Mudar a mudança

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A mensagem de Natal de António Costa já foi esquecida por todos quantos tomaram conhecimento dela, incluindo o próprio (ou até a começar por ele). Sob o mote da “mudança”, foram desperdiçados três minutos de tempo de antena só para cumprir calendário. E isso levanta duas questões:

– Porquê estar a ser displicente a 9 meses das legislativas?
– Será que o melhor discurso para o líder da oposição consiste na repetição do convencional pedido de mudança?

O tema da displicência começa a configurar-se como uma categoria interpretativa da praxis de Costa. Algo que pode inclusive não se revelar defeito, apenas feitio. As contas serão feitas ao longo do tempo. A ser assim, ele terá despachado a mensagem de Natal com o mínimo de esforço possível, tanto o político como o intelectual, por a considerar completamente inútil. Porém, quem assim malbarata uma ocasião solene para se dirigir à comunidade num ano eleitoral deixa o flanco exposto para se questionar o seu discernimento e a qualidade da liderança.

Problema mais agudo é o da insistência de todas as oposições no pedido da “mudança”. Se o fazem, tal como os vendedores de atoalhados e seus bordões clássicos, é porque tal continuará a funcionar. Às tantas, é uma inevitabilidade do sistema democrático em todos os tempos e geografias. Porém, também aqui nasce a interrogação sobre o discernimento e a qualidade da liderança de uma oposição que se limita a esse lema estafado face a um País que validou as juras de “mudança” da direita portuguesa, Presidente da República incluído, às costas das crises económicas e financeiras que assolaram o Mundo e a Europa. A mudança que eles tinham em mente era o empobrecimento a mata-cavalos do maior número de cidadãos que conseguissem apanhar. E nesse propósito enganaram sem pestanejar o eleitorado. Seguro foi pelo mesmo caminho, tendo mesmo chegado a copiar os argumentos da direita sobre a crise e o papel nela dos Governos socialistas.

Não. Ná. Népias. A bandeira da mudança é um tiro ao lado, e de pólvora seca. Se o PS ganhar as eleições sustentado nesse ordinário lema isso significará que a história dos idos de Março de 2011 continuará sem ter quem lhe faça justiça.

10 thoughts on “Mudar a mudança”

  1. Ou eu me engano, ou este Costa vai ser uma desilusão. Não se lhe vê estaleca. Não se pede, para já, um programa de governo ou sequer a indicação de algumas medidas indispensáveis e que um novo governo deverá tomar. Nada disso; mas não se poderá, desde já, dispensar que sejam formulados e devidamente explicitados alguns dos grandes ideais que um Partido de esquerda deverá defender e que deverão nortear um SG dum Partido Socialista, num momento tão inquietante como este, para Portugal e para a Europa. Desejo estar enganado, mas o PS assim não vai lá. Se este novo SG pensa que ganhará eleições esperando sentado, poderá vir a ganhá-las, sim, mas não será nunca com uma maioria absoluta. Será que na sua mente estará a germinar a disponibilidade para soluções do tipo daquelas que os seus ex-companheiros da Quadratura do Círculo tão expressivamente lhe recomendavam, isto é a abertura a um possível Bloco Central e que outra coisa não irá fazer do que continuar a actual política, embora com uma roupagem mais “democrática”?
    Cá estaremos para ver; só que neste entretanto e quem tem dúvidas não arriscará a dar-lhe um voto tipo “cheque em branco”. Essa é justamente a minha posição.

  2. Pode ser, Maria. Também ouvi as respostas. Depois de ouvir, mais incompreensível se torna, para mim, a brandura da reacção do PS. E agora já pode ser tarde, porque a verdade do CM e dos magistrados criminosos violadores do segredo de justiça foi espalhada aos quatro cantos do país e da europa.

  3. Ó valupi,
    A manela falou fala na sua verdade, cavaco sempre falou fala na sua verdade, passos falou fala de muitas verdades, portas falou fala de inúmeras verdades e até pacheco falou de verdades verdadinhas e agora fala outras verdades verdadinhas.
    E será que valupi não sabe discernir o que quer dizer a palavra “verdade” na boca de cada um destes intérpretes da coisa dita?
    Começa a ser uma obsessão vingativa o facto de A, Costa não dizer ou fazer o que valupi acha que devia.
    Nem seguro faria melhor apesar de menos sofisticado. Homem, para conforto dos pintos que por aqui pululam, declare desde já que não vai votar Costa.
    Porra, deixe-se de subterfúgios.

  4. oh mafodinha! compreendo o teu contentamento, com isenção as pálas ficam mais baratas, mas não te ponhas a trocar de arreios que as promessas do passos só funcionam para aumentos.

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