Arquivo da Categoria: Valupi

A retórica é nossa amiga, mas tem de ser da boa

Na segunda carta de Costa aos indecisos – DEVEMOS CONFIAR NO FUTURO DE PORTUGAL! – há uma passagem deliciosa. Ocorre após um relambório de clichés acerca do potencial do País, e consiste nesta meta-interrogação:

Porque havemos de nos resignar a que tudo isto seja apenas retórica?

A pergunta é surpreendente a diversos níveis na economia do texto. Primeiro, porque não havia nenhum indício de que estivéssemos perante conteúdos a merecerem o carimbo de retóricos. As perguntas que antecedem a meta-interrogação fluem como partes do argumento que dá título à carta, cujos dois primeiros parágrafos cristalizam na afirmação “Temos boas razões para acreditar no nosso futuro comum“. A pergunta obriga a introduzir o conceito de “retórica”, que é complexo e ambíguo, para reavaliar o que foi lido até então. Ainda por cima, a palavra surge em itálico, aumentando a equivocidade do que já era equívoco. Num outro nível, porque para além da reinterpretação à luz do prisma da retórica, a meta-interrogação coloca o verbo “resignar” como fulcro semântico do desafio lançado ao leitor. Donde caiu essa sombra da resignação, por um lado, e por que raio a resignação nos obriga a ficar encarcerados na retórica, por outro? Não se explica, o que implica estar o autor a pressupor que o contexto alusivo à resignação é óbvio. Mas não é, muito pelo contrário. Finalmente, a meta-interrogação dá imediatamente lugar a mais um alguidar de clichés folclóricos, autêntica retórica de feira, que não resisto a citar:

Há 600 anos partimos à descoberta. É altura de descobrir e valorizar as Índias e Brasis que temos em nós.

A menos que seja Nóvoa quem está a servir de ghostwriter, não se entende qual seja o propósito de um exercício que volta a não dar respostas aos problemas que, supostamente, estão a gerar indecisão no eleitorado. Esta 2ª carta dialoga superficial e lateralmente com a situação política e resume-se ao discurso impotente de repetir ser necessário fazer alguma coisa sem que em momento algum se diga o que é. A carta termina, de novo, prometendo para a próxima o começo da apresentação da solução. Causa perplexidade a inépcia deste registo complicativo e inócuo.

Contudo, dada a miséria reinante nesta campanha, onde o Governo faz propaganda e os seus partidos apoiantes fazem chicana, e onde PCP e BE não ambicionam mais do que continuarem no Parlamento e o LIVRE/Tempo de Avançar deve estar ainda a pensar no que nos quer dizer, esta iniciativa do PS é a coisinha melhor que temos para ir discutindo a 5 semanas e meia das eleições.

Στρατηγός

A imoralidade de pretender duplicar o tempo de antena da coligação com a participação simultânea de Passos e Portas nos debates é tão evidente que o assunto se esgota assim que se coloca. Nem seria preciso estar a ir buscar o exemplo das europeias ou as declarações de Telmo Correia. Pelo que a questão que realmente importa não pode ser essa, a dimensão deontológica, mas sim a questão política.

Ao se reconhecer que a coligação tem interesse em se confrontar o menos possível com os líderes da oposição, recorrendo à manha de tentar incluir Portas só para boicotar esse confronto, que faria um general na posse dessa certeza ou intuição? Não cairia na armadilha e aceitaria a presença de Portas.

Tal como Fernando Medina verbalizou – «Se o ridículo matasse, vocês estavam arrasados antes das eleições» – a situação de ver Passos e Portas lado a lado seria fatalmente ridícula. O flanco ficaria todo aberto para serem causticados durante o debate, do princípio ao fim – onde a audiência seria lembrada de que aqueles dois até para aceitarem debater a sua responsabilidade nos problemas do País tiveram de voltar a violar as regras da decência e do respeito democrático. Seria um sem fim de achincalhos possíveis e cristalinamente justos, sem hipótese de fuga nem de defesa.

Claro, para tal ter ocorrido seria preciso existir um general a comandar a campanha do PS.

Comunas e liberalóides, a mesma luta

Apresentámos as listas e bem podemos dizer:
Gente de verdade, trabalho, honestidade e competência
Gente de confiança
Gente séria
Por um Portugal com futuro

Jerónimo de Sousa

__

Foi com estas mesmas palavras – “Candidatos da CDU – Gente de verdade, trabalho, honestidade e competência” – que no website do PCP se deu título à transcrição de mais um discurso canónico dos comunistas portugueses. Pergunta: que ideologia sustenta esta identidade? Quantas propostas políticas diferentes, até antagónicas, podem, sem recearem qualquer incoerência, reclamar a exaltação dos mesmos valores? As ideologias de cariz religioso chafurdam nesse terreno. Ferreira Leite foi a eleições em 2009 com esta cassete, apoiada na indústria da calúnia e num Presidente da República que por pouco não mandou os elementos da Casa Civil pegarem em armas contra o Governo. Salazar não tinha outra mensagem, eficaz junto desse país miserável que pretendia manter atrofiado e amordaçado. O proclamação da posse da verdade, do culto da honestidade e da prova da seriedade correspondem invariavelmente ao exercício demagógico mais básico – e implicam um fanatismo, genuíno ou artificial, que esconde uma pulsão ditatorial. Como dizia o Agostinho da Silva, quem tem a verdade numa mão, tem sempre uma pedra na outra para atirar a quem a recuse.

O PCP é apreciado, até protegido, pela direita não só pela utilidade de terem um inimigo em comum. É também por causa deste conservadorismo monolítico e senescente, o qual transforma o PCP na mais previsível das entidades políticas em Portugal. A direita aprecia as vantagens de terem estes seríssimos pastores a cuidar daqueles coitados que de outra forma poderiam andar por aí à solta a provocar chatices. A organização e dinâmica social dos comunistas à portuguesa rivaliza, ou supera, a das religiões tradicionais, comungando igualmente de mecanismos messiânicos e apocalípticos que permitem manter um estado de subordinação e impotência sem com isso terem de se confrontar com os sucessivos fracassos. Para os comunistas, o povo é deles, incluindo aquela parte muito maioritária que nunca votou nem votará no PCP. Então, como poderiam os resultados das eleições, ainda para mais num regime que não reconhecem como legítimo, perturbar o sentimento de posse que a ciência da História lhes concedeu? Realmente, isto da propriedade privada é um descanso.

Assim como os comunistas portugueses convivem tranquilamente com o simulacro de pretenderem derrotar o capitalismo, estando agora especializados na gestão de autarquias a sul do Tejo e na manutenção de uma quota de mercado na Assembleia da República, assim os nossos liberais à portuguesa convivem felizes da vida com um Governo que fez da traição, da mentira e da opressão fiscal o seu modus operandi. O simulacro de liberalismo em que tropeçamos na actual direita imita a cegueira comuna quanto à complexidade do real. Os seus argumentos dão-se à repetição fanática porque não passam de abstracções onde a noção de “Estado” é diabolizada só porque alguma coisa teria de ser diabolizada para aquelas mioleiras conseguirem dar sentido ao que os rodeia. Na posse dessa chave hermenêutica que tudo explica através dos conceitos de subtracção e abandono, a qual não requer uma idade mental superior aos 12 anos para ser assimilada, partem para a cruzada contra o “socialismo” que farejam em proporções moleculares. Mas o que pretendem mesmo é ter os seus amiguinhos, e primos, confortavelmente instalados no Estado.

Comunas e liberalóides no país de Pedro&Paulo, a mesma luta.

Isto na psiquiatria tem nome

Mais: um dos médicos que integraram o júri do concurso de 2000, Luís Cunha Ribeiro, actual presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, viveu desde 2004 num apartamento de Lalanda e Castro. E onde fica esse apartamento? No prédio Heron Castilho, popularizado pelo engenheiro José Sócrates, que foi empregado de Lalanda e Castro na Octapharma entre 2012 e 2014 — e de onde Luís Cunha Ribeiro terá saído já depois da prisão do ex-primeiro-ministro. Questionado pela TVI, Cunha Ribeiro, apesar de ocupar presentemente funções públicas, não apresentou qualquer informação acerca do seu contrato de arrendamento. Talvez Paulo Lalanda e Castro nos queira esclarecer a todos quanto a isso, já que entende que as considerações que sobre ele faço são tão injustas e tão imerecidas.


A questão do plasma português

Nem toda a força é virtude, mas toda a virtude é força

Costa escreveu a primeira de várias cartas dirigidas aos “eleitores indecisos” – PORQUE VOS ESCREVO? – e há que louvar a iniciativa. Todavia, logo de seguida temos de interrogá-la – quem são os eleitores indecisos, e estão indecisos acerca do quê? Colocada nesta amplitude a questão, chegaríamos a variegados tipos de indecisão. Pelo que se diz neste primeiro exercício, o próprio Costa não parece ter uma ideia clara acerca das indecisões que importa desfazer. Isto porque o texto é burocrático e difuso, circunscrevendo os problemas a que pretende responder sem entrar neles. E não respondendo a ninguém sobre coisa alguma. Termina apelando a que o leitor volte no dia seguinte para descobrir se encontra alguma coisa que lhe sirva. Vai bem com o cartaz da fé nascente.

Quem pretende fazer da confiança o valor agregador e inspirador de um projecto político devia estar consciente de que tal acordo conquista-se através de um exercício de força. Confiamos em quem tem força física, mental ou de carácter, mas só quando essas características são exibidas. Se alguém nos pedir para confiarmos em algo que não sabemos se tem, seja força nos braços para nos amparar ou força na vontade para nos proteger, é apenas por relação connosco próprios que eventualmente acedemos ao que nos pedem. Nesse caso, estamos a confiar na nossa intuição ou no mistério de tudo e de todos, não em quem apenas se limitou a convocar a nossa ingenuidade e coragem.

Para estas eleições, no caso de se estar a liderar o PS, ter força implica conseguir explicar ao eleitorado o que se passou para que Portugal tivesse de pedir um resgate de emergência. Foi mesmo por causa de erros na governação socialista, como diz a direita coadjuvada pelo silêncio cúmplice e sectário da esquerda? Se foi, que se assumam esses erros, pois há nisso força admirável. Mas se o partido tem outra explicação, que se refute como se de uma questão de vida ou de morte se tratasse a chicana do adversário, pois nisso igualmente há força, tão mais admirável quão mais convincente for a demonstração das razões próprias. No caso de se estar a liderar o PS, ou qualquer partido da oposição, ter força implica não perdoar à direita o logro eleitoralista de 2011, ainda menos a cultura do ódio que espalharam contra os portugueses assim que subiram ao poder no afã de serem mais alemães do que os finlandeses. Qualquer cedência nesta dimensão da nossa vida política e cívica será uma fatal manifestação de fraqueza. Ter força, para quem se propõe governar o País, implica conseguir exibir as consequências da política do empobrecimento cobardemente aplicada a coberto da invasão estrangeira. Essas consequências medem-se em famílias desfeitas, doenças sem tratamento por falta de dinheiro, doenças mentais por causa do desemprego e das carências, mortes prematuras. Se o empobrecimento efectuado, mais o tentado, não era inevitável, então quem escolheu essa via traiu milhões de cidadãos. Finalmente, quando se tem um ex-líder preso por suspeitas de corrupção, ter força começa por reconhecer que existe um estado de profunda desorientação entre os militantes e simpatizantes do partido a respeito da veracidade dessa suspeita, já para não falar na restante parte da comunidade que não se alimente de calúnias. Compete à liderança, seja ela qual for, tomar uma de duas opções: ou a de abandonar essa multidão à sua confusão desesperante ou a de os conduzir para um terreno onde consigam voltar a levantar a cabeça sem medo dos pulhas. E não é preciso qualquer pronúncia pelo desfecho do processo, bastaria ser convicto no reconhecimento da excepcionalidade do que está a acontecer. Qual destas escolhas será capaz de oferecer mais confiança?

Ainda há tempo para Costa exibir a sua força. Veremos o que os próximos dias trarão neste diálogo com os indecisos.

Est modus in rebus

Há semana e meia, deixei à consideração de quem quisesse participar na discussão o que fazer com a actual paisagem das caixas de comentários, onde 4 ou 5 indivíduos passam à volta de 20 horas por dia a debitarem merda desde há longos meses. O resultado são dezenas, por vezes centenas, de comentários sem interesse nenhum, salvo o interesse folclórico e zoológico. Por mim, tal destino das caixas de comentários não me surpreende nem incomoda, como expliquei. Aliás, até será defensável a ideia de que foram sempre assim, ou que são assim em todo o lado. Se o que acontece aqui no Aspirina, no que aos meus textos diz respeito, não passa de um passatempo, então o que se passa nos esconsos do blogue será ainda mais irrelevante. As caixas de comentários a quem as trabalha, é o lema que perfilho.

Esclareço que neste blogue cada autor faz o que quiser em relação aos comentários que receber, incluindo tendo a opção de recusar abrir a caixa ou de fechá-la a qualquer momento. A política comum é essa de não existirem regras iguais para todos. Este é um meio digital particular, tal qual um jardim de uma casa para onde os donos vão discursar e onde se colocam umas cadeiras que podem ser ocupadas por quem passa na rua. Não é por estarmos de portão aberto, e não se cobrar entrada, que o jardim deixou de ter proprietário ou que as visitas passaram a ter direito ao livro de reclamações.

Acontece que na conversa Se o Aspirina B fosse teu foram apresentadas boas razões para alterar as regras no que às minhas caixas diz respeito. Isto porque a divisão de opiniões, entre aqueles que apelaram a uma moderação e aqueles que saudaram a ausência da mesma, levou-me para a aceitação de que ambos os grupos tinham razões legítimas, primeiro, e que era possível conciliar os dois estilos de participação e seus tão variados gostos, depois. É essa a solução que venho anunciar.

Assim, a partir desta entrada, e valendo só para mim, instituo 24 horas de tolerância zero em cada caixa. Durante esse período, os comentários que não tiverem relação com as questões postas à discussão, ou que não passem de diálogos asininos e egocêntricos, serão apagados e os seus autores sujeitam-se a ficarem com os IPs sob moderação caso insistam em desrespeitar esta regra. Repare-se que continuarão a ter mais de 154 mil caixas de comentários abertas onde poderão despejar a estupidez, ou as hilariantes chalaças, que lhes der na gana (mas dentro de limites últimos que continuarão a existir, onde se incluem calúnias, apelos ao ódio e ameaças com alcance judicial). A intenção é permitir ao grupo que defende a moderação sentir que há um espaço protegido para se tentar outro tipo de interacções que não sejam disfuncionais e infantilóides. Não prevejo que esta medida gere, subitamente, discussões qualificadas nas catacumbas do Aspirina B, podendo até vir a ser a prova de que sem os palhaços não aparecem outro tipo de artistas, mas é justo tentar equilibrar as armas das facções em concorrência pelo espaço em branco.

Evidentemente, qualquer tipo de moderação está destinado a ser um exercício arbitrário e presunçoso. Irei cometer erros, nalguns casos voltando atrás, noutros despertando legítimas indignações que durarão até que o Inferne gele. Será o preço a pagar na falta de um melhor método para chegar ao mesmo fim.

Começa aqui e agora.

Tal como na Ágora

António Guerreiro será – provavelmente ou dentro dos meus limites como leitor distraído – o mais erudito, ecléctico e acutilante crítico português em Portugal. Crítico nesse sentido filosófico, e político, onde o aparato intelectual é usado intencionalmente para introduzir inteligência no espaço público. É ele que escolho para falar da onda de provincianismo que assola neste Agosto a opinião profissionalizada, onde as “redes sociais” aparecem diabolizadas ou fantasiadas. Eis os disparates que este sábio escreveu:

Mas é necessário dizer que todos os partidos e movimentos, não apenas o PS, estão hoje expostos à dimensão anacrónica e quase sempre patética da propaganda política através de cartazes de rua. E a prova está nesse exercício de paródia e carnavalização a que eles estão a ser submetidos nas chamadas “redes sociais” (muito especialmente no facebook). Os cartazes são de um tempo anterior às redes e apresentam-se com uma dimensão ridícula nesta nova ordem cibernética, exibem uma debilidade flagrante perante a nova configuração do espaço público e as formas tecnológicas e digitais de circulação da informação. Ao olharmos hoje para um cartaz, o que vemos irreversivelmente é um cartoon. Os políticos tornaram-se assim personagens de cartoon, ainda que essa condição não os impeça de ganhar eleições. A paródia é a nova política como obra de arte total e os cartazes não são mais do que um vestígio conspícuo da vasta operação paródica. Os partidos que se alternam no poder contratam profissionais da comunicação, esquecendo que os seus belos artefactos vão ser atacados por amadores da comunicação, por um vasto exército de hackers, que é a figura que adquiriu o “povo da rede”. A comunidade de hackers contra os engenheiros dos programas políticos: eis a feição da nova guerra civil em curso. A política está hoje confrontada com novas formas de entropia, já não a entropia como lei natural do sistema, mas uma entropia infernal. As formas tradicionais de crítica, como aquelas que os jornais praticam, começam a parecer inócuas quando comparadas com os efeitos da nova ordem cibernética. Por isso, o jornalismo mais não pode fazer do que recorrer à citação: “A personagem X e o acontecimento Y estão a causar um enorme furor nas redes sociais”. E esta maneira de citar é quase uma confissão de que, tal como os políticos, os jornais não sabem ainda muito bem qual o lugar que ocupam nesta nova ordem.

A nova ordem das redes

O título resume a atrevida tese: há uma nova ordem a condicionar tanto a política como a comunicação social. Qual é o problema com este fogacho? A chatice de o autor apenas conseguir dar uma solitária e inútil informação objectiva acerca das tais “redes sociais”, isso de ter nomeado uma delas como “facebook”. Nada mais nos diz a respeito do seu conhecimento do que se passa por lá, nessas poderosíssimas redes que conseguiram pôr em fanicos dois paradigmas centenários, o dos cartazes e o das notícias. O seu argumento, portanto, sustenta-se em pressupostos que não se oferecem à validação.

Começando pelo princípio, estava com a ideia de que os políticos foram invariavelmente personagens de cartoon. Desde que há políticos. Ou seja, ao longo de todo o século XX. E ao longo de todo o século XIX. E começando logo pelas comédias gregas, aparecidas um bocadinho antes da descoberta da electricidade. Pelo que estar a anunciar o advento da era da paródia talvez seja excesso de cafeína. E atalhando já para o fim, estar a descrever a livre escolha do jornalismo pela criação de um conteúdo que rotula de “redes sociais” como sintoma de um abalo nas redacções é caso para dizer ao António que deve largar o vinho. Quando nos blocos informativos se apresentam citações cuja fonte é o Facebook, ou o Twitter, não existe qualquer avaliação do alcance mediático dessas peças no seu ecossistema de origem. E há boas razões para tal, é que os números são irrelevantes. Pelo que são os jornalistas quem decide o que merece ser catalogado como “furor”, consagrando com a sua exposição nos meios de comunicação profissionais o que de outra forma não teria qualquer influência mensurável em termos demográficos. Os jornalistas, pois, imitam o Guerreiro naquilo que fica como uma construção fantasiosa para daí se obterem pretextos, contextos e subtextos ao serviço das agendas próprias.

Acima de tudo, e este ponto revela a completa inexperiência do autor acerca do assunto que pretensamente estaria a analisar, uma das principais características do consumo de informação nas “redes sociais” reporta aos mecanismos de conformismo e esquecimento. A gozação com os políticos não equivale sequer à sátira, pois esta implica um mínimo de sofisticação intelectual, quanto mais a um protesto político. Precisamente ao contrário, o que os parodiantes digitais estão a expressar é a sua passividade e impotência perante os poderes fácticos – seja fruto da imaturidade, da iliteracia ou da frustração. O que eles pretendem é apenas a recompensa de se imaginarem parte da política-espectáculo. O prémio é aparecerem nos espaços de informação tradicionais, devidamente domesticados. A contínua e opressiva circulação de conteúdos, por sua vez, implica ser capaz de os esquecer cada vez mais rapidamente. O resultado é o esgotamento da atenção e o atrofiamento cognitivo. E a inevitável fuga.

Dizer que os cartazes políticos são anacrónicos do ponto de vista mediático e tecnológico é o equivalente a dizer-se que os sinais de trânsito deviam ser substituídos por avisos no telemóvel. Só porque todos temos telemóvel, seria a lógica. Ora, o que está em causa num cartaz, seja qual for o seu tamanho ou suporte físico, é o conteúdo, a mensagem, o grito. Os cartazes são bandeiras. E as bandeira simbolizam quem é o líder e o que quer. Acaso alguma vez se fará política sem líderes, sem bandeiras e sem mensagens? Se não, então o cartaz terá sempre o mesmo poder da liderança política que representa. Se transmitir o que interessar, as “redes sociais” serão o seu melhor aliado. Tal como na Ágora, sem tirar nem pôr.

Revolution through evolution

How others see our identity depends on moral traits, not memory

Tall, masculine men aged around 35 years old perceived to be most dominant

Modern parenting may hinder brain development, research suggests

Anxious? Depressed? Blame it on your middle-management position

Patients with immediate medical needs tend to perceive doctors as emotionless, study finds

Will the pronoun I become obsolete? A biological perspective

No short cuts: innovation work is about presence, ordinary labour

Continuar a lerRevolution through evolution

A economia, segundo o sr. Araújo e o sr. Anacleto

Francisco Louçã e Ricardo Araújo Pereira partilham com os direitolas um gosto em comum, pelo menos um: adoram expor nos seus artigos, ou trazer à colação, uma peça da campanha do PS em 2005 onde se coloca como objectivo recuperar 150 mil empregos. O prazer lúbrico de uns e outros com a mensagem resultará de não se ter atingido esse número de novos empregos ao se chegar a Setembro de 2009. Daí o gozo. Imarcescível gozação, até para estas duas luminárias da esquerda que teclam com as dedinhos imaculadamente limpos.

Há aqui um mistério. Ou um enigma. Ou não. É que – assumindo a validade dos princípios de identidade, de não-contradição e do terceiro excluído – deveríamos ter no Louçã e no Ricardo dois dos mais fervorosos apoiantes dessa proposta política. Quando muito, o seu desagrado seria relativo à timidez da ambição. Ter uma força política a prometer usar os poderes governativos para aumentar o emprego leva a pensar que, muito provavelmente, estamos perante socialistas, no mínimo social-democratas daqueles à antiga. No entanto, a brilhante dupla acha que o falhanço dessa meta deve ser celebrado e transformado em arma de arremesso contra o partido que a formulou. A ambiguidade que espalham é a de que esse número não passou de uma mentira ou, pior, que nunca deveria ter sido publicitado.

Não sei quais são os conhecimentos de economia do Ricardo. Talvez sejam extraordinários, como é o seu humor. Já sobre o Louçã não há a mínima das dúvidas, é uma das carolas que mais pesca de economia na terriola. Porém, mesmo que o Ricardo não esteja em condições de começar já em Setembro como assistente numa faculdade de Economia, igualmente ninguém põe em causa a alta qualidade do seu tecido neuronal. Podem formar uma parelha de luxo no campo da intelligentsia. Pelo que estou disposto a subir a minha parada usual dos 10 euros e chegar-me à frente com 12 euros e 30 cêntimos. É esse o valor que lhes pagarei se o Louçã e o Ricardo responderem a estas 3 perguntas:

– Quantos dos 150 mil empregos indicados como meta foram alcançados nessa legislatura?

– Quais as razões que impediram esse objectivo?

– Sem os factores que impediram o objectivo, e mantendo-se a conjuntura económica como estava antes dessa influência, quantos empregos teriam sido criados até finais de 2009?

Entretanto, Costa voltou a conseguir abrir bocas de espanto ao aparecer com uma meta de 207 mil empregos a criar, só para no dia seguinte estar na prática a demarcar-se desse desígnio. O que começou por ser uma afirmação de coragem e uma mensagem finalmente relevante para o eleitorado, porque tangível e crucial, foi de imediato transformada numa mistela que apenas consegue aumentar a confusão acerca do que o PS pretende fazer com o Governo nas mãos. Salva-se o futuro aproveitamento que o sr. Araújo e o sr. Anacleto farão do episódio pelos anos afora.

Exactissimamente

Na leitura antiga da ordem internacional, que era vigente antes do globalismo anárquico em que nos encontramos, a declaração do Estado Islâmico sobre a sua ambição terrorista seria lida como uma declaração de guerra. A fixação no caminho único da política orçamental europeia em curso seria então pelo menos acrescentada com a rubrica da imprevista exigência de resposta à declaração de guerra.


O Estado Islâmico

O poder da assinatura

No reino da publicidade, os redactores ocupam um lugar à parte. São aqueles que têm a tarefa mais fácil, ou mais confortável, ou até mais alucinada. Acham que o poder do verbo cria mundos; no mínimo, move montanhas. Daí, numa ilustre tradição entretanto perdida neste século com a chegada da Internet e sua imparável fragmentação e efemeridade comunicacional, os copywriters gostarem tanto das assinaturas (ou seja, dos slogans, taglines, straplines, etc., numa nomenclatura algo difusa e geograficamente distinta). Tal como se entende pelo referente, uma assinatura publicitária é uma frase com um número de palavras variável (uma, pelo menos) que passa a acompanhar o logótipo da marca em causa, ou que pode ser destacada como mensagem principal em certos meios e contextos (tornado-se título ou headline, mas também remate de um bloco de texto, de uma locução ou filme). Pretende-se, pois, única e pilar de uma certa identidade, ou voz, dessa marca pelo tempo em que for usada.

A assinatura é sempre um exercício de síntese extremada. Obedece às mesmas regras da criação de provérbios e máximas, dependendo da sua capacidade para serem sugestivas e memoráveis o sucesso que terão. Sucesso que, no seu grau mais elevado, é medido pela sua inscrição na cultura popular; não podendo haver orgulho maior do que ver uma assinatura tornar-se parte da herança histórica de uma dada sociedade. É um misto de vaidade literária, sociológica e antropológica. Por outro lado, cada assinatura é uma narrativa cuja história final se concretiza na relação que o leitor fizer entre as palavras e a marca respectiva. Isso quer dizer que a narrativa depende de mínimos de coerência lógica para ser operativa. Se uma companhia de aviação escolhesse como assinatura “Não temos medo dos acidentes aéreos” é provável que o resultado imediato fosse verem as suas vendas cair a pique. E se uma empresa de telecomunicações tivesse como assinatura “Tudo o que disser poderá ser usado contra si”, provavelmente o negócio teria dificuldades em correr bem. Algumas assinatura são casos de popularidade global, como o “Just do it” da Nike, outras entraram para o panteão dos provérbios, como “An apple a day makes the doctor away“, ou são imagens imortais, como “A diamond is forever“. Em Portugal, ainda é frequente tropeçar no “Queres dinheiro? Vai ao Totta” e derivados, apesar de terem passado décadas sobre o fim da sua comunicação. De O’Neill ficou-nos um provérbio, “Há mar e mar, há ir e voltar”. Ary dos Santos criou a pérola “Cerveja Sagres, a sede que se deseja”. E até Pessoa é recorrentemente lembrado como publicitário graças à assinatura “Primerio estranha-se, depois entranha-se” para a Coca-Cola.

Estas características das assinaturas merecem atenção à luz do fiasco em que se tornou a comunicação do PS nesta campanha. Precisamente quando há dificuldades cognitivas em relação a uma qualquer realidade numa dada audiência, no público-alvo para usar a gíria técnica do marketing, é que as entidades interessadas em difundir mensagens têm de recorrer ao poder de síntese de forma a passar informações relevantes e promover as acções desejadas. No caso, a realidade é o programa do PS que vai a votos nestas legislativas, e a acção é a obtenção do maior número possível de votos. Nesse contexto, e ao contrário da opinião de alguns provincianos, o cartaz é uma peça da maior utilidade e eficácia. Porque obriga a excluir e seleccionar. Obriga a descer ao nível da desorientação e desatenção daqueles a quem se dirige. Eis a sua arte, conseguir que uma ideia atravesse um campo de minas cercado de snipers e a ser bombardeado por artilharia e pela aviação. A ambição do cartaz, o qual funciona com as mesmas características em meio digital, não precisa de ir mais além, basta-lhe ser ouvido interiormente por aquele com quem se quer falar.

No caso do PS, e esquecendo a sucessão de problemas, temos como assinatura o “Alternativa de confiança”. Desafio qualquer um a dar a sua opinião sobre a sua eficácia e a fazer uma assinatura melhor. No final, apresentarei a minha sugestão.

Uma certeza absoluta provisória

Tirando Sócrates, não existe mais ninguém em Portugal que defenda a tese de que ele foi preso para impedir o PS de ganhar as legislativas. Nem figuras com acesso à comunicação social profissional, nem essas mesmas figuras usando redes sociais. Nem o bravo do Garcia Pereira. Acho que nem sequer o João Araújo, calhando ser empurrado pela Tânia Laranjo contra uma parede, diria tal. E de cada vez que Sócrates a repete, pois já a disse várias vezes, cresce a impaciência, o desinteresse, o desprezo na maralha que produz opinião.

Realmente, como acreditar em tal? Primeiro, é inconcebível que Rosário Teixeira e Carlos Alexandre sequer se permitissem sonhar com isso. Inconcebível neste sentido de ser algo que ultrapassa o bom senso com que todos somos dotados. Depois, Sócrates ficou ferido na sua credibilidade com a exposição de parte da sua vida privada no que à dimensão financeira diz respeito. Ferido neste sentido em que nem mesmo a manutenção da sua inocência no plano judicial o iliba de uma censura moral variável consoante o ódio ou a estima que cada um lhe tenha. A tese é estrambólica e o denunciante é parte interessada, não cola.

Ora, a menos que Sócrates tenha enlouquecido, ele consegue perceber que o efeito das suas palavras não tem sido o de lhe aumentar os fãs. Ao seu grito de exasperada revolta responde uma comunidade onde até o seu partido reage esfingicamente, como se não fosse nada com ele. Como se fosse apenas mais um caso de Justiça, como outro qualquer. Daí a repetição automática, vítrea, do estribilho “à Justiça o que é da Justiça” – embora ninguém esteja a questionar esse princípio. Uma das raríssimas vozes simpáticas para com a sua situação, a de Miguel Sousa Tavares, chegou ao ponto de lhe pedir para se calar. Foi em Junho, aquando da declaração de recusa da pulseira electrónica, e o Miguel recordou na segunda-feira passada as suas próprias palavras, congratulando-se por ver o seu conselho a ser seguido. Deu azar.

Pois bem, Sócrates enlouqueceu? Se sim, os seus advogados também. E todo e qualquer um que se espante com a facilidade com que se abre um processo sem provas contra um ex-primeiro-ministro em cima de umas eleições, sabendo-se que a sua constituição como arguido iria inevitavelmente condicionar esse período eleitoral e os respectivos resultados. Sabendo-se que a sua prisão seria um choque histórico que deixaria o PS limitado na sua acção política. Porém, Sócrates pode apenas estar a mentir. Como tantos criminosos antes dele fizeram e depois dele farão. Nesse caso, o Ministério Público vai apresentar provas da corrupção, da lavagem de dinheiro e da fraude fiscal. E, como a corrupção terá de ter envolvido mais cúmplices no Governo, o processo ainda vai levar muito tempo pois ainda terão de ser apanhados pela ramona e, consequentemente, seria um disparate ver a Justiça libertar Sócrates pois ele desataria imediatamente a correr para destruir pistas e evidências espalhadas um pouco por todo lado. Pelo menos, é esse o filme que nos têm vendido desde Novembro de 2014, com trailer em Julho desse ano.

Concluindo e resumindo, não se podendo ter a certeza se Sócrates enlouqueceu ou se está a mentir, de uma outra coisa temos a certeza absoluta, mesmo que provisória: o único resultado relevante vindo a público até hoje, depois de não sei quantos meses de investigações, escutas, interrogatórios e devassa da privacidade dos arguidos e terceiros, é o de estarmos perante uma prisão política. Isto é, uma prisão cuja dimensão política surge como elemento principal pelo seu aproveitamento desvairado em prejuízo do PS.

Milhões

Judite - Embora o valor que se tenha falado, enfim, que se andou aí a falar, fosse um valor de milhões, e não de 600 mil euros...

Marcelo - Por isso é que a notícia dizia que era um começo de pagamento...

Fonte

__

Ontem, a Judite lançou o tema do apartamento de Sócrates vendido a Makhdoom Ali Khan pelo lado da suspeição a respeito do comprador. Marcelo não se entusiasmou com isso, pois era chão sem uvas, e rapidamente estava a expressar a sua preocupação com a eventualidade de a acusação ficar fragilizada caso Sócrates usasse o dinheiro recebido para pagar os empréstimos concedidos por Santos Silva. A atitude da Judite, do princípio ao fim, foi de ostensivo gozo, transmitindo a mensagem de considerar a versão dos empréstimos uma mentira e, quiçá, não se importando nada que este paquistanês passasse a vedeta do Correio da Manhã e do Sol. E conseguiram juntos chegar ao ponto que o diálogo citado documenta. Uma profissional da comunicação social, presumo que com carteira de jornalista, e um prestigiado professor e consultor de Direito, uma das mais famosas e influentes personalidades públicas e políticas, foram para uma estação de TV líder de audiências, num dos programas com maior popularidade na televisão portuguesa, espalhar como facto que Sócrates deve milhões a Santos Silva. A partir de que informações? Não as da defesa do arguido, as quais nunca admitiram tal, nem as das declarações de Sócrates. Terão acesso ao processo e andaram a somar as parcelas? Se não têm, como se permitem tomar partido abertamente pelo lado da calúnia?

Não é especialmente custoso o exercício de perceber as vantagens para a direita de terem em diferentes graus de cumplicidade, variando ao longo do tempo e consoante os órgãos em causa e suas direcções respectivas, o grupo Renascença, o grupo Impresa, o grupo Cofina, a Newshold, a Media Capital e a Sonae, a que se veio juntar o Observador. Que sobra no ecossistema mediático nacional? E, do que sobra, que pode ser associado aos interesses do PS, fossem eles quais fossem? Nada de nadinha de nada. Já quanto aos interesses da direita, que se resumem a ter acesso ao poder, a luta consiste em desgastar e apoucar o PS, protegendo PSD e CDS. É só isto, é básico, e faz-se através do afastamento do debate político tomado como confronto de projectos de governação, substituído pela promoção da perseguição e ostracismo moral. Daí a existência de uma indústria da calúnia, com produção diária ao longo dos anos, e também a cultura do ódio, cujas raízes antropológicas fazem parte da matriz conservadora (seja esta de direita ou de esquerda) e que atingiram um nível de violência mediática nunca antes visto de 2008 a 2011.

O caso de Marcelo é paradigmático do radical desequilíbrio entre as agendas de direita e do PS, cenário instituído como normal desde os anos 90. De notar que a esquerda pura e verdadeira tem sido muito bem tratada pela direita, dado terem o mesmo inimigo em comum. O PCP está satisfeitíssimo da vida com o papel de capitalista maioritário e GNR das manifestações dos trabalhadores e do povinho, garantindo que elas ocorrem com soviética organização e respeito estalinista pela integridade das montras dos burgueses. O BE, enquanto durou a fantasia, tinha as suas vedetas mediáticas como coqueluches dos espaços de informação política, onde deram o seu melhor não no ataque à direita mas ao PS, alinhando invariavelmente com a estratégia laranja do derrube de Sócrates pela via moral. Ora, o lugar que Marcelo ocupa subsome este mapa de regiões centrais e limítrofes, pontos baixos e altos, zonas férteis e agrestes. Ele é a prova falante de que é possível vender como espaço de opinião política um formato de entretenimento, ao mesmo tempo que se vende como entretenimento o que é propaganda política. Na prática, existe há 15 anos um tempo de antena semanal, no horário nobre da TV portuguesa, sem rival sequer aproximado pela base. E devido aos dotes superlativos de comunicador, a forma como a política é reduzida à psicologia de café e à intriga telenovelesca favorece com estupenda eficácia a dissolução do político no moral. Também isto é populismo, sofisticado e pronto a mastigar por uma audiência universal.

Quantos milhões acham Judite e Marcelo que Sócrates deve a Santos Silva? Não quantificaram, até porque deixar o número no ar permite que a imaginação de cada um o leve para onde lhe apetecer, mas não erraremos por muito se dissermos que para eles Sócrates deve tantos milhões quantos o Correio da Manhã decidir. Qualquer coisa como 30, ou 17, ou 25. Tanto faz. Milhões. Se deve, gastou. Ou talvez nem precise de ter gastado. Pode dever por antecipação. Deve só porque eles estão numa conta do Santos Silva. E tudo o que pertença a Santos Silva está destinado a ser emprestado a Sócrates. Ou só naquela conta, como parece suspeitar a acusação. E, se estão naquela conta, então esse dinheiro é de Sócrates. E Sócrates, afinal, não deve nada, está só a fingir para ver se escapa ao chicote. Eis a única explicação possível para esta coisa tão estranha de ver amigos ricos a emprestar dinheiro a amigos, transmitem Marcelo e Judite aos outros milhões. Os milhões que dão sentido ao quotidiano político, e decidem o seu voto ou a sua abstenção, acreditando em quem tão sistemática e divertidamente espezinha a honra de vários concidadãos e de um partido.

Revolution through evolution

Stomach is the way to a woman’s heart, too
.
Male doctors are more likely to have legal action taken against them
.
Out-of-home activities may promote older persons’ physical activity
.
Parents’ math anxiety can undermine children’s math achievement
.
Work, pedal, and be happy
.
Trans fats, but not saturated fats like butter, linked to greater risk of early death and heart disease
.
Research examines relationship between autism and creativity
Continuar a lerRevolution through evolution