Nem toda a força é virtude, mas toda a virtude é força

Costa escreveu a primeira de várias cartas dirigidas aos “eleitores indecisos” – PORQUE VOS ESCREVO? – e há que louvar a iniciativa. Todavia, logo de seguida temos de interrogá-la – quem são os eleitores indecisos, e estão indecisos acerca do quê? Colocada nesta amplitude a questão, chegaríamos a variegados tipos de indecisão. Pelo que se diz neste primeiro exercício, o próprio Costa não parece ter uma ideia clara acerca das indecisões que importa desfazer. Isto porque o texto é burocrático e difuso, circunscrevendo os problemas a que pretende responder sem entrar neles. E não respondendo a ninguém sobre coisa alguma. Termina apelando a que o leitor volte no dia seguinte para descobrir se encontra alguma coisa que lhe sirva. Vai bem com o cartaz da fé nascente.

Quem pretende fazer da confiança o valor agregador e inspirador de um projecto político devia estar consciente de que tal acordo conquista-se através de um exercício de força. Confiamos em quem tem força física, mental ou de carácter, mas só quando essas características são exibidas. Se alguém nos pedir para confiarmos em algo que não sabemos se tem, seja força nos braços para nos amparar ou força na vontade para nos proteger, é apenas por relação connosco próprios que eventualmente acedemos ao que nos pedem. Nesse caso, estamos a confiar na nossa intuição ou no mistério de tudo e de todos, não em quem apenas se limitou a convocar a nossa ingenuidade e coragem.

Para estas eleições, no caso de se estar a liderar o PS, ter força implica conseguir explicar ao eleitorado o que se passou para que Portugal tivesse de pedir um resgate de emergência. Foi mesmo por causa de erros na governação socialista, como diz a direita coadjuvada pelo silêncio cúmplice e sectário da esquerda? Se foi, que se assumam esses erros, pois há nisso força admirável. Mas se o partido tem outra explicação, que se refute como se de uma questão de vida ou de morte se tratasse a chicana do adversário, pois nisso igualmente há força, tão mais admirável quão mais convincente for a demonstração das razões próprias. No caso de se estar a liderar o PS, ou qualquer partido da oposição, ter força implica não perdoar à direita o logro eleitoralista de 2011, ainda menos a cultura do ódio que espalharam contra os portugueses assim que subiram ao poder no afã de serem mais alemães do que os finlandeses. Qualquer cedência nesta dimensão da nossa vida política e cívica será uma fatal manifestação de fraqueza. Ter força, para quem se propõe governar o País, implica conseguir exibir as consequências da política do empobrecimento cobardemente aplicada a coberto da invasão estrangeira. Essas consequências medem-se em famílias desfeitas, doenças sem tratamento por falta de dinheiro, doenças mentais por causa do desemprego e das carências, mortes prematuras. Se o empobrecimento efectuado, mais o tentado, não era inevitável, então quem escolheu essa via traiu milhões de cidadãos. Finalmente, quando se tem um ex-líder preso por suspeitas de corrupção, ter força começa por reconhecer que existe um estado de profunda desorientação entre os militantes e simpatizantes do partido a respeito da veracidade dessa suspeita, já para não falar na restante parte da comunidade que não se alimente de calúnias. Compete à liderança, seja ela qual for, tomar uma de duas opções: ou a de abandonar essa multidão à sua confusão desesperante ou a de os conduzir para um terreno onde consigam voltar a levantar a cabeça sem medo dos pulhas. E não é preciso qualquer pronúncia pelo desfecho do processo, bastaria ser convicto no reconhecimento da excepcionalidade do que está a acontecer. Qual destas escolhas será capaz de oferecer mais confiança?

Ainda há tempo para Costa exibir a sua força. Veremos o que os próximos dias trarão neste diálogo com os indecisos.

69 thoughts on “Nem toda a força é virtude, mas toda a virtude é força”

  1. Não acredito, Valupi, que o Costa seja capaz de um “rasgo” dessa força. No meio de uma campanha onde, para a direita, vale absolutamente tudo, como perseguir e prender os adversários, Costa aparece de fato e gravata aos beijinhos aqui e ali. Bem à maneira tradicional, como se vivêssemos tempos normais na justiça, na Presidência da República e na comunicação social. Costa é exactamente aquele Seguro, quero dizer, aquele Costa que a direita almejava. Um cordeirinho. Uma ressalva: eu admiro Costa como governante, e não tenho a mínima dúvida que ele daria um excelente PM. Mas até parece que não quer chegar lá.

  2. Valupi,

    Na tua opinião, e tendo em conta o momento do campeonato em que nos econtramos, para que servem mesmo as exigências de perfeccionismo que fazes com toda a legitimadade ao PS? Será que irão ajudar a conseguir uma alternativa de esquerda ou a manter a coligação de direita ? Como é óbvio a minha pergunta é retórica, e já percebeste o que penso. Mas confesso que me confundem as tuas motivações, pois não tenho duvidas que tb tu sabes que na governação, como num casamento, a felicidade não se pre-contratualiza, constroi-se no dia a dia. Portanto, não seria melhor investires as tuas energias na tarefa de ajudar o PS a derrotar a direita e deixares para depois as criticas e as exigências que entendas fazer ?

  3. rodrigues, o costa já respondeu a isso referindo-se ao pacheco pereira: “Mas digo-lhe que Pacheco Pereira, pela sua própria natureza, nunca estaria em nenhum Governo que ele não pudesse derrubar no momento a seguir.”
    agora é só substituir pacheco pereira por valupi e tá feito.

  4. Concordo consigo Valupi, porém …
    O campeonato já está quase no fim, e agora já não há tempo para voltar àquilo que Costa deveria ter feito há 9 meses atrás, quando viu um ex-PM do PS ser preso sob imputações gravíssimas, e não fez !!!
    Menos ainda há tempo para voltar 3 anos atrás quando António José Seguro estava a fazer asneira porque não fazia oposição e António Costa demorou uma eternidade a avançar para derrubar uma liderança que estava a ser absolutamente corrosiva para o futuro do PS (como agora se vê). Já nessa altura teve de ser praticamente empurrado para avançar, e sabemos por quem.

    Sendo assim estou como diz o Rodrigues, e que é qualquer coisa do tipo:
    – Não perguntes ao António Costa o que é que ele pode fazer para ganhar estas eleições e te ajudar a derrubar este governo e estas políticas assassinas da Democracia e do Estado Social,
    – Pergunta antes a ti próprio o que é que tu podes fazer para ajudares o António Costa a conseguir esse objectivo.
    Acho que chegou a hora dos que já estão decididos arregaçarem as mangas e AJUDAREM O ANTÓNIO COSTA A GANHAR AS ELEIÇÕES em vez de engrossarem o coro das críticas.

    Na minha cabeça as prioridades estão assim ordenadas:
    1º DERRUBAR ESTE GOVERNO
    Como não sou anarquista sei que para o fazer é preciso ELEGER OUTRO GOVERNO, logo é preciso AJUDAR O PS A GANHAR AS ELEIÇÕES.
    2º Depois de eleger o PS do António Costa então será o tempo de arrumar a casa, para que seja possível salvar O PAÍS ! nessa altura todas as exigências deverão ser feitas, não agora. Já não é o momento e ainda não é o momento. Não sei se me fiz entender.

  5. JRodrigues, vai por aí uma colossal confusão. Não sou militante nem simpatizante do PS. Nem vou votar PS nestas legislativas. Por que raio me iria inibir de pensar e ser livre só porque tu pretendes que o PS vença as eleições?

    Pata além disso, é ridículo estares a atribuir ao que escrevo neste blogue qualquer influência seja no voto de quem for. Tem juízo.

  6. Ah bom, ainda bem que clarificou a sua situação Valupi.
    Assim já se percebe melhor a razão de tanto “malhanço” na única alternativa possível para derrubar este governo.
    O Valupi faz parte da coligação negativa. Resta saber se pende para a direita ou se pende para a esquerda. Seja como for é indiferente porque ambas as facções foram dar (e vão continuar a dar) ao mesmo sítio: A DIREITA RADICAL E NEOLIBERAL com poder absoluto e licença de caça para perseguir todos os que se atrevam a tentar uma alternativa ao “caminho único”.

    Eu para esse peditório não dou.
    QUATRO ANOS desta patifaria JÁ CHEGAM !

  7. pois eu não posso estar mais de acordo com o corpo do título – e com este último, então, ah! não é com novelos de linha que se estendem que as cartas se fazem chegar com emoção, com a emoção da conquista. com novelos de linha faz-se crochet, rendilha-se. porque só a verdade atrai a confiança.

    e depois queria deixar uma chamada de atenção para a pontuação, vírgulas erradas, que Costa utiliza – os seus textos precisam de revisão e edição. isto serve para concluir que é preciso melhorar, e muito, tanto a forma como o conteúdo. os portugueses não exigem um político português perfeito mas antes que também nos mostre que nos fala em perfeito português (- a mim, pelo menos, encoraja-me). :-)

  8. Valupi,

    O que me tens deixado ler da tua lavra, sempre me deixou supôr que defendes para a cidade uma orientação bem diversa daquela que lhe tem sido imprimida pela coligação no poder. Portanto, e a menos que te tenha treslido, não entendo como preconizas que sejam alteradas as dinâmicas que criticas, e menos ainda como imaginas que tal poderia ser conseguido sem uma vitória do PS. Espero que entendas a minha perplexidade.

    Saudações democráticas!

  9. “Não sou militante nem simpatizante do PS.” – já tinhas dito isso há dias
    “Nem vou votar PS nestas legislativas.” – na mesma altura disseste que ias votar no costa, será que o costa vai concorrer por outro partido?

  10. JRodrigues, defendo várias coisas, sendo que a primeira é a liberdade. Logo depois, a democracia. Isso significa que considero democrático ter um Governo com o qual não concorde, desde que ele tenha resultado de eleições livres. Ora, se me parece evidente que só o PS pode liderar um novo Governo que substitua este, daí não decorre que o meu voto seja dado a esse partido. Porque o voto, pelo menos o meu, é sempre um acto que me compromete na minha liberdade. E a minha liberdade, nestas eleições, não fica bem servida dando o voto ao PS de Costa. Não lhe reconheço mérito para conquistar o meu voto.

  11. Exacto, Olinda !

    As virgulas !
    Já agora: será Costa circunsidado?

    Com um povo de esquerda assim para que precisaria mesmo a direita de investir em campanhas ?!

  12. Valupi,

    Então qual foi a parte dos teus depoimentos criticos em relação ao colaboracionismo da “esquerda pura e verdadeira” que tresli ?!
    Repara: longe de mim pretender concidionar o teu voto; mas, se não te importas, gostaria que me ajudasses neste particular: se a minha liberdade tem estado fortemente condicionada pelas politicas em curso, a quem devo entregar o meu voto para alimentar uma perspectiva, minima que seja, de a melhorar ?

  13. Costa é um flop. Uma profunda desilusão para aqueles que ainda a acalentaram. A incapacidade de descontruir o discurso da direita mais abjecta que nos governou, até hoje, é dolorosa de constatar. Por outro lado, o ramo “benzoca” da familía PS prepara o golpe final. À esquerda o ambiente é kafkiano com o Jerónimo a dizer que a CDU está pronta para governar e o BE à espera do convite para o tango. O Mundo está perigoso, tal como a situação da economia chinesa.
    A propósito, estará o Costa mesmo interessado em ganhar as eleições?

  14. “A propósito, estará o Costa mesmo interessado em ganhar as eleições?”

    não sei, nem me interessa saber. só sei que é preciso correr com a garotada que nos governa e a única alternativa é o costa, quer ele queira ou não e depois, logo se vê.

  15. Eu quando tinha 16 anos também sonhava que um dia ia encontrar uma rapariga linda e virgem com quem iria viver uma história de amor eterno. 50 anos depois as minhas prioridades mudaram. Há quem lhe chame maturidade e há quem lhe chame pragmatismo. A cada um o que preferir. Mas a recusa de alguns em casar apenas pq não conseguem certificar previamente a virgindade da noiva, tem um nome qq em psiquiatria…

  16. Parece que o Valupi quer derrubar este Governo ao estilo do Don Quixote de La Mancha.
    Não quero este governo, sou muito de esquerda, sou tão de esquerda e tão exigente que o PS do Costa não me serve, … nem para derrubar o governo. E sendo assim, vou ficar a gramar mais 4 anos estes facínoras da direita que estão a destruir tudo.
    Haja paciência para os líricos que eu não a tenho.
    Viva o pragmatismo porque são os pragmáticos que decidem, caramba !
    Os líricos são os eternos inteligentes à varanda.

    Essa esquerda alegadamente “à esquerda do PS” é quem na verdade SUSTENTA a DIREITA no poder.
    As máscaras caíram. E um dia também chegarão as prisões para eles, porque Roma não paga a traidores.

  17. Inácio disse:
    “não sei, nem me interessa saber. só sei que é preciso correr com a garotada que nos governa e a única alternativa é o costa, quer ele queira ou não e depois, logo se vê”.

    É ISSO MESMO !
    Isso chama-se pragmatismo.
    Já somos DOIS pragmáticos aqui.

  18. e para que interessa saber se é circuncidado, JRodrigues, pegando na tua imagem, se nem sequer tiver sex appeal? é aí que reside a questão onde as vírgulas não são um pormenor naquilo que é, estandarte na batalha pelos votos, comunicar.

  19. MRocha, se a tua aspiração em relação ao casamento era uma virgem tinhas um problema de psiquiatria. se agora já não precisa de ser amor para casares também continuas com um problema de psiquiatria. estamos a falar por imagens, claro: imagens de como o carácter de um homem – ou de um país – se define pela forma como as mulheres são vistas, como disse um outro. e neste caso não vale tudo em nossa consciência só porque se está mal, ou mais maduro, ou com outras prioridades.

  20. Assim sendo … comigo, são mais cinco! A alternativa ao pragmatismo
    será “engolir” o sapo, como em tempos foi recomendado! É a vida !!!

  21. Discutimos este assunto há muito tempo. Há um problema de representação política nestas eleições se quem considera José Sócrates a pessoa que mais responsavelmente defendeu os interesses de Portugal na crise financeira pós 2008, e que os cordelinhos da economia portuguesa não se teriam tornado um mero joguete de especuladores de ocasião, chineses e angolanos, se tivessem existido mais políticos com a sua visão, não tiver em quem votar. Acho que dificilmente sairá uma solução de governo estável, e benéfica para o interesse de Portugal como país independente, de eleições em que uma leitura política tão evidente não tiver poiso.

  22. Porquê o espanto? Já anteriormente Valupi declarara não ser militante do PS e também não ser simpatisante, pelo menos, presumo, desde a demissão de Sócrates. Pelo que tenho lido estou certo que não é simpatisante do PSD ou do CDS, nem, presumo, do PCP ou do BE. Assim, arriscando-me a parecer presumido, presumo que para a sua liberdade ficar bem servida, Valupi vá votar na abstenção. E se o PS não ganhar, paciência, fica para a próxima.

  23. É uma exorbitada e inesperada tirada de oratória de tribuno, Valupi.
    Se António Costa a pronunciasse, com voz tonitruante, do alto das escadarias de São Bento, decerto teria a maioria absoluta garantida.
    Mas as novas vagas da pós mdernidade rechaçaram essa peça do líder a conduzir as massas, da força física para amparar e da força anímica para empurrar, que tem até, entre as massas, má conotação. Para os eleitores indecisos, a força física que ampara é aquela que empurra e a força anímica que empurra é aquela que desampara.
    Os eleitores indecisos riem-se com sarcasmo dos napoleões inflamados perante as tropas. A primeira coisa que os eleitores indecisos fazem, se entram em fúria, é derrubar as estátuas de Lenine e de Estaline. Nos teatros celebra-se a paródia dos líderes de antanho.
    Será que deitaram por terra os ídolos de pés de barro e ainda não conseguiram inventar outra coisa? E querem erguer novos líderes sobre os pés de barro dos derrubados?
    Continua a haver um domínio incomensurável de convicção dos indecisos onde urge construir, tijolo a tijolo, as novas formas de política. Um incomensurável domínio de vontade, por vezes de intuição, que apenas se revela no momento eleitoral e não consegue manifestar mais do que a ausência.
    António Costa e outros deviam, na verdade, deixar de escrever cartas e passar a ler as que recebe.
    Mas agora é tarde. Não se pode começar a construir novas formas a dois passos de regressar às velhas.
    Tanto que qualquer indeciso poderia escrever a António Costa.
    Mas agora já não há tempo. António Costa tem que governar, ganhe ou não as eleições.

  24. JRodrigues, não sei o que é que leste, menos ainda sei o que é que entendeste do que leste. Mas sei que fazes bem em pensar pela tua cabeça. Pelo que mostras, não pertences ao grupo dos indecisos. Nesse caso, podes descontrair. E, quiçá, admirar a diversidade de opiniões a respeito dos mesmos assuntos, isso que faz a riqueza sagrada da democracia.

  25. Já vi que há aqui muitos defensores acérrimos do PEC 4…
    Parece que os Profs. Campos e Cunha e Teixeira dos Santos andavam enganados…

  26. Caros,
    Esta questão da procura por Valupi da essência da virtude ou verdade que, tal como Platão, levou à “Ideia” e ao idealismo que até hoje criou duas visões e correntes de pensamento extremistas-asolutistas que opõem metade dos filósofos, os idealistas, contra a outra metade, os materialistas, é uma matéria que já foi aqui discutida há pelo menos um ano ou mais.
    À sua maneira Valupi é um intelectual individualista-exibicionista que, não procurando ou pretendendo fazer uma descoberta filosófica nova sobre a Ideia do Bem ou Verdade absoluta, quando é necessário decidir sobre questões práticas, pragmáticas ou de elevado relativismo de valores políticos, coloca-se sempre na posição de exibir uma actitude intelectual de intransigente defesa da “sua liberdade” individual, mesmo sabendo que o uso da sua liberdade individual de per si possa implicar gravosamente contra a liberdade social da maioria.
    Repare-se nesta frase valupista;
    “E a minha liberdade, nestas eleições, não fica bem servida dando o voto ao PS de Costa. Não lhe reconheço mérito para conquistar o meu voto.”
    Se não reconhece mérito em AC para merecer o seu voto é porque reconhece esse mérito em outro candidato. E a questão é; qual é o outro candidato, fora do paf, que já demonstrou as suas qualidades de governante ou mesmo tenha alguma experiência de governar um grande município com êxito?
    Uma personalidade como Valupi que apoia Costa mas não vota Costa, que defende obstinadamente Sócrates mas pensa que este se pôs a jeito para ser preso por pedir dinheiro a um amigo e assim ou lá perto em todos os casos, cabe precisamente naquela categoria de indivíduos que António Costa classificou referindo-se à pachecal figura e o ignatz aqui citou com uma clareza e acutilância precisas.

  27. Boa parte dos comentários expressa que a única saída para nos livrarmos destes pantomineiros que nos governam seria uma vitória do PS de Costa. Partilho da opinião que só o PS está em condições de o fazer mas, a considerar como boas as sondagens (não a dos +6% feita pela coligação para enganar os encautos) o resultado final não augura nada de bom, pelo que só um “golpe de asa” pode alterar a possibilidade de ter fundadas espectativa de ganhar as eleições. E aqui começa mais um problema é que não consigo saber (saber sei mas, não digo) o que vai fazer Costa com uma vitória sem maioria como será espectável.
    exp

  28. “… não a dos +6% feita pela coligação para enganar…”

    sr. ferreira em lado algum foi referida uma sondagem que desse mais 6 por cento de votos à coligação, o que foi dito é que a coligação tinha tinha encomendado uns estudos a uma tal pitagórica e que tinham concluído uma vantagem de 6 pontos sobre o ps, o que é bem diferente por vários motivos:

    1 – a pitagórica pertence a um apoiante do massamólas e tem um longo historial de martelanço de sondagens, até os próprios militantes psd se queixam disso.
    http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1523330
    2 – não foi feita nenhuma sondagem ou apresentada a ficha técnica, dizem que foram estudos internos para não ter de revelar nada e tá feito.
    3 – seis pontos, tanto podem ser um lanho na testa como o número de idotas que acredita nestas estórias para crianças tipo jazus.
    4 – a notícia era tão boa, que a deixaram cair em menos de 24 horas, não fosse a cne investigar e irem todos presos.

    resumindo: a coligação mente, aldraba, martela, vigariza, difama, inventa, manipula, torse, distorce e tortura a verdade a um ritmo que não dá para esclarecer seja o que for. apostaram no ruído, com o apoio da comunicação social, para abafar as inciativas da oposição e desviar o diálogo para cenas marginais ou chafurdice em que são mestres. só há uma solução, deixá-los a falar sózinhos até gastarem as pilhas.

  29. Valupi,

    Dado que a liberdade não é algo que se compre pronto a consumir nas prateleiras do pingo doce, mas um modo de vida que se constrói com politicas nas áreas da educação, da saúde, do emprego, da cultura, etc e tal, que promovam de forma sistemática a igualdade de oportunidades e o bem-estar entre os cidadãos, não me ocorre como é que ela pode ser exercida não contribuindo para a consolidar.
    Ora, penso eu de que, quem se abstenha de votar contra a coligação no poder ou quem exerça a sua liberdade votando de forma a contribuir para a impossibilidade de formação de um governo à esquerda, o que estará na prática a fazer é a contribuir para minar os alicerces da liberdade que acredita estar a defender. É que a tua ou a minha liberdade de escolha não são o único critério de aferição da liberdade. A escolha só é livre qd exercida entre iguais. Tendo por adquirido que aceitarás como boa a tese de quem quem é obrigado a emigrar por não encontrar emprego em pt não é tão livre como quem tem um contrato vitalicio com o estado ( e isto para dar apenas um exemplo ), como é que tencionas usar o teu voto para contribuir para travar a deriva assimétrica dos ultimos anos ? Achas mesmo que basta haver alternativas para existir liberdade ? Continuo sem saber como pretendes resolver esta aparente contradição, pois fugiste à questão que te deixei ás 21.38…

  30. Costa não me enche as medidas? não, digo até que ás vezes me desilude, mas que está a anos luz dos tansos que nos governam, disso não tenho dúvidas.

    O meu voto é dele.

  31. Olinda,

    Não tenho pedalada para si. Essa sua capacidade de dar a volta a uma imagem de treta que usei para se escapulir ao ponto e vir discutir as minhas eventuais tendências misóginas, é de mestre!
    Rendo-me pois à sua evidência: a perfeição existe, a verdade existe, até deus existe. E enquanto não houver quem os corporize, vou abster-me no voto e aguadarei serenamente que esse neo-cristo se materialize por obra e graça do espirito santo ( o original, claro….)no ventre da virgem-Olinda para nos salvar.
    Oremos pois, irmãos: Avé Olinda, cheia de graça, bendita sejas entre as mulherzinhas…..

  32. Acerca dos indecisos.
    ”Jamais la psychologie ne pourra dire sur la folie la vérité, puisque c’est la folie qui détient la vérité de la psychologie.”
    M Foucault.

    A quem agora viesse dizer a verdade e falar ao coração dos portugueses, os portugueses perguntariam porque só agora acordou e porque só agora veio iluminar os seus corações.

  33. Ainda que padecesse de algum tipo de indecisão, bastar-me-ia ter sabido do caminho de privatisação do ensino que tem sido acarinhado e promovido por este governo sob o lema da “liberdade de escolha”, para me decidir sobre a necessidade de alternativa que recoloque toda a ênfase na defesa de escola pública, pois é esse um dos pilares da liberdade.
    Depois, e ainda que continuasse indecisa sobre a quem entregar o meu voto na esquerda, bastar-me-ia ver quem nela se tem atrevido a assumir a governação e quem se limita a fazer oposição para me decidir de vez.

  34. o jose neves disse quase tudo acerca do perfil valupi. ja agora, por que razao valupi nao escreve uma única linha acerca do candidato e da formação política que apoia, mas glosa como se não houvesse amanhã sobre um partido e um candidato que não apoia? e por que razao o perfil valupi nao revela quem é o candidato e a formacao politica que dizem as coisas que ele neste post acha que um candidato deve dizer aos eleitores?

  35. mrocha, intelectualmente deplorável o texto da olinda. mas advém de um desequilibrio hormonal está estudado e excelentemente documentado em inúmeros sketches do porta dos fundos.

  36. JRodrigues, pretendes que seja eu a decidir o teu voto? Diria que isso te desqualifica a converseta. Se precisas que te digam em quem votar, então se calhar é melhor fazeres uma pausa para pensares na vida.

    Quanto ao que escreveste sobre a liberdade, num raciocínio muito mal amanhado, fiquei preocupado. Estás a sugerir que o único voto livre é num partido, o da tua preferência, excluindo os restantes. Isso faz de ti alguma coisa bem diferente de um democrata.

  37. Sr (isto agora entrou nos “eixos”) ignatz, sobre as sondagens creia – me que não me disse o que não sabia. Dizer que a dita foi feita pela coligação foi a forma abreviada de dizer o que julgo toda a gente saber.
    Cumprimentos

  38. MRocha, estás a ver como resulta fazer com que quem usa imagens de treta se veja ao espelho? treta é treta.

    ena, pá, enapa, não posso concordar mais contigo: usar imagens de treta como argumento – vivam as imagens que não são da treta! – é mesmo intelectualmente deplorável. mas também não estou a chamar-te misógino indirectamente. claro que não.

  39. Valupi,

    Se o que pretendes é que me cale, podes dize-lo directamente e garanto-te que não te volto a incomodar nesta tua casa. Se não é, não desconverses, pois apesar de mal amanhado percebeste perfeitamente onde pretendi chegar com a minha prosa: a tua liberdade de escolha interfere com a minha. Quando tu chegas à cabine de voto de barriga cheia e eu de barriga vazia, a nossa liberdade de pensar e decidir é mt diferente. Enquanto eu me limito a votar em quem me der melhores garantias de que vou ter o sufciente para a açorda, tu podes permitir-te votar em quem te garanta levar o Placido Domingo ao S Carlos na proxima temporada.
    Não sou nem tenho qq pretensão de filosofo da liberdade. Mas uma coisa a vida me ensinou: sem igualdade não há liberdade. E não havendo igualdade, a tua liberdade de votar ou de não votar em quem defenda politicas que a promovam, condiciona a liberdade da minha neta a escolher o futuro com que sonha.

  40. JRodrigues, podes justificar o teu voto como te der mais gosto. Mas quando alegas que o voto de um terceiro se deve conformar aos teus critérios, estás fora da democracia.

    Isto é simples, quer tenhas a barriga vazia ou cheia.

  41. «Mas quando alegas que o voto de um terceiro se deve conformar aos teus critérios, estás fora da democracia»

    A alegação é tua, não é minha. Aceito o regime democratico com todas as suas vatagens e inconvenientes. Mas o que eu disse nem tinha a ver com isso. O que eu disse é que o teu voto interfere com a minha liberdade. E o meu com a tua.

  42. JRodrigues, tens de ler com mais atenção o que escreves. Se o meu voto interfere com a tua liberdade, então todos os votos, à excepção do teu, interferem com a tua liberdade. Daí decorre que é a democracia que está a interferir com a tua liberdade. Corolário: a tua liberdade, para se cumprir sem interferências, é incompatível com a democracia.

  43. «Corolário: a tua liberdade, para se cumprir sem interferências, é incompatível com a democracia.»

    Excepto se quem exerce com o voto a democracia não tiver um entendimento um entendimento da liberdade que começa e acaba no seu umbigo. Se cada cidadão eleitor tiver essa consciência de que pertence a uma comunidade e valorizar a liberdade dos outros tanto quanto a sua, não vejo onde possa estar a incompatibilidade que invocas.

    Dou-te um exemplo. Se quando fores votar numa politica que defende o cheque-ensino não te lembrares que a “liberdade de escolha” que ele alegadamente promove significa, para a minha neta que vive e estuda em Estremoz, a possibilidade de escolher entre a secundaria rainha santa isabel e a secundaria rainha santa isabel, achas mesmo que estás a respeitar a liberdade dos outros?

  44. JRodrigues, andas à nora com essa maravilhosa noção da liberdade que recusas aos outros. Para ti, só os teus interesses é que merecem respeito democrático, tudo o que lhes seja estranho aparece-te como um ataque à tua liberdade.

    Tens aí muito trabalhinho para fazer.

  45. olinda, “da treta” no sentido de inócuas moral/eticamente, não no sentido de desprovidas de sentido de oportunidade ou de razão. golpe baixo o teu que queres ver maldade e meter veneno onde não o há. é a tua leitura das “imagens” que as tornam maldosas, misóginas, ou o que de mais mau quiseres veres nelas. se quiseres ver nelas um bom exemplo, também podes, mas precisas de te livrar do preconceito e, a montante, mais complicado, da sua causa – se é que ainda vais a tempo.

  46. Valupi,

    Não me digas que só descobriste agora o que significa luta de classes ?! :)

    Devo deduzir da tua ultima tirada que me devo conformar com a inevitabilidade de a minha neta frequentar uma escola publica de segunda ( pois só há aquela ….) porque o sistema foi votado por uma maioria de burguesinhos egoistas que vivem na capital onde a possibilidade de escolha até existe ?! É isso que defendes ?! É que se é isso devo dizer-te que o problema não é meu, pois quem evidenciaria claro desrespeito pela igualdade de oportunidades constitucionais passaria a seres tu.

  47. Valupi,

    Para quem ainda ontem decretou a censura a comentários fora do tópico, a tua ultima entrada é…genial.
    Mas deixa lá, já percebi.

  48. Eu consigo entender o pragmatismo. É simples.
    O que não consigo entende são as noções propedêuticas alegadas pelo pragmatismo, liberdade, democracia… coisas assim.
    Não me digam que o pragmatismo se tornou idealista…
    Agora entendo porque razão o PS não abdica do seu nome.
    Nem a justiça abdica de ser cegueta. Nem a prática política abdica do nome da República.

  49. Nunes,

    Nunca leste “Positivismo e Idealismo” da Agustina, e o seu conceito de “idealismo prático”?
    No fundo ela não defende nada que não se confirme no dia a dia: que a ilusão produz realidade. Mas julgo que não era esse o tópico em discussão.

  50. O Partido Socialista parece que não tem a noção do valor que os cidadãos dão às próximas eleições legislativas. Parece um partido minado por facções, incompetência e pessoas lights. Por muito que queiram desvalorizar o tiro no pé dos cartazes, a verdade é que, parecem não ter a noção de que vivem numa sociedade mais informada, ninguém percebe como é que usaram fotos sem o consentimento escrito onde estaria explicitado o seu uso. Não se percebe como é que, sabendo que estão em disputa direta com o PSD/CDS, não tem uma estratégia bem definida, com um calendário em que se perceba a oposição à atual governação e às suas medidas de austeridade radical, e com a apresentação da sua visão de mudança, na saúde, na educação, nos impostos e na sua máquina cega, na proteção dos mais pobres. Digam quais os seus objetivos quando forem governo, não de uma forma avulsa ou em documentos pdf. Quem vota não são só os analistas políticos, os comentadores, os jornalistas, os seus pares políticos, os académicos. Como é que foi possível Maria de Belém apresentar-se como candidata às eleições para P.R., naquele timming? Com António Costa em direto numa TV, sem saber de nada? E depois vêm dizer que foi uma gaffe? Isto não são gaffes. São erros crassos de comunicação, que revelam um partido sem uma direção definida, sem uma estratégia política aglomeradora, sem espírito de representação dos cidadãos. É um partido que se esqueceu do que é ser representante dos cidadãos. Parece que o PS acha que já ganhou. Que não tem de fazer nada, é só esperar que lhe caiam os votos em cima, só porque já ninguém aguenta este governo e a sua visão para portugal. E pq o PS está convencido que é a única alternativa. Esquecem-se que tem de mostrar que são essa alternativa, que merecem os votos, esquecem-se que muitos eleitores não sofrem de partidarite, nem votam de uma forma cega e cheios de fé. Por muito que eu esteja descontente com estes senhores no governo, não é por isso que voto “automaticamente” no PS. Tenho de partilhar e concordar com a visão de futuro para o meu país.

  51. Cara Susana,

    Desculpe que lhe pergunte, mas qual a parte do seu comentário a que respeita a «a visão de futuro para o meu país.» do PS que pretende discutir ?
    Não está também a Susana a fazer o frete à direita de trazer para a agenda a discussão dos casos que não seriam casos se a direita não tivesse sugerido que o eram , enquanto nada se discute da tal “visão” que por acaso o PS até tem editada e publicada ?

  52. enapa, eu não disse que te estava a chamar misógino indirectamente – disse o contrário. costumo ser bem directa. como vês, a leitura da maldade está em ti – eu apenas traduzi o desequilíbrio hormonal que referiste com intelecto deplorável por dentro. :-)

  53. e vem o rótulo de intelectualmente deplorável e desequilibrada hormonal a propósito de não ver o PS como alternativa absoluta na liberdade de voto. ah!

  54. olinda, a questão, a única questão tem a ver com o voto útil, é isso que está em causa, era disso que falava o exemplo das “imagens da treta”. o exemplo não falava de misoginia e desviar a conversa para esse tema, que não é o tema, consiste numa deriva de assunto intelectualmente deplorável e um golpe rasteiro de argumentação. a questão do voto útil é importantíssima num momento social e político como este, e é pertinente perguntar e questionar (com toda a veemência democrática) todos aqueles que se dizem de “esquerda” por que raio vão desperdiçar votos em forças políticas efémeras e, com isso e bem pior do que isso, permitir que a direita continue, com redobrada legitimidade e força, a legislar e a ser governo por mais 4 anos. é para arrasar com este país de vez, é isso que pretendes? não te chegaram os últimos 4 anos para abrires a pestana?

  55. O PS é um mal menor, tal como a própria democracia entre os demais sistemas ( pelo contrário, o perfil denominado “Valupi” diz que é “sagrada” – alucinação total), portanto também terá um nome em psiquiatria (ou em endocrinologia, a propósito de desequilibrios hormonais) o distúrbio daqueles que vão votar naquela esquerda que dá votos à direita.

  56. Com todo o respeito, aos que aqui, ainda não sentiram o erro de terem , colocado direita no poder. O povo já sentiu ( digo eu…) Criticar agora Seguro e seus amigos, por quererem muito ser ministro, é tarde… mesmo que com essa prática , permitiram à direita o controlo completo da Comunicação Social, uma certa justiça, paralisaram os Sindicatos, e até os movimentos Sociais. ANTONIO COSTA, vale um pouco mais queo PS, dado ter a seu lado, um grande grupo de independentes muito ativo ( dos quais eu me incluo). Contra ele, há gente do próprio PS, toda a “esquerda volupi “( a mesma que se aliou a esta direita e a colocou no poder) Toda a direita Europeia, , incluindo os lideres da UE, que lhes permitirão fazer algumas “flores”…Mesmo assim, quero acreditar que AC vencerá com uma maioria confortável. O povo democratico, mais à esquerda ou mais moderado sabe que o gang que nos afundou, não mereceo minimo de credibilidade, as mentiras estão gravadas e a realidade da Europa liderada por BARROSO, apoiado por Passo/Portas estão aí a reclamar da EUROPA, o CRIME….Do Iraque, Siria, e Líbia.

  57. Eu só NÃO percebo como é que esta MALTA «bota faladura» e ESQUECE o que a certa Esquerda fez e outra permitiu – o TRATADO de LISBOA. É que se conhecem o articulado deste e se, ainda assim, continuam a «botar faladura sobre a Europa», então o caso é de psiquiatria mesmo. Mas o POVO está assim tão ignorante?!

  58. a direita acaba de chumbar o tratado de lisboa e não tarda estará nas ruas a manifestar-se pela saída da comunidade. qualquer merda serve de bóia para um governo que não pára de meter água e está quase a afundar. dia 4 outubro vais perceber os articulados todos e a ignorância do povo com a banhada que vão levar.

  59. a questão, enapa, reside apenas no facto de não aceitarem que o voto útil não tem que ver com a escolha do voto de cada um – por isso é que o voto é livre. o resto, sim, é treta – a treta que vos dei a provar.

  60. O TSIPRAS gostou tanto do banho que levou, cansou-se e vai novamente a banhos. A história da esquerda.
    E Marx tanto que escreveu.

  61. Afinal o tratado de Lisboa não permitia a SARCOZY, JOSÉ MANUEL BARROSO, E CAMERON, autorizarem os crimes da LÍBIA E SIRIA? E a bush, Blair, aznar e novamentenom”nosso” BURROSO, atacarem o Iraque?
    Entretanto, a camarilha, na cara dos refugiados e migrantes, riem deles e continuam a faturar em grandes conferencias pelo mundo fora, pagas a peso de OURO. Até que um dia alguém se lembrevda cara deles…

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