Tabloidismo de referência

Não faço ideia do que levou Sócrates a escolher João Araújo para o defender no processo “Operação Marquês”, e nenhuma ideia faço do que levou João Araújo a aceitar ser entrevistado pela Judite de Sousa, primeiro, e nesta altura, por fim. Afastadas essas questões laterais, o que nos fica é uma peça que merece ser estudada em faculdades de comunicação social e de Direito.

Cada um destes dois, à sua maneira, é um excêntrico. Judite de Sousa, por causa de acontecimentos graves e dolorosos na sua vida privada explorados mediaticamente inclusive pela própria, é actualmente mais uma vedeta da imprensa cor-de-rosa do que uma jornalista da imprensa política. João Araújo foge a todos os convencionalismos que associamos a advogados mediáticos em casos mediáticos. Como se o destino fosse amante do burlesco, juntaram-se à nossa frente por via da existência do político mais polémico na história da democracia portuguesa. Isto é muita fruta junta que tanto pode causar indisposição gástrica como ser um maná vitamínico e antioxidante.

A chave da interpretação da entrevista, contudo, não pode ser mais simples: Judite pergunta-João responde. Se a intenção fosse a de obter outras respostas que não aquelas que aconteceram na espontaneidade da conversa, outras teriam de ser as perguntas. Ora, as perguntas obedeciam a uma lógica tablóide. Judite queria obter matéria sensacionalista, populista, insidiosa, difamatória, caluniosa e porcalhona. Foi a própria a admitir que aceitava a prisão preventiva só como resultado da tipologia dos crimes em causa e da decisão do juiz, não havia mais nada a pensar. Ela estava-se, portanto, a marimbar para o Estado de direito e assumiu o papel de representante oficiosa do Correio da Manhã e do Sol. Daí a sua pergunta hilariamente indignada: “O senhor não lê jornais?!…

A esta perda de tempo de antena correspondeu o advogado de Sócrates com uma postura que primou pelo estrito rigor de um rigoroso causídico. Dentro dos constrangimentos a que está sujeito pelo segredo de Justiça e pela Ordem dos Advogados, conseguiu passar três mensagens:

– As acções do Ministério Público e do Tribunal que levam à prisão preventiva são questionáveis, merecendo a sua oposição.
– O que se diz na imprensa não tem correspondência com o que ele conhece do processo.
– João Araújo está disposto a declarar a inocência de Sócrates em termos pessoais, para além do dever profissional inerente à sua função no caso.

Tão importante como o conteúdo do que disse é o modo como João Araújo se expressa. A surpresa resulta de o sentirmos simultaneamente sincero e prudente. Até as dificuldades na fluência, ou talvez melhor o estilo mimado, favorecem a empatia da audiência. Porque o seu rosto está constantemente a transmitir convicção, confiança e bonomia. É uma fórmula vencedora caso ainda queira ter uma carreira televisiva, que vai muito a tempo.

Na homilia deste domingo, Marcelo Rebelo de Sousa mostrou toda a sua azia, e até fel, contra a idiossincrasia disruptora que João Araújo personifica. Marcelo sempre foi um dos mais poderosos cultores do ódio a Sócrates e o seu incómodo só tem um significado: reconhecimento de uma ameaça ao seu sonho de “matar” Sócrates. Quanto a Judite de Sousa, fica como um monumento à era do tabloidismo, mostrando que essa decadência e perversão da democracia atingiu o plano cimeiro nos órgãos de comunicação social portugueses.

29 thoughts on “Tabloidismo de referência”

  1. ai que riqueza de narrativa da narrativa que exalta o poder tanto da expressão corporal espontânea como a nobreza da convicção e o carácter! e tudo com riso, aquela inteligência que é rabanada preciosa. que bom. :-)

  2. A entrevista que Judite de Sousa conseguiu não tinha a pretensão de esclarecer fosse o que fosse.

    O intuito era apanhar o advogado com alguma rasteira e das respostas dar títulos aos tabloides e problemas ao entrevistado !

    Há ódios que nunca esmorecem. Pelo contrário, refinam-se e acentuam-se, em especial se o objeto do ódio está numa situação de detenção sem direito a usar da palavra.

    Havemos de ver a forma discricionária como se irá comportar com outros casos, cujos protagonistas lhe são próximos !!!

  3. § 1 – não fazes ideia porque não te dá jeito para as insinuações manhosas, vem nos jornais, que se tamém calhar não lês ou vês, tanto faz, que o convencionado advogado do sócras (proença) tamém estava a ser escutado, investigado ou lá o não pode ser, mas é e portantes não convinha ou daria merda se fosse metido ao barulho. vai daí o sócras chamou o araújo que já tinha sido advogado da mãe em questões patrimoniais. o resto são considerações que revelam parvoeira.

    § 2 – excêntrica é a tua tia. a judite tem escola de sopeira, formação de costureira e graduou-se em cabeleireira de centro comercial, basta ouvir a conversa, ver como veste e como derrete à frente do galão marcelo. o araújo, andou no liceu, formou-se em direito, fuma uns cigarros, bebe uns copos e táss cagando para os ésses, logo um gajo normal e tamém é normal uma cabeleireira fazer perguntas a um advogado, não tou a ver burlesco algum. a única coisa que vi foi uma loira atentar que um moreno dissesse aquilo que ela queria ou que lhe pediram, mas a coisa correu mal, perdeu o controlo e levou para tremoços.
    dizer:”joão araújo foge a todos os convencionalismos que associamos a advogados mediáticos em casos mediáticos.” é síndrome de judite sousa e preconceito teu. mas há mais preconceitos e parvoeira: “…as dificuldades na fluência, ou talvez melhor o estilo mimado, favorecem a empatia da audiência.” foda-se, gaja juízo pázinho. o marcelo ontém chamou-lhe “zé povinho”, mas isso foi porque estava ressabiado da audiência da entrevista do araújo ter registado 1,2 milhões de espectadores.

  4. oih bimba, o araújo é que te dáva uma enrabanada de riso e inteligência, mas tás com azar que o gajo “deve ter mais e muito melhor para fazer” que comer sopeiras.

  5. ignatz, conseguiste transformar-te numa cópia do joão viegas. Um feito que merece ser assinalado. Talvez até dê direito a uma estátua aí na tua rua (no caso de morares numa rua, algo que não está garantido à partida).

  6. primero, o adbugadu num dabia aceitare ser intrabistadu, e muitu menus pla juditi, que nun save discernire as coisas. eue tamém num leio jurnais puruque nun gostu de bicios e os jurnalistas nun saoe fonte dinfurmassaoe pra ningueie.Çu adbugadu tá cum o segredu pruficionale num dabia çaquer ir à têbê, purque pra dizere que as coizas tãoe no prucessu, dizia-o plu talafone, ganda parbu. o gaju a mie num me disconcerta coisananhuma, o gaju pença que teie piada mas ainda baie a prejdicare o cliente cum as tiradas dele.

  7. de certo modo tens razão, por vezes geras efeitos viegas naquilo que dizes e é difícil evitar o cone de sucção. obrigado por me lembrares. quanto à estátua, acho uma biolência ter essa coisa na rua com o frio que faz.

  8. não vês nada, tens dificuldade de expressão e só repetes merda. no mundo do huxley levavas uma martelada nos cornos à nascença e ias directo para o caixote do lixo. aqui, no caixote do aspirina levamos marceladas nos cornos e aturamos ganzas de idiotas.

  9. O processo José Sócrates é uma candeia poderosa que vai iluminando com cada vez mais clareza e nitidez a sociedade portuguesa actual e os seus personagens de maior visibilidade. Por exemplo, o videozinho que o Ignatz colocou da propaganda dominical marcelista, de ontem, é um bom elemento para conhecer o carácter do candidato da direita melhor posicionado para as eleições presidenciais.

  10. Ó Valupi, aqui nesta casa só se trabalha de segunda a sexta? Olha que “O JUMENTO” trabalha todos os dias.
    Sabes que não sou adepto do Sócrates, mas sou um defensor do Estado de Direito.
    E deixa-te de porras e não trates tão mal a esquerda, porque às vezes até parece que és do BLOCO CENTRAL.
    Não te darei qualquer resposta, ainda que venha aqui ler o que se escreve. Creio em determinadas coisas, mas não sou religioso.
    Feliz Natal.

  11. Manuel Barata, é por o Jumento trabalhar todos os dias que aqui nesta casa podemos folgar ao fim-de-semana.

    Quanto à esquerda, vejo ao contrário: a sua imbecilidade trata-me muito mal.

    Desejo-te o melhor Natal de 2014.

  12. Hoje a Valupi tirou-me as palavras da boca. Sintetizou o que eu penso do João Araújo. Acrescento repetindo-me, que João Araújo ainda irá surpreender. Quanto ao Marcelo, não seria de esperar outra coisa dele. Não respira enquanto Sócrates não for acusado. E quanto mais leio as notícias, mais me convenço que já tentam fabricar provas contra Sócrates. Admitir um fracasso é impensável para os super magistrados e a actuação dos media é agora essencial para a transmissão de mensagens erradas. Veja-se o caso do advogado do motorista Perna. Afirma que o Perna saiu de Portugal cumprindo ordens. Mas não define se foi a Paris ou se foi no carro de Sócrates. João araújo garante que só foi a Badajoz, fazer a revisão ao carro. Quem mente? Os advogados OU OS JORNAIS?

  13. ignatz,
    Totalmente de acordo; dizer que são ambos excêntricos judite e João Araújo seria o equivalente a chamar igualmente intelectuais a Eduardo Lourenço e lili caneças.
    Na judite nem há excentricidade nem conhecimento mas sim uma nódoa cancerígena de voyeurismo pelo buraco da fechadura e um saber feito da leitura do ‘cm’ e idênticos espalhados por todos osmedia. E portanto ela rola no mesmo eixo e em perfeita sincronia com os amigos corruptos cavacóides que pretendem que seja Sócrates o bode expiatório de ocultação de suas corrupções tanto as mesquinhas como as monumentais. Ela é, ao contrário, a concentralidade de mente e acção sem o mínimo desvio dos interesses da cavacóide família.
    Também da parte de Araújo não se poderá falar de excentricidade mas antes, mais adequadamente, de astúcia, experiência, inteligência e faro natural para, sem afrontar nem seguir ou pisar sequer o guião-emboscada preparado pela judite, correia do correio da manha, mas sim, por meio do método, não propriamente burlesco mas mais de non sense, desmontar a tese do 0discurso pré-preparado para virar de golpe a atenção sobre si e imediatamente aplicar a tese ou anti-tese em defesa do seu constituinte; a arte do Mestre.

  14. Esqueci-me de dar opinião acerca do professor Mente. Começou por falar das “contradições” de Araújo para fazer o frete de, com isso, elogiar a “esperteza” da judite.
    Contudo, logo de seguida coça o queixo e dá em dizer que o homem é bem menos tonto do que parece e bem mais sagaz do que dá a entender. Especialmente gaba-lhe a astúcia de saber falar de forma popular logo para a grande massa do povo que é, segundo o professor Mente, a mais importante opinião a ganhar para conquistar a batalha final.
    A judite ouvia isto com ar reservado e pouco risonho e o professor Mente não escondia o medo de tal possibilidade acontecer. Na verdade o maior medo que aterroriza a direita corrupta é que um dia a ideia de bem contida no dito ‘socratismo’ se faça luz na consciência do povo e elimine de vez a ideia corrupta do cavacóidismo que venderam e ainda vendem com apoio dominante de media fretistas-potistas.
    A campanha infame das pessoas-judites e media-dâmasos, são o reflexo do terror que sentem tais mastins se um dia perderem a opinião da grande massa popular e ficarem a falar apenas para o boneco dos magistrados e super-juizes.

  15. O prof martelo e a judite zarabeta falam em horário nobre e sobre a entrevista, o que dizem é:” cuidado que este advogado ainda nos vai convencer o nosso povinho de que o diabo afinal é um anjo” ou seja, para eles o Socrates é alguém que ha que encarcerar forever. É inacreditável. Então o homem nem acusado está e nem o professor de direito é capaz de dar uma aula sobre o assunto à judite? E toca a fazerem juizos acerca do aspecto físico do dr Araújo?! Esta gente não se enxerga?! Será que vêem as gravações do que dizem?

  16. Foi muito visível a cambalhota do prof. Martelo para
    tentar “safar” a sua “partenáire” das charlas dominicais!
    Como é seu hábito diz tudo e de seguida o seu contrário,
    desde que foi promovido a catavento acelarou-se a de-
    composição do seu discurso, tenho sérias dúvidas sobre
    as audiências que lhe são atribuidas! Não convenceu no
    desmentido das férias na mansão do Ricardo Salgado …
    esfarrapada a idéia que tem dinheiro e pode ir e, o outro
    apesar de ter muito mais dinheiro não pode ir, porque
    não se pode ausentar do País! Pois, os trafulhas são os
    outros que os amigos ajudam mesmo, sem pareceres!!!

  17. Falando seriamente: o Dr. João Araújo é um excelente penalista, um advogado muito experiente e um dos melhores conhecedores do direito bancário e financeiro. Além disso, o que não lhe conhecia, tem uma capacidade para lidar com a comunicação social invulgar.

  18. ó iganatze, tue istás a matere-te cumigu?andas a sinifare o cuè? hein? Oube, baie a pregare pró parque iduardu sétimu, meue, baie até lá arrafassere a tumateira, pázinhu, mas tu penssas ca ma chamu olinda, ó bolinhas de farelo, hein?bê lá bê!!

  19. Olha, passei por aqui. Foi boa ideia autorizares a censura no blogue. De outra maneira, eu fazia-te engolir uma por uma as imecilidades do teu post. Mas com censura, deixa de ter piada…

    Também, ninguém perde nada com isso e todos nos ganhamos tempo.

    Boas festas e essas merdas.

    Até

  20. ò viegas! já que o director do presídio aspirina não te deixa falar, pública a lista das 81 imbecilidades no expressso e podes tamém denúnciar as torturas abéculianas a que foste sujeito enquanto comentador do regime no exílio.

  21. joão viegas, continuo sem saber do que estás a falar. Mas sempre te informo que cada autor tem plena liberdade para ter ou não ter os comentários abertos. E tendo, para apagar, e até alterar, o que lhe der na real gana. Esta é a política da casa há anos e anos.

    E porquê? Porque este blogue, estando aberto ao público voluntário, é um espaço privado. É como uma casa particular que está de portas abertas, contudo não se obriga ninguém a entrar e tem-se absoluta liberdade para continuar a mandar em casa própria. Para aqui chegar, os interessados terão de saber qual é a morada e depois tomar a decisão de entrar. Essa decisão é equivalente à de não chegar a entrar, ou à de entrar e nada dizer, ou à de entrar e falar, ou à de resolver sair quando quiserem.

    Portanto, não gostas desta casa? Tens bom, fácil e rápido remédio para acabares com esse sofrimento.

  22. OK. Tomei nota. Em abono da verdade, diga-se que nunca me censuraste nada. Comento diversos blogues, dos quadrantes ideologicos mais diversos, alguns dos quais se situam politicamente nos extremos.

    Até agora, fui apenas censurado por muito poucos : o Jaime ou Julio que escreve ao teu lado, o Vidal e a Raquel Varela do 5 dias e o novo garotito que puseram agora a ladrar no Blasfémias, porque pelos vistos o Miranda esta sem tempo, Cunha é o nome do rapaz.

    Tanto quanto percebo, todos os censores obedecem ao mesmo perfil : não andam nisto para esclarecer o que quer que seja, muitos menos ainda para aprender, são propagandistas reles, alguns deles estando na bloga com o obvio intuito de fazer fretes.

    Boas

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