13 thoughts on “Exactissimamente”

  1. A liberdade de expressão (como é chamada a faculdade de um jornalista dizer o que muito bem lhe entende sem necessidade de provar que o que disse é verdade ou necessidade de revelar a fonte) é hoje a principal arma dos Poderes Instituído nas sociedades ditas Democracias Ocidentais.

    As empresas de comunicação social que realmente são vistas e ouvidas pela maioria dos cidadãos, concentraram-se em grandes conglomerados económicos e são hoje propriedade de grandes grupos económicos que, detendo-as, as usam para influenciar os cidadãos, para os impregnarem de Opinião. A opinião que favorece os detentores dos meios de produção (de Poder).

    Por isso, hoje, o contraditório praticamente deixou de existir.

    Por isso, hoje, os poderes instituídos ficam à beira de um ataque de nervos quando algo surge na cena política que ponha em causa a “liberdade de expressão”. Essa poderosa arma que eles não conseguem imaginar sequer ter que deixar de usar!

  2. Penso, convictamente, que neste caso do Charlie Hebdo tornado emblemático de um ataque à liberdade de expressão, não é propriamente a liberadde de expressâo que está em causa. Como se fosse possivel meia duzia de terroristas religiosos fanáticos vencer o poderoso “ocidente democrático”. Se as pessoas pararem para pensar, concluirão que estes fanáticos têm tanto poder como as famigeradas armas de destruição maciça de Saddam. Mas é muitissimo mais conveniente pensar que a liberdade de expressão o está a ser posta em causa por actos isolados e tresloucados como o de Paris, do que pensar no “ocidente democrático” de mãos dadas com regimes que espezinham não só a liberdade de expressão mas todos nos direitos do homem. Deu-se até o caso de vermos desfilar em Paris governantes de países que fazem gato-sapato das liberdades, nomeadamente da Hungria e da Turquia. Os que desfilaram em Paris estão preocupados com o que passa na Arábia Saudita ou na China, em termos de liberdade de expressão? Ah….estão sim senhor, muito preocupados! Até estão a pensar em sanções económicas. O Passos/Portas vão pedia a EDP de volta! Haverá maior atentado à liberdade de expressão, neste ocidente democrático, que a completa apropriação dos media pelo poder económico, transformando os jornalistas em “voz do dono”, como está acontecer ao Portugal da UE e do Euro? Os patrões dos media devem estar a rir à gargalhada com o sobressalto das consciências democráticas perante o episódio de Paris, que veio mesmo a calhar para desviar as atenções da verdadeira crise da liberdade de expressão. Exactissimamnete, Val? Não me parece. Olhe à sua volta e veja com que facilidade os media portugueses passaram todos a falar a uma só voz, a voz de uma certa direita. Em “três tempos” fazem eleger os seus PR e os seus governantes, cuidando de perseguir e assassinar os adversários. Para manter as aparências, vão-se ficando pelo assassinato de caracter e perseguição judicial. Para manter as aparências arregimentam alguns comentadores do “outro lado”, e cujo murmúrio é abafado por uma legião de jornalistas e comentadores seus avençados e lambe-botas.

  3. Não quero confundir liberdade de expressão com liberdade de imprensa. Creio, no meu entendimento, que a liberdade de imprensa é um “derivado” da liberdade de expressão, esta sim muito mais lata e de grau de intensidade diversa ( as bengaladas nos livros do Eça também são liberdade de expressão – reativa é certo – mas é liberdade de expressão). Agora que dá muito jeito aos jornais abjetos falar de liberdade de expressão em vez de liberdade de imprensa , dá, para justificar toda a trampa que deitam no ventilador.

  4. antes de começar a desafiar estas bestas – insensatamente e sem um pingo de estratégia como fizeram os palermas da redação do charlie hebdo, pondo-se a eles e a terceiros em perigo – devíamos estar preparados para saber lidar com os seus ataques. em vez disso, provocamos a fera e depois andamos por aí como uns coitadinhos a queixar-nos daqueles maus não deixam os bonzinhos, coitadinhos, exercer a sua liberdade de expressão. não se provoca o inimigo sem um plano para o eliminar. ora, o plano do ocidente é chorar e queixar-se dos malvados que eles são. isto é uma estratégia de completa derrota, infantil e da qual a escumalha do EIIL se deve rir à gargalhada e que só lhes dá é ainda mais coragem para as suas próximas investidas. um político do calibre, por exemplo, de churchill em vez de andar a perder tempo em manifestações ridículas, já tinha posto em marcha um plano de guerra contra esta escumalha do EIIL e de todos os países que os apoiam, fossem quais fossem os chamados danos colaterais.

  5. Sobre o que tweeta a Ana Gomes, embora notando que este é um daqueles momentos idiossincráticos em que não vale perder demasiado tempo, haveria uma analogia FDP que poderia ser feita: politicamente eu atiro a quem eu quero, eu escolho os alvos, embora, a mais das vezes, pareça que disparo sobre tudo o que mexe. Sou assim com doses iguais de coragem e de loucura, e isso encanta-me.

  6. Ora, ora se aplicássemos a mesma pergunta ao PS e a muitos dos seus actuais e iluminados dirigentes ?

    A Ana Gomes é farinha do mesmo saco e só se diferencia dos seus ilustres e gelatinosos camaradas pelo facto de assumir a verdadeira natureza do partido e não ter medo de estalar o verniz caduco da ideologia do oportunismo e calculismo nojento …

    Talvez seja menos repugnante que o Costa no seu fatinho de faz de conta saloio, com ideias e projectos de coisa nenhuma pro pais. Isso sim é repugnante e ninguem deste blogue fala disso.

    Prof. Pardal … vai visitar o gajo a evora e leva o serrote pro nariz do 44.

  7. Enapá disse o que é exacto.
    E Ana Gomes também está correcta. As provocaçõezinhas do Charlie Hebdo já mataram e vão matar muito mais pessoas inocentes. Se isso servir para o Ocidente abrir a pestana e perceber que a ameaça aos seus valores fundadores é seria, não será em vão. Se isso descambar numa perseguição às religiões tradicionais do Ocidente idêntica à que o 11 de Setembro provocou não é de esperar que as consequências sejam muito diferentes: a preparação de um campo fértil à propagação de todos os extremismos.

  8. deveria ler o texto do sr. ferreira fernandes ontem no d.n.. se já leu devia refletir. já não há paciência para moralismos de sofá.

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