha depois do farto almoço de domingo,
    :-)uma contraparódia – porque quando algo nos causa nojo e repudia é porque ofende o nosso carácter.

    podia bem ser um padre com o sexo bem erecto a calar a boca do incesto e a atirar água benta para a homofobia: e tudo metido em uma bolha sem ar: a negação do real.

    viva a arte de intervenção que faz abanar! :-)

  51. Maria [inquieta com o pugilimo papal]: «que me conste, o profeta Maomé não tem nenhum filho vivo.»

    E Maomé, que se saiba, embora hoje não tardasse a ser lapidado vivo, ou pior, por pedofilia, também não foi transssexual, como se poderia supor que o papa tivesse tido em mente ao referir-se a «ofensas às mães».

    Mas não. Não deve ter sido nada disso. Não era no Maomé que ele estava a pensar. Na minha modesta opinião, era na Virgem Maria, porque tenho verificado com alguma curiosidade (mais antropológica que iconoclástica, mas difícil de separar) que o exemplo de sensibilidade à ofensa mais vulgarmente oferecido pela devoção católica à flor da pele é o da seguinte proclamação normalizada: «Para mim, uma ofensa à mãe de Jesus é como se fosse uma ofensa à minha própria mãe».

    A coisa é quase sempre enfática, entusiástica e, por vezes, acompanhada de posturas de karaté (autêntico ou Ersatz, pouco importa). Torna-se interessante porque parece pressupor que a divindade superior todo-poderosa, criadora de seres inteligentes, livres e imperfeitos a quem depois prega rasteiras como aquela da fruta para os precipitar no sofrimento eterno, não precisa de ser tão bem defendida porque mais tarde ou mais cedo vai ajustar contas com os devotos das outras divindades; enquanto que a divindade feminina subalterna do seu próprio panteão não só é vista como vítima indefesa, mas ainda como carecida de violência vingativa imediata em seu nome, não vá a divindade superior que ela ajudou a trazer ao mundo cá de baixo esquecer-se dela.

    Em matéria de devoções não conheço nenhuma que mais me ofenda do que a do respeito pelo deus infernal do absurdo ululante. Mas paciência, esse problema é meu. Aguento a ofensa e respondo como me parece lícito responder.

  52. [Comunicado oportuno, sem transposição do negrito; os interessados são remetidos para a fonte]

    Paris le 16 Janvier 2015

    ​COMMUNIQUE​

    La Confédération des Juifs de France et Amis d’Israël se réjouit de la décision du Ministre de la Justice et du Gouvernement de réformer la législation de répression du délit de racisme et d’antisémitisme.

    La Confédération des Juifs de France et Amis d’Israël, associée au B.N.V.C.A, mène depuis de nombreuses années une campagne assidue afin que le délit d’antisémitisme, ainsi que le délit d’apologie du terrorisme, soient extraits du droit de la presse et prennent toute leur place dans le code pénal général. Cette demande, appuyée par Monsieur Jean-Claude Gayssot, fut un des points forts du Colloque du B.N.V.C.A en date du 18 Février 2013.

    En effet, les poursuites dans le cadre de la « loi de la presse » sont d’une telle complexité et si fragiles que la moindre erreur procédurale devient fatale, notamment du fait de la courte prescription et de l’impossibilité de corriger la qualification initiale.

    En avril 2014, nous avions rencontré Madame Christiane Taubira, Garde des Sceaux, qui nous avait assuré de son soutien et de sa volonté à s’investir sur ce chantier législatif, dès que possible.

    Dès Septembre, le gouvernement, dans un souci du renforcement de la lutte contre le terrorisme, a intégré dans la loi du 13 novembre 2014 relative à la lutte contre le terrorisme, la disposition concernant l’apologie du terrorisme.

    Ainsi le sixième alinéa de l’article 24 de la loi de la presse du 29 Juillet 1881, est devenu l’article 421-2-5 du code pénal général.

    Les conséquences en ont été spectaculaires.

    Ainsi Dieudonné a-t-il pu être immédiatement interpellé et renvoyé en correctionnelle pour apologie du terrorisme à la suite de propos tenus par l’humoriste sur sa page Facebook, dans lesquels il disait se sentir « Charlie Coulibaly », en référence à Amedy Coulibaly, l’homme qui a pris des clients d’un supermarché casher en otage et tué quatre d’entre eux. Cette réponse judiciaire immédiate, rendue possible par la nouvelle législation, tranche avec la lenteur de la procédure antérieure.

    De même, des dizaines d’individus ayant fait l’apologie du terrorisme, ont pu être interpellés, renvoyés en correctionnelle et parfois, même, déjà jugés, avec une sévérité et célérité nouvelle en confirmité avec la nouvelle législation.

    Dans notre lettre ouverte à Monsieur Roger Cukierman en date du 14 Décembre 2014, nous avions rappelé que les premiers actes concrets dans la lutte contre l’antisémitisme devaient s’appuyer sur un changement législatif.

    Nous avions réitéré nos demandes en ce sens auprès du Garde des Sceaux, du Premier Ministre et du Président de la République.

    Nous sommes très heureux d’avoir été entendus.

    En effet, la garde des Sceaux a présenté, vendredi 16 Janvier, de nouvelles propositions concrètes, conformes à nos voeux, en la matière lors de son intervention :

    Tout d’abord, généraliser dans le code pénal la circonstance aggravante de racisme : elle aurait en effet un sens évident pour certaines infractions comme les agressions sexuelles, le harcèlement sexuel, le harcèlement moral, la séquestration, la traite des êtres humains, le bizutage, l’atteinte aux biens, le chantage notamment.
    Sortir les injures et diffamations du droit de la presse – loi 29 juillet 1881 – pour les introduire dans le code pénal lorsqu’elles sont aggravées par une circonstance liée au racisme, à l’antisémitisme, à l’homophobie. Ainsi, les infractions de ce type pourront être poursuivies selon la procédure de droit commun. La réponse pénale gagnera ainsi en efficacité.
    Confier à l’autorité administrative la possibilité de bloquer les sites et messages de haine raciste ou antisémite.

    La Confédération des Juifs de France et Amis d’Israël est très heureuse de constater la détermination du gouvernement et ne peut que se rejouir de voir l’aboutissement d’un combat de plusieurs années.

    Bien que très satisfaits de ces premières mesures, notre combat ne fait que commencer car d’autres mesures seront nécessaires dans le domaine judiciaire, éducatif, culturel et médiatique afin que ce fléau, qu’est l’antisémitisme, puisse reculer; nous développerons ces mesures dans un prochain billet

  53. Leiam com atenção o comunicado porque ajuda a perceber coisas como as súbitas ansiedades da Isabel Moreira perante situações explosivas criadas na lua pelos marcianos, bem como a toccata e fuga que a Fernanda Câncio dedicou, no Diário de Notícias, ao malvado Dieudonné que se ousou comparar on-line a um terrorista, não por albergar alguma intenção bombista, mas pela forma como tem sido tratado pelo governo e pela journaille (pequeno pormenor que escapa a muitos beneméritos anti-antissemitas registados da nossa comunicação social)…

    Especialmente recomendado aos «caçadores de terroristas» mais curiosos:

    Parole de Dieudonné

    Outro caso interessante foi o do Eixo do Mal de ontem. Achei divertido assistir às várias nuances das atitudes perante as sequelas do caso Charlie Hebdo. O único que procurou insistir no pormenor Dieudonné, no meio da algazarra geral e antes do maestro do programa introduzir à pressão uma música diferente [ai não, brincas…], foi o Daniel Oliveira, e mesmo esse com as imprescindíveis cortesias prévias a quem de direito, baseadas em alegações de actos antissemitas cometidos pela vítima (como? onde? quando?) que nunca são devidamente especificados, quero crer que por simples ignorância, sem sombra de preconceito…

    É curioso observar que toda a gente minimamente informada começa a alcançar a importãncia e vastidão do ídolo monstruoso com pés de barro que ainda hoje serve de pretexto para mais e mais guerras sanguinárias, daquelas que por enquanto não nos batem à porta, travadas em nome da salvação do mundo de novos «holocaustos nazis» e do «novo Hitler» da semana, e percebendo que o tópico do revisionismo/negacionismo (à escolha do freguês) do «Holocausto» [original patenteado] é letal, procura fugir dele a todo o custo.

    Vejam, ainda por exemplo, no último Governo Sombra, a atitude — subconsciente ou não, pouco interessa — do Pedro Mexia ao falar nas controvérsias do «Holocausto» de forma muitíssimo prudente, e sobretudo falando delas como tendo tido lugar num passado longínquo de que já nem sequer se fala, e não no presente, como se não soubesse que o tópico só se torna letal precisamente por estar hoje, como nunca antes, na ordem do dia! Para já nem falar na timidez detectável (e compreensível) nos restantes «sombras» (de si próprios ou de mais alguém?)…

    Exemplifica exactamente aquilo que estou a sugerir: toda a gente sabe que o tópico deixou ser ridículo para se tornar letal, e que não é isso que acontece às parvoices carnavalescas sem base nenhuma ou às teorias da conspiração abstrusas. Um excelente sinal de que o balão vai rebentar que nenhum estudioso de história das grandes aldrabices vai conseguir ignorar por muito mais tempo.

    A grande lição que os censores, graças a zeus, nunca aprendem é que a única censura efectiva é aquela que é possível aplicar sem dar na vistas. Congratulem-se os nossos jornalistas investigativos com isso, em vez de andarem por aí de monco caído por terem de falar no mistério Dieudonné (quem?), de vez em quando, sem saberem como.

    Para a semana, atenção redobrada porque não vai aparecer na imprensa nem nas televisões: novo processo Faurisson (quem?). E dentro de algum tempo, processo Blanrue (quem?).

    Como é que era? Jean a de grandes moustaches, le long sanglot des violons d’automne?…

  54. Numbejonada: «ó Mairreles, e bocê prasseve o ca iscrabeue? Hum?»

    Numbejunada, neste caso sim. Para outros linguajares para mim mais esotéricos, uso a intercessão de S. Jerónimo, patrono dos tradutores, e mais isto:
    https://translate.google.com/

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