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Grécia volta a ensinar ao mundo o que é a democracia

As negociações entre a Grécia e os poderes políticos e financeiros que detêm a solução para os problemas na berlinda estão a correr muito bem. Ambos os jogadores estão a tentar vencer, e essa é a mesmíssima situação inicial do páreo. A data de 25 de Janeiro marca a subida ao poder de um partido que tinha prometido recusar um modelo de austeridade que estava a destruir a economia e a sociedade gregas sem criar qualquer esperança de recuperação. Esse mandato tem sido cumprido, como o arrastar das negociações comprova. Agora, com a ultrapassagem sucessiva de todas as datas limite, a pressão atinge níveis nunca antes conhecidos. Mas tal aparato retórico e mediático o que revela é a posição de força equivalente entre os dois lados. As condições para um acordo, portanto, continuam exactamente iguais às que existiam na primeira reunião entre as partes no processo.

O que é ganhar? Para os Governos europeus à excepção do grego, será conseguir impor um acordo que permita reclamar não ter sido feita nenhuma cedência substantiva na ideologia da austeridade. Para o Governo grego, ganhar é conseguir um acordo que anule alguns, quiçá só um, dos pilares da austeridade como coerção antidemocrática e solução económica falhada. E entende-se sem esforço o alvoroço de Governos como o português, para quem qualquer vitória dos gregos, por mais pequena que seja, aparecerá como uma demonstração da iniquidade e cobardia de Pedro&Paulo. O nosso próprio Presidente da República, chefe de facção, anda pela Europa a fazer claque contra a Grécia por esta eleitoral razão.

A questão foi sempre a de saber se era possível alterar o status quo europeu nascido em 2010 para lidar com uma das consequências da crise de 2008, a questão das dívidas soberanas que atingiu vários países, envolta num problema sistémico da própria zona euro, que não tinha previsto esse cenário. Os ataques vexatórios, em registo desesperado, aos governantes gregos mostram que eles estão à beira de conquistar o que prometeram ao seu eleitorado, não o contrário. E, no mínimo, já provaram que valeu a pena terem assumido a soberania de que estão mandatados. A democracia vai sair vencedora, aconteça o que acontecer.

Portugueses não seremos

A violação do segredo de justiça constitui crime. Há uma percepção generalizada, fácil e imediatamente demonstrável com recurso a abundantes factos, de que algumas violações do segredo de justiça são cometidas por magistrados e/ou agentes da Justiça. Ninguém conhece qualquer resultado de qualquer investigação aberta pelo Ministério Público a respeito do assunto ao longo dos anos e anos em que a matéria é causa de alarme público. Donde, conclui-se que o poder político, a sociedade, a comunidade e o regime têm aceitado que magistrados e/ou agentes da Justiça cometam crimes e que se furtem ao apuramento de responsabilidades e respectiva punição.

Sendo a violação do segredo de justiça um crime tão espectacular, o qual é explorado mediaticamente gerando lucro e vantagens diversas para certos interessados, e o qual depende do silêncio dos cúmplices que recepcionam os documentos desviados para a continuação da actividade criminosa, é de elementar bom senso admitir que os responsáveis por estes crimes ainda mais frequentemente cometerão outros crimes menos ou nada públicos. Como estamos confrontados com magistrados e/ou agentes de Justiça, o leque de crimes possíveis ultrapassa a comum imaginação. Basta pensar que a decisão de investigar, ou não investigar, um dado cidadão pode ela própria ser criminosa. Se a Justiça prende alguém sem fundamento suficiente e usa a prisão para investigar esse arguido, estamos perante um crime. Se a Justiça espalhar como boato que fulano está a ser investigado sem ter de o admitir oficialmente, tal pode ter um propósito criminoso agravado se a intenção for a de atingir terceiros, pessoas e/ou instituições. Se a Justiça decide ter um certo procedimento público numa data e não noutra, tal pode igualmente configurar um crime caso a lógica desse calendário extravase as necessidades da investigação e estiver ao serviço de outros efeitos extrajudiciais. Se a Justiça for alterando o foco da sua investigação de forma a manter um arguido preso preventivamente sem que saiba do que é acusado e vendo a sua prisão sucessivamente prolongada a cada alteração da suspeita da acusação, isso poderá ser visto como criminoso por estar a violar os direitos básicos de um cidadão inocente até prova em contrário. Se a Justiça considera que um dado arguido preso preventivamente pode fugir caso seja posto em prisão domiciliária, apesar desse arguido ter regressado do estrangeiro para se entregar às autoridades e de ser tão notável publicamente que não se dá como provável que conseguisse fugir mesmo que agora o desejasse, poderemos estar perante uma concepção criminosa da figura do “risco de fuga”. E por aí fora, basta tomar consciência da dimensão dos poderes na posse de magistrados e agentes de Justiça para ir acrescentando cenários verosímeis.

Os criminosos que trabalham na Justiça, pagos com o dinheiro do Estado, poderão estar perfeitamente convencidos de que são intocáveis, posto que são os únicos com autoridade para se investigarem a si próprios – com os magníficos resultados que se conhecem. Creio que, nesse estado de embriaguez plenária, alguns deles até poderão começar a pensar que é possível espiar conversas particulares de um primeiro-ministro em funções e depois fazer uso da rica e pícara semântica dessas captações para tentar levar esse primeiro-ministro a Tribunal alegando ter o tipo sido apanhado a planear um atentado contra o Estado de direito. Não sei se isto, ou parecido, alguma vez aconteceu, mas lá que seria de uma ironia deliciosa, seria. É sabido que um dos mais extasiantes prazeres dos pulhas é fazerem o mal e a caramunha.

Que nome devemos dar aos que aceitam, felizes da vida ou apáticos, ter uma Justiça cujos principais responsáveis são criminosos por actos e/ou omissões? “Portugueses” não será um termo adequado, por razões consultáveis em básicos manuais de História. Precisamos de encontrar outro nome, mais rigorosamente descritivo da decadência que nos é servida diariamente por certos órgãos de imprensa, certos partidos e certas personalidades influentes. Qual será? Que merda de país somos?

Cavaco é o máximo

Em conversa informal com os jornalistas a bordo do avião que o transportou esta tarde para Sófia, onde irá iniciar na segunda-feira uma visita oficial à Bulgária, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, foi confrontado com as críticas ao cariz partidário do seu discurso na sessão solene do 10 de Junho.

A resposta foi pronta: "só faço aquilo que considero que corresponde ao superior interesse nacional", afirmou, reiterando que não participa em jogadas político-partidárias, não cede a pressões, venham elas "da direita, da esquerda, do centro ou das costas".

Mas, Cavaco Silva foi ainda mais longe, lembrando que depois de já ter vencido quatro eleições - duas legislativas e duas presidenciais - com mais de 50% dos votos, o seu "ego está mais do que satisfeito".

"Está no máximo, não preciso de mais nada", gracejou.

No último discurso do mandato no Dia de Portugal, o Presidente da República declarou que Portugal pode olhar o futuro com confiança, palavras elogiadas por PSD e CDS-PP mas que mereceram críticas da oposição.

Fonte

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De há muito que está estudado o fenómeno psicológico em que um dado indivíduo se permite violar o código moral que reclama ser o seu, mantendo a convicção de tal lhe ser permitido por esta razão ou aquela circunstância e não sentindo qualquer remorso de cada vez que o faça. Pode acontecer a qualquer um de nós, provavelmente já aconteceu a muitos. No caso dos detentores de cargos políticos, essa tentação será ainda maior, dada a natureza competitiva e agónica do exercício do poder. Nenhuma surpresa, portanto, quando tropeçamos em hipócritas como Cavaco.

O que será talvez mais notável nesta triste figura é a amplitude da sua hipocrisia, tocando nos extremos de ser simultaneamente primária, mesmo cavernícola, e desaustinada, estouvada. Cavaco é o tal Presidente da República que se refugiava nos textos publicados no website da Presidência quando era confrontado com a interpretação óbvia das suas declarações contra o Governo socialista, repetindo de forma maníaca estar ali a “verdade”. E é também o tal Presidente da República que promoveu uma conspiração mediática inaudita contra o PS a poucas semanas das eleições legislativas de 2009, naquela que fica como uma das manobras de baixa política mais escandalosas e degradantes na história do regime.

Actualmente, estamos a assistir a um período de fúria na defesa do actual Governo e da maioria que vai a votos dentro de meses. Simultaneamente, Cavaco larga insultos cada vez mais escabrosos contra a classe política, contra quem proteste ou se queixe, contra “Lisboa”. Está em campanha e sabe o que quer. Quer ardentemente que o PS perca as eleições ou, no mínimo, que fique sujeito a um acordo de governação com esta direita decadente.

Tudo o que faça irá sempre corresponder ao “superior interesse nacional” e jamais alguém irá conseguir provar que ele se entrega a “jogadas político-partidárias” quando o próprio é o primeiro a recusar tal coisa. É também por estas razões que Cavaco apaga sistematicamente aquela parte da realidade onde aconteceram crises internacionais como não se conheciam há mais de 70 anos, outras que resultaram da arquitectura da moeda única europeia. Apagando essa parte, ficam só em palco, para ele brincar, os bons e os maus. Ele é um dos bons, daqueles que nem nascendo duas vezes se conseguem igualar, e basta perguntar-lhe a respeito para perder qualquer dúvida. É o grande triunfador da política à portuguesa, pode dizer e fazer o que lhe der na veneta sem correr qualquer risco. E ai daqueles que o critiquem, ainda mais dos que lhe façam frente – ganharão um inimigo para a vida.

Como ele próprio publicita, “está no máximo”. E temos de concordar. A sua presidência ficará como um máximo de sonsice, degradação do estatuto de Presidente da República, pulsão conspirativa, desprezo constitucional e soberba rancorosa.

A inteligência em prisão preventiva

Na edição de 6 de Junho do Bloco Central, tendo Augusto Santos Silva como convidado, os Pedros voltaram a expor a sua crítica ao desnorte comunicativo do PS. A tese é a de que Costa, ou qualquer dos seus tenentes, não consegue apresentar uma narrativa sólida, simples e sedutora. A pluralidade de pontos de vista e de propostas socialistas que foram sendo lançados em catadupa nos últimos meses não estará a provocar um efeito de convicção no eleitorado que pode dar a maioria absoluta, sequer naqueles grupos que neste momento era suposto estarem sem a mínima das dúvidas quanto ao seu voto, continua o argumento. Em contraposição, o Governo e a Coligação dispõem de recursos narrativos amadurecidos e potencialmente eficazes, os quais consistem num discurso dúplice e contraditório onde se acusa o PS de ser o responsável pela austeridade por ser o causador da “bancarrota” ao mesmo tempo que se reclama ter sido a austeridade um colossal sucesso regenerativo graças à qualidade da actual governação.

Santos Silva, no seu papel de militante e não de opinador, recusou o diagnóstico. Fez a defesa do processo faseado e aberto de construção do programa eleitoral socialista e garantiu que a diferença do PS face aos restantes partidos, especialmente os da direita, é manifesta para o eleitorado. Porém, a sondagem saída há dias estabelece uma diminuição da distância entre o PS e a Coligação. Será apenas uma variação aleatória, ou circunstancial, ou revelará uma tendência? Como é óbvio, ninguém faz a menor ideia. As sondagens são intrinsecamente falíveis e muita água terá ainda de correr até às eleições.

De um ponto de vista sociológico, aparece-me como estranho, se não for bizarro, que um partido com o peso histórico e a natureza ecléctica do PS ignore as consequências de ser tratado como um covil de corruptos e um asilo de estroinas ao longo de anos e anos. Especialmente quando esses ataques estão ao serviço do boicote da discussão política e servem como apagamento da responsabilidade do PSD e CDS no afundanço do País no resgate e demais violentações do contrato eleitoral e governativo a que Pedro&Paulo se entregaram. Costa imita Seguro nisso de não tomar uma posição clara sobre o anterior Governo socialista e seu desfecho, embora por diferentes razões, tendo como resultado a impunidade para a repetição da cassete onde o PS surge diabolizado e onde, de facto, está a ser perseguido pela Justiça por actos relativos à sua governação. A estratégia de fingir que se pode passar pelo meio dos pingos de ácido sulfúrico será vista como a mais correcta, até a única possível, caso Costa obtenha a maioria absoluta. Qualquer outro resultado deixará a questão em aberto.

Paradoxalmente, para uma lógica simplista, a prisão de Sócrates veio dar ainda mais urgência ao que já era urgente logo a partir de 5 de Junho de 2011: introduzir no espaço público uma versão dos acontecimentos que levaram ao resgate que fosse capaz de fazer frente à estupenda campanha de distorção que a direita e a comunicação social montaram. Tal nunca aconteceu. Não aconteceu com o próprio PS de Sócrates, apanhado no turbilhão do tempo. Não aconteceu com o PS de Seguro, apostado em explorar o ódio a Sócrates para obter ganhos internos, e não aconteceu com o PS de Costa, fruto de um calculismo e pragmatismo que marcam o seu trajecto político. Entretanto, o cidadão racional não encontra um ponto de apoio sólido onde se possa encostar para resistir à fúria da judicialização da política e do aviltamento do Estado de direito. A inteligência da comunidade também está em prisão preventiva.

Revolution through evolution

Keep calm and carry on, for the sake of your long-term health
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Powerful people are quick to notice injustice when they are victimized, research finds
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Crows count on ‘number neurons’
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Evolution is unpredictable and irreversible, biologists show
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Europe’s most homophobic countries may be paving the way for a rise in HIV cases
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Risky outdoor play positively impacts children’s health, study suggests
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Chimps can vary their smiles like humans
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Alfacinhas

1935 - Desfile de marchas populares, na Praça do Comércio, por ocasião das festas da cidade de Lisboa. Marcha da Ajuda
1935 – Desfile de marchas populares, na Praça do Comércio, por ocasião das festas da cidade de Lisboa. Marcha da Ajuda. Toca na imagem para veres o que é bom

A TSF foi desencantar uma fotos maravilhentas da Lisboa de 35 – Como começaram as marchas populares de Lisboa – que merecem ser longamente desfrutadas na extensão máxima de um grande ecrã.

Mais do que uma viagem no tempo, estamos a viajar para um outro espaço. O mundo dos nossos pais, avós ou bisavós. Onde cada rosto parece ansioso por nos fazer perguntas. Saber se estamos bem. Aqui, tão longe deles e da sua Lisboa.

Não, queridos vizinhos. Não estamos bem. Vamos morrendo de saudades do que nunca vivemos por termos chegado tarde. Essa cultura da alegria ingénua e marota. Essa frescura alfacinha.

Procura-se bigode ainda mais farfalhudo

Ao dia 11 de Junho de 2015, é inquestionável que o Ministério Público, sob a direcção de Joana Marques Vidal, comete crimes de divulgação de informação sigilosa com a cumplicidade de jornalistas e meios de comunicação social que lucram com essa actividade criminosa. A este primeiro grau de gravidade acresce a intenção difamatória e caluniosa com que determinadas informações são reveladas. E a este segundo grau acresce o propósito de influenciar politicamente a opinião pública, gravidade extrema por estarmos em ano eleitoral, em pré-campanha e a poucos meses de eleições legislativas. Esta constatação já não está no campo das hipóteses, é demonstrável e demonstrada uma vez mais ficou no dia de ontem: leia-se o Correio da Manhã e a Sábado e o que ali temos é a reacção descontrolada e violenta de quem se sentiu derrotado pelo que um arguido tinha decidido fazer com a sua liberdade e na plenitude dos seus direitos. Recorde-se que o sofisma da procuradora-geral da República para lidar com o assunto, alegando que só no final do processo é que se saberá quantas das informações reveladas na imprensa estavam mesmo na posse da Justiça, já foi desmontado pelas peças processuais tornadas públicas, as quais confirmam que o que foi aparecendo consta textualmente das teses da acusação.

Não importa saber neste momento, porque não temos meios para o aferir, se tal conduta dos magistrados que tomam essas decisões resulta de uma grande conspiração da direita decadente ou se estamos apenas no domínio da medição de piças. Importa é que o resultado é exactamente o mesmo: o Estado de direito em Portugal é uma anedota, e são muitos os que estão a rir à gargalhada. O que está a acontecer não é separável dos actos violadores da decência e da Constituição realizados por Cavaco em Belém, nem do revanchismo persecutório da ministra da Justiça com o seu cínico “fim da impunidade”, nem das tentativas do PSD de Ferreira Leite e de Passos de criminalizarem governantes socialistas, nem do discurso da oligarquia direitola atacando vilmente Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento e respectivas instituições, nem da sede de protagonismo corporativo e justiceiro dos magistrados, nem do absentismo do PCP e satélites que vêem o Estado de direito como uma artimanha imperialista e os quais adoram tudo o que possa prejudicar o PS, nem, por fim, do tabloidismo que assume por cá uma agenda populista com um único alvo partidário. Estamos perante uma tempestade perfeita, única forma de explicar que não apareça um grito de revolta face ao que se está a fazer com o cidadão Sócrates, o qual acumula com ser ex-secretário-geral do PS e ex-primeiro-ministro.

Há um “caso Sócrates” que subsome as dimensões partidária, governativa e judicial e se constitui como uma questão de regime. Neste momento, a própria Justiça encarrega-se de fugir de si própria no afã de se mostrar mais forte do que o arguido que mantém preso. Porquê? Ninguém vai explicar como é que uma pulseira electrónica impede perturbações no inquérito e ter guarda à porta ou outro tipo de vigilância à distância não impede? Ninguém vai explicar como é que o juiz abdica de ouvir o arguido sobre a alteração da medida de coação? Acaso não serão os critérios para se decidir do “risco de perturbação de inquérito” algo completamente arbitrário e subjectivo? Por que razão se decidiu da prisão de Sócrates em Novembro quando, seis meses depois, é preciso ainda investigar tanta coisa à mercê dos poderes malignos do arguido? Por que razão se divulgou em Julho de 2014 que Sócrates estava a ser investigado? Por que razão se larga para os bastidores jornalísticos que a qualquer momento outros ex-governantes socialistas poderão vir a ser constituídos arguidos? Por que razão a quantidade de suspeitas de corrupção se parece aproximar de todo e qualquer acto governativo de Sócrates, de acordo com o porta-voz oficioso da investigação chamado CM? A ideia será conseguir prender todos os membros dos Governos socialistas?

Sócrates com a história dos empréstimos de Santos Silva borrou indelevelmente a pintura da sua carreira como político e como cidadão. Esse comportamento permite legítimas dúvidas das autoridades, e por variegadas motivações. Só que não me lembro de ter pedido à Justiça do meu país para me tratar como borrego. O aproveitamento e exploração que estão a ser feitos, seja qual for a sua origem, tem reais consequências na qualidade da democracia e na coesão da comunidade. Infelizmente, nem o PS de Sócrates, nem o de Seguro, nem o de Costa, por tão diferentes razões, assumiram o combate frontal na defesa do Estado de direito. Tragicamente, olha-se à volta e não se vê quem o consiga fazer perante o se passa agora na “Operação Marquês”. Nem partidos, nem tribunais, nem magistrados, nem organizações cívicas, nem órgãos da imprensa, nem académicos. E muito menos um povo civicamente atrofiado e sem cultura liberal. Restam umas vozes isoladas, e tímidas.

Seis meses de prisão e não sei quantos anos de investigação depois, fora todas as outras investigações passadas, estamos exactamente na mesma: há suspeitas difusas e confusas, não há provas nem acusação formal. E a situação poderá arrastar-se por anos e anos com os mesmo lesados e os mesmos beneficiários.

O “caso Sócrates” indicia que o nosso regime precisa de ser constituído arguido por suspeita de corrupção na administração da Justiça. Ainda não encontrámos foi o procurador com o bigode para tal façanha.

Revolution through evolution

Women’s contribution to healthcare constitutes nearly 5% of global GDP, but nearly half is unpaid and unrecognized
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Why good people do bad things
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High levels of moral reasoning correspond with increased gray matter in brain
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People More Likely to Cheat as They Become More Economically Dependent on Their Spouses
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Even when we’re resting, our brains are preparing us to be social
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Tiny birds ‘cry hawk’ to give offspring chance to escape predators
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Scientists retrieve lost memories using optogenetics
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Tempos interessantes

A minha prisão constituiu uma enorme e cruel injustiça. Seis meses sem acusação. Seis meses sem acesso aos autos. Seis meses de um furiosa campanha mediática de denegrimento e de difamação, permitida, se não dirigida, pelo Ministério Público. Seis meses de imputações falsas, absurdas e, pior – infundamentadas, o que significa que o Ministério Público não as poderia nem deveria fazer, por não estarem sustentadas nem em indícios, nem em factos, nem em provas. Seis meses, enfim, de arbítrio e de abuso.

[...]

Por outro lado, não posso ignorar – nem pactuar – com aquilo que, hoje, para mim, está diante dos olhos: a prisão preventiva usada para investigar, para despersonalizar, para quebrar, para calar, para obter sabe-se lá que “confissões”. Também não ignoro – nem pactuo – com a utilização da prisão domiciliária com vigilância electrónica como instrumento de suavização, destinado a corrigir erros de forma a parecer que nunca se cometeram. Estas “meias-libertações” não têm outro objetivo que não seja disfarçar o erro original e o sucessivo falhanço: depois de seis meses de prisão, nem factos, nem provas, nem acusação.

[...]

digo não

A facilidade com que esta pessoa nos trata como acéfalos é fascinante

"Vamos reembolsar antecipadamente perto de dois mil milhões de euros ao FMI para poupar nos juros e fazemos este reembolso antecipado porque, com o nosso trabalho, conseguimos que os juros que pagamos no mercado da dívida sejam efetivamente mais baixos", afirmou Maria Luís Albuquerque.

"Se a situação exterior é assim tão favorável, basta compararmo-nos com outro país da Europa que, em vez de antecipar pagamentos ao FMI, os adia", sublinhou a governante dirigindo-se ao PS que, lembrou, foi um dos partidos da esquerda a fazer "referências elogiosas ao Governo" grego, liderado por Alex Tsipras.


Fonte

Verba volant

Bruno de Carvalho anunciou, nesta quinta-feira, em entrevista à TVI, que o orçamento da SAD leonina para a época 2014/15 vai manter-se nos 25 milhões de euros, desejando que Benfica e FC Porto continuem "a cometer loucuras" e "a viver acima das suas possibilidades".

"Vamos estar mais bem preparados do que os restantes. O objetivo passa por fazer melhor com menos recursos, aquilo que se dizia que não se podia fazer. Passou um ano e está-se provado que se consegue fazer", garantiu o presidente leonino.

"Espero que continuem [Benfica e FC Porto] a viver acima das suas possibilidades. Continuem, durante muitos anos, porque o Sporting estará cá para aproveitar", desafiou Bruno de Carvalho.


2014

E o Sócrates, pá?

Nem Sócrates, nem os seus advogados, nem Soares, nem nenhuma das raras figuras públicas que se pronunciaram a respeito, conseguiram conquistar o apoio da opinião pública para as denúncias de graves irregularidades no processo que mantém Sócrates preso. Serão várias as razões na origem desse fracasso, a começar pelos anos continuados de assassinato de carácter, pelo ódio político à direita e à esquerda, pela complexidade das questões judiciais na berlinda e, talvez a razão principal, por continuar sem validação institucional o argumentário da defesa – o que, simetricamente, reforça a imagem da acusação. Sócrates já era culpado antes de ser arguido, e o que se confirmou pelo próprio a respeito da sua heterodoxa forma de financiamento pessoal só cristalizou e agravou as suspeitas.

Porém, consta que nem o Correio da Manhã consegue identificar a fonte do mal, o que é um sintoma perturbador. Para haver corrupção, algum contrato, pelo menos um, terá concretizado o acto. Qual foi? E quem são os cúmplices? Posto que nenhum primeiro-ministro, sequer um qualquer ministro ou mero secretário de Estado, tem contacto directo com os responsáveis na administração pública que efectuam as avaliações e decidem quais serão os fornecedores do Estado, para se construir um caso judicial de corrupção vai ser preciso envolver mais gente, quiçá muito mais gente. Quando é que a ramona começa a recolher o bando?

Os crimes de corrupção, se nem o corrompido nem o corruptor colaborarem com as autoridades, são dos casos mais difíceis de investigar. Por aqui, a iniciativa e a estratégia do Ministério Público até se poderá vir a comprovar como a mais correcta, eventualmente brilhante. Para isso, será necessário que tenha existido, de facto, um acontecimento de corrupção e que tal prova seja passível de ser obtida. Se não tiver existido, ou se faltar a prova inquestionável para tão grande suspeita, então não estaremos apenas perante uma prestação muito questionável da Justiça. Estaremos também face a uma exploração política com beneficiários identificáveis e vastas implicações para o regime. Ora, tanto da parte de Sócrates como dos seus advogados o que vemos são sinais que antecipam esse desfecho. A forma desbragada e cáustica como João Araújo entrou em cena, e assim se mantém, tem um lado humorístico delicioso, mas tem outro lado que nasce da dimensão deontológica. Araújo aposta a sua credibilidade na inocência de Sócrates. Porque é tonto? Porque foi enfeitiçado pelo grande Satã à portuguesa? Ou porque estaremos perante uma situação esdrúxula para os Henrique Monteiro da triste vidinha, embora legítima e imaculada para as Hannah Arendt da vida grande? É que vir com a cantilena do “Ai, que esquisito, não conheço quem tenha feito coisa igual” pode chegar para a felicidade dos pulhas que intoxicam o espaço público, entende-se sem esforço. Não chegará, e nunca, é para quem coloque a justiça à frente das aversões e cagufas de estimação.

A 11 de Abril, de manhã, Helena Matos publicou um típico exercício de ódio – Tal como se esperava – onde resfolegava de prazer imaginando o seu apaixonado Sócrates a fenecer agonizante e abandonado num escuro calabouço da distante Évora, para lá do fim do mundo. De caminho despejou a seu fel alucinado em cima de qualquer um que tenha tido contacto com o monstro, ou que lhe tenha manifestado alguma simpatia, quiçá incluindo os que calharam sonhar com o fulano. A escrita é revanchista, o espírito é o da caça às bruxas, a intenção é racista. Na tarde desse mesmo dia, Guterres foi visitar Sócrates. Pela segunda vez. E sem qualquer razão aparente para o fazer, em especial tendo em conta que esse foi o período em que mais insistentemente se falou de Guterres como candidato presidencial. Que foi fazer a Évora, de novo, aquele de quem se dizia unanimemente que seria o vencedor antecipado das presidenciais, assim o quisesse? De que falaram ao longo de 1h30m? Do Freeport? De outros crimes que envolvam Guterres, ou amigos seus? Aliás, será possível ter algum tipo de conversa com Sócrates que não meta capitosas referências explícitas ou cifradas a milhões sacados ao Estado? Para a Helena Matos, nisso representando a era da calúnia que marca a política nacional desde que Sócrates surgiu como candidato a primeiro-ministro em 2004, os únicos socialistas íntegros e cumpridores da Lei são os socialistas por nascer. Estranhamente, o PS finge que este tipo de poder fáctico, onde há uma permanente campanha negra apontada à honra de pessoas e instituições, não é um agente operativo na dinâmica política em Portugal.

Se Sócrates tiver sido corrompido, isso terá o seu impacto político, social e cultural. Impactos devastadores, embora imprevisíveis nas suas consequências. Será também um caso de psiquiatria e neurologia, porque poucas vezes se terá visto criminoso tão original; reunindo em si as mais sofisticadas capacidades cognitivas para crime de alta complexidade e, ao mesmo tempo, sendo um dos corruptos mais estúpidos na história do crime, tendo de imediato começado a chamar a polícia para o apanhar. Se, pelo contrário, for verdade que Santos Silva se limitou a fazer com o seu dinheiro o que lhe deu na real gana sem actos de corrupção no horizonte, uma parte do País continuará até à cova a considerá-lo culpado. Não será possível afastar Sócrates das suspeitas, o dano é irreparável.

Assim, no meio disto tudo e enquanto a Justiça não se decide, talvez o facto mais extraordinário seja esse de termos visto o ex-futuro Presidente da República, e possível secretário-geral da ONU, a mostrar ao Henrique Monteiro e à Helena Matos, mais ao tutti quanti, que prefere o convívio íntimo com criminosos desmiolados caídos em desgraça a ir ocupar um Palácio de Belém ainda empestado pelo fedor largado pelo mais poderoso símbolo vivo desta direita decadente que nos calhou ter de sofrer.

Despir a camisola

No auge do conflito entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, em Janeiro deste ano, os adeptos presentes no estádio de Alvalade sonorizavam ostensivas manifestações de apoio ao treinador. Essa terá sido uma das razões que levou o taralhouco presidente do Sporting a aceitar que tinha perdido essa batalha, isto depois de se ter chegado à frente de tal forma que qualquer cedência sua seria sempre vista como uma derrota. Igual a todos os megalómanos, terá passado os dias seguintes até ontem a planear a vingança.

Marco Silva foi visto, de modo inequívoco, como vítima do fanatismo patológico do bronco. É também um jovem treinador a quem se antecipa uma carreira destinada ao sucesso, tal o talento que já mostrou. E acaba de dar ao Sporting o primeiro título no futebol profissional em 7 anos, numa final marcada por dramatismo épico a favor da sua equipa. A Taça ainda está quente dos festejos. Pois a semana do triunfo vai a meio e o clube acaba de anunciar o despedimento deste treinador por “justa causa”.

Se Jesus for mesmo para o Sporting, ele o seu novo presidente ficarão unidos num pacto trágico nascido de uma dupla húbris. A tensão à volta de cada jogo, de cada resultado, será algo que muito provavelmente nunca se conheceu antes em Portugal. Isto porque qualquer coisa que fique abaixo da perfeição, do registo invencível em todas as competições, incluindo nos jogos-treino, despertará uma onda de violência e achincalho emocional contra a equipa vinda de dentro e de fora do clube. O presidente que não conseguiu contratar nem um reforço de qualidade, ou até sem qualidade, para o ataque na época de 2014-2015, e que deixa sair a custo zero uma estrela em potência como Carrillo, mas que consegue pagar a Jesus aquilo que nem o Benfica, quiçá nenhum outro clube no mundo, estava disposto a pagar, viverá com o seu treinador 6 milhões em regime de tolerância zero. Sabendo-se do descontrolo psíquico do maluco que os sócios do Sporting puseram a mandar na casa, veremos cenas inauditas na história do futebol português.

Estarão neste momento a fazer-se sondagens para descobrir qual é a opinião dos sócios e simpatizantes do Sporting acerca deste circo vexante. Aposto que a maioria não concorda e até se sentirá magoada. Não concorda com a vinda de Jesus e sente-se magoada com o tratamento dado ao Marco. É uma mixórdia de absurdo com injustiça. Fede. E rompe com a lógica sentimental que justifica a existência dos clubes. Os adeptos benfiquistas e sportinguistas que estavam em festa foram arrastados para a cruel consciência de não haver qualquer lealdade para com os clubes, entendidos como poder de criação de colectividades identitárias, por parte do poder circunstancial e arbitrário dentro dos clubes.

Conceber um clube como se fosse uma empresa, e os seus profissionais como mercenários e mercadoria, equivale a destruir a mística. A mística dos clubes, no seu único ponto de contacto com a mística espiritual, implica a crença num poder sobrenatural inefável incarnado nos heróis que vencem. A mística é tão mais intensamente vivida quanto essas vitórias resultem de uma transfiguração pelo sofrimento. O Sporting veio de uma vitória desse cariz. Está agora a pagar ao general que obteve esse troféu com a traição. Isto, sim, é que justifica um despedimento com justa causa.

Bruno de Carvalho, despe a nossa camisola porque tu não és do Sporting.