Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Echolocation acts as substitute sense for blind people
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First baby of the new year race is real, says OB/GYN
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3 CEOs share top tips for keeping calm under stress
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Significant link between daily physical activity, vascular health
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Readiness to Change Is a Vital Facet to Committing to New Year’s Resolutions
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Mind Over Matter: Can You Think Your Way to Strength?
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Little Change Seen in Fast Food Portion Size, Product Formulation between 1996 and 2013

Cavaco por Santana

A ideia de termos Santana Lopes como Presidente da República dá vontade de rir. Riso desopilante. Essa é a primeira reacção. Depois, à volta de 10 segundos depois, somos esmagados pela verdade: Santana, nem que intencionalmente o tentasse, jamais conseguiria fazer um milésimo do mal que Cavaco fez ao cargo que ocupa e à comunidade que era suposto representar.

Esta evidência, escusado será dizer, nada nos diz acerca de Santana, só de Cavaco.

Brilhante*

O antigo primeiro-ministro sempre foi assim (há mesmo quem testemunhe discussões na sua adolescência em que já era assim): tem sempre um argumento novo, tem sempre uma desculpa nova, passa sempre ao ataque, não tolera que não se aceite a “sua verdade” mesmo quando a relação desta com a verdade verdadinha é muito, muito longínqua.

Haverá gente capaz de acreditar sempre na verdade do engenheiro, haverá gente capaz de negar sempre mesmo os mais gritantes indícios, haverá gente capaz de jurar sempre pela sua inocência. Não faço parte desse grupo. Não creio que esteja inocente. Não acredito na história da carochinha.

Neste caso, muitos antes de qualquer violação do segredo de justiça, o que nunca faltaram foram indícios, alguns deles deixados de forma impante, quase exibicionista, como se a impunidade estivesse garantida para todo o sempre, como se certas cúpulas amigas da máquina judicial estivessem lá para a eternidade. E se não sei se “falta provar rigorosamente tudo” (mas desconfio que não), essa fanfarronada só reforça o meu desejo, a minha exigência, de que a investigação criminal e a justiça actuem de forma rigorosa e competente.


Zé Manel
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* A pulhice.

Mudar a mudança

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A mensagem de Natal de António Costa já foi esquecida por todos quantos tomaram conhecimento dela, incluindo o próprio (ou até a começar por ele). Sob o mote da “mudança”, foram desperdiçados três minutos de tempo de antena só para cumprir calendário. E isso levanta duas questões:

– Porquê estar a ser displicente a 9 meses das legislativas?
– Será que o melhor discurso para o líder da oposição consiste na repetição do convencional pedido de mudança?

O tema da displicência começa a configurar-se como uma categoria interpretativa da praxis de Costa. Algo que pode inclusive não se revelar defeito, apenas feitio. As contas serão feitas ao longo do tempo. A ser assim, ele terá despachado a mensagem de Natal com o mínimo de esforço possível, tanto o político como o intelectual, por a considerar completamente inútil. Porém, quem assim malbarata uma ocasião solene para se dirigir à comunidade num ano eleitoral deixa o flanco exposto para se questionar o seu discernimento e a qualidade da liderança.

Problema mais agudo é o da insistência de todas as oposições no pedido da “mudança”. Se o fazem, tal como os vendedores de atoalhados e seus bordões clássicos, é porque tal continuará a funcionar. Às tantas, é uma inevitabilidade do sistema democrático em todos os tempos e geografias. Porém, também aqui nasce a interrogação sobre o discernimento e a qualidade da liderança de uma oposição que se limita a esse lema estafado face a um País que validou as juras de “mudança” da direita portuguesa, Presidente da República incluído, às costas das crises económicas e financeiras que assolaram o Mundo e a Europa. A mudança que eles tinham em mente era o empobrecimento a mata-cavalos do maior número de cidadãos que conseguissem apanhar. E nesse propósito enganaram sem pestanejar o eleitorado. Seguro foi pelo mesmo caminho, tendo mesmo chegado a copiar os argumentos da direita sobre a crise e o papel nela dos Governos socialistas.

Não. Ná. Népias. A bandeira da mudança é um tiro ao lado, e de pólvora seca. Se o PS ganhar as eleições sustentado nesse ordinário lema isso significará que a história dos idos de Março de 2011 continuará sem ter quem lhe faça justiça.

Cavaco atribui à corrupção a necessidade do resgate

Portugal não pode regredir para uma situação semelhante àquela a que chegou em princípios de 2011, em que foi obrigado a recorrer a auxílio externo de emergência.

Só o rigor e a transparência na condução da política nacional permitirão a melhoria continuada das condições de vida das pessoas.

O combate à corrupção é uma obrigação de todos.

Mensagem de Ano Novo do Presidente da República

O melhor 2015 de sempre

Agradeço a simpatia dos seguintes amigos que por aqui deixaram saudações festivas, pedindo desculpa aos que eventualmente tenha deixado escapar:

cavaleiro da parva figura
jpferra
Corvo Negro
jafonso
P
Nuvorila
Carlos Sousa
Manolo Heredia
Manuel Pacheco
Roteia
fifi
Olinda

E celebro a presença de todos quantos por aqui passam, seja em silêncio, para falar, gritar, insultar, brincar ou aparvalhar. É uma estranha, mas muito cómoda, forma de comunicação esta das mensagens escritas. Dizemos o que queremos, quando queremos, como queremos e só se quisermos. Grande liberdade que cria também a grande tentação para se abusar dela – como de tudo o que é de graça e gracioso.

Os blogues são há vários anos, desde a chegada do Facebook e do Twitter (para não ir mais longe), canais já quase arcaicos que estabilizaram em audiências mínimas sem qualquer relevância sociológica ou política. Como disciplina interior, gosto de conservar a imagem, que mantenho desde o início, de que o Aspirina só chega a 100 pessoas por mês e nunca tem mais do que 20 leitores realmente apreciadores. Números que, a serem esses, me deixariam espantado pelo tamanho enorme do grupo assim criado. É que isto não é mais do que um passatempo, o qual tentamos que seja igualmente um tempo bem passado.

Vamos ter o melhor 2015 de sempre. Coisas excelentes, umas, magníficas, outras, vão acontecer. Não se sabe é a quem. Nalguns muitos casos, nem se saberá porquê. Nem isso importa. Basta que em 365 haja pelo menos um dia verdadeiramente novo.

Cartas e cartolas

As cartas trocadas entre Sócrates e Soares têm um duplo interesse: pelo que dizem e pelo facto de terem sido publicadas. Quanto ao conteúdo, o texto de Sócrates será peça inevitável numa sua futura biografia, aconteça o que acontecer no processo. Se nada se conseguir provar contra ele, a carta também terá impacto político. Já o texto de Soares é circunstancial e vale só como mensagem pessoal e peça destinada à publicitação neste contexto da prisão preventiva.

Era bom saber de quem partiu a intenção de publicar as cartas. E quais as intenções dessa exposição da privacidade. Não o sabendo, ficamos reduzidos à evidência de estarem os dois autores de acordo com a divulgação. Evidência que se junta a outras. Uma delas consiste no testemunho de lealdade dado por quem o visita na prisão. Mesmo no caso daqueles que não se pronunciam sobre a culpabibilidade ou falta dela, o facto de darem a cara e o nome nesta situação implica que se estão a colocar no prato da balança que pende para a inocência. E dá que pensar: junte-se o rol dos notáveis que já foram a Évora e pense-se se será possível que eles admitam que Sócrates os enganou durante anos e anos e que continua a enganar estando preso e olhando-os nos olhos durante as visitas. Claro que Sócrates poderá ser esse monstro capaz de ludibriar até quem privou intimamente com ele ao longo de tanto tempo, como qualquer Helena Matos nos poderá explicar febril e o caluniador João Miguel Taveres já garantiu, ou talvez todos esses que o visitaram sejam tão ou mais corruptos do que ele (sim, Guterres, não penses que escapas), mas este tempo de espera até ao desfecho de haver ou não uma acusação, e qual, adensa a probabilidade de estarmos perante um outro tipo de história que não a corrupção na origem dos indícios captados pelo Ministério Público.

Como escreveu a Isabel – “quando observamos um caso de justiça a desenrolar-se, devemos tomar partido pelo Estado de direito e não pelo sentimento de amizade ou de inimizade que um detido ou um arguido nos desperta. A não ser assim, estamos a pôr em causa a cidade, nós, o derrube do fascismo, a essência dos direitos fundamentais.” – a Justiça joga com as brancas e os arguidos com as pretas. As brancas levam sempre uma jogada de avanço, para além de se passearem garbosamente alvas. Para que iriam os procuradores dar-se a este trabalho todo se não estivessem na posse de elementos suficientes para garantir uma acusação? E para que iria um juiz pôr em causa a sua reputação se esses indícios não fossem legítimos para se constituir arguidos? É nisto que acreditam as pessoas de boa-fé cidadã. Devemos manter essa confiança na Justiça sem vacilar. Não devemos é confundir confiança com estupidez. E só um estúpido é que poderá ignorar a estrutura de poderes fácticos onde os agentes da Justiça operam.

Não existe em Portugal nenhum órgão de comunicação social que faça para os interesses do PS o que o Correio da Manhã, o Sol e a SIC fazem para os interesses do PSD e CDS. Não há e nunca houve. Não existe em Portugal nenhuma Moura Guedes, nenhum José Manuel Fernandes, nenhum Mário Crespo, nenhuma Felícia Cabrita, que faça para o PS o que estes passarões já fizeram e fazem para o PSD e CDS. Não existe sequer em Portugal, actualmente, algum comentador televisivo de referência ligado ao PS, o panorama do comentário político está tomado pelo laranjal, tirando excepções independentes sem impacto popular. E não existe em Portugal uma cultura da calúnia e do ódio vinda das bandas do PS como aquela que a direita portuguesa espalhou desde 2008 – onde um dos mais rancorosos incendiários foi e é Cavaco Silva, essa espécie de Presidente da República. Não há e nunca houve.

Assim, quando se constata que os responsáveis da investigação à “Operação Marquês”, seja como for e por que for, alimentam os assassinatos de carácter na praça pública a Sócrates e terceiros a ele ligados por laços pessoais e/ou políticos, temos de reconhecer que há algo de profundamente podre no nosso País. A violação sistemática e selectiva do segredo de Justiça – no processo BPN não ocorre, por exemplo – é apenas a ponta visível do que temos patentes razões para suspeitar que seja uma real falência do Estado de direito num dos seus pilares mais fundamentais. Quem faz em público o que se vê, fará mil vez pior blindado pela máquina policial e de Justiça. E perante este cenário temos metade do País feliz da vida por lhe darem pão e execuções públicas e a outra metade em estado catatónico. Nem sequer no PS conseguimos identificar uma singular voz – à excepção da de Soares, et pour cause – que se ofereça para liderar a resposta ao constante bombardeamento que é feito contra a decência básica sem a qual deixa de fazer sentido falar em comunidade. Aliás, até no PS há quem alinhe nesta demolição alegando querer combater o mal.

Aqueles que vão para para a televisão, jornais, rádio e Internet lançar as cartolas ao ar para festejarem a desgraça de quem consideram um inimigo são cúmplices activos desta corrupção entranhada no âmago do sistema de Justiça português. Quem sabe, talvez um dia alguns deles, ou alguns a quem queiram bem, venham também a engrossar a tradição epistolar tão favorável a estadias em cárceres.

No centro é que se está bem

A forte probabilidade de o Syriza ser Governo após as próximas legislativas na Grécia dá oportuna relevância à ida de Rui Tavares à TSF nesta manhã. Não resultou da hora e meia de perguntas e respostas qualquer novidade, antes um condensado do que tem sido dito ao longo destes meses de caminhada do Partido Livre (uso a denominação dada pela TSF) em direcção às legislativas – o verdadeiro teste, quiçá o último, à exequibilidade do projecto.

Primeira nota: o Rui é o líder, o mentor e a única celebridade deste frágil movimento. Reconhecer a sua fragilidade não é estar a apontar um defeito, antes a registar uma evidência neutra. Fragilidade que começa no próprio Rui, o qual não tem credenciais políticas suficientes para encher o saco das ambições que agita. Tanto o seu percurso, de independente desleal ao BE, como o seu discurso, uma réplica das raríssimas promessas não sectárias da esquerda pura e verdadeira, não chegam para puxar carroças, quanto mais para moverem montanhas. E seria preciso mover não só uma mas várias cordilheiras para conseguir levar o PCP a aceitar coligar-se com a “direita”. Tal seria o equivalente a pedir às Testemunhas de Jeová para levarem uma transfusão de sangue em ordem a poderem ocupar a TV em horário nobre. Quanto ao BE, a menos que se dê uma purga de todos os militantes que simpatizem com Louçã, jamais o Rui Tavares deixará de ser persona non grata por causa do ódio que a sua traição gerou. Se juntarmos ainda o argumentário pífio usado para convidar PCP e BE à coligação com o PS, entramos num registo delirante.

Dos muitos aspectos passíveis de comentário nas palavras despejadas na telefonia sem fios, vou apenas pegar num: a centralidade do centro. O Rui tem feito do combate ao “bloco central” um eufemismo que nasce da sua aversão ao “centro”, primeiro, e com isso da sua repulsa pelo posicionamento do PS, a seguir, e da sua negação do que tem sido a História da democracia portuguesa, por fim. Este discurso contra o “centro” tem uma característica sofística bem cabeluda, isso de não passar de ocas abstracções. O que é o centro, afinal? Na forma como a esquerda pura e verdadeira o define, o centro é tudo aquilo com que não se identifica. Trata-se de um maniqueísmo tribal cujas raízes e dinâmicas são de fácil explicação e poderosa consequência. É o que justifica a eficácia da manipulação semântica do PCP, a qual o BE imita, quando carimba o PS como partido da “direita”. No fundo desta sanha contra o “centro” está uma pulsão contra a própria democracia liberal.

A forma como Rui Tavares se refere ao “arco governativo” é exemplar para compreendermos o nó cego donde está a falar. Ao mesmo tempo que reconhece ser essa imagem uma emanação da perversidade do sistema partidário até à actualidade, não retira daí a inevitável consequência que consiste em responsabilizar o PCP e o BE, jamais o PS. Não foram os socialistas que ganharam fosse o que fosse com a impossibilidade de fazerem acordos à sua esquerda – quem ganhou, ganha e ganhará com o sectarismo comuna é a direita. Para o Partido Livre ser coerente com o arremedo de lógica que veicula na sua retórica estaríamos agora a ver aquilo de que o Rui acusa o PCP e BE não estarem a fazer: substituir a táctica pela estratégia. Tacticamente, qualquer partido da esquerda pura e verdadeira quer ir buscar votos ao PS. Estrategicamente, para um partido de esquerda criar um novo espaço de representação tem de conseguir ir buscar votos ao PCP. O BE, após as eleições de 2009, não o conseguiu porque a engorda tinha sido feita exclusivamente com votos socialistas que foram ao engano. O feito heróico de ficar à frente do PCP foi completamente desperdiçado por não passar de um resultado conjuntural que apenas serviu para inchar a megalomania icária de Louçã. No entanto, Louçã andou 10 ou 15 anos a prometer ser o pauzinho na engrenagem, o predestinado que ia conseguir acabar com a guerra civil na esquerda portuguesa. Bastaria levar a cabeça do PS numa travessa ali à Soeiro Pereira Gomes e a “esquerda grande” teria os seus gloriosos mil anos de poder. Acabou a fazer as malas, deixando como herança um ser bicéfalo no seu lugar que conseguiu aumentar o rombo no navio já quase todo submerso.

Sintomaticamente, o Rui não se dá conta da suprema ironia que consiste em dizer que o Livre deve ocupar o “centro da esquerda”. Vamos esquecer o lado meramente utilitário, isso de justificar a escolha alegando ser um local vazio, e atentar nas razões de “equilíbrio” e “mediação” entre os extremos à sua direita, PS, e à sua esquerda, BE e PCP. Pelos vistos, é o próprio quem o diz, faz sentido para o líder do movimento anti-bloco central existir quem se proponha fazer um outro bloco central desde que se reduza o universo representativo: em vez do País, da comunidade e da sociedade, o bloco central sonhado pelo Tavares apenas admite esquerdistas. Ironia das ironias, esta antinomia redutora e segregadora é sugerida aos cidadãos com um embrulho onde se lê “Livre”.

Será a tua?

"Porém, segundo Passos Coelho, em 2015 haverá «uma recuperação assinalável do poder de compra de muitos portugueses, a começar pelos funcionários públicos e pensionistas».

«Mas também de todos os portugueses em geral com o alívio fiscal que a reforma do IRS irá trazer, procurando especialmente proteger quem tem filhos a seu cargo e familiares mais velhos na sua dependência. Num contexto em que ainda não podemos ir tão longe quanto gostaríamos é muito importante que quem tem mais responsabilidades na sua vida familiar encontre um alívio fiscal maior. Também aqui estamos a falar de justiça e da construção de uma sociedade mais amiga das famílias», acrescentou."


Pedro

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Passos Coelho preferiu afundar Portugal num resgate de emergência só para tentar vencer umas eleições. Dessa decisão resultou um conjunto de alterações abruptas na vida de milhões de portugueses que consistiram num fenómeno generalizado de empobrecimento, emigração, degradação do Estado social, recuo em políticas de combate à pobreza, formação educativa, investigação científica e desenvolvimento tecnológico. Passos Coelho teve a possibilidade de ajudar o País, de acordo com o pedido veemente, suplicante, dos governantes da altura e de todos os parceiros europeus, incluindo a Comissão Europeia e o Banco Central, e preferiu ajudar o seu partido e o seu currículo.

É mais um chavão dizer-se que os partidos existem para ganhar eleições, mas não é essa a sua responsabilidade primeira, posto que actuam sob a autorização e a égide da Constituição. Donde, o primeiro dever de qualquer partido é para com a comunidade do ponto de vista do “interesse nacional”. Ora, a situação em Março de 2011 aparecia inequívoca: chumbar o PEC IV era um absurdo por todas as razões menos uma – ser a bomba que forçaria a entrada de uma mistela de incompetentes e fanáticos em S. Bento.

No primeiros dois anos, Passos Coelho foi ostensivo e provocador no discurso da punição, chegando ao ponto de se apresentar em público com um registo de insulto soez aos cidadãos. Era o tempo em que anunciava que ele não era piegas como aqueles malandros que se queixavam. Queixavam-se de barriga cheia depois de terem andado 10 ou 40 anos a roubar. Roubaram subsídios disto e daquilo, andaram a reclamar melhores escolhas e escola para a vida só para estarem na moinice, não gostavam de trabalhar e apenas sabiam dizer mal do patrão. Pois vão ficar sem quatro feriados até vergarem os costados e porem-se mais a jeito para a chibata. E quanto à emigração? É sair da zona de conforto, seus merdas que não tiveram papás ou tios que vos pagassem os estudos lá fora nem nada. Desamparem a loja e puta que vos pariu.

Este mesmo homem vem falar, no Natal de 2014, em “justiça” e “construção de uma sociedade mais amiga das famílias“. Mas de que famílias é que o Pedro se reclama amigo? Depois de ter mentido sobre tudo e a todos na campanha eleitoral, e de ter assumido voluntária e raivosamente o papel de carrasco ao serviço dos erros da direita europeia na gestão das crises internacionais, quais são as famílias que vêem no Pedro um amigo? A minha não é, posso garantir.

Paganização do Natal

Presentes forçados

Jantares forçados

Conversas forçadas

Levar os filhos para o emprego (“E as crianças, Senhor?“)

“Bom Natal” em vez de “Feliz Natal”

Férias

Stress

Ansiedade

Angústia

Depressão

Esquecimento

Derrelicção

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O problema do Natal cristão é não ser sequer cristão. E nada contra pois a História tem razões que o próprio Marx desconhecia.

Precisamos de paganizar decidida e implacavelmente o Natal. Que volte a ser uma festa solar. Uma orgia ecológica e cívica. A exaltação do espanto de sermos nada e querermos tudo.

Aí, sim, os cristãos que restassem poderiam voltar a festejar o milagre. O seu.

Revolution through evolution

Seasoned Policymakers Drive the Fairest Bargain of All
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Being humble: Research shows E.B. White was right in Charlotte’s Web
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Lost memories might be able to be restored, suggests research into marine snail
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War Metaphors for Cancer Hurt Certain Prevention Behaviors
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Serious Monkey Business: Linguistic Methods Uncover Sophisticated Meanings and Monkey Dialects
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Benefits of Naming People, Objects in Baby’s First Year
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Crows Are Smarter Than You Think

Tabloidismo de referência

Não faço ideia do que levou Sócrates a escolher João Araújo para o defender no processo “Operação Marquês”, e nenhuma ideia faço do que levou João Araújo a aceitar ser entrevistado pela Judite de Sousa, primeiro, e nesta altura, por fim. Afastadas essas questões laterais, o que nos fica é uma peça que merece ser estudada em faculdades de comunicação social e de Direito.

Cada um destes dois, à sua maneira, é um excêntrico. Judite de Sousa, por causa de acontecimentos graves e dolorosos na sua vida privada explorados mediaticamente inclusive pela própria, é actualmente mais uma vedeta da imprensa cor-de-rosa do que uma jornalista da imprensa política. João Araújo foge a todos os convencionalismos que associamos a advogados mediáticos em casos mediáticos. Como se o destino fosse amante do burlesco, juntaram-se à nossa frente por via da existência do político mais polémico na história da democracia portuguesa. Isto é muita fruta junta que tanto pode causar indisposição gástrica como ser um maná vitamínico e antioxidante.

A chave da interpretação da entrevista, contudo, não pode ser mais simples: Judite pergunta-João responde. Se a intenção fosse a de obter outras respostas que não aquelas que aconteceram na espontaneidade da conversa, outras teriam de ser as perguntas. Ora, as perguntas obedeciam a uma lógica tablóide. Judite queria obter matéria sensacionalista, populista, insidiosa, difamatória, caluniosa e porcalhona. Foi a própria a admitir que aceitava a prisão preventiva só como resultado da tipologia dos crimes em causa e da decisão do juiz, não havia mais nada a pensar. Ela estava-se, portanto, a marimbar para o Estado de direito e assumiu o papel de representante oficiosa do Correio da Manhã e do Sol. Daí a sua pergunta hilariamente indignada: “O senhor não lê jornais?!…

A esta perda de tempo de antena correspondeu o advogado de Sócrates com uma postura que primou pelo estrito rigor de um rigoroso causídico. Dentro dos constrangimentos a que está sujeito pelo segredo de Justiça e pela Ordem dos Advogados, conseguiu passar três mensagens:

– As acções do Ministério Público e do Tribunal que levam à prisão preventiva são questionáveis, merecendo a sua oposição.
– O que se diz na imprensa não tem correspondência com o que ele conhece do processo.
– João Araújo está disposto a declarar a inocência de Sócrates em termos pessoais, para além do dever profissional inerente à sua função no caso.

Tão importante como o conteúdo do que disse é o modo como João Araújo se expressa. A surpresa resulta de o sentirmos simultaneamente sincero e prudente. Até as dificuldades na fluência, ou talvez melhor o estilo mimado, favorecem a empatia da audiência. Porque o seu rosto está constantemente a transmitir convicção, confiança e bonomia. É uma fórmula vencedora caso ainda queira ter uma carreira televisiva, que vai muito a tempo.

Na homilia deste domingo, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou toda a sua azia, e até fel, contra a idiossincrasia disruptora que João Araújo personifica. Marcelo sempre foi um dos mais poderosos cultores do ódio a Sócrates e o seu incómodo só tem um significado: reconhecimento de uma ameaça ao seu sonho de “matar” Sócrates. Quanto a Judite de Sousa, fica como um monumento à era do tabloidismo, mostrando que essa decadência e perversão da democracia atingiu o plano cimeiro nos órgãos de comunicação social portugueses.

João Araújo à Presidência

Depois da entrevista à Judite, e na sequência das anteriores declarações que lhe deram a fama e o nosso proveito, creio ser consensual o reconhecimento de duas evidências:

– Precisamos de doses semanais, se não forem diárias, de João Araújo.
– O País está carente de um líder que tenha a humildade de reconhecer em público que não se deve apontar o dedo a quem se fala.

Nada disto obsta a que Sócrates tenha pedido ao motorista-drogado-traficante para levar malas, sacos, baús e mochilas cheios do rico dinheirinho roubado ao Estado para Paris onde foi torrado em apartamentos, baguettes e livros de filosofia. Não, isso é outro assunto. Do que aqui se trata é do direito da comunidade a usufruir do João Araújo a partir do Palácio de Belém e em representação nacional no estrangeiro.

Conspiradores inocentes

Somos todos inocentes até prova em contrário. Milhões de seres humanos terão morrido por esta ideia ao longo de milhares de anos de sangrenta construção da Civilização. É uma das melhores ideias para ter no caso de gostarmos de ter ideias. Daqui decorre que Rosário Teixeira, Carlos Alexandre, Joana Marques Vidal e respectivas equipas responsáveis pela investigação a Sócrates são inocentes face a qualquer suspeita de conspiração política. Inquestionável.

Há outros factos igualmente inquestionáveis. Um deles leva-nos para 30 de Julho de 2014. Este é o dia em que a revista Sábado anuncia que Sócrates está em vias de ser detido após ter sido escutado durante meses. Ora, alguém dentro da investigação tomou duas decisões: (i) dar informação sigilosa a jornalistas com a intenção da mesma ser publicada e (ii) escolher uma data como a mais favorável para os objectivos em causa.

Antes de nos preocuparmos em saber quem tomou tal decisão, e se foi só um indivíduo ou um grupo, importa perguntar pela finalidade. Será uma questão de dinheiro? Isto é, a revista Sábado pagou pelo furo jornalístico e pelo buraco judicial? Se pagou, terá sido feito um leilão entre os diversos órgãos de comunicação social e ganhou a melhor ou a única oferta? Se não foi assim, por que razão se escolheu a Sábado em vez do Correio da Manhã ou o Sol?

Ainda mais interessante é a reflexão sobre o calendário. Finais de Julho é especialmente propício se o contexto em causa for o da liderança do PS. É que se tinha entrado em ciclo eleitoral para primárias, ficando a notícia a pairar durante os dois meses seguintes de campanha. Uma campanha onde Seguro e seus tenentes foram crescendo na violência com que atacaram Costa pela sua ligação a Sócrates e pelas suspeitas de corrupção passada e corrupção futura pela mão de “socráticos” sedentos de retomarem o seu quotidiano criminoso. Do ponto de vista da táctica de terra queimada levada a cabo por Seguro, quão maiores fossem as suspeições e calúnias a circular melhor. A notícia da Sábado, e a ambígua nota da Procuradoria-Geral da República que surgiu para aumentar o nevoeiro onde apenas se negava a relação ao processo “Monte Branco” mas não eventuais outros processos, eram o combustível ideal para uma campanha negra.

Igual interesse tem a data para a detenção de Sócrates, já com a questão da chefia do PS decidida em desfavor da direita que preferia ter Seguro como opositor. O tempo que mediou entre Julho e Novembro parece perfeitamente sincronizado com os acontecimentos relativos à disputa eleitoral dentro do PS, culminando numa justaposição ao dia com o processo de institucionalização da liderança de Costa. A “Operação Sócrates” conseguiu abafar e perturbar gravemente actos solenes e de projecção política do maior partido da oposição no começo de um ano eleitoral para as legislativas. Coincidência? A serem coincidências, que o serão até prova em contrário, estaremos a ir pela explicação mais complexa. Mas não só, a tese das coincidências é também a explicação mais inverosímil a partir do momento em que alguém decide violar o segredo de Justiça com o fim de criar um acontecimento político e social. Ou essa violação, e respectiva exploração mediática, foi também uma inocente coincidência?

Há quase duas semanas, o DN publicou uma notícia onde garantia que o Parlamento tinha recebido um pedido de levantamento de imunidade parlamentar para Paulo Campos. Aparentemente, tal não aconteceu. Que eu saiba, o DN não explicou como se atreveu a dar uma notícia falsa com tanta confiança. Limitou-se a apagá-la do seu arquivo, não gastou uma letra a apagá-la da cultura da calúnia reinante no espaço público. Isso significa que a manipulação política da “Operação Marquês” pode atingir qualquer órgão de comunicação social e vai ser um dos principais factores nas eleições de 2015. Sempre, mas sempre, mantendo-se a presunção de inocência de Rosário Teixeira, Carlos Alexandre e Joana Marques Vidal – apesar de tantos indícios em contrário.