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A malta de Mação não perdoa

A propósito do comentário festivo que publicou na sua página no Facebook quando José Sócrates foi detido - Duarte Marques escreveu "Aleluia! A malta de Mação não perdoa" -, o deputado reconhece agora ter cometido "um erro". "Fui genuíno, fui autêntico", afirma, mas "senti que estava a prejudicar pessoas que não tinham nada a ver com isso". Foi esta a razão que o levou a apagar o comentário, garante, uma vez que "ninguém me pediu para o fazer".

No que não recua é nas críticas a Pinto Monteiro, que acusa de ter protegido o ex-primeiro-ministro. Duarte Marques recorda que fez no passado várias denúncias à Procuradoria-Geral da República, tendo mesmo chegado a reunir-se com Pinto Monteiro em 2011, a quem pediu "uma investigação ao Governo de José Sócrates", pelo que sobre a alegada proteção ao líder do Executivo socialista não hesita: "As evidências são claras".


Fonte

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Duarte Marques é deputado. Já foi presidente da JSD. É colunista no Expresso. Enfim, é um tipo importante. Se tudo correr normalmente, será cada vez mais importante no PSD.

Duarte Marques é também um tipo que declara publicamente ter Pinto Monteiro protegido Sócrates. O assunto, neste grau de abstracção, é fascinante. Protegeu-o do quê? Aparentemente, o aleluias está a sugerir que o protegeu da Lei. Todavia, se é mesmo isto que quer dizer, como é possível que os jornalistas não o interroguem mais de forma a que ele apresente os factos, ou meros indícios, que sustentam essa conclusão? E como é possível que o visado pela acusação não reaja? Ou será que está algo a escapar-me? Será que um procurador-geral da República pode cometer ilegalidades e escapar impune, e isto apesar da frontal denúncia de um deputado?

Outra possibilidade é a de que Duarte Marques esteja a reconhecer que Pinto Monteiro agiu num escrupuloso respeito pela Lei, e que foi tão-só essa a protecção que concedeu a Sócrates. Com menos zelo, aquela cegada do atentado ao Estado de direito cozinhada em Aveiro a partir de escutas ilícitas de conversas privadas poderia ter chegado para meter o homem no chilindró logo em 2009, como outros procuradores e juízes menos dados a protecções desse tipo sempre fizeram em todos os tempos e lugares. Esta hipótese, não sei porquê, parece-me em cósmica harmonia com a pulsão justiceira da malta de Mação.

Em qualquer dos casos, o silêncio que se segue a declarações com esta gravidade é um sintoma terrível da anemia e anomia reinantes.

A realidade a bater-nos na cabeça

Ainda a propósito da recondução de Carlos Costa, e esquecendo a sua escolha por Sócrates em 2010 que apenas o Pacheco Pereira conseguirá explicar, colhe realçar a opinião de Teixeira dos Santos:

"Carlos Costa foi reconduzido. Ainda bem. Uma decisão justa. Usou até ao limite os seus poderes no caso do BES. A solução fácil seria usá-lo como bode expiatório das ilicitudes de outros."

Teixeira dos Santos elogia trabalho de Carlos Costa no Banco de Portugal

Independentemente de se discordar ou concordar com ele, o que esta atitude revela é uma independência e decência que não vemos na chungaria com que a actual direita enche o debate político e o espaço público. O mesmo para o trajecto de Luís Amado, já agora, invariavelmente alérgico à baixa política e clamando pelo bom senso ao serviço dos valores mais altos. Teixeira e Amado foram dois dos mais próximos ministros de Sócrates, e não se vê neles um pingo de ressentimento pelo modo como foram tratados. Aliás, não se vê tal fragilidade e disfunção em ninguém de ninguém que tenha estado com Sócrates até ao fim. Em contraste, no PSD e CDS impera a cultura do ódio, seja sincero ou tão-só instrumental.

Igualmente colhe recordar um episódio ocorrido na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, em Dezembro de 2011, onde se vê saltar a tampa a Carlos Costa numa discussão com João Galamba: Troca de “mimos” entre Carlos Costa e João Galamba. Esta cena levaria o João a responder impecavelmente na ocasião, e depois a explicitar as suas razões por escrito, num texto que não perdeu qualquer actualidade, bem pelo contrário: Ficamos à espera de um pedido de desculpas do governador do Banco de Portugal ao Parlamento na pessoa do Deputado João Galamba e que de caminho o refute

O descontrolo do governador é cristalino. Ele estava em diálogo com um indivíduo mas as suas mensagens dirigiam-se a um grupo, o PS. É por isso que usa o plural para largar o insulto da “realidade” e do “bater com a cabeça”. Como nos recordamos, a campanha começada em 2008 contra Sócrates pela direita tinha três vertentes: era corrupto, era mentiroso e era louco (isto é, não se relacionava com a “realidade”). A realidade de que fala este Costa passado dos carretos, portanto, é igual à “verdade” de que falavam Cavaco e Manela, igual à “libertação da economia” de que falava Passos.

4 anos depois, este momento entre o governador e o deputado contém encapsulada uma parte essencial do que aconteceu ao País numa altura em que alguns escolheram trair os portugueses.

Exactissimamente

Em defesa da medicina da dor

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Eduardo Paz Ferreira faz parte do escol português. Adriano Moreira e Eduardo Lourenço também, entre muitos outros mais ou menos desconhecidos em termos de popularidade mediática. Para além disso, é um fordiano, algo que o distingue entre os restantes mortais.

O escol não é equivalente à elite. Na elite, palavra de origem francesa, estão os oligarcas e seus beneficiários e serventuários. Este grupo apenas se preocupa em manter ou aumentar o seu poder. No escol, estão os que ensinam. É por isso que passam a vida inteira a aprender.

Distinguir uns dos outros só é difícil ao princípio. Depois, torna-se num prazer infindável.

Lições do Douro Vinhateiro

"É um outro espírito, crença e vontade de vencer, um otimismo perante o futuro e a convicção de que com trabalho podem ultrapassar as dificuldades. Não encontrei aqui o discurso da desgraça, do miserabilismo, da descrença que encontramos com frequência nos agentes políticos em Lisboa ou na comunicação social", disse.

"Gostaria de convidar os políticos e os líderes sindicais que se fixam apenas nos corredores e gabinetes de Lisboa a virem aqui ao norte, eixo do Douro Vinhateiro, a contactar com as pessoas e os autarcas. Estou convencido que voltariam mais abertos a trabalhar em conjunto, à cultura do compromisso e diálogo para resolver os problemas do país: voltariam menos crispados e até menos violentos na linguagem, porque qualquer um, quando vem aqui, enche a alma, porque o espírito é diferente", referiu.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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Cavaco, aproveitando estar a passeio pelo Norte, apela à cultura do compromisso lançando ataques rancorosos contra terceiros não identificados que trabalham em Lisboa e que terão o hábito de se queixarem e fazerem reclamações. E ninguém reage, a elite nacional finge que não tomou conhecimento.

Cavaco, o tal que fez o que pôde para difamar e caluniar um Governo em funções, e que até fez o que não podia ter feito sem ser logo destituído calhando viver num regime que prezasse o Estado de direito. Cavaco, o tal que insultou os restantes candidatos presidenciais no revanchismo da vitória. Cavaco, o tal que foi para a Assembleia da República apelar à revolta contra os políticos. Cavaco, o tal que ficou impávido e feliz a ver o País ser empurrado para o resgate e para o empobrecimento fanático e desmiolado.

Isto significa que temos no Palácio de Belém um fulano que anda a ser pago pelo Orçamento do Estado só para que se saiba que em Portugal qualquer desgraçado pode chegar a Presidente da República.

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Como lidar com os talibãs do laranjal?

Carlos Abreu Amorim e Vieira da Silva estiveram juntos no Política Mesmo do passado dia 23. Um resumo possível, organizado pela TVI24, está aqui: “PS não aprendeu nada com as opções que nos levaram à bancarrota”. Nele vemos o Abreu a passar a cassete que começou a ser tocada diariamente em 2012, a qual só mudará quando mudar a liderança do PSD. Um pouco abaixo na página, podemos aceder à resposta do seu interlocutor. Infelizmente, o programa inteiro não se encontra disponível, apenas esse dois fragmentos em vídeo.

Um outro resumo possível é o que vou fazer recorrendo à memória. De um lado, temos um profissional da retórica em versão baixa política. Para cumprir o seu papel, apenas precisa de ser trapaceiro, condição em que a sua formação de jurista dá muito jeito. Do outro lado, temos um servidor do Estado e um crente no bem comum. Para cumprir o seu papel, não se pode guiar por sofismas porque está genuinamente interessado no progresso social, condição onde a sua formação de economista fornece a base e o horizonte da sua praxis.

Vamos recapitular, clarificar e enfatizar este primeiro ponto em análise: Carlos Abreu Amorim concebe a política como uma técnica sofística onde vale tudo para enganar o eleitor, e esta afirmação pode ser demonstrada sem esforço; José Vieira da Silva concebe a política como a arte da boa governação, onde há critérios de honestidade intelectual a guiarem a argumentação, e esta afirmação pode ser demonstrada sem esforço. Um serve-se da democracia para promover a sua carreira, o outro serve-se da sua carreira para promover a democracia. Quem tiver dúvidas, que ponha o dedo no ar.

Saltemos para uma parte do debate onde o Abreu justificou as mentiras de Passos na campanha eleitoral de 2011 dizendo que elas saíram daquela boca santa antes da assinatura do resgate. O Pedro terá sido apanhado de surpresa pelo que o Catroga disse ter sido um triunfo do PSD junto da Troika, e ainda com o que o próprio Pedro disse quando se vangloriou de não haver diferenças entre o Memorando e o programa do PSD. O facto de o ex-apoiante da Nova Democracia se sentir à-vontade para gozar com o público desta maneira, sem temer ouvir as sirenes da ambulância que o levaria numa camisa-de-forças para o hospício mais perto, é um retrato fiel do estado decadente da direita portuguesa. A isto respondeu Vieira da Silva recordando uma a uma quais tinham sido as metas estabelecidas por Vítor Gaspar no começo da legislatura – portanto, aparentemente, já na posse das informações constantes no Memorando – e de como todas tinham falhado. Todas. Retorquiu de imediato o Abreu apontando para as condições externas. A culpa era dos outros, da estranja. Ocasião para o socialista espetar o ferro: “Então, porque não reconhece também ao Governo anterior a existência de causas externas na origem dos problemas por que passou?…” O Abreu não estava para aí virado, só estava com ânimo para abandalhar o debate. E voltou a passar a cassete, agora num tom mais alto, indiferente a ter acabado de ser exposto como um tratante.

Como é que se lida com a desonestidade intelectual em ambiente de alta pressão como acontece nos debates políticos? A tendência natural, normal, e aquilo que nos cansamos de ver, é a reacção de tentar impedir que o adversário tenha a palavra ou consiga ser ouvido, acabando em algazarra. Infelizmente, esta é a mesmíssima táctica que usa quem faz da desonestidade intelectual o seu método. O resultado favorece o pulha pois impede o confronto de ideias. Assim aconteceu neste debate que analiso, apesar dos bons momentos de Vieira da Silva. Porém, teria sido muito melhor que o impulso emocional fosse dominado e se desse fio ao peixe. Ter deixado o Abreu explicar à sua maneira como é que o Governo de Passos falha tudo a que se propôs sem ter responsabilidade alguma e como é que Sócrates e os seus ministros foram responsáveis pela maior crise económica mundial dos últimos 70 anos, e ainda pela crise das dívidas soberanas na Europa, provocaria um momento de folclore político que, para além do seu valor lúdico, ficaria como uma preciosa lição de pedagogia cívica.

Carlos Costa, o exemplo do mérito

A recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal é um justo prémio. E tem uma longa história. Começou a 27 de Setembro de 2009. Nessa data, os eleitores decidiram que o Parlamento não teria uma maioria de um só partido. O partido do Governo tentou formar uma coligação para o novo Executivo ou fazer um acordo parlamentar, mas ninguém na oposição aceitou o convite. Apesar disso, e sem ter feito qualquer pressão para se obter outro desfecho nem revelando qualquer incómodo com as consequências da situação, o Presidente da República deu posse a um novo Governo minoritário. Aqui, façamos uma pausa para imaginar as alternativas que tinha o PS nesse cenário. Caso se recusasse a governar em minoria, teria de ser marcado novo acto eleitoral. O tempo que tal levaria a preparar seria ocupado por um Governo sem qualquer legitimidade para governar para além das despesas correntes, e isto estando-se ainda a tentar sobreviver à maior crise económica global dos últimos 70 anos. A campanha seria feita sem a mínima certeza de se vir a obter uma maioria e a oposição repetiria a mesma cassete da eleição de Setembro, promoveria o mesmo sectarismo da recusa de estabilidade e agitaria a bandeira da irresponsabilidade contra aqueles que, tendo ganhado as eleições, se recusavam a respeitar o mandato popular por recusarem a democracia e só obedecerem à sua sede de um poder absoluto. Teria sido uma coisa linda de se ver, e tão mais linda quanto a Grécia estava mesmo aí a rebentar e o mundo a mudar.

A escolha de Carlos Costa veio em Abril de 2010, pela mão de um Governo socialista que já sobrevivia em modo PEC desde Março desse ano. Isto é, a Europa estava completamente à deriva, sem instrumentos formais nem vontade política para ajudar os países mais ameaçados pelo efeito dominó da crise grega. A Irlanda seria a próxima vítima, enquanto Portugal tinha uma claque interna que apostava todas as fichas no afundanço nacional. A lógica era simples: já que o Governo estava a ser cada vez mais pressionado pelos parceiros europeus para assumir medidas de austeridade, e posto que elas iam sendo realizadas, havia que dizer que esse caminho estava errado. Ao mesmo tempo, culpava-se o capitão do navio pela tempestade, martelando-se sem descanso na retórica da culpa. Figurões portugueses iam para o estrangeiro anunciar que o País não tinha condições para fugir ao resgate, dando o seu melhor para que os seus desejos se concretizassem. Cá dentro, qualquer dado que pudesse ser positivo para a imagem do Governo, nem que fosse dizer-se que Portugal tinha um clima temperado, era de imediato submergido pelo berreiro da legião do ódio que não suportava boas notícias.

É neste contexto que voltamos a ouvir falar de Carlos Costa. Porque este amigo lembrou-se de afirmar o seguinte:

Numa entrevista de sete páginas ao "Diário Económico", Carlos Costa confirmou: "Pode dizer-se que estamos em recessão económica. Espero manter a pressão sobre quem tem de decidir em matéria de finanças públicas."

O governador do Banco de Portugal pede "resultados claros de execução orçamental" para acalmar os mercados e aliviar os juros da dívida pública.

Fevereiro de 2011

Há nisto vários aspectos notáveis. Fevereiro de 2011 corresponde a um período crítico da execução do chamado PEC III, o tal que o PSD viabilizou adentro de uma palhaçada que até meteu fotografias tiradas com o telemóvel do Catroga. Estava em causa saber se os mercados mantinham o Governo ligado à máquina até haver sinais de recuperação, pelo que cada ida ao mercado era como a apresentação de uma moção de confiança. Assim, qualquer declaração de responsáveis públicos, para mais do Governador do Banco de Portugal, teria um grande impacto potencial na imprensa, no debate político e, inevitavelmente, na psicologia do mercado. Então, que terá levado Carlos Costa a mentir desta maneira tão contrária ao interesse nacional? É que é de uma mentira que estamos a falar, como de imediato Guilherme de Oliveira Martins veio explicar:

“Não se trata de uma questão de opinião, é uma questão técnica. Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão, mas o que gostaria de registar na opinião do senhor governador do Banco de Portugal é um aspecto positivo: dizer e acreditar que somos capazes de assumir as nossas responsabilidades e de sermos nós a resolver os problemas decorrentes da crise financeira e orçamental”, disse.

Fonte

Registe-se a letal ironia de Oliveira Martins, expondo a sonsa intenção boicotadora de Costa. Não estando Portugal em recessão, dizer que está só se pode explicar, a este nível de competência técnica e responsabilidade estatal, por uma agenda política onde essa mensagem apareça como um benefício. O benefício, ululantemente óbvio, não era o dos interesses portugueses, antes o dos interesses de alguns portugueses.

Que teria acontecido de especial, ou estaria para acontecer, de modo a justificar a espectacular manobra antipatriótica do Governador? Duas coisinhas: a reeleição de Cavaco, que definia o calendário para o derrube imediato de Sócrates, e a negociação que o Governo estava a fazer com a Europa para evitar o resgate, o famigerado PEC IV. Quem revisitar este período, vai encontrar uma intenção sistemática para assaltar o poder assim que Cavaco tivesse garantido a reeleição. Ter um Presidente da República chefe de facção era decisivo para o processo arriscadíssimo que se iria seguir assim que a direita conseguisse o apoio dos imbecis para abrirem juntos uma das mais graves crises políticas da democracia portuguesa.

Carlos Costa comportou-se com zelo e competência nessa estratégia, assim como nos episódios pícaros que se seguiram nos últimos 4 anos de catástrofe bancária. É um dos raros casos no universo laboral português onde o mérito está a ser exemplarmente reconhecido.

Universos paralelos

Que espectáculo maravilhoso aquele que teria sido montado na comunicação social caso algo remota e vagamente parecido com o bacanal da “Lista Vip”, e o que ela trouxe à luz de assustador, tivesse acontecido num dos Governos de Sócrates. O maremoto de indignação da legião do ódio, em coro com os grupos de cantares da esquerda pura e verdadeira, duraria meses e seria uma visão homérica.

Haverá algum partido em Portugal preocupado com isto?

"Até quando, até quando se pode prender pessoas para investigar", questionou Basílio Horta, numa intervenção no encerramento da conferência "Administração Pública. Fortalecer, Simplificar, Digitalizar", organizada pelo PS, no Centro Cultura Olga Cadaval, em Sintra.

Sublinhando que se trata de "uma matéria que tem a ver com cada um de nós, porque aquilo que a gente vê nas costas dos outros é a nossa própria cara", o autarca sustentou que em causa estão direitos fundamentais.

"Não podemos ver pessoas presas sem culpa formada meses e meses e meses. Seja quem for, não é possível e a reforma da Justiça tem de olhar para isto seriamente porque é a defesa de direitos fundamentais das pessoas e o PS aí tem a raiz da sua própria fundação", disse Basílio Horta, eleito como independente nas listas do PS para presidente da Câmara de Sintra nas últimas autárquicas.

Fonte

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As declarações universais e europeias dos direitos e liberdades individuais e a Constituição da República não se cansam de proclamar que a prisão preventiva é excepcional. A regra é a liberdade até à condenação definitiva. Não há maneira de tais princípios entrarem na cabeça de quem decide. Dá a ideia que funcionam exactamente ao contrário. O último reduto da defesa das garantias e liberdades, acaba por virar o reduto da repressão.

Os requisitos ou pressupostos que permitem a prisão preventiva são “avaliados” genericamente. Seria muito importante saber que “perigos concretos”, que “perturbação do inquérito”, que “continuação da actividade criminosa”, que “perturbação da ordem pública” demonstrava o processo para que um adolescente de 16 anos ficasse preventivamente preso cerca de um ano. Os processos, sobretudo os penais, não são um monte de papéis mais ou menos organizados. Neles flui a vida e a liberdade das pessoas visadas. Tanto indício sólido que conduziu a uma absolvição!

Seria importante analisar em pormenor a situação processual de tantos outros presos preventivamente. Numa auditoria externa ao Ministério da Justiça. Saber se as ordens de prisão se sustentam em factos, ou mera afirmação formal das regras dos códigos aplicáveis. Enquanto se não decidir com a consciência que exige a liberdade do cidadão, haveremos de ter a sensação, às vezes a certeza, de que a prisão preventiva foi decretada de ânimo leve. Sem solidez. Com imensos prejuízos para o cidadão preso e para a Justiça. Ninguém tem dúvidas disso.

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As causas da bancarrota intelectual

As causas próximas da bancarrota foram três: a governação irresponsável e perdulária de Sócrates (que já fora o menino querido da direita de 2005 a 2008), a recusa do apoio alemão consubstanciado no chumbo do PEC IV, que obtivera o acordo de Merkel, e os efeitos do disparo dos juros resultado da situação gerada pela Alemanha ao suscitar uma “crise das dívidas soberanas”, tendo como alvo a Grécia. À data do PEC IV, a Alemanha já se apercebera dos efeitos em dominó da “crise das dívidas soberanas” e temia o contágio para a Espanha e a França. Por isso, foi complacente com Sócrates e ficou furiosa com o PSD e Passos Coelho quando este chumbou o PEC IV. Os “mercados” fizeram o resto e a bancarrota era inevitável.

Pacheco

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Não se percebe para quem é que o Pacheco escreve, se para o eleitorado da direita, ou do centro, ou até do PS. Se calhar, apenas para o grupo de fãs. No que não nos enganaremos é se dissermos que escreve para si próprio. Isso explicará um parágrafo como este que cito.

À mistura com factos e evidências que são inquestionáveis, o artigo onde este sofisma aparece contém outras pérolas, como a tentativa de branqueamento do maior logro alguma vez registado em democracia: a traição que uma direita decadente fez em 2011 só para chegar ao poder. Não há mistério em que o marmeleiro mantenha a sua visão sectária, pois abandoná-la implicaria concomitantemente ter de abandonar a sua paixão por Sócrates. E esse funesto destino ele levará para a cova.

Ora, o vice-rei do comentário político afiança que Sócrates teve uma governação “irresponsável” e “perdulária”. É uma escolha lexical que revela a intenção moral no julgamento em causa. Porém, precisamente pelo investimento emocional que se está a fazer nessa acusação, onde está a demonstração? Onde estão os dados e as contas, os contextos e as circunstâncias, as lógicas e os objectivos, as causas e os resultados? Porque será que não se encontra no texto qualquer dado que sustente este pressuposto? Será difícil apresentar com objectividade um caso de governação “irresponsável” e “perdulária”, seja ele qual for e onde for neste mundo? Se estivermos a lidar com alguém que lhe baste ter módica honestidade intelectual, a demonstração sairá instantaneamente. Não aparecendo, estamos a lidar com pulhas.

Tendo repetido pela enésima vez que está apaixonado por Sócrates, daí odiá-lo de morte e para a vida, ficava com um berbicacho entre mãos: como explicar que Merkel, assim como o BCE e a Comissão Europeia, tenha feito tudo o que pôde para que Portugal aprovasse o PEC IV e não optasse pelo suicídio do resgate? Resolveu tratando os leitores como borregos e reduziu a situação a um infantilismo esquizóide. Segundo o Pacheco, Merkel tinha a mesma consideração por Sócrates que ele tem. Mas, com medo de umas cenas na Europa, não o tratou como o bandido merecia. E prontos, ’tá despachado mais um naco de brilhante análise política paga principescamente.

Quase todo o debate político em Portugal, onde se inclui aquele que o PS de Seguro promoveu (salvo as honrosas excepções individuais na bancada e no partido), é uma torrente sectária que depende da desonestidade intelectual para se manter à tona. O PS de Costa ainda não encontrou antídoto para a calamidade de termos o espaço público envenenado por uma alergia às competências intelectuais.

Compravas pão a este padeiro?

Jerónimo de Sousa: Ferreira Leite e Sócrates “são farinha do mesmo saco” 22 agosto 2009

Jerónimo critica PS e PSD: «São farinha do mesmo saco» 15 de Maio de 2010

O secretário-geral do PCP encerrou este domingo o VIII Congresso Regional dos comunistas da Madeira com um ataque ao “inusitado romance” entre Alberto João Jardim e José Sócrates, um entendimento que faria “chorar as pedras da calçada” se os protagonistas não fossem “farinha do mesmo saco”. 30 de Maio de 2010

Jerónimo de Sousa, aludindo às últimas eleições, em que o povo, cansado de Sócrates e da sua política, optou pela suposta alternativa do PSD, recordou os avisos então feitos pelo PCP e que diziam ser falsa essa alternativa, que «PSD, tal como o CDS, identificam-se com o programa da troika. São farinha do mesmo saco». 11 de Agosto de 2011

Jerónimo diz que “um e outro [PSD e PS] são farinha do mesmo saco, são siameses na política e nas decisões que querem tomar 4 de Maio de 2014

“O que confirmam os programas de uns e outros, PS, PSD e CDS, é que são farinha do mesmo saco”, apontou Jerónimo 17 de Maio de 2015

Jerónimo diz que PS e PSD encenam “divergências e desacordos” e que “são farinha do mesmo saco” 22 de Maio de 2015

O PS em avaliação

Ontem recebi um esclarecimento sobre a posição do PS em relação à avaliação dos professores. Nele fui informado de que a recusa do PS versa apenas sobre o actual modelo, responsabilidade deste Governo, e não pressupõe a intenção de acabar com a avaliação como instrumento de aferição de competências e capacidades. Também me foi dito que não há qualquer desacordo entre o espírito reformista de Maria de Lurdes Rodrigues e o de António Costa em matérias de Educação. Bem pelo contrário. Assim, quando o programa estiver fechado lá se poderão encontrar as propostas que contextualizam e explicitam a notícia que ontem comentei.

Aproveito para dizer à meia dúzia de incautos que ainda me confunda com algum militante ou simpatizante socialista que existe uma coisa chamada ps.pt e que muitos dos principais dirigentes do PS têm presença assídua na comunicação social, para além de também estarem acessíveis nas redes sociais. É nessas fontes que se deve procurar informação autorizada e de qualidade a respeito do PS, não numa pobre alma penada que assina “Valupi”.

Por mim, e apesar do esclarecimento que agradeço e tomo como absolutamente verídico, penso hoje o que pensava ontem. Há uma intenção explícita em Costa de mostrar que com ele os professores podem ficar descansados. São muitas e boas, em termos de cálculo eleitoral, as razões para ir transmitindo a mensagem do enterro do machado de guerra. Uma enorme fatia do professorado sentiu-se traída pelo PS, seu partido de filiação ou proximidade, com a coragem mostrada por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues no conflito épico à volta de uma tentativa de introduzir qualidade pedagógica na escola pública. Os resultados estratosféricos do BE em 2009 não têm outra origem. Com Costa, como ele tem dito bastas vezes, tal nunca teria acontecido. Foi um “erro”, sentencia sem se comprometer no detalhe do que, afinal, lhe surge como “errado”.

O tema dos erros é patético quando falamos de governantes. Que será isso de um Governo que não tenha cometido erros? Existe algures? Existiu alguma vez? A discussão, se for levada a sério, salta imediatamente para o campo do absurdo. Governar um Estado será das actividades mais complexas a que um ser humano se pode entregar. E essa complexidade não pára de crescer, acompanhando o aumento da complexidade em todas as outras áreas da experiência humana. Se a NASA erra, conseguindo o feito de enviar um satélite para Marte com um conflito de sistemas de medição (métrico e imperial), quem é que estará imune ao erro? Acaso se saberá a percentagem de erros médicos? Não é assunto que tenha popularidade, talvez porque os números são de causar pânico. E quanto aos erros dos juízes, haverá por aí alguma estatística à mão? Vamos deixar os erros militares de lado, a começar pelo “fogo amigo”, e olhemos para os políticos que governam em democracias. Pretender que eles escapassem às inevitáveis críticas de terem “errado” é sintoma de coma profundo.

A notícia que ontem comentei aí está na sua objectividade. No seu texto em passo algum se faz referência a qualquer intento do PS em avaliar os professores, seja lá de que forma for. O que nele se garante é que um futuro Governo socialista irá interromper o actual processo. E depois logo se vê o que virá em sua substituição. Haverá 4 anos para pensar nisso com calma, é esse o subtexto da notícia.

O PS e os professores terão ficado muito agradados com a notícia. Tal qual como saiu. Arrepio-me e parto para a avaliação do eleitoralismo com que, até esta altura do campeonato, se está a falar de Educação pelos responsáveis socialistas.

Costa, o protector dos coitadinhos dos profs

PS admite suspender prova de avaliação dos professores

Não terei esse problema, pois não votarei PS nas próximas legislativas, mas imagino que uma boa parte daqueles 1.568.168 bravos que em 2011 deram a sua cruzinha aos socialistas não ache graça nenhuma a este eleitoralismo tão básico e tão nefasto.

Caso tal se confirme e esse propósito apareça inscrito no programa, ainda mais extraordinária ficará a memória de Maria de Lurdes Rodrigues, verdadeiro oásis de exigência republicana para com a escola pública.

Cercados

Está publicado um capítulo do livro “Cercado“: A queda de Sócrates começou aqui. As escutas do curso mal explicado. É uma leitura instrutiva para o estudo de Sócrates enquanto fenómeno, sem paralelo conhecido em Portugal, de obsessão, exploração e manipulação por profissionais da imprensa e da política.

O texto abre com a descrição da trip egóica do António Caldeira, um fulano que se imaginava a despistar uma legião de agentes secretos ao serviço do super-criminoso Sócrates. Tempos maravilhosos. Injecções de adrenalina. O coração a recuperar a frescura dos 12 anos e aquela certeza de que os “Os Cinco” existiam em carne e osso algures na Inglaterra.

Seguem-se as peripécias conhecidas, desde o lançamento da calúnia no blogue do Caldeira até ao seu relançamento pelo Público de um Zé Manel em modo vendetta, contadas por Fernando Esteves num estilo Corín Tellado a merecer justo aplauso. É sempre de elogiar quando um autor veste a farda do vendedor de atoalhados na Feira da Malveira e se mostra orgulhoso com a obra feita. Basta dar um único exemplo:

Se o ódio e a irritação fossem material inflamável, Lisboa ardia nesta manhã, no preciso micromilésimo de segundo em que Sócrates olha para a peça assinada por Felner. Tanta conversa, tanto tempo, tanta pressão, frenesim e excitação para nada. O texto sai – e o socialista explode.

Não estamos perante a excepção mas face à norma. Todo o capítulo – donde, todo o livro, e esteja lá o que estiver – obedece a esta lógica sensacionalista e delirante onde o autor repete ad nauseam a sua visão caricatural de um Sócrates iracundo, tiranete e falho de carácter. Nas declarações que tem feito na promoção livro, este Esteves não se preocupa em esconder ao que vem: trata-se de garantir que Sócrates está politicamente morto. Haja ou não haja condenação na Justiça, a obra aí fica para que ninguém possa alegar desconhecer a natureza do monstro. Entretanto, se fizer uns cobres com a pulhice, também não virá daí grande mal ao mundo.

Ricardo Costa apresentou o livro no seu lançamento. Não faço ideia do que disse. Sei que o seu endosso a mais este produto da indústria da calúnia ilustra à saciedade, e à sociedade, como estamos cercados pela decadência.