No centro é que se está bem

A forte probabilidade de o Syriza ser Governo após as próximas legislativas na Grécia dá oportuna relevância à ida de Rui Tavares à TSF nesta manhã. Não resultou da hora e meia de perguntas e respostas qualquer novidade, antes um condensado do que tem sido dito ao longo destes meses de caminhada do Partido Livre (uso a denominação dada pela TSF) em direcção às legislativas – o verdadeiro teste, quiçá o último, à exequibilidade do projecto.

Primeira nota: o Rui é o líder, o mentor e a única celebridade deste frágil movimento. Reconhecer a sua fragilidade não é estar a apontar um defeito, antes a registar uma evidência neutra. Fragilidade que começa no próprio Rui, o qual não tem credenciais políticas suficientes para encher o saco das ambições que agita. Tanto o seu percurso, de independente desleal ao BE, como o seu discurso, uma réplica das raríssimas promessas não sectárias da esquerda pura e verdadeira, não chegam para puxar carroças, quanto mais para moverem montanhas. E seria preciso mover não só uma mas várias cordilheiras para conseguir levar o PCP a aceitar coligar-se com a “direita”. Tal seria o equivalente a pedir às Testemunhas de Jeová para levarem uma transfusão de sangue em ordem a poderem ocupar a TV em horário nobre. Quanto ao BE, a menos que se dê uma purga de todos os militantes que simpatizem com Louçã, jamais o Rui Tavares deixará de ser persona non grata por causa do ódio que a sua traição gerou. Se juntarmos ainda o argumentário pífio usado para convidar PCP e BE à coligação com o PS, entramos num registo delirante.

Dos muitos aspectos passíveis de comentário nas palavras despejadas na telefonia sem fios, vou apenas pegar num: a centralidade do centro. O Rui tem feito do combate ao “bloco central” um eufemismo que nasce da sua aversão ao “centro”, primeiro, e com isso da sua repulsa pelo posicionamento do PS, a seguir, e da sua negação do que tem sido a História da democracia portuguesa, por fim. Este discurso contra o “centro” tem uma característica sofística bem cabeluda, isso de não passar de ocas abstracções. O que é o centro, afinal? Na forma como a esquerda pura e verdadeira o define, o centro é tudo aquilo com que não se identifica. Trata-se de um maniqueísmo tribal cujas raízes e dinâmicas são de fácil explicação e poderosa consequência. É o que justifica a eficácia da manipulação semântica do PCP, a qual o BE imita, quando carimba o PS como partido da “direita”. No fundo desta sanha contra o “centro” está uma pulsão contra a própria democracia liberal.

A forma como Rui Tavares se refere ao “arco governativo” é exemplar para compreendermos o nó cego donde está a falar. Ao mesmo tempo que reconhece ser essa imagem uma emanação da perversidade do sistema partidário até à actualidade, não retira daí a inevitável consequência que consiste em responsabilizar o PCP e o BE, jamais o PS. Não foram os socialistas que ganharam fosse o que fosse com a impossibilidade de fazerem acordos à sua esquerda – quem ganhou, ganha e ganhará com o sectarismo comuna é a direita. Para o Partido Livre ser coerente com o arremedo de lógica que veicula na sua retórica estaríamos agora a ver aquilo de que o Rui acusa o PCP e BE não estarem a fazer: substituir a táctica pela estratégia. Tacticamente, qualquer partido da esquerda pura e verdadeira quer ir buscar votos ao PS. Estrategicamente, para um partido de esquerda criar um novo espaço de representação tem de conseguir ir buscar votos ao PCP. O BE, após as eleições de 2009, não o conseguiu porque a engorda tinha sido feita exclusivamente com votos socialistas que foram ao engano. O feito heróico de ficar à frente do PCP foi completamente desperdiçado por não passar de um resultado conjuntural que apenas serviu para inchar a megalomania icária de Louçã. No entanto, Louçã andou 10 ou 15 anos a prometer ser o pauzinho na engrenagem, o predestinado que ia conseguir acabar com a guerra civil na esquerda portuguesa. Bastaria levar a cabeça do PS numa travessa ali à Soeiro Pereira Gomes e a “esquerda grande” teria os seus gloriosos mil anos de poder. Acabou a fazer as malas, deixando como herança um ser bicéfalo no seu lugar que conseguiu aumentar o rombo no navio já quase todo submerso.

Sintomaticamente, o Rui não se dá conta da suprema ironia que consiste em dizer que o Livre deve ocupar o “centro da esquerda”. Vamos esquecer o lado meramente utilitário, isso de justificar a escolha alegando ser um local vazio, e atentar nas razões de “equilíbrio” e “mediação” entre os extremos à sua direita, PS, e à sua esquerda, BE e PCP. Pelos vistos, é o próprio quem o diz, faz sentido para o líder do movimento anti-bloco central existir quem se proponha fazer um outro bloco central desde que se reduza o universo representativo: em vez do País, da comunidade e da sociedade, o bloco central sonhado pelo Tavares apenas admite esquerdistas. Ironia das ironias, esta antinomia redutora e segregadora é sugerida aos cidadãos com um embrulho onde se lê “Livre”.

16 thoughts on “No centro é que se está bem”

  1. é uma conclusão interessante também do ponto de vista psico-humorístico. repara, são os destros que fazem da mão livre a esquerda: são as cruzes do canhoto. :-)

  2. Mas o que é que o Rui Tavares tem a ver com o Syriza, aliás o Syriza afirma-se como uma força consequente da ESQUERDA na Grécia depois do descalabro do Pasok, partido irmão do PS português, e como este , sempre sempre ao lado da direita.

    Só não entendo , porque é que o PS andou atrás do Rui Tavares, para o integrar nas suas listas nas Europeias, e depois mandou os seus militantes recolherem assinaturas para legalizarem o Livre.

    Mistérios do PS português.

  3. O único partido que esteve sempre ao lado da direita, toda a gente sabe que é o PCP. É feio andar de mão dada com uma namorada de longa data, oferecer-lhe o befe a torto e a direito e depois fingir que não a conhecemos. Era assim antes e é assim de pois do 25A74. Não é por repetires mentiras várias vezes que elas passam a ser verdade ó comuna Augusto. Talvez esse conto de embalar otários resulte na festa do Avante patrocinada pelo BES, mas aqui no Aspirina ninguém come da tua aveia.

  4. (Valupi, peço que apagues o meu primeiro comentário a este post, carreguei no “Publicar” sem querer. Raios, já é segunda vez que isto me acontece aqui, tenho que atinar com isto)

    Valupi, permite-me que discorde ou que revele a minha incompreensão face a umas quantas coisas neste teu texto:
    – Antes de mais: “ao longo destes meses de caminhada do Partido Livre (uso a denominação dada pela TSF) em direcção às legislativas” – bom, com franqueza, isto não é uma bela maneira de começar uma critica. O nome do mais recente partido português (foi o último a ser legalizado, PDR’s e que tais não existem) é “LIVRE”, tal como está explicitado no acórdão do Tribunal Constitucional que o reconhece enquanto partido político. Podemos (nisso estou contigo) não ser fãs do nome, mas foi o nome que foi proposto, votado e aprovado aquando da fundação e é o nome que o Tribunal Constitucional aceitou. Que a TSF seja preguiçosa e continue ainda hoje (passado quase um ano da legalização) a repetir uma conclusão precipitada de outros órgãos de comunicação social, é uma questão de falta de rigor jornalístico que infelizmente caracteriza muita imprensa – falta de rigor essa que não deve ser legitimada e alimentada. O nome do L é LIVRE, tal como o nome do PS é Partido Socialista, tal como o nome do BE é Bloco de Esquerda.

    – “Fragilidade que começa no próprio Rui, o qual não tem credenciais políticas suficientes para encher o saco das ambições que agita. Tanto o seu percurso, de independente desleal ao BE, como o seu discurso, uma réplica das raríssimas promessas não sectárias da esquerda pura e verdadeira, não chegam para puxar carroças, quanto mais para moverem montanhas. ” – Ora, se a existência ou falta de credenciais políticas é algo do domínio do subjectivo (não concordando contigo, confesso que também não discordo), já a classificação de “independente desleal ao BE” é uma visão um pouco caluniosa e dispensável da ruptura do Rui Tavares com o Bloco de Esquerda em 2011, ruptura essa que como bem sabemos foi devido não só a questões politicas (as atitudes do BE para com o Governo anterior, ainda bem frescas na nossa memória, e a triste figura que fazia na Assembleia da República) como também a questões, digamos, “procedimentais” (difamações e tentativas de controlo de um deputado independente eleito pelo para o Parlamento Europeu). Como espectadores externos que somos, podemos argumentar que a questão não foi de todo bem gerida com o civismo próprio que obrigava, mas não devemos de forma alguma alinhar com uma narrativa criada pela secção mais sectária e odiosa do Bloco (que personificas e bem mais à frente no teu post) de que o Rui Tavares, qual militante do PS que não torcia pelo Seguro, foi “desleal”. Também não concordo quando falas que o Rui Tavares limita-se a repetir a parte não-sectária das promessas dos partidos da extrema-esquerda; pelo contrário, tenho ouvido um discurso muito focado (e bem) na questão europeia, pensado e ponderado, que tende a rejeitar um populismo bacoco do “ladrões da alta finança” e similares, e que propõe ideias e projectos que poderiam até outrora sido apoiados e desenvolvidos pelo Partido Socialista (ou pelo Bloco de Esquerda, noutra década/realidade), não fosse a deplorável e incapaz liderança anterior do PS.

    – Discordo completamente quando dizes que o “Rui tem feito do combate ao “bloco central” um eufemismo que nasce da sua aversão ao “centro”, primeiro, e com isso da sua repulsa pelo posicionamento do PS, a seguir, e da sua negação do que tem sido a História da democracia portuguesa, por fim.”. Não na parte que o Rui Tavares ou que o LIVRE tem feito um discurso anti-bloco central (pois sim, é verdade, e, na minha modesta opinião, fazem muito bem), mas quando caracterizas este argumentário como sendo uma “negação” da nossa história democrática. De todo, não é essa a interpretação que faço. Ser contra uma possível coligação PS-PSD (com o atrelado do PP atrás ou não) não pode ser visto como sendo incondicionalmente contra o conceito de “bloco central”. O chamado “bloco central” foi útil e fundamental na nossa história recente, foi ele que nos permitiu uma certa paz no período pós-revolucionário na forma da representatividade democrática, uma paz que se consubstanciou num desenvolvimento económico e social da nossa sociedade que não tem paralelo na história do país. Foi o bloco central que criou o Serviço Nacional de Saúde, foi o bloco central que criou a escola pública, foi o bloco central que conseguiu a nossa adesão à União Europeia, foi o bloco central que democratizou um país que nas quatro décadas anteriores apenas tinha conhecido um regime dictatorial e uma pobreza miserável “mas honrada”. Todavia, bem sabemos que, sendo actual liderança do PS uma legitima e orgulhosa herdeira desta obra, o mesmo não se passa com o PSD, que nos últimos 4 anos tem demonstrado que não só não se orgulha do que ajudou a construir, como crê que se foi longe demais e que muito disto, muita desta qualidade de vida e dignidade obtidas, têm que ser desfeitas, para, talvez num futuro incerto, serem reconstruidas com outras bases. A solução para o estado atual do país não está hoje assim num “bloco central”, que poderia levar o PS a ter que baixar os braços em certas temáticas e deixar a direita continuar com este belo programa ideológico, ainda que em menor grau. Defender que chegou a altura de parte do eleitorado que, não votando no PS, PSD ou CDS-PP por diversas razões, se sentir representado na governação do país e nas decisões para o seu futuro, não pode ser nunca visto como uma negação da história democrática do país.

    – “Ao mesmo tempo que reconhece ser essa imagem uma emanação da perversidade do sistema partidário até à actualidade, não retira daí a inevitável consequência que consiste em responsabilizar o PCP e o BE, jamais o PS.” – não me parece que tenha sido assim. Ou pelo menos não é isso que tem sido vinculado (nem o que ouvi). O Rui Tavares parece responsabilizar essencialmente o PCP e o BE (e a Heloísa Apolónia, não esquecer). Mas ok, não isenta o PS de responsabilidades. Eu também não – ou o que se passou nos últimos 3 anos não foi também uma visão do PS? As declarações que ouvimos de Joãos Proenças, Álvaros Belezas, Brilhantes Dias & Cª? Não foram eles um secretariado aprovado pela maioria dos socialistas? Não representaram eles o PS? Mal e infelizmente, mas e daí? Em vários tópicos como o Código do Trabalho, o chamado Tratado Orçamental ou o Orçamento de Estado para 2012 não poderia ter havido uma posição comum com o resto da esquerda parlamentar? Teve que ser um grupo de deputados socialistas a, juntamente com os deputados do Bloco de Esquerda, pedir a fiscalização sucessiva da constitucionalidade do OE para 2012 – atitude que bem nos lembramos foi rejeitada e condenada pela direção do partido, sem que as suas federações e concelhias se levantassem em revolta. O PCP e BE são, sem sombra de dúvida os grandes responsáveis do desentendimento permanente da esquerda portuguesa. Tal todavia não significa que o PS tenha sempre tido o melhor comportamento possível.

    – “Para o Partido Livre ser coerente com o arremedo de lógica que veicula na sua retórica estaríamos agora a ver aquilo de que o Rui acusa o PCP e BE não estarem a fazer: substituir a táctica pela estratégia. Tacticamente, qualquer partido da esquerda pura e verdadeira quer ir buscar votos ao PS. Estrategicamente, para um partido de esquerda criar um novo espaço de representação tem de conseguir ir buscar votos ao PCP.” – para ser franco, parece-me ser exactamente isso que eles estão a fazer. Mas concedo, veremos nos próximos meses.

    – “em vez do País, da comunidade e da sociedade, o bloco central sonhado pelo Tavares apenas admite esquerdistas.” – aqui não te compreendo: por que motivo deduzes que o bloco central é mais representativo do país do que toda a esquerda parlamentar? No que te baseias para chegar a essa conclusão? Posso aceitar que, historicamente, o PSD e PS somados costumam ter mais parlamentares na Assembleia da República do que o PS+PCP+BE+PEV, com uma diferença de uma ou duas dezenas de deputados. Todavia, não é certo que isto seja regra, nem que se venha aliás a repetir nas próximas eleições, onde as sondagens indicam que, pela primeira vez em décadas, o PS e PSD não conseguiriam fazer uma maioria de dois terços na AR.

    Por mais erros que tenha feito (ou passa fazer) e defeitos que tenha (ou possa ter), creio que é de louvar o caminho que o LIVRE tem feito. Um caminho que, ao contrário de outros partidos por legalizar, sobe o nível da discussão, acrescenta e não subtrai valor à politica portuguesa. Mas, repetindo-me, veremos como se comportará futuramente.

  5. Ponham-se a discutir o homem (magrinho) e a sua posição relativa às vossas opiniões e não se lembrem da turba facinorosa que por aí ronca e mexe (que gente é essa?). E depois chorem baba e ranho, e acusem os deuses e os partidos que mais combatentes deram à causa da democracia. O meu (nosso?) inimigo é a besta fascista. Jogos florais são para os salões, entre gente civilizada. Neste caso (nestas eleições), a luta é de morte: imaginem que o terror Coelho Portas tem outra maioria,pouco demorará a eleição de Dias Loureiro para presidente da República. E tudo continuará como agora.

  6. tanto latim com uma coisa que vale 1/2 dúzia de votos. a dissidência do tavares começou quando soube que o bloco queria ficar com metade do eurosalário, as questões ideológicas vêm sempre depois. se o ps lhe garantir lugar elegível o centro ajusta-se sem prejuízo ideológico, que a bem dizer ninguém sabe ou está interessada em saber qual é.

  7. Onde está o verdadeiro problema irresolúvel de todas esquerdas e direitas é precisamente a sua obsessão e ódio ao centro donde fogem como diabo da cruz porque entendem que no centro não há ideologia e por isso não é nem deixa de ser; é qualquer coisa como não ter pega nem saliência em que se que possa agarrar para atirar fora.
    Não percebem que é precisamente no centro, com caminhadas e percursos para um lado e outro e patamares de consolidação de ganhos civilizacionais dos dois lados que as pessoas vivem, necessariamente.
    O mal das esquerdas e direitas é que, à falta de uma afirmação inequívoca do centro, e em oposição a ele, elas têm todas sempre uma ideia tipo “pronto a vestir” para qualquer situação que haja ou que surja. O problema é que nunca pensam nos riscos e consequências de suas posições nem sequer querem saber se o povo está de acordo ou quer arriscar seguir suas propostas.
    E depois os extremos e os mais ou menos extremos saltam para a opinião pública ou para as caixas de comentários todos contentes e convictos que eles sim têm respostas certas, sempre foram assim ou assado, sempre defenderam isto e não aquilo e toda uma conversa de chouriço podre para se auto-justificarem pela merda que fazem quando são aliados promíscuos e sabujos da direita antidemocrática.
    Qualquer extremo ou meio-extremo tem sempre uma verdade e solução infalível como remédio para todos os males e o problema reside nessa pretensa verdade pronta a aplicar que rapidamente a prática desmente.
    Foram desgraçados os povos que já caíram nas ideologias tornadas em “verdades” e mal dos povos que se deixem cair nelas ainda.
    Actualmente, como a “verdade” marxista ruiu de apodrecimento, venderam-nos a “verdade” do “novo liberalismo” cuja aplicação prática se está revelando outro colossal logro ideológico, então já surgem os vendedores de ilusões a querer vender-nos uma ideologia justicialista, um juiz-déspota iluminado para “por na ordem os políticos corruptos; e quem vende tal solução são precisamente os corruptos que desejam uma corrupção organizada pelo Estado para calar qualquer honesto que sobre.
    A História política é clara de que assim tem sido a caminhada da civilização; devemos estar atentos para evitar cair repetidamente nos mesmos enganos.

  8. A perspicácia e as qualidades visionárias de um político não podem ser avaliadas de outro modo que não pelo resultado prático das posições que defenderam. Por exemplo, Durão Barroso, entre outros, estará amarrado, até ao fim dos seus dias, à catástrofe Iraque que só Deus sabe onde e quando vai terminar. Rui Tavares também já não consegue apagar do currículo o seu contributo para a anarquia Líbia que ameaça incendiar todo o Mediterrâneo.

  9. David, é um gosto estar a discutir contigo estas questões, as quais te são especialmente importantes. Bute lá.

    – Quanto ao nome, tive o cuidado de referir a origem da designação precisamente pela variedade das opções a serem veiculadas na imprensa. O LIVRE (faço-te a constitucional vontade sem custo) tem sido tratado como “Livre” ou “Partido Livre”, ou “partido Livre”, em diferente órgãos de comunicação social – raramente como LIVRE. Isso não aparece como uma anormalidade ou um insulto ao partido. Isso é algo que apenas pede tempo e uma campanha eleitoral onde o LIVRE apareça em todas as suas peças de propaganda e de comunicação como LIVRE. Seja como for, tenho a dizer-te que “com franqueza, isto não é uma bela maneira de começar” um comentário porque eu não represento a TSF (mas é algo negociável) nem fui convidado pelo LIVRE para qualquer acto oficial, reuniões de trabalho, almoços ou amenas cavaqueiras onde me fosse explicitada a magnitude do tópico baptismal.

    – O Rui Tavares foi desleal para com o BE e para com Louçã. Isso é factual. O que puxas para a discussão é a questão moral: descobrir, ou escolher, quem se portou bem e quem se portou mal; ou tão só quem se portou menos ou mais mal. Porque, como sugeres e o bom senso não desmente, ocasiões há onde a deslealdade é o que melhor dá a cumprir um qualquer preceito moral ou princípio ético, quiçá um ideal político ou a realização mesma da liberdade, Para essa discussão não posso contribuir por me faltarem informações.

    – O discurso do Rui Tavares sobre a Europa é sério e consensual. Mas não é por aí que ele marcaria qualquer diferença nem se trata de uma matéria que lhe dê votos suficientes para ter sequer meio deputado. É o pacote onde esse conteúdo está inserido que me parece contaminado pelo sectarismo donde ele vem. Lembra-te: ele foi uma das estrelas do BE de Louçã, e isso não foi um acaso.

    – Fazes um excelente comentário à questão do bloco central, e na senda do que já tens escrito em textos desenvolvidos sobre a matéria. Convido-te é à reflexão sobre o que tu próprio escreves, pois estão lá os pontos do nosso acordo total. Repara: se o discurso contra o bloco central for benévolo, tese que defendes, e não malévolo, tese que defendo, então temos de começar por reconhecer que não há ninguém no PS actual que aceite fazer uma coligação com o PSD de Passos e companhia. Donde, marchar contra esse moinho é um quixotismo que, na minha tese, esconde a acusação clássica da esquerda sectária contra o PS, cuja lógica é racista: “Os gajos do PS são de direita, têm de ser controlados pela esquerda pura e verdadeira.”

    – O PS de Seguro foi um intervalo de estupidez e sonsice narcísica que não representa o PS, desculpa lá. Por isso esse infeliz acabou com todos os dirigentes históricos contra si e nem sequer foi às legislativas – algo que nunca tinha acontecido e só aconteceu pelo grau de descaracterização a que se tinha chegado. A questão do bloqueio do sistema político à esquerda tem décadas, começa no 25 de Abril, continua no 25 de Novembro e resulta de termos o partido comunista mais estalinista do mundo. Eles continuam na clandestinidade e de lá não querem sair. Logo, quem pretende botar discurso sobre o tópico tem de começar por elencar aquilo que acima alinhaste e que consiste em reconhecer que a democracia portuguesa se desenvolveu, e desenvolveu o País, apesar do boicote sistemático da esquerda sectária.

    – A questão da representação é histórica e aritmética: historicamente, PS+PSD têm representado mais eleitores do que… só os do PS! Ou seja, tanto pelos resultados das votações, como pela recusa do PCP e do BE em serem parte de soluções governativas, o bloco central tem tido sempre mais valor representativo. Mas nessa passagem do texto o propósito era o de mostrar a duplicidade de critérios. Por um lado, o Rui estava contra a existência de uma parte da nossa história democrática. Por outro lado, oferecia-se para ter esse mesmo papel no contexto da esquerda. O mesmíssimo papel, posto que um “bloco central” é sempre o resultado de uma inevitável e difícil negociação. Ora, é essa a função que o Rui proclama para si e para o seu partido, ser charneira para ligar inimigos figadais.

    – Quanto ao teu último parágrafo, assino-o por baixo.

  10. Somos uns poetas castrados, já não temos fontes de inspiração.

    Rui Tavares sabe muitas coisas mas…politicamente é muito oco.

  11. Eu de frangos só gosto de assados na brasa, Mas de História ainda percebo alguma coisa, o PCP é um partido por quem não nutro nenhuma simpatia, apesar de reconhecer , que teve um papel determinante no combate á ditadura.

    Sobre o Rui Tavares se ele ” traiu ” alguém foi o Miguel Portas, pois foi numa lista encabeçada pelo Miguel ás Europeias e por sugestão deste , que o Rui proposto e eleito como independente. Quanto ás propaladas desavenças com o Louça, é uma história da carochinha, e foi um mero pretexto para o Tavares se pisgar para os Verdes, e continuar a sua estreita colaboração com a Ana Gomes do PS.

  12. não me preocupo com O LIVRE ,mas com todos aqueles partidos (e saõ muitos) que vão a votos, só para dizerem que estaõ vivos e para fazer campanha contra o ps. devia ser renovado o pedido de assinaturas,para se poderem candidatar.era bom para a democracia. aparecer um partido que arrume com o bloco, e que esteja disposto a promover um dialogo com o ps,é igualmente benéfico para a esquerda democratica. há muita gente que não vota.lembro que nas ultimas eleiçoes,o ps só baixou nas sondagens,quando o bloco e o cds disseram que não faziam governo com o ps. a partir daqui os portugueses que queriam um governo maioritario viraram-se para a direita. para evitar a vitoria da direita reacionaria é importante que O LIVRE tire votos a todos os partidos da extrema esquerda com pcp incluido, e que dê um sinal aos portugueses que estão dispostos a impedir com o ps a direita de governar.Nota: não ouvi nem li ,a entrevista de rui tavares à tsf.

  13. hum, num perssabi,num savia cá otro partidu, hum, i num parssebu cumé ca á maralhale a falare da trampa e da mesma caza da vanhu. fogu, o João V debe sere alma penada, o gaju inçinoue o maralhale a diçipare o óiru, pás, aquilu corre nas beias da todus, meuzinhus. Balupi, meue, oube,saves quem é a Zita Çaabra, pá, hein? e u duraõe Barrozu, hein? Saves? Num amandes vocas tá beie, debes andare a imborcare zurrapa seie marqua, pá. tás a bere? Ora manda aí o PER pró paíse, pra cus teues sirurgicus poçam cumentare. comprimentus.

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