Est modus in rebus

Há semana e meia, deixei à consideração de quem quisesse participar na discussão o que fazer com a actual paisagem das caixas de comentários, onde 4 ou 5 indivíduos passam à volta de 20 horas por dia a debitarem merda desde há longos meses. O resultado são dezenas, por vezes centenas, de comentários sem interesse nenhum, salvo o interesse folclórico e zoológico. Por mim, tal destino das caixas de comentários não me surpreende nem incomoda, como expliquei. Aliás, até será defensável a ideia de que foram sempre assim, ou que são assim em todo o lado. Se o que acontece aqui no Aspirina, no que aos meus textos diz respeito, não passa de um passatempo, então o que se passa nos esconsos do blogue será ainda mais irrelevante. As caixas de comentários a quem as trabalha, é o lema que perfilho.

Esclareço que neste blogue cada autor faz o que quiser em relação aos comentários que receber, incluindo tendo a opção de recusar abrir a caixa ou de fechá-la a qualquer momento. A política comum é essa de não existirem regras iguais para todos. Este é um meio digital particular, tal qual um jardim de uma casa para onde os donos vão discursar e onde se colocam umas cadeiras que podem ser ocupadas por quem passa na rua. Não é por estarmos de portão aberto, e não se cobrar entrada, que o jardim deixou de ter proprietário ou que as visitas passaram a ter direito ao livro de reclamações.

Acontece que na conversa Se o Aspirina B fosse teu foram apresentadas boas razões para alterar as regras no que às minhas caixas diz respeito. Isto porque a divisão de opiniões, entre aqueles que apelaram a uma moderação e aqueles que saudaram a ausência da mesma, levou-me para a aceitação de que ambos os grupos tinham razões legítimas, primeiro, e que era possível conciliar os dois estilos de participação e seus tão variados gostos, depois. É essa a solução que venho anunciar.

Assim, a partir desta entrada, e valendo só para mim, instituo 24 horas de tolerância zero em cada caixa. Durante esse período, os comentários que não tiverem relação com as questões postas à discussão, ou que não passem de diálogos asininos e egocêntricos, serão apagados e os seus autores sujeitam-se a ficarem com os IPs sob moderação caso insistam em desrespeitar esta regra. Repare-se que continuarão a ter mais de 154 mil caixas de comentários abertas onde poderão despejar a estupidez, ou as hilariantes chalaças, que lhes der na gana (mas dentro de limites últimos que continuarão a existir, onde se incluem calúnias, apelos ao ódio e ameaças com alcance judicial). A intenção é permitir ao grupo que defende a moderação sentir que há um espaço protegido para se tentar outro tipo de interacções que não sejam disfuncionais e infantilóides. Não prevejo que esta medida gere, subitamente, discussões qualificadas nas catacumbas do Aspirina B, podendo até vir a ser a prova de que sem os palhaços não aparecem outro tipo de artistas, mas é justo tentar equilibrar as armas das facções em concorrência pelo espaço em branco.

Evidentemente, qualquer tipo de moderação está destinado a ser um exercício arbitrário e presunçoso. Irei cometer erros, nalguns casos voltando atrás, noutros despertando legítimas indignações que durarão até que o Inferne gele. Será o preço a pagar na falta de um melhor método para chegar ao mesmo fim.

Começa aqui e agora.

25 thoughts on “Est modus in rebus”

  1. Caro Valupi,

    Desde o momento em que se tornou evidente que há quem aqui comente apenas para evitar que outros o façam e debatam, penso que ninguém de boa fé o pode acusar de censura. Com tão poucos foruns de esquerda, a captura do aspirina pela contra-informação da direita caceteira estava a tornar-se uma desilusão. Portanto, só tenho é que o cumprimentar pela iniciativa.

  2. LOL
    Esse coment supra foi perfect no timing .
    Só discordo numa coisa, o ban temporario devia ser por nick e não por Ipelho.

  3. e também há posts ironicos que desde que não sejam ofensivos para ninguém, são inofensivos, i.e., inócuos, mas há tantos comentários que são tão hollow que mais vale um irónico que um ocónico.
    Ora, nessa medida, certos comentários irónicos até serão enriquecedores, senão até, apaziguadores.

  4. Muito bem, parece-me uma solução ecológica: não mata os percevejos mas limpa a porcaria que eles aqui vão deixando.

  5. Muito bem. Aceito as regras do jogo.
    E já agora que cada um tenha a lealdade de usar apenas um nome, seja ele o seu verdadeiro nome ou um pseudónimo, mas que não ande aqui a falar consigo próprio para fingir que é “muita gente”.
    Isso, claro, o Valupi também está em condições de administrar.

  6. e ainda dentro da temática já agora, e porque foi perguntado quais os temas que gostariamos ver abordados, para não ser sempre a política partidária, que só dá azo a irritações, porque não discutir a reforma do Estado, que é supra-partidária e transversal ?
    Por exemplo, eu não entendo porque havemos de ter mais almirantes que navios de guerra.
    Aliás, sendo um Almirante o comandante de uma frota e tendo nós à volta de 40 navios no total, bastava um. Depois haveria um sub-Almirante.
    Sinceramente não estou a ver um Almirante a chefiar um barco patrulha.
    A mesma coisa para os quarteis.
    Há mais Coronéis que quarteis.
    A reforma tem que começar por algum lado.
    E se não puder ser pelas coisas concretas, ao menos que seja pela imaginação.
    Seja como for,
    Tudo pelo Blog. Nada contra o Blog.

  7. Totalmente de acordo Valupi. Há muito que vinha defendendo esta tese. Não me dou com certo tipo de gente. Por isso o meu isolamento quanto a comentários por que consultar o Aspirina B é diário.

  8. Sei. Devia ter tomado a atitude há muito mais tempo, a começar por avisar quem desatasse a ofender quem manifestasse uma opinião contrária. Foi o que sempre lhe disse, Valupi. Há aqui pessoas que nos podem ensinar muito. Essas, directas, frontais são precisamente as que foram insultadas com comentários fora de contexto ao post e repito o que disse no post “se o ASPIRINA fosse teu”, o Valupi nada fez. Agora vem queixar-se outra vez ou diverte-se a fazer isto. Sei lá.

  9. De acordo com o Manuel Pacheco. Venho cá ler os posts e quanto aos comentários leio um sim, dez não. Desde que isto se transformou no recreio de um lar de terceira idade para gajos mal educados que não há pachorra para ler tudo. Mas isto sou eu, que tenho mau feitio.

  10. Se a (boa) intenção do Valupi se vier a concretizar terei muito gosto em começar a debater, de forma séria, neste fórum. E, sobretudo, a aprender com boa gente que por aqui anda.

  11. … ainda que fora de tempo e sujeitando-me a ser chicoteado com ramos de silvas (pra que conste tem a ver com o facto de já que estamos em época de amoras)…
    … proponho que diariamente publiques um artigo para deboche do people e que sirva para a masturbação pública (ía dizer ejaculação mas seria um termo de cariz marcadamente fálico, sexualmente incompleto e biologicamente questionável)
    Deveria ser assim com um títalo extremamente violento tipo “ai flores do verde piño” ou “descalça vai para fonte” ou mesmo “meus senhores eu sou a água” …mas, atendendo ao estilo que vem sendo dominante poderia chamar-se “vaselina” ou “fornicações e estados de alma”

  12. ‘tava a ver que não chegavas lá….
    Mas já vi que o cegueta e a mal baisé continuam. É o que se pode chamar uma volta de 360 graus.
    Acho que ainda não é desta, …passo.

  13. eu sempre tive a opinião que o “Aspirina” valia incomparavelmente mais pelos posts que pelos comentários… o que levava a ignorar completamente alguns “comentadores”…mas existem comentadores de excelente nível, que não restem dúvidas… mas se há que tomar decisões, acatem-se, que é um exercício que compete ao autor…

  14. Valupi.
    Não posso deixar de te fazer uma pergunta muito directa.
    Dados certos comentários que têm perseguido a minha intervenção aqui, dadas mesmas as permanentes provocações que, sempre que eu abordo um tema cingido ao seu conteúdo e certos comentadores não gostam, arrastam os comentários para personalizações que não procuro mas não temo, dadas as reclamações de dados comentadores que tentam atribuir-me a culpa disso, pergunto-te:
    Isto é ou também é para mim?
    Sendo o caso queres que eu me vá embora?

  15. Na minha opinião, houve demasiada complacência com o comentário ordinário, ofensivo e até fascistóide, porque verdadeiramente intencional. Em democracia não pode valer tudo, não se pode aceitar aceitar tudo. Como o Valupi, se percebi bem, fala só por si, não pelo Aspirina B, e com limites, penso que a situação, em parte, se vai manter. Lamento: problema meu. naturalmente.

  16. Não pode haver condescendência com as arrastadeiras que,
    nalguns casos são bem pagas pelo “serviço”! Só peca por tardia!!!

  17. Caro Valupi. Sugeria lhe uma coisa. Nao de espaco a comentarios. Ha pessoas aqui a escreve los todos os dias que me enojam. Sobretudo duma pessoa que utiliza este espaco para defesa sectaria de corporativismos nada democraticos.

  18. Concordo muito coa decisão/norma.
    Dois conselhos para companheiros/ comentadores. Os comentarios muito extensos não são lidos, ou só se lé um bocado. A ironía, a brincadeira, dão animação e vida o blog, tendo em conta que não se pode abusar do comentario endogámico de amiguinhos/inimiguinhos. Se a ironía consegue que toda a malta participe então e que é suceso. Eu entendo os comentarios em relação o post, senão é estrumeira e falar por falar.
    Gosto de que o comentador use sempre o mesmo nick ou seu nome. Ou seja uma identificação permanente, não andar a fazer trocos ou nicks inventados para cada momento, ou nicks de frases que ja identificam o pensamento do que vai dizer. Acho que iso ajuda à fazer da caixa um lugar de discusão productiva.
    O blog mantêm muita vitalidade e os posts seguem sendo atractivos , tal como o demostra os muitos visitantes como por cá pasamos.

  19. Valupi, estive quase uma semana sem ligar o garrafão electrónico e, quando o fiz, li os posts mais recentes, pelo que só agora cheguei a este. Já tinha notado uma aparente alteração na virulência dos energúmenos de serviço, que o meu optimismo patológico se atreveu a atribuir a uma tomada de consciência da triste figura que faziam. Afinal, parece que só mudaram de registo por medo de serem banidos, mas enfim, sempre é melhor do que nada.

    A medida parece-me equilibrada, pelo menos muito melhor do que a rédea solta que transformou a caixa de comentários numa sarjeta que afastou daqui muita gente decente. A ver vamos como funciona na prática.

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